. Bem-vindos ao Portistas de Bancada - Deve o FCPorto falar das arbitragens? O FCPorto ganha ou perde alguma coisa em ficar calado? São estas as perguntas que estão na barra lateral à espera da Opinião da Bancada

11 Julho 2009

O caminho para o Penta

Por Zirtaev

Calendário 2009/2010


1ª Volta

Paços de Ferreira -
F.C. Porto
F.C. Porto - Nacional
Naval -
F.C. Porto
F.C. Porto - Leixões
Sp. Braga -
F.C. Porto
F.C. Porto - Sporting
Olhanense -
F.C. Porto
F.C. Porto - Académica
F.C. Porto - Belenenses
Marítimo -
F.C. Porto
F.C. Porto - Rio Ave
V. Guimarães -
F.C. Porto
F.C. Porto - V. Setúbal
Benfica - F.C. Porto
F.C. Porto - U. Leiria

2ª Volta

F.C. Porto - Paços de Ferreira
Nacional - F.C. Porto
F.C. Porto - Naval
Leixões - F.C. Porto
F.C. Porto - Sp. Braga
Sporting - F.C. Porto
F.C. Porto - Olhanense
Académica - F.C. Porto
Belenenses - F.C. Porto
F.C. Porto - Marítimo
Rio Ave - F.C. Porto
F.C. Porto - V. Guimarães
V. Setúbal - F.C. Porto
F.C. Porto - Benfica
U. Leiria - F.C. Porto

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1º teste da época 2009/2010

Por Zirtaev

FCPorto 3-1 Tourizense

Bis de Hulk no triunfo sobre o Tourizense

Hulk esteve em relevo na sessão deste sábado do FC Porto, ao apontar dois dos três golos que deram a vitória sobre o Tourizense, em jogo-treino realizado no Olival. Mariano também marcou para os Dragões, que viram o plantel completar-se esta manhã, com a chegada dos nove internacionais que tiveram as suas férias prolongadas devido aos compromissos dos respectivos Países.

Jesualdo Ferreira aproveitou o ensaio frente à equipa da II Divisão para concretizar algumas ideias trabalhadas ao longo da semana, naquele que se afirmou como um primeiro esboço do que o treinador pretende para a época 2009/10.

Foram utilizados todos os jogadores de que o técnico dispõe nesta altura (Benítez, Belluschi, Cissokho, Fernando, Helton, Hulk, Maicon, Mariano, Nuno, Nuno André Coelho, Silvestre Varela, Stepanov e Tomás Costa), sendo a novidade a inclusão de Álvaro Pereira.

O internacional uruguaio apresentou-se esta manhã ao trabalho e já treinou com os novos companheiros. Os restantes atletas de Selecção (Beto, Bruno Alves, Cristian Rodríguez, Fucile, Guarín, Raul Meireles, Rolando e Sapunaru) limitaram-se a fazer exames médicos.

Quanto a Farías, Miguel Lopes e Orlando Sá, voltaram a cumprir os devidos programas de recuperação (trabalho de ginásio e tratamento para o primeiro; treino condicionado para o segundo; e trabalho de ginásio para o terceiro).

Os Tetracampeões tornam a reunir-se amanhã, desta feita para uma dupla sessão de treinos. O da manhã está marcado para as 10h00 (à porta fechada) e o da tarde para as 17h (integralmente aberto à comunicação social). Ambos decorrem no Olival.
In FCPorto.pt

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10 Julho 2009

Psicótico, no mínimo…

Por Zé Luís

De Jardel a Lisandro, de Robinho a Tomasson, de Leo a Reyes, de Cebola a Falcão, o passado, o presente e o futuro

Falcão não chegou, mas deve ser ironia do destino. Anunciado pelos pombos-correio do costume, a contratação falhada do Benfica traz a ameaça de um desvio de rota para o FC Porto. Comportamento psicótico que Pinto da Costa fez questão de sublinhar ontem, onde já não se questionou (como há um ano) a sua presença na AR apesar dos processos em tribunal, não se contestou a sua ironia que muitos diziam estar em desuso, nem se beliscou as suas bicadas oportunas no coração da cidade onde bate o centralismo futebolístico subjugado pelo poderio portista emanado da província.

Os desmiolados do costume não tinham o hábito de associar ao FC Porto, como complexo pavloviano, jogadores rejeitados pelo Benfica, apesar de anunciados em parangonas e alguns vestidos a rigor com o novo emblema onde os pasquins paroquianos os foram desencantar para uma “première” sem luz ao fundo do túnel.

Lembro Jardel, por exemplo, que o senhor “Gastar Vamos” fez de snob… Ou Lisandro, alegadamente seguro por 5 anos mas que, ao tempo, ninguém quis atravessar o Atlântico para equipar de vermelho e a 1ª página apareceu com Licha no equipamento do Racing, azul e branco.

Esses, posteriormente, acabaram no FC Porto. Manobras de diversão não associaram a ideia de perfídia e máfia, conotando logo o FC Porto com as renúncias a esses jogadores.

Mas no Verão do passado recente onde o populista presidente agora em vias de voltar à cadeia não era o plebiscitado líder do Benfica, houve muitos Robinho, Tomasson, Sávio, Munitis, Júnior, Hierro e tutti quanti por quem o FC Porto não se interessou.

