10 novembro 2013

Até parece fácil quando treinador e equipa deixam-se de devaneios inconsequentes

Recapitulando do jogo da Rússia aí em baixo:
 
"Já os centrais, devem ser terminantemente proibidos de iniciarem jogo. Devem fechar os olhos e chutar prà frente (...) Tem duas vantagens: não se espera que dos centrais saia um passe em condições, pois Otamendi e Mangala não acertam um; e os centrais deixam de ser pressionados como têm sido e como têm sido desarmados.
A peregrina ideia de esperar jogo dos centrais, para mais sem se esperar que os adversários os deixem à vontade, resulta em que o meio-campo adianta-se, o ataque põe-se ainda mais longe e, invariavelmente, como a bola se perde atrás e a equipa está balanceada para a frente, o adversário cria perigo sem querer, recebendo as prendas dos centrais portistas"-
 
O FC Porto começou por fazer isto em Guimarães: logo de início não se viu jogo dos centrais para o qual a equipa devia esperar. Os médios, Fernando e Defour, não avançaram para deixarem o vazio entre eles e os centrais. Estes, sem cerimónias, não tiveram a bola tempo suficiente para serem pressionados e não perderam bolas estúpidas para criarem ocasiões de golo do adversário. A bola saiu mais redonda dos médios para a frente, o que fez a equipa, menos esticada para diante, parecer mais coesa, ocupar os espaços devidamente e não deixar uma imensidão entre linhas e entre jogadores da mesma linha, especialmente pelo meio. A catadupa de ocasiões foi natural e o resultado também. Estive sempre tranquilo desta vez.
 
Até Fernando teve possibilidade de desmarcar-se na direita e receber um passe de Lucho, mirar a área e a baliza e chutar intencionalmente para um golo brilhante.
 
A pressão foi mais efectiva, com a equipa mais agrupada, menos distendida ainda que sem perder a noção da área adversária. Foi mais o Porto coeso, determinado e sem falhas, da época passada, sem perdoar devaneios do adversário em vez de criá-los a favor dele. O 2-0 surgiu quando podiam estar quatro, Mangala merecia melhor na bicicleta, Jackson teve mais jogo e mais remates perigosos nesta partida do que no total das quatro partidas em que não marcou porque raramente teve jogo.
 
Digam lá se a equipa fazia algo parecido com isto e se, fazendo-o assim de forma contundente, pode dar hipóteses como tem dado, lamentavelmente.
 
O jogo "acabou" ao intervalo, mas podia ter "acabado" com 5-0 ou 6-0. Paulo Fonseca pode glorificar a 1ª parte e devia pôr o vídeo para os jogadores verem o que fizeram tão bem, tal como deviam ver ou ter visto a porcaria que acumulavam para resultados idiotas e jogos de incompetência pura e simples.
 
Já Rui Vitória, que não se sabe se o considerar injusta a vitória do Porto significaria mesmo o apuramento do Guimarães quiçá por 5-0 ou 6-0 sem criar uma única oportunidade de golo, deve glorificar os seus para ver se melhoram o nível.
 
Vi, quis ver, o jogo com o Bétis e os putos sevilhanos deram um banho de futebol aos minhotos na 5ª feira. Hoje, vi depois o resumo após o jogo da Taça em Guimarães, o Bétis bateu-se galhardamente e criou quatro ou cinco oportunidades de golo mas perder com o Barça 1-4 em casa, marcando de penálti no último minuto de descontos. Os resultados enganam mesmo, o futebol é que não pode ter segredos como se tivesse de rejeitar a simplicidade e a essência do jogo: jogar bem, criar jogo, forjar ocasiões de golo e ganhar ou fazer por isso.
 
O FC Porto fez um jogo muito competente e contundente, pena a interrupção da Liga porque era bom ver se isto tinha logo continuidade. Não sei se Paulo Fonseca se "zangou" mesmo com os jogadores, mas agora não se viram desplantes defensivos de arrepiar os cabelos. E o jogo saiu fluído com naturalidade. Assim, quem quer saber do sistema ou do modelo de jogo quando está interiorizado nos jogadores o mecanismo e a competência de fazer bem?
 
Paulo Fonseca terá acabado com os seus devaneios para a equipa enterrar também os seus desplantes e deixar de ser idiota? Dia 23, com o Nacional, é a prova essencial.

