12 setembro 2013

A posição de Defour

Tenho dito haver alguma confusão, talvez por abraçar-se a "primeira ideia que fica" ou respeitar-se o "postulado de quem disse primeiro", coisas que epidermicamente rejeito, quanto ao "aprisionado modelo" do 4x2x3x1 do FC Porto com Paulo Fonseca. E tal como eu, outras opiniões foram exprimindo não verem isso em campo, mesmo que, amiúde, nos relatos do dia e nas crónicas do dia seguinte, alguém escarrapache isso como dado inelutável.
 
E a questão posta era e é se há mesmo o "duplo pivot", com Defour ao lado de Fernando, o que manifestamente não existe, pelo que é cada vez mais idiota alguém apregoar o que vê como certo sem saber do que fala. Mesmo que já nem ligue a tantas patacoadas, a verdade é que os factos, e até os protagonistas, vão falando por si. Embora, como é usual e até trágico, isso não ensine nada a alguém.
 
Defour vem há dias a dizer que "jogo na minha posição", desde que marcou pela Bélgica na Escócia, joga com mais frequência no FC Porto e sente-se, compreensivelmente, melhor em confiança e no desempenho subsequente. Mas enfatiza sempre "a minha posição". Ora, nem ele alguma vez foi contratado para uma eventual posição de "duplo pivot", nem a executa por estes dias. Sempre se percebeu ser "duplo", sim, mas de João Moutinho. E, diz Defour agora mesmo, que joga no lugar de João Moutinho, como estava vaticinado, podemos acrescentar. Pelo que o esclarecimento fala por si, Moutinho não era o "duplo pivot" com Fernando.
 
Não percebo, a não ser pela euforia aceitável de estar sempre a jogar, é como Defour acha que foi a "mudança de treinador" que o favoreceu. Na verdade, ao jogar em vez de João Moutinho, como admite, Defour beneficiou não do novo treinador, mas da saída de Moutinho. Defour era o 12º jogador, o suplente, diria de luxo, que mais saltava do banco para o campo, e tornou-se, pela força das circunstâncias, um do 11 titular. Porque o que tem de ser tem muita força. E Defour tem de ser.
 
Parece-me que ao aludirem, nos títulos, e na interpretação sempre seguidista dos jornais da malta das televisões que tem mais tempo mas raciocina muito pouco, à "mudança de treinador" que beneficiou Defour, está implícita uma crítica a Vítor Pereira. E, como todos concordarão sem esforço, no 4x3x3 vigente o trio Moutinho-Fernando-Lucho era inamovível e Defour só cabia ali como alternativa, aquela que, em efectividade de funções, agora desempenha, e bem apesar de algumas críticas descabidas, uma dessas posições, a vagante de Moutinho.
 
Não quer dizer, por fim, que se mantém o 4x3x3, a organização de jogo, o modelo implícito, é diferente. Mas, de facto, tudo somado, o FC Porto actual é mais próximo do 4x3x3 que se usava, do que um imaginário 4x2x3x1 que, por ironia, é atirado como real e apodado de... defensivo, o que já incomodou até Paulo Fonseca que teve de evocar exemplos ("O Madrid de Mourinho era defensivo"?, perguntava, sendo que é mais evidente o duplo pivot com Khedira e Xabi Alonso). O 4x3x3 puro e duro hoje e sempre deixou de ser, há mais maleabilidade colectiva e outros movimentos também pela entrada de jogadores novos como Josué e Licá. Defour a jogar num registo muito próximo de Moutinho garante a continuidade de uma certa fluidez de jogo pela ligação ao ataque. Mas as cambiantes dos jogos têm mostrado, amiúde, mais um 4x4x2, com Licá a segundo ponta-de-lança, do que um declarado 4x3x3 aparentemente no papel mesmo que não no tal estado puro e duro: até porque Lucho é mais "10" do que "8" e há uma reorganização sectorial e renovadas funções na zona criativa do jogo. A propósito, resta saber se será Defour a sair ou um entre Licá e Josué para a entrada iminente de Quintero que, como 10 puro, fará mover Lucho (só se admite para a direita) e alguém dos anteriores sair do 11 titular. Com a proximidade da Champions, não creio que haja mexidas nesse âmbito tão cedo.
 
