Sigo há muitos anos as competições europeias com interesse, por tudo, por todos os clubes, gosto dos ambientes, não perco as finais e em geral os jogos importantes e decisivos. Tenho dados, retenho factos e dá-me para certas coisas.
Vi o Sporting ser eliminado, esta noite, com naturalidade e face a uma equipa melhor com jogadores de categoria superior e, como seria moda dizer da Academia de Alcochete, formados maioritariamente na cantera de Lamesa, acho que se chama assim (corrigido, é Lezama). Logo, aprecio as equipas que aproveitam os seus valores, sendo o Athletic, apesar do nome britânico da origem e que só foi obrigado a espanholar no regime franquista que bania estrangeirismos como os anglicismos, notado também por não alinhar com estrangeiros.
O Sporting podia ter sido goleado, Llorente sentenciou perto do fim mas deu duas assistências, cabeceou a um poste, falhou um pontapé de primeira que ainda obrigou Patrício à defesa da noite, teve mais duas ocasiões desviadas por defesas leoninos, enfim só por si, e a sua imensa categoria, ganhou a eliminatória. Apesar do calimerismo insuportável das queixas de falta no 1º golo (falta inexistente, apenas uma barreira legal a Schaars, mas a jogada ainda demorou a chegar a golo), de não sei quê do árbitro (devia ter expulsado Carriço), do 2-1 em tempo impróprio sobre o intervalo (mas não do 1-1 antes do intervalo... de resto um golo feliz, após canto, chuto e ressalto e por fim recarga, mas parece ser tudo obra de laboratório de graças a Sá Pinto).
Entretanto, a parolice nacional levou vários repórteres de televisão a San Mamés para ouvir adeptos. A RTP, gastadora como sempe, esmerou-se e até foi ouvir, imagine-se, Liedson a S. Paulo!!! E para ouvir adeptos em San Mamés, antes e decerto depois do jogo, a televisão pública não precisou de um, mas dois pés-de-microfone, talvez um a meias com a A1, não sei, mas no sorvedouro de dinheiro estúpido que é dos contribuintes continua Renitente a Travar Prejuízos, como apelidei no início da época. Uma RTP, de resto, que tem uma correspondente em permanência em Madrid mas só para fazer o Real Madrid, seguramente a Rosa Veloso, sempre longe do Calderon, não irá ouvir os portugueses do Atlético que vão à final da Liga Europa...
Adiante. Lembro que o Sporting já perdeu uma semifinal fora a 24 de Abril de 1974, vinha de Magdeburgo (RDA) onde perdera 2-1 depois de 1-1 em Alvalade para a Taça das Taças e chegou com a Revolução dos Cravos na rua. Agora perde o acesso a uma final a 26 de Abril e parece que os adeptos vão esperar a equipa no estádio, se calhar vão entregar algum troféu ou já contam com a Taça de Portugal que ninguém parece interessado em resolver na secretaria enquanto segue a fanfarra dos bilhetes esgotados para o Jamor...
A 26 de Abril de 1984, depois de afastar o Aberdeen com duplo 1-0, com um golo de Vermelhinho em pleno dia da Revolução, um relâmpago na noite de nevoeiro de Pittodrie que mesmo na tv a preto e branco não deu para ver o jogo, o FC Porto era obrigado a desviar o regresso para Lisboa, tal a invasão de adeptos à pista do aeroporto de Sá Carneiro, voltando ao Porto apenas no dia seguinte.
Não sei se é comparável a emoção, o orgulho e o brinde de estar na final ou fora dela, mas fica a evocação.
A FINAL - terá em Bucareste duas equipas espanholas com dois técnicos argentinos além de dois pontas-de-lança de qualidade acima da média, Llorente e Falcao. Continuo a torcer por Falcao, talvez a RTP se lembre de dar serviço à correspondente residente em Madrid para ir ouvir Tiago (foi expulso estupidamente) e Sílvio e ainda Pizzi se ela souber quem são e alguém se lembrar. O Atléti volta à final dois anos depois da vitória com o Fulham em Hamburgo, Falcao pode ser de novo rei dos goleadores e levantar o caneco depois do sucesso com o FC Porto e em caso de vitória os colchoneros obtêm 12 triunfos consecutivos o que será recorde das eurotaças, além de ter já 16 vitórias esta época o que é notável. O Athletic volta a uma final 35 anos depois de perder a Taça UEFA em casa (2-1 e 0-1) com a Juventus, golo decisivo de Roberto Bettega em Bilbau. Falamos de goleadores como deve ser. Parabéns aos espanhóis que vão fazer o 25º de 82 derbies registados nas eurotaças, mais de 30%, na época em que os principais concorrentes da Champions e melhores equipas do mundo ficam a ver as finais pela televisão. A 7ª final europeia só para espanhóis e um Atléti-Athletic já visto três vezes na Taça do Rei (2-1 para os bascos em triunfos).
À parte, sem importância alguma, apesar da efeméride, o triste episódio, mais um, do Maro(s)cas e do contingente militar que quer tornar o 25 de Abril mais significativo que o 1º de Dezembro, já retirado dos feriados, e o 5 de Outubro da fundação (pelo Tratado de Zamora, a tal lança em Espanha) de Portugal em 1143. Isto de ser protagonistas à força é uma coisa esquisita desta Democracia estranha cujos dinossauros resistem à erosão do tempo esgotando a paciência das pessoas com mais motivos para preocupação do que birras sobre modelos de economia, privilégios régios numa República caduca e pulsões esquizofrénicas de cidadania em bicos de pé com ameaças persistentes de pegar em armas sinónimo de outros tempos a que gostariam de regressar para mais pândega de socialismo conducente à bancarrota.

