11 dezembro 2013

O último dia 11 de 2013 - para alegrar e recordar

Em Maio, há sete meses, mais ou menos a estas 22.20h, o campeonato mudou e praticamente decidiu-se.
 Hoje vemos como o Porto "suicidiu-se"...
O Porto ganhou ao Benfica (2-1), o que é normal. Houve jogos em que marcou e ganhou ao 1º minuto, neste foi nos descontos (92'), como em 2007 foi aos 89'.
 
O 11 de Maio e o minuto Kelvin 92 ficam na despedida do ano. Kelvin, para mim, foi a "palavra do ano"!
 
Emoção igual, igualzinha, só a senti a 28 de Maio de 1978 e nesse jogo bastou Ademir, aos 83', empatar 1-1 para o FC Porto manter vantagem (só 1 ponto) sobre o Benfica, ainda empatar depois na Académica e, por fim, golear o Braga em casa (11/6/1978) e ser campeão, de novo mas 19 anos depois do último título nacional, empatado em pontos com o detentor do título.
 
Esse, há 35 anos, foi o campeonato em que vimos o Benfica passar sem perder algum jogo para acabar empatado em pontos com o novo campeão.
 
Neste 2013, o FC Porto voltou a passar o campeonato sem derrotas e esse 11 de Maio, se tivesse ficado amputado do minuto Kelvin 29, serviria como uma derrota insuportável tivesse ficado 1-1 como em 1978.
 
É pois hora de festejar o último dia 11 de 2013 revendo o golo mais marcante da história portista dos últimos anos. Talvez do último decénio.
 
Mesmo que amanhã, 12 de Dezembro de 2013, se comemorem os 9 anos da conquista de Yokohama e do segundo título intercontinental do FC Porto, só decidido nos penáltis devido a uma arbitragem sul-americana de república das bananas.
 
E que depois de amanhã, 13 de Dezembro, se celebrem os 26 anos da primeira conquista de Tóquio, aquele jogo único na história da competição e marcado por condições climatéricas invulgares, com um "relvado" em pior estado que o lamentável nevão persistente o afectou, para mais uma final decidida no prolongamento.
 
Ninguém lembrará agora as dificuldades do plantel para superar e vencer o campeonato, nem sequer que no banco restassem, precisamente, Liedson e Kelvin para fabricarem o golo inolvidável que marca, indelevelmente, o ano de 2013.
 
Nem sequer interessa que o golo do ano tenha sido apresentado como caído do céu ou saído do nevoeiro, quando outros, em sentido contrário, seriam momentos mágicos e golpes de mestre. Não, acabou da forma mais inverosímil até: os infiéis ajoelhados na catedral do Dragão.
Mas, todos estes meses depois, o FC Porto consagrou um falhanço enorme na despedida da Champions sem ter inscrito Kelvin na Europa. Como tudo muda, sem se obter nada e parecer uma desgraça o aproveitamento de tanto potencial de resto estragado também no campeonato.

Cegamente, não é?

Vá lá que o 3º lugar estava assegurado, como sentenciei desde o malfadado primeiro jogo em Viena, o da vitória única que tanto contentou o Produções Fictícias... da mesma forma como estará satisfeito por ter igualado o (corrigido) 2º pior registo de sempre do FC Porto na Champions - desgraçadamente sem aproveitar sequer a derrota do Zenit nos austríacos que para todos os efeitos acabaram em grande...
 
Enquanto tivemos, corrigido (Schalke manteve o desconhecido Jens Keller), o Galatasaray que mudou de treinador e apurou-se sobre a meta para a fase seguinte, os portistas assistiram a mais do mesmo:
- os dois trincos que nada garantem, nem defensiva nem ofensivamente, desta vez Defour e Fernando;
- o sistema inamovível nem na 2ª parte quando saiu Josué, de uma ala, para entrar Licá, na outra;
- as substituições clássicas do perdedor inexplicavelmente firmado no lugar pelo visto não-ejectável;
- a velha troca também a tirar Lucho e a meter Ghilas, de novo sem resultado e com mais desorientação da equipa que também não sabe jogar assim e nunca disso tirou proveito;;
- a última opção já batida, de tirar um trinco (Defour) para meter outro (Herrera) que, mal entrou, fintou quatro gajos sem sair do sítio, andou lateralmente e estupidamente perdeu a bola.
 
Enfim, não imagino o que mais ver nem na transição, barata e sem glória, para a Liga Europa onde, agora, temos a concorrência de um candidato ao triunfo final no seu estádio (Juventus, em Turim).
 
Janeiro ainda vem longe e nem é a pensar na Liga Europa para onde transitam Juve e Nápoles, Basileia e Ajax, ao menos sem alemães caídos da Champions.
 
