13 agosto 2008

A importância do triângulo (parte 2)

Analisemos então as várias opções para a posição 6 e o que elas nos poderão oferecer:

-Guarín: Foi contratado com a ideia de ser um dos possíveis sucessores de Paulo Assunção, algo que poderá acontecer mas não da forma como se esperava, uma vez que acredito que ele poderá suprir o lugar no onze de Assunção mas jogando mais adiantado no terreno fazendo baixar Raul Meireles para trinco. Pode também significar uma alteração do modelo, uma vez que em determinados momentos do jogo poderá trocar de posição com Meireles, permitindo assim uma permuta constante entre quem sobe e quem fica para não descompensar o meio campo.

Ambos os cenários obrigam a um maior esforço defensivo de Lucho, voltando a ter preocupações defensivas que já não tinha no ano passado graças á segurança de ter um elemento fixo como Paulo Assunção, que permitia que os companheiros do meio campo jogassem com mais liberdade.

Guarin é rápido, dinâmico, com boa qualidade técnica e passa com critério. Um claro 8 e não um 6 típico. Se jogar a trinco oferecerá maior mobilidade a essa posição mas ao mesmo tempo menor segurança defensiva e cultura táctica que Paulo Assunção acrescentava ao jogo portista.

Falta saber que planos terá Jesualdo para Guarín… Será que desistiu da ideia de o converter num 6 e a partir de agora o colombiano lutará por um lugar entre Lucho, Meireles e Tomas Costa? Ou esta passagem de Guarín para 8 e Meireles para trinco é apenas momentânea, e no segredo do trabalho realizado em Gaia ,Jesualdo prepara tacticamente Guarín para assumir essa função, não de uma forma igual a Assunção mas aproveitando as características ofensivas que Guarín já tem, mas acrescentando-lhe melhor cultura táctica , sentido posicional e leitura de jogo. Semelhante ao trabalho que Ferguson fez em Manchester com Anderson para adapta-lo a médio centro quando ele levava para lá rotinas de médio ofensivo.

-Tomás Costa: Outro jogador contratado ao engano. Vinha qualificado por Pinto da Costa como o substituto de Paulo Assunção e foi mais uma prova que alguém não anda a fazer o seu trabalho de casa, pois ele nunca, segundo as suas próprias palavras, foi trinco.

É um jogador que gosta de pisar os mesmos terrenos de Lucho Gonzalez mas sem metade da sua qualidade.

Do pouco que se viu até agora destaca-se por ser um jogador esforçado, “raçudo”, que sua a camisola mas sem grande primor técnico. Um jogador que faz lembrar outros que por cá passaram como o Luís Aguiar que não aquecem nem arrefecem.

Acho que será opção para lançar no decorrer dos jogos quando se quiser mais nervo no meio campo e pouco mais.

Como trinco foi pouco experimentado mas parece-nos que teria sempre a tendência de subir em demasia e não possui cultura táctica necessária para a posição, porventura demonstra menos aptidão, para essa posição para a qual supostamente foi contratado, que o próprio Guarín.

Outra opção será avança-lo para jogar lado a lado com Lucho, recuando o Raul Meireles. Seria uma modalidade mais ofensiva do triângulo porque enquanto Meireles é um jogador com uma formação que o permite percorrer duas zonas do meio campo e tem um raio de acção no campo mais amplo, já Tomás Costa parece jogar em espaços mais curtos e claramente vocacionado para ser um 8 á semelhança de Lucho, que ajuda nas tarefas defensivas, mas que gosta mais de lançar o ataque, apesar de até ao momento, não ter demonstrado grande visão de jogo nem grande qualidade de passe, para ajudar nas já famosas transições rápidas de que Jesualdo tanto gosta.

-Fernando: É o jogador que mais se assemelha a Paulo Assunção e o único trinco de raiz que chegou para este plantel. Quando se esperava que 2 dos reforços fossem trincos, afinal o único foi um jogador que já tínhamos.

Fernando já na pré-temporada passada impressionou Jesualdo pelo vigor físico, pelo excelente sentido posicional, capacidade de antecipação, assim como, pela maturidade que o seu jogo já demonstrava em tão tenra idade e, ainda por cima, chegando de uma realidade competitiva menos complexa que a do futebol europeu.