Júnior, se se lembram, por exemplo, um lateral-esquerdo baixinho mas rápido e bom de bola, andou perseguido pela feroz Imprensa porreiro, pá que por 15 dias rondou Parma para o levar para a Luz. Nada. Para o FC Porto? Nada.

Outro? Atouba, um gigante africano defesa-direito: jogava no Basileia e também estava garantido. Nada. Relação com o FC Porto? Só quando jogou pelo Hamburgo na Champions e não via por onde lhe fugia Quaresma, acabando substituído e saindo sob assobios dos seus adeptos no jogo da Alemanha. Por sinal, um jogador livre, agora, mas que o Benfica não quis pegar… depois do “forcing” junto dessa potência futebol helvético…

Na época passada foi Cristian Rodriguez. Benfica não convenceu o jogador a prolongar contrato de empréstimo. “Em 5 minutos” assinou pelo FC Porto. Alguém falou em “roubar”, como se fala levianamente em “querer ser campeão”.

Parece que, depois de Álvaro Pereira que algures na Roménia “falou à Benfica” e acabou no FC Porto para continuar a jogar na Champions onde acedeu pelo modesto Cluj na época passada, poderá vir Falcão. Que também “falou à Benfica”, mas percebeu o que era mesmo e fez-se caro.

Já não há apelo como antigamente. Por exemplo, monstros do futebol internacional como o holandês Peter Lovenkrands, confrontado com a possibilidade de ir para a Luz disse que “prefiro ficar no Rangers”. Pagou, aí sim, o FC Porto, a quem marcou o 1-0 no malfadado confronto de Ibrox (3-2)…

Mas há apelos doentios: o último por Reyes. O penúltimo tinha sido o Leo, outro lateral-esquerdo baixinho brasileiro e ressabiado contra o FC Porto que me parecia mancar em campo… As “fatwa” dos ayatollahs da mouraria eram decretadas pela Imprensa do regime e a capital não dormiu. Com medo da própria sombra, esta semana li um bacoco director-qualquer coisa do Rascord afirmar que não se confirmava a “notícia” dos blogs sobre a passagem de Reyes para o Dragão. “Caga nisso” (nome de uma amadora banda rockeira por onde também podem passar uns acordes trauliteiros dos rabos de cavalo que acabam na Imprensa do regime), pá! E proclamava que, afinal, os blogs não são fiáveis, falham… “notícias”. É só rir, mas já mete pena.

E logo Reyes, a estrela maior da constelação cadente da Luz onde muitas lâmpadas se fundem. Jogador de qualidade técnica e fotogénica, que se habituou a brindar na passagem de ano o título de campeão para as 1ªas páginas desportivas, um homem que não deu continuidade à sua carreira de forma fluida, porque o seu jogo vê-se a espaços e é demasiado intermitente no rendimento de uma época inteira para ser considerado fundamental numa equipa de alta competição como o Arsenal, Real Madrid e Atlético (não o de Alcântara…).

A ironia do destino é que aqueles ressabiados que para darem vivas à partida de Lisandro do Dragão lembraram o penálti forjado contra o Benfica, nem lembraram que Reyes no FC Porto poderia ser sinónimo de não se lhe marcarem penáltis por faltas sobre Lucho.

Mas o mercado é malandro e ainda bem que a anunciada resolução da renovação de Liedson, feita após a eleição de Bettencourt a presidente e antes de o jogador ir de férias, só se consumou agora, parece que verdadinha mesmo, não por culpa de Pinto da Costa. Às vezes é preciso um “empurrão” benfazejo de fora para aclarar situações negociais/contratuais e terá chegado de Sevilha, onde quiseram fazer o ninho nas costas do leão e o presidente del Nido quereria o Levezinho para substituir Luís Fabiano de possível saída para o Milan.

Ah, o Milan, o mercado, as certezas. Bom mesmo é o Galliani, o homem que telefonou a Rui Costa na despedida de jogador da Luz e mostra ao ex-rossonero o que é ser director-desportivo e actuar em nome do presidente. Bons exemplos. Belo mercado.

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Por Zé Luís

Messi gana el II Trofeo Di Stéfano
FROILÁN MORA09/07/09 - 11:22504comentarios
Messi se ha alzado con el II Trofeo Alfredo di Stéfano, que reconoce al mejor jugador de la temporada en Primera división. Messi sucede a Raúl, primer ganador de dicha distinción.

Don Alfredo e Rei Eusébio lá estavam a apadrinhar CR9. Mas Messi é... Messi.

E depois de CR9, que balanço do efusivo marketing face aos 15/20 mil que receberam Benzema? Desvalorização inumana, parece-me...

p.s. esta é uma versão rapidinha de algumas coisas úteis para lançar de última hora no blog, ao jeito twitter, sobre variados temas e transversal a todos os clubes.

09 Julho 2009

Coerência e sensibilidade

Por Zé Luís
Há um ano era o “ai, Jesus” quanto às saídas no FC Porto e Lucho e Lisandro não eram suficientes para manter pelo menos o barco à tona, muito menos para o tetracampeonato…

Começo de forma invulgar no que poderia e deveria ser o fim, a sentença final.

