. Bem-vindos ao Portistas de Bancada - UEFA CHAMPIONS LEAGUE FANTASY FOOTBALL: Já está criada a liga Portistas de Bancada desta nova época, aceda a esta liga através do código 96295-19616 para participar neste famoso passatempo - OPINIÃO DA BANDCADA: 11 de Luxo: Qual a melhor serie? É esta a pergunta que está na barra lateral à espera da Opinião da Bancada

14 Novembro 2009

Bruno Alves dá (outra vez) esperança

Por Zé Luís

Decisivo como na Albânia, central portista dá vantagem a Portugal para a segunda mão do play-off com a Bósnia
Portugal já está em vantagem (1-0), pelo golo solitário de Bruno Alves, de cabeça ao segundo poste após uma jogada de envolvimento pela direita, mas terá de sofrer na Bósnia para carimbar o passaporte para o Mundial-2010.

Não só pelo resultado, mas pela forte reacção dos bósnios em boas fatias do jogo, este jogo de apuramento demonstra, como os restantes encontros que terminaram com resultados à justa e muito equilíbrio em todas as partidas, que a Bósnia de Dzeko é muito perigosa no ataque e que nem há adversários fáceis nem qualificações garantidas. Fossem outros os emparelhamentos do sorteio dos play-off e os resultados não deveriam ser muito diferentes dos que se registaram ontem: Irlanda-França, 0-1; Grécia-Ucrânia, 0-0; Rússia-Eslovénia, 2-1. Curiosamente, para quem achava a Eslovénia das mais fracas e a Ucrânia das mais fortes possíveis opositoras de Portugal, os seus resultados (e para quem viu os resumos ontem no Eurosport) provam que não há vencedores antecipados. Tudo para jogar na 4ª feira.
Portugal vai a Zenica com o golo de Bruno Alves, a dar toda a esperança de apuramento, depois de ter sido decisivo com o cabeceamento vitorioso em Junho na Albânia, já nos descontos.
Eduardo pode ter tido a sorte de ver os ferros devolverem a bola por três vezes, duas delas na mesma jogada, mas apenas fez uma defesa num remate esquinado na 1ª parte. Ao invés, com Liedson a criar um "golo feito" mas a esbanjar a mais soberana ocasião da partida, com o 2-0 à mão de semear, o guardião Hasagic teve de se aplicar de princípio ao fim a remates perigosos de Simão, Meireles e Tiago este mesmo a acabar. Se a Bósnia podia e merecia ter marcado, nas esporádicas ocasiões negadas pelos ferros, também o resultado poderia ter sido mais desnivelado.
A exibição de Portugal teve altos e baixos, como vem sendo hábito e por o meio-campo não tomar em mãos a rédea da partida com abaixamentos físicos espaçados. Salvou-se Pepe com uma presença enorme, Meireles esteve melhor do que Deco mas nem Simão nem Nani providenciaram Liedson com mais jogo para concretizar e a muitos remates voltou a saldar-se por um só golo. Simão não teve o pé quente do jogo com a Hungria e Liedson errou duas vezes o alvo em óptima posição, enquanto Nani foi complicativo na direita e Deco muito apertado quando se abeirava da área bósnia.
A actuação de Pepe, e dos centrais B. Alves e R. Carvalho, demonstram como vai ser imperioso dominar o jogo aéreo na segunda mão, decerto com mais "chuveirinho" em Zenica onde talvez o reforço do meio-campo, com Tiago, possa estancar o jogo mais directo dos bósnios. Nesse caso, resta saber se Nani voltará ao banco para seu desgosto, depois da entrevista inoportuna dada durante a semana a reclamar pela titularidade.
Portugal alinhou com Eduardo; Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Duda; Pepe; Deco (Tiago 84), Raul Meireles; Nani (Fábio Coentrão 69), Simão (Hugo Almeida 88) e Liedson.
Golo: Bruno Alves (31').
2ª mão em Zenica, 4ª feira 18/11/2009, 19.45h portuguesa (TVI).

13 Novembro 2009

Descubra as diferenças

Por Zé Luís

Cristiano Ronaldo versus Anderson - e não tem nada a ver com o Manchester United

A lesão de CR9 fez chegar à varanda os vários Miguel de Vasconcellos, particularmente em Lisboa, rendidos aos encantos espanhóis e às razões do Real Madrid, com a FPF com toda a legalidade do seu lado na questão médica cumprida devidamente esta semana.

É claro que eu não fui ingénuo a pensar que a origem da lesão de CR9, no Madrid-Marselha, poderia motivar outro tipo de discussão.

Revendo as imagens da lesão do português num jogo estrangeiro, ainda há quem lembre algo de muuuiiito similar ocorrido a Anderson num Porto-Benfica. Esqueçam que, neste caso, o árbitro foi o famigerado SLB (Senhor Lucílio Baptista), o que não é despiciendo mas no caso revela-se menos relevante. Recordem o que se disse então e o que se disse depois com Ronaldo.

Não prometo que o vencedor, com todos os items elencados, vá ao Mundial com a selecção em caso de eliminar a Bósnia. Mas que ficará reconhecido neste blog, isso é uma garantia.