Após confirmar todas essas qualidades no Estrela de Amadora volta com toda a força e toda a legitimidade de reclamar para si o lugar que foi ocupado por Paulo Assunção.

A opção por Fernando permitiria a Jesualdo manter mais ou menos os processos de jogo já assimilados pelo seu triângulo de meio campo, uma vez que, não obrigaria a grandes mudanças quer posicionais, quer de processos de jogo, quer por parte de Raul Meireles ou de Lucho.

Permitiria que Raul Meireles continuasse a ser o pulmão da equipa percorrendo todo a zona central do terreno quer no apoio a Fernando quando necessário quer apoiando Lucho. Poderia continuar a ter um papel de transportador de jogo e não se perder tanto em tarefas de coadjuvante do meio campo defensivo.

Lucho poderia manter aquela posição no terreno mais ofensiva como um jogador entre o 8 e o 10, um 8 porque continuaria a ser um jogador de transições e descer um pouco para buscar a bola, e acima de tudo, efectuar um pressing zonal mas sem estar tão ligado a acções de grande desgaste físico, pautando-se a sua acção defensiva mais por um sentido de posicionamento importante para a equipa na hora de fechar linhas de passe, permitindo assim a rápida recuperação da bola para ser ele o primeiro ou 2º jogador a ter a bola para poder, no imediato, efectuar um dos seus passes de ruptura que desequilibram toda uma defesa apanhada em situação ofensiva.

Creio que a dúvida de Jesualdo relativamente a Fernando será o saber se ele está pronto para assumir a responsabilidade de jogar numa equipa como o F.C. Porto e se não será preferível preservá-lo e integra-lo no onze de uma forma progressiva.

-Raul Meireles: Ao que tudo indica, e ao contrário de todas as previsões inicias, poderá ser ele o sucessor de Assunção mesmo sendo um jogador de características totalmente distintas e que nos últimos anos se habituou a jogar com maior liberdade.

Jesualdo sabe que a posição 6 no seu desenho táctico assume um papel fundamental na estrutura de toda a equipa e na forma como esta se desenvolve em campo, e por isso, parece que neste inicio de época não quer correr riscos com uma adaptação (Guarín e Tomás Costa) ou com um jogador jovem e que pode ainda sentir o peso de uma camisola como a do F. C. Porto (Fernando).

Meireles já conhece os métodos de Jesualdo, sabe perfeitamente a forma como Jesualdo encara o jogo e as movimentações que ele espera. Meireles é também um jogador que no Boavista se habituou a jogar várias vezes naquela posição, assim como, no trabalho das selecções sempre se destacou jogando a médio defensivo, quer sozinho, quer muitas vezes, numa situação de duplo pivot defensivo, algumas vezes com o amigo Bosingwa até.

Este recuo de Meireles alterará de forma mais radical os mecanismos de jogo do triângulo portista do que a solução por um jogador mais fixo como Fernando, mas não será uma alteração tão radical e imprevisível como seria uma aposta por um jogador sem rotinas nem formação naquele lugar como Guarín ou Tomás Costa.

Em relação a Assunção, Meireles transporta mais nervo, maior mobilidade, capacidade de se desdobrar nas mais diversas funções e pode ser, á semelhança do que é Miguel Veloso no losango do Sporting ou Pirlo no meio campo do Milan, o 1º construtor de jogo da equipa por dispor de um pendor ofensivo que Assunção não tinha.

Como desvantagem Meireles não tem a mesma capacidade de ler o jogo em situação defensiva, nem o poder de antecipação que tinha o médio brasileiro obrigando assim a que Lucho recue uns metros no terreno e jogue mais em cunha com Guarín e participe mais nas acções defensivas, sofrendo maior desgaste e tendo que partilhar também o seu protagonismo no plano ofensivo e aprender a por vezes ficar ele mais atrás permitindo que suba antes Guarín, e até por vezes deixar Meireles galgar uns metros para aplicar o seu forte remate, que é uma arma que não poderemos abdicar mesmo com Meireles jogando mais recuado.

Lucho neste último ano estava acostumado a ser ele o maestro de todo o espectáculo, a ser o patrão de todo o processo ofensivo da equipa, e a ser ele a escolher quando acelerar o jogo e a quem dar a bola para a última etapa da conclusão da jogada de ataque. Este ano Lucho como todos os grandes patrões terá que aprender a delegar… Nesta estrutura mais ofensiva do meio campo do Porto ele terá que abdicar de algum do seu brilho nas acções ofensivas e saber também dar espaço para que outros também participem nesse tipo de acções.