Portanto…

Há um ano o mundo parecia ir abaixo com as saídas de Paulo Assunção, Bosingwa e Quaresma. Agora idem com Lucho e Lisandro, porventura também Bruno Alves. Dos argentinos, como escrevi e Jorge Maia, em O Jogo, partilhou da mesma ideia, pareciam almas gémeas e se um saía outro sairia também. Do nosso capitão actual, por enquanto, fica com a cláusula pendente e o FC Porto sem obrigação de tesouraria para vender a não ser pelo preço estipulado de comum acordo e não pelas pretensões paternais de sair a qualquer custo…

Não estão sós, essas almas penadas errantes no mundo volátil do futebol actual. Os adversários já fazem as contas ao FC Porto “mais fraco”, como fizeram na época passada e glosaram essa “vantagem comparativa” até ao Outono… Ouvi, entretanto, Pereirinha desvalorizar essa “perda qualitativa” dos argentinos, sabendo, desde há um ano, o que aqui se disse no Verão passado e como o FC Porto foi capaz de repor a ordem natural das coisas. Algum dia, porém, o cântaro deixará a asa pelo caminho e, então, os catastrofistas lembrarão os seus avisos histriónicos. Esta é, do lado portista, a fruta da época, como é nos adversários a “vontade de ser campeões” e a aceitação “dos novos métodos do treinador” recém-chegado. Portanto, o costume.

Pois há um ano, Lucho e Licha permanecerem não eram significado de boas hipóteses para o tetracampeonato. Lucho, recorde-se aos relapsos, tinha, sim, manifestado vontade em sair. Licha, como se sabe, encaixou mal ficar pior tratado em termos salariais quando entrou Cebola e foi o cabo dos trabalhos até o avançado começar a acertar, com regularidade, nas redes para fazer jus ao título de melhor marcador do campeonato. Como Tomás Costa acabou de asseverar, confirmando o que se sabia, Licha e Lucho queriam melhorar a sua conta bancária e tinham ensejo de experimentar outro campeonato. Pois, gracias por todo y felicidades. Fim de ciclo com eles, maravilhoso tetracampeonato que não foi tão fácil como se apregoa ou faz crer. Novo ciclo, na rota do costume, se anuncia, com novas caras e os objectivos mais definidos que nunca.

Metade de Cristiano Ronaldo
Parece que os nervosos e incoerentes adeptos do ano passado se revoltam agora com a saída dos que, precisamente há um ano, não lhes garantiam coisa nenhuma. Vivem confrontados – e amedrontados! - com a realidade de o FC Porto ter de vender e ainda bem que tem de vencer à mesma, embora nem as vendas nem o facto de continuar a ganhar em campo sejam suficientes para os afamados “exigentes” adeptos.

Por dias suspensos do que sucedia em Madrid, com orgulho nacional no máximo pelo mais caro do mundo, ninguém valorizou, como constatei há dias, o facto de o FC Porto ter encaixado 42 milhões em dois jogadores, quase metade de CR9 o que não é mau de todo e deixa o madeirense na mesma situado no topo do mundo em qualquer categoria: o melhor jogador, o mais caro jogador, a fantasia das mulheres e a inveja dos homens, ele é tudo e justamente teve uma recepção inigualável no tempo certo do folclore de Verão.

Por mim, à espera que o FC Porto defina o plantel com a sagacidade reconhecida ainda que nem sempre, e fatalmente, garantia de sucesso que é impossível em futebol, deixo de acreditar, sim, que a equipa, por fim estável, moldada na época passada por Jesualdo possa afinar-se para ir mais longe na Europa, além de revalidar os principais títulos domésticos. Disse aqui o que no meu entender justificava a renovação de Jesualdo, anunciada ainda no Jamor. Obviamente, desfeitas as principais premissas - independentemente de concordar ou não com as saídas que foram do interesse dos jogadores e a quem o FC Porto, com os seus contratos na mão, tirou os seus benefícios financeiros e não “cortou as pernas” a ninguém em nome dos grandes serviços prestados pelos argentinos - a ter de se refazer uma equipa não posso pensar em objectivos para lá dos tradicionais e já instituídos até em letra de lei pela SAD: ganhar na mesma cá e passar a fase de grupos na Champions.

O que já não é mau. Pode ser pouco para os afamados “exigentes”, mas lá terá de ser. Será difícil passar por todo o processo de estabilização de equipa com novos valores em zonas sensíveis, mas confio na capacidade de Jesualdo e na habilidade da SAD para manter a equipa competitiva, ganhadora e enriquecida financeiramente, mesmo que este seja já um ponto rotineiro ao qual muitos adeptos não dão o devido valor nem mostrem orgulho por tal.

Quando chegar Falcão será tema de outra conversa, a preocupar alguns com a repartição do seu passe (vulgarizada prática na América do Sul) e menos com a capacidade futebolística que deve estar em causa e será pedra de arremesso, processo também vulgarizado por cá, em caso de insucesso. Se não for como Hulk, claro, por quem se disse baba e ranho, precisamente os “artistas” do argumentário infalível do “eu é que sei” e “por esse dinheiro comprava fulano”.