Let's look at the trailers:







Refresco de pimenta

Por Zé Luís

É sintomático ver a percepção dos adeptos portugueses quanto ao jogo jogado e a valia técnica e táctica das partidas de futebol pelas apreciações dos respectivos adversários e destes nos confrontos com equipas rivais o que se passou estas semanas. Nada de novo, mas é só para lembrar que a idiosincrasia do Zé da bola é imorredoira.

O FC Porto fez dois jogos em casa com Académica e Belenenses, por sinal os últimos da classificação, vencendo o primeiro com dificuldades e empatando com o segundo.

Houve loas às actuações das duas equipas visitantes e, porque os azuis lograram o pontito da ordem, o treinador Carlos Pereira mereceu algum destaque por tal honraria. Passou-se por cima das realidades evidentes dos “autocarros” defensivos de ambas. Esgrime-se com as “armas diferentes” que têm quem visita o Dragão, equipas de “outros objectivos e meios desproporcionados”, etc. e tal.

A Naval acabou de fazer sofrer o Benfica na Luz e até só foi vergada por um golo de bola parada por livre de falta inexistente. Também se procurou esquecer isso, apagando-se todas as imagens do lance da alegada falta que não existiu, como dantes os soviéticos apagavam das fotografias as pessoas indesejadas (e até perseguidas) pelo regime estalinista.

Desta vez não houve penáltis reclamados na Luz, a não ser um da Naval que até daria expulsão de Maxi Pereira com segundo amarelo antes do intervalo. Mas como o 1-0 final deu justiça a quem mais procurou a vitória, lá se concluiu o ditado futebolês do escrever-se direito por linhas tortas, ainda que estas não tenham sido devidamente denunciadas como seria da mais elementar justiça e equidade de tratamento devidas a todas as equipas e que todos os lances merecem alvo de tratamento equidistante e correcto à luz das Leis do Jogo.

Mas, além de sonegar a ilegalidade da vitória “tout court”, já se aludiu ao “autocarro” navalista. Que existiu e até o Inácio admitiu ter ficado preso no tráfico do futebol encarnado.

Mas não pode haver duas leituras consoante os clubes em causa, nem livres em barda para uns e recusados a outros.

Porque apesar de o merecer, mesmo com fraco jogo colectivo e apenas na 2ª parte com alguma ambição e crença, o FC Porto também merecia ter ganho ao Belenenses e até teve um golo mal anulado a Farias que, como era a seu favor, não mereceu o destaque que lhe estaria reservado se fosse em seu benefício um lance pretensamente ilegal – como o 3-1 de Farias à Académica na semana anterior em jogada de fora-de-jogo no limite e que deve ser ignorado em favor do atacante como aconselham as regras.

E escrever direito por linhas tortas é lembrar outro adágio popular de a pimenta no cu dos outros ser refresco.

Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"


O Portistas de bancada contribui com uma crónica semanal no Futebol: Desporto-rei, a convite deste. A parceria destes blogs tem montra à 5ª feira. Quem quiser ler, clique no título acima.

12 Novembro 2009

Palavras para quê?

Por Zé Luís








Outra vez a Taça da Liga. Uma Taça. Uma Liga. Duas faces da mesma (má) moeda.

Taça da Liga
Portimonense apurado por média de idades
12.11.2009 - 19:48 PÚBLICO

Em hora de desespero para tentar a vitória, os treinadores colocam avançados para marcar golos. Mas no Portimonense-Académica, no Estádio Municipal de Portimão, a contar para a segunda fase da Taça da Liga, o que Litos, o treinador dos algarvios, fez foi colocar em campo o guarda-redes suplente Fábio Sapateiro a dois minutos do fim. E os regulamentos da Taça da Liga fizeram o resto.
O Portimonense segue em frente porque a média de idades dos jogadores que utilizou nesta fase da competição é inferior à dos seus adversários do grupo A, Beira-Mar e Académica, cujos jogos acabaram todos em empates sem golos.Segundo o previsto no artigo 7.º, número 3, 3.º, do Anexo III dos regulamentos de Competições da Liga, a “média etária mais baixa de jogadores utilizados durante a respectiva fase” (este artigo é válido para a segunda e terceira fases da competição), é o derradeiro critério de desempate e aquele que se aplica neste caso em que todas as equipas somaram dois pontos e não marcaram qualquer golo.Com a entrada de Fábio Sapateiro (19 anos) em campo para o lugar do veterano Pedro Silva (35 anos), o Portimonense terminou esta fase da Taça da Liga com uma média de idades, segundo o site oficial da Liga nos jogadores utilizados de 24,556 anos, mais baixa que Académica (24,682 anos) e Beira-Mar (25,474 anos). Académica contestaA Académica contesta as contas da Liga, apresentando números diferentes na questão da média de idades e reclama o apuramento para a fase seguinte da prova. Segundo um texto publicado no site da formação de Coimbra, é a Académica quem tem a média de idades mais baixa (24,714 anos) do grupo. Nas contas da Académica, as médias de Portimonense (24,857) e Beira-Mar (25,643) também diferem das da Liga. "Se a Académica não for considerada vencedora do Grupo A, encaminhará o processo para o seu Departamento Jurídico, para que sejam tomadas as devidas providências", avisa a Académica no seu site.Para o técnico da Académica, André Villas Boas, o critério da Liga “não é explicito”, enquanto Litos, treinador da formação de Portimão, assumiu ter aproveitado essa parte do regulamento para conseguir a qualificação. Foi um final polémico para um jogo que havia sido ontem interrompido aos 51 minutos devido a uma falta de luz e que acabou por ser retomado apenas hoje.