Para outros jogadores poderia ser problemático mas não para Lucho, um jogador que se destaca exactamente pela sua generosidade e por não se importar de desaparecer mais vezes do jogo visível e dos holofotes das câmaras, para que outros possam brilhar e acima de tudo para que a equipa jogue melhor. Assim se distinguem os grandes jogadores dos demais… Os grandes jogadores não são aqueles que “ apenas” jogam bem, tendo o seu brilho próprio, são aqueles que fazem jogar bem todos os seus companheiros e os fazem parecer até melhores jogadores, ou seja, partilham o seu brilho por todos os companheiros mesmo que isso lhes faça perder protagonismo para que o céu em vez de ser iluminado por uma só estrela seja iluminado por várias.

Quem beneficiará com este recuou de Meireles e o refrescar de velhas rotinas na posição de trinco será Carlos Queiroz e o próprio Meireles.

Com a mais que provável saída de Petit das convocatórias de Queiroz, fica vago um lugar de trinco no onze da selecção. Se momentos houve em que tínhamos duas ou três opções de qualidade para trincos, actualmente o futebol português passa a fase dos médios box to box…Não temos médios ofensivos, os denominados nºs 10, e estamos a deixar de ter os típicos nºs 6, e há uma proliferação algo exagerada de médios centros de grande qualidade.

Meireles assim deixaria de ter que lutar com João Moutinho por um lugar no onze e assumir-se-ia como o novo trinco da selecção nacional, creio que á frente inclusive de Miguel Veloso que não assentaria bem num meio campo a três tão ofensivo como o da selecção.

Será uma solução que poderá beneficiar não só o próprio clube, como valorizar o próprio jogador, o seu valor no mercado e também o futebol português, que bem precisa de um grande trinco como Meireles já provou em tempos poder ser.

Tem a palavra o Mister Jesualdo Ferreira…

12 agosto 2008

A importância do triângulo (Parte 1)

Uns preferem-nos mais abertos, outros mais fechados, uns com dois vértices mais recuados, outros com dois vértices ofensivos, outros até o trocam por o losango, o que não há dúvida é que nos últimos anos muito se tem falado na importância do triângulo.

Pode-se considerar que é o coração da equipa, é a forma como conjugamos esses 3 elementos que preenchem o centro do campo que se pode ditar a forma como a equipa pensa e encara o jogo, a forma como gera os ritmos a que os restantes companheiros jogam, e a segurança e coesão defensiva. Por isso compor o triângulo do meio campo é sem dúvida o exercício mais delicado e complicado para se fazer numa equipa. Não é só coabitar 3 jogadores, trata-se de definir previamente o estilo de jogo que se quer impor e encontrar 3 elementos que sejam diferentes, cada um com uma função muito específica e conseguir que juntos formem um bloco unido que faça a equipa jogar. É no meio campo que se ganham e perdem jogos, e como tal, é aí que as rotinas devem ser mais afinadas.

Por vezes há jogadores que nesse triângulo quando bem oleado atingem níveis de rendimento que sozinhos nunca o conseguiriam, porque por vezes trata-se de fazer uma fusão entre 3 jogadores que se complementam, que suprem as carências do outro, que separados são vulneráveis mas juntos quase invencíveis.

No F. C. Porto habituamo-nos a triângulos absolutamente fabulosos porventura o mais completo e inesquecível foi o composto por: Costinha-Maniche-Deco. Costinha era o ministro, a sobriedade em pessoa, de uma leitura táctica fantástica, fazia com que o campo parecesse mais pequeno para o adversário e as linhas de passe desaparecessem.

Maniche era o pulmão, corria quilómetros e estabelecia a ligação entre a sobriedade defensiva de Costinha e a criatividade e magia de Deco. Elevava as rotações a que o jogo se desenrolava e ainda detinha um pontapé canhão fazendo assim aquilo que faltava a Deco e Costinha.

Deco era o mágico 10 o criativo que imaginava todo o jogo ofensivo do Porto mas que também era o 1º a defender, pressionando bem alto. Os 3 separados eram bons jogadores, mas juntos pareciam invencíveis, jogavam de olhos fechados e não há dúvidas que foram um dos grandes motivos para a máquina de jogar futebol que era o F. C. Porto dessa época.

