Em jogo e ocasiões criadas, e das boas, o FC Porto podia ter eliminado tranquilamente o Sporting mas acabou sucumbido a um rol de azares vários em que não deixam de caber os problemas recorrentes da constituição do meio-campo e as asneiras defensivas. Foi mais por demérito seu do que por mérito alheio que o deslize na Taça de Portugal começou à 1ª, o que não traz mal ao mundo nem acaba a época, apenas um troféu menos importante fica entregue à bicharada.
Mas o futebol premeia os eficazes e castiga os idiotas, por muito esforço e talento deixados em campo. Com um arzinho de sorte mas sem favor o FC Porto podia e devia ter eliminado o Sporting, mas fez um autogolo numa jogada que não teria consequência e uma das muitas de pontapé para a frente do Sporting; ofereceu um segundo golo; falhou um penálti e ainda contribuiu activamente para um terceiro tento. O penálti falhado deitou abaixo uma equipa que já tinha tido adversidades por culpa própria em erros reincidentes. E mesmo com o 2-2 sempre à espreita, o 1-3 final é castigo cruel para alertar de uma vez a equipa portista na forma de arrebitar caminho rapidamente.
De cada vez que se mexem duas peças simultâneas no meio-campo é sinal de que os eleitos para o onze não eram os melhores. Tem sido assim e desta vez não houve como recuperar. Depois, as asneiras de principiante deixam os cabelos em pé a quem já viu disto montes de vezes na época passada: veja-se o pontapé de Maicon da lateral para o meio, ainda que para um companheiro, mas que devia ter sido ao longo da lateral senão mesmo contra o adversário junto à linha para ganhar um lançamento. E Casemiro ainda fez um mau passe para propiciar ao Sporting mais uma ocasião de golo não criada, como no 0-1, e uma avenida para o remate de Nani.
Já não há pachorra para Lopetegui não meter um criativo no meio-campo: voltou a encostar Oliver Torres numa ala. E não há pachorra para as asneiras repetidas de Maicon a cortar e de Danilo a passar. A 1ª fase de construção do jogo portista não pode estar dependente de dois jogadores tecnicamente deficientes. Para mais jogando um ao lado do outro, o que desequilibra totalmente a equipa; de resto, muitos passes mal feitos quando a equipa já esperava no meio-campo contrário e a bola perdida fazia o Sporting parecer que jogava mas só aproveitava benesses.
Foi assim que se construiu uma derrota feia que atraiçoou a equipa, que jogou o suficiente para merecer outro resultado, e não fez jus ao futebol jogado. Mas sem o FC Porto pôr-se por cima do marcador é difícil engrenar. E duas mexidas no miolo indicam que a última opção de ataque quando perdes em casa tem de correr mesmo bem. Não correu, porque passes e remates (penálti de Jackson) foram sempre desperdiçados. Foi um jogo perdido por si mesmo. Se der para aprender alguma coisa, muita coisa pode ser salva esta época. Mas há que arrepiar caminho e isso passa por acertar processos como definir a equipa, proibir devaneios estúpidos de um ou outro jogador em especial na defesa e saber marcar a diferença ofensiva com golos e não meras oportunidades.
O futebol não sorriu ao FC Porto pelo resultado, mas o FC Porto tem de superar estes momentos. Hoje era difícil, perante tantos tiros nos pés, mas uma derrota não pode afectar em nada pois pode acontecer aos melhores. E nunca me pareceu que o FC Porto não fosse melhor do que o Sporting. Nunca teve foi a sorte do jogo e foi oferecendo os prémios da lotaria ao adversário. Que não tem culpa das asneiras e deslizes alheios e sobre quem o jogo não pode ser resumido como se tivesse sido o melhor em campo. Para o FC Porto, algo desafortunado ultimamente, não há mal que nunca acabe.