27 agosto 2019

Sérgio Conceição, agora é não abusar da sorte e da abundância

Se é nas vitórias que as verdades podem doer menos é oportuno enfatizar, depois da bipolaridade depressão-euforia, a falta de competência que se agrava a cada ano na SAD. A época do FCP parece começar agora, depois de vitória no habitual salão de festas tão convincente como contundente.
Não que se esqueça, porém, a derrota vergonhosa em Barcelos, com um plano de jogo que não era para aquele adversário e jogadores que nem a equipas pintadas à pressa para a I Liga conseguem ganhar.
Muito menos a inconcebível eliminação da CL iniciada sob o signo da incompreensão como a feliz vitória na Rússia que pouco serviu e não teve outra consequência a não ser aprofundar a incredulidade que marcou a definição do plantel.
Quando antes tudo era definido ainda no final da época anterior, ainda SC era jogador, deixando eventual surpresa para a festa de apresentação, agora funciona tudo ao contrário com os resultados negativos que se conhecem... na amadora festa de apresentação, com a gaffe da inovação tecnológica da App, até o reforço Saravia não estava na numeração oficial (24)...
Sérgio Conceição foi o responsável pelos maus planos de jogo com prejuízos avultadíssimos na Europa e já sem Champions, enquanto o desaire de Barcelos é passível de recuperação numa maratona como é o campeonato mas não passível de entender-se a razão de insistência em jogadores e modelo de jogo inconsequentes.
E o que ressalta à vista, agora, é tanto a importância no jogo e a valia individual ao serviço do colectivo de reforços de indiscutível valia técnica e táctica, como a perplexidade de terem chegado tão tarde os sul-americanos que pegaram de estaca. Mas chegaram tarde porquê?
Estavam referenciados, não foram descobertos uns dias antes. Serviam funções-chave na equipa mas falharam o arranque europeu onde tanto estava em causa. Tivemos reforços a tempo mas não eram para titulares, mesmo Nakajima que favorecia uma saudável mudança do sistema e estilo de jogo. Dois laterais direitos contratados em 6/7 meses para termos um puto, Tomás Esteves, quase a entrar mas acabarmos a usar Corona atrás no flanco depois de 3 jogos miseráveis na frente... e nem eu sabia que Hernâni tinha sido despachado depois de ter jogado quando foi necessário recuar o mexicano. Sinceramente, uma salgalhada incompreensível até nos depararmos com falta de tempero...
Ah, alguns jogaram na Copa América... sim, mas depois foram jogar no campeonato mexicano... e a necessidade da equipa já não é prioritária?
Sérgio Oliveira marcou na Rússia quando já não devia estar em campo e o jogo pedia um n°10 mas Nakajima estava na bancada. SO não tem, como Otávio ou Manafá, categoria para titular e todos, como Corona, falharam rotundamente em Barcelos. Só o acidente da lesão de SO permitiu a Uribe entrar, o que vale por dizer que só por sorte SC lançou um reforço que não se sabia quando ia entrar...
Pois é aproveitar a sorte e não abusar dela, mas é claro que só ao acaso, e não com planeamento e intenção, a equipa, já muito mudada, pareceu não só diferente mas de outro mundo na Luz!
Luis Diaz rompe e chega a zonas de finalização, já marcou aos russos e aos sadinos. Marchesin provou na abertura do campeonato, apesar do malfadado galo em Barcelos, ter reflexos de gato capazes de tornar a baliza pequena. Mas o mais tardio Uribe, que jogador fulcral mesmo sem se dar nota quando ele, eficiente, está em toda a acção, fazendo e sabendo o que faz, parece o elo agregador que faz mudar o meio-campo, repito, sem se dar por ele mas sabendo que ele está lá! E não acho que Danilo seja tecnicamente competente para se fiar na sua qualidade...
Nakajima oferece outras condições de movimentação atacante num sector que não pode depender do acerto de Marega cujo reportório técnico é reconhecidamente insuficiente, tal como Soares.
Escrevi no Twitter, ao 1° jogo na Rússia, que SC não tem desculpas com tantos reforços de qualidade que mais vão exigir do técnico. Embora tenha teimado no figurino e jogadores de 2018-19 mas que se revelou e confirmou ser curto e deficiente.
Causou brado, após perder eliminatória em casa, num fracasso caseiro que fez lembrar a sua desastrada estreia frente ao Besiktas, a declaração de não justificar tão atabalhoada gestão do plantel. Mas é isso que os adeptos esperam e que se assuma a incompetência de não ter jogadores a tempo sabe-se lá porquê!?... Era uma questão da SAD, que ultrapassava o técnico, mas foi muito penalizador e faz aumentar a cobrança para o resto da época. A vitória na Luz só avivou estas questões em aberto e a exigéncia redobrada quanto ao título e até a Liga Europa - porque o rombo no cofre já não tem retorno e isso pesará sempre durante toda a época, após o investimento feito depois de anos sombrios no mercado, e com vista à seguinte. Porque o dinheirinho é que tem valor para comprar melões ou jogadores.
Um jogo competentíssimo e completíssimo na Luz aguça o apetite mas nem todos os jogos serão assim e muitos adversários suscitarão outros problemas com recurso a jogadores e esquemas diversos. Por isso a época, já abalada, só agora começou para o treinador e a definição de dois ou três modelos de jogo, até em funçáo do momento dos próprios jogadores. Para não dar tiros nos pés ou mesmo na cabeça, como Manafá e Fernando Alexandre chegados mas incapazes em Janeiro, o brasileiro agora já despachado, e fico a pensar na forma como Maxi foi ostracizado e carente de justificação plausível...
Este era o ponto da situação que estive para fazer na semana passada. Vitória na Luz provou o acerto da espera e a oportunidade das achegas nesta rara aparição por aqui, pois ando só pelo Twitter.

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