Nas últimas duas épocas Jesualdo Ferreira criou outro triangulo de grande qualidade, com características diferentes, mas também fulcral no domínio que o Porto obteve na liga portuguesa, composto por: Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho Gonzalez.

Este ano porventura o maior desafio de Jesualdo na construção da equipa será encontrar forma de reconstruir o triângulo após a saída de Assunção, é só um jogador é certo, mas obriga a que toda a dinâmica do triangulo e consequentemente da equipa seja alterada.

Há que ter em atenção a entrada de reforços como Sapunaru e Rodriguez na equipa que poderá influenciar na hora de escolher a dinâmica a dar, e na escolha do jogador para entrar para a posição que era da Assunção, que se no papel é o mesmo na prática poderá significar uma nuance no modelo de jogo da equipa.

Os triângulos do meio campo tal como as tácticas sejam elas 4-3-3, 4-4-2, 4-4-2 losango etc. são apenas desenhos, a forma como as peças se dispões antes do árbitro apitar para o inicio do jogo, o que interessa depois é o modelo de jogo que a equipa apresenta, ou seja, a forma como as peças se movimentam em campo, a dinâmica da equipa.

Os princípios da equipa esses são imutáveis ou praticamente imutáveis, e não sofreriam alteração por mais jogadores que saíssem da equipa titular, agora o modelo de jogo parece-me que poderá sofrer ligeiras alterações apesar do desenho táctico se manter o mesmo como Jesualdo já o referiu.

Como tal, não sobram dúvidas que até ao 1º jogo oficial a maior preocupação de Jesualdo é encontrar a fórmula certa para o seu meio campo.

Uma coisa é óbvia e inequívoca, Paulo Assunção só há um e é totalmente inócuo tentarmos encontrar um novo Paulo Assunção, o que já é diferente, é encontrar um jogador com características semelhantes que assegure um modelo de jogo mais próximo da época passada.

Isso é algo muito difícil de concretizar porque venderam gato por lebre ao professor. Prometeram-lhe dois jogadores para substituir Paulo Assunção e afinal deram-lhe dois médios com características mais ofensivas e que nunca jogaram a médio mais defensivo. Um claro erro de casting, o que não invalida que os jogadores em causa possam vir a ter utilidade, mas não na posição para que foram anunciados como reforços.

Para Jesualdo seria importante também saber se Quaresma se manterá ou não na equipa, para saber qual a melhor formula para o potenciar na equipa, e isso se traduzirá na necessidade de fazer este triangulo mais ou menos ofensivo consoante seja necessário criar e atacar mais pelo meio e transportar mais a bola, ou torna-lo mais defensivo ou com maior preocupação no capitulo de gerir as transições rápidas e o último passe para os jogadores rápidos que aparecem pelos flancos capazes de assumir o jogo ofensivo da equipa.

O F. C. Porto com a saída de Bosingwa ganhou um lateral com rotinas de central e por isso muito bom defensivamente que é Sapunaru, mas perdeu aquele fulgor ofensivo de Bosingwa que fazia o flanco direito todo e assumia as despesas ofensivas pelo lado direito, deixando o lado esquerdo para Quaresma e obrigando a um lateral esquerdo mais defensivo.

Tendo em conta estas condicionantes será a partir daqui que Jesualdo terá que analisar as opções para configurar o triângulo do meio campo e decidir se altera substancialmente alguns automatismos do modelo jogo da equipa, que naturalmente já se alterará com a entrada de Sapunaru para lateral direito e Rodriguez para extremo esquerdo.

(continua)

10 agosto 2008

Prontos para a luta

Equipa: Helton (Nuno 45'), Sapunaru (Fucile 64), P. Emanuel (Stepanov 64'), B. Alves (Rolando 45'), Benítez (Lino 45'), Guarin (Tomás C. 45'), R. Meireles (Fernando 64'), Lucho (Bolatti 80'), Mariano G.(Candeias 80'), Lisandro (Hilk 45') e C. Rodriguez (Farias 64')

O FCPorto terminou os jogos de preparação para a época 2008/2009 com uma vitória incontestável, e bastante animadora, sobre a equipa italiana da Lázio.

