Mostrar mensagens com a etiqueta Palavras de Portista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Palavras de Portista. Mostrar todas as mensagens

18 março 2009

Renovação na continuidade


Jesualdo Ferreira entrou nesta nova época sabendo que nela teria talvez o mais difícil desafio em toda a sua carreira no F. C. Porto. Ao nível do que havia tido no seu 1º ano, quando chega ao clube já com a época a começar e a ter que pegar num plantel campeão mas construído em volta de um 3-4-3 maluco que nos levaria a humilhações na champions. Era preciso adaptar rápido, equilibrar e logo ganhar, e isto em ano de apito dourado que rebenta em cima de Jesualdo, que fica totalmente isolado pela Sad.

Em termos tácticos, o passar de um 3-4-3 para um 4-3-3 era sem dúvida um desafio complicado. E outros desafios Jesualdo teve que vencer. Entre eles, as perdas de jogadores importantes, sem que fossem devidamente substituídos como aconteceu da 1ª para a 2ª época.

Com a saída de Anderson e Pepe e a chegada de uma série de jogadores sem qualidade para se imporem no onze do Porto, Jesualdo foi obrigado a ter que alterar alguns processos, dar algumas variantes no seu modelo de jogo mas apesar de tudo foi um trabalho mais continuado e espaçado, pois Anderson infelizmente lesionou-se ainda nem a época ia a meio, obrigando logo, Jesualdo a abdicar da ideia de ter um 10 que transportasse mais o jogo e desequilibrasse desde o meio, tornando o jogo da equipa ainda mais rápido e com menos transporte desde o meio, passando-o mais para as alas e tornando o meio campo mais compacto. Menos de transporte de bola e mais de último passe, dando maior liberdade a Lucho e jogando não com um 10 mas com dois 8, Lucho e Meireles.

Quanto á substituição de Pepe esta teve que ser feita através do regresso de Pedro Emanuel e no potenciar um jogador como Bruno Alves que foi um jogador lançado e trabalhado para o sucesso por Jesualdo. Este ano o desafio era porém maior. Para além das perdas em anos anteriores, este ano a sangria de jogadores foi ainda maior e mais grave. Bosingwa um lateral que dava muita profundidade e mudava a velocidade e os ritmos do jogo da equipa, carrilando vários ataques pelo flanco direito, enquanto Quaresma jogava com mais liberdade da esquerda para o meio.

Perdia o Mágico portista, o tecnicista, o jogador capaz de nos jogos atados (como estes que temos tido este ano em casa) contra equipas muito fechadas, resolvia jogos. Um autêntico abre latas e o elemento capaz de dar um toque de imprevisibilidade ao ataque portista.

E ainda e o esteio do meio campo: Paulo Assunção. O pêndulo do 4-3-3 de Jesualdo, onde o 6 assume uma posição fundamental, por ter que ser alguém capaz de antecipar movimentos, ler o jogo desde trás e compensar a subida dos seus colegas dando-lhes a confiança necessária de saberem que nas costas havia alguém para estancar qualquer ocasião de perigo.

3 elementos fundamentais no 4-3-3 de jesualdo que se destacava pela sua qualidade nas transições mas também pela veia goleadora de Lisandro, as assistências de Quaresma e o jogo criativo e imprevisível pelas alas de Harry Potter e Tarik.

Após estas perdas, chegaram ao Dragão uma série de jogadores que vinham de ligas de outros continentes, com um grau de exigência menor e que por isso obrigatoriamente em situação normal demorariam a expressar o seu melhor futebol e até aconselhava-se paciência no seu lançamento na equipa principal.

O problema é que desta vez Jesualdo, ao contrário de outras épocas, não podia dar tempo a esses jogadores e apostar no plantel já existente porque o mesmo já tinha sido sugado até ao máximo em anos anteriores para suprir ausências e desta vez teriam que ser mesmo 3 novos jogadores a ocupar as vagas de 3 peças tão importantes.

A 1ª grande preocupação de Jesualdo era tentar não romper ao máximo com o trabalho já feito e por isso não abalar os alicerces tácticos já assimilados e os processos com base na filosofia das transições rápidas e na boa ocupação defensiva dos espaços, assim como, da marcação zonal em todo o campo já apreendida desde o ponta de lança até ao defesa central. Por isso teve que fazer experiências e ver o que valiam os jogadores que lhe haviam trazido. Logo aí começou a 1ª dificuldade... compraram-lhe gato por lebre.

Jesualdo pediu um trinco e deram-lhe Guarín e Tomás Costa, anunciados pelo próprio presidente como os substitutos de Paulo Assunção. Uma prenda envenenada para Jesualdo quando repara que nenhum deles tem características ou até experiência como trinco clássico num sistema de 3 médios. Aí Jesualdo teve o mérito e a coragem de após dar oportunidades a todos, fixar como titular um jovem Fernando que vinha do Estrela e que já na época anterior Jesualdo lhe augurava um grande futuro.

Para além de terem dado reforços para o meio campo sem que nenhum fosse um digno sucessor de Assunção, ainda lhe acrescentaram Pélé, que tinha tudo para ser solução mas que chegou ao Porto claramente desmotivado por sair de Itália e claramente descomprometido com a oportunidade que se lhe abria o jogar num clube como o F.C. Porto. Pélé acabaria por se tornar mais problema que solução e em bom tempo foi emprestado.

Para o ataque sem Quaresma o seu sucessor seria Rodriguez. O problema é que Rodriguez tinha características totalmente diferentes de Quaresma, muito mais vertical, menos técnico e imprevisível como Quaresma, maior qualidade defensiva mas ao mesmo tempo um jogador ainda sem saber muito bem a sua posição em campo. Tratava-se de um jogador que num plantel medíocre como o do Benfica de então se destacou pelo seu carácter e pujança física, mas que na realidade era apenas o seu 1º ano em que explodia na Europa após passagem frustrante pelo PSG. Todos lhe reconheciam um potencial por explorar, mas tal como na selecção uruguaia ou até no PSG e ainda no Benfica havia a sensação de que o próprio Rodriguez não se conhecia bem como jogador e não sabia se era um extremo, um médio ofensivo, um 2º avançado.

No Porto, Jesualdo pensou não alterar o plano táctico e dar-lhe o lugar de Quaresma, mas tal verificou-se impossível de sustentar por Rodriguez apesar de não ser totalmente um médio centro, não era também totalmente um extremo, necessitando de espaços e acima de tudo de apanhar a bola mais atrás e não esperar por ela tão à frente onde os seus arranques e a sua velocidade máxima já não surtem tanto efeito.

Depois havia um tal de... Hulk. Um jogador contratado por DVD e em que se reconheciam características técnicas e principalmente físicas absolutamente impressionantes mas que se tratava de um grande diamante por lapidar, mas que no inicio da época resultava num jogador medíocre apesar de grandes capacidades físicas, pela incapacidade constante em compreender o jogo, em saber jogar em equipa, em saber fundamentos básicos do futebol de alta competição como o saber que terrenos pisar, quando soltar a bola e saber englobar-se no processo colectivo de jogo. Era um jogador de grande potencial mas que tinha muito que aprender e evoluir e esse trabalho foi feito por Jesialdo em plena competição.

Teve ainda que gerar o possível mal estar no balneário gerado pelo egoísmo de Hulk. Soube na altura certa não o queimar ou repreender, saber da importância que era que Hulk não perdesse aquilo que fazia dele forte, a coragem de querer resolver, de querer assumir o risco, mesmo que por vezes não se aconselhasse a fazê-lo. Era preciso fazê-lo ver que ele se tornaria mais perigoso no dia que percebesse que pode ser mais decisivo com um movimento de desmarcação que liberte um colega, do que com 5 arrancadas por jogo contra os defesas. Dar-lhe essa inteligência, essa cultura táctica é trabalho de treinador e foi absolutamente incrível a aprendizagem e o crescimento de Hulk em tão pouco tempo.

Tempo para esperar que jogadores como Hulk, Fernando ou o jovem Rolando maturassem era aconselhável, mas não era possível. Eles teriam que ser incluídos na equipa e crescer ao longo da competição. Mesmo com assobios dos adeptos, mesmo com críticas, com falta de paciência para com a equipa e mesmo com resultados e exibições mais fracas. Só assim, errando e experimentando é que se podia atingir o ponto perfeito para a equipa. Só assim os jogadores poderiam render o seu máximo e hoje a equipa ter um laço de união enorme, porque mesmo aqueles que no inicio se calhar estavam mais afastados ou desconfiados, hoje sentem-se parte de um grande grupo, capaz de partilhar tristezas e falhanços, trabalhar junto e unido pelas grandes vitórias e sucessos. Sem que um pense só no seu umbigo. A equipa agora aparece sempre em 1º plano.

Por estas condicionantes todas Jesualdo teve que errar, porque teve que experimentar, experimentar até encontrar a fórmula certa para conciliar jogadores de características totalmente diferentes aos que tinham saído e muitos deles ainda a precisarem de aprender a jogar num patamar competitivo diferente.

A acrescer a tudo isso, havia um problema enorme, não havia defesa esquerdo, uma vez que, mais uma vez, deram uma prenda envenenada, desta vez um tal de Benitez que era suplente no Lanuz e que mostrou no Porto o porquê de o ser. Assim sendo, para além de ter que experimentar e assim correr riscos de perder alguns pontos, Jesualdo tinha ainda que adaptar e inventar defesas esquerdos e assim tornar óbvio aos rivais que deviam atacar-nos pela esquerda, tinhamos um ponto débil que só foi acautelado com a chegada de Cissokho e desde aí notou-se a diferença, a segurança e a confiança que a equipa passou a respirar por ter um lateral esquerdo capaz, finalmente.

O professor mais do que nunca, este ano, tinha que ter a paciência para ensinar e dar confiança a um grupo de jovens como: Rodriguez, Rolando, Fernando, Hulk, Cissokho, etc. que nunca tinham sequer disputado um jogo da champions e de quem se esperava que jogassem num patamar competitivo muito elevado enquanto iam crescendo em competição. Para isso Jesualdo teve que reinventar a sua táctica, sem perder os princípios e a filosofia de jogo, mas com processos diferentes.

Teve que conseguir conciliar numa equipa a força e potência de Hulk, com o trabalho colectivo de Lisandro Lopez sem que um esbarrasse no outro e ainda incluir um Rodriguez que não jogasse demasiado encostado à linha onde o jogo se tornava muito previsível.

Conseguiu fazê-lo. Demorou tempo. Mas conseguiu fazer deste tridente um exemplo de como conciliar o talento. Rodriguez partindo mais de trás e capaz de ajudar nas tarefas defensivas desde o meio e aí transportar mais a bola vindo de trás nas jogadas em que é mais perigoso. Isso fazia que Lucho caísse mais para a direita e não aparecesse tanto no ataque mas fazia com que o seu trabalho, tacticamente, fosse muito importante, pois quer Hulk, quer Lisandro não se poderiam fixar numa faixa, porque Hulk fixo na faixa não ajudaria no trabalho defensivo e Lisandro preso à faixa o jogo todo, faria com que tivéssemos um Lisandro trabalhador mas perdêssemos a parte do Lisandro goleador, capaz de assustar os defesas.