Bom, eu já tinha olhado para os resultados e antevia problemas em face de possíveis desfechos nos últimos jogos da 2ª fase.

Em Janeiro vamos ver o que dará a fase em que entram os primeiros da I Liga.



Lembram-se do ano passado, os regulamentos, o "goal-average" que era "goal-difference" e tal?


É a mesma porcaria. Nesta e noutras coisas.



O que de bom fez esta Direcção da Liga para além de se deixar enredar nas teias mafiosas da maquinação escabrosa do Apito Dourado que queria ser a sua bandeira de afirmação e começou a marcar o início do fim do seu descrédito ao pretender favorecer o clube do regime?



Nem é preciso lembrar quem e como venceu a última edição da Taça da Liga.



Convém recordar desde o início o clube que ameaçou não participar (se não avançasse o pífio Apito Final, para extrapolar vantagens indevidas nas provas europeias) e logo beneficiou daquele famoso penálti de cabeça na Roubalheira...

A verdade é como o azeite.

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11 Novembro 2009

O revisionismo histérico

Por Zé Luís

O "Tetra" do FC Porto comparado com os últimos quatro troféus domésticos do Benfica. As conversas com árbitros e um árbitro britânico cheio de letra e não só miúdas em Lisboa. Depois da negação do caso Calabote, prò ano um golo fradulento de Vata será transformada em remate com o pé mais à mão para comemorar os 10 anos de uma ida a uma final europeia?


A propósito de isto, que o Corta-Fitas anunciou por antecipação à publicação deste artigo de panfleto de clube de caserna, alguns portistas deram-se ao luxo de publicar tal lixo como vinha apresentado em vez de, higienicamente, fazerem meramente o link para a "notícia" no site oficial da agremiação do Alto dos Moinhos.


Tive, então, três atitudes: denunciar, transpondo a coisa integralmente de onde a vira, para alguma divulgação do absurdo sem os pormenores do original; escolher uma foto adequada, ao caso em causa, no contexto de uma discussão de dedos em riste por sinal em voga naquela altura por questão de má educação e mau carácter nem de propósito com origem no mesmo clube também de maus costumes em Portugal; e, obviamente, comentar no bem apresentado e até humorado post do blog em causa que muito gosto de ler.


O meu comentário, então, resumiu-se a dois aspectos:


- ao contrário do que se apregoa(m), o Benfica preocupa-se mais com o FC Porto ("É o nosso grande rival") do que o inverso, dando relevo aos muitos títulos conquistados que já ombreiam (64-63) com o rol de honras do clube da Luz;


- e que, com este sinal, um dia chegaria em que até o golo de Vata com a mão, ainda que insuficiente, mesmo que por pouco, para ganhar uma Taça dos Campeões Europeus, seria negado como Pedro negou, por três vezes, Cristo.


Outros assuntos e falta de tempo e espaço só agora me permitem voltar ao tema, como desejava, com a adenda histórica da celebração (dos 20 anos) da queda do muro de Berlim.


Uma perspectiva idiosincrática muito portuguesa, com a nossa arbitragem de trazer por casa, já a deixei esta semana. Prometi abordar a questão histórica inerente ao antigamente.


No "paraíso" socialista, com o farol de luz da então URSS, era norma - depois de o sanguinolento estalinismo ter enterrado, antes de milhões de vítimas perseguidas de forma vil e despida de qualquer conceito humano, os ideais marxistas - modificar a História. Na alvorada do paraíso terrestre por obra e graça de princípios doutrinários, criaram-se conceitos e linguagens que até os mais reputados génios da Literatura e Pensamento ocidentais aceitaram e difundiram, salvo raras excepções. Ao revisionismo histórico, adulterando factos, chegou-se ao ponto de se apagarem figuras de relevo que nem a espuma dos tempos levaria até ao desconhecido. Mas isso não se fazia só por se eliminarem registos escritos, ou por simples degredo siberiano nos Gulags da praxe, mas até apagando pessoas das fotos e poses oficiais. Há muitos exemplos de prática dos primórdios do photoshop em "postais" de Estaline: não era só pela encenação, com crianças cujos pais foram engolidos pelo aparelho repressivo e sanguinário, ao pé do grande líder; era mesmo fazer desaparecer figuras das fotografias. Há imensa bibliografia destas coisas e programas televisivos.

Agora, com tiques de proselitismo e reaccionarismo de outros tempos, dignos de outros regimes, a coberto da liberdade de expressão vão-se dizendo a fazendo umas asneiras no Benfica a quem a história contemporânea não tem favorecido.


Por estes tempos, já tivemos:

- profusa documentação sobre os 50 anos do campeonato do Calabote que não sorriu ao clube do regime e com o Benfica, e múltiplos acólitos estrategicamente colocados em fóruns televisivos e colunas de jornal, a querer reinventar a história que se conta com factos descritos na Imprensa da época;

- os exemplos degradantes do seu último campeonato ganho (com a APAF em força); da sua última Taça de Portugal ganha (graças ao costumeiro SLB no Jamor); da sua última Supertaça ganha (ajuda preciosa do Olarápio); e ainda há meses da sua última Taça da Liga ganha (de novo com o SLB porreiro, pá).


