. Bem-vindos ao Portistas de Bancada - UEFA CHAMPIONS LEAGUE FANTASY FOOTBALL: Já está criada a liga Portistas de Bancada desta nova época, aceda a esta liga através do código 96295-19616 para participar neste famoso passatempo - OPINIÃO DA BANDCADA: 11 de Luxo: Qual a melhor serie? É esta a pergunta que está na barra lateral à espera da Opinião da Bancada

31 Agosto 2007

Patrioteiros de ocasião

Por Zé Luís

Leiria e outros gozam dos pontos que o FC Porto acumulou e acham-se no direito de fazer reparos deslocados, injustificados e até imorais. Talvez ajudem agora a abrir mais vagas para eles mesmos em nome do superior interesse nacional

Caiu como uma crítica fácil a alusão à “falta de patriotismo” do FC Porto por não aceder a adiar o jogo com a U. Leiria, já este domingo. Os leirienses, curiosamente, deveriam ser os últimos a apontar o que quer que seja, em termos de contribuição colectiva para o ranking de Portugal na UEFA, mediante o qual as equipas portuguesas competem em maior número e em estádios de competição mais avançados.

Antes de olhar para dentro, o treinador Paulo Duarte deveria pensar que, em provas europeias, a U. Leiria tem de agradecer por andar ali. Não é estreante, como apontaram na televisão, mas comporta-se como um clube diletante na Europa – enquanto a SAD de Bartolomeu equilibra as contas e obtém balanços positivos para se manter, com dignidade e rigor, na I Liga apesar de uma cidade de costas voltadas para o clube.

Deslocado e imbecil
A U. Leiria vai ter 72 horas de descanso entre dois jogos. Jogou em Israel e tem de defrontar o FC Porto. É o que defendem os regulamentos. Os portistas, alvitrou Paulo Duarte, podiam aceitar adiar o jogo para 2ª feira, talvez até para outra altura do ano. Só os amadores pensam assim ou, na verdade, pimenta no cu dos outros é refresco.

Se o FC Porto tivesse “dificultado” o agendamento de um jogo antes de um compromisso europeu do adversário, a crítica teria cabimento. Ora, não se passa assim. Não só está defendido o período de descanso regulamentado (72 horas), como se atrapalhação causa à U. Leiria é porque… anda na Europa como excurcionista.

A U. Leiria, como muitas outras equipas, inclusive as chamadas “grandes”, já beneficiou do desgaste europeu do FC Porto. Logo, não tem lições a dar a ninguém, até porque fez raríssimos jogos “uefeiros”. A falha de “carácter” apontada ao FC Porto não tem sentido. Está deslocada. E é tristemente imoral para não dizer imbecil.

Lembre-se que Paulo Duarte é genro de João Bartolomeu, o presidente da SAD. É, agora, o treinador de uma equipa que ainda na época passada para alguns era o FC Porto B… O agora técnico, que tem montada uma equipa interessante pelo que já se viu, está a esquecer-se de algo mais para além dos favores devidos ao FC Porto. Paulo Duarte regozija-se, e muito bem, por a U. Leiria já ter passado duas eliminatórias, coisa inédita, mas deve saber que a Europa acarreta custos financeiros e desportivos, desgaste nos cofres e nas equipas em termos físicos e psicológicos.

Paulo Duarte esquece outra face da moeda: o contributo televisivo. Podia preocupar-se pela razão de, em virtude de o Leiria-Porto ser televisionado (domingo, 20.30h, SportTV2), o jogo inicialmente marcado para as 21.30 horas, por decisão da Comissão Executiva da Liga que tem esse poder, ter sido antecipado por uma hora.

O pior, ainda, é que se o FC Porto aceitasse a sugestão leiriense, de marcar o jogo lá para a frente no calendário e até ao fim do ano, a U. Leiria ia andar a coçar os tomates e o FC Porto metido na Liga dos Campeões até ao tutano.

Mais: depois deste jogo da I Liga, a U. Leiria não vai fazer nada além de um amigável com o Benavente ou Salvaterra de Magos. Ao invés, muitos portistas estarão nas diversas selecções, a maioria até com Portugal frente à Polónia e à Sérvia, antes de reatar a caminhada da I Liga na recepção ao Marítimo e depois ao Liverpool.

Os diletantes
Neste quadro, seria difícil aos portistas sobrecarregarem os seus jogadores que vão às selecções. Outra nota é a de que a Liga, agora, não quer jogos internos a atrapalharem as selecções e a equipa de Scolari concentra-se salvo erro na 3ª feira para o duplo compromisso em que os leirienses não serão chamados a participar. Paulo Duarte poderá até ir à praia de Vieira de Leiria veranear um bocado e arejar as ideias…

O que fica, por fim, por lembrar é que, na Europa, só as equipas pequeninas andam de voos de carreira normal. Por causa dos diferentes compromissos, na Europa as equipas andam de “charter”, que implica custos para se abreviarem as deslocações e ganhar-se tempo de recuperação.

A U. Leiria teve semanas para preparar um “charter”. Sem poder preenche-lo, optou por ir em tráfego aéreo comercial. Até ao ridículo de hoje os jogadores partirem de Israel aos “pacotes” e com transbordos pelo caminho.

Nada disto, porém, é anormal na U. Leiria. Não só noutras ocasiões os leirienses voaram entre a gente comum, como até se deram ao luxo de perder uma eliminatória da Intertoto, em 2002, com os estónios do Levadia Maardu por inscrição ilegal de um jogador, creio que Douala, na 1ª mão. Da vitória de 1-0 em campo, confirmada por 2-1 em Tallinn, o 0-3 sofrido na secretaria expôs o carácter amador da gestão de uma equipa de futebol em termos competitivos, por muito bem que andem equilibradas as finanças. Lembro ainda que, dessa vez, a viagem em carreira comercial obrigou a ficar mais um dia na Estónia, voltando so 48 horas apos o jogo…

Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal.

De resto, a U. Leiria, agora frente ao Bayer Leverkusen, decerto fará os pontos necessários para que uma equipa portuguesa volte a jogar a Taça Intertoto apenas na 3ª eliminatória, com acesso próximo para a fase de qualificação da Taça UEFA. Não só os leirienses. O 6º lugar do P. Ferreira também exige dos pacences pontos para o ranking lusitano, frente ao AZ Alkmaar.

Estes bónus resultaram do contributo liquido do FC Porto nos anos de vencedor da Taça UEFA e Champions, entretanto já perdidos. Para o ano não há mais, nem o 3’ classificado vai a Champions e o vice campeão fará a pré eliminatória. Talvez a Intertoto se abra mais cedo a um clube português.

Isto, claro, se Leiria e C. derem algo de valioso para o ranking patriótico. Embora não acredite…

Etiquetas:

30 Agosto 2007

FCPorto no grupo do vice-campeão europeu

Por Zirtaev

Etiquetas:

Soren disse...

Por Zirtaev
A ignorância continua. E como o disparate é apanágio dos aziados, a azia é generalizada e o disparate também, porque a liberdade assim o obriga.

A capa do Record, não é surpresa nenhuma, é do mais ridículo, do mais pobre, do mais redutor que há no pseudo-jornalismo desportivo português:"Um caso Sérvio".

Não fica bem maltratar uma pessoa que até teve uma exibição segura, por um erro que só demonstra alguma inexperiência e nervosismo perante um ambiente algo hostil. Se Ricardo fosse ainda o guarda-redes do Sporting, escrever-se -ia certamente, um caso Português. Pois claro.

Isto é quase é um caso psiquiátrico. Sempre pela negativa, sempre pelo medíocre. Em vez de enaltecer o bom jogo deste ou daquele, eleva-se a importância do negativo. Porque a azia assim o dita. Porque o "exterior da escrita" encobre a inveja. Porque esta é a cultura...

Na Bola, o "Porto mereceu o brinde". Mais uma vitória oferecida, leia-se. Mais um titulo negativo, mais um comentário para reduzir, com o intuito de encobrir o mérito.

Chamam a isto jornalismo. Eu chamo a isto ignorância. Incapacidade de libertação mental. Incapacidade de enobrecer o jornalismo, de ser imparcial, factual, justo.

Mas não se trata de justiça, trata-se de inveja e de pequenez.
2a circular, centralismo. Não porque seja o melhor para a nação, (alias é bem visível o que a falta de descentralização tem feito ao pais nos últimos anos), mas alimenta o ego do pobre de espírito, do complexado.

E é aqui que acabam todas as conclusões sobre esta casta invejosa que se diz portuguesa. Este povo é complexado. Este povo é triste, é acabrunhado.

E ao que levam os complexos e a tristeza?... À megalomania. Ao conceito de Dom Sebastião.

Todos os dias se enaltecem feitos nunca vistos, feitos não reais, todos os dias se da favoritismos a quem tem recordes negativos, todos os dias se elevam a heróis ilustres desconhecidos, todos os dias se elevam a Deuses e detentores da verdade os que vestem de Lisboa ao peito.

Sempre favoritos, sempre melhores, sempre "grandes" nas muitas derrotas. Sempre pequenos na atitude.

O caso do Benfica é naturalmente diferente do do Sporting.

Enquanto os feitos fantasma do Benfica enchem o ego da ignorância geral, os feitos fantasma do Sporting enchem a espaços o que os do Benfica não conseguem encher. O Sporting como sempre, continua a ser utilizado, instrumentalizado. Como foi na altura de Salazar.

Há coisas que são genéticas, outras vão-se entranhando no corpo. O hábito faz o monge.

Quando o Benfica se vê relegado para posição confrangedora, como tantas e tantas vezes tem acontecido nas ultimas 2 décadas, aparece o Sporting, qual Dom Sebastião, a defender a união nacional, a defender o espírito da nação, a ocupar o imaginário do triste invejoso.

...é uma espécie de memória colectiva, em que os desgraçadinhos se apoiam uns aos outros, nas horas difíceis, que são muitas.

Esta memória colectiva age como os grupos radicais, com palas e cegueira.

Por isso, coitados, não conseguem vislumbrar penalidades no último minuto em jogos no Dragão, golos em fora de jogo nos últimos minutos em jogos na Luz, nem Preudhomes a tirar bolas de dentro da baliza depois da marcação de cantos.
Mas conseguem ver golos fantasma em lances que depois de vistos e revistos por todas as cameras presentes no local, indiciam precisamente o contrario e agora conseguem também fazer juízos de valor, em relação às intenções deliberadas deste ou daquele, que deitam a bola para traz (atraso) na direcção do seu guarda-redes, que por sua a vez a agarra (falta passível de livre indirecto).
E é isto que estes tristes pseudo-jornalistas desportivos oferecem ao país, a oportunidade de um imaginário cheio daquilo que a cultura imbuiu no ignorante.
Que pobreza meus amigos.

Depois de um empate vergonhoso na Arménia e de mais uma medalha de ouro em campeonatos mundiais de atletismo. A escrita deita-se e acorda infeliz, com a inveja no outro lado da cama.

Porque os pobres alimentam-se assim, de palmadinhas nas costas, vitórias morais e umas sopinhas de milho. Porque grão a grão enche a galinha o papo e até um gato quando tem fome, come uns cereaizinhos.

O Porto esse, vai continuando, sofrido mas sereno, atacado mas firme, demasiado forte porque o Timoneiro não desarma, a ganhar vezes demais. Pelo meio vai representando o pais, com nobreza, e comendo uns bichos papões por essa Europa fora.

Soren em 28/8/07 às 16:15 em comentário ao post "Coroado um dia do Carvalho"

Nota do administrador: Porque há comentários que merecem ser posts, a partir de hoje, e quando for possível, colocarei em destaque comentários que ache que mereçam relevância. Vou assim tentar ampliar a voz de uma das maiores qualidades deste blog, os seus comentadores. E é com este excelente texto do Soren que inauguro este novo espaço no Portistas de Bancada. Espero que todos os outros que façam os excelentes comentários que vão aparecendo, e que por um motivo ou por outro eu não coloque em post, não percam a esperança de um dia os seus textos serem transformados numa das Vozes da Bancada .

Pedia aos Portistas de Bancada que se pronunciassem sobre esta nova iniciativa, já que afinal de contas é deles a autoria dos textos.

PS: Já estão definidos os potes para o sorteio da Champions League a realizar hoje pelas 17H00:

Etiquetas:

29 Agosto 2007

Meios Públicos e Privados

Por Nuno Nasoni
A LPM, de Luís Paixão Martins, é uma das prestigiadas empresas de consultadoria de imagem e relações públicas do país. Refira-se que, nos tempos actuais, serão raras as grandes instituições que poderão dispensar-se de ter gabinetes especializados em imagem e comunicações com o exterior ou, em alternativa, contratar esses serviços a empresas como a LPM.

Sendo reconhecido que o nosso FCP possui aquilo que se chama “má imprensa”. Os seus sucessos são sucessivamente desvalorizados pela comunicação social – quando não amesquinhados – e os seus problemas amplificados. Para tentar vencer este obstáculo, não surpreende que o FCP tenha decidido, recentemente, recorrer aos serviços da LPM. Recorde-se que a gestão da imagem é um pilar importante para garantir a sustentabilidade das nossas vitórias, quer pela captação de novos adeptos que poderá proporcionar, quer pela possibilidade de se negociar contratos de publicidade em condições mais favoráveis – em ambos os casos, podendo garantir mais receitas para o clube.

Após a curta colaboração da LPM com o nosso clube, surge agora uma carta desta empresa a rescindir o contrato. A carta, que transcrevo na íntegra (com sublinhados meus), pode ser consultada no blog profissional de Luís Paixão Martins:

“Pela circunstância de estarmos ligados ao Futebol Clube do Porto por um contrato de prestação de serviços de Conselho em Comunicação e Assessoria Mediática temos sofrido, nas últimas semanas, uma lamentável sucessão de pressões ilegítimas.


Não é este o momento adequado para tornarmos público o conteúdo e a forma dessas pressões, mas queremos deixar claro que nunca, nos 20 anos de actividade da LPM
, algo de semelhante tinha ocorrido.

Tememos que a continuação do contrato que nos liga ao FCP possa colocar em risco a normal actividade da LPM em prejuízo dos cerca de 70 colaboradores que empregamos e das cerca de 50 instituições que representamos.


Estas circunstâncias levam-nos a solicitar a rescisão amigável do contrato.


No momento em que o fazemos deixamos claro que nada de menos ético – muito menos ilegal - ocorreu no nosso relacionamento com a vossa instituição e que as pressões que têm sido exercidas sobre a LPM, essas sim,
pressupõem uma lamentável falta de seriedade de entidades que deveriam dar o exemplo ao País.

A curta experiência de trabalho com o FCP confirmou, infelizmente, o que tínhamos identificado no diagnóstico inicial: existe uma anormal coligação de interesses que procura impedir a expressão pública da vossa instituição, mesmo quando se trata de situações que poderíamos descrever como de legítima defesa.


Nas últimas semanas, porque ocorreram episódios mediáticos (a maior parte sem qualquer intervenção nem do FCP nem da LPM) que mostram quão frágil é o guião construído por esses interesses, foram sendo utilizados sobre a nossa empresa meios, públicos e privados, que relevam sobremaneira o desespero dessas entidades e a falta de consideração pelos princípios éticos que deviam respeitar.


Neste contexto, estamos certos de que compreenderão melhor do que ninguém esta nossa decisão.


LPM, 25-08-2007”


A gravidade das situações retratadas no documento não pode passar em claro. Refere-se a existência de pressões ilegítimas – ou seja, que os seus autores não hesitarão em ultrapassar os limites consentidos pela lei –, e é referido que a LPM poderá ver a sua carteira de clientes em risco, caso mantenha a ligação ao FCP. A acusação abrange instituições que, repare-se, “...deveriam dar o exemplo ao País”.

LPM vai mais longe, dizendo ainda que foi pressionado com recurso a meios públicos e privados. Sobre o uso de meios privados, num Estado de direito, pouco haverá a dizer – desde que os mesmos sejam utilizados de forma legítima. Quando se fala de meios públicos – ou seja, meios que ajudamos a financiar com o dinheiro dos nossos impostos – o caso muda de figura. Trata-se de uma questão política – porque a decisão de empregar meios públicos é sempre política –, e pressupõe a existência de uma teia de interesses coligados com fins cujo alcance dificilmente poderemos descortinar.

Essa teia poderá adensar-se se virmos, aqui, qual a actual carteira de clientes da LPM. Entre as instituições públicas, ou controladas pelo Estado, podemos encontrar a Adene, a Administração do Porto de Lisboa, a Carris, a ParqueExpo, o Turismo de Portugal e, pasme-se, o Supremo Tribunal de Justiça. Esta lista de entidades públicas, diga-se, está longe de ser exaustiva. Também é curiosa a presença da Fundação Oriente, que sempre teve ligações bastante fortes com a “clique” do PS.

Dir-se-à, com justiça, que a denúncia de LPM é um caso de polícia, e que deveria ser apresentada queixa formal. Sobre essa questão, só se poderá especular – já que a informação veiculada pela comunicação social é escassa. Não se sabe, neste momento, se esse passo terá sido dado, ou poderá vir a sê-lo. Recorde-se que a carta refere não ser este o momento e forma de tornar públicas as pressões, o que se compreende.