Lucho equilibrando na direita, fazia com que Lisandro e Hulk por vezes pudessem jogar entre o lateral e o central adversários, prendendo assim 4 defesas e sendo mais perigosos quando lançados em velocidade, fosse por Meireles ou Lucho, nas chamadas transições rápidas. Para isso contribuiu a forma como Fernando se assumiu no meio campo defensivo, não só como um substituto de P. Assunção mas como alguém superior, capaz de o fazer esquecer, pois acumula a parte defensiva com a qualidade de passe e visão de jogo para ser ele logo o 1º a construir jogo e a poupar tempo no ataque mais directo e frontal à baliza. Algo que se perdia com Assunção, que era capaz de cortar linhas de passe mas depois tinha que obrigar Meireles ou Lucho a virem buscar a bola para serem eles depois a lançar o ataque, por Assunção não ter a capacidade de o fazer.

Este sistema permitiu ainda a Rodriguez explanar o seu melhor futebol como nunca havia conseguido na sua carreira, ora por não ser um extremo imprevisível como Quaresma, ora por também se perder numa posição demasiado central no meio campo e afastado da baliza. Jesualdo com este 4-3-3 que sofre várias mutações consoante a equipa se desdobre em tarefas defensivas ou ofensivas, faz com que por vezes seja um verdadeiro 4-4-2 com Rodriguez a partir do meio para a esquerda e assim desenhar o tal 4-3-3, com Hulk ou Lisandro a aparecerem mais no meio. Assim Rodriguez podia receber a bola mais atrás, participar mais no processo ofensivo desde trás no transporte de bola em velocidade, sua característica forte e ao mesmo tempo abrir o jogo à esquerda aonde pode furar as defesas contrárias.

Para chegarmos a isto, foi preciso errar como aconteceu em Londres e noutros jogos. Era preciso deixar esta equipa errar junta, sofrer junta, crescer junta para juntos hoje serem mais unidos que nunca e saberem o que cada um vale e o que cada um pode fazer em prol da equipa em campo. Após a derrota de Londres, quando muitos pediam a cabeça de Jesualdo e duvidavam do trabalho que vinha sendo feito, Jesualdo disse que esta equipa precisava de crescer em competição, que não tinha outra alternativa e que sabia que pelo potencial e carácter que demonstravam, que quando chegasse a altura decisiva da época eles estariam ao nível da equipa da época anterior ou até superior, capazes de dizer presente na luta por todas as competições.

Não foi um trabalho fácil, só um grande treinador seria capaz de construiu uma nova equipa, uma nova identidade em tão pouco tempo e fazer crescer jogadores como Hulk, Rolando e Fernando entre outros a uma velocidade incrível. Temos um plantel dos mais jovens que há memória no F. C. Porto mas que em campo faz parecer que todos jogam juntos há anos e estão todos totalmente identificados com a cultura vencedora do clube.

Só um grande treinador seria capaz de ter uma das equipas mais jovens e inexperientes em número de jogos na champions e fazê-los dar um exemplo de maturidade táctica e controlo emocional em dois jogos dificílimos contra um grande Atlético de Madrid. Para quem não conhecesse até parecia que Hulk, Rodriguez, Cissokho, Rolando, Sapunaru, etc. tinham jogado a champions toda a sua vida.

Jesualdo neste ano voltou a provar que quem é competente, quem é sério e trabalhador, mais cedo ou mais tarde vê o seu trabalho a dar frutos, por mais gente que haja a torcer contra só porque sim. Se há ano em que mais que nunca Jesualdo teve que demonstrar, coragem, determinação, competência táctica e de treino foi este ano e podemos dizer que até ao momento passou com distinção.

A liga está encaminhada, os quartos da champions são um feito enorme comparando a experiência deste grupo tão jovem ao dos outros clubes nos quartos, e ainda há a taça que estamos também nas meias finais. E depois no campo, a diferença da qualidade do nosso futebol e o fio de jogo que temos comparado para Benfica e Sporting é enorme. Apenas a finalização tem falhado. Mas o volume ofensivo de jogo, os automatismos para conseguir criar inumeras oportunidades de golo por jogo estão lá, e a capacidade de encurtar o campo aos adversários através de uma inteligente ocupação no terreno, salta também à vista de todos.

Assim se vê uma equipa bem orientada.

Pelo seu grande trabalho este ano, mas também pela prova que a continuidade no seu projecto nos colocou sempre no rumo das grandes vitórias, e pela forma como Jesualdo demonstrou ser capaz de trabalhar com aquilo que lhe dão, construindo todos os anos equipas fortes por mais que sejam as saídas, tudo isto faz com que o Professor mereça todo o crédito. Por isso nesta fase decisiva da época, em que Jesualdo precisa mais do que nunca do nosso apoio, de sentir que o seu trabalho é valorizado e acima de tudo que precisa de paz e tranquilidade para atacar o final desta época, seria por demais justo que a Sad de uma vez por todas lhe renovasse o contrato.

Chega de nos tentarem desestabilizar com o assunto renovação de Jesualdo e com mirabolantes substitutos como Paulo Bento. Não queremos tiros no escuro. Queremos renovação sim. Na continuidade. Renovar o projecto de sucesso que Jesualdo tem promovido, e não dar tiros no escuro. Chegado a esta fase da época, é fundamental que o Professor tenha a paz necessária para concluir a excelente época que o clube vem realizando. Chegou a hora do reconhecimento. A hora de deixar claro que no F.C. Porto a competência é recompensada e promovida.

Não quero nem ouvir falar em outros nomes. Quero mais do mesmo. Títulos, prestígio internacional com um líder com competência, seriedade, rigor e profissionalismo. E nestes últimos 3 anos, todos estas qualidades e adjectivos têm um nome: Jesualdo Ferreira, o Professor.

12 março 2009

A força do Dragão- Atacados cá dentro, Respeitados lá fora

FCPorto 0-0 At. Madrid Equipa: Helton, Sapunaru (T. Costa 83'), Rolando, B. Alves, Cissokho, Fernando, R. Meireles, Lucho, C. Rodrigues, Lisandro (E. Farias 90') e Hulk (M. Gonzalez 89')

46.509 espectadores

Ontem mostramos mais uma vez que quando todos nos unimos, quando formamos um só e nos deixamos de criticas e de assobios , não damos azo a instabilidade e apoiamos a equipa como ela merece… somos fortes, muito fortes…

Ontem o F.C. Porto ajustou contas com a sorte e com a história recente na champions que nos era madrasta. Por isso Jesualdo o dedicou e bem aos que estão no projecto há 3 anos. Porque este projecto e grupo liderado por Jesualdo já o merecia.

Segundos oitavos consecutivos já era muito bom, mas todos vimos que acabou por saber a pouco pela qualidade demonstrada pela equipa. Em Londres um frango de Helton traiu-nos e mais que nunca no ano passado o azar dos postes e um guarda redes que fez a exibição de uma vida nos retirou demasiado cedo quando não merecíamos.

Este ano o fatalismo e o azar pareciam querer-nos acompanhar, depois de um banho de bola em Madrid e muito azar e falhas na finalização e mesmo no Dragão onde mais uma vez os malditos ferros nos queriam fazer parar. Queriam fazer-nos parar na história que ainda tínhamos para escrever. Mas desta vez não. Desta vez o fogo do Dragão não seria parado. Não quando numa época - em que nem sempre os adeptos em casa mereceram a brilhante época que esta equipa vem fazendo e quando de uma vez por todas em casa voltamos a ser O F.C. Porto que sempre fomos.

Deixamos de ser 11 e passamos a ser mais de 40 mil e isso fez toda a diferença.

Foi também uma resposta cabal para aqueles que tanto adoravam criticar Jesualdo e desvalorizar o seu trabalho. Foram dois jogos tacticamente perfeitos e uma lição de estudo do adversário e de estratégia. Um adversário que tem dos melhores ataques da Europa, que dominou o Barça e o Real Madrid mas que parou perante um F.C. Porto demasiado forte… e em que o fabuloso ataque colchonero foi totalmente banalizado por um colectivo superior, mais coeso, mais organizado, por um estratega que soube preparar muito bem a forma como o Porto devia abordar os dois jogos e acima de tudo por uma verdadeira EQUIPA. Sempre o havia afirmado a todos os meus amigos espanhóis que achavam que o Atlético passaria por ter um ataque de sonho. Atlético grande ataque contra Porto grande equipa dará Porto grande equipa. E assim aconteceu.

Enquanto que em Madrid o Atlético veio com tudo para cima do Porto não respeitando esta equipa como esta merecia talvez convencidos que o Porto temeria o tal ambiente infernal do Calderon de que falava Futre ou que teria receio de se enfrentar aos 4 fantásticos. Por isso nesse jogo, o Atlético veio apenas com 2 médios centro, dois quase extremos (Simão mais que Maxi) e dois avançados. Isto contra um Porto bem mais equilibrado, ganhando o meio campo, sabendo ocupar melhor os espaços e com uma transição fortíssima e um ataque explosivo… só podia dar mal para o Atlético. Tal como para a maioria das equipas que queira discutir de igual para igual um jogo com o F.C. Porto como se tem visto esta época.

Depois de ter sobrevivido com muita sorte a esse banho de bola e ter sido totalmente vulgarizado em sua própria casa, o Atlético demonstrou a sua força contra Barça e Real e por isso vinha cheio de moral ao Dragão. Mas aqui se demonstrou a diferença, o F.C. Porto impôs medo, os jogadores e o técnico do Atlético entraram no Dragão com o medo e o receio que o F.C. Porto nunca teve em relação ao Atlético quando entrou em Madrid.

Mas principalmente isso se deveu a uma questão de convicção. O F.C. Porto sentia-se melhor, sabia que era melhor, mesmo que a imprensa não nos enchesse de elogios. Já o Atlético sentia-se muito forte, mas ao mesmo tempo em campo, no Calderon na cara dos jogadores do Atlético viu-se impotência para combater com um rival que não tinha tantas estrelas mundiais mas que efectivamente eles não conseguiam combater. Era uma força que vinha de fora para dentro e não tanto que os jogadores a sentissem. Eles em Madrid, logo aí sentiram que não eram equipa capaz de parar este F.C. Porto por mais nomes sonantes que nos pusessem pela frente.

Como tal o jogo foi o que Jesualdo e bem previra. Um jogo táctico, de paciência, de saber esperar pelo momento certo. Mais do que ataque desenfreado na busca do golo como muitos pediam, mais que nunca este jogo teria que ser inteligente, era um jogo para controlar e ver o que o Atlético quereria do jogo e estar preparado para o jogar da forma que fosse necessária.

O treinador Abel Resino viu a força do F.C. Porto e alterou a táctica da equipa, coisa que não o fez sequer com o Barça ou o Madrid, o que logo aí demonstra respeito, ainda para mais quando se tratava de um jogo em que o Atlético tinha que marcar golos e não era ao Porto que cabia correr atrás do prejuízo.