Penso no campeonato a perder se não se mudar nada e não é Quaresma que o fará, apenas uma mudança de fundo, estrutural e conceptual, ou caminhamos alegre, alarve e cegamente para o abismo.

10 dezembro 2013

De fracasso em fracasso até à prometida vitória final

Quase todos os grupos da Liga dos Campeões estavam praticamente decididos e os da Liga Europa também (neste caso até está quase tudo decidido). À última hora, o B. Leverkusen superou o Shakhtar e apurou-se até com saldo negativo de golos (9-10) depois dos cinco sofridos na última ronda com o M. United. A decisão do 2º/3º lugares entre Galatasaray e Juventus, em que só o triunfo dos turcos alterará a ordem favorável aos de Turim, foi adiada para amanhã devido à neve. Curiosamente, dois golos aos 90', em Moscovo (3-2) e em Plzen (2-1) valeram aos checos chegar à Liga Europa, por terem marcado mais golos fora do que o CSKA a quem deixaram para trás, num Grupo D que já estava tão decidido que nem o triunfo do M. City em Munique tirou os campeões europeus do 1º lugar (3-1 fora contra 2-3 em casa).
 
Isto para dizer que, além de tudo, o Benfica jogou pelo segundo ano consecutivo contra um adversário nas "reservas" e voltou a não passar do 3º lugar, como depois do 0-0 de há um ano com o Barcelona B. Na época do plantel mais caro de sempre, com a final da Champions na Luz que criou discursos dissonantes no início da prova (é objectivo ou não é objectivo?), com Matic ainda recentemente a julgar-se no 1º lugar sem o estar e a garantir ganhar tudo na bazófia do costume, nem com dois golos oferecidos pelos centrais do PSG B o Benfica chegou ao 2º lugar.
 
Dois fracassos sonantes, ante adversários já apurados e recauchutados profundamente, não permitiram ao Benfica ir mais longe, mas o seu treinador já vislumbra mais uma época de sucesso. Aliás, o desinteresse da maioria dos jogos da Champions e a definição classificativa extemporânea não só reduzem o entusiasmo como descredibilizam uma prova em que o risco de uma equipa jogar sem interesse e poupando jogadores pode favorecer terceiros. Barcelona e Paris SG, candidatos ao título europeu, mancham a competição em que os pernas de pau nem assim lhes ganham de modo a apurarem-se.
 
Note-se que o fracasso da época passada, de resto complementado com os diversos condimentos das derrotas nas provas domésticas, não impediu, a partir de Fevereiro, que a época passasse a ser positiva segundo a Imprensa regional, acabando mesmo em gáudio pela final europeia atingida.
 
A UEFA continua a dar segundas oportunidades aos derrotados endinheirados - como o Chelsea na época passada -, além de insuflar de pontos para o ranking e a viciação fraudulenta das posições para os potes do sorteio pela acumulação permitida. O Chelsea vencedor da Liga Europa logrou 26 pontos na época, enquanto o Real Madrid somou apenas 25 atingindo a meia-final da Champions. O Benfica, do supra-sumo Jesus, vai pela terceira vez em quatro anos prosseguir na Europa sem o justificar mas é tudo um sucesso muito grande que os escribas regionais não lamentam e não vergastam Platini por esta farsa contínua em que se tornaram as provas europeias.
 
Sic transit gloria mundi.

Jornalismo e "jornalistas" que se julgam "os jornais"

Enfim, continua a coragem voragem de fazer mais nos novos meios, mas não melhor, tenta-se o "diferente" para distinguir, sem cuidar de fazer melhor o que há. Perde-se pau e bola, piora-se o que está e não se ganha nada com o novo, é só pimbalhada mas fica bem e os "artistas" replicam-se nos elogios comuns. Veja-se o online dos pasquins, sempre maus, e as falhadas "promessas" das tv's dos mesmos pasquins, autênticos compêndios de amadorismo e fazer em cima do joelho só porque está na moda. Está? A Marca TV já foi extinta e não se nota a falta de "propaganda" que é o veículo preferencial do poder instalado e em que se tornaram os títulos de Comunicação Social em especial a escrita a derivar para o audiovisual. Apercebi agora, sem ver mas apenas a ler, precisamente, que a SIC inaugurou mais um programa de gajas e paneleiros em que o entrevistador entrevista a namorada. Pior é impossível!

Mas, como diz o Irritado, "não há nada como saber como esta gente se julga e se vê". Porque "achar", "achamos todos". E a versão geral é a aversão ao que há. E isso é muito importante, tem um peso enorme e acaba por afectar quem fala em "circuito fechado" de uma certa "claustrofobia democrática" (quem disse isto?)...