09 novembro 2013

Sobrou "nobreza de carácter" mas ele volta à Luz prà semana

Ricardo já tem sucessor medroso de Ilusão...
O Bruto do Carvalho vai pôr o visconde de Alvalade, cheio de pose, em vez do Marquês na estátua do Pombal e, desbocado, chamará Patrício à PQP.
O cão municado do Sporting evocará outro artifício qualquer feito com "profissionalismo" nas claques alheias que as do Sporting são casuais se surgirem sem "spotters" nas bancadas...
A Bolha não vai pedir penálti por~mão flagrante de André Almeida...
O Rascord acusará os Superdragões de um very.light sobre Rui Patrício...
O Jogo não beliscará o g.r. da Selecção para não ferir susceptibilidades nem prejudicar um eventual negócio de Jorge Mendes...
Duarte Gomes dirá que nada, na mão de André Almeida, se pareceu com os 3 penáltis que inventou frente ao V. Guimarães por supostas mãos dos vitorianos há duas épocas na Luz...
Jesus voltou a ver uma boa arbitragem....
Jardim diz que o árbitro influenciou mas o frango de Patrício não...
Mourinho não perde em casa pelo Chelsea na Liga inglesa pela 1ª vez mas diz que o árbitro que lhe deu um penálti aos 94' é que favoreceu o West Brom...
Entretanto, os tugas, os parvos e o Cristiano Ronaldo julgam que os votos para a Bola de Ouro já não foram entregues (é sempre em Outubro, já no ano passado disse isso) e nada do que se fizer agora terá influência, enquanto o Blatter alarga de três para cinco o número de finalistas, incluindo o Ibrahimovic só para moralizar a Suécia e suscitar mais uma algaraviada da Tugalândia idiota, enquanto se continua a não ver que só Ribéry merece o troféu de melhor de 2013 mesmo que só até Outubro.

07 novembro 2013

Os números não traduzem o que é o futebol

 
Vejam-se as diferenças de tratamento informativo sobre o desemprego, o PIB ou outra equação racional qualquer, a cargo de "defensores" e "detractores". Quando o desemprego subia meses e meses, anos até, era o descalabro para os "detractores", indiferentes às causas estruturais e ao declínio já de há muito assinalado e que só podia, inexoravelmente, conduzir ao agravamento da situação. Idem com o PIB, idem com a dívida, idem com o défice.
 
O tratamento que o Littbarski ali deu no 4x4x2 é desastrado. Os números são iguais, mas a realidade que lhes subjaz é diferente. Paulo Fonseca tem os mesmos números de Vítor Pereira por esta altura na sua primeira época. Já se tinha percebido, para quem segue estas coisas de cor e salteado. Mas a herança de cada um foi bem diversa, VP herdou uma equipa que ganhara tudo mas perdera Falcao e estava na iminência, como sucedeu, de perder vários jogadores muito influentes, pelo descontentamento militante que levou à sua saída em Janeiro de 2012. Paulo Fonseca descaracterizou o futebol portista, desorganizou a equipa com rotinas estranhas, desarranjou tudo em nome de tudo se encaixar na sua forma de "jogar".
 
Pode-se usar os números para comparar e igualar proezas, sem dúvida, mas não se extrai dali mais nada, nem qualidade de jogo nem sequer melhores expectativas para o futuro, a perspectiva de as coisas serem cada vez melhores e prometerem títulos e conquistas, nem que sejam apenas conquistar o coração dos adeptos.
 
Esta conclusão pode ser fria nos número mas esconde as dificuldades sentidas pelos dois treinadores. E Paulo Fonseca tem sentido dificuldades mais por culpa própria do que por culpa dos jogadores. Até agora só teve o problema de Fucile se revelar, o que para VP sucedeu mais tarde mas em catadupa, com Beluschi, Guarín, Álvaro Pereira.
 
Uma pessoa honesta até poderia dizer que, nesta altura, VP nem sequer tinha ganho ao Sporting na sua primeira época, coisa que PF já fez. Mas Jackson, na sua estreia na Europa ainda que fosse a 2ª época de VP mesmo que já sem Hulk, era o rei dos golos e hoje não vê jogo algum à sua frente para poder marcar.
 