Assim sendo, a surpresa era deixar Forlan de fora. Jogar num 4-2-3-1 para tentar equilibrar as contas a meio campo, povoar essa zona para não deixar o Porto sair nas suas rápidas transições e apostar na velocidade de Simão e Pongolle nas alas para massacrar os laterais do Porto, ponto considerado débil mas que deu bem conta do recado. O Atlético preocupava-se mais em não deixar jogar o Porto que em nos mostrar a sua tão famosa força ofensiva quando até era o atlético que tinha que ganhar (onde já vimos isto esta época…?). Era um jogo de paciência. O Atlético sabia que se desse espaço e entrasse como em Madrid podia marcar era certo, mas também se arriscava a sofrer muito mais com Hulk, Lisandro e Rodriguez com espaço para jogar.

Assim sendo especularam. Esperaram pelo Porto. Quiseram dar a bola ao Porto esperando que assim num estilo de jogo onde o Porto não se sente tão confortável, acabasse por pela pressão do público ir para cima, se desposicionar e dar espaços para que no contra ataque o Atlético resolvesse. Mas parecia um aprendiz a querer dar aulas ao Mestre… Jesualdo sabia muito bem que não era ao Porto que cabia correr o risco. Entendeu a estratégia de Abel e acima de tudo aí foi fundamental os adeptos do Dragão terem a paciência que noutros jogos não demonstraram e eles também se aperceberem que este era jogo para saber controlar, saber gerir e até sofrer se fosse necessário (o que acabou por não ser).

Era como um jogo de xadrez. Teria que se esperar até ao limite da paciência para se saber quem arriscaria 1º. E o Porto estava em vantagem e o tempo corria a nosso favor, principalmente quando a equipa do Atlético se por um lado conseguia suster as transições do Porto - muitas vezes ajudada pelo arbitro porque quando era possível sair invariavelmente paravam Hulk, Rodriguez e companhia em faltas algumas delas duras. Mas os amarelos vinham surpreendentemente para o... Porto - por outro não conseguiam entrar com perigo na defesa portista nem ter posse de bola em zonas que nos criasse perigo. Jogavam onde o F.C. Porto queria que jogassem e bastava passarem de lá para logo serem retidos num meio campo muito bom e numa organização defensiva exemplar.

Mas nem mesmo defendendo e tendo a ajuda do árbitro ao marcar livres alguns deles inexistentes para ver se pelo menos de bola parada o Atlético fazia algo. Porque pura e simplesmente o Porto e a sua forma de reduzir espaços ao adversário de forma inteligente e sem ter que estacionar nenhum autocarro faziam com que Aguero não se visse - talvez por estar no bolso de Bruno Alves, tal como esteve em Madrid - de Maxi estar mais preocupado em recuar e ajudar na defesa e de caber a Simão a ingrata missão de tentar furar uma muralha bem erguida e ainda ter que ter cuidado com as suas costas porque tinha um ataque pronto a explodir caso não compensasse defensivamente.

Num jogo mais táctico no 1º tempo e amarrado, sobressaía um meio campo do Porto fortíssimo, um Fernando a mostrar a Assunção que o Porto só ficou a ganhar com a sua saída, um Meireles a correr o campo todo e finalmente a classe de Lucho a voltar ao Dragão na mestria com que geria a posse de bola e marcava os ritmos de jogo assim como ocupava muito bem os espaços. O campo era pequeno para o Atlético e mesmo num jogo em que o Porto não podia nem queria correr riscos desnecessários nem desposicionar-se, as melhores oportunidades de golo eram nossas.

No 2º tempo finalmente, Abel sentiu que não ia conseguir criar perigo na defesa do F.C. Porto nem passar a eliminatória e que teria que ser ele a correr o risco mesmo sabendo que assim libertaria a equipa do Porto para lhe fazer dano. E aí vimos uma demonstração ainda de maior força do F.C. Porto. Entra Forlan para formar a tal dupla que fez tremer Barça e Madrid e para supostamente por o Porto sentido e encostado ás cordas, mas não foi isso que se viu. Viu-se, isso sim, uma demonstração de força do F.C. Porto que soube esperar o momento do jogo em que mais cedo ou mais tarde o Atlético teria que dar espaço e tentar atacar-nos a sério, e aí foram oportunidades atrás de outras, 3 bolas nos ferros, um guarda redes do Atlético que mais uma vez foi o melhor em campo deles tal como em Madrid. Viu-se um Atlético na mesma pouco ou nada perigoso e um F.C. Porto que de paciente, maduro e competitivo passou ainda mais ao ataque e a fazer o Atlético sofrer num momento do jogo em que se esperava que fosse o Atlético a conseguir esse efeito no F.C. Porto.

Uma demonstração de autoridade, de carácter competitivo, de estofo, de cultura vencedora, uma lição táctica e a demonstração de o que é uma verdadeira EQUIPA. Só faltou mesmo a vitória. E ela foi mais que merecida, mais uma vez a sorte não quis nada connosco e o Atlético pode agradecer e muito ao seu guarda redes. Mas o jogo foi controlado de principio ao fim. E só uma grande equipa, superiormente treinada e sabendo o que tem que fazer em campo é capaz de vulgarizar um forte Atlético de Madrid de tal forma a que em 2 jogos apenas me lembro de duas ou 3 oportunidades de real perigo de um super ataque enquanto que o F.C Porto me lembro de oportunidades para uma goleada histórica. Quando falamos de um Atlético com Forlan, Aguero, Simão, Maxi Rodriguez que dá 4 no Barça, dá um banho em pleno Bernabeu e que em dois jogos com o Porto o seu melhor jogador é o guarda redes. Acho que isto demonstra bem a qualidade da nossa equipa.

Eu tive o cuidado de ver o jogo duas vezes, porque é óbvio que na 1ª sentimos muito mais a pressão e o perigo. Mas ao vê-lo da 2ª vez reparei que o jogo foi totalmente controlado e o Atlético só fez um único remate em jogo corrido e até ía para fora mas Helton jogou pelo seguro. Tirando isso...Nada.

Talvez por isso a imprensa internacional fala de um jogo totalmente dominado e controlado do F. C. Porto e mais um resultado mentiroso tal como em Madrid. Em Madrid demonstramos força ofensiva, explosão, capacidade de jogar em qualquer ambiente. Ontem demonstramos maturidade. Esta equipa que tanto foi criticada de inicio, tal como Jesualdo prometera iria crescer e chegar longe. Errou, teve que errar, teve que cair como caiu em Londres porque tal como no crescimento de qualquer um as quedas são importantes para aprendermos a reerguermo-nos e principalmente num caso de um grupo, aprendermos a gerir os momentos difíceis, as derrotas, os assobios, as falhas, todos juntos. Partilhar as alegrias e os fracassos juntos. Este grupo com muitos jovens que nem uma champions haviam disputado cresceu. Mesmo com muita gente a não acreditar neles, isso só contribuiu para que o grupo se fechasse e unisse mais.

Valeu a pena passar por aquela derrota em Londres e por momentos maus no início, para que esta equipa pudesse crescer junta e chegar a este patamar de maturidade em tão pouco tempo. Vemos colossos como Real Madrid, Inter de Milão entre outros que há anos que não conseguem passar dos oitavos da champions. Por vezes esquecemos isso. Exigimos demais e cobramos demais, esquecendo-nos do país em que vivemos, dos recursos que nunca teremos e daquilo que sofremos para chegar ao ponto que estamos hoje. Segundos oitavos de final e agora uns quartos de final em 3 anos, acompanhados de títulos de campeão é um trajecto muito muito bom. Que nos deve encher de orgulho a todos. Somos os melhores em Portugal e cada vez mais respeitados por essa Europa fora. Porque nunca tivemos uma sequência tão boa na Europa. Agora todos os anos sabem que o F.C. Porto está sempre entre os melhores clubes da Europa.

Vamos de uma vez por todas acarinhar, apoiar, e rendermo-nos a este grupo que tudo tem feito no campo para nos encher de orgulho. Vamos de uma vez por todas acabar com a malapata dos jogos em casa... Juntos. Como um só. Como fomos ontem, e acima de tudo acreditemos nesta equipa, neste grupo, neste treinador, estes 3 anos são demonstração mais que suficiente que todos eles merecem.

Daqui para a frente? Tudo é possível como disse Jesualdo. Com este grupo podemos acreditar em tudo. Sabemos que ganhar a champions é quase utopia, mas é bom que os adversários saibam que se nos querem tirar da champions terão que deixar tudo em campo porque este grupo não vai abdicar nem da Champions, nem do que quer que seja sem dar muita luta e podemos colocar em sentido qualquer equipa. Principalmente quando nos unimos e somos um só tal como o fizemos em 2004.

Quando muitos cá dentro nos tentam deitar abaixo, nós demonstramos em campo o que é o F.C. Porto.

Ps1- Como diria o Mourinho, mais uns pontos do alvo a abater. Tanto nos desvalorizam e tentam derrubar... mas mais uma vez somos nós que levamos a bandeira de Portugal bem alta na Champions e representamos o futebol português da forma que ele merece ser representado. Aproveito que na Taça Uefa o Braga siga fazendo o mesmo.

Ps2- Foi impressão minha ou ontem vi um Rui Santos, um António Tadeia e companhia algo tristes? Até parecia que alguma equipa portuguesa havia sido eliminada da champions e não tínhamos ninguém. Tentam denegrir o futebol português quando é ele que lhes dá de comer. Da mesma forma que tentam de todas as formas demonstrar que a liga portuguesa não presta, a verdade desportiva não existe, etc. O que eu vejo é que Portugal tem mais clubes na champions que: Itália, Holanda, França e tantos quanto a Alemanha. Apenas duas ligas têm mais. A espanhola e inglesa, só as duas melhores do Mundo. E com orçamentos astronómicos. E nas competições europeias temos o mesmo nº de clubes até que a liga espanhola. Villarreal e Barça na champions. F. C. Porto na champions e Braga na Taça Uefa. Esse discurso de coitadinhos e deita abaixo dos pseudo comentadores da verdade desportiva foi silenciado. Não é porque Benfica e Sporting não conseguem continuar em prova nas competições europeias e ter participações dignas ou fortes que o campeonato português deixe de ter equipas capazes de o fazer. Bem sei que gostariam de pensar que só eles representam Portugal...

09 março 2009

Blackout já!!!

Hora de tocar a reunir
Chegou a hora de cerrar fileiras. Basta de assobios, de tentativas de desvalorizar a qualidade de um técnico bicampeão e dos mais importantes da história do nosso clube, basta de assobios em casa.
Está na hora de nos unirmos e de juntos, todos os portistas, os que gostam de Jesualdo, os que não gostam, os que acham Farias talentoso, os que o acham uma nulidade, os que gostam mais do 4-3-3 os que gostam mais do 4-4-2, chegou a hora de todos nós nos juntarmos e sermos o que fomos ao longo de vários anos. O 12º jogador. Desde direcção, equipa técnica e sócios ou adeptos, todos temos que nos unir.