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08 Julho 2009

Do tetra para o penta

Por Zé Luís
Experiência e conselhos

Agora que os jogadores voltaram ao trabalho com vista ao pentacampeonato, nada como recuar no tempo e ler em palavras passadas ensinamentos da transição de um campeonato para outro. Por quem sabe. Podiam ter sido ditas hoje, nunca perdem actualidade para o FC Porto que guarda ciosamente os seus valores como defende os seus méritos e títulos.
Temos de ser muito mais fortes do que os nossos rivais porque, designadamente, não temos seis milhões de adeptos e simpatizantes. É por isso que de nada valem campanhas enormíssimas para que o FC Porto deixe de ser campeão. É provável que no futuro voltem a aumentar de intensidade, porque se o FC Porto vencer provoca a falência do futebol. Os investimentos dos rivais do FC Porto têm sido tão grandes que não podem continuar a exaurir-se sem nada vencerem…” – António Oliveira, técnico di tri e do tetra.

O FC Porto vai fazer do penta um supremo objectivo, mas há-de estar preparado para enfrentar os ataques encarniçados do costume, perante os quais mostrará, como o vem a fazer há muitos anos, a mística de autênticos tetracampeões”. – idem, no livro “O Tetra”, de Alfredo Barbosa.

O sistema… O que está bem, o que está mal, o que é preciso mudar, o que é preciso melhorar ou piorar, o que se tem de baralhar, o que se tem de discutir naquelas assembleias gerais em que falam, sobretudo, para se ouvirem a si mesmos. Isso é para gente inteligente que anda no futebol, que tem ideias miraculosas e que realmente vive o futebol com grande visão. Eu limito-me a ir dando a minha ajuda ao FC Porto, que se coloca fora dessas questões, que deixa, sem se intrometer, que dêem e baralhem à procura da forma mágica que leve os títulos para a capital”. – Pinto da Costa, idem.

Todos os grandes clubes que se impõem no mundo são, antes do mais, clubes regionais. O FC Porto nasceu na cidade do Porto, o FC Barcelona em Barcelona e o Real Madrid em Madrid e por aí fora. Depois, assumem conquistas, grandeza, por mérito do seu trabalho e das vitórias dos seus atletas e não pela fanfarronice dos seus dirigentes. Há alguns que, como o FC Porto, pelos seus feitos nacionais e internacionais, atingem uma grandeza internacional que os coloca acima de muitos outros que, sendo clubes importantes, nunca atingem essa dimensão. Reconhecemos que, apesar de termos ganho tantos campeonatos, apesar de sermos o único clube português que venceu a Taça Intercontinental, apesar de sermos, ainda, um dos muito poucos clubes que conseguiram vencer a Taça dos Campeões, a Supertaça europeia e a Taça Intercontinental, apesar de sermos conhecidos em todos os cantos do Mundo, ainda não conseguimos num só organismo, a FIFA, ser o clube português mais conhecido – por culpa dos processos do Benfica que lá têm caído constantemente”. – idem, ibidem.

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07 Julho 2009

Agora Lisandro, e depois?...

Por Zé Luís

Pode haver um cenário idêntico ao do Verão passado, com o "receio", menos credível, de Bruno Alves sair: a equipa irá ressentir-se e Jesualdo sofrerá o mesmo, sobrando a incógnita quanto ao sucesso da reformulação. Falcão dragão para comer a águia.


Foi-se Lisandro, mas a saída deste era mais expectável do que a de Lucho. Mesmo assim, por 24 milhões de euros... tomara muitos mais fossem assim. Gracias Licha y felicidades.

Os adeptos claramente que não gostam destas coisas, embora seja bom ouvir o tilintar do dinheiro no cofre. Uns papalvos já asseguram que o melhor era amortizar o passivo com todo o dinheiro ganho, em vez de comprarem-se dois ou três jogadores, e duvidosos certamente porque as certezas abundam só no recreativo e no desportivo da capital, de que depois se passaria a época a reclamar pela sua falta...

Lucho foi um soco no estômago, necessitando de boa capacidade de digestão e da capacidade de gestão da SAD a não "cortar as pernas" ao seu Comandante pelos gratos serviços. Licha já era um caso eventualmente perdido e que estava ligado à situação de Lucho, porque pareciam gémeos e o avançado quiçá vivia em função do médio tal a sua amizade. O destino de um parecia arrastar o do outro.

Podem sobrar críticas e lamentos, para mais quando o acréscimo de ganhos do FC Porto em 4 milhões de euros por cada um não dará nunca 8 milhões, pois o sucesso de um será o insucesso do outro. Para piorar, estamos a falar dos 2º e 3º classificados do campeonato francês, suplantados pelo Bordéus, orientado por Laurenc Blanc e onde alinha o ex-maritimista Wendel...

De Lisandro Lopez, cujo nome ecoará para sempre no Dragão tal como o de Lucho Gonzalez, ficará o sincero agradecimento pelo que deu a conquistar ao FC Porto, até a última Taça no Jamor.

Uma boa maquia e 4 milhões em caixa mais certos, se não for por ele será por Lucho.

Resta que, nestas coisas do mercado, e apesar de muitos negócios anunciados e abortados (veja-se Cissokho pelos motivos mais inacreditáveis como a dentição do jogador e a falta de dentes do clube que teve mais olhos que barriga), entre tantos valores anunciados pelos papagaios de 15 milhões para aqui, 10 para ali e 20 para acolá, há clubes que não concretizam a sua vontade.