Vítor Pereira, o desastrado bicampeão, a quem poupei na eliminação da Taça em Coimbra e culpei pela eliminação da Taça em Braga na época seguinte, até foi o nabo que por duas vezes em vantagem em casa se deixou empatar com o Benfica. Paulo Fonseca por duas vezes em vantagem deixou-se empatar com o Estoril e infamemente prejudicado o FC Porto por uma arbitragem inqualificável.
 
Mas com Vítor Pereira assentava uma ideia de jogo hoje inexistente, mesmo na turbulência do balneário dos amotinados (sem culpa do treinador). Hoje não há ideia de jogo e não há jogos bem conseguidos, tirando os três primeiros da época.
 
Como é que o FC Porto começou bem a época e depois passou a arrastar os pés? Os mal intencionados podem culpar Vítor Pereira pela herança de um futebol equilibrado e objectivo, massacrante na posse e desarmante a retirar ao adversário hipóteses de atacar.
 
Por mim, que vejo os números mas interpreto-os com a realidade e onde os resultados não influenciam, quantitativamente, a análise qualitativa ao futebol praticado e à confiança induzida pela segurança posta em campo, continuo mais à vontade do que o Littbarski para ver o jogo e temer pelo pior.
 
Desde o início da época apontei os problemas que Paulo Fonseca iria trazer com o 4x2x3x1 que eu raramente vi em campo e que agora alguns vão interpretando como um 4x3x3 envergonhado por não termos os extremos necessários e as escolhas serem pouco partilhadas quanto aos recursos utilizados. E sucessivamente elenquei os problemas que os jogos vinham a colocar: em Viena, apesar da vitória, antevi que o FC Porto assim não chegaria mais longe do que a Liga Europa; e no Estoril, passando por cima dos erros de arbitragem, percebi que não temos treinador, o que se vem verificando em cada jogo pela sua inabilidade no banco, a inacção a antecipar os problemas dos jogos e a péssima capacidade de transmitir confiança e força nas conferências de Imprensa - algo que muito se criticava a VP mas quem o fazia tinha o contraponto da excelência, imbatível, de AVB, com quem era pesado fazer comparação. É pena que não se entretenham a verificar os "dieres" de PF e de VP.
 
Portanto, para mim os números dizem pouco e escondem muito. Já falar quando se ganha apontando o que está mal tem sido difícil, para o Littbarski e para a bluegosfera em geral.
 
Por mim, continuo à espera de, no final da época, poder felicitar Paulo Fonseca se conquistar o título. Mesmo que, ao contrário dos últimos anos, agora eu tema que perderemos fácil com o Benfica e que não acabaremos o campeonato sem derrotas. Não tenho confiança no treinador e não vejo melhorias na equipa, bem pelo contrário. Mas tudo isto vai além da capacidade analítica que não é, necessariamente, algo que se traduza dos números em si. Perspicácia e perspectiva são coisas em falta a Paulo Fonseca e contagiam quem lhe queira fazer a corte. Só espero que tenha sorte e comece já em Guimarães.
 
Creio estarmos na fase do "like" ou "dislike", como já disse, própria do Facebook, a que aliás não adiro. Nos últimos anos havia quem não gostasse do futebol do Barcelona, aliás seguido no Dragão com AVB e VP. O futebol passou a ser, lamentavelmente, uma questão de gosto, discutível por natureza, tal como uma cor, um vinho ou uma fatiota. Os que assim pensam extraem dele o mínimo.
 
Ainda agora, o excelente Jurgen Klopp disse desgostar do futebol do Barça, aludindo a que preferiria seguir o ténis se em miúdo tivesse sido influenciado a ver futebol como o do Barça. Pois eu em miúdo vi futebol muito diverso do de hoje, cresci com o Ajax do "total voetbal" de Cruijff, apreciei o contra-ataque do Liverpool, depois a máquina milanesa de Sacchi e o consecutivo delírio do Milan de Capello, a emergência do Real Madrid da Quinta del Buitre apesar de não ser campeão europeu, e o jogo estereotipado de várias equipas já este século. Até à soberba incomparável do Barcelona de Guardiola, a mais majestática de todas as grandes equipas da história do futebol que me foi dado ver em 40 anos.
 