Enquanto nos distraímos com discussões internas inócuas, outros estão com facas afiadas e estão a fazer o trabalhinho todo para nos afastar do tão ambicionado e merecido tetra. Estão a fazê-lo “por outro lado” já que no campo é só comparar a qualidade das exibições do Porto para a dos seus rivais para se saber quem já estaria quase campeão se houvesse verdadeiramente igualdade de tratamento neste campeonato.


O circo e cerco estão
montados
A encomenda está feita há muito tempo e atravessa os diversos órgãos de comunicação social e percorre outros sectores ainda. A comunicação social está a mando de uma instituição. Há gente que para além de se preocupar com os lugares na liga, tem agora, cada vez mais, se preocupado em ter gente em posições estratégicas na comunicação social que perdeu todo o pudor e vai cada vez mais pelas ruas da amargura.

Pseudo comentadores como Rui Santos ou Jorge Baptista podem dizer as alarvidades que querem com direito a antena na tv sem qualquer tipo de contraditório e muito pior sem qualquer tipo de reacção por quem de direito.

A diferença de tratamento é gritante e o nosso clube tem sido efectivamente descriminado e mal tratado em várias transmissões e atacado de forma directa e indirecta. Seja através de indirectas lançadas em espaços de opinião por ditos jornalistas, seja através de manobras de distracção para desviar as atenções dos benefícios dados ao Benfica. Quando o Benfica é prejudicado são semanas e semanas de discussão. Quando é beneficiado, ninguém fala, ninguém viu, ninguém comenta. A única reacção oficial do clube vem sempre do mesmo... Jesualdo Ferreira, que já tem a sua imagem muito desgastada de tanto batalhar só.

Sem ser oficial, do clube tínhamos até há uns tempos apenas um defensor apesar de haver dois programas de opinião entre 3 comentadores afectos a clubes. Bem haja o regresso do grande Dr. Pôncio. Guilherme Aguiar é uma pessoa mais preocupada com a Liga de Clubes e em recordar o seu tempo na liga de clubes e a frustração de ter saído de lá. Não nos representa nem defende. Rui Moreira é dos poucos que tem feito ouvir a nossa revolta. Mas mesmo ele não se insurge por exemplo contra o tipo de tratamento que a RTP e as suas transmissões têm dado ao F.C. Porto em que temos um benfiquista e anti portista doente como o António Tadeia a fazer comentários. Não pode, é o canal que lhe paga e nem lhe seria fácil colocar-se perante uma situação de critica ao próprio canal.

RTP, SPorttv e afins...Mudam os nomes e as siglas e o tratamento é igual...

António Tadeia é aquela pessoa que no dia em que o F.C. Porto deu um banho de bola no Arsenal e ficou em 1º lugar no seu grupo da champions afirmava que não se podia dar muito valor porque se tratava de uma 2ª equipa do Arsenal ou até 3ª.
Curiosamente essa 3ª equipa tinha 5 elementos titulares e os suplentes utilizados eram jovens talentos do futebol mundial como Carlos Vela e Brentdner. Mas nem é esse o caso. Esse mesmo Tadeia disse que não se devia dar tanto valor a essa vitória, mas é o mesmo que a comentar a vitória do Sporting contra uma equipa de suplentes e juniores do F.C. Porto numa competição que não contava para nada já não disse o mesmo. Aí passou por cima dos dois penaltis dados ao Sporting. E logo para tentar dar mérito à equipa de Alvalade falava que o F.C. Porto não estava com uma 2ª equipa, porque até tinha jogadores que na supertaça tinham sido titulares (supertaça que foi na pré-época e que como é óbvio ainda não se conhecia a falta de qualidade de Benitez entre outros) e que até esse onze do Porto era mais caro que o do Sporting, como tal, não havia justificação para menorizar a vitória do Sporting. Mas numa competição como a Champions num jogo em que se disputava o 1º lugar do grupo e contra um Arsenal com um orçamento também muito maior que o nosso e com 5 titulares e não 11 suplentes e juniores, o Porto dá um banho de bola a uma das melhores equipas inglesas, mas esse não conta... é contra uma 2ª equipa.

Depois são os lances polémicos. O F.C. Porto ganha ao Rio Ave ou contra outra equipa qualquer e qualquer lance seja de penalti ou o que seja,que seja assinalado a favor do Porto, no final lá se ouve o comentador a dizer: jogo marcado por polémica. Tem sido assim na RTP e na SportTv… Se há uma situação em que se tem dúvidas se é fora de jogo ou não nos casos dos jogos do Benfica dizem que se deve beneficiar a equipa que ataca.

Ainda no último jogo do Porto com o Leixões qual não é o meu espanto que numa jogada em que acabam por anular um lance de golo nosso por posição duvidosa de Bruno Alves, o comentador tem esta brilhante tirada “em caso de dúvida beneficio dado ao árbitro assistente”.
Aliás o Tadeia até no penalti com o Leixões a sua 1ª reacção mesmo sem ver a repetição foi duvidar logo que fosse penalti e só depois tal como sempre a custo admitiu que efectivamente era penalti. Aí como não se pode atacar que o Porto foi beneficiado utiliza-se uma estratégia de comunicação para se insinuar e desinformar. Começa a falar do número de golos marcados por Lucho de penalti este ano e o número de jogos que o Porto leva já este ano com penaltis marcados a seu favor.

F.C. Porto que em qualquer jogo em que haja um lance polémico (mesmo que seja apenas na cabeça dos comentadores benfiquistas) tem automaticamente à espera na sala de imprensa um conjunto de jornalistas encomendados preparados para questionar a Jesualdo sobre o que acha de tais lances e se o Porto foi beneficiado.
Os mesmos que nada perguntam quando o Porto é prejudicado, obrigando a que seja Jesualdo a lembrar sem que ninguém lhe pergunte.

O Porto deu um autêntico banho de bola ao Braga, podia ter goleado e os comentadores estavam sedentos de vontade era de dizer que o Braga era amigo do Porto e que com o Benfica se queixaram mais e que com o Porto também tinham que se queixar etc, esquecendo do fundamental. Com o Benfica o Braga jogou muito melhor, mereceu ganhar, com o Porto nem podiam protestar muito porque em todo o jogo só tiveram uma oportunidade de golo e levaram um autêntico banho de bola.


Mas a revolta estava patente nos seus comentários, tal como aquando da goleada sobre o Leixões já estavam a dizer que o Leixões tinha facilitado etc., quando na jornada anterior o Leixões era uma super equipa e ninguém quis falar do anti-jogo do Benfica e dos ridículos 3 minutos de descontos… Os mesmos que logo no 2º golo do Porto contra o Leixões aproveitaram para fazer insinuações sobre Beto e que ele podia fazer melhor (já levavam essa preparada acontecesse o que acontecesse).
Falam em facilidades, mas parece que o Leixões não fez um auto-golo no jogo contra o Benfica….

As conferências de imprensa e os flash interviews
Depois não sei porque se faz flash interview. A pergunta seja na sala de imprensa ou nesse espaço é sempre a mesma encomendada, a renovação de Jesualdo. Objectivo? Sabendo do desamor que muitos adeptos do Porto têm por ele -mesmo ele sendo campeão- tentam de todas as formas desestabilizar o grupo e desviar as atenções das nossas grandes exibições em campo e lançando nomes para o ar como Jorge Jesus e Paulo Bento como sucessores de Jesualdo, claramente para tentar retirar a tranquilidade ao Professor. Só que o que esquecem é que Jesualdo se aguenta com a massa assobiativa e durante 3 anos tem dado a cara pelo clube sozinho, aguento isso e muito mais, terão que fazer um esforço maior.

Os mesmos meios de comunicação que falaram em roubo, em falta de verdade desportiva no Porto-Benfica por um pretenso penalti mal assinalado sobre Lisandro mas que nem em resumos nem em comentários lembravam que já antes tinha ficado um muito mais claro e com o árbitro bem perto que não foi assinalado a favor do Lucho e que poderia ter colocado Porto em vantagem antes do Benfica marcar. Foi esquecido por todas as 1ªas páginas de jornais esse facto, mas não é de espantar, o dinheiro move tudo, e os jornais precisam de vender, pelo que se vê até o próprio "O Jogo" teve que se benfiquizar mais para poder vender, e até delegações norte de vários jornais fecharam, são muitos, e entram em euforia com facilidade. E o que vende? Equipas maravilhas e páginas anti-Porto, a fórmula para se vender em Portugal é fácil.

É a mesma para ser presidente do Benfica. Foi o que fez Vale e Azevedo e depois LFV, atacar o Porto e Pinto da Costa e falar em equipas maravilha. A imprensa ajuda com 1ªs páginas com Reyez ,Aimar etc. e falando que fizeram grandes jogos mesmo quando ninguém da por eles em campo.


Estamos cada vez mais isolados. A nossa voz é cada vez mais abafada pela chamada mass media. Só através da blogosfera e de agora o Dr. Pôncio Monteiro e Rui Moreira nos podemos fazer ouvir.
A Sad está calada pelo famigerado apito e Jesualdo não pode falar sozinho. Principalmente com jornalistas escolhidos a dedo para cada flash interview e que levam as perguntas encomendadas para todas as conferências de imprensa.

Vejamos a diferença em casos concretos
O Benfica ganhou na Naval num jogo em que podia ter empatado ou perdido após um lance de possível penalti que o árbitro nada assinalou e ainda marcando um golo numa falta totalmente inexistente. Se se tratasse do F. C. Porto falariam em roubo, apito dourado, atentado à verdade desportiva etc., como é o Benfica, os comentadores no 1º momento até falaram que era mão quando todo o país via as imagens da bola a bater na cara. Depois alguém lá lhes disse para não darem tanto nas vistas e lá corrigiram. Mas enquanto isso, nos jogos do Porto, em vez de discutiram a excelência do jogo do Porto, ficam a falar da importância desses lances no decorrer do jogo.

No Benfica foi do estilo “sim, não devia ter sido marcado falta, mas o Benfica estava a jogar bem a merecer o golo etc...”.
Na flash interview alguém questionou Quique o que achava do lance? Alguém lhe perguntou algo na sala de imprensa? Claro que não. Pareciam perguntas feitas pelo canal Benfica “Quique uma vitória importante não é? “Quique, o Aimar joga mesmo bem não joga?” Quique este Benfica pode ser campeão? Mas para mim o cúmulo da palhaçada foi depois de vermos o roubo que vimos, aparecer um iluminado entre os jornalistas que pergunta a Quique “Acha que ficou um penalti por assinalar sobre Di Maria”? Peço desculpa? Como...? Depois daquele roubo e sem ninguém perguntar ou falar nada, a única pergunta sobre a arbitragem é se há penalti sobre Di Maria num lance a uns bons metros fora da área em que ele se atira para o chão??? E esquece-se o penalti a favor da Naval ou o golo numa falta que não existe???