No entanto, o próprio LPM apresenta comentários elucidativos sobre a forma como a PJ conduz as suas investigações - o que seguramente todos nós já teríamos imaginado, avaliando os resultados habitualmente obtidos -, nos posts intitulados Distracções Judiciárias, de 25 de Agosto, e Para Memória Futura, de 21 de Agosto. Compreende-se que, para a PJ, tudo se resume à imagem que é passada sobre o decorrer das investigações - e sobre a pressão que fazem sobre um certo alvo, acusado até do "horrível" crime de ter contratado uma agência de comunicação. Se calhar, um crime quase tão grave como o regozijo com um empate da equipa cor-de-rosa com o Nacional...

Restará saber, ainda, se esta atitude da LPM mereceu o aval prévio do FCP – e se o clube aceitará esta decisão, ou se procurará acionar alguma cláusula contratual que possa existir, impedindo a desvinculação nestes moldes. Essa atitude, a existir, poderia obrigar a LPM a fundamentar as afirmações que produz. Embora, a avaliar pelo conteúdo da carta, acredito que o FCP tenha dado o seu consentimento prévio à desvinculação. Dúvido que uma atitude desta natureza possa ser assumida sem que haja, previamente, uma conversa

No meio de tantas interrogações, resta a maior incógnita. Qual o papel da Justiça relativamente à situação do futebol, e quando serão devidamente esclarecidos os muitos indícios graves que permitem suspeitar de que estamos perante uma campanha que ultrapassa o próprio mundo do futebol? Esta é, cada vez mais, a questão a responder.

Etiquetas:

28 Agosto 2007

Coroado um dia do Carvalho

Por Zé Luís
A discussão que faz um livre indirecto – se não houver um bentinho de provocação esta semana. Livre e… directo, os pontos nos ii

Obviamente, o Porto-Sporting prometia fazer correr muito palavreado, falado e escrito. Não é precisa a bola de cristal. Depois do “quem começou a provocar”, a propósito do penálti da Supertaça, estamos na fase do acerto de contas a que se entregaram os representantes do regime. Podemos ainda perder pouco tempo até Paulo Bento vir ainda esta semana dizer o que acha do livre indirecto decisivo no Dragão, como fez com a mão de Tonel no pós-Leiria: “Tenho uma opinião diferente”…

Ainda que a maioria das opiniões (cerejas, cerejas…) validem a decisão de Pedro Proença num julgamento técnico absolutamente indiscutível, o rescaldo do jogo foi envenenado com figuras a perorar na televisão e colunas de jornais porque faltava ao árbitro razão técnica para ter julgado assim o lance.

Após o jogo, entre o estádio e a chegada a casa para ver lances na tv e reacções diversas, a breve ordem cronológica que pude seguir foi a seguinte:

TSF, directo da “zona mista” onde um tal Rodrigo Carvalho questionou Bruno Pereirinha:

-- Pereirinha, o que tem a dizer quanto à justiça do resultado?
-- Acho que o árbitro não esteve bem naquela decisão, não se tratou de um atraso de bola ao guarda-redes.
-- Então o balneário leonino contesta a decisão de Pedro Proença?
-- No balneário falamos do assunto e ninguém entendeu a razão de o árbitro decidir assim.

TVI, às tantas da manhã, num programa de estruturação esquizofrénica que banaliza, e tarde e a más horas, o produto futebol que têm para render, Coroado quase despe a camisola que diz ser do Belenenses para assumir uma incontida azia… leonina, com a fama que vem de longe, pelo menos tão longe como Chaves [um Sporting-Chaves que ele não soube apitar bem com alegado prejuízo dos leões num 3-2 ou 2-2 que ficou].

Argumento falso do Coroado
Jorge Coroado, célebre por expulsar Caniggia por um alegado insulto de “hijo de puta” num Benfica-Sporting, sem o argentino ter mexido os lábios, assegurou que o livre indirecto foi mal marcado. E argumentou mais ou menos isto:

-- A FIFA passou a proibir o atraso de bola ao guarda-redes com o pé para ganhar tempo de jogo. Essa nova regra foi instituída em situações de jogo muito claras em que se abusava dos passes para o guarda-redes que podia agarrar a bola nessas condições.

Além de ter sido giro que João Querido Manha ripostasse, de forma igualmente afirmativa e inabalável, ao ex-árbitro, numa parada-resposta que se manteve com o jornalista do mais antiportismo que se pode encontrar até ao Pinhão, o argumento de Coroado não colhe.

Manha defendeu a decisão de Pedro Proença e, entretanto, falhou na data da nova regra: foi 1991 e não 92.

Coroado, já rendido como sucede a quem é fortemente contrariado com factos, derivou para a fase de expulsar não sei quantos portistas, poupando convenientemente os protestos sempre enérgicos e impunes de Liedson (fora as fitas e as faltas), os insultos de Derlei que teriam outra valoração de azul e branco (já com amarelo), uma entrada de Polga (com amarelo) sobre Quaresma (mais uma…), mais protestos de Tonel (com amarelo) a discutir um lançamento lateral. Três leõezinhos mal comportados deviam ter sido expulsos se o árbitro tivesse coragem e Coroado lembrasse que nem ao capitão de equipa é permitido discutir uma decisão do árbitro ou leva amarelo…

FIFA no pós-Mundial-90
Alarmada com a média de 2 golos por jogo, a mais baixa de sempre, no Mundial-90 em Itália, a FIFA cortou a eito. Para a época seguinte 91-92, seria proibido um jogador passar a bola deliberadamente ao seu guarda-redes para este a agarrar com as mãos.

E a nova Lei (Regra 12 – Faltas e incorrecções), sobre o tema, diz só o seguinte sobre os livres indirectos:

“Será concedido um pontapé livre indirecto à equipa adversária se um guarda-redes comete uma das seguintes quatro infracções dentro da sua área de penálti:

(3) [o g.r.] toca a bola com as mãos depois de um jogador da sua equipa a ter passado com um pé”.

É isto e toda a gente o sabe (empirismo). Faltará definir o que é um PASSE, não especificado nas 17 Leis do Jogo. Já temos o significado próprio de um CORTE.

Polga cortou a bola e fez um passe. Coroado forçou a distinção. Pior: aludiu a uma Lei simples e restritiva: só em caso de manifesta intenção de fazer o passe…

Há cortes que são passes!
Mas sabemos que há muitos cortes que são passes para um colega. Aliás, Polga fê-lo para Tonel, este até deixou passar a bola e o passe destinou-se ao seu guarda-redes. Elementar, mas não para Coroado em dia de Santos: sim, o Porto até mereceu ganhar, mas desta maneira é… falso – foi o pretexto para dar uma de moralidade e outra de facada na ética.

No início da nova regra, incorporada nas Leis do Jogo na reunião anual do IFA Board de Fevereiro do ano seguinte para ter efeito na época que se iniciará a 1 de Julho subsequente, público e jogadores reclamaram muito em cada passe ao guarda-redes. Até se entender a coisa de vez. Agora já não há dúvidas.

Cortes de risco e imprevistos
O guarda-redes pode apanhar uma bola interceptada por um colega de equipa em caso de manifesta intervenção de risco, em carrinho, em voo, numa bola dividida com ressalto entre jogadores, um imprevisto efeito que a bola sofra por acção involuntária (um corte em falso, o chamado “espilro” na bola) de um defesa. Essas sim, são as excepções em que o guarda-redes apanha a bola sem sofrer um livre indirecto. A ladainha de Coroado, e um suspeito choradinho, não colhe(m).

Vamos ver se uma situação límpida das Regras do Jogo tem mais tratos de polé do que as bolas despachadas pelos leões sempre à defesa até terem de ir atrás do prejuízo. E, pelo menos, se não tem, este caso, a retumbância do silêncio ensurdecedor que marcou a ausência de comentários adicionais na semana seguinte à já famigerada Supertaça decidida com Paixão.

A lenda leonina no Dragão
Para um dia cheio de emoções, nada como recordar, já agora, a insistência de outro Carvalho, Marco Aurélio Carvalho, no flash-interview da SportTV a que assisti ainda no Bar 29, à saída do Dragão.

O intrépido pé-de-microfone chateou o pobre do Jesualdo não com o mérito de ter assinado como técnico a última e a mais recente derrota do Sporting de Paulo Bento (3-2 pelo Braga, em Janeiro de 2006 e 26 jogos fora sem perder até ao Dragão). Marco Aurélio Carvalho, que abusou da paciência quanto à permanência ou saída de Postiga, lembrou, insolente, ao técnico que “o Sporting esteve para passar o terceiro ano sem perder no Dragão”.

Bem, já o Braga há uns meses chegou rodeado da lenda de ter passado dois anos sem perder no Porto. Adriano matou o mito. Mas estes três anos quase históricos dos leões iam mesmo ser coisa de outro mundo!

Um dia do Carvalho, um na Rádio, outro na Televisão. Coroado das asneiras do costume.

Mas fixem sempre que hoje é dia de sorteio dos malfeitores e pode sempre aparecer um Lucílio Vigarista em Leiria, não tarda…

Etiquetas:

26 Agosto 2007

A lei do mais forte

Por Zirtaev
FCPorto 1-0 Sporting
Raúl Meireles 53'

Equipa: Helton, Bosingwa, P. Emanuel, B. Alves, Fucile, P. Assunção, R. Meireles (Mariano Gonzalez 67'), Lucho, Quaresma, Lisandro (Bolatti 85´) e Tarik (Postiga 45')


49709 Espectadores

Todos ficamos com um grande amargo de boca no jogo da SuperTaça. Todos ficamos com a impressão que o FCPorto mesmo estando longe do seu melhor era muito superior ao adversário em questão. Todos vimos que o clube de Alvalade nesse jogo apenas defendeu e por mero acaso teve um jogador que inspirado e no momento certo resolveu o jogo em favor da sua equipa. Só que estas histórias são difíceis de se repetir e ontem, apesar de a táctica de Paulo Bento ter ser muito parecida, ou seja, ir defendendo e esperar um milagre, prevaleceu a lei do mais forte.

Um estádio cheio assistiu a uma primeira parte quase completa de total domínio do FCPorto. A toda a linha os Dragões inviabilizaram qualquer jogada mais perigosa do adversário conseguindo fazer com que este pouco passasse do seu meio campo. Para isto contribuiu a táctica adoptada por Jesualdo Ferreira que surpreendeu ao colocar Lisandro no eixo do ataque e Tarik numa das alas, de resto a equipa foi a esperada. Mas Lisandro não era bem um ponta de lança, sem a posse da bola, o FCPorto, tinha nele o primeiro homem do meio campo a fazer pressão sobre Miguel Veloso e não deixando este jogar com o à vontade que tinha feito no jogo do ano passado. Outra grande diferença foi um meio campo com um Lucho de luxo. De tudo isto se ressentiu o adversário que não conseguia criar jogo, apenas rematando de fora da área esporadicamente, sendo que o primeiro remate surgiu apenas depois da meia hora de jogo. Mas o ataque portista também se ressentiu, já que quase não tinha ponta de lança, Lisandro não podia dar para tudo. Ainda assim as oportunidades de golo não deixaram de surgir. Ora Quaresma, ora Tarik, que esteve quase imparável, deram muito que fazer à defensiva verde e branca e foi daí que surgiram as maiores oportunidades. Num lance individual do marroquino, Raul Meireles a boca da baliza quase inaugurava o marcador, assim como depois Quaresma num dos seus, este ano, já habituais livres, enviando a bola à trave já com o guarda-redes adversário batido.

Para a segunda parte, e vendo que Lisandro para defender bem não poderia atacar tão bem, o professor resolveu sacrificar Tarik, colocando Lisandro no seu lugar, posição mais rotinada pelo argentino, e Postiga era agora o ponta-de-lança. O FCPorto surgiu assim com homens de características diferentes, mas a jogar quase da mesma forma, sendo que Postiga fazia pressão mais em cima dos defesas. E num lance em que o guarda-redes verde-e-branco comete um erro de amador, agarrando uma bola endereçada com os pés por um seu defesa, surge uma oportunidade de ouro para o FCPorto dentro da área leonina. Na marcação do livre, a 5 metros da linha de baliza, Lucho inteligentemente, e quando todos esperavam um remate de Quaresma, passou de calcanhar para Raul Meireles que fuzilou a baliza adversária, colocando finalmente justiça no marcador.

A partir do momento do golo, foi com naturalidade que o Sporting tomou conta das operações, já que o FCPorto deu (?) a posse de bola ao adversário, não conseguindo mais tê-la em seu poder. Mas a capacidade de sofrimento e a união da equipa, tal como em Braga, foi enorme, e defensivamente foi quase irrepreensível, tirando Helton que me pareceu novamente algo inseguro, levando assim, finalmente, de vencido este adversário. Ainda assim em vários lances de contra-ataque e com os jogadores leoninos quase acampados no meio-campo portista, quase sempre com Raul Meireles, que fez um enorme jogo, a levar a bola para o ataque, o FCPorto poderia ter ampliado a vantagem, já que surgiu por variadas vezes em vantagem numérica perto da baliza sportinguista.

Continuo a achar que o FCPorto ainda pode melhorar muito, principalmente no que diz respeito ao controlo de bola depois de estar em vantagem e depois de um maior forcing atacante do adversário, mas a vitória foi mais que justa da equipa que mostrou mais argumentos para vencer, da equipa mais determinada, como já tinha demonstrado noutros jogos e em que neste ainda mais o fez. As equipas com menos capacidades por vezes surpreendem as mais dotadas, mas normalmente a lei do mais forte prevalece, no jogo de ontem foi reposta a normalidade.

Etiquetas:

25 Agosto 2007

Por vingança? Porque não?

Por Zirtaev
Depois da derrota na SuperTaça todos os portistas ficaram com amargo de boca. Para lá de o FCPorto não ter rubricado um exibição de encher o olho, a sensação de que o adversário pouco fez para vencer, além de se defender, o azar de termos enviado 3 bolas ao poste e termos dominado a maior parte do jogo, deixaram a impressão que somos mais fortes e que aquele troféu terá ficado nas mãos erradas. Assim é hora de cobrar essa injustiça e apesar da cordialidade nas palavras de Pedro Emanuel e Jesualdo Ferreira, dizendo que as vinganças não entram nestas coisas, acho que a vingança deverá estar bem dentro da mente dos jogadores, vingança, cobrança, seja lá o que for que os faça ter as “ganas” de vitória sempre necessária nestes jogos.

Sem Adriano, que não recuperou da lesão sofrida na última vitória do FCPorto em Braga, Hélder Postiga deverá ser o seu substituto, tal como aconteceu no decorrer do jogo do último fim de semana, ficando a grande duvida em saber em que sistema de jogo Jesualdo fará a equipa actuar. Poderá jogar em 4-3-3, mantendo assim a estrutura do jogo da SuperTaça e não mudando a identidade da equipa, mas o certo é que os resultados nesse esquema não têm sido positivos contra este adversário que tem um meio campo muito forte. Em alternativa o professor poderá preencher mais o “miolo”, jogando em 4-4-2, não fazendo entrar Lisandro Lopez (que já pode jogar), jogando só com Quaresma e Postiga na frente e fazendo subir para o meio campo Marek Cech. Este posicionamento dos jogadores por parte de Jesualdo, seria por muitos apelidado de cobardia, mas o certo é que de alguma forma equilibraria e de que maneira o meio campo, não deixando assim lugar a surpresas por parte do adversário e dando por outro lado muito mais liberdade aos laterais para poderem subir e se tornarem extremos, já que em principio a defensiva do seu lado estará sempre resguardada pelos médios.

Como existem estas duas possibilidades para colocação da equipa em campo, não me aventuro a prever um só onze. Apresento assim dois onzes e será muito provável que Jesualdo Ferreira deverá escolher um deles.














Com a excelente e difícil vitória na primeira jornada do campeonato num campo muito complicado, o FCPorto está moralizado e terá um estádio cheio a apoiar a equipa. Os adeptos não ficaram, como nunca ficam, satisfeitos com a derrota na SuperTaça. Ela não foi engolida e se o FCPorto tiver que vencer o clube de Alvalade por vingança, que seja.

FCPorto - Sporting, Domingo - 20H45, SportTv1

Etiquetas:

24 Agosto 2007

Desestabilização para o clássico...

Por Zirtaev
...ou haverá algum fundo de verdade nestas noticias?

Postiga
O avançado Nilmar está livre e pode ser opção para o FC Porto caso Hélder Postiga deixe o Dragão rumo ao Bétis. O clube espanhol não desiste de contratar o português e já ofereceu 3,5 milhões de euros, mas os dragões querem pelo menos 4,5 milhões de euros para deixar sair o avançado.

Mas, para já, o maior entrave à saída é a própria vontade do jogador que, segundo o DN apurou, está a par da situação e já disse às pessoas mais próximas que não tenciona deixar o Dragão. A "determinação" de Hélder Postiga convenceu Jesualdo Ferreira na época passada, depois de ser colocado de parte por Co Adrianse, mas esta época tudo parece diferente. O técnico portista já o deixou de fora das convocatórias para os torneios da pré-época e da Supertaça, mas teve de recorrer a Postiga na primeira jornada da Liga, devido à lesão de Adriano no decorrer do jogo com o Sp. Braga.