Pois ainda ontem vi o Barça ao nível do seu melhor tempo recente, ainda que visse o Real Madrid mais forte e convicto no recente clássico em que achei injusta a sua derrota. E Klopp para já segue em 3º lugar no seu grupo da Champions. Os gostos não se discutem, repito, mas os números também não dão as emoções, as evoluções e as transformações do futebol.

06 novembro 2013

Com defesa "à Ramaldense" tínhamos ganho dois jogos

Jackson continua sem jogo assinalável, mas o FC Porto teve atitude forte e de conquista para poder ganhar onde raros o fizeram. Porém, fica o empate que compromete e um empate que, como no Restelo, resultou da paragem cerebral e "cerimonial" da defesa que continua uma nódoa de erros incríveis e inadmissíveis a este nível. Tivesse ali uma defesa, como se diz na gíria portuense, "à Ramaldense", de pontapé para o quintal se fosse preciso, e nem Belenenses nem Zenit teriam marcado golos. Para piorar, o FC Porto voltou a marcar primeiro e dos defesas só Danilo, ao invés do ano passado, se destaca pela positiva: um belo cruzamento para Lucho cabecear bem.
 
Sem jogar "à Ramaldense", Otamendi primeiro entregou uma bola estupidamente e depois deu o braço para penálti: felizmente, Hulk falhou, depois de ter aproveitado a parcimónia de Alex Sandro, esta época claramente ao nível do pior Danilo da época finda.
 
Parece, quanto aos laterais, que ambos atacam em simultâneo, o que abre brechas no sector recuado. Assim só na incrível derrota caseira com o Artmedia, quando toda a gente subia alegremente e de 2-0 passámos a 2-3.
 
Já os centrais, devem ser terminantemente proibidos de iniciarem jogo. Devem fechar os olhos e chutar prà frente, como Luisão por exemplo. Tem duas vantagens: não se espera que dos centrais saia um passe em condições, pois Otamendi e Mangala não acertam um; e os centrais deixam de ser pressionados como têm sido e como têm sido desarmados.
 
A peregrina ideia de esperar jogo dos centrais, para mais sem se esperar que os adversários os deixem à vontade, resulta em que o meio-campo adianta-se, o ataque põe-se ainda mais longe e, invariavelmente, como a bola se perde atrás e a equipa está balanceada para a frente, o adversário cria perigo sem querer, recebendo as prendas dos centrais portistas.
 
Com chutão prà frente nadqa disto acontecia. Assim, a Champions é uma miragem e esta equipa é só para consumo interno - se deixar de dar baldas a Belenenses e Cª. Na Europa fica a imagem "calamitosa" como ouvi o comentador da SkySports4 dizer.

E quando se esperava que o FC Porto pudesse aproveitar a última jornada com um Atl. Madrid já apurado e menos pressionado, pois os já qualificados colchoneros vão agora ao Petrovsky precisamente sem necessidade de ganhar e podendo não complicar a vida aos russos. Tal como o Benfica, o FC Porto pôs-se a jeito.

Mas a Liga Europa vai ser uma animação, a SIC assim o espera enquanto vai despachando os jogos das 6 da tarde que não lhe desarranjam o vergonhoso Telejornal da incompetência e falta de isenção à noite.

Foi mesmo: Roberto voltou a enterrar o Benfica


Resta saber que capa os pasquins arranjam na 5ª feira:
- o Porto ganha e lançam o derby da Taça no sábado
- o Porto empata e o Benfica pensa satisfazer Jesus mais uma vez e trazer Roberto de volta
- o Porto perde e a capa é para falar da tragédia russa para não desanimar as hostes locais.
 
Parece que a Liga Europa vai animar outra vez, a SIC está desesperada, desta vez nem o Sporting, vá lá que aproveita os jogos das 6 da tarde...
 
Achei piada, como o apuramento antecipadamente garantido aquando do sorteio, certos tipos a fazerem contas, como de costume contando com o ovo no cu da galinha: se o Anderlecht vencer em casa o próximo jogo até a Europa está em risco mas, como noutros anos, a febre benfiquista está alta. O Anderlecht tem o incentivo de, ganhando, poder disputar o apuramento na Grécia directamente com o Olympiacos. E estas todas, hein?!...