A monstruosa encenação mediática, com o peso institucional das rédeas manobráveis da República corrupta e moribunda, que foi o Apito Dourado, esvaziado no Pífio Final em vias de sofrer a última expiação pública e jurídica dos seus pecados capitais, tem agora o Apito Continuado a favor do clube do regime.


Dos tentáculos dessa teia imensa, pelo visto ainda sobram (?) umas gravações que nunca foram publicadas e é legítimo duvidar-se que existam mesmo. Mas nos escombros dessa ruína de tráfico processual e litigância de má-fé sob a capa da legalidade vigente, alguém ainda quer vender algo como se fossem pedaços do odioso muro de Berlim que virou, como é norma no mercadejar no frenesim actual, peça de museu, artigo de colecção e modelo de ostentação pessoal, esquecendo a origem e o significado que o muro representava em si mesmo, tal como o processo maquiavélico do Apito Dourado.


Passamos, da prática originada na URSS, ao revisionismo histérico da facção benfiquista. O golo de Vata há-de ser alvo de uma limpeza profiláctica para ser apresentado em 2010, 20 anos após a trapaça que afastou o Marselha da final europeia de 1990, como um golpe de asa da águia negra, vide um remate com o pé mais à mão.

E, como é bom de ver, as extensas explanações de Howard King e as suas aventuras sexuais em Lisboa, contadas num jornal inglês, serão tidas, definitivamente, como heréticas, enquanto se garante, urbi et orbi, que nem sequer há putedo na capital portuguesa onde os gangs armados e as redes de corrupção estão desalojados como os habitantes das barracas transferidos para condomínios de luxo pelas benesses sociais do Rendimento Social de Inserção.


Aliás, o facto de, por aqueles lados, ainda se "sentirem campeões nacionais de juniores" diz bem do estado mental e de total negação de quem, desabituado de ter justiça à perna, depois dos casos de doping, resiste, apesar da "falência técnica", apenas com alucinogénios.


O problema, de facto, é o FC Porto ganhar. Aos últimos 4 títulos nacionais consecutivos dos dragões, fora outras minudências mais laureadas pelos lados de Alvalade, vale a pena contrapor os quatro derradeiros troféus domésticos que o Benfica conquistou?

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10 Novembro 2009

O muro de Berlim caiu ou está de pé?

Por Zé Luís




O que tem a ver Lucílio Baptista com o "die Mauer"? E a separação física de duas realidades com a linha de fora-de-jogo não observada a Mariano? Reviravoltas pela história.



Um muro é uma realidade física que pode adornar, se bem formatado a jeito, uma propriedade ou separar dois mundos. Pode ser da moda, como terá sido há 10 anos e como poderá ser daqui a 5 anos pelas Bodas de Prata da data; pode ser mania, é alvo de recordação ainda hoje na capital alemã. Pode ser chocante, pode ser fruto apenas de ideologia. Quando não uma raíz mental no subconsciente. Não é que me alicie falar disto, porque há 10 anos devem ter sido ditas as mesmas coisas pelas mesmas pessoas que conheceram aquilo. A diferença é que o show-off é com outros, a Clinton, a Merkl, até o Sócrates lá estavam. Talvez em 2014 sejam outros, mas as histórias locais sempre iguais.

Para mim, a queda do muro de Berlim diz algo; também algo distante porque não lá estava, mas por ter sido a alguma distância que pressenti, como todo o mundo, que iam acontecer coisas. Depois da abertura flagrante em Budapeste nesse Verão, com gente a passar de lá para cá no que foi a brecha simbólica no "muro" que dividia a Europa dita "rica" daquela onde localizavam o "paraíso", encontrava-me em Praga nesse Outubro de 1989 e conheci a agitação junto às embaixadas de países ocidentais, pessoas aos magotes que procuravam ou saltar os portões ou esperar, ameaçados, por um visto no seu passaporte, na rua, à mercê da polícia local que nestas coisas nunca era discreta.
Hoje ainda mais difundido mundialmente, com pedaços levados pelos coleccionadores a todos os cantos do planeta, o muro ainda marca diferenças: colorido pelos grafitis no lado ocidental, cinzento (depois de inicialmente pintado a branco) no lado oriental; separava o mundo abastado da terra conformada com a penúria; era tão alto e impenetrável que a sociedade de consumo, a democracia, as drogas, os punks e os homossexuais - hoje massificados globalmente - não via nem era vista desde a zona da "normalização" social, da aparente igualdade de classes, das lojas desguarnecidas de bens alimentares abundantes no outro lado, do Estado policial, de partido e pensamento únicos.

Passados 10 anos sobre a última "cerimónia", não me ocorria evocar isto, apesar do gosto por temas históricos, sociais e ao de leve políticos, não fosse a triste realidade portuguesa que diariamente nos esmaga. E ajudou o futebol que, ontem à noite, fechou a jornada. Aos 20 anos da queda do verdadeiro e odioso muro de Berlim aludiu-se, também, o muro defensivo da Naval que o Benfica acabou por derrubar na data histórica.

