13 maio 2013

Já eram 6 a atacar contra 5 a defender - revendo o golo de Kelvin

Já tinha enfatizado que a imagem de Kelvin a rematar ante o defesa Roderick resumia o jogo: um avançado entrado em campo para tentar ganhar, um defesa entrado em campo para aferrolhar mais o último sector encarnado. A ideia do jogo foi essa desde o início, muito antes de Jesus ajoelhar e, antes disso, dar ordens a Ola John para se atirar para o chão.
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Mas vendo bem o golo de Kelvin:
- a jogada não começa com Moutinho a chutar para a frente, como Jesus disse após o jogo; Moutinho apenas tirou a bola da zona de pressão; depois ela é ganha - ou mal gerida num corte benfiquista - e creio ser Varela a ponderar a jogada e abre a bola na esquerda, para o 1x2 Kelvin-Liedson-Kelvin; Jesus deve lembrar-se do passe de costas e sem saber para onde de Saviola para Gaitan na época passada, uma jogada saída do nada e, essa sim, errática e feliz que deu o 2-2;
- nos momentos finais, quebrado o ritmo do Porto com jogadores benfiquistas a queixarem-se de dores musculares de tanto defenderem e por certo por se aventurarem tantos a ir à frente como não tinham ido durante 90 minutos, o Benfica teve posse de bola no meio-campo do Porto;
- mas o Porto não desistiu de procurar a bola, pressionar e reganhá-la;
- saiu então o impensável, que era um contra-ataque fruto da pressão de reconquistar a bola;
- quando a jogada sai de Varela, creio, no grande círculo e ainda antes da linha divisória do campo, não se antevê o que possa sair dali mas há que aproveitar tudo;
- tendo corrido mais, porfiado mais, arriscado sempre, gerindo a bola e os espaços possíveis, o FC Porto ainda fez um último e decisivo ataque;
- de Liedson a Kelvin, dois segundos e já se aglomeram portistas junto à área benfiquista;
- a partir dali são já 6 atacantes contra 5 defensores;
- os atacantes foram os que assumiram a despesa do jogo, desgastando-se;
- os defensores tinham Roderick que entrara a meio da 2ª parte.
 
A vitória do FC Porto teve muito mais do que se imagina e tem contado por aí, com mais mérito do que sorte e uma indiscritível sensação de justiça e alívio por finalmente a melhor equipa ter ganho, a única que até ao fim fez por isso.


Mas da capacidade de análise, lúcida, objectiva e profissional, informadora e formadora, consciente e capaz em vez de deletéria e enviesada, não é apanágio luso. Em vez disso, no futebol como na política e em muitos outros campos onde se veste a camisola sob a capa da isenção e equilíbrio, há tantos maltrapilhos tugas que metem dó. E, contudo, não faltam que veja neles gente de saber e que se deve ouvir.

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