A equipa portista mostrou que já está mais do que pronta para a exigência da época que se avizinha, realizando uma exibição muito satisfatória, principalmente nos primeiros 45 minutos com a equipa, que se prevê, titular, dando uma excelente imagem, ao seu público que quase encheu o Estádio do Dragão, do que poderá vir a fazer durante a próxima época.

O FCPorto da 1ª parte, foi uma verdadeira equipa, um conjunto recheado de grandes valores individuais mas com um verdadeiro sentido de colectivo, sendo, em todo o tempo e em todo o campo, verdadeiramente mais forte do que o seu adversário.

Nem com a entrada de 4 reforços a equipa se ressentiu, mantendo a mesma estrutura da época anterior, ela foi capaz de jogar com um ritmo muito forte e com uma dinâmica de uma equipa que parecia estar a jogar à muito tempo junta, mostrando que os reforços se adaptaram plenamente.

Desde o inicio da partida, que o FCPorto pressionou sempre muito alto e muito forte, querendo logo marcar, com boas jogadas de envolvimento com vista à baliza adversaria, mas foi de bola parada que a equipa portista inaugurou o marcador. Bruno Alves, com uma verdadeira " bomba", de tão força que a bola foi e tão colocada, não deu quaisquer hipóteses ao guarda-redes argentino, Juan Pablo Carrizo que defendia a baliza da equipa italiana. Mais um golo de bola parada nesta pré-época, coisa quase vista raramente nestas alturas.

O primeiro já lá estava, mas a equipa portista queria oferecer mais aos seus adeptos e, aos 18 minutos, Cristian Rodriguez depois de uma arrancada fabulosa no lado esquerdo, assistiu Lucho Gonzalez que não teve problemas em bater o seu compatriota.

A partir daí, o FCPorto baixou o ritmo mas manteve-se sempre no comando da partida, não passando por muitas dificuldades defensivamente e , por vezes, descia ao ataque para criar quase sempre situações de perigo na baliza adversária.

Na segunda parte, tudo foi diferente, mas para pior, e para isso muito contribuiu as muitas substituições que a equipa teve, não conseguindo impor o ritmo forte e denominador que tinha sido a imagem de marca no primeiro tempo. A equipa teve sempre algumas dificuldades em coordenar as jogadas de ataque, o meio campo não teve a imaginação e a força do primeiro tempo, e a equipa italiana aproveitava para tentar chegar com perigo à baliza, agora defendida por Nuno.

Mas foi de bola parada, e com alguma sorte à mistura visto que a bola embateu num jogador portista que estava na barreira, que Ledesma viria a marcar o tento de honra da equipa romana. Até ao final a equipa ainda procurou o empate mas sempre com pouca categoria e o FCPorto resolveu, com maior ou menos dificuldade, os lances de ataque .

O FCPorto fecha a pré-época 2008/2009 da melhor maneira possível e com um saldo positivo, mostrando que está mais do que pronta para esta época que se espera recheada de grandes sucessos. A partir de agora, acabaram as experiências, tudo é mais à sério, e as vitórias já valem mais, mas por aquilo que a equipa portista vai demonstrando, como adeptos podemos estar confiantes numa época à boa maneira do FCP, ou seja, numa época vencedora.

Reforços

Benítez - Quase sempre muito seguro e muito eficaz, procurou jogar sempre pelo certo, sendo sempre muito regular. Conseguiu controlar o seu lado, estando a crescer à medida que joga. Poderá ser uma boa surpresa .

Guarin- Começou a trinco, mas trocava várias vezes de posição com Raúl Meireles. Continua a ter os mesmos defeitos e virtudes que vem demonstrando nesta pré-época. Dá uma enorme força ao meio campo, luta bastante, recupera muitas bolas, mas entusiasma-se demais, perdendo o seu sentido de colocação indo muitas vezes à frente deixando atrás à mercê do seu adversário. Mas Raúl Meireles estava lá sempre para o ajudar.

Cristian Rodriguez - Claramente, o reforço que mais entusiasma os adeptos e com todos os motivos para isso. Quando a bola vai para os seus pés todo o Estádio vibra com a sua maneira electrizante de jogar. As suas fintas, as suas arrancadas poderosas e rapidíssimas, as suas assistências vão,certamente, dar que falar nesta época. Apenas falta rematar mais e certeiro para ser tudo ainda mais perfeito.