Fiquei curioso, à falta de ver o directo, mas os resumos, todos os resumos de todos os canais, foram como se fossem um só resumo num só canal. O que não admira. Se a proliferação de televisões e jornais fosse sinónimo de democracia, liberdade de expressão e de informação, ninguém se poderia queixar no Irão ou na China. Portugal, de forma desapercebida, é que caiu do 15º para o 31º lugar à beira de ícones da liberdade de imprensa como o Mali, escassos meses depois de sair mais um diário para as bancas e decorrerem negociações para haver um 5º canal de televisão ainda que envolto em polémica e excessiva mas estranha "legalização" no país do Simplex e empresas na hora dignos do grande líder e do partido albanês.
Aos "amanhãs que cantam" prodigalizados por cá a uma avalancha de futebol do Benfica, ainda assim, consegui ver com a Naval, nesses resumos apenas de jogadas a finalizar, mais de metade dos lances ocorridos só de bolas paradas. Cantos e livres, que desta vez os mergulhos foram todos fora da área como se não confiassem no Lucílio artista de apitar por dedução. Mas a informação pode ser sacada do nada, se subsistirem dúvidas, e um amarelo a Godeméche, por Saviola ter ido de encontro ao francês, fez-me soar o alarme.

Já pela noite dentro - naquelas horas mortas onde se fazem por vezes revoluções e para as quais o documento oficial de Gunter Schabowski estava previsto (às 4h) ser publicado para abrir formalmente a passagem do Leste para o Oeste já a 10 de Novembro de 1989 mas que ele, descuidadamente a simbolizar a fragilidade de todo o regime que assolava a Europa Oriental, antecipou para o fim de tarde, de voz própria, numa conferência de Imprensa, imagine-se, a responder a jornalistas - a RTP deu um resumo alargado do Benfica-Naval.
Foi o único momento em que pude ver se a falta da qual saiu o livre para o Benfica marcar existiu. Não existiu. Di Maria, abençoado para as quedas, quis passar entre dois opositores, andou no habitual tem-te-não caias e o amigo SLB, o afamado Senhor Lucílio Baptista, marcou falta.

Nada de novo, de resto: o João "Pode vir o João" Ferreira também inventou uma frente à Naval, na Figueira, na época passada, um livre em que o mesmo di Maria pediu mão de um adversário quando este recebeu a bola no peito, falta da qual Katsouranis, de cabeça, ditaria a vitória (2-1) lá para Março ou Abril passado.
O muro da Naval caiu, para pesadelo daqueles que aplaudem os "autocarros" da Académica e do Belenenses no Dragão. Mas um outro muro se levantou. O muro que paira nas cabeças de muitos tugas mal formados que acham dever obediência cega e respeitinho congénito ao líder, ao regime, à bandeira do país. Aquilo que subconscientemente árbitros como Lucílio Baptista fazem, apitando em favor do mais forte. Viu di Maria no chão e marcou falta. Por acaso deu golo, o que é um acaso na história, tanto que não faz levantar dúvidas e tão irrelevante que nenhuma tv voltou a mostrar, nos seus resumos fastidiosos, a origem do livre.

O SLB ajudou o SLB, mas a Imprensa do regime, mesmo diversificada em títulos na profusão da Imprensa que existe em Teerão ou Pequim, não tem dúvidas. O regime é assim e muita gente vive enclausurada, mentalmente, neste círculo vicioso.

Esta profusão de gente de uma Imprensa diversificada e alegadamente livre enquanto se remete às forças do mercado para levar a vidinha, é capaz de fechar os olhos a outras coisas. Ou ter um vislumbre de marosca caso a coisa tenha outras cores.

De cretino em cretino, de Baptista em Baptista, um parco resumo respigado do Marítimo-Porto, posto descuidadamente no ar com a mesma falta de "sentido de Estado" de Schabowski na tarde de 9/11/1989 em Berlim-Leste, demonstra que Mariano está em jogo e podia tabelar com Farias ambos isolados ante Peçanha.

O auxiliar Luís Salgado, aquele a quem faltou dar o cachaço por não ter alegadamente visto um eventual golo de Petit que jamais alguma imagem comprovou, marcou fora-de-jogo. Por sinal, era uma situação para ter dúvidas, pois Mariano, ali à sua frente, retirava-lhe a visão de espaço necessária para apreender toda a linha fictícia do fora-de-jogo e, assim, não via que João Guilherme, no meio do campo, punha Mariano em posição legal.

Desta vez, nenhuma luminária como as mais raras existentes no Rascord, pediu a linha amarela do fora-de-jogo que a tv não mostrou. A SportTV, no directo, mal repetiu o lance. Sei que há um problema de liberdade de acção na Madeira, extensivo ao continente e que é propalado como se existisse um muro que protege A.J. Jardim, cuja dialética ideológica não chega para convencer o "Terreiro do Paço" de que há pior na "Metrópole". Os jogos são filmados mal e porcamente. Mas, vendo a repetição, Mariano estava em jogo e, apesar de tudo o que justamente se disse do mau jogo do FC Porto, podia dar empate naquele lance até pela superioridade numérica com Farias face a Peçanha.

O terceiro golo portista à Académica, precisamente por Farias e na linha do fora-de-jogo, mais imaginária ou real consoante as cabecinhas ocas do regime, foi alvo de reparo em editorial de Farinha do mesmo saco de vesgos, aquele que não viu, em nome do pensamento único e do partido ou clube único, os dois golos academistas precedidos de mão na bola.

