A semana permitiu glosar a troca de quilos por metros e o Porto distar de Lisboa 300 quilos, tal como a unidade internacional de peso se medir 1kg=1m. Mais abrangente, a farpa de Poiares Maduro ao maduro Costa do Castelo abençoado tem outro alcance.
A semana permitiu rever, de resto, a noção de fora-de-jogo em golos sofridos, mas nunca validados, pelo Benfica. Foi no Bessa, em Setúbal, agora na Luz com o Rio Ave. No Boavista dava 1-1 mas por alguma razão que não se descortinou foi anulado. No Bonfim houve goleada, mas ainda havia 0-1 e um golo foi mal anulado aos sadinos e o jogador da casa partira bem atrás da linha defensiva do Benfica. Agora, com o Rio Ave, quem viu vê, mas quem quiser não ver e apanhar apenas a linha vermelha conveniente e manhosa da BTV percebe que a linha foi colocada milímetros atrás do local onde era suposto ser desenhada. É claro que tudo requer criatividade. Jornaleiros e paineleiros andam numa forma contorcionista para descobrirem qual o mais parvo. Seja na edição em papel do JN, onde se fala em fora-de-jogo certo "por milímetros", seja no online Observador que, em matéria de Desporto e Futebol em particular, tem mirones do olho do cu como o parolo que escrevinhou um romance falseando a estória do Benfica-Rio Ave, os tais milímetros dão montes de metros de estupidez avulsa e quilómetros de peso de ignorância e má-fé - nada que perturbe editores dados ao descanso, que isto da bola mesmo comentada e vista comodamente na tv ou na tribuna - onde é requerida, porém, superior especialização e olhar mais arguto e apurado para reagir como os árbitros em campo -é algo muito difícil como se constata repetida e afadigadamente.
Mas isto vem há semanas, tal como o esfarrapado PS, de mofo e malabarismo, vem de há décadas a enganar parolos, mas agora dizendo que vem mesmo ressuscitar Sótraques, e há semanas que isto vem sempre a favor do Benfica.
O grunho do JN atreve-se a falar em "milímetros" decerto sob uma camada de metros de estúpida estultícia, confirmando que viu apenas na TV e na TV não conseguiu ver a manipulação.
Do mesmo modo, o exemplo que trago do Observador é idêntico, por referir-se às imagens da "Benfica TV" (sic, denotando desconhecer a mudança de sigla) onde parece julgar ver adiantado o pé do jogador do Rio Ave.
Coincidentemente, nestes longos quilómetros de absurda ofensa a leitores e telespectadores, nenhum repara que a linha vermelha não passa no limite da bota do avançado do Rio Ave, mas apenas por debaixo dela. A linha de fora-de-jogo não é o fora-de-jogo, mas a Informação não pode ser de modo algum sub-informação ou pseudo-informação que esta caterva ignorantes amestrados e domesticados editores carrega aos metros para as Redacções convenientes e mede aos quilos que não pisem a linha da verdade que convém estampar.
E, contudo, "por milímetros" não há fora-de-jogo sequer pela óptica da lei, pois em caso de dúvida não se marca e coisa de "milímetros" devia suscitar dúvida e nãoa conclusão, ufana e ridícula, do parolo do JN dizer que "é, mas por milímetros", algo que ele no terreno não veria nem com um periscópio no cu e na TV só vê porque é o primeiro a engolir a manipulação, a denunciar a sua ignorância e a transmitir, qual macaco de imitação, uma informação errada que ele devia descodificar e dar o verdadeiro sentido e correcta análise.
Mas o JN está no mesmo barco de O Jogo, que mencionei ontem, pois o patrão Oliveira quer é recuperar o que o Benfica perdeu e também quer ganhar melhor outra vez...
Depois, quando estas merdas se misturam, é o forrobodó de sempre e assessores e comentadores são os do costume e bons paus mandados...
Mas o JN está no mesmo barco de O Jogo, que mencionei ontem, pois o patrão Oliveira quer é recuperar o que o Benfica perdeu e também quer ganhar melhor outra vez...
Depois, quando estas merdas se misturam, é o forrobodó de sempre e assessores e comentadores são os do costume e bons paus mandados...
Sabemos que, na descoberta do Cosmos, muitas observações que começaram por falhar "por milímetros", a longo prazo, desviavam-se quilómetros do alvo e perdiam-se na imensidão do espaço. Os verdadeiros cientistas, os que sabiam o que faziam, os que estudavam e progrediam, acabavam por corrigir e acertar mais tarde. Galileu e Copérnico atreveram-se até a desafiarem o senso comum e a verdade instalada pela Igreja. Mas os fracos perderam sempre o ponto de vista e nunca avistaram coisa alguma a um palmo do nariz.
Um desvio de "milímetros" dá, amiúde, um erro de quilómetros mais à frente. É a diferença entre os pontos indevidamente ganhos pelo Benfica fruto de muitos "milímetros" acumulados a seu favor, como milhas de viagens aéreas. Na feliz companhia de aviação e entretenimento que é a arbitragem tuga, aquela onde deixam ex-árbitros opinar à revelia do bom senso mas sempre à medida das toneladas de asneiras realizadas como árbitros no activo.
E só falo dos golos em fora-de-jogo mal invalidados aos adversários do Benfica. Se entrar em conta com decisões de arbitragem ordinárias sempre a favor do mesmo como no Estoril e com o Moreirense e Arouca, veja-se lá onde iria o cálculo "milimétrico" da classificação e o peso das críticas que uma classificação verdadeira teria no còmputo geral.
E fosse a escala milimétrica vista com esta frequência na Europa e Esmael, o dianteiro do Rio Ave, não teria marcado o golo milagreiro ao Elfsborg para avançar para a Liga Europa.
Já quanto ao peso específico das arbitragens na carreira do Benfica, veja-se a queixa da sobrecarga disciplinar choramingada na Europa.