Terá sido o caso do Benfica por Falcão e difícil é não admitir que o FC Porto tem argumentos mais fortes para convencer o jogador, detentor de metade do seu passe, além do River Plate, outro caído em desgraça. Uma prova da força do FC Porto sobre o Benfica, como marca internacional e como ascendente psicológico, já comprovada em tantas situações recentes.

Mas os adeptos, sempre lamuriosos, choram a perda de Lucho e Licha e ainda temem a saída de Bruno Alves. Bom, como está estabelecido o preço, quem bater os 30ME leva-o. O propalado interesse do Barça terá de ir além do ensejo de meter o avançado Keirrison no negócio, aliás um jogador que ainda nem está comprado e há muito o Barça hesita em fazê-lo, indeciso no mercado para arrelia de Guardiola que começará a época sem um reforço. Estamos a falar do Barça do "triplete", pelo qual teve de pagar prémios milionários e renegociar dívida bancária para satisfazer esse compromisso com o plantel.

(xiu, agora em silêncio, fechem os olhos:
Imaginem, o Barça do "triplete" em horas angustiantes a fazer contas e abram, agora, os olhos para ver o que certos clubes gastam sem ir à Champions por dois anos seguidos... e não estamos a falar do Lyon nem do Marselha)

Vai sobrar no Dragão os anseios como no Verão passado sem Paulo Assunção, Bosingwa e Quaresma. Vão subsistir as críticas enquanto os resultados não correrem bem e Jesualdo terá as mesmas dores de cabeça. Não se sabe se a época acabará bem ou mal, é difícil repetir a proeza da época passada em que poucos acreditavam e nenhum vislumbrava sequer, nem o mais optimista. Teremos porventura o mesmo Outono de sofrimento e abatimento, mais do que agora. Mas o FC Porto sobreviveu e ganhou e nada diz, conhecida a experiência, que parta agora diminuído ou enfraquecido. Perdeu bandeiras, mas resta-lhe a alma e uma boa maquia para refazer a máquina, haja paciência.

Mas Bruno Alves não sairá por menos do que a cláusula, porque o FC Porto não estará necessitado de vender. Falcão deve render Lisandro e este é mais incógnita do que Belluschi para o lugar de Lucho. Mas o futebol faz-se disto e ainda bem. Há um mês o mercado parecia "morto" e está palpitante como nunca.

Enquanto a ressaca ainda não parou com a bebedeira portuguesa por Cristiano Ronaldo, nem as tv's nacionais perceberam esta manhã que um clube português confirmou a sua aura de vendedor emérito e exportou mais um produto por 24 milhões de euros. Até parece normal no FC Porto e é a base do crescimento do clube e da competitividade do seu futebol, o que deve ser enaltecido sem reservas mentais. É tão vulgar isto suceder como serem propalados valores idênticos a supostas estrelas do Benfica e do Sporting: o primeiro só vendeu Simão e por menos de 20 milhões apesar dos 24 anunciados, o segundo vendeu Nani por 25 há dois anos e tão cedo não se aproximará dessa fasquia que começa a ser normal no FC Porto ao ponto de passar quase despercebida nas televisões que costumam decalcar o que vem nos jornais.

Mas como temos de contentar-nos com os gastos sumptuários do Real Madrid, a fiesta brava segue na Monumental barraca da persistente falta de tacto jornaleiro-televisivo que nos brinda constantemente com o mais bacoco provincianismo.

Mas já viram a vantagem de Cristiano Ronaldo não (poder) ser mais vendido até ao final da carreira? De que falarão doravante as televisões, sem TGV, nem NAL? De Jesus e sus milagres? De Reyes de pés de barro? Ou do roteiro da noite de Madrid?

Não, aposto na comparação entre os 5 milhões do Saviola e os 5 milhões do Belluschi!...

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Dois em um vezes dois

Por Zé Luís
Belluschi e Valeri para a abertura do Olival. FC Porto arranca hoje, nas calmas e sem show-off

Belluschi já estava oficialmente garantido esta noite e Valeri não deve tardar. Dois argentinos com funções basicamente iguais e ambos capazes de ocupar o lugar que foi de Lucho Gonzalez. Duas novidades de última hora, a confirmar-se também o segundo, para o início da época de ataque ao penta, abrindo hoje as portas do Olival sem luxos nem folclores provincianos.

O primeiro, que já foi alvo da atenção portista até o poder financeiro do Olympiacos ganhar a parada há um ano e meio, tem mais nome que o segundo, este ainda um sub-23. Não são dois craques de fazer parangonas, como Matias Fernandez chileno ou Falcão colombiano e até esta dupla (possível) contratação do FC Porto pode ser glosada com a intenção de serem necessários dois jogadores para substituir um que saiu, o agora notado Lucho…

Curiosamente, Belluschi vem para render Lucho. Valeri vem como alternativa a Belluschi. Ou seja, dois por um lugar, um para substituir o outro, pois não é crível que o 4x3x3 de Jesualdo perca Meireles e Fernando no meio-campo, nem haja lugar para alguém no tridente ofensivo com Hulk, Rodriguez e Lisandro. Mesmo que este saia, por algum motivo de força maior de última hora, nem Belluschi nem Valeri fazem de avançado-centro.