Sapunaru - Mais uma vez seguríssimo, sobe muito e bem ao ataque, dando mostras de combinações interessantes com os seus companheiros. Parece-me que está prestes a tirar a titularidade a Fucile. Além disso, é perigoso nas bolas paradas.

Rolando - Discreto, mas sempre eficaz, não dando hipóteses. Confirma-se que será uma boa alternativa sempre que a equipa necessitar.

Tomás Costa - Entrou bem na partida, muito lutador, com bons pormenores, mas ainda continua a ter aquela timidez que lhe prende os movimentos para se libertar ainda mais. Com o tempo e com o ritmo dos jogos a sua confiança poderá subir e aí poderemos ver o verdadeiro Tomás Costa. Que, parece-me, é um bom reforço para o meio campo.

Hulk - Entrou cheio de fulgor e com uma enorme vontade de se mostrar. Muito rápido e muito forte, com técnica apurada e cheia de fintas, ainda arrancou aplausos entusiastas do público com uma jogada fabulosa que, por pouco, não deu em golo. Fulgor esse que foi perdendo à medida do tempo, acabando discretamente e sem oportunidades para brilhar.

Fernando
- Muito discreto tendo, para isso, contribuído ter entrado na pior altura da equipa. Mas, mesmo assim, mostrou que gosta de jogar simples.

Candeias - Uma arrancada cheia de vontade, mas sem sucesso. Pouco tempo para brilhar, não dando para mais e melhor.

FCPorto 2-1 Lazio

B. Alves 14', Lucho 17' e Ledesma 72'Equipa: Helton (Nuno 45'), Sapunaru (Fucile 64), P. Emanuel (Stepanov 64'), B. Alves (Rolando 45'), Benítez (Lino 45'), Guarin (Tomás C. 45'), R. Meireles (Fernando 64'), Lucho (Bolatti 80'), Mariano G.(Candeias 80'), Lisandro (Hilk 45') e C. Rodriguez (Farias 64')

09 agosto 2008

Agora mais a sério

É já com a máquina bem oleada que o FCPorto se apresenta pela segunda vez nesta pré-época perante os seus sócios e adeptos no Estádio do Dragão. O adversário é um conhecido clube italiano, sempre conhecidos pelo seu rigor táctico e marcações fortes, a Lázio de Roma. Equipa talvez escolhida a dedo e que servirá já de preparação para o primeiro desafio oficial da época contra aquela que tem sido a malapata de Jesualdo Ferreira, o Sporting.

Por esta altura, a uma semana de distância da possível conquista do primeiro troféu oficial de 2008/09, a Super-Taça, o FCPorto terá já de apresentar altos índices competitivos, algo que tem conseguido demonstrar nos jogos que tem realizado, havendo, apesar da maior parte da casa arrumada, algumas indefinições no plantel, sendo que a maior delas é não se saber ao certo o destino daquele que é considerado por muitos o melhor jogador do plantel, Ricardo Quaresma. Todas as notícias, mais concretamente os recuos protagonizados pelo Inter de Milão, levam a entender que o jogador ficará mais uma época de Dragão ao peito, mas o seu destino já estará traçado e o extremo rumará quase de certeza bem mais a norte da Europa, sendo que para Jesualdo Ricardo Quaresma será já uma carta fora do baralho.

Quanto ao resto da equipa o grande ponto de interrogação é mesmo o meio-campo defensivo, não se sabendo ainda por quem optará o treinador para substituir Paulo Assunção. Guarin começou a pré-época na posição, mas tem mostrado alguma inadaptação ao lugar apesar de outras boas indicações. O técnico poderá até recuar Meireles, subindo então Guarin ou colocando outro médio na transição para o ataque, mas a opção que mais me agradaria seria mesmo colocar Fernando á frente da defesa, isto pelo que tem mostrado durante os jogos, tendo estado bem, e pela sua enorme margem de progressão no lugar e no clube, podendo também assim manter o resto da já rotinada estrutura do meio-campo Bolatti parece-me claramente que terá perdido a corrida. Quanto ao resto da equipa existem também duvidas se a aposta cairá em Lino ou Fucile no lado esquerdo da defesa e se Rolando será a aposta para esta época ao lado de Bruno Alves. No ataque, e do lado direito, Hulk poderá fazer Mariano ficar no banco, já que este se tem mostrado trapalhão demais, mas com o regresso de Tarik se calhar tudo se altera. Crendo na continuação mais que certa no 4-3-3, estas são as minhas escolhas para este domingo:

