16 maio 2013

Ora, 60% x 3 milhões, dá, 2x5=10 é só fazer as contas...

Desfez-se o mito e desfez-se a dúvida que tinha, e pela qual esperei uma luz ao fundo do túnel, desde o clássico de sábado.

O mito é o dos "6 milhões", vocês sabem do que estou a falar.

Ora, eu sei como nasceu o mito. Uma entrevista no jornal do regime, em finais dos anos 80, em que alguém fala de 6 milhões de benfiquistas. Não interessa onde, como, porquê, quando. Sei. Assisti. Tenho memória. Há 40 anos vejo o futebol com paixão mas distanciamento e sentido crítico, apesar de visceralmente ser portista. Sei.

A minha pergunta, a maior dúvida que me assaltava desde sábado, desde o fantástico 2-1 de Kelvin, era, na verdade e acima de tudo, a audiência do Porto-Benfica. Quê? Porquê? É, sou esquisito e saio do estereótipo do tuga estúpido e crente, à espera do milagre, confiando na sorte. Audiência do Porto-Benfica?

Pois é, não li em lado algum. Seria normal que um Porto-Benfica decisivo e decidido daquela maneira tivesse espicaçado a curiosidade pela audiência televisiva. Sei que foi em canal fechado, sei que milhares vêem os jogos pelo streaming da net, rejeitando a parvoíce dos jogos televisionados em Portugal, transmissões demenciais e dependentes, fantochadas e salazarices, preto e branco quando é suposto vermos cores, deturpação e ignorância quando é suposto sermos conscientes e informados no século XXI. Mas é assim, o Portugalório ignorante de sempre e estupidificante como sempre.

Acabei de ouvir na SIC, a SIC da pasmaceira e iliteracia e parvoice do costume em matéria de futebol, que a audiência da final da Liga Europa foi de pouco mais de 60%. Mais: algo que equivale a 3 milhões de telespectadores. De resto, a notícia, a notícia do ano e talvez de sempre, aparece aqui escarrapachada mas como se estes pacóvios do Rascord não tenham consciência do alcance e da dimensão da mesma, dos números e do que representa.

Pois é, o jogo do ano deu 60% de audiência. Recapitulando.

O mito dos "6 milhões" dava, estupidamente e doentiamente, 6 milhões de benfiquistas. Isto, nos anos 80/90, quando oficialmente nem havia 10 milhões de habitantes em Portugal. Ora, seria impossível que 10 milhões de habitantes gostassem todos de futebol e tivessem opção/preferência por um clube. Obviamente, era falso e idiota. Desafiava a lógica e até a aritmética simples.

Não sei, nem sei se se saberá, a audiência do Porto-Benfica e faltaria, ainda, evidenciar a quem pertenceria a fatia maior dos espectadores do clássico.

Agora, com o jogo do ano reduzido a 60% de audiência em sinal aberto, na estupidificação da SIC exposta na insana transmissão em directo da final de Amesterdão, temos que 60% de interessados no jogo x 10 milhões de habitantes que hoje existem dá 6 milhões de espectadores, em princípio. Mas não, vale só e apenas 3 milhões de pessoas. E, mesmo assim, vale o que vale... Só que, para as audiências, é contabilizado o número de espectadores de outra forma e quem o faz diz que o universo dos 60% de visualizadores do jogo dava, apenas, pouco mais de 3 milhões de pessoas. Pois é, 3 milhões apenas de interessados no jogo do ano. Todos benfiquistas? Não! À vontade, 1 milhão de espectadores seriam de outros clubes. Como sempre, é só fazer as contas.

Quer dizer, quando muito o jogo do ano revelou existirem cerca de 2 milhões de benfiquistas. Ou seja, 1/3 do que era antes, e demagogicamente, apontado. Aliás, confere que ainda é inferior a um número, aproximado de 3 milhões, de adeptos do Benfica estimados numa sondagem tida como mais credível aqui há uns anos.

Eu, pelo menos, não acreditava, nunca acreditei, que 100% da população portuguesa gostasse de futebol e, ainda, tivesse preferência por um clube. Implicaria um número enorme de bebés inconscientes e miudagem sem voto na matéria, mais os velhos fora das Novas Oportunidades e párias equiparados, para ser tomado em consideração e fiável.

Pois bem, no máximo haverá 2 milhões de benfiquistas e tenho sérias dúvidas disso, reporto-me ao cálculo que esta audiência permite e sugere. Lembremos: de 10 milhões de habitantes, só 3 milhões viram a final da Liga Europa e são 60% de audiência, sendo que hoje é quase 100% garantido que todos os tugas têm ou vêem tv.

É o Benfica que se desfaz, desportiva e metaforicamente falando, arrasando a pasmaceira da Imprensa e arruinando as teorias de vender a 60% da população um negócio claramente fraudulento e inflacionado.

Mas o jornal da tarde da SIC deu-nos, além de tudo e apesar de a audiência do jogo ter sido dada no final, a imagem perfeita do Portugal palonço e parvo que não pode ir a lado algum. Reportagens sem interesse algum, apelando a um instinto básico e de bando, com ajuntamentos de pessoas que valem o que valem pelo que representam e, acima de tudo, exprimem, foi mais um balde de merda desinformativa e bacoca o que a SIC transmitiu ao almoço, Um nojo que equivale à categoria editorial da estação, confirmada em matéria de futebol e em questão de formação, o que não identifico com a sua informação em geral.

Umas incursões ao Portugal profundo, do Interior beirão, da Guarda e Castelo Branco, deu-nos a conhecer, como se precisássemos e nos fizesse falta, que um parolo prefere o Benfica à mulher porque o Benfica "dá-me muitos desgosto e a mulher não, mas quando der vai à vida"; e outro pascácio do povo que lavas no rio e talhas com teu machado as tábuas do teu caixão (Amália dixit) que calculava os gastos com os seus gostos de ver o Benfica em "deixa ver, 2x5 igual a 10" isto dá, não sei, o outro foi PM e antes de "fugir do pântano" disse que era só fazer as contas.

Pois...

Uma tristeza, uma revelação, uma realidade que conhecemos, ou devemos conhecer. Eu sei. Tenho pena, tenho nojo, este é o Portugalório de sempre, ignaro e besta de carga, estúpido e à mercê de qualquer idiota demagogo e popularucho que se faça à vida. 

O Benfica, e Portugal, é isto. E por baixo, não por alto.

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