O clássico do próximo domingo (quatro dias antes de fechar o mercado de transferencias) pode ser uma boa "desculpa" para os dirigentes portistas manterem o avançado no plantel. É que Farías a Adriano estão lesionados e não são opção para a recepção ao Sporting na 2.ª jornada da Liga. O que quer dizer que Lisandro López é a única opção de ataque no FC Porto, além de Postiga.
In Diário de Notícias

Lucho
O Valência tem 20 milhões de euros para gastar e Lucho é o alvo. A garantia é dada pela Antena 1. O facto de o clube espanhol ter falhado a contratação de Van der Vaart parece ter precipitado a decisão de voltar a insistir em Lucho González, jogador que o presidente portista Pinto da Costa já garantiu ser para permanecer no plantel dos bicampeões nacionais.
In O Jogo

Raul Meireles
O jornal "SuperDeporte" garante que estão reabertas as negociações com o Porto por Lucho Gonzalez e que surge o nome de Raul Meireles como alternativa.

O director desportivo do Valência, Miguel Angel Ruiz, voltou à carga e na suposta conversa com dirigentes portistas, terá também segundo este jornal, perguntado por Raul Meireles. Lê-se que o Porto mantém o firme desejo de não vender a Lucho, a não ser por uma proposta do outro Mundo. Não tão inflexível é o clube português no caso do jovem internacional Raul Meireles, que aceitaria negociar por menos dinheiro.
In Rádio Renascensa

Suavemente o quê?!
Admito que o FC Porto tenha as suas razões de queixa pelo lance em que entendeu ter existido penálti. Embora não partilhe dessa opinião, creio que, ao relembrar-se esse episódio, está-se, suavemente, a criar pressão sobre o árbitro. Quando o Sporting se queixa, isso é criticado. Quando os outros o fazem, parece que é normal.
Paulo Bento em entrevista à SportTv

A este palavreado do sr. Paulo Bento chama-se pressão baixa. Baixa de baixaria, claro. Mas já agora aqui vai mais uma "suave" pressão da parte do FCPorto. Esta imagem é de um lance ocorrido dentro da área da equipa do sr. Paulo Bento, no último minuto do último clássico do Dragão com o clube de Alvalade.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Etiquetas: , ,

23 Agosto 2007

Ainda "O bom, o mau e o vilão"

Por Zirtaev
O Portistas de Bancada, mais precisamente a sua caixa de comentários, tem andado algo agitada com a questão da participação do Dr. Rui Moreira na reportagem sobre Jorge Nuno Pinto da Costa, intitulada "O Bom, o mau e o vilão". Penso ser consensual que todos os portistas ficaram indignados com o ataque mesquinho feito por aquela "reportagem" à lenda viva, e bem viva, que é o nosso presidente e que demonstrou apenas com o que podemos contar por parte da maior parte dos média.

Rui Moreira saiu mal visto pelo pouco que se ouviu dito por ele no documentário, apesar de eu achar não ter dito nada que todos não pensássemos. Saiu mal visto talvez por apenas ter participado no mesmo, mas o que é de estranhar é apenas se lembrarem de "desancar" nele e não noutros portistas que também podemos ouvir e isto quando o que não nos faltam são verdadeiros inimigos, os de fora do FCPorto. Talvez isso aconteça precisamente por ele fazer o que outros não fazem, que é dar a cara por aqui. Ainda assim e apesar de o próprio já ter esclarecido alguns Portistas de Bancada na caixa de comentários, e como tive oportunidade de ler, achei por bem publicar uma resposta dada por ele a um mail de um utilizador do Portal dos Dragões (José Norton) que o interpelou com algumas questões sobre a sua participação na referida reportagem.

"Em inícios de Junho, o Dr. Nuno Botelho, Director Executivo da Associação Comercial do Porto deu-me conta de que houvera um contacto da RTP 1 para o Palácio da Bolsa, no sentido de saber se poderiam colher um testemunho meu. Tratava-se de um programa biográfico sobre o Presidente do FCP, coincidindo com as suas bodas de prata à frente do clube e com a sua reeleição. Não se tratava pois de um contacto no âmbito da minha colaboração com a RTP-N, onde faço o "Trio d'Ataque", não veio por esse canal que logicamente contacta comigo por email ou telemóvel. Era um contacto institucional com o Presidente de uma Associação que tem sido vista, na cidade do Porto, como uma aliada do FC Porto.

Estabelecido o contacto pessoal comigo, pude-me inteirar de que era intenção da RTP 1 passar um programa de grande informação sobre a Biografia de Jorge Nuno Pinto da Costa, depois de 25 anos à frente do clube. Algo que não me surpreendia.O semanário SOL fizera um trabalho idêntico, tinham sido publicados pelo menos dois livros a marcar a efeméride, um dos quais era então para ser lançado no palácio da Bolsa e que, por razões que ainda hoje me escapam, ficou esquecido. Refiro-me ao excelente livro de Alfredo Barbosa que ficou nas prateleiras e não foi apoiado apesar de ser uma biografia institucional. Foi preterido, em favor do livro de Felícia Cabrita (autora da reportagem no SOL) que saiu simultaneamente e que, a meu ver, é uma resposta inadequada ao livro de Carolina Salgado.

No contacto havido pessoalmente com o jornalista da RTP, tive o cuidado de inquirir, mais uma vez, sobre o tema do testemunho que pretendam recolher. Repetiram-me a mesma versão. Perguntei quem eram as pessoas que iriam ser ouvidas. Falaram-me no Dr. Póvoas,que ainda não confirmara mas se mostrara disponível, no meu amigo José Guilerme Aguiar, no Jorge Costa, que me lembre. E tenho a certeza que não me falaram de Octávio Machado. Na medida em que, sendo uma biografia de Pinto da Costa, não era um programa institucional sobre o FC Porto, expliquei que não responderia enquanto Presidente da ACP, nem daria a entrevista no palácio da Bolsa. Ficou combinado, ainda assim, que a daria no meu escritório, e enquanto adepto e sócio do FC Porto.

A conversa decorreu em Junho, foi toda gravada em câmara, e durou cerca de 50/ 60 minutos. Desenrolamos o papel do FC Porto na cidade, de Jorge Nuno Pinto da Costa e de Pedroto, das vitórias históricas. Lembro-me de ter referido que uma das razões porque o FCP ganhava era porque Pinto da Costa era um mestre do futebol, alguém que conhecia em pormenor o balneário. Lembro-me que a questão de guerrilha, que acabou por sair descontextualizada, foi invocada por mim como uma estratégia inicial de Pedroto e de Pinto da Costa perfeitamente legítima e necessária.

As minhas declarações saíram pois de forma descontextualizada. o que desvirtua o meu testemunho como se compreende. Foram extraídos 35 segundos de um total de 40 minutos ou mais de conversa sobre todos os temas do FC Porto. Não fico, é lógico, satisfeito. Basta dizer que os elogios não aparecem e, não sendo ouvidas as perguntas, a produção de comentários recortados é sempre tendenciosa. como se sabe. Nessa medida, e não só, entendo que o programa foi faccioso, porque passa uma mensagem subliminar com a qual não concordo. Para isso contribuíram, é verdade, os silêncios de alguns e os comentários de outros. Pessoalmente, tenho a consciência tranquila, como terá o José Guilherme Aguiar, pessoa muito próxima do presidente, que fomos convidados para um programa que era, à partida, perfeitamente insuspeito. Não me sinto responsável pelo guião, que não conhecia. O programa desvirtua muitos dos aspectos fundamentais da presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Tal como os outros portistas, não gosto do resultado. Tenho, ainda assim, a consciência tranquila porque sei muito bem o que disse, na linha de tudo o que tenho dito.

Devo-lhe dizer que li por aí algumas das críticas que me foram feitas. Algumas são justas, naturalmente a maioria são bem intencionadas. As outras também não me surpreendem. Houve mesmo quem escrevesse que fui eu quem, numa recente entrevista ao maior jornal português, ditei as perguntas à jornalista. Reconhecem-me poderes que não tenho... Eu sei que se paga caro, no FC Porto, dizer o que se pensa. Sei também que há tabus que não devem ser quebrados, e por acaso não tive culpa de que um deles fosse quebrado envolvendo o meu nome, como muito bem sabe. Por aqui me quedo, hoje, porque tenho que preparar o programa de logo e há muito que ler ainda.

Há, ainda assim, uma coisa que já afirmei muitas vezes e repito. A obsessão sobre o tema/ caso Carolina, que depois acaba por marcar tudo aquilo que envolve o FC Porto e o seu presidente que necessariamente se confundem, é muito incoveniente. Continuo a defender que o nosso presidente se deve furtar a falar sobre esse episódio infeliz. Por isso mesmo disse, muitas vezes, que devua pedir desculpa aos sócios por ter inrtoduzido esse factor na vida do clube. Não é porque queira ouvir um pedido de desculpas, não é porque queira que o presidente se humilhe. pelo contrário, ele devia fazê-lo para SUBTRAIR O TEMA DAS QUESTÔES QUE DIZEM RESPEITO AO CLUBE. A partir desse momento, o tema Carolina voltava a ser do seu domínio privado, e ele podia recusar-se a falar dele. Não gostei da entrevista da SIC por isso mesmo, porque acho humilhante que o meu amigo e presidente se tenha ainda que justificar, dizendo que ela é isto e aquilo...Tudo isso deveria ter sido silenciado. Como ele sempre silenciou as suas questões. lembram-se quando Vale de Azevedo o atacava e ele respondia "não sei quem é esse senhor, nunca lhe fui apresentado"? É isso que eu gostava que ele dissesse, que tivesse dito. Que esse era um caso pessoal de polícia, que já dera explicações aos sócios de que estivera enganado por um tempo. Que não desse palco a esse tema. Que não aquecesse a procura de bilhetes para o filme.

abraço do rui moreira"

Nota: Quero desde já esclarecer que ninguém me encomendou este post como muitos deverão insinuar. O Dr. Rui Moreira já mais que uma vez se defendeu de quem mal dele fala neste blog e não necessita da minha defesa para nada, mas eu também tenho a minha opinião e como este assunto, embora secundário e sem grande importância relativamente a assuntos realmente essenciais para o clube, tem sido amplamente debatido no blog achei por bem divulgar este texto.

Etiquetas:

22 Agosto 2007

Quaresma

Por Zirtaev
"Woody Allen costumava dizer que a riqueza é melhor do que a pobreza, nem que seja por razões estritamente financeiras. Afinal, se o dinheiro não pode comprar a felicidade, a pobreza também não e pelo menos com dinheiro sempre se podia fugir a este Verãozinho envergonhado e ir para onde o anticiclone dos Açores não atrapalhasse. Depois, paradoxalmente ou talvez não, são precisamente as pessoas que o têm em quantidades industriais as primeiras a garantir que dinheiro não é tudo. Ora, Quaresma tem dinheiro mais do que suficiente para achar que dinheiro não é tudo. Mas, mais importante do que isso, Quaresma é feliz no FC Porto e isso não tem preço, especialmente para quem até já tem dinheiro. E Quaresma é feliz no FC Porto por razões simples, como sempre acontece com a felicidade genuína. Primeiro, sente que é apreciado. Pelos adeptos que o idolatram, pelos companheiros que o admiram e pelos dirigentes que o respeitam. Depois, porque no FC Porto ganha títulos e qualquer jogador gosta de ganhar. Desde que chegou ao Dragão, Quaresma ganhou uma Taça Intercontinental, uma Taça de Portugal, duas Supertaças e dois títulos de campeão nacional. Pelo caminho, foi considerado o melhor jogador do campeonato 2005/06, chegou à Selecção Nacional e valorizou-se exponencialmente. Por que raios haveria de abdicar de tudo isso? Certamente, não o fará só por dinheiro. Se um dia sair, será para ser feliz noutro clube qualquer. Num clube onde o respeitem e admirem e onde possa continuar a ganhar títulos como no FC Porto. E onde lhe paguem muito mais do que o FC Porto lhe pode pagar, claro."

Jorge Maia in O Jogo (a meio da pré-temporada)

Tentação
"Quaresma vai continuar no FC Porto mais uma temporada. O que não é uma boa notícia para todos. Mas, os dois golos que o cigano marcou em Braga são, indubitavelmente, uma óptima notícia para todos. Se exceptuarmos Jorge Costa, há razões para acreditar que existem neste momento mais 14 treinadores que pensam desta forma, ideia em que serão acompanhados pelo respectivos patrões. É que dois golos terão sido suficientes para transformar a genialidade de Quaresma num tipo de doença contagiosa, porque terá tornado o FC Porto dependente das trivelas, cruzamentos de letra, fintas e, agora, livres directos. Talvez um dia, se Quaresma concretizar o que lhe falta, se torne dependente dos cabeceamentos. É dependência a mais e a tentação na medida certa para tentar imaginar um FC Porto sem a magia de "Harry Potter", paralisado de movimentos por sentir a falta do "Mustang". Pode então imaginar-se o que seria desta equipa se Tixier ainda jogasse no campeonato português, tornando-se igualmente tentador idealizar outras três jornadas, se possível mais, com Quaresma na bancada. Ou, na melhor das expectativas, aguardar que, adquirida a tranquilidade, Quaresma se torne no alvo de uma entrada mais viril, necessariamente mais viril do que as diversas que sofreu em Braga sem que nenhum dos adversários fosse admoestado. O que me faz recordar que, ou sonhei ou ouvi mal o que disse Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem, sobre a protecção aos melhores jogadores. Quaresma precisa de marcar mais golos.

Intransferível
«Talvez agora o presidente do Atlético de Madrid compreenda por que não vendi o Quaresma. Ele disse que não compreendia, mas, agora, já deve compreender»
Pinto da Costa, após o Braga-FC Porto"

Alcides Freire in O Jogo (na passada 2ª feira)

PS: Foto de Jorge Monteiro retirada do site olhares.com

Etiquetas:

21 Agosto 2007

O Porto-Sporting

Por Zé Luís
e a tabela de penáltis
em actualização permanente

O Porto-Sporting da Supertaça acabou por lançar uma velha discussão sobre os penáltis. Na semana do clássico para a Liga, domingo no Dragão, nada como repor então antigas contas que persistem em escapar aos mais desatentos.

Foi o penálti negado por Bruno Paixão em Leiria, depois outro negado pelo também medíocre Elmano Santos à Académica em Alvalade, concedendo um generosamente a Liedson para rematar a faena com que começa esta tourada que o pacóvio presidente da Liga pensa levar de fio a pavio com fair-play, dentes bonitos num largo sorriso, muita água benta, presunção q.b. e cumplicidade dos Órgãos do Regime..

Nada, então, como pegar numa tabela já aqui mostrada e que promete ficar na ordem do dia, quiçá em actualização permanente talvez até ao jeito de Rui Moreira na aparição semanal na televisão onde discutir penáltis faz parte do que dizem ser uma discussão sobre futebol com paleio de chacha a condizer por parte de algum convidado-expert.

Então anotem os penáltis registados (marcados e falhados) na Liga desde 1995-96, quando as vitórias passaram a valer três pontos e, por isso, um resultado de penálti passou a ter uma expressão mais valiosa ainda.

Pois o FC Porto, campeão por 8 vezes neste período, com 283 vitórias em 920 pontos somados, teve apenas 66 penáltis a favor, contra 83 do Sporting (+17) e 75 do Benfica (+9), estes respectivamente com as 237 e 235 vitórias.

O FC Porto, com +115 pontos somados que os leões e até mais 121 golos marcados no total destes campeonatos, conseguiu ter o equivalente à fabulosa época dos penáltis concedidos a Jardel&Cª em 2001-2002.

Em relação ao Benfica, para quem tiver mais dificuldade em ler o quadro simples dos totais e das diferenças entre os três grandes, o FC Porto somou mais 132 pontos, obteve mais 48 vitórias mas viu-lhe concedidos -9 penáltis do que aos benfiquistas que só foram campeões uma vez (e que vez!...) neste período em que pude compliar os penáltis de cada campeonato.

Ainda em relação ao Sporting, para os adeptos leoninos mais volúveis que em certas alturas se entream ao choradinho dos coitadinhos sempre prejudicados, lembre-se que os leões passaram quatro épocas completas durante cinco anos sem sofrer um penálti, o que é tão fantástico como os 17 penáltis do Jardel já aludidos.

No tocante aos penáltis sofridos, o Benfica pode queixar-se. Conseguiu sofrer 31 penáltis, contra 28 do FC Porto e só 22 do Sporting. Os encarnados também encaixaram mais 62 golos do que os dragões e os leões mais 39 golos sofridos do que os portistas.

Em resumo, Sporting com mais penáltis a favor e menos penáltis contra. Se nos lembrarmos do final da época passada e da permissão dada aos leões para se aproximarem do líder, compreendemos que o esforço feito não logrou totalmente os objectivos, mas há uma continuidade programada ou não fosse Vítor Pereira o mesmo mandante desta corja impune de árbitros que não merecem defesa possível.

Em Braga, um derrube a Quaresma justificava um penálti. Não pareceu suficiente.

Em Alvalade, falta evidente na área leonina de Polga sobre Lito: mas que mais evidências pode haver num penálti que se marque contra o Sporting? Como na Supertaça? Ou vamos a caminho de mais quatro anos sem sofrer penáltis?

Por fim, Liedson nem precisou de cair para lhe marcarem um penálti a favor.

Começamos bem.