Porque o problema de o fazer e dizer não é só a condicionante económica, no caso sem ligação directa a uma autocensura por obediência ao patrão... Mas é a subserviência que se passa cá, mesmo com o "contra-senso" do Público de uma visão esquerdista pacóvia e contra o tempo actual e moderno, patente precisamente no Espesso e derivados do ex-jornalista Balsemão ou um ex-pujante "amigo Joaquim" hoje "rendido" aos angolanos...

Ou de como a overdose de informação tem de ter um critério razoável e não o espectáculo deprimente a que se assiste e agravado com a recomendação das imagens que podem ferir a susceptibilidade dos espíritos mais fracos - santa indigência intelectual e profissional já enraizada pelo infotainment cá da paróquia...

Sem Mourinho com Heynckes a meio gás e sem Jesus mas com Klopp

A estúpida, bacoca, serôdia e patrioteira Imprensa tuga já começou a revelar, ontem, que Mourinho não está entre os "3 melhores treinadores de 2013". O que faz sentido, o que é real e justo, mas não é explicado às criancinhas sem que os adultos ajudem se souberem e puderem.
 
A razão de Mourinho não estar explica-se, em contraponto, por Ronaldo estar (com Ribéry, o melhor de 2013, e Messi, o segundo melhor de 2013). Mas "isso agora não interessa nada", como diz a louca outra. Mesmo assim, a ausência de Mourinho, tida quase como natural, não ganha relevância por Ronaldo estar presente nos finalistas do "FIFA award" de 2013. E tem justificação.
 
Disse-o sem rebuços que Ronaldo faz mais falta ao Real Madrid do que Mourinho. Mourinho só fez de relevante no Real Madrid o acirrar de ânimos "contra" o Barcelona, por recalcamentos antigos sobre não o terem aproveitado no Camp Nou, onde "cresceu" como treinador à sombra de Robson e, em especial, de van Gaal. Mourinho que foi "suplantado" por Guardiola, o que mais azedou o recalcamento de Mourinho contra os catalães apesar de a realidade, a história e todos os êxitos e honrarias acumuladas terem justificado a opção de Laporta por Guardiola. Mourinho virou toda a Espanha contra ele e acabou a lamentar-se que a Espanha "tem ódio aos portugueses". Ronaldo já o desmentiu, porque Ronaldo percebeu que Mourinho não melhorava a situação e ele, no campo, continua a mostrar e a dizer "eu estou aqui, caralhoooooo!". E bem, Ronaldo é um grande e é à sua sombra, impagável, que o Real Madrid tem vivido, com um treinador Ancelotti que o procura rentabilizar e tenta pôr a sua equipa a jogar sem ser "contra" o Barcelona, sem ser com "mind games" inócuos e pantominices e fantochadas diversas que Mourinho protagonizou.
 
É evidente que Heynckes terá de ser premiado como o "melhor do mundo", seja lá o que isso for, reconhecendo-se o vencedor do campeonato e da taça da Alemanha e o campeão europeu. Tudo isto um ano depois de o Heynckes, com o Bayern, ter perdido esses títulos, os caseiros para o Borússia Dortmund e a coroa europeia para o Chelsea (não de Mourinho, nem por sombras) com muita infelicidade mas mesmo a jogar em Munique a final de 2012.
 
Como é que Heynckes será consagrado, à frente de sir Alex Ferguson, despedindo-se do United com mais um título doméstico do género que ele diz serem comprados no supermercado noutras latitudes, e de Jurgen Klopp, o eterno vendido desta vez, eliminado da Taça pelo Bayern, vencido em Wembley e largamente superado na Bundesliga onde os seus recordes pelo Borússia foram pulverizados pelo Bayern um ano depois.
 
Em 2012, Mourinho insurgiu-se com a FIFA por del Bosque ter sido eleito o melhor do ano. "Trabalhou meio ano", argumentou Mourinho, face ao êxito da Espanha em (mais um) título europeu na Ucrânia ("só" com 4-0 à Itália na final de Kiev!!!). A "Roja" teria a "culpa" de 2012 apenas dedicar o ano ao Europeu e, daí, Mourinho achou indigno que se elegesse D. Vicente del Bosque, cujo trajecto incluiu o inédito título mundial de 2010 e a defesa do ceptro europeu de 2008 (então com Aragonês), numa Espanha fifty-fifty entre Barça e Madrid mas com o estilo catalão intacto e incólume a que os de Madrid tiveram de submeter-se.
 
Mourinho sai a perder mas a Imprensa tuga dará hoje pouca relevância a isso, mesmo que seja a primeira vez que Mourinho estará fora do pódio e cujas atitudes de desrespeito e falta de sentido democrático, e de decência intelectual até pela sua própria imagem que delapida constantemente sabe-se lá por que conselhos e assessores sem Palmarés, levam ao descrédito que hoje é palpável. Who's the Happy One?
 