05 novembro 2013

De mais pobreza

Sempre afirmei por aqui que apreciava e era o Jornal da Noite da SIC que via com gosto. Rodrigo Guedes de Carvalho, para mim, era o melhor pivot e a SIC tinha mais, o Bento Rodrigues ao almoço. Já das mulheres alegadamente jornalistas sempre gostei pouco como profissionais: é estranho que uma moça bonita, aparecida com um belo decote um dia e que surgia no Youtube porque sorria a dar notícias das vitórias do FC Porto, tenha simplesmente desaparecido do ecrã! Quanto ao resto, pavoneiam-se à mesma, sem decotes mas sem graça nem domínio da informação que veiculam, perdendo-se todas em fétiches de moda e similares que tornam os telejornais em magazines femininos.
 
Delicio-me a ouvir as reportagens e os conhecimentos do habitual enviado ao Vaticano, Pedro Franco, que faz boas reportagens de rua e informa bem nos meandros dos tribunais. Acima de tudo, dá gosto, vale a pena e aprende-se com o expert em Economia José Gomes Ferreira. Mas este devia começar por ensinar lá dentro, aos colegas, coisas básicas da Economia que, como as Finanças, tanto nos afligem e de que genericamente somos iletrados. Precisamos de gente que divulgue bem, ensine mais e informe melhor.
 
Ontem cansei-me, fartei-me e decidi não ver mais os telejornais, de informação enviesada quando não idiota e ignorante, da SIC. Semanas a fio a ver soundbytes de deputados na AR, sempre só e apenas os da Oposição. Tou-me a cagar para a opinião repetitiva e rançosa do BE, inexpressivo em representatividade eleitoral. Cansei, fartei-me e cortei: não vejo mais a SIC, já há meses, anos deixei de ver a malévola apresentadora, que não pode ser jornalista, da SICN à noite, Ana Lourenço de seu nome. Enjoa-me ver o director de Informação Francisco José Teixeira sempre agressivo nuns assuntos e lembrando quanto era condescendente aqui há uns dois anos... E aquela malta do Espesso que vulgarizou e apimbalhou o semanário é responsável pela degradação moral e ética do Jornalismo que a SIC fazia e o Expresso era a cara da "alma jornalística" do patrão Balsemão. Os problemas das tv's e a indefinição política-governamental com a RTP causam mesmo dano. O Espesso, hoje, entre tiradas do "FMI já não vem" (Janeiro de 2011) ao FMI dispensado porque já não precisamos de dinheiro (mais recente, ver figura), é algo como incobadora do estado de arte a que se chegou. Até porque, em contraponto, até nos títulos mais pequenos e mal vendáveis se pode fazer bom jornalismo.

 
Assim se degrada um conteúdo informativo que era de referência. E, de repente, leio o que o BOA, Marinho Pinto, diz da "corrupção informativa". Falta comprovar, mas sem dúvida que não pode haver fumo sem fogo. Vem no JN, assim, a parte final:

 Modernamente, os estados democráticos têm vindo a tipificar como crimes de corrupção condutas idênticas em domínios não especificamente públicos. Um exemplo é a designada corrupção desportiva, que pune os atos daqueles que, em troca de vantagens indevidas, falseiam os resultados das competições desportivas. Não estamos aí numa área da esfera pública, mas sim num domínio onde existem interesses públicos relevantes que reclamam uma proteção reforçada do Estado. Aqui, os valores são a verdade e a lealdade desportivas, que sairão mais protegidas se se prever a punição daqueles que atentem contra elas, nomeadamente dos que têm o dever de as defender, como os árbitros, os atletas, os médicos e os dirigentes desportivos. A melhor forma de proteger bens ou valores de interesse público é criminalizar as condutas que atentem contra eles.

Ora, um dos domínios onde existe um grande interesse público é o da informação nas sociedades democráticas. Não há democracia nem Estado de direito sem uma efetiva liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não existe como um fim em si mesmo, mas antes como um meio para se procurar e publicar a verdade, esta, sim, um bem jurídico, político e social absolutamente necessário à vitalidade da comunidade e ao seu desenvolvimento harmonioso.