A época da conquista do tetra está aí, consequentemente a conquista do primeiro troféu da época, desta feita marcada para o Algarve onde por esta altura estão muitos portistas. Hoje é o derradeiro teste para Jesualdo Ferreira tirar as suas últimas dúvidas em relação ao plantel. Por tudo isto este já será um jogo com enorme nível de interesse ao contrário dos normalmente chatos jogos de pré-época. Mais uma vez espera-se uma enorme moldura humana no Dragão para ver esta equipa num jogo agora mais a sério.

FCPorto - Lazio, Domingo - 20H45 - TVI

07 agosto 2008

O melhor reforço é nosso (parte 2)


Este ano por exemplo, o Benfica estava ainda esperançado de poder participar na champions league, e o Sporting tinha a obrigação de se tentar aproximar ao F.C.Porto e por isso deviam começar mais cedo a sua pré-temporada, no entanto, o clube que começou mais cedo os trabalhos da pré-época foi justamente o F.C.Porto. Assim como, os internacionais que estiverem no euro 2008 apresentaram-se muito mais cedo no F.C.Porto que nos seus rivais.

Sinal de rigor e de vontade de fazer sempre melhor. Já o Benfica que apresenta uns 30 e tal jogadores no seu plantel e que ainda queria que o treinador os observasse a todos está agora num total caos e numa luta contra o tempo para encontrar uma equipa…

O treinador do Benfica desconhece o futebol português e como tal os jogadores do plantel que ia treinar, mas para isso mesmo nos clubes organizados costuma haver sempre adjuntos do clube que acompanham o treinador nesse trabalho e abreviam esse tipo de trabalho, é no mínimo estranho ver o Quique Flores a observar 30 e tal jogadores em jogos de pré época que deveriam servir para fazer alguns ajustes e começar a desenhar o esboço de uma equipa e não para andar a ver quem fica dispensado ou vai simplesmente para o banco em 30 e tal jogadores.

Mas até nisso se demonstra a falta de organização e neste caso de experiência, uma vez que quem está a tratar de todo o futebol do Benfica é o Rui Costa que ainda há uns meses era jogador e que nunca teve um cargo directivo nem nunca se formou para isso.

Como tal, é natural alguma ingenuidade numa série de questões e a falta do know how necessário para desempenhar as funções de director desportivo. Um exemplo flagrante foi a forma como conduziu o processo de contratação do treinador: primeiro fê-lo sentir como 3ª opção ao deixar sair para fora a informação que o primeiro alvo era Queiroz e o segundo Erikson, tendo-se inclusive se deslocado a Manchester para conversar com ambos.

2º Não fez o trabalho de casa. Rui Costa queria Aimar para o suceder ainda antes de querer Quique Flores como técnico e como tal imaginava o Benfica num 4-4-2 losango, o problema é que foi contratar um técnico que parece disposto a jogar num 4-4-2 clássico obrigando assim a Aimar jogar muito mais adiantado no terreno como avançado e deitando assim ao lixo 6,5 milhões de euros uma vez que todos sabemos que Aimar é um grande jogador mas para jogar a 10 e não como avançado

3º Rui Costa ao contratar o treinador do Benfica não deixou claro as condições de trabalho que ele iria ter, algo fulcral, para qualquer profissional é chegar a um clube sabendo das suas regras, do seu funcionamento e sabendo com o que pode contar.

Pois bem, a ideia era que Quique tivesse dois treinadores portugueses como adjuntos que conhecessem bem o Benfica exactamente para abreviar aquele período de tempo que o treinador teria que ter em relação ao plantel e ajuda-lo a tomar as decisões mais prementes, como por exemplo: o Edcarlos não precisa de ser observado em 3 ou 4 jogos para se saber que é uma total anedota, o Binya bate em tudo o que mexe etc etc. Isso pouparia muito tempo na preparação do Benfica.