Continuo sem ligar a isso de "tornar estáticos e só no papel" dos sistemas de jogo. Só espero que Defour continue a jogar bem, como gosta e serve a equipa, e bem melhor do que entende ser benéfico para ele - os jogadores são normalmente egoístas, já se sabe e a excepção confirmará a regra - ter sido mais "12º jogador e não titular" a troca de treinadores ou a venda de Moutinho. Defour, como lhe está no sangue, é um jogador de equilíbrio numa equipa que considero mais um médio de transição do que médio defensivo como Fernando. E enquanto for assim, venham mais 3 pontos no sábado (que não poderei ver ou comentar por estar ausente), o resto é "estupidez natural" em que vagueia o palavreado da bola indígena.
 
VÍTOR PEREIRA - mal foi avaliada a entrevista a Record, embora tenha duas pequenas revelações e duas amplas opiniões do ex-treinador que não foram aproveitadas para títulos da entrevista: não acredita num regresso ao Dragão porque ao não renovar deixou chateados os dirigentes, o que também aceito como certo; Izmaylov e Liedson foram o refugo do refugo que de pouco serviram, apesar de alguns fogachos muito pontuais e teve de os aceitar sob pena de ficar ainda mais desguarnecido de opções do que no seu primeiro ano.
 
VÍTOR BAÍA - boa entrevista a O Jogo, depois complementada no Porto Canal basicamente com as mesmas palavras, num discurso estudado e ponderado mas sempre com elevação e portismo; e uma preocupação com o pós-Pinto da Costa, preocupação que devia ser partilhada por todos mas os crónicos prosélitos pintistas não encaram a sucessão mesmo sendo inadiável cedo ou tarde, com a particular acusação de ver muita "ganância pelo dinheiro e apego ao poder" vigentes no Dragão. Nada que não se saiba, mas se ele o diz tem outro impacto que, mais uma vez, em nome do statu quo foi desvalorizado. 

11 setembro 2013

Três efemérides

Os 25 anos de Vítor Baía, desde a sua estreia em Guimarães (1-1) e até se tornar no jogador com mais títulos conquistados no Mundo! O topo!

Os 3 golos do Luxemburgo à Irlanda do Norte (3-2), equivalentes aos 3 golos de Cristiano Ronaldo à mesma Irlanda do Norte que guindaram o madeirense de novo aos píncaros que as capas dos jornais tugas vendem sem lucro; e uma vitória luxemburguesa, a 1ª em jogos de apuramento para o Mundial, num jogo sem incidências disciplinares como o de 6ª feira em Belfast, que tem essa marca histórica, e a comprovação da evolução dos amadores do Grão-Ducado, quando ainda ecoaram os lamentos de Paulo Bento por, alegadamente, não se ter valorizado por cá o êxito tuga no Ulster... O ridículo.
 
A confirmação, ainda, de que Cristiano Ronaldo está apto a jogar pelo Real Madrid já no sábado depois de dispensado da Selecção frente ao Brasil (1-3) esta madrugada; o efeito José Mourinho não é real agora, mas a influência de Jorge Mendes continua com um ascendente astral sobre o pobre seleccionador tuga. O costume.

NB - Esta é triste de mais para recordar, apesar de real, muito menos para brincar.

09 setembro 2013

FC Porto tá lixado, já nem aparece na capa...


Resta saber se não há nada dentro ou quem faz o FCP - que lidera isolado o campeonato  e teve 50ME de lucros nas vendas - não deu nada de especial (culpa do Editor?) que merecesse tanta atenção como saber se um quase desconhecido foi o Messi de Alvalade num treino à porta fechada em que revelou, imagine-se: técnica apurada, visão de jogo, remate forte, bolas paradas. Fantástico! E nós a pensar que uma (nova) promessa seria notícia por não querer renovar...
 
E o Caientrão, que chorou por ficar no RM, que quer provar ser alguém no RM...

 
(ACT.) Afinal, estiveram a preparar a grande capa no dia seguinte. E cheia de novidades, ainda ninguém se tinha apercebido de como Jesus t(r)eme defrontar o FC Porto, com ou sem VP, nem o ex-técnico tinha dito ainda o seu segredo e desvendado a fraqueza do adversário.
 
Bem, ok, pior pode ser o "Djokovic estar encantado com Matic" (mas não devia ser com Markovic, ou com Fulanic?), e o nº 1 mundial  voltou às derrotas com Nadal. Não acertam uma!
 