Infelizmente, em Portugal, a verdade informativa não teve ainda do Estado a proteção que merece e que já foi dispensada, por exemplo, à verdade desportiva, sendo certo que há indícios chocantes do seu aviltamento (em troca de vantagens ilícitas) por parte de quem tem o dever legal e deontológico de a defender. Torna-se, pois, necessária uma proteção qualificada da verdade jornalística, através da criação do crime de corrupção informativa, ou seja, de uma tipificação criminal dos comportamentos ativos e passivos que atentem contra a verdade jornalística em troca de vantagens indevidas para o jornalista ou para o órgão de informação. Aqueles a quem compete a denúncia pública das condutas delituosas devem, também eles, ser objeto de um escrutínio mais intenso da sociedade e dos órgãos públicos que combatem a criminalidade. Também aqui é preciso alguém que guarde a guarda.


Entretanto, o pobre do Roberto andou a gozar com os pobres dos benfiquistas... E só o pobre do Jesus tem razão :)

04 novembro 2013

A pobreza

Ora, ao ler o que se vai escrevendo, sem levar a sério, na bluegosfera sobre o "momento" portista, o contraponto é evidente. Podemos ler crónicas e apontamentos constructivos, embora raros e muito especificamente seleccionados, sobre a situação do País e o ponto a que isto chegou. Neste aspecto, os culpados são evidentes e os responsáveis passados não são presentemente ignorados.
 
No tocante ao FC Porto, onde muita coisa corria mal até o futebol se tornar pior e intragável com a agravante de não se vislumbrar recuperação, muitos patetas alegres, das vitórias e do efe-erre-á, pretendiam dar "tempo", confiar "na SAD" e esperar por "coisas boas e títulos".
 
Aqueles que acham serem os "títulos" meros procedimentos "administrativos", onde qualquer um "arrisca-se a ser campeão", não escondem o seu desencanto e a insatisfação "apesar do 1º lugar". São os mesmos que confiavam em quem sabia de Comunicação e garantiam estar o clube defendido no Torto Canal que praticamente ninguém defende, salvo uns "Asterixes" que percebem do assunto como de abóboras para enfeites de Halloween e não ingrediente para boa culinária. Ou que, dizendo-se "fiéis" e actualizados quanto às notícias e ao dia-a-dia do (seu) clube, estão a par de tudo e não lhes escapa nada. Recebem recados e transmitem recados como aos jornaleiros que criticam fazerem tal coisa em nome da Informação e isenção deontológicas (ah, mas eles são adeptos e não comungam dos mesmos preceitos, mas criticam os pasquins e adulam, ou amiúde calam a mediocridade, o Torto Canal).
 
Eu normalmente distingo uma exibição de um resultado e perspectivo um percurso de forma analítica e com fé também feito de experiência feita e conhecedora da realidade abrangente. As críticas que hoje já não se escondem e pululam por aí sem restrição alguma, ao contrário do tempo em que, há dois anos, fui o único a defender Vítor Pereira e nunca critiquei a não ser em situações pontuais sem deixar de apontar um dedo ao responsável quando teve de ser (como a AVB pela derrota com o Nacional que hipotecou a Taça da Treta), já as fiz aqui, todas e de forma extensiva mesmo que a cada jogo do dia, e não vejo nada de diferente nos que, atrasados e obviamente mentecaptos, agora resvalam para o bota-abaixismo sem o assumirem porque se o fizessem davam cabo do credo na omnipresente mas não omnipotente Administração. Parte-se de uma generalização, abusiva e desfocada, para uma assumpção de realidade como se, dantes, todos criticassem VP. O que é verdade, os críticos lêem e ouvem os críticos e não outra forma de pensar e ver. Os que gostam de críticas e debates, filosoficamente, ouvem todas as opiniões. Mas por alguma razão os fundamentos da Democracia e a essência do Debate são estranhos à maioria Tuga de irreprimível narcisismo.
 
Mas confesso que já me começa a fazer confusão que no que dantes se via ser um 4x2x3x1 agora digam ser um 4x3x3. Porque custa-me, agora como antes, a perceber a definição precisa do sistema do Preocupações Fonseca, algo que já desde o início da época enumerei aqui. O que reforça, enfim, a indefinição e assustadora visão de vazio que tenho dado conta sem subterfúgios, em nada embandeirando em arco com algumas vitórias que a outros encantam mas não têm substância. À parte o "Porta 19" que escreve muito bem, pouco há que se aproveita, ainda que muitos aproveitem coisas lidas noutros fóruns, como este, em que há muito deixei de poder "aturar" os "sempre no contra" e "sempre contra o que estão a dizer".
 