Do Benfica, noutro muito mau jogo como na Champions, a Imprensa do Regime quis criar um penálti num lance de corpo a corpo em que Ezequias vai sempre a proteger a bola e o meia-leca Nuno Assis não consegue ter físico para superar o defesa do Leixões. Mas a malta protectora dos jornais não deixou de assinalar o penálti que vai deixar os rosinhas na lista dos credores de pontos da arbitragem.

E siga o baile

PS: Cliquem na imagem da tabela para conseguirem ver melhor a tabela de penáltis

Etiquetas:

19 Agosto 2007

Quaresma resolveu

Por Zirtaev
S. Braga 1-2 FCPorto
Quaresma 32', J. Pinto 49' e Quaresma 83'

12 aquisições depois o FCPorto iniciou a época 2007/2008 com uma difícil deslocação a Braga para jogar com o clube local treinado pelo nosso bem conhecido de Jorge Costa que conta também com Aloísio como seu adjunto. Não usei propositadamente a palavra reforços, já que Jesualdo Ferreira ainda não entendeu que os novos jogadores o seriam efectivamente. Diz o professor que para entrar numa equipa campeã, os novos jogadores, terão de provar que merecem entrar. Concluo eu, portanto, que, para já, nenhum deles tem qualidade suficiente para jogar nesta equipa, pelo menos na opinião de Jesualdo, podendo assim ser colocada em causa a mais valia de tantas aquisições. Mas adiante.

Jogar em Braga, tradicionalmente, é um dos jogos mais difíceis da época e a prova disso é que há alguns anos que o FCPorto lá não vencia. Usando, como já referido atrás, uma equipa vinda do ano passado, ficando apenas de fora Lisandro devido a mais uma inexplicável e persecutória decisão dos órgãos que comandam o futebol do nosso país, entrando para o seu lugar Tarik, o esquema utilizado foi o tradicional 4-3-3, mudando pouco ou quase nada a equipa vinda do jogo da supertaça, em que apesar da superioridade demonstrada, o FCPorto mostrou faltar consistência no seu meio campo ofensivo. Mas a grande diferença terá sido mesmo aqui. O regresso de Lucho ao meio campo, e embora ele não seja o médio ofensivo de que já no início da pré-época eu dizia fazer muita falta, veio disfarçar em muito o que essa posição traria ao meio-campo, tendo assim neste jogo o FCPorto mostrado mais ligação entre esse sector do terreno e o ataque.

O FCPorto, num jogo muito bom para primeiro jogo do campeonato, entrou dominante, talvez um domínio algo consentido por parte da equipa da casa que parecia jogar na expectativa, nunca deixando de lançar ataques perigosos à baliza do algo inseguro Helton, mas os dragões foram criando sempre mais perigo e algumas oportunidades foram surgindo, vivendo a equipa sobretudo de Quaresma e Tarik que iniciou muito bem o jogo, tendo-se apagado conforme o tempo ia evoluindo. Algumas arrancadas fulgurantes de Bosingwa também se devem destacar, principalmente uma em que este foge a César Peixoto e à entrada da área cruza para o azarado Adriano, que se lesionou e foi substituído por Postiga, e que num excelente movimento de rotação remata falhando o alvo por pouco e quase marcando um grande golo. Pouco depois e num livre frontal mas ainda muito longe da baliza Quaresma remata em força e faz um grande golo colocando o FCPorto na frente do marcador, resultado que se manteve até ao intervalo.

O S. Braga surgiu na segunda parte, como seria de esperar, mais atrevido e logo ao começar e num bonito lance de ataque João Pinto repõe a igualdade, surgindo livre de marcação na grande-área portista, num erro do seu médio de marcação. Com o decorrer do jogo o FCPorto não estava a conseguir criar grandes lances de perigo e o fantasma da supertaça do fim de semana passado parecia surgir. Jesualdo demorava a mexer, até que tirou Tarik e colocou em campo Mariano Gonzalez, não mudando nada na equipa. Pouco depois Leandro Lima aprontava-se para entrar. Pensava eu que Raul Meireles seria o eleito, não que estivesse a jogar mal, mas seria uma tentativa do professor mostrar claramente que queria ganhar, dando ao meio-campo mais fulgor ofensivo, mas tinha-me esquecido do conservadorismo do treinador e o eleito foi Lucho, sendo talvez a opção desculpada por este ainda não estar preparado para jogar tanto tempo de jogo dado o seu atraso na inclusão na equipa. Assim, pouco ou nada mudou, apenas trocas de posição por posição, mostrando Leandro Lima bom toque de bola, mas ainda alguma falta de entrosamento com a equipa, principalmente no seu jogo posicional.

Assim, o empate parecia ir se arrastando até ao fim, Postiga mostrou-se muito trabalhador, tendo até perdido algumas boas oportunidades. A equipa mostrava uma grande entreajuda e união entre todos os jogadores, mas a vitória parecia ser difícil de alcançar, até que Quaresma tem mais um dos seus excelentes lances pelo lado esquerdo do ataque e é derrubado mais uma vez à entrada da área do S. Braga. Na cobrança do lance, o mesmo Quaresma, resolveu com o seu génio o jogo com uma autêntica bomba lançada à baliza do guarda-redes bracarense, não lhe dando qualquer hipótese de defesa. Um maravilhoso golo já perto do fim e que deu a vitória aos Dragões, resolvendo um dos mais difíceis jogos da época.

Em resumo, o génio de Quaresma resolveu o que parecia de difícil resolução, oferencendo assim a vitória è excelente e grandiosa moldura humana portista que marcou presença em Braga. Além de vencer num terreno onde poucos o conseguirão fazer, deu também mais alento à equipa no que representa uma vitória no primeiro jogo de uma competição, moralizando os jogadores para o próximo e difícil jogo no Dragão, dando também mais algum tempo para Jesualdo ajustar a equipa que ainda está muito longe do pode e deve fazer.

Etiquetas: ,

18 Agosto 2007

A primeira batalha pelo Tri

Por Menphis
FCPorto - S. C. Braga
( TVI, 19:15 horas )


Caprichos do destino ditaram que possibilitasse ao FCPorto encontrar nas três primeiras jornadas da Liga Betawin, referente à época 2007/2008, adversários que infligiram derrotas na época em que conquistou o bicampeonato.

É dos começos de campeonato mais difíceis que me recordo, mas aproveitando as declarações, sempre ambiciosas, de Fucile, eu também sinto que um começo do campeonato assim é mais bonito, começar com jogos de nível elevado tem mais encanto, já que jogos a brincar estamos nós fartos de ver na pré-época .

É com o, sempre maravilhoso, reencontro com a dupla Jorge Costa-Aloísio no bonito Estádio Municipal de Braga, agora Estádio Axa, que o FCPorto começa a sua caminhada ao ambicionado tricampeonato.

Irá encontrar um Braga com ambições e expectativas elevadas, e na sua máxima força tendo-se reforçado forte e ambiciosamente, tendo o FCPorto o pensamento de que esta partida será um enorme teste à sua capacidade como equipa, principalmente, depois da derrota para a Supertaça, frente ao Sporting.

A convocatória surpresa de Postiga, jogador insistemente dado como dispensável, o regresso de Lucho, a estreia de Stepanov, a saída por um castigo, incompreensível, de Lisandro Lopez, além da saída de Fucile, julga-se por lesão, são as novidades portistas para a deslocação a Braga.

Por aquilo que analisei das declarações de Jesualdo Ferreira, a minha aposta vai para esta equipa:

Na defesa, exceptuando a troca de Fucile por Cech, não deverá haver mexidas relativamente à última partida. A chamada de Stepanov à convocatória terá a haver como forma de o jogador sérvio ainda se ambientar aos seus novos colegas.

No meio campo, o regresso de Lucho poderá ser a maior novidade na equipa de hoje, com o argentino o FCPorto fortalece grandemente o seu meio campo, a sua disciplina táctica, a sua capacidade de liderança, a sua disponibilidade e a seu leitura inteligente do jogo, faz dele um imprescindível, poucos jogadores conseguem juntar uma capacidade de defender e atacar tão bem como ele, por essas razões o FCPorto não hesitou em adquirir o resto dos seus direitos desportivos.

É no ataque que poderá surgir o único reforço desta época, o argentino Mariano Gonzalez, tudo por causa de mais uma confusão habitual do futebol português.

Lisandro Lopez, jogaria, certamente, a titular, mas como os " doutores" da FPF não sabem holandês não conseguiram decidir a tempo se o jogador argentino poderia alinhar no primeiro jogo do campeonato ou não, enfim é mais um caso para demonstrar os incompetentes que (des)organizam o futebol português.

Quaresma e Adriano devem completar o trio ofensivo do FCPorto para o ataque à vitória a um terreno tradicionalmente difícil e que já não vence desde a época 2003/2004.

Que venha agora o futebol puro e duro, com algum sofrimento à mistura, que também é bom, e, alterando um provérbio antigo, em Portugal o futebol, tem sido quase sempre 11 contra 11, uma bola e no fim ganha o FCPorto, este ano é necessário que isso possa continuar a ser assim, contra tudo e todos, e nada melhor do que começar a ganhar logo a primeira batalha.

Frases do mister

«Vamos a Braga com o orgulho de sermos campeões. Estou convicto de que os jogadores vão fazer todos os possíveis para ganhar o jogo, que é o nosso objectivo, e dar uma resposta diferente dentro do campo.»

Os jogadores não gostam de perder, mas essa situação já está ultrapassada e tenho a certeza de que os contornos do encontro frente ao Sp. Braga serão diferentes dos da Supertaça, pois vamos jogar para o campeonato e não disputar uma partida decisiva.

Etiquetas:

17 Agosto 2007

Perturbador, no mínimo, mas apita muito mais...

Por Zé Luís
O melhor será ir por partes para entender esta nova versão de um tema da moda: o famigerado apito. Atentar nos pormenores indicados no tal dossier anónimo (talvez) da PJ para a própria PJ, via PGR. E acompanhar, por raciocínio e associação de factos, a montagem ou desmontagem de certas cenas e personagens, mesmo sem produtor tirado do anonimato e sem um realizador de ocasião.

É algo que foi classificado como uma “bomba” – se puder ser comprovado minimamente. Pelo menos é perturbador, para dizer o mínimo, mas decerto apita muito mais este dossier do que a pobre ficção que teimam em passar a película a lembrar o livro “Eu, Carolina”: que foi encomendado, de impressão paga e, hoje sabemo-lo, adulterado (embora idóneo para uma certa ideia de justiça, que teimo em escrever com letra pequena, pequenina) e distribuído como bodo aos pobres de espírito – quem não se lembra de o ícone “Barbas” andar, ufano, com uma dúzia de exemplares na mão no dia do lançamento?

EMBANDEIRAR EM ARCO?

Ir por partes significa abordar cada “lance” do dossier.

Tem consistência? Só se juntarem os documentos, imagens e sons prometidos.

É verosímil? Perfeitamente, atendendo ao conhecimento de “razão de ciência”, diria a Mizé Tung, que todos tivemos ao longo dos anos de um poder encarnado na Liga que culminou com o infame campeonato de 2004-05.

O que traz a mais do que o adulterado livro? Muitos nomes, muitos locais, muitas histórias, muitos dados concretos, do conhecimento de todos mas que, lá está, falta provar a sério, como gostaríamos que fosse provado a sério que a investigação feita no Apito Dourado foi séria e não intoxicação com chancela do Estado.

Não devemos embandeirar em arco com a tal “bomba” em potência que alguém diz ter na mão. Não embandeirar no sentido em que outros embandeiraram com o Apito Dourado e dão como provadas coisas que nem sequer eram como foram descritas: desde logo o salário de Pinto da Costa admitido em tribunal, às confissões recentes de Ana Salgado na PJ, da entrevista à própria Leonor Pinhão que adulterou o livro, do pai da Carolina que admitiu antes terem sido retocados alguns pormenores da estorieta.

Importa pensar no que nos trazem a saber. Não ser meros receptadores de informações mais ou menos compiladas, algumas soltas, outras avulso. Não ser como, infelizmente, os veículos da Informação foram no Apito Dourado de tantas promessas e outros tantos enganos, mentiras e intoxicações diversas. Pensar, pesar a informação, não a tendo como certa, mas descodificando-a, um bom exercício que, pelo visto, a Imprensa destrutiva não está capaz de fazer, como não fez a desmontar o triste Apito Dourado.

Importa, até, ouvir a “resposta” de Luís Filipe Vieira a Pinto da Costa, também na SIC, talvez hoje ou num dia em que o gangster dos estúdios ache melhor uma entrada em cena inopinada ou ameaça um jornalista engolir o que escreveu – tudo em bons modos, aplaudidos pelo pessoal das barracas, silenciado pelos amordaçados do regime apesar da apregoada liberdade que acreditam ter na capital do decadente império.

GUERRA PESSOAL?

Mas não vejo que isto seja uma questão pessoal entre presidentes. Aliás, só é visto assim pelos mais desatentos e desonestos, aqueles que sem apontarem o culpado de quem atirou a primeira pedra (LFV), lamentam que um esteja bem para o outro e ponham ambos ao mesmo nível como se fosse PdC a iniciar uma “guerra”. Há quem ache uma antevisão do campeonato, LFV até lembrou que aí joga-se só à 12ª jornada. Mas são os mesmos timoratos que apontam o dedo aos dois presidentes como quando LFV insultou tudo e todos por mais de uma vez, sem alguém do FC Porto abrir a boca, e tudo começou (mesmo o “processo” Apito Dourado tal como o sabemos hoje, aquele “por fora”) no tal Benfica-Porto de 2004-2005 que McCarthy decidiu na Luz, passando também o presidente portista por instigador da violência verbal… sem ter dito uma palavra.

Como a Imprensa subserviente só será acicatada pelo avanço da blogosfera descomprometida, como se viu no caso recente do falso canudo de Sócrates, iremos avaliar se Vieira estará à altura do desafio em que os promotores do novo dossier, seja conde Redondo ou quadrado, garantem ir tramar o mafioso do Sul que se acobertou na Luz como outros delinquentes antes dele…

Algo se ficou a saber mesmo e mais uma vez Pinto da Costa foi certeiro e apanhou o mentiroso em flagrante (pois desmentiu-o na resposta e, afinal, é mesmo verdade): Luís Filipe Vieira foi condenado a 20 meses de prisão em 1993 e foi o único dos criminosos julgados em Lisboa que não se mostrou arrependido. O gangster, entretanto, passou impune a tudo e mais alguma coisa até querer fazer dele a Justiça que deve ser só de homens de bem.

Luís Filipe Vieira está em xeque, algo que a conivência de muita gente nos obscuros corredores do poder em Lisboa ilibou. A ele e a outros, a Norte e a Sul, para conveniência destes, descritos mas não nomeados no Apito Encarnado. Atentaremos no Benfica, no Alverca, nalguns nomes, nalguns jogos.

DO PRIMEIRO SINAL…

Não se espere, desde já, alguma coisa de relevante das intenções da pobre PGR em averiguar a origem deste novo documento. Já foi, ainda hoje, desvalorizado por gente responsável em jornais (A Bola, por exemplo). Para a limpeza que tantos reclamavam, importa que os autores deste dossier – e recordo o testemunho anónimo que ATT em O Jogo apontava há uns mesitos de alguém da PJ envergonhado com a maquinação do processo em curso – depois não se calem se as suas ameaças não passarem disso para alcançarem resultados no apito em curso.

É que, neste como no outro caso, fica pior a emenda que o soneto.

Etiquetas:

16 Agosto 2007

Um ano de Jesualdo

Por Menphis
Esta semana, faz um ano que Jesualdo Ferreira se tornou treinador do FCPorto, depois de ter deixado uma boa imagem em Braga e de ter trocado o Boavista por uma oportunidade única, quiçá a melhor, na sua carreira já longa de treinador.

Depois de ter realizado uma pré-temporada conturbada, e na ressaca da conquista da 15ª Supertaça Cândido de Oliveira, sob o comando de Rui Barros, o FCPorto apresentava Jesualdo Ferreira, como, mais uma, aposta pessoal do presidente Pinto da Costa, para ser capaz de levar os Dragões ao bicampeonato.

Jesualdo Ferreira porém tinha uma missão ainda mais difícil, necessitava de, a curto prazo, conhecer mais sucintamente o plantel que dispunha, e que não fora escolhido por ele, de mudar um sistema de jogo com o qual não concordava, e no meio disso tudo, teria de ganhar.

Unicamente de ganhar, porque esse, foi, é, e sempre será, o único pensamento dos adeptos portistas e terá que ser o único pensamento de quem o serve.

Depois de uma primeira jornada em que manteve o mesmo sistema herdado de Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira, aproveitando uma paragem para jogos da selecção, mudou radicalmente o sistema de jogo, com total êxito. Acabava o reinado do 3x3x4, nascia o calculismo do 4x3x3.

A qualidade, a solidariedade e o empenho dos seus atletas foi a sua maior base de trabalho, alicerçando uma primeira volta excelente, com apenas um empate e uma derrota, as exibições condiziam com os resultados e tudo se proporcionava para uma segunda volta tranquila.