08 setembro 2013

Gomes há 40 anos

O Rui Anjos já dedicou uma página gloriosa do Dragaopentacampeao ao personagem, foi pena a data não coincidir e nem sei se ele lembrará hoje a efeméride que assinala no texto. Há 40 anos, numa tarde bem mais solheira do que esta que se antevê hoje, Fernando Gomes estreou-se a 8 de Setembro de 1974, quando os jogos começavam todos às 15 horas, a bisar no 2-1 à CUF, tinha 18 anos e viria a ser o melhor marcador de sempre do FC Porto e no campeonato só superado por Eusébio.
 
Assisti a essa estreia e o percurso do jovem Fernando Gomes já conhecia porque também, aos domingos de manhã, acompanhava os jogos dos juniores.
 
Essa época, terminada sem derrotas a 1ª volta para começar com três derrotas em quatro jogos na 2ª volta e 5 derrotas em 8 jogos que ditaram a saída de Aymoré Moreira campeão mundial com o Brasil em 1962, deixou Gomes como melhor marcador da equipa: 14 golos no campeonato, 17 no total segundo o Almanaque do FC Porto de Rui Miguel Tovar, à frente de Lemos (13) e Cubillas (9). Gomes estreou-se também a marcar no 1º jogo europeu (4-1 ao Wolverhampton) numa jogada que ele pouco foi capaz de repetir: isolado, contornando o guarda-redes, pois era felino a procurar o espaço para encostar para o golo, mas nada expedito no 1x1, fosse com defesas ou g.redes contrários.
 
Fica a efeméride, até porque vivi esse dia nas Antas, esgotavam-se já os tempos da dupla Abel-Flávio que então apadrinharam a estreia do puto, salvo erro, de Campanhã.

A 1ª volta sem derrotas teve como pontos altos a vitória na Luz com um penálti de Cubillas e um golo do genial peruano, um 10 à moda antiga, em slalom à Maradona no Mar, frente ao Leixões. Algum desmiolado recente no Dragão não incluiu Cubillas na lista dos melhores de sempre do FC Porto, mas a modernidade é isto, resta saber se o Museu, daqui a 20 dias, esquecerá quer Cubillas quer a estreia de Gomes...

Cubillas que eu vi, aliás, dar a vitória no meu primeiro Porto-Benfica (2-1, Abel, Eusébio, Cubillas) antes do 25/4/74, em Março e que na época seguinte, 75-76, marcaria 28 golos só no campeonato, marca que o Gomes BiBota de Ouro superaria apenas nesses anos, com 36 (1983) e 39 (1985) golos. 

07 setembro 2013

No fecho do mercado e dos play-off o que não se falou...

Em breve começarão as fases de grupos da Champions e da Liga Europa. Terminaram as fases do perco mas sigo em frente noutra prova, que ao Benfica renderam, com "transições ofensivas" em dois dos últimos três anos, pontos para, de repente, sentando o cu em duas cadeiras como nem Gutman admitia quando deixou o bicampeão europeu em 62, chegar a cabeça-de-série na prova onde frequentemente tem sido mais eliminado do que apurado dos grupos do Outono... E ao Chelsea, beneficiário de um sistema desigual e injusto, rendeu também mais pontos de bónus (26) do que o semifinalista Real Madrid (25).
 
Na miríade de jogos de qualificação, com centenas de nomes e várias "aliterações" respectivas - como ouvir o Joaquim Rita chamar "Dimitrov" ao Dnipropetrovsk que saiu ao P. Ferreira -, é uma pena que os pasquins não façam uma análise de jeito, perdeu-se o jeito e nem sempre se encontram nomes "amigos" ou "familiares".
 
Pode ser frequente citar-se o clube de fulano de tal e o ex-jogador ou ex-treinador de um dos nossos clubes. Curiosamente, o maior fracassado dos últimos dois anos, e em tempos ovacionado de pé pelos experts cá do burgo palonço de onde irradia para o País provinciano toda a luz e energia comunicativa, passou despercebido.

Em tempos, um cabotino director de pasquim desportivo que em 10 anos de gestão ruinosa mas celebrada na despedida passou de vencer 92 mil, à sua entrada, para exactamente metade (46 mil) à sua saída em Julho último, dedicou uns belos pares de parvoíces do alto da sua excelsa estupidez. Quando o Benfica ganhou 2-0 no Dragão, para o pascácio dos pasquins o Koeman era melhor do que o Adriaanse e o Benfica contratara melhor do que o FC Porto. É certo que o Porto, ao fim de muitos anos, voltou a perder os dois jogos do campeonato com o Benfica (1-0 na Luz), mas no fim a dobradinha ficou com o FC Porto e até se iniciou mais um Tetra.
 