Aos adversários do F. C. Porto perguntam logo se têm razões de queixa do árbitro e mesmo que não tenham perguntam-lhes sobre lances. Mesmo que eles não achem acabam por achar porque os jornalistas lhes vão convencer que têm que achar que foram prejudicados pelo Porto, para assim, já poderem colocar uma frase do técnico adversário nos jornais a falar que o árbitro beneficiou o Porto. Isso vende.


Ontem depois de uma conferência de imprensa relativamente longa e só com perguntas simpáticas e palmadinhas nas costas a Quique, o que aconteceu a seguir com o técnico adjunto da Naval? Nada.
Perguntam-lhe pelo jogo por obrigação, a que ele logo respondeu tratar-se de um resultado injusto pelo que as equipas praticaram e acima de tudo porque tem dúvidas se não ficou um penalti por marcar a favor da Naval e não tem dúvidas nenhumas que o Benfica só ganha porque marca golo num livre que não existe porque a bola bate na cara do jogador de forma clara e á vista de todos…

Agora vocês perguntam-se: E o jornalista faminto da verdade, insiste no assunto como fazem quando o Porto é pretensamente beneficiado para ver se o treinador diz algo mais para colocar no jornal…?
Não. Outra sumidade do jornalismo consegue ter capacidade de fazer uma das perguntas mais estúpidas que vi numa conferência de imprensa. O treinador acaba de dizer que foi derrotado por uma falta marcada numa bola que vai á cara e não á mão de um jogador seu, e o jornalista pergunta “Mas não acho que mais do que falta de sorte da Naval tratou-se de falta de concentração??”. É nestas alturas que sinto saudades de um Mourinho em Portugal, ele logo a seguir lhe perguntaria “você é estúpido ou tem algum neurónio a menos?” Então o homem acaba de falar num lance em que o jogador leva com uma bolada na cara e o árbitro dá uma falta e o gajo vem-me falar de falta de concentração???? Falta de concentração porquê???? Se ele estivesse mais concentrado baixava a cabeça e não levava com uma bolada nas fuças é isso??? E assim o árbitro não podia inventar mais uma das inúmeras faltas que inventou á entrada da área depois do golo da Naval…???. Só se for isso…

O treinador da Naval continua a dizer que esse lance mudou o jogo etc… e resultado dessas afirmações? Nenhum jornalista tem mais interesse em fazer-lhe perguntas e a conferência de imprensa acaba!!!! Se isto não fosse tão nojento e podre para a comunicação social do nosso país até seria cómico. A Quique que foi beneficiado pelo árbitro, só lhe perguntaram se o Benfica não devia ter sido ainda mais beneficiado um bocadinho e fizeram uma série de perguntas a elogiar o Benfica. Só faltava acabarem todos com um “VIVÓ O BENFICA”!!!


O treinador da Naval como denunciou o que se passou e não elogiou o fabuloso Aimar ou o grande estratega Quique, não tinha interesse e não pode falar sequer muito do jogo porque os jornalistas nem queriam saber ou fazer perguntas, genial, do estilo “Não é para elogiar o Benfica? Vem para aqui falar de arbitragens então o melhor é ir mas é embora.


Posto isto de parte... Passemos ao jogo...
Alguém reparou, como eu reparei, que algo mudou no Benfica para eles finalmente ganharem um jogo fora da luz? Uma alteração táctica muito boa. Não, não foi o Cardozo no lugar do Suazo. O segredo estava no banco... E não também não era o Mantorras... Eu já tinha comentado que o problema do Benfica nos jogos fora é que Rui Costa fica muito longe do túnel, e há estádios que nem túneis de jeito têm, e sentia-se o Rui Costa desconfortável na bancada, impotente, sem nada poder fazer para mudar o rumo do jogo. Na Luz é muito mais fácil, vai dar uma palavrinha em zona proibida aos árbitros e fica tudo bem.

O Boavista desceu de divisão por o Valentim ir falar com os árbitros no intervalo e coisas assim, o Rui Costa como é uma pessoa séria e que até a comunicação social gosta muito dele, pode falar com árbitros á vontade. Afinal o que são 3 multinhas, poucas criticas á sua postura e ética (pelos vistos inatacável quando se trata do Rui Costa) comparadas com 9 pontinhos no papo?
Ainda para mais a comunicação social que tanto investiga, acusa e insinua no apito dourado, acha isto normal, Rui Costa a falar com árbitros no intervalo.

Invasões de campo com agressões a fiscais de linha sem o árbitro acabar na hora com o jogo, presidentes suspensos a entrar no balneário do árbitro depois do jogo, quando mesmo que não tivesse suspenso não podia la entrar.
Mas agora tudo mudou. Agora Rui Costa passou a ir para o banco nos jogos fora!!! Já não vai para a bancada. Assim fica mais próximo do túnel. Uma solução táctica perfeita. Melhor que discutir se se deve jogar em losango ou em triangulo. É jogar sim o mais perto possíve da baliza? Não!! Do túnel!!

Agora imaginem isto tudo, mas em tons azuis e brancos. Se em vez de se chamar Rui Costa se chamasse Antero Henriques ou em vez de ser LFV ser Pinto da Costa... Ui... tinhamos literatura jornalística sobre isso para 20 anos, já para não falar de filmes... Se o Rocky teve 5 filmes e mais tarde o 6º, se a Academia de Polícia tem uns 12, este dava para ser uma saga interminável de filmes como o James Bond.

A gota que fez transbordar o copo
A gota de água para mim foi ontem, muitos insinuavam, já na transmissão da RTP o Tadeia de forma cobarde como é seu apanágio falava disso, que Beto tinha tido um movimento estranho etc. Mas neste Domingo, Rui Santos levou a azia ao topo. No jogo do Benfica afirma que efectivamente por infelicidade do árbitro a Naval acabou prejudicada e o Benfica beneficiado, mas sem juízos de valor sobre a seriedade ou as intenções do árbitro, nada. Afinal nem convém lembrar os portugueses que este João Ferreira é o mesmo que LFV pedia nas escutas telefónicas que pelos vistos não mereceram ser investigadas. Afinal grave é se se fala de fruta ao telefone, agora pedir de forma directa e descontraída um árbitro para um jogo, isso é algo perfeitamente aceitável.

Rui Santos insultou a instituição Leixões, vem insultando há muito tempo a instituição F.C. Porto. faz insinuações sem provas colocando em causa o profissionalismo de jogadores como o Beto o Laranjeiro e outros e depois de tudo isto e ainda de divagar sobre o facto de os resultados se falsearam não só com árbitros (visto que por estes já não pode pegar porque tinham acabado de beneficiar o Benfica e o apito dourado não está a dar em condenação nenhuma) mas também com politica de empréstimos. Ou seja se os adversários do Benfica cometem erros, são azares, se os do Porto têm o mínimo deslize é porque estão já comprados pelo Porto como é óbvio e não tiveram um erro...

Será que o Helton então já terá assinado contrato com o Leixões e não sabemos...? Ou então com o Atlético de Madrid... Agora entendo porque o Mariano e o Farias jogam tão mal tantas vezes e porque nesse mesmo jogo o próprio Farias falhou um golo incrível ao seu melhor estilo, aposto que o Rui Costa já os tem apalavrados para a próxima época...

Rui Santos falando do tal tema dos empréstimos insinuava como é óbvio que os emprestados do Porto faziam corpo mole quando jogavam contra o clube e que o Porto os emprestava com o propósito de retirar benefícios quando jogasse contra as equipas que eles representavam, o que não deixa de ser ao mesmo tempo ridículo e totalmente incoerente.

O F.C. Porto durante anos sempre teve a política de que jogador emprestado não jogava contra o clube exactamente por saber da comunicação social que existe neste país e para os proteger de possíveis falhas para que não colocassem em causa o seu profissionalismo,
durante anos o Porto era acusado de estragar a verdade desportiva (para variar o argumento é sempre o mesmo façamos o que façamos) porque os seus emprestados não podiam jogar contra o Porto e que disso retirávamos beneficio. Fizeram uma regra e tudo em que isso fosse proibido e tudo só por nossa causa. Entretanto agora criticam os jogadores emprestados á mesma. Ou seja, preso por ter cão preso por não ter…

No final é como em tudo na sociedade portuguesa… A culpa é do Pinto da Costa e do F. C. Porto. Pode acontecer uma inundação em Cabeceiras de Basto ou uma velhinha tropeçar e cair a atravessar a rua que a culpa certamente será desse senhor e dessa instituição.
É claro que Rui Santos já não acha mal se o Benfica e o Sporting emprestarem os seus jogadores... Apenas o F.C. Porto levanta desconfiança na sua política de empréstimos. O já habitual em Rui Santos...

Logo a seguir Rui Santos comenta o jogo do Sporting que ganha com um frango tremendo do guarda redes e aí Rui Santos nada insinua sobre a seriedade e profissionalismo do mesmo, ou que o Sporting empresta jogadores, nem o faz em relação ao Benfica.

Nunca fui a favor dos blackouts na altura que os praticavamos, acho chatos. Não valorizam o espectáculo e os verdadeiros artistas que são os jogadores não podem expressar-se assim como o treinador, mas se há época em que mais que nunca eles fazem sentido é esta. Em muitas épocas foram fundamentais estes blackouts para fechar o grupo, uni-lo e porque sabemos que tudo o que se disser será distorcido e manipulado, as perguntas dos jornalistas serão sempre as mesmas, as encomendadas pelos mesmos de sempre e com o mesmo objectivo.

As notícias escolhidas a dedo…

Os jornais escolhem a dedo as notícias a que querem que se dê relevância e apagam outras importantes que não servem os seus interesses. Por exemplo: 1ª página com uma frase de um tal ex-director da comissão de arbitragem que em Tribunal fala que há corrupção no futebol. Rui Santos afirma que ele é uma pessoa que esteve dentro do meio e que deve ser ouvido o que ele diz e tido como verdade porque sabe do que fala etc. e é a prova que há corrupção. Curiosamente quer o referido jornal quer o próprio Rui Santos não valoraram o que ele disse a seguir e foi… “Por 500 contos nem se pagava o aquecimento dos árbitros e não acredito que o senhor Pinto da Costa alguma vez pagasse a árbitros" e ainda reforça que o valor que falam é ridículo quando ele sabia que em jogos bem mais pequenos como Farense-Beira Mar os preços oferecidos ascendiam os 1500 contos e eram oferecidos por ambas as equipas. Como depois um jogo com um grande como o Porto valeria menos de metade? Essa parte foi totalmente ignorada pela comunicação social…Porquê? Porque beneficiava Pinto da Costa… Rui Santos valora como credível tudo o que esse senhor diz…mas chega á parte em que ele afirma que Pinto da Costa não compraria e afirma que aí claramente ele tentou ajudar Pinto da Costa…

A isto Mourinho no seu estilo inconfundível chamaria de “prostituição intelectual” e muito bem…
Ou seja o homem é credível para dizer que há corrupção porque essa notícia interessa e essa é publicada em 1ª página, mas a mesma pessoa já não merece credibilidade se disser que Pinto da Costa nunca pagaria a um árbitro, nem essa informação é relevante de ser passada quando o caso se centra até nisso mesmo. Se Pinto da Costa pagou ou não a um árbitro, e em tribunal, mais que tudo, foi essa declaração a mais valorada e a mais importante de reter para o caso. Alguém viu 1ª páginas ou grandes fóruns de discussão da alteração do famigerado artigo 1.04 da Uefa da participação na champions? Não… Mas lembram-se como foi quando renasceu a esperança do Porto não ir á champions? Pois…

Ou alguém viu o Rui Santos, o Jorge Baptista ou qualquer outro a pronunciar-se sobre o arquivamento da queixa contra Gonçalves Pereira e do MP ter questionado a legalidade das deliberações tomadas pelo grupo dos 5? Essa notícia não passa. Só em rodapé e o mais escondido possível para ver se ninguém vê e se lembra de a comentar.