Por diversos motivos, isso não aconteceu, o mês de Janeiro foi péssimo, a imagem deixada contra o Chelsea foi positiva mas a eliminação na Taça de Portugal contra o Atlético abriu brechas na confiança dos adeptos, a partir daí o FCPorto partiu para uma caminhada cheia de solavancos mas vitoriosa conseguindo o objectivo principal, a conquista do bicampeonato .

Jesualdo Ferreira viria a ser coroado, pela 1ª vez na sua carreira, campeão nacional, conseguindo fazer um trabalho positivo, mas não isento de erros, nem de alguns factos negativos.

Nova época, maiores exigências

Na preparação da época 2007/2008, Jesualdo Ferreira pediu, à sua Administração, jogadores robustos para o meio campo de forma a dar um pouco mais de consistência física ao seu futebol ,querendo impor mais pujança naquele sector importante .

Reformulou o plantel, equilibrando-o e escolhendo jogadores polivalentes para mudanças de sistema, ao longo da época, se necessitar.


Podemos dizer que este será mesmo o ano mais importante da carreira de Jesualdo Ferreira, os olhos, sempre exigentes, dos adeptos portistas estarão todos virados para si e não haverá mais espaços para desculpas, Jesualdo fez e refez o plantel como quis, e teve a confiança pública do seu presidente, que parece não querer repetir a sua "ausência" da época passada deixando a ideia de que era um treinador sozinho.

No primeiro teste falhou claramente, apesar de outros condicionantes, tais como o árbitro e a falta de sorte, a sua equipa desiludiu, apresentando um futebol demasiado calculista para uma equipa com os pergaminhos do FCPorto, e o espaço de manobra entre os adeptos diminuiu um pouco.

No entanto, a época ainda agora começou, ainda faltará muito para jogar, mas Jesualdo Ferreira terá de ter consciência de que esta época é a sua oportunidade de, definitivamente, se impor como um grande treinador ou então será sempre visto como apenas mais um que o FCPorto fez campeão.


Jesualdo efectuou pelo FCPorto 40 jogos, tendo 25 vitórias, 6 empates e 9 derrotas, com um gool-average de 76 golos marcados e 30 sofridos.

Etiquetas:

14 Agosto 2007

A entrevista

Por Menphis
Pinto da Costa encerrou o ciclo da especulação sobre a sua decadência e voltou a ser o que era. Se a guerra com Vieira é apenas um "remake", o alvo Saldanha Sanches é uma novidade. E grande!

A entrevista do presidente do FC Porto a noite passada ( dia 9/8/2007) na SIC Notícias se não teve outra virtude, encerrou um ciclo de especulações sobre a decadência, perda de poder e até medo de Pinto da Costa. Obrigado à prudência e ao silêncio em consequência do processo "Apito Dourado", esta foi a primeira aparição pública em que deu a imagem de voltar a ser quem era. Ou seja: alguém que não tem papas na língua e não escolhe os adversários por serem mais ou menos poderosos, nem mede os desafios consoante as circunstâncias.


Se o ataque a Luís Filipe Vieira ainda poderá ser levado à conta da primeira batalha do campeonato que está à porta e não faltará quem vá por essa via folclórica, já outras situações não podem passar em claro para o bem e para o mal do que todos nós, os adeptos de um futebol e igualmente de uma democracia limpa, desejamos seja esclarecido.


Ora antes de os tribunais tirarem tudo a limpo, conviria que quem se torna actor neste processo deva usar do máximo rigor na informação que presta e nas conexões que com ela faz.


Entre os que se tornaram actores do processo soube-se ontem pela boca de Pinto da Costa está Saldanha Sanches que ao comentar na SIC a questão da corrupção no futebol português deu como exemplo o ordenado de dois mil euros que o presidente da FC Porto, Futebol-SAD auferiria.


Ora bastaria ao eminente fiscalista consultar o relatório e contas da sociedade desportiva dos dragões para saber o valor exacto da remuneração de Pinto da Costa.


Porque ninguém acredita que sobre matéria tão factual e tão facilmente comprovável, Pinto da Costa tivesse declarado em depoimento para a justiça que ganhava os tais dois mil euros, que foi o que Saldanha Sanches disse nessa intervenção televisiva.


Não sendo obrigatório seguir pela fronteira da conspiração com que Pinto da Costa bordejou as respostas dadas às perguntas sobre o Apito Dourado, também não resta a menor dúvida de que gente como Saldanha Sanches não faz bem a ninguém: nem sequer à televisão, quanto mais à democracia.


De facto, quando alguém como ele produz afirmações como a de que há mais corrupção na província porque há mais vizinhança e amiguismo, o que apetece mesmo perguntar é: mas foi o senhor que chegou a essa conclusão por si mesmo ou foi-lhe transmitida pela ciência forense da senhora sua esposa, a Procuradora Maria José Morgado?

Manuel Tavares in OJogo 10/8/2007

Etiquetas: ,

13 Agosto 2007

Um número em falta ?

Por Menphis
Quem será o 10 do Porto?

Leandrinho é bom de bola mas é um puto em adaptação. Se Lucho ou Quaresma forem vendidos, então terá de vir um craque e dar-lhe a camisola 10. Seria uma excelente jogada de marketing. Será?

Os velhos do Restelo e do amor à camisola, mais os clássicos das tácticas que acham que os jogos se ganham no meio campo e de preferência com um "maestro" têm hoje um bom enigma para decifrar: no plantel do FC Porto para a época 2007/8 não há camisola 10. Ou se há ainda não tem qualquer nome inscrito no dorsal.

Que poderá querer isto dizer?

O mais simples seria deduzir que o anterior proprietário desse número mítico, Anderson, ainda não tem sucessor.

Simples demais se atentarmos nas indicações excelentes que Leandrinho tem dado nos jogos de pré-época, mas de algum modo verdadeira tendo em conta não só a tenra idade do novo craque vindo do Brasil mas também a sua ainda muito curta adaptação. E, se bem estão recordados, o genial Anderson teve que penar um bom bocado na primeira época, até se fazer dono da batuta do meio campo.

E não esqueçamos que Jesualdo é um treinador incapaz de lançar um jovem para a fogueira, seja a das vaidades ou da inquisição dos adeptos, só para superar um buraco na equipa ou para salvar um resultado de circunstância. Jesualdo é um treinador que acredita na sistematização do trabalho como fórmula de sucesso e só se deixa seduzir pelas aventuras criativas em situações especialíssimas.

Mas a ausência da camisola 10 do plantel portista tem uma outra leitura, que é menos desportiva e mais da esfera do marketing. Vamos supor que surgem argumentos financeiros tão fortes que Lucho acaba por ser transferido ou até mesmo Quaresma, embora este já esteja num patamar em que só irá a leilão quem tenha dinheiro para perder a cabeça.

De todos os modos, num destes cenários o FC Porto teria certamente que ir ao mercado buscar um craque à prova de bala. E não necessariamente um "maestro". Até poderia ser um ponta-de-lança de créditos firmados para permitir a Jesualdo usar o 4x4x2 com melhor aproveitamento, designadamente nos complexos jogos da "Champions".

Ora num cenário destes, dar a camisola 10 ao tal craque é seguramente uma excelente estratégia de imagem.

Será assim?

Aguardemos"

Manuel Tavares in jornal " OJogo " de 9/08/2007


U
ma das maiores criticas feitas a Jesualdo Ferreira aquando da última derrota frente ao Sporting foi a falta de um típico nº 10, um playmaker capaz de transportar a bola de trás para a frente de uma forma rápida e objectiva.

Este ano, Leandro Lima e Luís Aguiar foram as contratações que foram contratados para colmatar a vaga deixada por Anderson, além da saída de Jorginho.
O uruguaio, ainda numa fase de adaptação, nem convocado foi, o brasileiro saiu do banco aos 83 minutos.

A questão, conforme está explicita no artigo acima publicado, está em saber se existe um jogador com essas características dentro do plantel do FCPorto ou se não é necessário haver jogadores para a táctica usada visto que Lucho, em principio, ficará no plantel e interpreta bem esse papel, ou se, em último caso, até o dia 31 de Agosto iremos ter mais um reforço para essa posição ?

Etiquetas:

12 Agosto 2007

Falta de sorte, de audácia e...um hábito

Por Menphis
FCPorto 0 - 1 Sporting C. P.
( Izmailov 75')


Equipa titular: Helton, Bosingwa, Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Paulo Assunção, Raul Meireles, Marek Cech, Lisandro Lopez, Quaresma e Adriano


Entraram: Kaz 74', Mariano Gonzalez 77' e Leandro Lima 83'


O FCPorto reprovou no seu primeiro grande teste da época 2007/2008. Reprovou por vários factores mas, essencialmente, por culpa da falta de sorte, tão necessária para vencer jogos, da falta de audácia do seu treinador não arriscando no momento certo e também ao aparecimento de um hábito que ultimamente é tão normal, como o hábito da higiene oral de Jesualdo Ferreira: uma arbitragem infeliz e tendenciosa prejudicando sempre o mesmo.

Mas vamos por partes, o FCPorto apresentou em Leiria uma equipa completamente bicampeã, sem reforços a alinharem de inicio, com Helton na baliza, com a defesa e o ataque habitual, e com Cech no meio campo a tentar fazer de Lucho.

O jogo começou com um Sporting melhor, mais ofensivo, mas cedo se percebeu que ao FCPorto faltava o tal jogador que fazia a ligação defesa-ataque, o tal elemento menos guerreiro e mais irreverente para tentar surpreender uma defesa fechada.

O FCPorto, à medida que o tempo foi passando equilibrou a partida, conseguindo ganhar o meio campo e empurrando o Sporting para a sua zona defensiva, no entanto nunca conseguiu chegar com sucesso à área adversária, e poucas vezes criou lances de perigo, excepção quando Quaresma, num lance de bola parada, fez a bola embater no poste da baliza de Stojkovic.

Na 2ª parte, tudo começa igual, o FCPorto sempre superior ao seu adversário, mas também com pouco perigo a rondar o seu alvo principal, sendo aí que entra a tal falta de audácia do seu treinador.

O FCPorto dominava a partida a seu bel-prazer, sentia-se que o golo poderia surgir a qualquer momento, mas faltava algo, um chama que pudesse acender o lume da vitória, e Jesualdo Ferreira teimava em não arriscar, em esperar pelo erro do adversário para que o golo, merecido até à altura, surgisse caído do céu .

Num meio campo combativo, que até tinha conseguido, até ao momento, controlar as operações manietando o adversário, o FCPorto necessitava de alguém com capacidade de improviso, de magia, com um pouco mais de ambição ofensiva.

Lisandro e Adriano lutavam na frente sozinhos, Quaresma, sempre bem vigiado, não conseguia pegar no jogo, e o Sporting tentava fechar os caminhos da sua baliza, não havendo ninguém capaz de furar e de desequilibrar, tal a forma que as equipas estavam encaixadas.

Fucile bem tentava surgir na frente, mas teve sempre falta de apoio e Bosingwa esteve irreconhecível, não conseguindo ter êxito nos seus cruzamentos.

No entanto, Jesualdo Ferreira mexe na equipa, tarde demais e erradamente, como se veio a provar, Kaz entra para o lugar de Cech, mas, quase no minuto seguinte e sem nada que o fizesse prever, o Sporting num remate tão espectacular como feliz ,marca o golo, que viria a ser o golo da vitória, tão injusto como foi o resultado final.


A partir daí, Jesualdo mudou a estrutura da equipa, arriscando tudo, pôs Mariano Gonzalez e, muito tardiamente, pôs Leandro Lima, mas a equipa teve pouca capacidade de reacção
.

Kaz ainda enviou uma bola ao poste, na melhor jogada do encontro portista, mas o FCPorto nunca foi capaz de se erguer, perante o golo que o deixou KO, ele nunca teve a lucidez suficiente para tentar virar o rumo dos acontecimentos.

Por fim, temos o hábito, aquele hábito que, ultimamente, temos visto nas partidas do FCPorto: uma arbitragem infeliz, completamente tendenciosa e a prejudicar-nos.
Uma mão de Tonel na grande área, quando o jogo estava 0-0, não foi sancionada, mas também se viu um critério desigual na atribuição dos amarelos, mostrando um arbitro sempre preocupado em condicionar os jogadores portistas.

Nada que não estejamos já habituados e avisados, este ano os critérios ainda vão ser mais desiguais, e a pressão e o condicionamento nas decisões dos árbitros para não beneficiar o FCPorto vai ser enorme, mas para isso necessitamos de ser ainda mais fortes do que aquilo que somos.

O FCPorto apenas perdeu uma partida, ainda que injustamente e devido a vários factores, com os quais, futuramente, poderá contornar, tem muito caminho pela frente, mas por esta derrota, sempre incómoda e amarga, e porque na 2ª jornada o FCPorto enfrentará, novamente, o Sporting, o jogo de sábado, contra o Sporting Braga é duma extrema importância para a confiança e para a motivação dos seus jogadores, havendo aí um único resultado possível: a vitória, tudo para que não surja logo uma cárie no inicio da época que lhe possa prejudicar a época.

Etiquetas:

11 Agosto 2007

Vencer: muito mais do que um hábito

Por Menphis
FCPorto - Sporting C.P.
( RTP1 - 21 horas)

A partir de hoje os jogos já são a doer, acabaram-se os jogos a fingir. A competição já está aí, mascarada de Supertaça, e nada melhor do que começar a época a jogar contra a equipa que mais deu luta no campeonato do ano passado, o Sporting.


Apenas existe um só objectivo: vencer, não só porque, como disse o seu treinador, é um hábito entranhado no FCPorto, como é único resultado possível, uma obrigação para quem veste a camisola dos bicampeões nacionais.

A conquista da 16ª Supertaça é o único pensamento nas mentes dos jogadores que irão alinhar, num Estádio duma cidade, onde tem a fama de ser a mais favorável, em termos de apoio, ao seu adversário.

E é como bicampeões nacionais que somos, que vamos entrar com toda a força, garra e ambição para a conquista do primeiro troféu oficial da época 2007/2008.

Se não tive quaisquer dúvidas no sistema táctico que irá ser utilizado na partida, houve 3 lugares onde as dúvidas me acercaram: na baliza, na lateral esquerda e um elemento no meio campo.



Aposto em Nuno na baliza, acima de tudo, seria um prémio mais do que justo pelo seu empenho, qualidade e profissionalismo, que demonstrou na pré-época onde regressou ao clube onde foi mais feliz e mais vitorioso na sua carreira desportiva.

Se não existe quaisquer dúvidas em três elementos que poderão compor a defesa, Bosingwa na direita e a dupla de centrais Bruno Alves-Pedro Emanuel, na lateral esquerda acredito que Jesualdo apostará na continuação da adaptação de Fucile. O uruguaio demonstrou na pré-época que a sua qualidade é enorme e que se adapta muito bem à função de defesa esquerdo, rubricando sempre exibições regulares .

No ataque reside a questão onde se menos questiona a equipa que, provavelmente, irá alinhar de inicio, Quaresma e Lisandro nas alas, para mim, os jogadores chave para abrirem a porta do êxito no jogo, e Adriano no centro, sendo no meio campo onde estão as maiores dúvidas: quem serão os escolhidos ?

Posso confessar-vos que mudei três vezes de equipa, primeiro optei pela aposta da continuidade da maior aposta da pré-época de Kazmierckzak, depois decidi ir para a irreverência atacante de Leandro Lima, só que no final arrisquei em inserir Bolatti a titular, por ser um jogador de características semelhantes ao grande ausente desta final, o argentino Lucho Gonzalez, isto é, sem retirando Paulo Assunção e Raul Meireles da equipa por não acreditar numa grande mexida na estrutura base da equipa que apresentava na época passada.

Além do mais, Bolatti deu indicações positiva durante toda a pré-época, principalmente, contra o Shanghai quando avançou no terreno, aparecendo por vários momentos na zona da cabeça da área para tentar surpreender a equipa adversária, uma função que Lucho cumpre plenamente.

Quaisquer que seja a equipa escalada para o jogo, a atitude, a ambição e a sede de vencer devem ser elementos essenciais para que a vitória seja mesmo realidade.

Espera-se um jogo disputado e equilibrado, com um Sporting a jogar muito rigoroso tacticamente, e muito expectante, sempre a jogar no erro do seu adversário, por isso seria necessário uma entrada forte, concentrada e eficaz por parte do FCPorto para criar um resultado positivo logo nos minutos iniciais.

É tempo de começarmos a gritar : Nós somos a tua voz, queremos esta vitória, conquista-a por nós.

Frases do Mister

" É muito difícil estar no FC Porto sem ganhar. É como escovar os dentes, é um hábito. "

" Sob o ponto de vista táctico, é natural que haja
um processo de aprendizagem mais demorado. Essa evolução faz-se a jogar e a treinar e obriga os jogadores que fazer parte da estrutura-base da equipa a nunca adormecerem, pois os que estão do lado de fora não deixam."

Aliás, um jogador que está no FCPorto sabe que nunca pode desistir.
É a essa a nossa filosofia de trabalho."

" Fizemos bons resultados e bons jogos na pré-época, mas foram ap
enas treinos. Os dois torneios que conquistamos contra equipas da Europa já contemplaram características muito próximas da competição, mas é como eu disse, foram apenas treinos. O jogo a sério é no sábado."

Números oficiais para a época 2007/2008

O FCPorto já divulgou os números oficiais para a época 2007/2008. Além da ausência do nº 10, existem também algumas novidades.

