Manu como Hulk, os agressores passam impunes e o melhor é comer e calar? Quaresma chegou a ser o portista mis "indisciplinado" enquanto as atenções se viravam contra Bruno Alves por ter só um cartão; Lisandro viu quatro cartões em seis jornadas. Depois fartam-se e vão-se embora: mandam tudo isto à merda e levam a razão com eles...
Vou insistir no tema da defesa dos (bons) jogadores: eles são tão poucos em Portugal e tão desvalorizados até de forma reles e de uma baixeza de carácter que tal indiferença dói tanto como as muitas pancadas que levam. Depois da perseguição de que Hulk tem sido vítima, com a complacência dos árbitros que agora virou impaciência com os seus protestos, vimos Manu ser agredido por duas vezes, uma delas até a fugir do lado de fora do campo. A diferença é que as agressões ao veloz maritimista nem cartão mereceram, enquanto Hulk farta-se de ser puxado, agarrado, rasteirado, travado e até com faltas assinaladas contra si (dividida com Kelly à entrada da área) e tem de ficar-se, levar, comer e calar.
A condescendência dos árbitros com o jogo feio, a falta sistemática e uma indiferença face ao jogo que diz de toda a sua impreparação para o dirigir, só tem paralelo com o encolher de ombros do público perante o massacre aos jogadores talentosos. Não é que tenha de se estender uma passadeira à sua passagem, mas há limites para o jogo faltoso e há, acima de tudo, necessidade de moralizar: ou punir os prevaricadores, o que raramente acontece e enaltece-se até a marcação individual que trate de por qualquer meio impedir o adversário de fazer jogo, ou permitir o futebol feio e faltoso que em Portugal vive de contacto físico fora da lei, com muito agarrão, muito jogo de braços, muita falta pequenina, muita faltinha, muita rasteira e cada vez mais, com a pressão alta, a começar no meio-campo do próprio adversário. Lembre-se como Filipe Anunciação - que sabe o que é marcar alguém na Luz e ser expulso! - travou sem meias medidas Hulk ainda nos primeiros 35 metros de campo do FC Porto.
A propósito de Hulk ter de comer e calar, vou recordar a quem quiser tomar nota dois factos recentes:
- a despeito de o FC Porto ter acabado o campeonato 2007-08 com 20 pontos de avanço, houve campanha contra Bruno Alves que só tinha um amarelo... enquanto Quaresma se tornou, com pouco destaque e nenhum significado especial atribuído ao facto, o mais "indisciplinado", salvo erro com 7 amarelos. Fartou-se de levar porrada, anos a fio, mas os árbitros achavam que resmungava muito: lá foi à sua vida, farto desta mediocridade mesmo que, lá fora, agora não se encontre a sua magia.
- Lisandro somou quatro cartões amarelos nas seis primeiras jornadas da época passada e passou depois meio campeonato até ver o 5º amarelo para a suspensão da ordem que muitos ansiavam. Pelo meio, o caricato da sua suspensão por alegada simulação num penálti contra o Benfica, ao mesmo tempo que se reconhecia ter existido um sobre Lucho mas desvalorizava-se o facto em favor do lance que ditou o 1-1 final. É claro que, por vários motivos, Licha foi à sua vida e levou a razão consigo, mais a sua categoria.
Eu pasmo com a irritação que o comportamento de Hulk pode ter em protestos que tem de controlar face aos árbitros que fecham os olhos às faltas que travam a sua velocidade. Parece que os árbitros têm receio de mostrar amarelos sem razão, ou então por protestos por parecer que os portistas protestam mais que os adversários, e estou a lembrar-me de mais um catedrático como Duarte Gomes a "amarelar" Fucile no Restelo na época passada, numa suposta falta junto à área do Belenenses.
Os adeptos do FC Porto, ou alguns tão anjinhos como dizem que Hulk é, não distinguem as faltas e o seu critério quando são assinaladas contra o FC Porto, além de uma intolerância contra os seus jogadores que não se vê no confronto dos árbitros com jogadores do Benfica e do Sporting.