Ora, de quem falamos agora mas a nossa (des)atenta e sempre veneranda, até para calar desgraças, "Imprensa da especialidade", encobriu ou não percebeu?
 
Ronald Koeman, há um ano, repôs o Feyenoord na Europa, com um 2º lugar atrás do Ajax. Pois perdeu o acesso da Champions com o Dínamo de Kiev na 3ª pré-eliminatória (mesmo com um bom 2-1 na Ucrânia, perdendo de novo em casa, 1-0) e no play-off da Liga Europa também não venceu o Sparta de Praga (2-2 e 0-2).
 
Pois agora, com 2-1 trazido da Rússia nos confins dos Urais, também perder 2-1 em casa com o Kuban Krasnodar,  esse para onde foi o Melgarejo e estreante na Europa. Não há dúvida, o treinador Koeman tornou-se um astro desde que defrontou o Lille, em Paris, sem avançados, deixando no banco um portanto como Mantorras, para precisar de apenas ganhar ao Man. United em casa, o que conseguiu com um bambúrrio como sempre foi a sua trajectória como treinador do Benfica... que nada ganhou.

Entretanto, para leitores e adeptos estúpidos como convém, mais uma tirada messiânica como se fosse novidade e fosse o Messias o autor. Não é, a ideia está apresentada há muito e não foi do original Jesus por cá celebrado. De resto, como explicado no 1º parágrafo, não há como "valorizar" mais a Liga Europa que não é mesmo o caixote do lixo que apregoam, mas um subsector de privilégios a contar de um determinado nível. Mais valia, sim, pegar na objecção que AVB levantou ainda no tempo do FC Porto e participando na Liga Europa: é imoral que se repesquem equipas da Champions, seja quem for. Lá tivemos as meias-finais da época passada com equipas que sobraram, numa fase ou noutra, da Champions. A isto, claro, mentes carbonizadas como a de Jesus nada diz...

É uma ideia peregrina, quando nem o próprio campeão mundial, de selecções ou de clubes, é já automaticamente apurado para a edição seguinte da própria prova que ganhou. Uma estupidez que diz bem de quem, já nem sendo original, a admite como possível.

Dantes, na Taça UEFA que tinha os potentados dos grandes países e amiúde era mais difícil do que a Taça dos Campeões onde só entravam mesmo os campeões nacionais, o vencedor da Taça UEFA nem direito a disputar a Supertaça tinha, reservado para o vencedor da Taça das Taças a prova sempre mais fraca. Agora, mesmo com menos dinheiro mas muitos benefícios desportivos até com reflexo no ranking, pelos bónus abastados acumulados, era promover mais a chico-espertice.

O Benfica ou o Sporting deixam de ter hipóteses no campeonato, apostam tudo na Liga Europa porque a Champions já não dá, podem acabar em 7º lugar outra vez mas se ganharem a Liga Europa já poderiam ir à Champions? Vai lá vai, até a barraca abana com a trepidação dos ignaros. Há gente que acardita em tudo. Até no D. Sebastião...

Quanto ao fecho do mercado, parece que a concordância geral é mais consensual e legítima.

06 setembro 2013

Do fecho do mercado mas não das "matracas" falantes (3)

Foram celebrados, e o primeiro muito bonito, os golos de Postiga ao Barça. Enfim, o primeiro, de pontapé de moinho, foi de engate mas contou com a passividade de Piqué. O segundo, enfim, não se admite sofrer a defesa alguma, mas de novo Piqué ficou a vê-la passar. Os experts comentaram a espectacularidade do primeiro golo e a efectividade do segundo golo. Mas eu vi ali algo mais. O que não se viu, nem comentou, porque não interessa e porque alguém faz com que não se saiba, é que entre o 3-1 e o 3-2, sobre o intervalo, foi anulado mal um golo a Neymar e o tempo excessivo de descontos do árbitro Teixeira Vitienes permitiu o encurtar do marcador para o Valência.
 
Postiga ganhou ânimo para a Selecção, onde costuma facturar bem e dar crédito aos seus remates imprevistos e até golos portentosos, mesmo que não o aprecie grandemente.
 
