20 dezembro 2010

As (in)certezas, do resultado e de Hulk


Meia época sem perder, para o FC Porto, não dá manchetes amanhã. São 36 jogos e um dia perde-se-lhes a conta. Não é por acabar com 8 pontos de avanço sobre o 2º classificado. É por tudo, por resultados normalmente tranquilos e alguns mais contundentes do que outros magros, por bom jogo, por golos bonitos e por se ganhar de qualquer maneira, à excepção de três empates todos a justificarem mais do que valeram. E ganhar em condições muito difíceis, como voltou a ser com o P. Ferreira na Mata Real.
O rotundo 3-0 só foi ampliado nos descontos. Cedo Otamendi comprovou que, depois de estreia com golo ao Olhanense, à 6ª jornada, sabe mesmo marcar. Porém, um 3-0 prenunciado no avassalador primeiro quarto-de-hora, com Cássio a fazer a defesa da noite a cabeçada de Sapunaru, Falcao a contornar o g.r. pacense para acertar num poste e o mesmo guardião local a cortar, in extremis, uma jogada em que Hulk, fintando meio mundo, esteve perto do golo da tranquilidade. Tudo, em 15' soberbos, sem o Paços saber sequer onde era a área portista, quanto mais a baliza de Helton.
Os resultados enganam, às vezes, e Rui Vitória não deixa de ter razão. Porque a segunda parte fortíssima dos pacenses ameaçou o empate por mais de uma vez. Sim senhores. Mas tivesse o FC Porto aproveitado as oportunidades de início e não mais o jogo teria para contar a história que o técnico pacense viu no resto do tempo. Até um penálti por confusão - mas já vimos piores, muito piores - do árbitro, que negou um antes a Hulk, sentenciar a partida com o Incrível a fazer, depois, a segunda assistência para Walter dar a expressão final ao resultado aberto aos 11' num livre bem executado, sempre por Hulk, para a cabeça de Otamendi iludir a linha do fora-de-jogo vindo de trás para marcar sem oposição no período de ouro portista.
Hulk, líder dos marcadores (13 golos em 13 jornadas, pois "folgou" uma das 14 disputadas, mas também não dá manchetes como o registo igual de CR7 no Real Madrid), melhor jogador e único que se destaca em toda a Liga, eleito mensalmente MVP desde o início, é tão decisivo e (in)certo como foi o complicado, trabalhoso e sofrido resultado de ontem. Pois também elabora demais os lances individuais, perde opções de passe em remates falíveis de longe ou com o seu pé menos bom. Felizmente tem uma equipa que joga num colectivo fortíssimo e que colmata algumas falhas individuais com entreajuda e posicionamento defensivos que também distinguem claramente o FC Porto da concorrência e é outra marca notável deste registo histórico mas ironicamente tão extraordinário quanto, de alguma forma, banal - e sem dar as manchetes na Imprensa do regime.
Um jogo muito combativo, demasiado faltoso e muito permitido pelo árbitro Artur Soares Dias que devia ter expulsado pelo menos dois pacenses por duplo amarelo, mostrou o empertigamento pacense que um resultado tangencial sempre propicia. Futebol directo, gente jovem que corre muito e bate forte e feio, sangue na guelra e vigor físico aqui e ali a passar das marcas atrapalharam o meio-campo portista, ao ponto de AVB ter lançado Sousa para reforçar o miolo, acabando com Maicon a terceiro central já quando Hulk marcava o 2-0 e Falcao e James saíram lesionados.
Uma grande época, so far so good, um jogador desequilibrador fenomenal estratégica e inacreditavelmente afastado no início do ano e vê-se hoje a diferença em relação a esta fase da época passada, quando o FC Porto acabou o ano a perder na Luz com um golo irregular e um pesadelo disciplinar para os hoje reabilitados Hulk e Sapunaru, este a confirmar a apetência por um lugar que dificilmente se julgava, nos dois últimos anos, capaz de merecer.
Hulk, com um colectivo impressionante mas também a valer por si só, será de novo o jogador do mês, açambarcando todas as prendas para um Natal imensamente feliz para todos os portistas.

9 comentários:

  1. Boas

    Acho que foi o jogo da era AVB em que a equipa adversário nos criou mais problemas, situação perfeitamente evitável se marcassemos o segundo nas oportunidades flagrantes que tivemos na primeira parte.

    Ao contrário do ano passado, este ano marcamos cedo, mas se não fizermos o segundo rapidamente, acabamos por passar por alguns calafrios desnecessários.

    Esta equipa joga mais em posse de bola e não é tão forte nas famosas transições rápidas tão bem realizadas nas épocas do professor. O ideal seria ter o AVB na primeira parte e o Professor na segunda...

    Ontem o meio campo, na segunda parte não conseguiu controlar a bola e fazê-la circular, porque belluschi esteve uns furos abaixo do habitual, Souza não entrou bem (deveria ter sido Micael, na minha modesta opinião) e Walter não segura a bola tão bem como Falcão. Apesar de estar nos 3 golos, parece-me que o incrivel já esteve em melhor forma.

    Agora é aproveitar o repouso para recuperar alguns jogadores e seguir com atenção o caso do tunel do Barnabé e da Vitória.