Postiga e Jorginho estão ausentes da lista, o que se pressupõe que a saída será o destino dos dois, destaque para a atribuição do nº 2, conjuntamente com o 99 é o número mais carismático do clube, a Bruno Alves, talvez um indicio, de que o defesa central é, dos jogadores que fazem parte do plantel, aquele que mais tem possibilidade em ser o futuro capitão da equipa e umas das maiores referências do clube num futuro próximo.

Este ano, a numeração das camisolas do FCPorto, é a seguinte :

1- Helton
2 - Bruno Alves
3 Pedro Emanuel

4 Stepanov
5 Marek Cech
6 Paulo Assunção

7 Quaresma
8 Lucho
9 Lisandro
11 Mariano
12 Bosingwa
13 Fucile
14 João Paulo
15 Lino
16 Raul Meireles
17 Tarik
18 Bolatti
19 Farías
20 Leandro Lima
21 Luís Aguiar
24 Ventura
25 Kazmierczak
26 Castro
28 Adriano
29 Edgar
30 Rui Pedro
33 Nuno Espírito Santo

Etiquetas: ,

10 Agosto 2007

A (super) questão táctica

Por Zé Luís
Jesualdo aposta no 4x3x3. Até Mourinho o elegeu como o mais equilibrado e racional sistema de jogo pela ocupação natural dos espaços. Mas será assim amanhã para o FC Porto?

A Supertaça de amanhã faz-me recuar ao último Porto-Sporting. Que deu polémica, pela má entrada em jogo, pela derrota, por uma série de coisas que motivam uma reflexão pertinente e actual.

Que sistema de jogo, além da aposta no 4x3x3 de princípio, adoptará Jesualdo?


No Dragão, em Março, o FC Porto jogou em 4x3x3, aberto e franco. O Sporting no habitual 4x4x2 (há sempre um losango no meio-campo, mais ou menos rombudo, é despiciendo ao sistema adicionar a figura geométrica que alguns estudiosos gostam de associar: ficará bem uma redundância?). As equipas têm mantido, nesta pré-época, os sistemas de jogo que as identificaram recentemente. Vai manter-se assim, pelo menos amanhã no FC Porto?


Nunca foi devidamente esclarecido, até porque os entrevistadores de ocasião dispersam-se por “fait-divers” e não escalpelizam os temas candentes e pendentes da gestão de recursos ao longo de uma época como sucedeu na entrevista de campeão a Jesualdo na SIC-N. Mas no último Porto-Sporting, lembre-se, era suposto Lisandro jogar, provavelmente em 4x4x2 para encaixar no Sporting e não dar a inferioridade numérica no miolo, mas o argentino lesionou-se. E percebeu-se logo que a mossa era grande, o que o jogo veio a confirmar.


Ousadia ou “tacticismo”


O que esse jogo mostrou não foi uma superioridade natural do Sporting. Jogou mais porque a velocidade que meteu de início derivou de ganhar mais facilmente, e mais adiantado no campo, a posse de bola. Tinha mais jogadores em campo, parecia. Mas era só no miolo. Acabou por ganhar num livre directo, quando as substituições de Paulo Bento refreavam a iniciativa atacante, e numa falta despropositada de Postiga sobre Polga no terço defensivo portista (!?)… E só isto, um acidente no jogo, desencadeou uma série de questões e más interpretações, alguns até deram o título como perdido.


A lição terá servido? Para mim é a grande dúvida amanhã, mais do que uma ou outra entrada na equipa que terá a base grande dos campeões de 2006-07. Naturalmente, sem Lucho, além de Pepe, o meio-campo poderá sofrer mais remodelações. E o sistema mudará?


Conviria. Mas não é crível que, só por um jogo, Jesualdo altere o sistema que tem dado resultados. Mas será inflexível a esse ponto? Trará constrangimentos se, aqui ou ali, modificar a simples questão táctica e estratégica que não pressupõe, de forma alguma, menor ambição de vencer, mostrar receio do adversário ou arrastar a quebra de rotina de ganhar já implementada e que tem garantido troféus de prestígio e jogo agradável à vista ?


Não creio e, de resto, nenhuma equipa pode ser refém de um sistema. Têm de existir alternativas e, aliás, adaptar mesmo, num jogo específico pelo valor do adversário, o resultado expectável, uma competição sui generis, um sistema a um dia que o justifique. Até Mourinho o fez e insiste…


Quanto a mim, temo que o cinismo vença quando sei que um sistema joga no erro do adversário e na especulação dos incidentes do jogo. No Sporting, de resto, nem é novidade. Também já serviu, noutras eras, ao FC Porto. Difícil, por fim, é achar onde está o mérito de um e o demérito de outro, ou onde se começa a ganhar e se exalta quem, porventura, menos fez por vencer. Coisas da bola indígena.


Não será fácil, decerto, adivinhar o onze de amanhã. Porque parto com a dúvida de que o sistema pode mudar. Deve mudar? Volta a opor-se ousadia a “tacticismo”…


Mourinho dixit


Momentos peculiares podem justificá-lo e eleger um sistema não significa vilipendiar uma filosofia de jogo que deve caracterizar uma época apesar da excepção num ou noutro caso.


Relembro:

“Na passagem da época 2002-03 para 2003-04 (…) eu sabia que, para o Campeonato Nacional, qualquer das duas opções me seria suficiente para ganhar facilmente – o meu 1x4x3x3 ou o meu 1x4x4x2. Assim, aproveitei o seu maior rigor em termos de disciplina táctica, em termos de posições e de funções, para trabalhar muito mais à volta do 1x4x4x2. Porque, da forma como a concebo, esta estrutura é muito mais “táctica” que o 1x4x3x3. No 1x4x3x3, logo à partida, há uma ocupação perfeitamente equilibrada dos espaços, não é preciso ser-se muito “inteligente”, não é preciso pensar muito… basta simplesmente que os jogadores ocupem as suas posições. Com o 1x4x4x2 é preciso pensar muito mais, porque o campo está ocupado de forma pouco racional, não existe ninguém aberto… Os laterais podem atacar em profundidade, mas, se o fazem, há descompensação a nível defensivo… Se tirar os jogadores do losango para as alas, acabo por ficar só com um jogador no meio-campo… Se os dois pontas-de-lança jogam demasiado em mobilidade e caem constantemente nas faixas, fico sem ninguém no meio para finalizar… É um sistema à partida desequilibrado! E eu, quando trabalho este sistema aqui no Chelsea – porque sei que em determinadas alturas vou precisar dele – incido quase sempre mais sobre o que ele tem de mau.

É um sistema que tem muitas coisas más. E, ao “obrigar” os meus jogadores a jogar nesses sistema táctico, “obrigo-os” a ser naturalmente disciplinados, rigorosos e concentrados”.

José Mourinho citado em “Mourinho – porquê tantas vitórias?”, da Gradiva, 2005


Qualidade ou oportunismo?


Voltando à reflexão que se impõe: Jesualdo forçará a imposição do 4x3x3 para provar que a derrota do Dragão foi ocasional e fruto de várias coincidências, deficiências e azares (penálti negado no fim a Pepe), correndo o risco de novo desaire que pode, logo de início, pôr tudo em causa? Ou adaptará, face à forte componente da linha média dos leões, jogando nos duelos individuais e não dando superioridade ao adversário à partida, esperando que a maior qualidade dos dragões prevaleça?


Se alguns amigos se lembrarem da longa discussão que tivemos pós-jogo, perceberão esta minha ideia. E decorre da apreciação de Mourinho que um sistema é ousadia e outro é especulação com o jogo. É claro que, após a Supertaça, qualquer resultado merecerá diversas interpretações. Cá estaremos para as avaliar.

Mas num bom momento do FC Porto, a expectativa é grande mas não pode ser do género “vamos partir tudo desta maneira”.


Como poucos reforços serão chamados ao 11 (há só seis nos 19 convocados), o pensamento no jogo tem de ser pela configuração da equipa e não na soma dos titulares e dos suplentes que entrarem. Tendo sempre o contexto da pré-época que ainda decorre, sem hossanas aos rivais de Lisboa que nada mostram, e com o FC Porto já no trilho certo para uma boa época sem as parangonas que estariam destinadas a outros…

Com Tarik, Mariano, Quaresma e Lisandro, parece de caras que vem aí o 4x4x3. Daí a “dispensa” de Postiga e, se for preciso nalguma aflição, há Edgar para um jogo mais directo mesmo ao lado de Adriano.


Ideias finais


De Leiria – naturalmente, prevaleceu o bom senso geográfico onde ainda os clubes podem ter uma palavra a dizer num meio tão idiossincrático e macrocéfalo que não contempla concessões de espécie alguma nem para adepto ver…


De Bruno Paixão – já se lê que é um favorito de Pinto da Costa, que só favorece o FC Porto e prejudica o Sporting e, nessa medida, quem o diz não se lembra da enormidade de Campo Maior de 19/2/2000 num jogo para a História e que acabou por ditar a entrega do título aos leões.


Dos comentadores - as televisões já se esfalfam em apanhar treinadores para os seus programas e levam… “manguitos”. Os técnicos não vêem credibilidade nos comentadores e um "estudioso" às vezes aqui citado, tem uma visão dos sistemas que é a sua, felizmente totalmente distintamente oposta à de Mourinho.


O resto, como sempre, é conversa.

Etiquetas:

08 Agosto 2007

Utopia? Porque não?

Por Menphis
VITOR BAÍA, Presidente do F.C.PORTO, acaba de regressar da reunião do Conselho Superior que, como se sabe, é liderado por Pinto da Costa. Foi, como se esperava, aprovado o Plano Estratégico, liminarmente apoiado em 3 pilares fundamentais, a saber:

1- Risco

-Desenvolver políticas lucrativas de comercialização da MARCA que sirvam de suporte às necessidades desportivas.

2- Eficiência

-Implementar um rigoroso projecto de redução de custos.

3- Crescimento

-Cobrir, em rede, todas as cidades, vilas e aldeias do país, e casas do F.C.Porto.
-Expandir (internacionalizando) as casas do F.C.Porto pelas capitais de todos os países do Mundo.
-Promover a venda limitada dos direitos desportivos de jovens jogadores que se notabilizarem nas escolas de formação do Clube.

No que respeita às grandes decisões já tomadas, relativas às políticas em curso no âmbito desportivo, social, cultural e empresarial diga-se, desde já, que tudo tem corrido muito bem.

O F.C.PORTO continua, inteligentemente, a dotar o clube dos meios financeiros necessários a fazer face às actuais exigências competitivas.

Por isso, continua consistentemente a liderar todas as competições internas, em todas as modalidades e escalões etários (excepto nas provas da petanca e dos matraquilhos).

Lá fora, como se sabe, o F.C.PORTO luta, como sempre o fez, por alcançar a Final da Champions League.

UTOPIA?

De acordo com os protocolos celebrados entre o F.C.PORTO, Estado e respectivas Autarquias, as Escolas disponibilizam aos alunos visitas guiadas ao SANTUÁRIO do DRAGÃO.

Os rapazes e raparigas convivem com os craques, cheiram tudo, assistem à projecção em ecrã gigante dos momentos mais belos e gloriosos da História do F.C.PORTO.

Todas as actividades desportivas do F.C.PORTO são cobertas, em directo, através do CANAL TV PORTO e da RÁDIO PORTO.

As CASAS do F.C.PORTO espalhadas pelo país, dotadas de modernos espaços sociais, culturais e desportivos, organizam ao longo do ano diversas actividades:

-encontros temáticos
-concertos
-teatro
-cinema
-torneios de futebol de salão, hóquei, andebol, basquetebol, voleibol e ténis, envolvendo centenas de jovens.

A REVISTA DRAGÕES, modernizada, passou a fazer parte integrante (suplemento de domingo) do JORNAL DO PORTO (diário/100,000 exemplares).

O meu BANCO (antes, qualquer coisa) passou a chamar-se PORTO.

O apartamento novo para os meus filhos foi financiado pelo BANCO PORTO e adquirido à PORTO CONSTRUÇÕES.

A roupa que vestimos e o calçado que usamos foram comprados numa LOJA AZUL.

Quando vamos almoçar ou jantar fora reservamos mesa num dos restaurantes da REDE AZUL.

O MUSEU do F.C.PORTO (aberto aos sábados, domingos e feriados) com áreas de interactividade, é visitado por centenas de pessoas.

Os parques do DRAGÃO (espaço de convívio e lazer) oferecem à juventude, a preço acessível, a prática de desportos radicais, na máxima segurança.

Os CASAMENTOS, BAPTIZADOS, ANIVERSÁRIOS e outros EVENTOS passaram a dispor de infraestruturas bem dimensionadas e arejadas -ESPAÇO PORTO - com toda a gama de serviços adequados (e a custo competitivo) de altíssima qualidade.

As FÉRIAS de milhares de famílias (portuguesas e estrangeiras) passaram a ser marcadas para o PORTO - RESORTES & SPA - ALGARVE utilizando, para o efeito, os voos low cost da PORTO AIRLINES.

As VILAS -AVÓS DO PORTO - dotadas de equipamentos de vanguarda, com assistentes, enfermeiras, médicos geriatras, psicólogos, professores, animadores, cozinheiros e demais pessoal asseguram, dedicadamente, serviços de excelência (em vigilância permanente) para salvaguarda da qualidade de vida dos nossos progenitores .

Há CRECHES, JARDINS DE INFÂNCIA e AFINS, da MARCA PORTO, contribuindo (e de que maneira) para resolver, responsavelmente, os problemas de tantas e tantas famílias.

Ninguém quer perder a oportunidade de ser SÓCIO do F.C.PORTO. Por muitas e variadíssimas razões mas, especialmente, por uma questão de status social.

Se o PORTO faz parte das nossas vidas, então... PORQUE NÃO?

Texto retirado do blog Azul Dragão em 15 de Julho de 2007.


PS: Hoje, às 22 horas, Jorge Nuno Pinto da Costa estará na SIC Notícias para uma entrevista especial para falar sobre vários assuntos . A não perder.

Etiquetas:

Postiga ou a Síndrome do Sucesso Imediato

Por catarina
É, inquestionavelmente, humano: não há nenhum de nós que não admire, de uma forma mais ou menos assumida, o sucesso imediato.

Aquele surto de luz repentina que transforma um mero mortal num ser superior. De um forma limpa, objectiva, directa: como a maçã que caiu na cabeça de Newton e o despertou para a gravidade.
Quase um truque de magia: atenção, meus senhores, muita atenção – podem ver, nada nas mangas, nada nas mãos – e nisto ouve-se um pufff e sai uma pomba branca do interior de uma nuvem de fumo.

Sim, faz parte da nossa dimensão humana (e portanto limitada) admirar aquilo que nos é inacessível, como o sucesso imediato e indolor. Mais grave é quando alguns incautos incorrem no erro de o querer para si, de o julgarem, efectivamente,
possível. Não é. O sucesso é fruto de um caminho duro, de muitos erros, de muita luta, de muita insegurança, de muito (e porque não?) medo.
Não surge do nada, não é incons
equente e, acima de tudo, nunca é repentino. A não ser quando é um sucesso vazio, feito de êxitos tão ocos quanto momentâneos. O verdadeiro sucesso dá trabalho: muito. E os que pensam que o podem atingir sem ele são de uma inocência tão comovente quanto ingénua. Na verdade, a culpa até nem é deles, mas daquilo em que os fazem acreditar. Das histórias de sucessos imediatos que lhes contam, e em que eles acreditam, sem conseguir ler nas entrelinhas o pano de fundo do trabalho.

Deixem-me partir numa um breve incursão pela minha área para vos ilustrar as minhas palavras com um exemplo muito significativo.

Toda a gente já ouviu falar de Darwin, o autor daquela que é, na minha opinião, uma das mais belas teorias formuladas no âmbito das ciências biológicas. Grosso modo, também toda a gente conhece a história dele: embarcou num barco como naturalista, chegou às Galápagos, maravilhou-se com a diversidade dos tentilhões e das tartarugas gigantes num espaço tão pequeno e... pufff: tal qual maçã que lhe caiu sobre a cabeça, ali mesmo lhe surgiu a teoria da selecção natural. Ou assim reza a lenda, assim é contada a história.

A realidade é um pouco diferente. Darwin era, na verdadeira acepção da palavra, um falhado: incapaz de concluir o curso de medicina (na altura, julgava-se que a nata da sociedade eram os médicos, sendo que aqueles que não conseguiam ou não queriam sê-lo eram considerados seres inferiores... ainda bem que a sociedade evoluiu nesse aspecto), o pai empregou-o a bordo do Beagle como naturalista, provavelmente para se ver livre do traste durante 5 anos.

Quando entrou no barco Darwin era, assumidamente, um criacionista (que, por oposição aos evolucionistas, acreditava que todas as formas de vida eram imutáveis e haviam sido postas na terra tal qual se encontram na actualidade por uma entidade superior). A sua tarefa era fazer um diário de bordo em que descrevia todas as espécies que lhe eram desconhecidas.

Fê-lo, ao longo de 5 anos. É verdade que parou nas Galápagos, é verdade que apanhou alguns tentilhões (eram tão bonitos... e precisava de amostras para o diário) e é verdade que apanhou algumas tartarugas gigantes (sopa de tartaruga, naquela altura, era um pitéu para os marinheiros).