Já Piqué, como aqui frisei na débacle do Barça na Champions este ano, indica dois sinais: i) que está desligado do futebol do Barça e não é solução defensiva; e que sem o Barça contratar centrais, os problemas defensivos serão tremendos e a dupla «abanderada» Piqué-Puyol, com marca da casa, definitivamente ficou enterrada pelos piores motivos e com os maiores receios para o futuro, pelo menos esta época.
 
Postiga ganhou elã, Piqué está definitivamente no sofá. Repito, aqui a questão é que o Barça não precaveu a defesa. Zubizarreta diz que o "reforço é Pyuol... Um dia, Pinto da Costa disse algo sobre Emídio Rafael ou outro zé-ninguém... Entretanto, só faltava esta, o "espanador" David Luiz veio dizer, adivinhem, acertaram, que "recusei o Barcelona". Há coincidências Mouito curiosas e uma certa cartilha aprendida entre tugas...

E Valdés, como Fernando no Porto, está em fim de contrato. Coisas igualmente estranhas do mercado. Como um tal Janko assinar pelo... Man.United! ou um Varela no Steaua.

Off-topic mas chafurdando na pocilga diária:
depois deste elevado episódio de "deixam falar sem contraditório o nosso Grande Líder que veneramos pela sua luz intensa e firme comando da tropa xuxa" em que, mais uma vez, o PS põe e dispõe, até acusa, intimida e limita a liberdade editorial se a pudesse haver na RTP, a agenda de um órgão de Informação, tão habituado está a que as instituições do REGIME estejam sob seu controlo...;
não há dúvida que todo o cão e gato caga e mija na RTP que alguns, só alguns, ainda acham ser serviço público e não, credo!, não esá ao sabor das correntes ideólogópinativas...

05 setembro 2013

De fecho do mercado mas não das "matracas" falantes (2)

Enquanto o mercado ia fechar, com mais imponderáveis nas transacções, à luz de compêndios económicos polémicos, do que imprevistos nas transições, já estudadas, dos compêndios de táctica, não se evitavam as "matracas" entretanto reluzentes num novo programa da bola indígena do futebol falado.
 
Mesmo em cima do fecho, acabámos a saber que o Benfica contratara um lateral e, depois, que seria já para substituir o lateral que contratara antes. A senda, já lenda, continua e assim será se, chegados ao fim, não tiverem êxitos para glosar, optando por vituperar os alheios à sombra dos seus "quase-títulos" e glorigozos anos de (quase) "ganhar tudo". Lá voltaremos, como a discutir a "prevenção" dos incêndios há anos de cada vez que arde que queima, a ouvir a pergunta sobre quando há um lateral-direito a sério no Benfica e outro na esquerda... Siquiera venha este último a não valer.
 
Estamos nisto há anos com o Maxi sempre impune alegremente, como se tudo isto fosse "normal". Li, entretanto, do Jorge Maia que eles já vão no 15º lateral-esquerdo, tal a especificidade da função a par do inêxito da solução ano a ano procurada. E que, ainda em O Jogo, estão para aí 34ME a voar em compras para a bancada ou a emprestar, dos celebrados Lisandro Lopez (vá lá, não confundiram as fotos...) a sérvios aos magotes mas nem todos da mesma cepa. Um êxito a somar aos que contabilizam nas vendas e atribuem o crédito a Jesus, esquecendo os "queimados" pelo caminho de terra batida que é a esteira encarnada endeusada nos "mé(r)dia" nacionais. Por falar em "queimados", quantos já não fizeram o papel de Cortez agora riscado e revelado na Lista para a Champions? Ou o Funes Mori que até era pretendido por Jesus há mais tempo do que se falava em Siqueira? Por cada venda choruda celebrada, quantos não ficaram pelo caminho, como Deus Jesus fez e as contas que ninguém fez?

Como? Contrariar o rumo dos acontecimentos? Avaliar as coisas pelo devido valor, e não pelo preço, muito menos as proezas de "roubar" daqui ou "desviar" dali, como só sabem fazer os Nunos de cagadela de Pombo? Não, importa é dar graxa ao cágado, não questionar contratações ou mesmo, como sucedia no passado e foi até marca de Record, chegar a inviabilizá-las! Fosse para negar saídas para Inglaterra que a Inglaterra nunca permitiria (como Fernando); ou falar de problemas físicos ou técnicos dos jogadores que alguns presidentes, com  essas informações, depois recambiavam. Nã, os experts agora falam de uma sonante contratação por empréstimo, de resto pendente do interesse do Real Madrid (face à saída de Coentrão para Old Trafford), enquanto um contratado efectivo acaba de ser deixado à margem, não sem que, em devido tempo, tivesse os favores das parangonas.
 