Belluschi pode fazer várias posições no miolo, tem toque de bola e chegada à área, pelo que tanto actua a 8 como Lucho como a 10 em que actuava na Argentina com mais sucesso. Faz duas posições importantes no sector, pelo que é um “dois em um”. Custa 5 milhões de euros por metade do passe e, a fazer 26 anos em Setembro, com um contrato de 4 épocas, nem é crível que se valorize tanto para obter mais-valias e se chegar ao fim do contrato com quase 30 anos esperemos que ao menos seja também tetracampeão! Nessa altura, pouco poderia dar em termos de lucro por uma potencial transferência.

Valeri é um dinamizador, igualmente, mas mais jovem e sem pedigree de clubes grandes. Também se desvalorizou desde o título surpreendente, com o portista Benitez, do Lanús, quando estava cotado a 10 ME mas uma época de lesões cortou ao seu rendimento e valor de mercado, hoje “discutido” em torno de 3 ou 4 ME. Valeri é um 8, como Lucho, sem a estaleca deste nem o currículo que o “índio” tinha já na Argentina e confirmou plenamente no Dragão.

Dois homens a reter, dois bons reforços ainda que possa falar-se com propriedade, confirmando-se a previsível chegada do segundo que se eximiu a jogar a última jornada na Argentina este domingo, em 1+1. Mas só o trabalho de campo o dirá e os treinos moldarão a nova equipa em função do valor e não das caras. Exactamente ao contrário do que se pratica em Portugal.

Não tenho muitas referências e observação de qualquer deles, mas fica o seu currículo e algumas imagens de Belluschi e Valeri.

FERNANDO Daniel BELLUSCHI

Nascido: 10/9/1983
Altura: 1,73m; Peso: 69kg
Internacional A pela Argentina
Currículo:
2002/03, NOB Rosário 10J 0G
2003/04, NOB Rosário 12J 1G
2004/05, NOB Rosário 33J 9G
2005/06, NOB Rosário 35J 11G
2006/07, River Plate BA 36J 6G
2007/08, River Plate BA 12J 7G
Janeiro/08, Olympiacos Pireu 11J 1G
2008/09, Olympiacos Pireu sem estatísticas

Formado no Newell’s Old Boys (NOB) de Rosário, apelido de “Cabezon” e “Samurai”, custou 7 ME ao eterno campeão grego quando o FC Porto o disputava há 18 meses. Marcou ao Benfica na goleada de 5-1 que foi de Karaiskakis a rir…
DIEGO Hernan VALERI

Nascido: 1/5/1986
Altura: 1,78m; Peso: 75kg
Internacional sub-21/23 pela Argentina
Currículo:
2003/04, Atlético Lanús 3J 0G
2004/05, Atlético Lanús 10J 1G
2005/06, Atlético Lanús 7J 1G
2006/07, Atlético Lanús 20J 0G
2007/08, Atlético Lanús 26J 8G
2008/09, Atlético Lanús sem estatísticas

Produto do Club Atlético Lanús (arredores de Baires), profissional aos 17 anos, não abandonou os estudos, faz-se acompanhar de livros nos estágios e por isso, além da elegância do seu jogo, é chamado de “intelectual”
Dados retirados do excelente ANUARIO FUTEBOL MUNDIAL 2008-09, de Rui Malheiro e Paulo Sousa

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06 Julho 2009

Tou-me Cagando (para) Você rumo a Madrid

Por Zé Luís
A velocidade dos disparates faz disparar os maus cheiros de certas opiniões alegadamente de “bitola europeia”: os dinheiros do futebol, de Lucho a Cristiano Ronaldo

Enquanto em Lisboa se alimenta o monstro propagandístico do TGV só para Madrid, com a ânsia capitolina de se unir à capital mais próxima como sendo um desígnio nacional passar fronteiras e voltar costas para quem fica virado para o mar, Cristiano Ronaldo é apresentado hoje no Bernabéu com o folclore de um espectáculo de Tony Carreira depois dos adereços ganhos em Hollywood pela miss Hilton sobre o rapaz madeirense que ameaça falar pior espanhol do que José Sócrates.

O TGV é mesmo só um assunto para Lisboa discutir. Porque parte de lá para qualquer lado, desde que parta e, dizem os construtores do betão e linha férrea, raios parta que isto não arranca. O umbigo do pequeno mundo português quer virar-se desesperadamente lá para fora e apanhar uma “bitola europeia” que teimamos, há 35 anos, em não carrilar de jeito algum. Um ex-ministro dizia “estou-me cagando para o segredo de Justiça” e um ex-juiz, ou lá o que é sobre seja lá o que for que se levante de suspeito nas eleições do benfas, também assevera que se questiúnculas houver e litigância jurídica abundar ele diz igualmente “tou-me cagando”. E é assim desde que há um ano e picos alguém escrevesse estórias de flatulência para o País ardentemente desejoso de conversa de merda, “desculpem a má palavra” (disse o ex-juiz)…

O TGV convertido em TCV pode ser meramente simbólico na diferença, porque o rumo parece ser o mesmo. Em crise nunca vivemos, sabendo contornar as dificuldades e polvilhá-las até de grandiosidades. Camões demonstrou-o amplamente e tinha só um olho que, em terra de cegos, dá para fazer cantar um príncipe.