Nem sei porque o Benfica criou um canal Benfica, é só mais um custo desnecessário. Já não basta a RTP ou a SportTv em que cerca de 80% dos comentadores são ex jogadores do Benfica? Ou a sic notícias com o Rui Santos e o Jorge Baptista quando não se lembram do Ribeiro Cristovão? Ou a tvi com João Querido Manha como novo e grande reforço?
Não basta Record, Correio da Manhã, A Bola e agora até O jogo…? Ainda precisam mesmo assim do jornal do Benfica?

Silêncio mas com resposta em campo
Por isto acho que já que a Sad não fala nem falará, ao menos que o silêncio seja total. Deixemo-los a falar sozinhos e não vamos falar, nem dar azo a que nos perguntem as mesmas perguntas de sempre quando não têm a mesma forma de actuação quando se tratam de outros clubes. Ainda para mais depois do ridículo comunicado da RTP e do ataque infame de grande parte dos órgãos de comunicação social e da forma astuta como desviaram o roubo da Naval para o Beto e o Laranjeiro e as facilidades ou não num jogo em que o Porto fez um grande jogo.

Agora mais que nunca é cerrar fileiras.
Que se paguem as multas por todos os flash interviews até final da época. Acho que nenhum de nós se importa até de contribuir para as pagar com todo o gosto com as nossas quotas. Seria assim... Respostas a partir de agora? Damos no campo. Onde continuamos a dar por mais que as queiram diminuir e por mais que as queiram colocar como nota de rodapé.

Por isso, desde já, apelo ao nosso presidente -que sabe melhor do que ninguém quando é tempo de cerrar fileiras e que no passado sempre o soube fazer de forma astuta para defender o clube:
Blackout no F.C. Porto já!!!

07 março 2009

Uma má notícia para os benfiquistas de secretaria nunca vem só...

«MP arquiva queixa contra Gonçalves PereiraEX-LÍDER DO CONSELHO DE JUSTIÇA VISADO PELA FPF

O Ministério Público (MP) de Lisboa arquivou a queixa-crime da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contra o ex-presidente do Conselho de Justiça da FPF, num processo em que Gonçalves Pereira era acusado de abuso de poder.

No despacho de arquivamento a que a Lusa teve acesso, o MP contraria o parecer de Freitas do Amaral, que serviu para validar as decisões dos restantes conselheiros na reunião de 4 de Julho de 2008 e para Gilberto Madail pedir uma reunião com Pinto Monteiro, Procurador-geral da República, de que resultou a queixa-crime agora arquivada.

"Do ponto de vista da factualidade objectiva típica, não se descortina uma clara conduta desviante (aliás, actos afectados por vícios e irregularidades foram, eventualmente, praticados por todos, na 1.ª e na 2.ª parte da reunião) em nenhum dos actos em causa; não ocorre uma interpretação jurídica inadmissível e infundada, mas a condução do processo pela forma que, nas circunstâncias e para o arguido, parecia mais adequada", lê-se no documento.

O MP critica todos os membros do CJ e chega mesmo a duvidar das decisões tomadas após o abandono da reunião por parte de Gonçalves Pereira: "O funcionamento do órgão, mesmo na ausência do Presidente e apesar dos seus actos, é a confirmação da inaptidão destes para alcançar uma decisão".

"Para que a conduta constituísse crime de abuso de poder (ou outro que não se divisa), haveria que estarem reunidos indícios de: inadmissibilidade legal do sentido dos actos (e não apenas da sua menor adequação ou da sua incorrecção jurídica, em virtude de erro ou menor conhecimento)".

Pelo despacho de arquivamento sabe-se também que, segundo João Leal, chefe do Departamento Jurídico da FPF, a admissibilidade das escutas telefónicas era o assunto das conversas dos conselheiros nesta altura, "tendo chegado a realizar-se uma reunião preparatória sobre a matéria, uma a duas semanas antes da reunião [4 de Julho de 2008]. Nesta reunião, ter-se-á, aparentemente, formado uma corrente de maioria tangencial no sentido da invalidade da utilização daquelas em processo disciplinar".

Na reunião do CJ de 4 de Julho de 2008 foram considerados improcedentes os recursos de Pinto da Costa e do Boavista, que viram confirmadas as penas da Comissão Disciplinar da Liga do Apito Final, de que resultaram dois anos de suspensão para Pinto da Costa, seis pontos de penalização para o FC Porto, quatro anos de suspensão para João Loureiro e a despromoção do Boavista.

Paralelamente, prosseguem nos tribunais acções cíveis interpostas por Gonçalves Pereira, Pinto da Costa, FC Porto, João Loureiro e Boavista, em que se reclama a invalidade das decisões da reunião do CJ de 4 de Julho de 2008, confirmadas pela FPF após o parecer de Freitas do Amaral.»

In jornal "Record"

Ou seja basicamente... Saiu o tiro pela culatra... De tanto quererem condenar Gonçalves Pereira, como prova que era o único presente na sala a cometer ilegalidades e a mover-se na defesa de interesses de clubes... ao tentar prová-lo acabaram por ler o que não queriam... O próprio MP corrobora de um artigo que eu aqui escrevi há uns largos meses aquando dessa reunião...

Eu, mero estudante de Direito, afirmava que segundo o CPA não havia uma única ilegalidade nos actos promovidos pelo presidente do CJ que concordando-se ou não, tudo o que fez foi no exercício das competências que lhe são conferidas. Nomeadamente o poder que lhe é conferido pelo artº 14º nº 3 de "encerrar antecipadamente as reuniões quando circunstâncias excepcionais o justifiquem, mediante decisão fundamentada, a incluir na acta da reunião", coisa que ele fez alegando que acontecimentos graves como insultos dirigidos ao próprio presidente e ameaças ocorreram no decorrer da reunião, havendo impossibilidade assim pelo clima criado de se poder prosseguir com o normal funcionamento da reunião.

Tudo isso foi fundamentado em acta, como tal , não há nada de ilegal na sua actuação por maior a volta que tentem dar ao assunto...

Se alguém o queria destituir deveria marcar-se nova reunião de forma justa, clara, limpa e acima de tudo legal, onde este e o vice presidente estivessem presentes ou pelo menos tivessem sido convocados e informados da mesma. Seria uma reunião convocada para esse efeito e estando esse assunto previsto na ordem de trabalhos.

Na época alertava para as sérias ilegalidades cometidas, isso sim, pelos restantes membros na reunião, e que, essas deliberações, estavam claramente feridas em termos de legalidade pela forma como foram tomadas, quase de forma clandestina. Como tal, eram totalmente passíveis de recurso para o Tribunal Administrativo e susceptíveis de pedido de anulação de tais actos através de acção administrativa especial.

Mas na altura a imprensa preferia fazer de heróis esse grupo de 5 justiceiros que apenas queriam a justiça. A justiça que teria que passar, como é óbvio, pela condenação do F.C. Porto e Pinto da Costa em tempo útil, para o Benfica ter assim, ainda esperanças de ir á champions pela secretaria. A forma para atingir esse fim não importava. Assim como esses próprios elementos se moviam por interesses de clubes, motivo pelo qual a imprensa tanto martirizou Gonçalves Pereira.

Afinal, era desculpável que 5 se movessem por interesse desde que fosse para defender o Benfica. Mas era inconcebível que se suspeitasse sequer que alguém naquela reunião se pudesse mover por interesse de outro ou outros clubes que não o Benfica. Isso sim, seria a vergonha da justiça desportiva e do futebol.

Esses 5 não se moviam por um sentimento de Justiça como românticamente quiseram fazer passar alguns comentadores afectos a determinados clubes. Se a sua vontade fosse a luta pela justiça e a vontade de deliberar em consciência e de forma isenta e imparcial, teriam-no feito cumprindo os requisitos legais para o efeito e não operando um autêntico golpe de Estado dentro do órgão, tomando decisões quase ás escondidas, nem teriam parado de votar logo após atingirem o objectivo que era condenar o F. C. Porto.

Afinal esse grupo dos 5 reuniu-se depois do jantar e ficaram reunidos até ás tantas mas acabaram por apenas votar e deliberar até aos casos F. C. Porto e Boavista mas já não acharam interessante deliberar sobre outros casos urgentes, deixando isso para outra reunião. Afinal era urgente condenar o F.C. Porto para ver se o Benfica ainda conseguia ir à champions pela secretaria. Nem assim conseguiram. É o que se chama fazer uma noitada para nada.

Quem também acaba por levar por tabela nesta decisão de arquivamento. É o professor Freitas do Amaral com o seu "diz que é uma espécie de parecer". Sim, porque mais pareceu algo encomendado (Ooopps e até foi mesmo, uma vez que a FPF parece que tem lá um departamento jurídico só para enfeitar e não para tomar as suas próprias decisões, nem para se pronunciar sobre a validade das deliberações dos seus próprios órgãos. Mais fácil lavar as mãos e pagar-se por um parecer para não terem que assumir as suas decisões e possíveis erros que cometessem.).

Nos pareceres a matéria é apresentada a quem fará o parecer e este apenas se deve pronunciar sobre aquilo que lhe é apresentado, dando um parecer puramente jurídico em relação ás questões que lhes são colocadas e não dissertar sobre o que não lhe é pedido e muito menos fazer juízos de intenção e de juízos de valor sobre pessoas que nem conhece.

O professor Freitas do Amaral até inquirir testemunhas inquiriu, quando ele nunca foi sequer juiz nem tem sequer competência ou é sequer pedido que faça esse tipo de inquirições num parecer jurídico. Que eu saiba nem ele sabe como o fazer. Porque que eu saiba ele nunca se formou para ser juiz e por isso muito menos exerceu alguma vez na sua vida tais funções...

Causou-me estranheza e profunda desilusão que o Professor Freitas do Amaral, com a sua experiência e saber e tendo já dado centenas e centenas de pareceres, ter de repente inventado uma nova forma de os fazer. O mesmo Professor Freitas do Amaral que no seu próprio "diz que é uma espécie de parecer" se contradiz.

Nesse parecer ele aceita como válidas as deliberações, depois de muita palha jurídico filosófica, basicamente por considerar que não havia motivo válido ou fundado para o presidente do CJ pôr fim à reunião porque nada obstava ao seu normal prosseguimento (isso é uma valoração como outra qualquer, eu acho que se presidisse a uma reunião e me insultassem e ameaçassem não teria dúvidas a achar que se calhar não havia condições para a mesma continuar e a encerraria na hora exercendo os poderes e competências que o CPA me atribui para esse efeito) mas ao mesmo tempo o mesmo Freitas do Amaral refere que o CJ estava ferido de morte.

Assim sendo, como um órgão que estava ferido de morte tem depois capacidade para tomar decisões tão importantes, como pode ele deliberar garantindo a imparcialidade, a isenção necessárias para o tomar de decisões tão importantes e ao mesmo tempo garantindo que as mesmas se tomam com o normal funcionamento da reunião....?

O MP lembra basicamente, que enquanto todos se quiseram centrar apenas em Gonçalves Pereira porque simplesmente era o que dava jeito, acabaram assim por se esquecer de avaliar -isso sim de extrema importância, a actuação dos restantes membros e a série de ilegalidades por eles cometidas, que podem ter comprometido definitivamente a legalidade e consequente validade de qualquer deliberação tomada pelo tão famoso "grupo dos 5"...

Parece que as certezas tão inabaláveis de Benfica, LFV, Leonores Pinhão, Searas, Cartaxanas, Jorges Baptistas, Delgados, Cofinas etc... estão a ser todas desmontadas umas a seguir ás outras... O castelo que lhes parecia seguro, afinal ao mínimo vento se desmorona como um castelo de cartas...

Infelizmente a Justiça não é condenar aqueles que nós gostássemos que fossem condenados só porque sim... A Justiça funciona quer quando condena quer quando absolve...

Mas já se sabe, para o grupo de personalidades acima citadas, só existe uma única Justiça. a que condene Pinto da Costa e o F.C. Porto, seja de forma ilegal, haja ou não provas, seja justo ou não...

Para todos esses, mais uma grande derrota e mais o desfazer de um dos seus maiores sonhos...


05 março 2009

A arte de construir

Tal como prometido neste texto debruçar-me-ei sobre o trabalho táctico que Jesualdo teve que fazer ao longo destes quase 3 anos que leva de clube e em que cumpriu totalmente com os objectivos pedidos pela direcção.

A parte de ter que defender o clube numa fase difícil, e a sua importância numa época atribulada do clube, já a deixei bem clara. Pela forma como ele defendeu o clube contra tudo e todos e numa fase em que mais prejudicados fomos em muitos anos, ele conseguiu ainda assim ganhar o campeonato. Só isso já torna Jesualdo se não um dos melhores treinadores pelo menos um dos mais importantes da história do clube pelas condições difíceis em que, teve que chegar, ver e vencer numa época que, mais que nunca, o clube tinha mesmo que provar a sua força no campo, por mais prejudicado que fosse.

O primeiro desafio táctico de Jesualdo no F.C. Porto.
Chegado ao F.C. Porto e ainda sem tempo de conhecer os cantos à casa, já Jesualdo tinha títulos para disputar, jogos importantes a ganhar e uma herança muito pesada.

Numa recente entrevista Carlos Queiroz dizia que era mais fácil herdar uma equipa sem resultados do que herdar resultados sem equipa. Não foi totalmente o caso de Jesualdo mas quase. Jesualdo herdou um grupo campeão com Adrianse mas uma herança táctica muito difícil de tornear e um plantel além do mais planificado para essa determinada táctica. Uma táctica totalmente desadequada e irrealista para o que é o futebol actual e os desafios que oferecem a alta competição. Uma equipa que jogava com 3 defesas, com uma mentalidade ofensiva sem dúvida mas perfeitamente lírica e muito pouco pragmática. Um treinador de escola holandesa que queria muitos golos mas que se esquecia que o equilíbrio de uma equipa para que possa atacar bem passa exactamente por ter uma retaguarda segura. E uma táctica que tinha outra condicionante. Extremamente dependente de um central que fosse muito veloz e capaz de não ser surpreendido com bola nas costas como era Pepe. Sem um só jogador e tendo no seu lugar um central mais lento já toda a estrutura defensiva ia por água abaixo.

Para além disso pedia-se a Jesualdo que restituísse o orgulho portista numa competição como a Champions. Sim muitos dizem que Jesualdo é medroso, nada sabe de táctica etc., etc.. Mas esquecem-se que com Adrianse fomos totalmente humilhados na champions. Últimos classificados no grupo e com direito a derrota humilhante em casa para o Artmedia.

Era isto o Porto de Adrianse. Capaz de dominar em Portugal porque efectivamente não havia equipas capazes de explorar a táctica de 3 defesas de Adrianse porque eram apanhadas de surpresa pela avalanche ofensiva e eram demasiado medrosas para explorar os enormes espaços que essa táctica permitia. Mas já nos jogos com equipas do mesmo calibre, com equipas grandes, Adrianse via-se e desejava-se para ganhar um jogo e o F.C. Porto com alguma sagacidade táctica era acessível a qualquer equipa minimamente grande.

Os que hoje criticam Jesualdo por quererem que a equipa fosse mais ofensiva e dominadora, lembrem-se que a de Adrianse, era ofensiva e dominadora... E depois perdia com o Artmedias...

Os números nos clássicos e jogos grandes
Na altura fomos campeões ganhando apenas um único clássico, em Alvalade e por 1-0 num jogo apertado. Perdemos em casa 2-0 com o Benfica já depois de termos perdido na Luz e com o Sporting. Aí sim dominávamos e atacávamos como loucos, mas nos jogos grandes era o que se via. E supostamente o Jesualdo é que é medroso e o Adrianse é que devia ser bom, pois ele era super ofensivo e adorava dominar os jogos.

O engraçado é ver agora gente a criticar Jesualdo quando ele neste ano já venceu o Sporting em Alvalade dando um banho de bola e não perdeu para o campeonato um único clássico, enquanto que Adrianse para o campeonato perdeu 3 clássicos e ganhou um. E ainda foi humilhado na champions. Mas como ganhou uma tacinha já acharam mais piada. Jesualdo que logo no seu 1º ano foi campeão e também só perdeu um clássico, para o Sporting em casa. De resto ganhou ao Benfica no Dragão e só não ganhou na Luz porque fomos prejudicados e depois de um grande jogo ainda vimos o Renteria mesmo no final a falhar um golo escandaloso que nos daria a merecida vitória.

Para terminar a contabilidade: no ano passado para além de batermos o record de número de pontos para o 2º e dizimar-mos totalmente a concorrência em Portugal, em termos de clássicos, o Porto de Jesualdo ganhou os dois jogos ao Benfica, ganhou ao Sporting um e perdeu outro. Ou seja, dá 3 vitórias e apenas uma derrota.

Adrianse o homem do domínio, da coragem, do futebol ofensivo, etc. ganhou apenas um clássico em Alvalade por 1-0 e perdeu outros 3. Uma vitória e 3 derrotas em clássicos fora as derrotas e empates com potências do futebol como Artmedia e Rangers na Europa e um humilhante 4º lugar atrás do Artmedia após sofrermos 3 golos deles em casa e perdermos no último jogo. Isto sim é ter ambição e ser ofensivo. Isto sim é o que todos deveríamos sonhar para o nosso clube...

Jesualdo “o medroso” o que não tem ambição e não sabe nada de futebol tem o seguinte balanço:
1ª época - 2 empates, uma derrota e uma vitória

2ª época - 3 vitórias (2 ao Benfica ainda por cima, o maior rival) e apenas uma derrota

3ª época (a presente) - Não perdeu um único clássico. 3 empates e uma vitória em Alvalade com um belo banho de bola. Nenhum dos dois candidatos ao título nos venceu.
E o Jesualdo é que se amedronta nos jogos grandes. Então comparem os seus resultados nos jogos grandes com os de Adrianse e a sua campanha na champions com a de Adrianse.

O regresso do F.C. Porto Europeu
Jesualdo devolveu a dignidade que o F.C. Porto merece na champions qualificando-o sempre para os oitavos tal como já a Adrianse era pedido e ele não cumpriu. O Professor não só cumpriu como ainda acrescentou dois inéditos primeiros lugares na fase de grupos na frente de equipas como Arsenal e Liverpool e excelentes exibições valorizando uma série de jogadores na grande montra do futebol que depois nos valeram grandes vendas. Caímos de pé com o Chelsea num grande jogo em Londres em que fomos traídos por um frango do Helton e ano passado todos os portistas sentiram que a eliminação para o Schalcke foi tremendamente injusta num jogo em que o Porto fez tudo para passar e o sorte virou-lhe a cara, num jogo em casa que vimos um guarda redes fazer a exibição da sua vida e uma equipa a ter a maior sorte que alguma vez terá.

Outra curiosidade é o de Jesualdo ser chamado de defensivo mas curiosamente as suas equipas marcaram mais golos que a de Adrianse. Teoria facilmente desmontada portanto essa do medo dos jogos grandes e da falta de ambição.

O que Jesualdo é, é um treinador equilibrado. Que sabe melhor do que ninguém que uma equipa tem que ter harmonia. Não pode ser nem só ataque, nem só defesa. Mais importante que pensar em marcar 3 ou 4 golos é importante tornar a equipa capaz de ganhar em qualquer campo mas também saber trancar o resultado quando assim é necessário e é algo que o próprio Mourinho faz.

O Primeiro ano

Na 1ª época Jesualdo pegou num grupo com sérios desequilíbrios e preparado para uma táctica capaz de vencer jogos a equipas pequenas da liga nacional, - equipas essas que já estariam agora mais preparadas para combater esse sistema - mas que claramente não servia os interesses do clube na Champions onde era imperioso fazer boa figura e assegurar um lugar entre as 16 melhores equipas da Europa para além de ser constrangedor a dificuldade em vencer jogos aos denominados 2 grandes para além do Porto.

Como tal, Jesualdo deu confiança total a um jogador então muito criticado pelos adeptos... Um tal de... Bruno Alves. Deu-lhe oportunidades, trabalhou-o tacticamente mas acima de tudo preparou-o melhor para que controlasse mais durante os jogos a sua impetuosidade e o seu tempo de entrada aproveitando no entanto o seu grande poderio físico para fazer uma forte dupla de centrais com Pepe que até então jogava sozinho no meio e voltou a adaptar-se para um sistema normal de dois centrais.

Mas Bruno Alves não foi o único jogador que Jesualdo fez crescer. Também Bosingwa que jogava na posição de defesa a descair para a direita na táctica dos 3 defesas e que pela sua velocidade era uma espécie de apaga fogos na defesa portista (até porque do lado esquerdo jogava um tal de Pedro Emanuel (curiosamente agora Jesualdo de vez em quando o coloca de lateral esquerdo numa missão de menor risco que a que Adrianse lhe colocava mas todos lhe caem em cima).

Bosingwa fixou-se então finalmente como lateral direito, aprimorando os cruzamentos, a sua grande pecha e tendo maior liberdade para fazer aquele louco vaivém no flanco direito permitindo a que o F.C. Porto jogasse num 4-3-3 dissimulado em que Quaresma podia se fixar na esquerda e desequilibrar desde aí com as suas trivelas enquanto que Bosingwa corria todo o flanco direito permitindo-nos jogar com um falso extremo que em situações ofensivas encostava no ponta de lança, ora fosse ele Lisandro ou até Hélder Postiga.