Há, obviamente, uma lógica única nisto. O Baptista que dá amarelo a um jogador da Naval por Saviola ter ido de encontro a ele parecia o Baptista que marcava faltas a Bruno Alves por saltar mais alto e os adversários madeirenses virem contra ele. É o pensamento único. O clube único, na antiga RDA, era o Dínamo de Berlim, campeão 10 anos consecutivos... Coisas bizarras hoje em dia e que soam tão mal como o muro dedicado a quem o ergueu, Walter Ulbricht então líder da Alemanha que sonhava viver ao sol mesmo à sombra do urso soviético.

Da próxima, pegando na História, abordarei as consequências de permanecer de pé esse muro irreal que esmaga consciências e, à boa maneira da "política de blocos" de há 20 anos, apaga retratos e tomba no "revisionismo histórico".




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08 Novembro 2009

Quem sofre são os adeptos

Por Menphis
MARITIMO 1 - 0 FCPORTO
Marcadores: Rolando ( 30´própria baliza )

Equipa: Helton, Álvaro, Sapunaru ( Tomás Costa 74´), Rolando, Bruno Alves, Fernando, Raul Meireles, Guarin ( Mariano, ao intervalo ) , Rodriguez ( Farias 62 ), Hulk e Falcao

Como se o empate contra o último classificado não servisse de lição, o FCPorto foi à Madeira averbar a segunda derrota no campeonato, ainda por cima, numa jornada onde se poderia aproximar do seu adversário principal, realizando, mais uma vez, uma exibição miserável, com o tal sofrimento que Jesualdo Ferreira pedia, mas, desta vez, para os adeptos.

Com a mesma equipa que alinhou frente ao APOEL, o FCPorto encontrou um relvado pouco propicio à prática de qualquer desporto, nem sequer rugby, o que prejudicou a futebol que a equipa portista queria apresentar, a equipa do Marítimo adaptou-se melhor, conseguindo apresentar um futebol directo, mais condizente com aquele relvado. Mas isso não serve de desculpa para nada, nem sequer a incompetência, que está nos genes, do árbitro.

Quanto ao FCPorto, apresentou o “futebol” que tem vindo a espalhar durante os últimos tempos, falar de todos os defeitos da equipa portista, seria por demais repetir tudo aquilo que escrevi nas crónicas das últimas partidas. O tempo passa, as jornadas avançam, e o futebol apresentando nada melhora, não evolui, embora, em todas as jornadas, o treinador acabe por identificar as causas de tão más exibições. O que é certo, é que a equipa nada melhorou, e desta vez, até junta as más exibições aos maus resultados, o que já é mais grave.

O FCPorto, equipa que assume a candidatura ao título, equipa que é Tetracampeã nacional, ofereceu, mais uma vez, ao seu adversário, 45 minutos de avanço, não conseguindo criar qualquer jogada de perigo, nem apresentando um remate perigoso para cartão-de-visita.

A equipa perdia-se em imensos passes errados, alguns deles bem infantis, lances mal construídos, não conseguindo realizar uma jogada com cabeça, tronco e membros.

E quanto a lances de bola parada? É favor esquecer. De livres directos até ficam sempre perto do perigo, pelo menos dá para suster a respiração, de cantos ficam a roçar o cómico. E continua a ser sempre o mesmo a marcar.

Mas, nesta partida, o FCPorto optou por ir mais longe nas ofertas, o golo do Marítimo surge porque Rolando corta de forma deficiente e introduz a bola na própria baliza. Existem dias que parecem que atraímos o mal para nós.

Na segunda parte, o FCPorto continuou a ser mais bom samaritano, e ofereceu ao Marítimo oportunidade para conquistar uma vitória justa, fazendo apenas o seu jogo normal, não necessitando de jogar muito. A equipa da Madeira, apenas necessitava de tentar fechar os caminhos da sua baliza, afastar a bola da sua zona defensiva e na frente os seus avançados importunavam, e muito, os defesas portistas.

Nem com as substituições, nem com a mudança de sistema de jogo, o FCPorto apresentou algo que justificasse sequer o empate, quanto mais a vitória. Se ao FCPorto pedia-se uma reacção para dar volta aos acontecimentos, a equipa portista demonstrou não ter forças para reagir, estando, incompreensivelmente, de rastos fisicamente.

As melhores oportunidades de golo do FCPorto surgem nos últimos minutos, com Falcao em destaque, primeiro com Peçanha a fazer uma excelente defesa, e noutro, através de um lançamento para a área, Bruno Alves ganha nas alturas e Falcao cabeceia muito por cima.

Por último, uma palavra de apreço para Helton, jogou em extremas dificuldades, principalmente na segunda parte, mas mostrou sempre empenho e espírito de sacrifício para aguentar até ao fim.

O toque de reunir é necessário, mas fica para mais tarde, agora vai tudo para as selecções e quando regressam é começar logo a jogar para a Taça de Portugal. Os erros ficam mais tarde para serem observados. Ou para serem esquecidos, mais uma vez . Os próximos tempos o dirão.

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Regressar ao caminho certo

Por Menphis
Perspectivo um jogo muito complicado, como todos os jogos na Madeira. O registo do Marítimo nos últimos três jogos é bom e, frente ao FC Porto, será uma equipa mais agressiva e mais moralizada.O FC Porto vai ter que sofrer de novo, terá que ser uma equipa solidária e empregar-se a fundo para vencer este jogo.

