De Jardel a Lisandro, de Robinho a Tomasson, de Leo a Reyes, de Cebola a Falcão, o passado, o presente e o futuroFalcão não chegou, mas deve ser ironia do destino. Anunciado pelos pombos-correio do costume, a contratação falhada do Benfica traz a ameaça de um desvio de rota para o FC Porto. Comportamento psicótico que Pinto da Costa fez questão de sublinhar ontem, onde já não se questionou (como há um ano) a sua presença na AR apesar dos processos em tribunal, não se contestou a sua ironia que muitos diziam estar em desuso, nem

se beliscou as suas bicadas oportunas no coração da cidade onde bate o centralismo futebolístico subjugado pelo poderio portista emanado da província.
Os desmiolados do costume não tinham o hábito de associar ao FC Porto, como complexo pavloviano, jogadores rejeitados pelo Benfica, apesar de anunciados em parangonas e alguns vestidos a rigor com o novo emblema onde os pasquins paroquianos os foram desencantar para uma “première” sem luz ao fundo do túnel.
Lembro Jardel, por exemplo, que o senhor “Gastar Vamos” fez de snob… Ou Lisandro, alegadamente seguro por 5 anos mas que, ao tempo, ninguém quis atravessar o Atlântico para equipar de vermelho e a 1ª página apareceu com Licha no equipamento do Racing, azul e branco.
Esses, posteriormente, acabaram no FC Porto. Manobras de diversão não associaram a ideia de perfídia e máfia, conotando logo o FC Porto com as renúncias a esses jogadores.
Mas no Verão do passado recente onde o populista presidente agora em vias de voltar à cadeia não era o plebiscitado líder do Benfica, houve muitos Robinho, Tomasson, Sávio, Munitis, Júnior, Hierro e tutti quanti por quem o FC Porto não se interessou.
Júnior, se se lembram, por exemplo, um lateral-esquerdo baixinho mas rápido e bom de bola, andou perseguido pela feroz Imprensa porreiro, pá que por 15 dias rondou Parma para o levar para a Luz. Nada. Para o FC Porto? Nada.
Outro? Atouba, um gigante africano defesa-direito: jogava no Basileia e também estava garantido. Nada. Relação com o FC Porto? Só quando jogou pelo Hamburgo na Champions e não via por onde lhe fugia Quaresma, acabando substituído e saindo sob assobios dos seus adeptos no jogo da Alemanha. Por sinal, um jogador livre, agora, mas que o Benfica não quis pegar… depois do “forcing” junto dessa potência futebol helvético…

Na época passada foi Cristian Rodriguez. Benfica não convenceu o jogador a prolongar contrato de empréstimo. “Em 5 minutos” assinou pelo FC Porto. Alguém falou em “roubar”, como se fala levianamente em “querer ser campeão”.
Parece que, depois de Álvaro Pereira que algures na Roménia “falou à Benfica” e acabou no FC Porto para continuar a jogar na Champions onde acedeu pelo modesto Cluj na época passada, poderá vir Falcão. Que também “falou à Benfica”, mas percebeu o que era mesmo e fez-se caro.
Já não há apelo como antigamente. Por exemplo, monstros do futebol internacional como o holandês Peter Lovenkrands, confrontado com a possibilidade de ir para a Luz disse que “prefiro ficar no Rangers”. Pagou, aí sim, o FC Porto, a quem marcou o 1-0 no malfadado confronto de Ibrox (3-2)…
Mas há apelos doentios: o último por Reyes. O penúltimo tinha sido o Leo, outro lateral-esquerdo baixinho brasileiro e ressabiado contra o FC Porto que me parecia mancar em campo… As “fatwa” dos ayatollahs da mouraria eram decretadas pela Imprensa do regime e a capital não dormiu. Com medo da própria sombra, esta semana li um bacoco director-qualquer coisa do Rascord afirmar que não se confirmava a “notícia” dos blogs sobre a passagem de Reyes para o Dragão. “Caga nisso” (nome de uma amadora banda rockeira por onde também podem passar uns acordes trauliteiros dos rabos de cavalo que acabam na Imprensa do regime), pá! E proclamava que, afinal, os blogs não são fiáveis, falham… “notícias”. É só rir, mas já mete pena.
E logo Reyes, a estrela maior da constelação cadente da Luz onde muitas lâmpadas se fundem. Jogador de qualidade técnica e fotogénica, que se habituou a brindar na passagem de ano o título de campeão para as 1ªas páginas desportivas, um homem que não deu continuidade à sua carreira de forma fluida, porque o seu jogo vê-se a espaços e é demasiado intermitente no

rendimento de uma época inteira para ser considerado fundamental numa equipa de alta competição como o Arsenal, Real Madrid e Atlético (não o de Alcântara…).
A ironia do destino é que aqueles ressabiados que para darem vivas à partida de Lisandro do Dragão lembraram o penálti forjado contra o Benfica, nem lembraram que Reyes no FC Porto poderia ser sinónimo de não se lhe marcarem penáltis por faltas sobre Lucho.
Mas o mercado é malandro e ainda bem que a anunciada resolução da renovação de Liedson, feita após a eleição de Bettencourt a presidente e antes de o jogador ir de férias, só se consumou agora, parece que verdadinha mesmo, não por culpa de Pinto da Costa. Às vezes é preciso um “empurrão” benfazejo de fora para aclarar situações negociais/contratuais e terá chegado de Sevilha, onde quiseram fazer o ninho nas costas do leão e o presidente del Nido quereria o Levezinho para substituir Luís Fabiano de possível saída para o Milan.
Ah, o Milan, o mercado, as certezas. Bom mesmo é o Galliani, o homem que telefonou a Rui Costa na despedida de jogador da Luz e mostra ao ex-rossonero o que é ser director-desportivo e actuar em nome do presidente. Bons exemplos. Belo mercado.