Quase 5 anos depois, quando desembarcou em Inglaterra, Darwin era, assumidamente, um criacionista. Foi preciso muito tempo, muita dedicação e muitas pestanas queimadas para juntar as peças do que tinha visto e formular a teoria da selecção natural. Não, temos pena mas não foi um rasgo de inteligência momentâneo, não lhe surgiu de repente enquanto caminhava pela ilha: surgiu-lhe aos poucos, debruçado na secretária, de olhar fixo nos seus inúmeros apontamentos.

O Postiga. Eu gosto dele, palavra que gosto. Admiro o seu porte quando entra em campo, o jeito levezinho de pegar na bola, a maneira felina e silenciosa como avança no terreno, a decisão na hora de rematar. Sigo a sua carreira há já algum tempo, e reconheço-lhe capacidades fabulosas: daí que me irrite tanto a sua teimosia em pura e simplesmente não jogar bem à bola.

Convenhamos: já não há paciência para o ver marcar um golo bonito e ficar o resto do jogo sentado na grande área adversária com o polegar esquerdo enfiado na boca à espera que passe a repetição do golo no ecran gigante. Quem me conhece há já algum tempo, e está habituado a ouvir as minhas opiniões, comenta: “mas tu admiravas tanto o rapaz...”. E admiro. Continuo a admirar. Mas não lhe consigo perdoar esta súbita altivez, este excesso de desdém em campo que já vai durando desde o início do ano. Vejo-o jogar e interrogo-me. Não lhe falta técnica, know-how, capacidade física. Muito pelo contrário: quando ele está para aí virado, tem um toque de bola que delicia qualquer adepto da modalidade. Trata o esférico com um jeitinho carinhoso, quase como se lhe fizesse festas, é capaz de se fundir com ele, como se ele não fosse mais do que um prolongamento do seu corpo que ele domina na perfeição.

Já o vi correr 90 minutos e rematar aos 91 como se tivesse acabado de entrar em campo. Se existe alguma entidade superior que abençoa uns seres com capacidades acrescidas em determinadas áreas, Postiga foi um dos sortudos iluminados. E no entanto... não chega.

Repito: não lhe falta técnica. Faltar-lhe-à, então, dedicação e capacidade de trabalho. E isso dá cabo de mim: aquele jeito mole de se passear pelo campo como quem já cumpriu a sua missão, aquele passar ao lado do jogo como se não fosse nada com ele... dá-me vontade de saltar para o meio do campo, agarrá-lo pelos colarinhos e gritar-lhe: “usa a enorme capacidade que tens!”.

Não obstante o meu mau-feitio, só há duas coisas neste mundo que eu não consigo de todo suportar: uma é o grão-de-bico; outra é ver um enorme talento ser desperdiçado por falta de dedicação e trabalho. Lembro-me sempre da admiração humanamente inata pelo sucesso imediato, o eterno confiar que a capacidade basta e o resto vem por si.

Lembro-me sempre da história de Darwin. Se eu não gostasse tanto do Postiga, se não admirasse tanto aquilo que ele teima em não querer mostrar, não me ralava nada. Assim ralo-me. E chateio-me. E irrito-me. É certo que é o melhor marcador da pré-temporada... da mesma forma que na época passada fez uma boa primeira volta. E desta vez, quanto tempo até ele se aconchegar no seu puf de estrela da bola e deixar os créditos por mãos alheias?

E então, ralada, chateada, irritada e acima de tudo cansada, é minha opinião que o Postiga deve sair do Porto, pelo menos um ano. Aprender a lição the hard way, já que parece que de outra forma não vai lá. (Outra maneira de ele aprender a lição era fecharem-no comigo numa sala durante 3 horas: um sermão bem trabalhado e duas ou três anestesias de contacto – vulgo estalos – bem aplicadas para vincar firmemente a minha posição, e o rapaz ia ao sítio. Não sendo possível, voto no empréstimo.)

Gostava muito de o ver voltar daqui a um ano, renovado e capaz de lutar pelo tal sucesso que não cai dos céus aos trambolhões. Gostava de o ver dar o melhor dele, em cada jogo, em cada minuto, independentemente de já ter marcado 7 golos e ter assistido outros tantos. Daqui a um ano. O rapaz precisa de arejar as ideias, precisa de morder a vida pelo lado errado e de sofrer o azedo. E depois, quando aprender que a luta constante é a única estrada que se pode percorrer, que volte. Fico à espera. Neste momento, olho para ele e vejo um enorme talento desperdiçado. E, não sei se já aqui o tinha dito, isso irrita-me como o caraças.

Curiosamente, no final da sua vida enquanto escrevia as suas memórias, Darwin quis acreditar ele próprio no seu sucesso imediato. Quis acreditar na história que contavam dele, quis esquecer anos de estudo e transmitir no seu livro essa versão relâmpago-de-inteligência. É. Todos admiramos o sucesso fácil, todos o queremos para nós. Mas ele não existe. Pura e simplesmente, não existe.

PS: quando lerem esta crónica, provavelmente já não estarei no Porto. Tal como o Zirtaev, parto para território hostil, onde espero repôr as baterias depois de um ano esgotante e festejar a conquista da Supertaça. Até ao meu regresso.

Etiquetas:

07 Agosto 2007

Medeiros revela como era o futebol dos cavalheiros

Por Zé Luís

Para quem pense que não tem a ver com o FC Porto mesmo sem ser o mau da fita – para ler e pensar e saber como foi perdida a Taça de 1961 para o Leixões. Medeiros dixit.

Esvazia-se, queiram ou não, muito do que muitos desejavam concretizar com as alegadas consequências do Apito Dourado – sobre o FC Porto, já se vê. E, do chamado futebol do tempo dos cavalheiros, da boa educação, da supremacia lisbonense, há momentos que nos chamam à razão. Já se sabia dos erros calabóticos sem televisão a denunciar. Das transferências com interferências do Estado “sitiado” em Lisboa. Da (in)disciplina de jogadores que se esmurravam em campo. De árbitros ameaçados de pistola no balneário. Entre tantas facilidades no tempo da outra senhore, faltava ouvir falar de jogadores dopados.

Não, desta vez o FC Porto não é o visado, nem o mau da fita. Uma entrevista de António Medeiros a A Bola, de domingo passado, pode ter escapado aos menos atentos, não só fruto da preguiça das férias. Descobri-a por acaso. Mas sei que há 30/35 anos os cromos da bola eram outros. Para começar, nada como transcrever a entrada da entrevista:

“Foi treinador da moda. Fazia primeiras páginas de jornais”. Aos 74 anos, hoje a alourar fêveras e a tirar cafés no Algarve, Medeiros é tão frontal como sempre me habituei a reconhecer, a ele e a outros como Meirim, Manuel de Oliveira e Pedroto.

Propõem-lhe contar histórias. Podia ter feito um livro. Nada de didático, científico, teórico sobre a bola. Mas, como outros, julga-se um mestre. Mais a falar das malandrices, para dizer o mínimo. Ele que diz: dopou-se como jogador e dopou jogadores enquanto treinador. O futebol de outros tempos que uns quantos insistem em querer vender como o tempo do “futebol limpo que era”.

“Não posso trair pessoas [publicando um livro] que me deram dinheiro a ganhar. Teria de falar de muita coisa (…) há muita gente, que ainda hoje está em lugares públicos e faz parte do aparelho do Estado, de quem teria de falar (…) seria um ‘best-seller’ (…) e se calhar não estava oito dias vivo, iam encontrar-me morto numa valeta”. De preâmbulo da porcaria: “Não é de agora. Sempre teve”.

Mais: “Numa reportagem televisiva fui o único a dizer publicamente que dopei jogadores. Nenhum dos treinadores presentes foi capaz de assumir o mesmo. Eram todos puríssimos, o único devasso era eu. No meu tempo, doping era o dia-a-dia. Quem trouxe essa praga para Portugal foram os brasileiros”.

Aqui pode lembrar-se uma quantidade de treinadores, de Otto Glória sempre celebrado, até Yustrich campeão pelo Porto. Mas Medeiros só fala do que sabe mesmo.

A Taça do Leixões nas Antas

“Quando o Leixões ganhou a Taça de Portugal, e chegou aos quartos-de-final da Taça das Taças [na época seguinte], sentia-me sempre mal nos intervalos dos jogos. Fui ao médico, contei-lhe, ele perguntou-me o que estava a tomar. Tomava uns comprimidos que o treinador dava para os nervos. Eram ritalina, pervitini, coptogon, que rebentavam com um indivíduo. Eu não dormia de noite”.

Façamos agora uma ligação ao mundo real. Em 1961, o Leixões ganhou a Taça de Portugal ao FC Porto, em pleno Estádio das Antas. Medeiros não jogou, era a equipa dos bebés rodeada de doutores e medicamentos, pelos vistos.

Medeiros, para quem não sabe, não se lembra nem se importa, nunca passou de treinador de clubes de segunda linha, do Leixões, Estoril, Farense, Portimonense, Marítimo, Penafiel, Amora, Lamas, Beira-Mar, Salgueiros mas chegou ao Belenenses por quem, conta ele, foi “vendido” um jogo amigável no Barcelona que terminou 8-0.... E acha-se que foi, como treinador, “um bom gestor”.

Não há dúvida que a gente daquele tempo tinha-se em boa conta. Alguns saudosistas bacocos e serôdios lembram que “então é que era”, coisas sobre a verdade do futebol, pureza de intenções, imaculada imagem de dirigentes e técnicos. Já sabem que é gente de Lisboa, gente que perdeu a hegemonia do futebol na secretaria, embora ainda manobrem nos corredores, e especialmente no campo. Gente que desacredita tudo e todos, hoje em dia. Gente que, por exemplo, nos jornais, fariam um título se fosse o FC Porto o mau da fita: “Porto ganhou a Taça de 61 com doping”. Em 4 páginas, nem um destaque sobre o caso do doping no Leixões… uma conquista ainda hoje celebrada e, afinal, manchada.

Exemplos contemporâneos não faltam. Coroado disse mal do Pinto da Costa: é título. O pior sobre o Benfica, Gaspar Ramos e Luís Filipe Vieira vem lá só no meio das 2 páginas. Há um cheque de um empresário a um seu jogador antes de uma final contra o Porto? É título. Mesmo que esse cheque nem tenha sido descontado e ninguém tenha nada a ver com acertos de contas entre empresário e o seu representado. E “cosi via”, como dizem os italianos a quem fatalmente nos comparam nas finezas das manobras mafiosas. O FC Porto ganha títulos? São todos sujos, dantes é que os títulos eram limpos nas melhores águas farmacêuticas de Lisboa, porventura expedidas em contentores para algum porto de Leixões.

Entre histórias curiosas, que naqueles tempos não se fazia a “caixinha” que hoje se faz em contar os pendericalhos mais comuns de jogadores vulgares que fazem e dizem coisas banais, muitas delas envolviam o FC Porto como adversário. Um jogador do Belenenses, Luís Horta, salvo erro lateral-direito, que não fazia vénia na visita às Antas como estava consagrado nas relações entre clubes (que vi amiúde entrarem em campo com a bandeira do adversário bem erguida), foi excluído do jogo por se recusar a tal, conta Medeiros. O José Torres, a terminar os seus dias no Estoril, assustado por um dia ter recebido a incumbência de marcar Cubillas: ‘Mister, nem pense nisso, marcar o Cubillas?!’.

Porto nunca quis Medeiros

Última confissão de Medeiros, que para quem não saiba já foi treinador da moda: “O Porto nunca me convidou, mas o Benfica e o Sporting convidaram-me”.

As diferenças, se bem percebem disto tudo, são essas. Diz-me de onde vens, para onde vais, com quem andas… E mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Sic transit gloria mundi. Sempre a mesma coisa.

Etiquetas:

05 Agosto 2007

Uma banheira a transbordar de sucesso

Por Menphis

FCPorto 3 - 0 Shangai Shenhua

Tarik 5' e Leandro Lima 39' e 42 '


Equipa titular: Hélton, João Paulo, Stepanov, Bruno Alves, Lino, Bollati, Raul Meireles, Leandro Lima, Mariano Gonzalez, Tarik e Ernesto Farias.

Entraram: Lisandro 30’, Fucile 45’, Quaresma 45’, Pedro Emanuel 60’, Cech 68’ e Paulo Assunção 74’.


O FCPorto acabou a pré-época da melhor maneira possível, conquistando, com toda a justiça, o Port of Rotterdam Tournement, com uma vitória e um empate, e um gool-average de 3 marcados e 0 sofridos dando uma imagem extremamente positiva e motivadora para a época que se avizinha.

Foi um FCPorto com algumas novidades e diferente do habitual aquele que se apresentou neste domingo no estádio mais conhecido como banheira de Roterdão, destacadamente, para a estreia absoluta do sérvio Stepanov, com uma exibição muito positiva faltando apenas um maior conhecimento da forma de jogar dos seus companheiros, principalmente na marcação das bolas paradas, e também do regresso de Hélton, como sempre sóbrio e concentrado, obrigando a fazer algumas defesas espectaculares, ao nível daquilo que nos tem habituado .

Na equipa inicial, ainda destaque para João Paulo a jogar a lateral direito e para a estreia na equipa titular dos reforços Leandro Lima, em destaque pelos golos marcados, e de Ernesto Farias, estreia essa em que o argentino se pode queixar da má sorte já que se lesionou ao fim de meia hora.

O FCPorto encontrou um Shangai ingénuo e fraco técnica e tacticamente, mas muito aguerrido, tendo dominado ao seu bel-prazer durante toda a partida, impondo sempre um ritmo à medida das suas necessidades, conseguindo uma vitória sem margem para dúvidas e decisiva para a conquista do troféu.

Desde cedo demonstrou que queria vencer a partida, impondo uma velocidade alta e rapidez nos passes para os atacantes, com um meio campo mais solto, nele se destacando a grande partida de Raul Meireles, quer a atacar, quer a defender, e não foi com surpresa que, aos 5 minutos, depois de uma grande jogada individual e de uma combinação com Raul Meireles, Tarik deu o mote para uma vitória que se previa descansada.

A partir daí, o Shangai ainda tentou esboçar uma reacção conseguindo, por algumas vezes, criar alguns problemas à defesa portista, mas, mais uma vez, o FCP destacou-se pela sua eficácia defensiva, anulando, quase sempre, com sucesso os ataques da equipa chinesa.

Tarik mostrava-se endiabrado, fazendo mais uma grande partida, mostrando que quer ficar no plantel, e aos 38' depois de uma combinação argentina entre Mariano e Lisandro , o guarda redes não agarra da melhor maneira um remate, Leandro Lima faz o segundo golo da partida, o seu primeiro com a camisola do FCPorto.

Leandro Lima, sempre muito mexido e lutador no meio campo, dando indicações de que talvez seja o jogador com tendência ofensiva que o FCP tanto precisa, o nº 10 tanto desejado, fez o resultado final à beira do intervalo, numa belíssima jogada individual fintando com classe alguns adversários, embora contasse com a ajuda do guarda redes adversário.

Na 2º parte, o jogo perdeu a vivacidade que tinha até ao momento, fruto das muitas substituições e das consequentes mexidas na estrutura da equipa e também do cansaço de alguns jogadores chave.

A partir daí, viu-se um FCPorto individualista, Quaresma em destaque pela positiva quando não exagera, e pela negativa quando só quer jogar para o espectáculo, que se arrastou no campo, mas sempre sem perder o controlo da partida .

Quanto a reforços, além dos já falados anteriormente, destaque para a grande exibição de Mariano Gonzalez que, apesar de me aparecer ainda um pouco longe do seu peso e da sua forma ideal, mostrou pormenores fabulosos, sendo mesmo considerado o jogador da partida pelos organizadores do Torneio.

Em resumo, o FCPorto acaba por deixar a melhor imagem possível neste torneio, mantendo intacto o seu prestigio, acrescentando mais um troféu para o seu palmarés, mostrando um bom futebol, agradável de se ver, seguro do seu valor e com muita margem de progressão .

Relativamente à pré-época que agora finda, o FCPorto conseguiu averbar 8 vitórias, 1 empate e apenas 1 derrota, marcou 30 golos e sofreu apenas 5, não sofrendo nenhum golo nas últimas 4 partidas, provando que defensivamente se apresentou verdadeiramente irrepreensível, dando mostras de uma trabalho fabuloso ao longo dos treinos realizados.

Os números, numa pré-época, valem aquilo que valem, mas não deixa de ser sintoma de uma verdadeira pré-época à campeão, sendo bastante positiva a imagem dada pela equipa e pelos seus reforços, certamente, aumentando, ainda mais, a expectativa para mais uma época que se espera vencedora.

Agora, resta trabalhar afincadamente para sábado, onde irá ter o primeiro grande teste, frente ao Sporting, mas desta vez para a disputa do primeiro troféu oficial da época.