Para seguir a cronologia, precisamente, ouvia no novo programa (TVI24, domingo à noite, meramente por acaso e para não mais repetir) e do inefável Palmarés, falarem do mercado do Real Madrid, por causa de Bale e se "Bale" os 100ME. O Palmarés celebrado desde os tempos de assessor de Vale Tudo, alvitra ser um contra-senso, falta-lhes alguém para aqui, para ali e para acolá. Mas como em quatro anos de Benfica Jesus não acertou com laterais, à parte Coentrão mas cedo vendido, e não tem pecado em todas as outras contratações falhadas, algumas a dobrar como Cortez-Siqyeira, parece que Mourinho "não teve culpa" do desfalque madridista em posições tidas, segundo o assessor nas horas muito vagamente dedicadas ao "profile" do melhor treinador do mundo", como fulcrais, nomeadamente o lateral-direito (Arbeloa foi transformado num instrumento de extermínio selectivo de adversários claramente identificados) e até, imagine-se, um "9", como se também não fosse Mourinho a: i) ir buscar Benzema, afinal é um tosco; ii) "esgotar" Higuaín que, de tão farto, queria sair de Madrid (e já está no Nápoles).
 
Ou seja, mais uma vez, é como se o PS não tivesse tido tempo e sido Governo; uma e outra vez; de resto, para o PS há sempre uma terceira vez, terceira via ou terceiro líder, porque o PS, como o Benfica - afinal O REGIME - tem os favores todos da veneranda e subserviente Comunicação Partidária ParaSocial (mas lá está a queixar-se outra vez...); ou os da RTP negarem-se a ver os números que nos custam um milhão de euros diários...; ou Mourinho não ter contratado quem quis, até um cozinheiro, além de conseguir despachar Valdano e impor fulano no Real Madrid; ou Jesus ser só credor nas vendas e não responsável também da área de custos, incluindo o dos seus inefáveis milagres da... subtracção, resguardada a excelente conta bancária.
De resto, também ontem, O Jogo trazia uma boa edição, abordando profusamente a questão do lateral-esquerdo do Benfica, quer no noticiário do clube - em que não se dispensou, tudo somado, a concluir que Jesus "não pode falhar" com mais do que um módico de análise como deve ser mas é raríssimo -, quer nos escritos pessoais de Jorge Maia e João Sanches. Há anos que não me demorava tanto a ler um jornal, com muitos pontos de interesse, incluindo o futebol do Cazaquistão, por Hugo Sousa nas centrais e precisamente o fecho do mercado num balanço do André Viana que é incomum em Portugal. E uma reveladora entrevista de Tiago Ilori sobre os procedimentos do Sporting, mais uns que escapam à atenção do paroquialismo capitolino da Imprensa local regional, não sujeitos ao estilo do Costa do Castelo de "dessincronizo-lhe a tromba completamente"...
Parabéns, pois, a O Jogo que me agarrou nessa edição de ontem como há muito não julgava ser possível no panorama me(r)diático tuga.

04 setembro 2013

Do fecho do mercado mas não das "matracas" falantes (1)

Fernando ficou e se o rumor do Everton serviu, em dia de fecho de mercado, foi para enfatizar: i) que não saía por questão regulamentar; ii) que ainda há gente a acarditar em tudo o que lê, desconhecendo questões regulamentares (inglesas, por causa do tracking record de jogadores
internacionais que Fernando não é). Mas  deste tema os experts não trataram, passa-lhes ao lado.
 
Ora, podiam ter sido 14ME, ou 1,4 como 140ME. Não dava. Mas dará, mesmo que ajude ao desejado Tetra, pano para mangas, acabando de uma forma ou de outra por ser vituperado pelos fanáticos portistas. Não será, nem precisa, um novo Paulo Assunção, que sobrelevou muito bem na função, mas não faltam motivos para destratar o Polvo.
 
Mantendo-se, obviamente, a titular, vamos continuar às voltas com o "espaço" próprio do Polvo, ganho por mérito próprio e indiscutível benefício colectivo nestes seis anos de trabalho em que cedo o considerei mais apto para a função; o duplo pivot, com Defour ou outro, será difícil de assegurar.
 
Ganhando o campeonato, sairá a custo zero e muitos dirão que "não facilitou" em nada para o clube ganhar algum...
 
Perdendo o campeonato, para longe vá o agoiro, saindo a custo zero, será um filho da puta porque "não facilitou" em nada para o clube ganhar algum.
 
Andamos nisto há uns tempos para prevermos que, muito dificilmente, Fernando renovará, se não o fez até agora. Se ganhar o campeonato, sentir-se-á ainda mais valorizado e imporá condições mais exigentes que o FC Porto até à data não aceitou. Se perder o campeonato, o FC Porto não terá razões para prosseguir uma eventual tentativa de renovar e o próprio valor de Fernando decairá. Vai durar um ano este "amor" confesso mas previsto terminar com hora e data marcada.

São as leis do mercado, aqui também opondo oferta à procura e cotação em alta com cotação em baixa. Certo é que a muitos adeptos e blogueiros isso não contará no dia de acertar contas.
 
Parece que Paulo Fonseca tem os 24 pretendidos mas ainda aguardava que o Izmaylov - a despeito de ainda se dizer que alguém esperava a contratação de um extremo... - fosse para longe, à sua Rússia natal, porque não tem mentalidade de Dragão e já se viu que há alternativas, decerto mais baratas, para o lugar, além de com mentalidade certa e à Dragão. A casa arrumada? Não acho.
 
Vamos ter os mesmos problemas na entrega da lista para a Champions  - já feita, mesmo a despeito de imponderáveis dos mercados ainda em aberto e com a novidade da ausência de Kelvin e de Carlos Eduardo em favor de Izmaylov, sendo expectável que o turco Bolat não a integrasse) - por causa de falta de portugueses e perda de outros benefícios regulamentares em alíneas que nos últimos anos têm tirado razões de contentamento com o tal mercado... onde conseguimos, este Verão, ir buscar um turco para 3º g.r. e repetir uma asneira com o polaco Kiesczek..
 
Mas, prontos, enquanto temos estes sem afectar os já habituais titulares e alternativas a que PF tem deitado mão com sapiência, lá temos os que há um ano eram um saco de problemas: eufóricos por um clube da elite europeia, Álvaro Pereira e Guarin, que felizmente não foram exemplos a seguir por Fernando, sempre continuam no Inter, mas não têm acesso à Europa. Prevejo que devem estar satisfeitos e contentes por estarem felizes...

03 setembro 2013

O Jornalismo morreu

Venho de assistir ao funeral de um amigo de velhas lides, o que me retira a vontade de falar de mercado, ainda que o mesmo paire, sempre, sobre as nossas cabeças, nalguns mesmo bem abaixo dos pés quando se trata de falar de bola.
 
A vontade já era pouca ao saber do falecimento, domingo à noite, notícia tão obtida ao acaso como a notícia" que, depois de ver os resumos do futebol cá da terrinha, desligando os impróprios e os impropérios comentários, ouvi a abrir o telejornal da TVI24 de suas excelências ex-RTP o Carvalho e a de Sousa como par do reino das famosas entrevistas reverenciais ao Sócrates. Pudera, qualquer licenciatura em causa seria sempre discutível e altamente, pelo que sempre foi melhor moderar os ímpetos e não atirar pedras ao telhado doutrem...

 
O rapazito da TVI24, depois de aparecer na pantalha a olhar para os pés onde devia ter o texto que leria no teleponto escrito sabe-se lá por quem, disse assim:
 
"Começamos com a notícia do dia: a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa...", remetendo para o solilóquio do de Sousa com a de Sousa talvez uma hora antes. Os sublinhados são meus...
 
Ah, e tinha passado fugazmente, apenas com o tempo de identificar os protagonistas decerto escolhidos a dedo, tanto que um ou outro não conheço mas pelos tiques de comediante deve ser invariavelmente dos programas lisboetas de entretenimento avulso, por uma coisa do Martins, outra abencerragem parece que formado, como o Carvalho e a de Sousa, no Monte dito da Virgem. Pois não só anda por lá o ex-assessor do Sporting depois de ex-jornalista da RR, como ao António dos relatórios (Bo)Ronha juntaram o inefável Palmarés, mais ou menos assessor do Mourinho que ainda (en)canta. Mas isso remete para o mercado mesmo, que o das notícias já fechou arrasado por mais uma rodada de APCT para celebrar os amigos...

01 setembro 2013

Goleada perdida a jogar mal, imaginem quando for bem

Admito que o calor tenha influenciado e um Paços mais ultradefensivo do que o costume - nunca gosto de jogos com equipas dirigidas por ex-portistas - aproveitou-se da canícula, do relvado "estranho" mas nem por isso mau e disfarçou o seu cansaço europeu a que terá de se habituar até Dezembro e dar mais à perna para ganhar jogos cá, apostando no ataque.

 
Mas o jogo pastoso e sem velocidade do FC Porto teve a ver com tudo isso mas, acima de tudo, com falta de eficácia. Pode pensar-se que, se o Degra não teve um bruá com defesas difíceis, o FC Porto não criou ocasiões, mesmo lento e previsível mas, ainda assim, pressionante e mantendo-se quase sempre no terreno contrário. E enquanto elas não entram, os outros aguentam. Perdeu-se uma goleada mesmo jogando mal, ou fraquinho, imaginem quando a equipa (voltar a) jogar bem...
 
Não sei se o fecho do mercado descansará Jackson, que ainda não pareceu com a cabeça no sítio. Um mercado a fechar que também fez Fernando fazer o seu PIOR JOGO DE SEMPRE no FC Porto? Com Fernando assim mal, Maicon sem ritmo e confiança mais aflito que aliviado e um Fucile a jogar a caroços de azeitonas como era seu timbre nos últimos tempos (entrou por Danilo lesionado), a defesa viveu sobressaltos porque quis e o ataque só melhorou com as entradas de Quintero e, especialmente, Ricardo. Gostei muito do puto que veio de Guimarães e de nos dar, no Jamor, uma imensa alegria em Maio.
 
Tanto assim que, é verdade, o Porto pode "não oferecer" Izmaylov ao Vitória SC, mas dá-lo mesmo. Espero que seja essa a boa nova de amanhã, a fechar o mercado. Aliás, a mentalidade fechada e tacanha do russo, que se percebeu em duas expulsões estúpidas na parte final da época passada, fez-me vaticinar, à segunda (não foi uma expulsão mesmo, mas um amarelo salvo erro com o Marítimo que o afastava do jogo seguinte), que não prestava e podia ser despachado. Maçãs podres, não! Até porque Ricardo é fruta boa e aproveitável quando muitos vaticinaram a sua saída, tal como a de Licá ou mesmo de Josué. Não sei, para já estes é que caíram no goto, Izmaylov pode ir no esgoto.
 
Do jogo, ainda, fica a sensação esquisita de parecer que a equipa anda a passo mas que o adversário obriga a ser paciência para tirá-lo da toca... Ora, foi a abrir o jogo nos flancos, com Quintero a romper para o meio e Ricardo a dar profundidade na direita, com Licá mais agarrado à esquerda, que se criaram as melhores oportunidades na 2ª parte, quando se justificou a vitória sem rebuços. Mas depois da pontaria para canto de Jackson, mesmo vendo-o marcar de canto porque, parece, a bola bateu-lhe na cabeça, com Lucho a falhar as redes a três metros, tiro ao boneco exasperante, dá sempre a sensação de que foi assim mau. Foi, podíamos ter goleado e quando todos estiverem bem só pode ser melhor.
 
A defesa ainda treme, com Fernando incerto, não sei se é do sistema ainda que continue a ver Defour mais como ala esquerdo do que no duplo pivot ao meio. E se o ataque não concretiza fica a tal ideia de que foi mau. Foi, repita-se, mas não se ganhou por acaso ou com golo caído do céu. Mesmo que também pareça acidental o golo de Jackson, como acidentes foram todas as inúmeras ocasiões falhadas; não forjadas ou oferecidas (tipo Maicon...), mas construídas e goradas, veja-se Jackson, isolado, a fechar o jogo. Custa acreditar mas a liderança é justa, é um feito e é um facto intocável. Imaginem se fossem outros com 9 pontos e um goleador a marcar em todos os jogos...
 
Como não é com outros, amanhãs os pasquins de Lisboa vão dar vivas ao 2º classificado e anunciar mais uma contratação mirabolante com loas a repartir pela Segunda Circular. Honra seja feita, vi na tv que, por iniciativa própria, homenagearam quem combate fogos com risco de vida. Para mim, isso ainda foi melhor do que o empate.