    Um abraço

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  2. Não foi um grande jogo ... o Porto entrou bem e fez uma boa 1ª parte, mas na 2ª o Paços poderia ter chegado ao golo. No entanto a vitoria não sofre qualquer contestação.
    Importa referir os 36 jogos consecutivos sem derrotas ... é obra !!!

    Um abraço

    http://fcportonoticias-dodragao.blogspot.com/

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  3. Bom dia,

    Ontem fizemos uma primeira parte intensa, entramos com garra, lutadores e aguerridos e só por falta de eficácia na finalização e mérito de Cássio (com duas defesas fantásticas)não chegamos ao intervalo com um score de 3 ou 4 a 0.

    Na primeira parte o Paços resumiu-se a um remate de Rondon para fora.

    Na segunda parte, perdemos Falcao, e o Paços entrou aguerrido e pressionante. Leonel Olimpio subiu mais no terreno e começamos a ter dificuldades.

    Recuamos muito, e Walter nas transições não ajudava muito, pois é um avançado mais lento que Falcao e que tem mais dificuldades em segurar a bola de costas para a baliza.

    Villas-Boas reagiu e colocou Souza em campo, que sem efectuar uma boa exibição conseguiu reequilibrar as forças no miolo, efectuou mesmo um corte que Rondon se preparava para desviar para golo.

    Quando mais precisamos tivemos Helton em bom plano, a transmitir serenidade, pelo que o considero o melhor em campo.

    A não ser Helton, Guarin mereceria a distinção, pois o colombiano fez um jogo enorme, lutou muitas vezes em inferioridade (até à entrada de Souza) e venceu muitos duelos.

    Hulk apesar de um pouco individualista por vezes, fez a diferença, com duas assistências e um golo.

    Moutinho, Belluschi, Sapunaru e Alvaro também fizeram um bom jogo.

    A nossa dupla de centrais na segunda parte sentiu imensas dificuldades, mas acabou por conseguir apagar alguns fogos.

    Falcao esteve muito mal na finalização, por via dos problemas musculares.

    James demonstrou que ainda tem muito que trabalhar, é um excelente jogador, mas ontem era um jogo para homens de barba rija, um jogo rasgadinho, que para ele é mais complicado adaptar-se.

    Terminamos o ano com uma vitória, com a manutenção da vantagem pontual, e que o ano de 2011 seja pleno de sucessos, com a equipa a demonstrar a mesma garra e ambição que nos tem orgulhado.

    Abraço e boas festas

    Paulo

    http://pronunciadodragao.blogspot.com

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  4. DD, tal como com o V. Setúbal, a 2ª parte foi mais penosa em termos físicos. Se o adversário usar muito o corpo a corpo é difícil aguentar a pedalada.

    A equipa está mesmo a precisar de férias, tem sido desgastante e é sempre desgastante, física e mentalmente, jogar a alto nível tantos meses.

    Eu compreendo isso. Posso constatar um estouro físico, mas sabendo a razão não posso ser exigente e acusá-la de não trabalhar.

    O que comprova como é importante chegar com folga pontual a Março e Abril na decisão das competições para responder adequadamente em todas elas.

    Mas também revela que o FC Porto ainda não tem o estofo necessário para mais altas cavalgadas. Não me custa admitir isso, se estivesse na Champions seria bem pior. Estas coisas tiram uma factura bem pesada.

    Os adeptos devem ter consciência disso mesmo.

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  5. Os vencedores, na hora de festejar, não dão muita importância ao facto de se obterem "vitórias felizes", mas sem dúvida que, sem ela, o FCPorto não teria vindo de Paços de sorriso de orelha a orelha.
    Podendo ter acabado com a discussão do resultado na primeira parte acabou por, na segunda, beneficiar das benesses do generoso pai natal em desfavor dos injustiçados pacenses.

    É bom ganhar e se a vitória for polémica mais vinagrosa fará a consoada de milhões...

    Andar nas núvens e perder a terra de vista, pode ser perigoso. Nem tudo vai bem no exército do Dragão e a sorte, quando não está connosco, é preciso ir a procura dela...

    Mesmo com um bom GPS, é avisado quem tem sempre à mão um mapa e um bússula. Não será assim, caro mestre André?.
    Festas Felizes.

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  6. Boas

    e agora "something completely different" que me ia passando:

    http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=237897

    Eu sei que fiquei de estar atento a estas coisas, mas a novela Barnabé/Vitória/Tunel/Stewards tem-me deixado algo confuso, baralhado e ao mesmo tempo maravilhado

    Um abraço

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  7. DD, aquilo que me repugna até ao vómito não costumo comentar.

    É de uma tristeza e baixeza sem fim, remete-nos sempre para o túnel da Luz e é um charco fétido que torna irrespirável qualquer alusão ao assunto.

    Comem-se uns aos outros, só têm o que merecem. Nem serve para entreter.

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  8. ..."Mas tivesse o FC Porto aproveitado as oportunidades de início e não mais o jogo teria para contar a história que o técnico pacense viu no resto do tempo."...


    O que , para além do resto , é verdade !

    Abraço

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  9. Um destaque muito grande para Helton, grande exibição -duas, três defesas de grande categoria e concentração-, a ele, devemos em boa parte esta vitória...

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