Resultados da pré-época

FCPorto 6 – 3 Tourizense

SC Irene 0 – 10 FCPorto

FC Den Bosch 0 – 4 FCPorto

Genk 1 – 0 FCPorto

FCPorto 2 – 1 Mónaco

Estrela Vermelha 0 – 1 FCPorto

Atalanta 0 – 1 FCPorto

Boavista 0 – 3 FCPorto

Feyenoord 0 – 0 FCPorto

FCPorto 3 – 0 Shangai Shengua

Lista de marcadores da pré-época ( 30 golos)

Postiga – 6

Tarik - 4

Adriano – 4

Lisandro - 4

Quaresma – 3

Leandro Lima- 2

Edgar – 2

Luís Aguiar – 2

Renteria – 2

Bruno Alves – 1

Etiquetas:

03 Agosto 2007

Crescer em ritmo lento

Por Menphis
Feyenoord 0 - 0 FCPorto

Equipa titular:
Nuno, Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Marek Cech, Paulo Assunção, Raúl Meireles, Kazmierczak, Quaresma, Lisandro Lopez e Adriano


Entraram :Bollatti 68’, Mariano Gonzalez 75’, Ernesto Farias 75’, Leandro Lima 79’ e Tarik 85’.


O FCPorto fez a sua estreia no Port of Rotterdam Tournement com um empate sem sal frente à equipa da casa, numa partida jogada a ritmo de passeio de Verão, tornando-se, por vezes, num longo bocejo para quem assistia, sendo um jogo, claramente, típico de pré-época .


Apesar de tudo, acabou por ser uma partida onde o domínio do FCPorto nunca esteve em causa, mais por culpa de uma enorme consistência defensiva, consistência essa que tem sido a maior imagem de referência deste FCP, versão 2007/2008, e também por ser, claramente, a equipa com sinal mais, criando algumas oportunidades para vencer o encontro.

Jesualdo Ferreira escalou uma equipa onde apenas dois reforços, Kaz e Nuno, entraram de inicio, apostando num 4x3x3x mais rotinado, faltando apenas uma maior rapidez nos movimentos de transição defesa-ataque que quase nunca foram feitos com a velocidade desejada para criar dificuldades defensivas no adversário, sendo a maior razão para tal a presença de um meio campo de combate, mas muito pouco imaginativo e muito tímido nos seus movimentos ofensivos, parecendo que os jogadores ainda estão presos de movimentos devido a uma dura pré-época.


O Feyenoord entrou na
sua máxima força, querendo deixar a sua marca no torneio que organiza, mas apesar de ser dominado durante os primeiros 15/20 minutos o FCPorto tomou logo conta das operações, apesar de ter imposto um ritmo lento e entretido no meio campo, notando-se a falta de alguém que transporte a bola com rapidez, objectividade e até um pouco de magia para a zona de ataque.

Apesar da clarividência habitual de Paulo Assunção, Raúl Meireles e Kaz nunca foram capazes de construir jogadas de perigo na baliza adversária, tendo Quaresma, como quase sempre nesta pré-época, a missão de inventar as jogadas mais perigosas, apesar de ser alvo de uma enorme marcação por parte do adversário.

Na 2ª parte, o FCPorto entrou mais rápido e mais vivo, com trocas de bola constantes e mais perto da área adversária, tendo Adriano, aos 48 minutos, uma oportunidade de ouro para inaugurar o marcador, falhando quase escandalosamente o que até nem tem sido habitual nele.

O meio campo continuou a ter dificuldades de organizar rapidamente os ataques, perdendo-se em passes entretidos no meio campo, isto sem, perder a eficácia habitual a defender.

Tardiamente, Jesualdo Ferreira mexeu na equipa, fazendo entrar os reforços, mas mantendo o sistema de jogo já enraizado na equipa, notando-se uma rápida e agradável, assimilação dos reforços portistas ao mesmo, apesar das suas chegadas mais tardias ao seio da equipa.


Destaque ainda para a estreia de Eduardo Farias, mostrando, no pouco que se viu, bons pormenores, parecendo ser um jogador com muita mobilidade, e um bom tempo de salto, além de mostrar uma garra caracteristica dos jogadores sul americanos, mas com o desenrolar da época será mais fácil provar a fama de grande jogador que já vem rotulado.

Por fim, uma palavra positiva para um grande Fucile,
sempre irreverente, com muita raça, dando sempre luta a Drenthe, um dos jogadores mais promissores da equipa holandesa, a defender esteve sempre certinho e até aventurou-se bem no ataque, mais uma vez, provando-se que a descoberta deste uruguaio, o melhor lateral direito da Copa América, foi feliz.

Resumindo, foi um FCPorto, ainda lento e preso de movimentos no meio campo que se apresentou hoje, mas a defender esteve excelente, com uma enorme segurança e confiança no seu valor, acabando por ser, globalmente, um teste positivo, dando mostras que este ano podemos contar com um plantel recheado de muitas e boas soluções para a época que se avizinha, longa e dificil, embora falta mais audacidade e irreverência atacante, mas isso, espera-se, virá com o tempo e com o trabalho que ainda falta ser realizado até o ínicio dos jogos oficiais.

No domingo,o FCPorto irá jogar a última partida deste torneio, contra o Shangai Shenhua, claramente menos forte e mais ingénua do que o Feyenoord, esperando que se apresente com uma equipa com mais reforços a alinharem de início, destacando-se a curiosidade para a estreia do último reforço, Stepanov, além do regresso de Helton à equipa titular.

Resultados da pré-época

FCPorto 6 – 3 Tourizense
SC Irene 0 – 10 FCPorto
FC Den Bosch 0- 4 FCPorto
FC Porto 2 – 1 Mónaco
Estrela Vermelha 0 – 1 FCPorto
Atalanta 0 – 1 FCPorto
Boavista 0 – 3 FCPorto
Feyenoord 0 – 0 FCPorto

Lista de marcadores da pré-época (27 golos)
Postiga - 6
Adriano - 4
Lisandro - 4
Quaresma - 3
Tarik - 3
Edgar - 2
Luís Aguiar - 2
Renteria - 2
Bruno Alves - 1

Etiquetas:

Torneio do Porto de Roterdão

Por Zirtaev
"Quando Rabah Madjer ajudou o FCPorto na conquista do campeonato europeu com o seu maravilhoso golo de calcanhar, muitos pensaram que iria ser apenas um sucesso temporário. Mas os Portistas apareceram rapidamente para mostrar o contrário. Após terem-se estabelecido como a equipa mais forte da liga portuguesa dos anos 90, o FCPorto voltou ao centro das atenções do futebol europeu em 2003, quando Mourinho guiou o clube à glória da Taça UEFA. Vinte meses mais tarde Mourinho e os seus jogadores conseguíram ganhar o impensável, conquistando a Liga dos Campeões. E desta vez parece que foi para ficar de vez entre elite dos clubes europeus.

O FCPorto foi fundado em 1893 por António Nicolau de Almeida. A sua “casa” é agora o Estádio do Dragão (acabado em 2003 para o Euro2004) depois de 51 anos a jogar no Estádio das Antas.

Os “Dragões”, como carinhosamente gostam de ser chamados os seus adeptos, são actualmente favoritos para vencer a liga portuguesa como já fizeram mais de vinte vezes. Um novo título e o bilhete de entrada para a Liga dos Campeões dão garantia financeira suficiente para o técnico Jesualdo Ferreira apresentar uma ainda uma melhor equipa. Ferreira com certeza desejará manter a bordo jogadores de qualidade tais como Quaresma, Pepe e Hélder Postiga, porque o bi-campeão mundial aponta para um novo sucesso internacional.

O Torneio do Porto de Roterdão não poderia desejar um melhor representante do futebol latino."

Este é o texto de apresentação do FCPorto na página oficial do Torneio do Porto de Roterdão (tradução feita por mim). Torneio em que hoje o FCPorto entrará a jogar contra a equipa anfitriã, o Feyenoord que jogará na sua “casa” de seu nome De Kuip. Estádio este que receberá todos os jogos e que fica mesmo ao lado do porto que dá o nome ao evento.

Este quadrangular, para além do clube de Roterdão, conta ainda com o histórico de Anfield Road, o Liverpool, e com Shanghai Shenhua FC, clube que já foi duas vezes na sua curta história campeão chinês. O Shanghai foi fundado em 1993, 100 anos depois do FCPorto, e é já hoje um dos melhores clubes do enorme país asiático.

Para a Holanda, o FCPorto levou 21 jogadores, onde se destacam algumas ausências como por exemplo a de Hélder Postiga, que nos poderá levar a pensar que estará de saída, tal como a de Lucho Gonzalez, apesar deste último ter chegado há apenas dois dias, o que pode ter levado Jesualdo a não o inserir no grupo. Outras ausências são a de Luís Aguiar e Edgar que terão sido mera opção técnica. Já a do brasileiro Fernando tem a ver com a sua dispensa ao Estrela da Amadora por empréstimo de um ano, o mesmo acontecendo com Jorginho foi cedido ao Vitória de Guimarães. Assim, os jogadores que viajaram ao serviço do FCPorto são os seguintes:

Feyenoord – FCPorto, 19H45, SportTv1

PS: Infelizmente não poderei acompanhar este jogo, já que a essa hora estou em viagem para o sul, para o que eu chamo Marrocos de Cima, para uma férias de que estou mesmo a necessitar. Só no dia 15 ou 16 cá estarei a 100% novamente, entretanto sempre que poder darei cá um salto. Mas não pensem que se livram do Portistas de Bancada, já que o "comandante" Menphis_Child assumirá o controlo e governará esta nau até à minha chegada e vocês nem notarão a minha ausência, já que a nau estará muito bem entregue. Desde já o meu obrigado público ao Menphis. Entretanto, que o FCPorto vença tudo o que há para vencer enquanto cá não estou, já que quero festejar a primeira grande vitória da época em território, digamos, hostil. E como eu acredito nisso.

Etiquetas: ,

02 Agosto 2007

eu, catarina.

Por catarina
Teria os meus 6, talvez 7 anos? Não sei bem. Sei que o meu avô, o meu pai e o meu irmão se preparavam para ver mais um jogo e eu, de mansinho, esgueirei-me pela porta, puxei uma cadeira de braços, e instalei-me. Assim, à laia de aqui-estou-aqui-me-têm, sem admitir contraditórios. O meu avô, pouco habituado a intrusões femininas naquele mundo que considerava tão protegido, olhou-me de esguelha, entre o surpreendido e o trocista: “o que é que a catraia está aqui a fazer?”. Depois distraiu-se com o jogo, decerto pensando que era apenas uma fase, que eventualmente me passaria a rebeldia e me recolheria serena à dimensão dos meus cromossomas Xs. Não sei onde estás, vovô, ou se me consegues sentir à distância que existe entre a vida e a morte, mas ouve: nunca passou. Hoje, quase 20 anos depois, aqui-estou-aqui-me-tens: sócia do teu clube do coração, portadora de lugar anual, orgulhosamente capaz de entender, viver e sentir o Futebol.

Em (quase) 20 anos, algumas coisas mudaram. (De repente, quase sem eu dar por isso, os craques passaram a ser mais novos que eu. Como eu me recuso liminarmente a acreditar que envelheci, prefiro convencer-me a mim própria que os clubes contratam miúdos cada vez mais novos. Não foi o Manchester que contratou esta semana um puto de 9 anos? Pois então.) Dizia eu que, em (quase) 20 anos, algumas coisas mudaram: vi o meu Porto crescer, tornar-se Enorme, maior do que os mais altos sonhos prometiam. Chorei a saída de jogadores, exultei com a vinda de novos. Insultei, ralhei, desanimei, e voltei a acreditar (eventualmente, volto sempre a acreditar). Mudei-me de armas e bagagens das Antas para o Dragão. Assisti de longe a polémicas&casos obscuros que pouco ou nada me interessam, mas que começaram sub-repticiamente a invadir os relvados e a condicionar quem lá actua. Em 2003/2004, a conquista da Europa: lágrimas, abraços, uma alegria imensa que explodiu no peito e se estendeu até um sorriso que não soube (nem quis) apagar durante vários dias. (Viena, em 87? lembro-me, mas muito vagamente: os quase 20 anos não chegam até lá. falta a parte do “quase”.)

Uma vez por outra, alguém passa os olhos pelas minhas estantes (que oscilam entre impossíveis calhamaços de ciências da vida e poesia/literatura a rodos) e pergunta, com um olhar perdido entre o pasmo e o desgosto: como é que alguém como tu perde tanto tempo com o futebol? Eu corrigo: Futebol, se faz favor. Escreve-se com maiúscula. E depois sorrio e encolho os ombros. Penso nos meus passos enquanto caminho para o Dragão: a emoção rasgada contra o cimento surdo da VCI. Penso na visão do relvado, intenso e brilhante, que me surge belo sempre que subo as escadas para o meu lugar. Penso nos apertos doridos do peito, nas lágrimas que já fiz morrer na manga da camisola, nas vezes em que olhei teimosamente para o chão para não ver determinado lance. Penso nos saltos em que me ergui, nos abraços emocionados que troquei, nas palmas das mãos unidas uma à outra a fazer estalar a minha alegria. E volto a sorrir e volto a encolher os ombros: a paixão não se explica. Vive-se (ou sobrevive-se).

Muitas vezes ao longo da minha vida me fizeram sentir que esta minha dedicação ao Futebol tinha algo de errado, quase pecaminoso: ou porque sou demasiado nova, ou porque sou demasiado mulher, ou porque gosto demasiado de cinema de autor e de Sophia de Mello Breyner. O Zirtaev não partilha dessas opiniões (preconceitos?), e de uma forma muito lisonjeira convidou-me a dar a voz neste blog. Eu hesitei: admiro demasiado o trabalho de análise e comentário que aqui tem sido desenvolvido para me julgar capaz de o integrar. Ele insistiu. Eu cedi. Tem piada: às vezes olho para mim e continuo a ver a mesma catraia de 6/7 anos afundada numa cadeira de braços, algo corada e de olhar fixo e sério na televisão. Pois que seja, então: parece que aqui estou, parece que aqui me têm.

PS: As negociações foram difíceis, já se arrastavam há longos meses, mas finalmente o Portistas de Bancada conta com mais este reforço. E que reforço! Acho que o painel de convidados, apesar de nunca poder dizer que está completo, sentia falta de uma voz como a da catarina, aliás, acho que toda a blogosfera, pelo menos a azul-e-branca, sente a falta de mais vozes como a da catarina, vozes femininas que podem demonstrar, num mundo predominantemente dominado por homens, que o futebol é um desporto cada vez mais unisexo e que pode ser belo aos olhos de qualquer um. Acho que este blog quebra assim mais um tabu deste mundo do futebol, cabe à catarina materializar, ao longo do tempo e conforme puder, esta minha intenção. Sê bem vinda ao Portistas de Bancada!

Etiquetas:

01 Agosto 2007

Reforços

Por Zirtaev

RUI CERQUEIRA
Na comunicação, o reforço chama-se Rui Cerqueira, jornalista que fez carreira na RTP e que era também presença assídua nos microfones da Antena 1. Caber-lhe-á dirigir o departamento de comunicação, assumindo-se como porta-voz oficial do clube. Essa área estava por ocupar e ganha agora um elemento experimentado. De resto, como escreveu O JOGO há dias, os portistas vão refrescar o modelo de comunicação, adoptando um relacionamento mais aberto. De acordo com o que está previsto, além do treinador, também um jogador deverá dar uso à sala de Imprensa. Rui Cerqueira, co-autor do livro sobre Jorge Costa, passará a ser o rosto dessa nova política, juntando-se aos elementos que já faziam parte desse sector específico.

Quem é Rui Cerqueira?

35 anos (10/02/72)
Licenciado em Comunicação Social
Rosto conhecido da RTP, Rui Cerqueira foi também uma voz carismática do desporto da Antena 1. Entre as actividades paralelas ao jornalismo, destaque para a co-autoria da biografia de Jorge Costa, que foi editada em Agosto de 2005.

PATRICK GREVERAARS
Para preencher a saída de Ilídio Vale, que conduziu o clube ao título de juniores na última época, os portistas escolheram Patrick Greveraars, treinador holandês que, nas duas últimas épocas, liderou os juniores do PSV. A poucos dias de completar 33 anos, Greveraars embarca na primeira aventura fora do país, procurando exportar o êxito dos holandeses no trabalho desenvolvido nas camadas jovens.

É a segunda aproximação do FC Porto a esse modelo, depois de uma primeira tentativa, por alturas da contratação de Adriaanse, que não chegou a ser implementada na totalidade devido à saída precipitada. Recorde-se que o adjunto da altura, Jan Olde Riekerink, tinha uma folha de serviços exemplar no Ajax, sendo um dos mais conceituados treinadores de camadas jovens da Holanda, e Chris Kronshorst, que nem sequer chegou a completar um mês de serviço nos portistas, tinha por missão aplicar metodologias de aperfeiçoamento técnico no plantel principal e também nas camadas jovens, um lugar que será preenchido esta época por Pepijn Lijnders, outro jovem holandês, também vindo do PSV, de que já déramos notícia. O plano prossegue agora com Patrick Greveraars. Wil Coort, que continua a treinar os guarda-redes, pode dar uma ajuda vital.

Quem é Patrick Greveraars?

32 anos (14/08/74)
Treinador
Assumiu o comando das camadas jovens do PSV na época 2005/06, prosseguindo no cargo no ano seguinte. O trabalho efectuado valeu-lhe um convite para a continuidade e, apesar de o site do clube holandês o apresentar como treinador da nova época, Greveraars aceitou mudar-se para o Porto.

In O Jogo

Etiquetas: