28 janeiro 2014

Regras e Leis do Jogo

Espantou-me, sinceramente, que Leonardo Jardim tenha estranhado ter acabado o seu jogo "qualificado" e concluído, logo depois, que estava "desqualificado". Não sabia das declarações do treinador até vê-las em capa de jornal, o que dá um tom formal e até autoritário à coisa, é público e notório. O que é espantoso, porque o apuramento do Sporting não era do jeito "dependemos só de nós", mas condicionado a outro jogo e que, por manhas várias ou por simples vicissitudes dos jogos, pode demorar um bocado a terminar.

 Jardim dizer que os "jogos deviam acabar e começar ao mesmo tempo" é um lapsus linguae digno de Jesus e de um Vieira superior... mas isto de falar sem pensar dá no que é o Portugalório insano e saloio de sempre. Não sei se o disse assim ou O Jogo trocou-lhe as voltas, mas fica para a posteridade mais uma "bacorada" que acirrou ânimos e, isso sim, desprestigiou e desqualificou os seus intérpretes de novo apostados em "fazer as coisas por outro lado" que também é apanágio dos que apregoaram ferocidade contra o sistema e, então, ganharam dois em três campeonatos em que o Porto esteve a seco, permitindo um ao Boavista que sabe só ter sido campeão por, então, estar a lutar com o Porto com apoio tácito de Lisboa...
As manhas podem ser "do atraso deliberado" em começar e recomeçar o jogo após o intervalo. Podem ser dos jogadores que fazem "fita" por supostas lesões quando estão a ganhar, inclusive alegadamente lesionados caindo fora do campo de jogo mas vigorosamente aptos para rebolarem para o seu interior, "invadindo" aos rebolões as quatro linhas - como alguém gosta de enfatizar o que se joga dentro e fora das quatro linhas, dizendo-o sem se rir mesmo sem ter uma bolinha vermelha sobre o nariz. Os quatro minutos de compensação dados pelo árbitro foram manifestamente poucos para as paragens na 2ª parte, além da demora do g.r. insular nas reposições de bola em jogo mas isso é o mínimo.
 
As vicissitudes dos jogos podem ser sofrer muitas interrupções, lesões e assistências a jogadores e, de novo, os 4 minutos dados pelo árbitro foram manifestamente insuficientes para tantas paragens: regulares mas sujeitas a compensação de tempo.
 
Depois já Leis do Jogo, várias e algumas muito distintas e tão diferentes que nem sempre a mesma falta é punida da mesma maneira. Ora, uma das curiosidades do jogo foi ver Manuel Mota a apitar qualquer encontrão de um portista num madeirense e não punir os encontrões de sentido contrário, pois nunca foram punidos os encontrões dos maritimistas aos portistas. É só ver o vídeo. Porém, no último instante, no último lance, um ostensivo empurrão a Ghilas deu um penálti. Pelo que vi no jogo, não pensei que o árbitro ia ver, finalmente, uma falta dessas, para mais na área e aos 93'. Mas foi, o árbitro conseguiu ver um empurrão de um jogador do Marítimo a um do Porto. Penálti claríssimo que, por exemplo, o Mota do talho não viu num ostensivo empurrão a Carlos Eduardo que se preparava para marcar, a bola ficou solta atrás do g.r. que se atrapalhou sozinho. Era penálti e expulsão, mas não foi.
 
Entretanto, apesar de ver na tv o jogo, só agora me apercebi num pequeno frame que os da TVI falaram de um golo aos 90+6 minutos de jogo. Enfim, entre tantas e tantas asneiras daquela gente insana e imberbe onde o Manuel Queiroz se foi meter para desaprender e ficar pior, não sabem que o jogo prolonga-se até à marcação do penálti, mas não o tempo de jogo. Isto é, o jogo pode acabar mal o penálti seja concretizado, mesmo que a bola vá ao poste o árbitro pode impedir a recarga, por exemplo, se considerar que o tempo de jogo se esgotara.
 
Ora, depois do penálti o jogo não acabou, houve bola ao centro e o jogo prosseguiu por mais uns segundos. O árbitro deu compensação pelos protestos no lance do penálti. Pode ter acabado aos 90+7 minutos, que não dei conta na transmissão tv, mas isso é o menos, porque houve tempo perdido e até os festejos portistas alongaram mais a partida, o que é normal. Isso seria perceptível por alguém minimamente "desempoeirado" e identificado com o jogo e os jogadores e árbitros, em vez de darem voz às lamúrias inconsequentes e injustificadas dos calimeros do costume.
 
Enfim, mais umas coisas simples do futebol foram completamente deturpadas. Pelos adversários, sem saberem o que se passou para estarem ao desplante de falar de um penálti limpo que não viram e ignorarem um a favor, em Penafiel, inexistente, pois Dyer mergulha sem ser tocado e o Sporting podia apurar-se, com benefício também do jogo com o Marítimo, com mais um erro de arbitragem. Pelos jornalistas que deviam saber melhor do que falam e só contribuem para a intoxicação, fazendo desinformação por clara impreparação para a função. Uma vergonha.
 
Do presidente de claque não sobra desassombro de tantas parvoíces que debita sem contraditório. Infelizmente, falta memória a quem decerto já viu muitos jogos na bancada. Podia lembrar um Sporting-Gil Vicente, aí por 2006 ou 2007, com um golo para 1-0 aos 90+7, creio que apontado por Beto num remate de fora da área e onde toda a gente justificou os tempos de desconto com as paragens do jogo e até o antijogo dos minhotos. Mas isso já não interessa nada, parece que nunca houve penáltis no último minuto e é raro os jogos em Portugal terem à vontade 4 minutos de compensação.

Assim sendo, é inútil ensinar idiotas a comportarem-se para manterem minimamente o verniz heráldico já baço e carcomido pelo tempo e a penúria. Também não adianta lembrar que a obrigação de deixar marcar o penálti já tem mais de 100 anos, desde que um gajo pontapeou a bola para fora do estádio num jogo inglês e não se permitiu que o jogo reatasse, escapando o prevaricador da penalidade como alguns chico-espertos julgam escapar pelas reverências históricas da Imprensa de sarjeta que os acolita sempre em nome da Herdade Desportiva que dizem acampar...
 
Há descaramento quando falta a vergonha. Agora, em mais uma notícia de pai incógnito, apelam a que se averigue a demora no reatamento da partida, falha costumeira que dá sempre multa e mais nada... Mas isto é só para aquecer a visita do Porto à Madeira. O resto é palha, como a "fonte oficial anónima" da Liga um destes dias. A Herdade Desportiva tem cabeçudos e porcos que nunca mais acaba.

Como "nunca mais acaba"? Ora, eu percebo o argumento e, de novo, não é original: o outro que faz as coisas pelo outro lado também ameaçou que não jogava esta merda... Depois, fica sempre bem falar do penálti dos outros esquecendo o seu e, mais uma vez, como as paragens e problemas de um jogo fossem mimetizados noutro jogo: também nos Mundiais, nos Europeus e nas Champions há jogos que acabam mais tarde. É a vida, muito estranha para alguns. Dir-se-ia serem ideólogos da Esquerda, mas são apenas ex-Fidalgos arruinados e de mau perder, chorando baba e ranho.

Vão lá ao "intensómetro" medir o penálti de Penafiel com o do Dragão.

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