A jornada de uma vitória só
Não vi o jogo do Benfica, nem o do Sporting, apenas os resumos, mas vi o suficiente para assistir a duas entradas a matar sobre Manu, um rapaz pouco valorizado mas com muito futebol e uma velocidade estonteante para um jogador português. Enquanto o afamado Saviola sacou uma falta à entrada da área e um penálti ao arrastar os pés para forçar o contacto com os adversários maritimistas, fornecendo a tónica geral do que é o jogo do Benfica na Luz de pressão permanente sobre os árbitros como já tinha visto no amigável com o Atl. Madrid, Manu foi alvo de tentativas de agressão do género das que vimos há um ano de Carlos Martins sobre Sapunaru e de Nuno Gomes sobre o mesmo Sapunaru, entradas a varrer, às pernas, agressões puras. Nem Jorge Sousa, então, nem Artur Soares Dias este domingo sancionaram o jogo violento.
Mas também estes aspectos são pouco valorizados e esmiuçados pela crítica, seja a de cariz profissional nos meios de comunicação apropriados, seja nos blogues. Não se dá a ideia de um futebol sarrafeiro e doentiamente concentrado em não perder de modo a que só se assistiu a um triunfo e sacado a ferros pelo Braga quase a fechar o jogo. Empates, amigos, empates justificados por isto e por aquilo, também por ser início de época, mas empates e não é por acaso, por muitas atenuantes que encontrem.
Qual o melhor 1-1? O do Sporting?
Li, ainda, que a despeito de os três grandes terem empatado 1-1 o Sporting, pasme-se, foi o de melhor nota, o melhor resultado dos três.
Avaliemos, então:
- Sporting, perde na 1ª parte e empata só num canto e num autogolo, Enschede repete-se e eu bem dizia que há ali twentelight zone e muita macumba para segurar o pobre Bento, de ideias, discurso e noção de futebol que, além dos próprios adeptos, exaspera um que seja neutro e o ouça meia dúzia de vezes;
- FC Porto, perde na 1ª parte com um autoglo tão infeliz como inacreditável, um twentelight zone ao contrário para os portistas que, com 10 homens, conseguem empatar num grande golo do estreante Falcao e a despeito de perder toda a cerebralidade do seu sector de construção (sem Meireles e Belluschi);
- Benfica, perde na 1ª parte, sofrendo um penálti, e acima de tudo não traz a magia que proclamaram na pré-época, empatando quase no fim num lance de bola parada e depois de falhar um penálti "cavado" por Saviola, o farsola que promete falar de si quando for Filipe Anunciação a marcá-lo...
Posto isto, quem teria mais motivos para ficar satisfeito com o seu 1-1?
São leituras, são opiniões mas há-as tão ridículas que felizmente não matam.
A leitura das incidências da arbitragem segue a tónica geral: desde que prejudiquem o FC Porto está tudo bem, se não afectarem o Benfica e até puderem ajudar um pouquinho vai melhor ainda.
A 1ª jornada já tinha bons motivos para longas discussões, com todas as imagens presentes e alguns comentários também. Para se perceber a desonestidade que campeia e, isso sim, retira credibilidade e seriedade ao jogo. Porque este, nas suas dimensões várias, não é tido em conta. Só os resultados. E com as opiniões que se conhecem. É este o cerne da questão. Porque as avaliações aos "mais" e "menos" das equipas são, também, viciados por aquilo que se projecta que possam fazer, idealizações e conceitos nunca verificados a não ser no imaginário dos mais delirantes exercícios de profissão de fé a ver se muda a cor do título.
Que o Sporting, então favorecido nesta ronda, siga a sua capacidade de atrair a sorte agora com a Fiorentina. (mas não venham queixar-se da frieza italiana, etc. e tal).