A pobreza de análise não é apanágio dos pasquins que amiúde se criticam. Ou então sim, é consequência disso e de não saber do que se fala. De resto, numa soberba muito própria fruto do seu autismo que as "vitórias" permitem, a dita bluegosfera é renitente em contraditar expressamente o paleio de alguém mas absolutamente incapaz de respigar objectivamente o que se vai dizendo. A dispersão é tamanha e medonha que não dá para abarcar tudo o que se diz e que já foi dito por outrem. A pobreza é própria de quem se contenta com a sua situação, por muito feliz que se afigure num dado momento. E entorpece a discussão que, em condições normais e num quadro de literacia abrangente, poderia existir.

 
RTP - Não quero deixar de registar um apontamento de sábado de manhã na RTP que acabara de passar o resumo do Académica-Benfica. Vi de relance mas assusto-me com o que vejo, oiço e leio. A moça de serviço, muito bonita e com boa dicção, que já li apreciar futebol e até colecionar cromos da bola, creio que se chama qualquer coisa Sandra Fernandes Pereira, passou a revista dos jornais, como cão em vinha vindimada que é o que fazem todos os locutores de rádio tv a ler o teleponto sem saberem o que dizem e do que falam, e a capa de A Bola era do dia do jogo, falava de um obstáculo difícil e ela leu-a como capa do dia quando já havia o resultado e tudo. É o mesmo de muita bluegosfera que, além de fazer os relatos dos jogos como se fossem jornaleiros e apontassem ao minuto as incidências que todos viram na transmissão televisiva, não percebe nada para além disso e limita-se a copiar os feitos , efeitos e defeitos do periodismo saloio que criticam abundantemente. Ah, como disse, li algures que a moça até já foi entrevistada, neste País qualquer merda é digno de uma entrevista, dala dos seus "feitos" e diz que é tudo muito "trabalho" e "sacrifício". Não admiram greves, protestos, desinformação e má formação. É tudo assim.

03 novembro 2013

Não jogar a ponta de um Porto

Dois pontos deixados pelos anjinhos em Belém e nada a obstar. Começa a ser irritantemente aflitivo ver jogar, ou não jogar, o Porto. A incapacidade de "jogar", a ausência de uma ideia de jogo, a inexistência de um modelo e organização palpável, visível e partilhada pelos jogadores causa erros primários no passe, no corte e na concentração. O resultado é deste tipo e qualquer equipa mexida, de pelo na venta, que corra e salte, estorve e pressione deixa o Porto em frangalhos. Um nojo que se torna difícil reescrever a cada jogo insípido e sem mando. Não dou nada por esta equipa e este treinador, insisto. Ao contrário das últimas épocas, com mais de 100 jogos sem perder - "aquilo" de Barcelos foi um galo com Paixão para ser levado a sério -, agora não arrisco num campeonato sem derrotas. Um adversário que saiba jogar, como na Champions, sem fazer cócegas no ataque ganha fácil ao Porto. Fonseca, sempre no seu ar de principiante sem saber onde caiu (e como caiu), já ficou na história pelas duas derrotas caseiras na Champions. Ficará num qualquer solavanco do campeonato que crie uma derrota, aí ai virar da esquina. Qualquer Arouca, P. Ferreira, Estoril ou Belenenses encrava aquele simulacro de jogo sem tino, sem ordem e sem fio de jogo: o Porto marcou um golo fortuito, lance de bola parada, não criou uma ocasião de golo na 1ª parte e sofreu o empate por mais uma asneira individual que o desatino colectivo não atenua. Um par de remates após o intervalo e bolas para a área sem alguém abrir nos flancos mas despejando a bola de frente para os defesas foi o resumo que não evitou um resultado escabroso e uma exibição de novo sem palavras para descrever.
 