Da mesma forma, por oposição, como é que Klopp aparece e Jesus desaparece? Ambos perderam tudo e era difícil perderem mais. O B. Dortmund perdeu sempre em compita com o Bayern (0-1 na Taça nos 1/4 final), mas o Dortmund emergiu na Champions e chegou à final vergando com goleada (4-1) o Madrid de Mourinho. Jesus perdeu tudo, incluindo a final para a qual acedeu com sorte (nove bolas nos seus postes em meia dúzia de jogos e arbitragens vantajosas aqui e ali) e uma vergonhosa repescagem que a UEFA garante aos desamparados da Champions.
 
Da mesma forma, Alex Ferguson aparece graças a meia época em que, de Janeiro a Maio, levou o Man. United ao 20º título inglês, o que já nem é recorde porque antes superara os 18 títulos do Liverpool.
 
Repare-se que Klopp aparece perdendo tudo e Diego Simeone não está apesar de ter erguido o Atlético de Madrid na Liga espanhola, perdendo o ceptro da Liga Europa (apesar de alargar a 16 jogos a invencibilidade colchonera na Europa, o que é recorde), mas ganhando a Taça do Rei em Chamartín ao Madrid de Mourinho e recuperando no marcador em casa do rival.
 
Heynckes, mesmo em "meia época" só pode ganhar, da mesma forma que Ribéry, a que à "tripla" de 2012-2013 juntou mais uma grande exibição, um golaço fenomenal e a conquista da Supertaça europeia em Praga (ao Chelsea de novo "de Mourinho"), em princípio só poderia ser considerado o melhor de 2013.
 
Em que ficam Messi e Ronaldo? No mesmo patamar dos treinadores restringidos ao pódio da FIFA. Messi venceu o campeonato e marcou 47 golos (46 para alguns) na Liga espanhola, mais 12 do que Ronaldo (34). Ronaldo não ganhou nada em 2013, apesar de ter somado créditos que o fazem indispensável ao Real Madrid, como hoje se comprova e eu cedo defendi, ao contrário de Mourinho.
 
Mas o futebol pensado assim fora das quatro linhas não deve ter muita lógica. Lamento por Ribéry se vier a perder o ceptro para o qual mais justificou e contribuiu para ganhar depois de tanto que ganhou.

 

09 dezembro 2013

Chama-se "treino", "organização e modo de jogar" e exige um "treinador"

"Estávamos aí aos 15 minutos de jogo, quando Maicon recebe a bola de Helton e segue com a redondinha controlada pelo lado direito do centro da defesa, o “seu” lado em qualquer jogo. Arranca com a pelota na sua frente, lento, hesitante, sem linhas de passe visíveis e a pedir que os colegas se movimentem para criar qualquer tipo de jogada ofensiva com um mínimo de coerência. Herrera está tapado, Defour longe, Lucho ainda mais. Varela colado à linha direita, Josué e Jackson a duzentos quilómetros de distância. Maicon olha e vê Danilo, como um desiderato tão perto de atingir, ali mesmo à beirinha da relva, uns meros vinte metros entre ele e o descanso mental, a recuperação da posição e a injecção de moral que precisa para não se preocupar mais nos próximos dois, três segundos. Trinta e tal mil no estádio viram o que se ia passar a seguir. Maicon não viu. Não viu que havia um fulano de vermelho e branco prontinho para lhe sacar a bola com um ou dois passos ao lado, tal foi a facilidade com que interceptou o passe longo (rasteiro) que o brasileiro tentava endossar ao compatriota. E os assobios, que até então eram esporádicos, acentuaram-se não só para o careca mas para o resto dos jogadores da equipa.
Enervei-me nesse momento e comecei a disparatar. “Pára e olha para o que estás a fazer, caralho! Pensa! Tem calma!”, gritei para o campo, com vários colegas de bancada a olhar para mim, uns a concordar, outros a dizer frases no mesmo tom com palavras diferentes. Foi “o” lance principal que definiu toda a primeira parte e, no fundo, uma enorme porção das primeiras partes (e algumas segundas) que temos vindo a fazer nos últimos meses. Há nervosismo a mais, precipitações e excessos de confiança e uma aparente incapacidade de tantos rapazes em parar para pensar, em conseguirem ter a calma de perceber o que podem ou não fazer durante um jogo. Acima de tudo, parece haver uma ridícula quantidade de passes falhados pela tentativa atabalhoada de executar depressa o que nem devagar se consegue. E todos já vimos aqueles mesmos fulanos a fazer tão melhor do que têm vindo a mostrar em campo, o que torna as coisas ainda mais enervantes.
É preciso calma, tanto eles como nós. A táctica é secundária quando os seus intérpretes estão a ser assobiados mal recebem a bola" - do Jorge, Porta 19.
 
Muito raramente publicito textos alheios, muito menos completos, pois só vale a pena fazê-lo se servirem algum propósito.
 