Não há ninguém que consiga melhorar sem trabalhar e sem avaliar esse mesmo trabalho. Não conheço ninguém que consiga evoluir no futebol sem trabalhar muito.

Há jogadores nucleares em qualquer equipa e há capacidades individuais que ainda não estão ao nível que nós queremos. O êxito das transições depende também da capacidade de decisão de quem tem a bola. ( Jesualdo Ferreira)


MARITIMO - FCPORTO
ESTÁDIO DOS BARREIROS
18 HORAS, SPORTTV
ÁRBITRO: PAULO BAPTISTA

Depois do passo atrás da jornada anterior, nada do que recuperar o caminho certo, logo num campo tradicionalmente dificil, mas que, nas temporadas mais recentes, tem obtido bons resultados. O Maritimo, orientado pelo antigo jogador Van der Gagg, está num momento interessante, depois de ter começado mal a época, o que poderá ainda dar problemas extras para a equipa portista. Na equipa titular, creio que Belluschi regressará à equipa inicial, depois de não ter jgado na Champions League.



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06 Novembro 2009

Business as usual

Por Zé Luís

O FC Porto apurou-se de novo para a segunda fase da Champions. Quatro vezes em quatro anos de Jesualdo. Pode não parecer novidade, mas uma taxa de sucesso desta grandeza não deve ser menosprezada. Por muito menos, por exemplo, Paulo Bento foi incensado na época passada. Seria mais novidade, era a primeira vez do Sporting, mas a desproporção das proezas é tão gritante quanto sintomática é a razão de, invejando os êxitos dos dragões, a generalidade da Imprensa e a TV não fazerem parangonas com os repetidos triunfos portistas. Dizem que é o mercado. E esta é, aliás, uma prova de dinheiro, um reflexo do pouco que com sucesso Portugal tem vendido ao estrangeiro e a confirmação de ser o FC Porto o grande embaixador de Portugal no mundo da bola.

Estranho de um sentimento sibilino de rancor e desprezo a que votam estas coisas é, em contraponto, a valorização de factores económicos amiúde transportados para o futebol. Ou pelos 81 milhões de euros de orçamento do futebol portista para a próxima época ou pelos 700 mil euros pagos a Pinto da Costa, como administrador, no ano fiscal findo.

Nesse desfocar dos pontos essenciais, fazendo uma mixórdia de interesses com factos irrelevantes se não forem contextualizados, a Imprensa de sarjeta entretém-se a divertir o povo com pão e circo.

Podia evocar milhentos exemplos de imbecilidade informativa e incapacidade argumentativa de quem empola certos aspectos da vida dos clubes. Porque há sempre, depois de cada fluxo, um refluxo, há uma onda a seguir a outra e sempre há mais marés que marinheiros.

É que agora já se sabe, por exemplo, que o futebol do Sporting não custa só 20 milhões de euros, como se faz crer há muitos anos. O último R&C revelou que os leões gastaram 56 milhões na época passada, o que não pressupõe, afinal, terem os leões metade do dinheiro que o FC Porto tem para gastar – a publicidade que andou a ser propagandeada para a vitimização do calimero.

E acaba de saber-se que os prejuízos do Benfica rivalizam em gravidade e descontrolo os do Sporting, com números revelados esta semana mas, estranhamente ou talvez não, pouco divulgados na Imprensa Desportiva (20 linhas apenas no Record, apesar de merecer um editorial de 40 linhas) ou ignorados nas tv’s do regime: apenas a TVI deu destaque à coisa e só para falar de números, não para falar das consequências e até das mentiras e preconceitos antes propalados. Se foram pouco divulgados, a dimensão da tragédia a que alegremente os benfiquistas dão desconto conquanto ganhem um campeonato seja de que maneira for e a fazer (sempre) as coisas por outro lado, foi porque, previamente, os responsáveis benfiquistas anestesiaram os analistas presentes, sem cérebro nem escola ou formação, com tretas para amortecer o impacto da coisa tremenda.

Já nem é tanto que Pinto da Costa, afinal, ganhe sozinho mais do que os três administradores da Benfica, SAD juntos e, por si mesmo, o triplo de Rui Costa (236 555 euros) endeusado como “gestor” quando é mais referenciado por questiúnculas com túneis e comportamentos inadequados vários. Mas dizer que vão passar o estádio para a SAD, como se artificialmente o seu valor possa amenizar os prejuízos sendo que os sócios e o clube vão ficar mais pobres em nome da sociedade de accionistas, é mais um motivo para Portugal se rir do nível de gestores que tem e de cuja competência duvidamos, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos, na sociedade civil e na gestão das coisas do Estado. Mais vale continuarem a propagar a ideia de que basta vender dois ou três jogadores – que ninguém compra – para isto ir ao sítio para alimentarem a chama imensa que os cega. E a Luz não ir abaixo.

Isto tudo, por fim, depois de há um ano o responsável pela área financeira do Benfica ter minimizado a importância das receitas da Champions. Basta vender (mais) “um ou dois activos” para compensar, dizia Domingos Soares Oliveira. Precisamente há um ano, face a um endividamento superior do FC Porto, comentava-se sobre a saúde financeiras das três grandes SAD, da parte dos benfiquistas e com LFV à cabeça, a dizer que não interessa títulos mas sim equilíbrio financeiro, como se a gestão de uma equipa de futebol dispensasse êxitos desportivos.

