Como não é crível que o Benfica perca 2 dos últimos quatro jogos que faltam o campeonato ficou decidido com o 0-0 da Luz, para onde o FC Porto partiu ainda a depender de si mas saiu com mais um ponto acumulado de atraso face ao desempate directo e são, afinal, 4 pontos irrecuperáveis.
A estratégia dos pequenos passos de Lopetegui, espelhada no 11 inicial, resultou no que era previsível e comentei no Twitter. A única coisa louvável, mas denunciando o atraso de entendimento de Lopetegui na matéria, foi a preferência por Helton face a Fabiano, definitivamente sem condições para ser titular no FC Porto como eu já alertara nos últimos meses e foi patente em Munique.
Helton dá outra segurança e confiança, enquanto infunde respeito até nos adversários. Teve dos jogos mais fáceis da sua carreira portista na Luz, nunca incomodado sequer. E a equipa igualmente portou-se bem, não permitindo ao Benfica, longe do cilindro avassalador frente a equipas pequenas e limitadas mentalmente, jogar uma bola que fosse na área portista. Mas quem precisava de vencer era o FC Porto e tinha de fazer mais do que a equipa inicial propunha.
Naturalmente, primeiro era necessário segurar o jogo, retirar iniciativa ao Benfica. Mas o 11 de partida era conservador, estático e a estratégia rígida. Nada de aventuras e quem tinha de se aventurar era o FC Porto. Aceite-se a estratégia na 1ª parte, ainda que condenada a nada render de palpável. Não metia medo ao Benfica mas também demonstrava medo de assumir as despesas do jogo na ofensiva.
Isto faz sempre lembrar a falta que Vítor Pereira faz e ele mesmo pressupunha que o FC Porto entraria forte na Luz. Não entrou a não ser em modo reserva, safety first. O Benfica não se incomodou nunca com esse estilo nos jogos com os grandes. Ganhou por sorte no Dragão e ficou em vantagem. O FC Porto precisaria de fazer mais do que ir no jogo que, em casa e em vantagem, mais interessava a um Benfica sem futebol de jeito e claramente inferior em posse ao FC Porto.
Cómodo, o Benfica deixou tanto correr o marfim porque Lopetegui avaliou mal quem tirar ao intervalo. Dos médios era difícil escolher quem sair, até porque Oliver voltou a ser um erro à direita. A entrada de Herrera mudou pouco a estrutura e nada a estratégia, face à saída de R. Neves. Normal. Podia ter sido Evandro, como acabou por ser. E Brahimi voltou a não justificar a titularidade. Porqué Quaresma no banco? Conservadorismo do treinador. O jogo empastelou sempre. Quaresma podia trazer golpe de asa, mas Oliver ainda jogou num flanco até entrar Hernâni (por Brahimi) e só então alargando a frente de ataque. Faltavam 20/25' e podia ser que... mas já o Benfica defendia com mais (Fejsa e depois A. Almeida).
Vítor Pereira não facilitaria a vida a Jesus desta maneira. Era pegar ou largar, como em 2012, como em qualquer das visitas à Luz.
O FC Porto era melhor com bola e o Benfica temia e tremia, mas faltava dinâmica, acutilância e virtuosismo que a estratégia conservadora de Lopetegui inibiu. Os pequenos passos renderam um atraso de um ponto extra, apesar de o FC Porto ter feito um jogo pela positiva, mas sem rasgo, contra um Benfica de novo medíocre, à imagem de toda a época e com evidência na Europa de todos os desastres exibicionais.
Não deu para mais nem importa saber onde se perdeu o campeonato, ainda que hoje tenha sido sentenciado na prática.
Por mim percebi que o afastamento europeu do Benfica, como no dia apontei, lhe garantia descanso para gerir um avanço pontual que os árbitros começaram por garantir-lhe enquanto tropeçava com as acusações de os estrangeiros "condicionarem os meus jogadores com cartões" (Jesus dixit mais de uma vez).
O 0-2 no Dragão foi um infeliz acidente que pouca importância teve.
Porque a estratégia dos pequenos passos começou a falhar no empate 1-1 no Nacional quando a distância podia ter sido encurtada para 1 ponto apenas. E essa falta de gana de apertar o Benfica acabou por espelhar-se no jogo de hoje.
Lopetegui argumenta com a juventude da equipa e sabemos isso desde o início. Mesmo assim, nessas circunstâncias, a equipa portou-se bem, falhando pela falta de traquejo e debilidades estruturais cruamente expostas em Munique. Certo é que também o treinador deu provas de imaturidade e esse era também um preço a pagar.
Uma época sem troféus e a insistência em reconduzir Pinto da Costa já sem unhas para tal tarefa será só mais um prego no caixão que se anunciava para esta época.
Continuaremos, eu pelo menos, com muitas saudades de Vítor Pereira. E as memórias dos tempos de triunfo e de aventura serão sempre reduzidas ao seu temperamento de vencedor que desapareceu da famosa "estrutura" - tal como vaticinei também ao tempo.
Ou seja, tudo como dantes e mais uma época oferecida ao Benfica. Num museu de memórias esta também não faltará.