Esta peça do Jorge é só o complemento, sem ele "perceber" o que quer dizer com o que diz, do que venho a escrever já meses. Não há "treino" para falhar passes de forma inadmissível e incorrer em erros que o "treino" é suposto banir ou mesmo proibir. Não há "organização de jogo" por faltar um sistema que o corporize com princípios claros e regras detalhadas no que é a substância do "modelo de jogo", os "truques" e "segredos" que todos os jogadores mereceram como "educação" para um "modo de jogar" (já disse para lerem o livro: "Mourinho, porquê tantas vitórias"); não há, por isso, "modo de jogar" e, na base, não há "treinador". Preocupações Fonseca, até ao momento, falhou rotundamente no que era suposto fazer. Fora os resultados, fora os altos e baixos dos jogos, fora as vantagens no marcador que se esfumam a seguir, fora a perda do controlo dos jogos na maioria do tempo.
 
O Maicon tinha uma solução: pontapé para a frente. Foi o que a equipa se habituou a fazer, foi "educada" para fazer assim e os centrais, como disse após o jogo com o Belenenses, não podem ter a bola para mais de um ou dois toques e na dúvida atiram para longe. Os centrais do Porto, na origem do jogo e face à confusão do meio-campo, passaram a ser impiedosamente marcados e a perderem bolas e jogo, daí nascendo vários golos consentidos porque o adversário explorou esse filão e essa jazida sem guarda que vinha sendo a saída de bola desde a defesa. O Maicon está nervoso porque não tem saídas de jogo. Os jogadores enervam-se porque não têm lição estudada e a "educação" recebida foi má e trocam os papéis, perderam o sentido do que sabiam fazer e em que infundiam medo nos adversários e passaram a fazer os adversários acreditar que podem levar pontos, e até vencer!, de uma equipa com camisola às riscas azuis e brancas.
 
Dei inúmeros exemplos ao longo destes meses. Este tipo de falhas, recorrentes e nunca vistas em muitos anos no FC Porto, resultam do mesmo problema que há meses aponto, não como "visionário" ou "treinador encartado", mas como observador atento dos jogos e a quem a "táctica" nem diz muito. Mas, como a Luz, como a Justiça, como a Moral, como a Ética, nota-se a falta quando não há. A "táctica" passa a ser importante quando passaria despercebida se tudo fluísse natural e harmoniosamente, como estávamos habituados. Mas, mesmo "habituados", muitos não percebem porque e como funciona uma equipa e o que pode fazê-la encravar.
 
Não há "táctica", o "trabalho de treino" não se vê - e todos têm um mínimo de obrigação de ver, excepto os basbaques e os que vêem o futebol "para ganhar e só a ganhar" -~e "não temos treinador". Esta é a constatação até ao momento e nada ainda me fez pensar o contrário desde que o anunciei em fins de Setembro, com o 2-2 no Estoril onde a arbitragem podia servir para camuflar o essencial, e depois de uma pífia, inútil e imerecida vitória em Viena onde o treinador se regozijou e fiquei de cenho franzido.
 
Já expliquei inúmeras vezes tudo isto. Antes de isto estar à vista, já tecia as minhas perplexidades sobre o que o novo treinador pensava do jogo e de como pôr o Porto a jogar. Antes de a bola correr a sério disse que Fernando só podia jogar sozinho (isto em finais de Julho!), não se podia adulterar o ADN do futebol que era marca da casa e que a SAD permitiu abandalhar até ao ponto a que chegamos hoje. As pessoas "não compreendem" porque não sabem ver e não lhes explicam e talvez nem queiram saber, ouvem e lêem as mesmas tangas dos mesmos pantomineiros, a quem amiúde copiam as frases e partilham as "sentenças" sendo incapazes de terem as suas "opiniões" por rejeitarem as que não lhes convêm.
 
Ontem, inesperadamente, depois do almoço, recebi um sms de um amigo, depois outro: "Você tem razão" mas "como mudar"? "Ele não quer e eles não querem". Isto é como a Economia. E as Finanças. E a Gestão. Por exemplo do País: apesar dos paspalhos à solta, das "personalidades" e até de "ex-políticos encartados", a realidade demonstrará o caminho. A prática e os discursos dirão como empreendê-lo. Eu já perdi a paciência com os "arautos da verdade" que lhes conveio todos estes anos e trouxe o País onde ainda está. E não tenho esperanças com Preocupações Fonseca. Agora, a "táctica" é primordial, ou os assobios vão persistir. E os maus jogos e maus resultados também.
 
Em suma é isto, mas isto já há meses venho a dizer e o jogo do Braga confirmou isso mesmo e não pode deixar ninguém tranquilo quando o treinador acha que não se mudou nada na 2ª parte.
 
Vi coisas muito boas em Guimarães e com o Nacional apesar do empate. "Aquilo" de Coimbra, reposicionando a equipa no bloco de partida de onde ela não sai, demonstrou que está tudo "mole" e a entrada com o Braga indicou a persistência do erro. E tememos pelo que vimos a seguir como se não se tivesse passado nada e o que era mau esteja para aparecer aí outra vez.
 
Parece um diálogo de mudos para surdos em que os gestos não servem para nada. É surreal o nível de burrice instalado no FC Porto e contagiado nalgumas franjas de adeptos - que nem representam a maioria - do "seguidismo" e da "crença", confiantes de que "a estrutura" e "quem sabe" põe isto nos eixos. Temo mais Produções Fictícias, que é tudo o que tenho visto, assombrado, assustado, incrédulo porque não sou dos "catastrofistas" de todos os anos que implicam com o treinador. Já antevia uma derrota, coisa que nem admitia nos últimos três anos, e antevejo outras, em qualquer esquina, se a inversão do triângulo não tiver surtido efeito como surtiu na 2ª parte de sábado. Acima de tudo, a equipa precisa de jogar no sistema e no registo que sabe, o jogo com o Braga foi paradigmático e único. Ou arrepiamos caminho ou o FC Porto irá perder-se por atalhos e, quiçá, terá de mudar o treinador em Janeiro, estação propícia mas porventura tardia como foram todas as outras que citei há dias: Ivic, Octávio, Fernandez. E todos tinham sistemas de jogo mais sólidos ou "invariáveis", mais assimilados pelos jogadores, mas não havia "química", "gente empolgada" e "disciplina severa" (Adriaanse foi o único a mudar a meio do percurso quando esteve por um fio e soube arrepiar caminho acabando em grande). É-me impossível vislumbrar em Produções Fictícias uma personagem de gabarito, com coragem e sentido de missão com ideias claras e arrojadas, como foi Adriaanse, outro incompreendido pelos "intelectuais" que passeavam a sua "ignorância atrevida" nas tv's e debitavam inanidades nas colunas dos pasquins, moldando até a verve e a "postura" dos profissionais da escrita. 
 
Vou tentar continuar a girar em sentido contrário ao de todos porque nunca vou em "ondas" ou "na maralha".

NB - eis um exemplo, diferente, de como, apesar da "piada", se troca o essencial por relutância em discuti-lo, pelo acessório acirrado no vislumbre de umas idioticies avulsas escritas algures, o que demonstra o estado de negação do que se costuma designar de Nação portista. Hoje todas as tv's tiveram programas de "opinião pública" sobre a liderança do Sporting, o que é justo tal a "curiosidade" e a raridade após 9 anos de "evento igual". É o mesmo que evocar onde são bons ou assim-assim os golos: peanuts ou merdices. Alheamento da realidade (sem menosprezo pelo Pobo do Norte que tem valia, ainda que lamentavelmente descontínua).

Parece que o burro diz que anda a aprender

Foda-se, só faltava ouvir esta (é por isso que nem sei do que diz antes nem quero saber do que diz depois dos jogos).
A equipa emperrou por culpa do burro e os burros à volta julgam que estas coisas acontecem por acaso. Quem nasce basbaque não tem mais para se admirar e tem muito menos para aprender.
 

08 dezembro 2013

Quadratura do círculo?

Depois de uma 1ª parte com mais mediocridade do mesmo vazio de ideias das últimas semanas, pode-se dizer que até os burros aprendem; mas a brilhante 2ª parte com que se justificou a vitória de 2-0, com jogo e golos "à moda antiga" como se tivéssemos saudades disto que a albarda do bestunto do treinador não faz noção do que era nem do que tem de ser, só nos leva a questionar, mais uma vez, se a teimosia do burro cedeu de vez ou temos apenas a quadratura do círculo até a besta assomar à entrada do túnel.

O FC Porto jogou muito melhor com o Nacional e não venceu por um (ou mais) bambúrrio mas esta vitória já serve para certas abencerragens julgarem que está tudo bem depois de mais do mesmo na 1ª parte. Passar da crença à descrença ou vice-versa não pode estar dependente do humor do treinador e muito menos ficar feliz por "recuperar pontos para um rival" que é sinal de, subitamente, termos ficado para trás. Ainda falta saber a consistência da massa, porque o padeiro dá-lhe amiúde a maluqueira. Fica para valer a 1ª parte ou a 2ª parte? E há princípios de jogo ou fica à vontade do freguês? Os patetas só aplaudem quando ganham e vociferam contra quem alerta mesmo ganhando, mas de facto cada qual tem o que merece.
 
 
 
Caiu Lucho ao intervalo, para entrar Carlos Eduardo com outra intensidade, mas caiu (actualizado: no sentido de sobrar e ter proveito) acima de tudo um sistema que a equipa domina de cor, e justificou o prometedor início de época, e para o qual todos os jogadores bons têm lugar. Continuo a ver apenas um mau da fita que resistiu até bater de novo na parede da sua inelutável incapacidade de ver o essencial que, como ele diz, não é ele mas a equipa, o clube e os adeptos.
 
Se inverter o triângulo do meio-campo, onde já queimou Fernando por não (corrigido) jogar sozinho no meio com os seus tentáculos de polvo; já queimara Defour que é de uma utilidade extrema no 4x3x3 pelo equilíbrio que dá nas transições defensivas de uma equipa virada para a frente (assim se acostumou), o homem que melhor encarna Moutinho em falta; já queimara até Lucho a pô-lo numa posição 10 que não vai com a sua condição de armador de jogo tão à frente e disponibilidade física de correr até ao ponta-de-lança; pois talvez se tenha feito a quadratura do círculo a sério.
 
Enfim, ainda temos de ver entrar Licá, um extremo que não é, por Josué, quando Kelvin é mais extremo puro que os dois juntos e só entrou a dois minutos do fim, já com o resultado feito mas com o resultado de o burro perceber o que é Kelvin para os adeptos, embora não para ele que não faz ideia onde caiu nem o que é sequer a história recente que se passou longe dos seus olhares distantes e mais distanciado ainda da sua tola cabecinha onde qualquer semelhança só se fosse na "poupa" ao alto da cabeça que se identifica com o Kelvin.
 
Pode cair-se no exagero de pensar-se que até os burros aprendem e que a inversão do triângulo do meio-campo é apenas uma questão de "opinião" ou de "oportunidade". Às vezes, pôr dois atrás é melhor para a circulação paciente ante equipa fechada. Mas só alguns idiotas que compraram desde o início a ideia de, com dois atrás, temos um jogo mais ofensivo, como se viu escrito abundantemente pelos peregrinos da bola decerto oval, podem usar e abusar do estilo e da maneira. Terá o burro aprendido e dado uma de génio? Ou assinou a confissão da sua estupidez natural e deu o passo em frente que, em vez de o aproximar do abismo, lhe abriu perspectivas de horizontes mais largos que a estreiteza da sua visão canhestra e "regional" do que é jogar para ser campeão?

A bem dizer, andar a discutir certas questões tácticas e princípios de jogo que muitos desconhecem é como meter polifosfatos no bacalhau - feito por quem desconhece e mal sabe o sabor...

Por falar em cheirar o bacalhau, depois do cheiro a esturro do empresário de Atsu, o ganês continua em grande, como extremo que é, no Vitesse: 6-2 ao PSV em Eindhoven depois de 1-0 ao Ajax em Amesterdão. Mas os burros são os outros...

07 dezembro 2013

Autocrítica da TVE em que podia rever-se a SIC dos cogumelos, frio e flores entre passerelas

 
Eu já expliquei que, por vedarem expressão aos partidos da Maioria nos debates par(a)lamentares, de repente deixei de ver a SIC que há muitos anos adoptara como melhor informação. A SICN, no formato LGTB patético e moribundo onde desfilam as vaidades de comentadeiros do regime chucha, já deixei de ver há anos.
 

 
Não é que a TVI seja muito diferente, mas faz melhor.
 
A RTP, na semana passada, transformou num sketch humorístico mas sem piada uns dizeres do Mário Chulares que muitos já esqueceram como PM no tempo de duas bancarrotas com ele a cavalo da... tartaruga. O assunto tem interesse e merecia uma abordagem séria, circunstanciada e cortante para acabar de vez com o velho caquético que é beneficiário e não contribuinte líquido da Democracia.
 
A RTP tem melhorado, mas não evita as superficialidades e as banalidades que fazem encher "chouriços" de tempo mesmo que tenham, e bem, limitado o jornal da noite e o do almoço a 60 minutos máximos de duração.
 
Por cá, em tantas páginas e com tanta gente a escrever sobre média nos pasquins generalistas, ninguém faz crítica aos telejornais, porque a Corporação manda e os dos pasquins já povoam os espaços informativos todos mesmo à hora que deviam estar a fechar os seus estaminés e melhorar as capas sempre iguais. Numa crónica no suplemente do JN, Dinheiro Vivo, Adelino Faria fez uma séria autocrítica na semana passada instando a que se mudem os formatos, se diversifique e se concentre no essencial, explorando todas as vertentes de um tema forte (ou vários), mas ele deve começar para olhar os telejornais que apresenta - u tem mesmo vergonha do que deixa que lhe ponham no visor à frente como as meninas dos serviços noticiosos de continuidade, como dantes entre programas a anunciar o que estava em espera para apresentar, fazem às vezes com péssima dicção.