A FC Porto, Futebol SAD sempre foi, não obstante muita calúnia e tanta desinformação vertida até por altos responsáveis editoriais em entrevistas televisivas, a melhor das três. Podia ser melhor? Podia; mas para alimentar uma bacoca opinião que se publica, não seria a mesma coisa.

Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"

O Portistas de bancada contribui com uma crónica semanal no Futebol: Desporto-rei, a convite deste. A parceria destes blogs tem montra à 5ª feira. Quem quiser ler, clique no título acima.

05 Novembro 2009

Passe, drible e remate

Por Zé Luís
"Não há nada que supere um bom passe, um bom drible e um bom remate" - Carlos Queirós, na RTP-N (depois do APOEL-FC Porto), um banho de bola do seleccionador nacional

Na 3ª à noite, após o carimbo da qualificação na Champions obtido em/no Chipre, não desgrudei da tv porque logo a seguir havia uma entrevista com Carlos Queirós na RTP-N ("Trio de Ataque"). Há quantos anos um treinador não falava de futebol na televisão, comentando as suas opções, falando de jogadores não convocados ou excluídos por lesão, má forma ou simplesmente de ter sido relegado para suplente no seu clube, abordando opções tácticas e os sistemas de jogo para a selecção de Portugal.


Ou a sua comunicação passou ao lado, ignorada quase olimpicamente na blogosfera e reduzida a questões de pormenor em curtos espaços nos "desportivos" em papel, ou mereceu até alguma zombaria despropositada. Porque, além de uma excelente pessoa e bom comunicador, com português escorreito e ideias claras e denotando amadurecimento, Queirós falou do seu cargo específico e não se gosta de bacalhau. Falou de futebol como um "desígnio nacional" que vai muito além de pôr bandeiras à janela, apostando consciente e firmemente num dos produtos mais vendáveis do País. "Temos muito a fazer pelo futebol português e há muito para fazer no futebol português".
O professor foi como que à escola, tal como o professor do Dragão tem de dar noções básicas de futebol a jogadores jovens e jornalistas inexperientes quando não mesmo imbecis.

Queirós até falou de Scolari, para frisar uma das muitas (a última?) desconsiderações do bronco brasileiro com quem muitos tugas ansiaram mancomunar-se... Scolari que fez um manguito à colaboração de prestar auxílio e ceder documentação dos seus 5 anos de reinado a quem lhe sucedia no cargo. Scolari por quem muitos suspiram ainda, qual Salazar... O chefe era ele, lembram-se?

O seleccionador falou de Quim, de Beto, de Pepe, de Meira, de C. Ronaldo, de Nani - e há tanto parolo a discutir certas opções relativamente aos dois jogadores que orientou e levou para Manchester -, de 4x43x3, de 4x4x2, dos jogos com a Suécia, Albânia, Brasil (a "selva"), a relação com a Imprensa e a casta de maldizentes cegos ante os desmandos e as imbecilidades do ex-seleccionador brasileiro que chupou até ao tutano a boa teta que lhe deram para mamar e que de início ele desprezou. Podia evocar aqui alguns detalhes da entrevista e as costumeiras impertinências de tipos pouco lúcidos como APV na questão da saída de Quim que passou como o único que pagou pelo 2-6 no Brasil - uma derradeira indelicadeza da herança de Scolari com um amigável absurdo e com todos os ingredientes para dar em descalabro como sucedeu. Quim, frangueiro nesse jogo e que já antes tivera a saída em falso num canto pelo qual a Dinamarca fez 2-2 aos 88', que perdeu por causa de um frango com o Setúbal a titularidade na Luz...

Mas de Portugal teremos em breve tempo para falar, para o play-off com a Bósnia. A verdade é que, sem desviar-se do tema da selecção (e das selecções que foram esquecidas pelo então "o chefe sou eu"), Queirós acabou por ditar uma frase lapidar logo de início e que ia de encontro ao que voltamos a ver no FC Porto.

Quanto ao sistema de jogo, suas variações e intérpretes adequados, Queirós rematou com a frase acima descrita: nada supera um bom drible, um bom passe, um bom remate. Vimos o FC Porto fazer o pior jogo da Champions em quantidade de passes acertados, vimos Rodriguez não segurar uma bola, vimos Hulk a tabelar mal ou nem tabelar com um colega, vimos Hulk isolado sem fintar o guarda-redes, vimos Falcao isolado a rematar à figura do guarda-redes.

Vimos, por fim, Falcao fazer um bom movimento a fugir ao central e a rematar bem, cruzado e rasteiro, para um golo de belo efeito. E tudo pareceu esquecido com a vitória, variando o humor dos adeptos entre a fraca exibição pelas bolas (mal) perdidas e o triunfo sem mácula e apuramento antecipado que não deixam de nos trazer contentes.

A verdade é que não há treinador "a salvo" com maus passes, maus dribles e maus remates. Jesualdo praguejou em Chipre, Queirós deitou as mãos à cabeça face aos golos falhados de Simão ante a Dinamarca em Alvalade e em Copenhaga. Falcao acabou a marcar, Simão foi crucial nos dois jogos finais do apuramento ao ponto de ser apontado como salvador.

O futebol é isto. Sem dúvida.