O treinador para mudar a inexpressividade ofensiva da equipa fez uma troca directa (Licá por Ricardo, que ainda fazia coisas com sentido e rompia a defesa azul), depois o jogo directo ao tirar Herrera e meter Ghilas ao lado de Jackson. Só piorou. O Belenenses que já ganhava os duelos directos passou a ter as segundas bolas. O meio-campo desapareceu e Lucho acabou substituído por Carlos Eduardo. Dizer que é desinspiração é empurrar com eufemismo a tragédia colectiva rumo ao abismo. Continuo a não compreender como é que o Porto joga: curto, longo ou torto. Como há tantos médios e abusava-se do jogo largo que muitos "vêem" ofensivo e a bola invariavelmente é jogada para trás. Isto é delapidar o património portista, mas alguns pategos julgam ser crise de transição de treinador como se um novo tenha carta de alforria para subverter o, estilo "natural" e que até se julgava "imposto" pela administração. Isto só pode acabar mal... Para já, os rivais a cinco pontos recuperaram moral mais do que os dois pontos e para os que costumam dizer que o desgaste da quarta-feira europeia pesou agora só mesmo a patetice de sofrer a "influência" do jogo que aí vem na próxima semana. Ou boi ou vaca, ou estado de alma ou estado de asno e, vai daí, subitamente, o treinador descansa Josué que até vem sendo dos mais activos e acutilantes, talvez a "poupá-lo" para a Rússia. Lembro-me de treinadores que faziam essa "gestão", há 10 anos...
 
Há patetas que, talvez criticando o futebol metódico mas eficiente e até massacrante para o adversário, hoje esperam dar tempo julgando que isto passa, põe-se um penso e melhora. Acreditam na Virgem e no Pai Natal, para não dar o braço a torcer pelas críticas injustas dos últimos anos e confiando que, uma vez mais, alguma coisa se componha por obra e graça do Espírito Santo. Nem obra se vê e graça não tem nenhuma. Na iminência de ir borda fora da Champions e uma saída na Taça a Guimarães, subitamente o treinador Preocupações Fonseca tem nova semana de teste a sério que começa da pior maneira: nem é pelo resultado, mas pela preocupante inibição, desastrada na construção - Herrera fez de fantasma a passar bolas erradas e os entrais são facilmente desarmados quando ali se quer iniciar o jogo sem se perceber para que servem tantos médios num modelo que comprovadamente não funciona e decerto os jogadores não são burros para desaprenderem o que sabiam nem não aprenderem algo de novo - e sem poder de finalização. Aos jogos aos soluços, ou empurrões, com resultados nada entusiasmantes à parte os três pontos que só satisfazem os patetas que em circunstâncias semelhantes nos últimos anos só pediam "mais ataque" e "mais golos", temos que Jackson não marcará metade dos que fez na época passada e o Porto não passará um jogo sossegado sem temer uma bronca, um erro, um empate.
 
Ora, este momento de desassossego e desatino, quebrado pela "invenção" de Danilo a desempatar com o Sporting como se fosse Hulk ou o jogador decisivo que não temos, serve perfeitamente os patetas que ´se limitavam a debitar "gostos", gosto assim e não assado sem verem a alternativa, supondo que isto se faz por "likes" como no FB onde se compram em fábricas do Bangladesh os tais "likes" para fazer muitos e criar ondas como na Nazaré. Como o 1 de Novembro deixou de ser feriado, o FC Porto deixou para o dia seguinte, apropriadamente, a indicação marcante de como fazer de morto. Os patetas devem gostar de ver indícios de "crescimento" e comprovativos de como o "tempo" pedido tem melhorado a equipa e dado confiança ao treinador. Curiosamente, com um discurso esfarrapado, repetitivo e inconvincente para ele próprio, mas Preocupações Fonseca não tem sequer os experts de comunicação há um ano de verve solta e larga em relação a Vítor Pereira. Muito menos os que sabem como se joga futebol e se faz uma equipa sem esturricar as etapas desse trabalho. Isto se não deu, claramente não deu, até final de Outubro dificilmente dará. Porque o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. O Porto não joga a ponta de um porno, corno Porto que se assemelhe a uma equipa ganhadora. A cultura de vitória do FC Porto, cantada pelo Preocupações Fonseca, é tanto do seu conhecimento como dos adeptos que julgam saber avaliar e "comparar" o jogo jogado. Mas dos adeptos estou-me nas tintas, a equipa é que faz desesperar. E já não é pouco.