06 dezembro 2013

De volta aos extremos depois de expulsá-los e acusações para Antero Henrique

Ouvi ontem na rádio uma entrevista de um tipo, que nem fixei o nome, apresentado como empresário de Atsu, passou na RR à hora de almoço e apanhei numa viagem de carro, não sei se teve sequência ou repetição e retive o essencial das suas declarações explosivas. Mas o que ouvi deixou-me perplexo, com algumas acusações directas à SAD portista e em especial a Antero Henrique, e muitas indirectas que, basicamente, apontam para comissões a ganhar por um ou mais "administradores". Algo recorrente, de resto, mas que nunca ouvi de forma tão cáustica e objectiva. Cheguei muito tarde a casa e numa pesquisa rápida no online só encontrei este apanhado no Record. e este em O Jogo.
 
A questão de fundo tem a ver com o regresso de Quaresma, que muitos ainda vêem como extremo. Não vai ser pelo menos por muito tempo. Quaresma "desabituou-se" das alas/corredores, ele próprio já não corre tanto - e li que foi operado a um joelho... - mas nada como o efectivamente e quando voltar ao campo ver-se-á. O empresário de Atsu critica a chamada de Quaresma e com razão, aduzindo depois uma série de questões pertinentes e que, finalmente, depois de tanto zunzum, se aproximou do que vulgarmente se chama meter dinheiro ao bolso só assim se justificando mirabolantes "movimentações de mercado" por parte do FC Porto.
 
Verdade é que Atsu tem um potencial enorme e sempre vi nele capacidade para vingar no Dragão. Pode ter aquele feitio do africano que quer jogar e julga-se o melhor do mundo, mas o FC Porto não o aproveitou, deixou passar a hipótese de renovar e quando chegou a altura ele já não queria e saiu rápido. O FC Porto desaproveitou totalmente Atsu e a SAD só pode ser responsabilizada por um mau negócio, perdendo um valor desportivo e um potencial negócio chorudo no futuro. Hoje faltam extremos rápidos no futebol do Produções Fictícias de que todos já se deram conta que descaracterizou, para dizer o mínimo, o futebol portista.
 
Quanto a potencial de crescimento, só tenho visto a descer de época para época, ainda que o director-geral da SAD já apareça a dar entrevistas...
 
A SAD deixou abandalhar o ADN do futebol portista que era respeitado na Europa e esmagava a concorrência em Portugal. Foi perdendo jogadores "avulso", como Atsu, sem justificação. Foi deixando extremar posições com vários jogadores que acabaram por sair. Esta época deixou que o Preocupações Fonseca preferisse o pária Xismailov ao Kelvin heróico (na Champions) e Kelvin é outro potencial desaproveitado.
 
Entretanto, jogadores de vários milhões de euros, Herrera e Reyes, andam pelo banco ou equipa B. Negócios sempre houve, mas ultimamente a perda de qualidade, e de alternativas, no FC Porto resulta de más opções de mercado, com contratações/saídas que não se entendem. Os dois últimos campeonatos foram ganhos apesar de o Benfica ter mais jogadores, bons jogadores e muitas opções que Vítor Pereira não tinha. Então na época passada o desnível foi flagrante e esta época já se viu que até o Sporting, com Slimani, tem alguém a saltar do banco para ganhar jogos.
 
Isto não acontece por acaso, mas por acaso tem acontecido no FC Porto que, depois, anda de calças na mão em Janeiro para reforços que, como se tem visto, são refugo autêntico, foram os ex-Sporting e é agora Quaresma e sabe-se lá que mais.
 
O empresário de Atsu colocou o dedo na ferida e pela primeira vez vi alguém, com quem o FC Porto já negociou, conhecedor dos nomes e dos gabinetes portistas a pôr a boca no trombone. Com carradas de razão e muitas denúncias de negócios "estranhos" (sic). Coisas que fazem pensar porque o futebol portista tem andado em sobressaltos, coisas de que sempre ouvi falar mas esperava que alguém dissesse nomes e pusesse números como o empresário de Atsu pôs: o Porto vendeu-o por escassos milhões ao Chelsea quando o Liverpool pagava muito mais e uma agência desconhecida, através de Antero Henrique, tentou desviar o jogador, segundo conta o entrevistado, sugerindo haver dinheiro a ganhar por fora.
 
Como estive fora estes dias nem sei que repercussão isto teve. Mas se as coisas continuarem a correr mal outras vozes se levantarão para denunciar os podres da SAD. O empresário de Atsu, no tocante ao ganês, deixou Pinto da Costa de fora de "manobras" que ele diz conhecer mas não entender... Mas isto também ouvi muitas vezes, desde quando diziam que era Adelino Caldeira quem fazia as "compras".
 
Nada disto me surpreende. Talvez me admire é se ninguém tiver dado conta disto e escutado as denúncias do empresário de Atsu - simplesmente um jogador que "espelha" muito do que é o estranho mundo dos negócios do futebol no seio da SAD portista.