Diferença de Zidane para Ronaldo em cuecas…
Madrid é o caminho, hoje, para onde todos querem que Portugal se volte, contrariando o destino marítimo que a musa antiga canta. Não há touradas na praça Monumental para abrilhantar chifres de ministro, o Bernabéu vai receber o mais caro jogador do mundo. A última vez que um lá aterrou, Zinedine Zidane, ao menos teve a humildade de reconhecer que “ninguém vale tanto dinheiro” e ele, descendente de argelinos, crescido no sul de França com tanta influência magrebina mas gaulês até ao tutano para ter tamanha noção da realidade, custara 74 milhões de euros, procedente da Juventus que então iniciou a espiral ao contrário da queda generalizada dos clubes de futebol: saneamento financeiro e lucros em cada ano ao invés de prejuízos crónicos.

Foi há oito anos, essa descida à terra de Zidane, Cristiano Ronaldo, ainda em cuecas, não chegara sequer à equipa sénior do Sporting e nem imaginava vir a considerar-se merecedor dos 94 milhões que o Real Madrid pagou há um mês por ele ao Manchester United.

Há tempos aqui comentei o facto de 94 milhões ser muito dinheiro. Impingiram uma história de vender camisolas e patrocinar preservativos para colmatar o rombo financeiro e muitos sorveram o gelado em tarde de canícula. O rapaz quer provar merecer também os 10 milhões de euros anuais por meia dúzia de anos que elevará a factura, em números redondos, a 155 milhões de euros. Qual quê, o Real Madrid tem receitas de 400 milhões/ano e liquida isso num instante, objectam. Tão-se a cagar quem assim pensa, porque há ainda Kaká, e já chegou também Benzema, mais os 20 e tal do plantel, técnicos, roupeiro e tratador da relva, fora os extras.

As conjecturas e as contas reais
A conversa do dinheiro no futebol fugiu do nosso domínio concreto, mesmo com as SAD obrigadas a contas mais transparentes mas com opacidade suficiente para nos deixarem apenas com abstracções e aberrações.

A quantificação do dinheiro gasto com Ronaldo teve há dias uma comparação milionária com as vendas lucrativas do FC Porto. Os chico-espertos do costume conseguiram fazer contas aos 45 milhões que custaram os jogadores que o FC Porto posteriormente vendeu por 245 milhões, portanto com mais ou menos 200 milhões de benefício. Este é um exercício de pura aritmética, mas teve de ser um jornal espanhol, parece que o Sport, desportivo de Barcelona que se inspirou numa fonte portuguesa com certeza, para levantar a lebre que deixou uns quantos galgos com a mania das corridas à caça de especulação barata.

A recente venda de Lucho ao Marselha, por 18 milhões, despertou o inconsciente vendedor que há em cada tuga que não faz desta espécie um exemplo de gentileza na argumentação à custa da mais bruta falta de intelecto. Para certa gente, os 200 milhões de benefício das vendas deveria bastar para o FC Porto ter contas da SAD a azul debruado a ouro: bem positivas. Questionam-se como não é essa a realidade, descortinando como habitualmente toda a série de manipulação e apropriação indevida de lucros. É assim todos os anos e muitos adeptos por aqui gostam de deixar a sua opinião.

Façam-se contas ao que Lucho rendeu: custou cerca de 10 milhões de euros, primeiro metade do passe por 3,5 milhões e depois 6,5 para os restantes 50% do passe. À média de 1,5 milhões de euros anuais em quatro épocas de dragão ao peito, Lucho recebeu de salários 6 milhões, fora prémios que isto de ser tetracampeão tem despesas não negligenciáveis. Ora, tudo contado, tudo somado, o FC Porto não ganhou “tusto” com Lucho, vendendo-o pelo total de custos que teve com ele. Benefício: um extraordinário tetracampeonato e uma beleza plástica de futebol que não há cá em museu, só no Prado em Madrid e no Louvre em Paris. Pois é, Lucho não rendeu nada, financeiramente, ainda que equilibre as contas do exercício 2008-2009 terminado a 30 de Junho com esta “empresa na hora” (simplex), mas desportivamente foi um monstro. Em espanhol, na verdade, foi uma “barbaridade”, um grande jogador.

Vale a pena pensar nisto e nos 155 milhões que, para já, há a certeza de o Real Madrid ter de pagar a Cristiano Ronaldo, ainda que deferidos em seis anos de contrato, fora os prémios. As camisolas ficam para os fabricantes de equipamentos e os patrocínios nas ditas. Há, sim, investimentos que podem ter retorno. Ou não. Lucho teve: pagou-se a si próprio e saiu tetracampeão.

O TGV terá retorno assegurado se for Lisboa-Porto ou Lisboa-Évora-Mérida-Madrid?

Poderia dizer “Tou-me Cagando para Você”, se não soubesse que, isto sim, sai-me do bolso. E caro pra caralho!, em bom português suave, desculpem a palavra.

Certo é que, com TGV e Ronaldo, o circo continua, como preconizava há dias Medina Carreira, só que não resolve nada no País, agora ao sabor do que a musa moderna dita.

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04 Julho 2009

Advogados do diabo!