Com Jesualdo, Lisandro que com Adrianse era um jogador ainda meio perdido e claramente desenquadrado, batalhava mas encantava pouco. Com Jesualdo começou a ganhar um espaço próprio na equipa e a conhecer-se si mesmo e onde podia ser mais perigoso e efectivo para o jogo colectivo. Sim também foi Jesualdo que a certa altura na época seguinte o fixou a ponta de lança tornando-o o melhor marcador do campeonato e descobrindo o tal ponta de lança de qualidade pelo qual Adrianse queria gastar tanto dinheiro e afinal sem o saber já o tinha no seu próprio plantel.

Com Jesualdo volta uma táctica consistente e voltam os laterais. E pelo caminho no lançar de um grande Bosingwa ainda lança um tal de... Fucile. Um jogador que aparece no Porto e que ninguém conhecia de parte alguma e que Jesualdo trabalha e o aproveita para a equipa quando repara que Marek Cech não lhe dava garantias do lado esquerdo da defesa e aprimora e estimula a polivalência de Fucile que ainda hoje é tão importante quando há lesões, podendo ele cobrir bem quer um flanco, quer outro e tendo-se tornado naquilo que gostamos de chamar de “jogador à Porto”.

Pelo meio disto ainda teve a coragem de dar a titularidade a um pequeno fenómeno chamado... Anderson. Adrianse colocou-o na equipa B e nas suas entrevistas dizia coisas estapafúrdias como que via Anderson como defesa esquerdo ou Extremo esquerdo. Perderíamos nós e o futebol mundial um talento enorme para jogar no meio campo. Infelizmente para nós ele não pôde jogar tanto como gostaríamos, mas Jesualdo não teve medo em dar-lhe a batuta.

Dá para rir quando se fala de um Jesualdo defensivo. Nessa época o F.C. Porto chegou a jogar com um meio campo com: Raul Meireles, Lucho e Anderson. Lucho que actualmente é até o jogador mais avançado do meio campo do Porto, chegou a jogar até um pouco mais recuado numa espécie de 8 enquanto Meireles que agora joga mais ou menos nessa posição jogava de 6 sabendo-se do seu pendor ofensivo e Anderson era um 10. Se isto é defensivo... Infelizmente Jesualdo não pode desfrutar muito de Anderson e como tal mostrou a sua sagacidade táctica adaptando a equipa a jogar e a ganhar sem ele.

O F.C. Porto jogava um bom futebol e tinha uma estrutura equilibrada finalmente, coisa que não tinha no ano anterior e mesmo chegando já com o ano a correr e tendo que alterar todas as rotinas de um estranho 3-4-3 para um 4-3-3 em que eram essencialis as transições ofensivas e em que a filosofia nova de ter menos bola mas tornar essa posse mais produtiva e num ataque com processos mais directos e eficazes foi assimilado em pleno campeonato a decorrer com resultados a terem que ser apresentados.

O Porto no final acabou por se complicar fruto de algumas lesões de jogadores importantes e porque não dizer de algum relaxamento da equipa, e em que Jesualdo teve culpas também, como é óbvio, mas ele próprio estava em processo de crescimento e aprendizagem a uma nova realidade, a um novo clube e a novas exigências juntamente com a equipa. E totalmente desamparado pela direcção convém não esquecer.

A segunda época
Jesuado depois de finalmente ter deixado uma base do seu trabalho já sedimentada e assimilada pelo grupo, perde duas pedras importantes como Anderson e Pepe. Anderson que apesar da lesão era sem dúvida o jogador mais capaz na equipa de transportar jogo ofensivo desde o meio e de desempenhar a função 10, que tantas vezes a equipa se ressentia de não ter em alguns jogos.

Jesualdo perde dois craques e recebe um descarregamento de qualidade duvidosa: Farias, Mariano, Bollati, Stepanov, Lino, etc.. Na altura ouvindo várias criticas por ao contrário dos outros grandes não colocar muitos reforços em campo, aposta na sua estrutura já campeã. Ouve muitas críticas porque todos estavam ansiosos para ver aqueles grandes craques contratados. Mas Jesualdo sabia o que tinha. Alguns jogadores com algum talento como Luís Aguiar ou Fernando mas ainda muito verdes para serem trabalhados no F.C. Porto e a precisarem de rodar e outros já mais experientes como Farias e Mariano ou Lino que simplesmente não estavam ao nível da equipa campeã e teriam muitas dificuldades em apanhar o ritmo, e como tal teriam que ser lançados aos poucos.

Assim perdendo 2 jogadores importantes, encontrou as soluções para os seus problemas dentro do próprio grupo. Apostando no capitão Pedro Emanuel e assim resolvendo também um problema premente que era a saída de uma referência como Vítor Baía do grupo de trabalho, reforçando assim a posição do Pedro e potenciando ainda mais a ascensão de Bruno Alves na defesa em mais uma etapa no seu crescimento que seria poder aprender com a experiência de um jogador como Pedro Emanuel.

O problema de não ter um 10 pensou que se resolveria com Leandro Lima de quem se dizia maravilhas mas que afinal foi um barrete que nos enfiaram a todos os níveis. Assim sendo a solução passou por simplesmente deixar de ter um verdadeiro 10. Passamos a jogar com dois 8 que eram Lucho - numa posição mais adiantada e num estilo de jogo diferente e Meireles que já desde a lesão de Anderson gozava de maior liberdade na época anterior.

O meio campo funcionava com menor transporte de bola e explosão pela falta de Anderson mas compensava essa falha com uma maior liberdade dada a Quaresma de partir da esquerda para o meio e de Bosingwa de pelo flanco carrilar o jogo, deixando a Lucho o papel de cérebro na forma como geria os ritmos de jogo consoante interessava a equipa e sendo o autor do último passe que desposicionava defesas ao mesmo tempo que era o homem que aparecia de trás e surpreender para finalizar. Dava-se assim também chances a Meireles de aparecer mais na ajuda a Lucho na construção do jogo ofensivo. A linha do meio campo ficava mais junta e solidária na recuperação de bola e sem ter um vértice tão ofensivo como tinha quando jogava Anderson.

Deu ainda maior destaque a Paulo Assunção como pêndulo da equipa, senhor dos equilíbrios que dava assim maior liberdade ofensiva a Meireles e Lucho tal como em outros anos fazia Costinha com Maniche e Deco.

Apesar de á vista desarmada o plantel ser semelhante á época anterior, algo havia mudado. Já não havia Postiga e Adriano não era aposta porque supostamente Farias seria o grande ponta de lança que o Porto contratara. Como Jesualdo reparou que mais uma vez não lhe tinham dado bem o que ele pretendia, aí alterou mais uma vez rotinas de forma inteligente com a matéria prima que tinha á sua disposição, ainda do plantel que vinha de épocas anteriores.

Fixou Lisandro no meio, mostrando inteligência na forma como encontrou um espaço a Lisandro aonde este se tornou letal sem deixar de poder participar do jogo e aproveitou Tarik que todos nós pensávamos que nunca daria em nada já com uma idade para lá dos 30 e que com Jesualdo ainda fez um grande ano. Aí jogamos com um trio de ataque mais criativo, aberto pelas alas mas já sem o falso extremo da época anterior por falta de alternativas para esse estilo de jogo. Aí assumiu Lucho um papel diferente, algo que já Jesualdo havia feito de forma inteligente para substituir Anderson aquando da sua lesão.

Deu liberdade a Lucho para subir mais no terreno e aparecer ele como o elemento surpresa a finalizar vindo de trás e trocando uma organização de jogo em posse por uma em passe. Menos explosão menos transporte de bola, mas mais velocidade no passe e acima de tudo processos cada vez mais simples adaptando-se ás necessidades da equipa e á filosofia de Jesualdo de transições rápidas para o ataque que surpreendia os adversários e ainda por cima na champions podia ser fundamental para a obtenção do sucesso. O F.C. Porto tornava o campo para as outras equipas pequeno por uma excelente ocupação zonal e ao mesmo tempo era capaz de através de processos simples de 3 ou 4 toques na bola criar jogadas de perigo.

Tudo isto denota trabalho de treinador. Este tipo de automatismos demoram tempo a construir, requerem muita qualidade de treino e um modelo e projecto coerente apresentado aos jogadores de forma a que, estes o compreendam, o aceitem, integrem e trabalhem ao longo da época.

Criou então Jesualdo um trio fortíssimo no meio campo: Asssunção, Meireles e Lucho e descobria o ponta de lança que há anos procurávamos. Lisandro e ainda aproveitava recursos que já pensávamos perdidos como... Tarik. Tudo sem recorrer aos reforços comissionistas encomendados pela Sad para esse ano como possíveis grandes titulares da equipa.

Resolveu o problema mudando alguns aspectos da formula, alterando ligeiramente o desenho mas sem retirar as rotinas já criadas nem deitando fora o trabalho de um ano, acrescentando-lhe antes outros processos e fazendo com que a equipa crescesse ainda mais e se tornasse numa máquina de jogar futebol que dizimou a concorrência em Portugal e nos proporcionou bons jogos na champions e muitos elogios internacionalmente.

Isto demonstra coragem, ambição, capacidade e é indubitavelmente prova de um trabalho metódico, bem pensado e nada empírico. Isto é prova de que estamos perante um excelente treinador. Actualmente o melhor treinador português a seguir a Mourinho.

Epílogo
Como o texto já vai longo fica para o próximo texto o que para mim foi em termos tácticos o maior desafio de Jesualdo no Porto a seguir á sua 1ª época. O mais uma vez ter que lidar com perdas importantes. Desta vez e ainda mais. 3 figuras chave da equipa. E mais uma vez ter a capacidade de encontrar soluções e de construir uma equipa diferente, com outras características, mais jovem e em que teve que incorporar em plena competição jogadores com os quais ainda estava a trabalhar no laboratório de Gaia para renderem o que actualmente estão a render.

Tudo isto com uma massa associativa sem paciência e ansiosa para assobiar e deitar abaixo ao mínimo erro e esquecendo-se de que se trata de uma equipa bastante jovem a que temos este ano. Mas até nisto Jesualdo foi sábio. Quando todos anunciavam a desgraça após a derrota em Londres já Jesualdo pedia paciência para com a equipa, que tinha vários jovens e que a equipa não tinha outra forma que não fosse crescer em competição e que, esse dissabor fazia parte desse processo, era mais que normal que ainda tivesse que limar muitos aspectos e a equipa muito ainda tinha muito para crescer e os novos ainda estavam a adaptar-se ao que é o F.C. Porto. Mas já na altura dizia Jesualdo que havia vários jovens que então eram criticados assim como a equipa e que com o desenrrolar da época iriam crescer e na fase decisiva a equipa seria capaz de apresentar qualidade suficiente para lutar em todas as frentes e mais uma vez ser campeã.

Isto é de treinador.