Por Zé Luís

Um ano volvido da intentona do CJ da FPF e os advogados fazem as mesmas tristes figuras, não só o ministro Manu all Pine… O circo no seu melhor, neste Portugal moderno que discute Justiça, Irão e eleições na maior. Um colosso, está tudo grosso…


Há um ano demos de caras, ao acordar de um sábado 4 de Julho, com isto. A intentona do CJ da FPF, com um golpe palaciano à Filipe Vieira, deliberou castigar o FC Porto, Pinto da Costa, o Boavista e Valentim Loureiro, o leif motiv da rebelião, após a ausência (voluntária) do presidente do órgão Gonçalves Pereira, considerando-o inelegível depois de uns quantos amotinados, cada qual com o ar ora mais cândido ora mais patusco, recusarem serem inelegíveis numa data de questões na mesa.

Um ano depois, pés de microfone numas eleições com tudo de elegível que seja possível elencar no País onde se defraudam regras internas, faz-se simulacro de pugna eleitoral democrática (e naquele método dos 20 votos por 15 anos de associado…) onde um candidato tem de entrar pela porta do cavalo que nem no Irão e, the last but not the least, um ministro aponta chifres a um deputado da oposição com a mesma democrática simplicidade com que o presidente de um clube chama garoto ou garotão a um candidato que tem de votar às escondidas. O circo no seu melhor, instituições à imagem do país, a República das Bananas.

A do ministro fazer chifres, reparei hoje (quando pude ver a TV com atenção), só mesmo com o titular da pasta da Justiça ao seu lado… a olhar para o lado. Numa altura em que 80% dos portugueses demonstra insatisfação com a Justiça, há um ano ela sofreu tratos de polé com os amotinados do CJ da FPF, o herr Flick da Gestapo e o von Smallhausen seu lacaio. Há muita gente, porém, que fala da Justiça consoante ela lhe aprouver: vejam-se os adeptos e tribunos mais responsáveis que acharam a justiça da CD da Liga muito melhor no Apito Final, minimizando a capacidade investigadora e a sacramental auscultação das partes e faculdade de contraditório que só a Justiça civil tem e acabou por dar razão ao FC Porto, a Pinto da Costa, nos nossos tribunais e nas instâncias desportivas internacionais, e… a Gonçalves Pereira em decisão já deste ano.

Os últimos tempos têm dado sobejas provas da importância dos advogados em tantas questões importantes para o País: António Pragal Colaço tanto é defensor de Jacinto Paixão, pugnando pela inocência do ex-árbitro no Apito Dourado, como de Gonçalo Amaral para ilibá-lo do caso de tortura de Leonor Cipriano. E nada contradiz a defesa acérrima deste advogado, que até já mandou bitaites num blog já extinto, em favor da candidatura do presidente que evitou por um bocadinho fazer como na Coreia do Norte: um plebiscito a si próprio, mas em Lisboa permitindo uma candidatura, ainda que de garotada…

O 4 de Julho pode ser uma data marcante da actualidade futebolística nacional, mesmo que fora de época quanto ao futebol jogado para a qual relegamos até meros jogos de juniores com invasões de campo típicas de civilizações retrógradas. E corre o risco de confundir-se com o “Independence Day” na América, onde uma eleição presidencial já foi decidida pelo Supremo Tribunal (primeira eleição de Bush, contra Al Gore) e em favor de quem teve menos votos, mas dali são capazes de censurar eleições no Irão… como são capazes de vetar que o Irão possa explorar o factor energético atómico comezinho em tantas democracias ocidentais…

Umas eleições no Irão, aliás, que deram brado, onde todos se julgaram competentes para opinar, como se fosse futebol, e com conhecimento de causa das motivações políticas, sociais e religiosas daquele país persa. Pena foi, então, que uma das habituais intrépidas repórteres da RTP, Márcia Rodrigues, tenha marcado presença antes, mas desaparecida da cena logo após o acto eleitoral que, prevendo-se borrasca, era o momento e o local para estar.

Mas se das eleições do Irão muitos advogam saber, já quanto a fundamentos jurídicos sobre eleições no regime do ayatollah da mouraria ninguém sabe nem quer saber. Sabe-se que os amotinados do CJ da FPF tinham razão, apesar da desfeita recente na Relação do Porto em favor de Gonçalves Pereira. Sabe-se que a UEFA e o TAS são assim e assado, mas de estatutos, probidade, integridade eleitorais no Benfica ninguém ousa meter a colher. A não ser os advogados, claro, que protagonizaram um debate… eleitoral… Isto depois de três directos-adjuntos da Imprensa “porreiro, pá”, terem também opinado, não sobre as eleições, claro, mas sobre o Pato Bravo e o Caçador de títulos no que às suas capacidades de gestão e movimentação de um colosso futebolístico diz respeito.

Ah, aqui há dias, em plena campanha mas sem dizer estar em campanha para anunciar reforços que vão voltar a abrilhantar o circo, não é que Filipe Vieira foi a Gaia e lá teve o amigável cachaço do Diabo local?...

Tudo isto é triste, tudo isto é fado e passa-se mesmo em Portugal. Histórica e inelutavelmente atrasado, confundindo-se partidos com poderes, instituições com país, justiça desportiva com tribunal civil. É o estado a que isto chegou quando se discute o Estado da Nação. Onde há falta, como diria o outro, de cultura… desportiva!

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