O problema é que na ideia de Quique Flores o Chalana e o Diamantino fariam parte daquilo que ele chama de Staff técnico e não da equipa técnica, ou seja, que eles não estariam nem nos treinos e muito menos no banco… Isto chama-.se falta de organização. Na ânsia de arranjar um treinador para pousar com a águia e vender muitos jornais o Rui Costa esqueceu-se que deve planear e fixar condições. Assim o Benfica contratou Diamantino tendo que pagar contrapartidas ao seu anterior clube para ele depois andar a ver os jogos do Porto na Alemanha contra equipas amadoras… E criou uma situação de mal estar logo à chegada do novo treinador.

No F.C.Porto qualquer treinador que chegue sabe que terá obrigatoriamente que trabalhar com um adjunto da casa e que isso só o beneficiará porque lhe dará informações do trabalho que foi feito antes, do perfil dos jogadores e isso será um auxílio importante para quem está a começar. Aliás o Porto faz o que todos os grandes clubes da Europa fazem, estranho é um técnico novo chegar com os seus adjuntos e não trabalhar com nenhum adjunto da casa.

O caso do Rui Costa é sintomático também do que nos diferencia. No Benfica trata-se de Rui Costa como uma grande referência e a imagem de marca do clube quando ele tem menos anos de clube na prática que Petit, Nuno Gomes ou Quim… Mas Rui Costa como chorou ao marcar ao Benfica é logo um símbolo e é-lhe dado esse poder todo mal acaba a sua carreira, tendo que tomar decisões delicadas e negociar contratos com gente que ainda há bem pouco tempo eram seus colegas de equipa. Não é preciso ser um génio para se saber que como é óbvio essa situação e a ligação afectiva que tem com alguns jogadores afecta o seu poder de julgamento e o compromete.

Na ânsia de arranjar mais um guarda chuva para se proteger de futuros insucessos o presidente do Benfica não se preocupou em lançar Rui Costa para a fogueira tal como o fez no ano passado com Camacho.

O F.C.Porto é um clube diferente… O nosso símbolo é um jogador que efectivamente jogou muitos anos no clube, que contribuiu com o seu talento para que o clube ganhasse vários títulos nacionais e internacionais, não o encheu apenas com lágrimas depois de marcar um golo num amigável, nem o encheu de promessas de voltar todos os anos até estar já em final de carreira… O que deu Rui Costa ao Benfica em termos de títulos? Um campeonato e uma taça…?

Mesmo sendo o Vítor Baía a referência que é, ele ao acabar a carreira teve a inteligência a par de quem dirige o clube de não dar um passo maior que as pernas que tem, o clube demonstrou que conta com ele e que ele pode ser uma mais valia no clube e chegar longe, mas tal como em tudo na vida tem que passar por etapas, demos-lhe tempo de estudar, de se adaptar a esta nova vida e não ter essa passagem brusca de deixar um dia o equipamento de lado vestir um fato e já passar a ser o dono do futebol do clube.

Tem um cargo bom para que possa ganhar com calma as ferramentas necessárias para mais altos voos e acima de tudo está a passar por aquilo que todos devem passar, terá que começar por baixo e demonstrar capacidades para algo maior e a sua progressão será natural para proteger não só o clube mas também ele próprio. Pensamos nele como uma solução para o futuro e não apenas como uma medida populista.

Por tudo isto chegamos à conclusão que por mais que o Benfica compre todos os anos equipas maravilhas, por mais que o Sporting se vanglorie do seu rigor e de serem dirigentes diferentes, modernos etc o F.C.Porto todos os anos parte em vantagem porque temos assegurado desde há muito o nosso maior reforço… A nossa estrutura organizada, liderança forte e mentalidade vencedora que vai desde o roupeiro até ao presidente.

Obviamente que não quer dizer que isso nos dê campeonatos todos os anos, mas em relação aos demais faz com que para nós não ganhar um campeonato um ano seja um percalço, algo ocasional, e não é preocupante porque sabemos que com o estado de desenvolvimento que o clube chegou se não ganhamos um ano no ano a seguir voltamos a ganhar, estamos sempre mais próximos que qualquer um.

Clubes como Benfica e Sporting não têm esta capacidade. O primeiro vive do imediatismo e esbanja dinheiro todos os anos construindo e destruindo não tendo um projecto, uma ideia, não tem visão, vêm apenas o ganhar hoje nem que para isso tenham que hipotecar o futuro do clube. Já o Sporting tem os olhos colados no futuro mas não se apercebe que se só pensar a longo prazo e não apresentar resultados no hoje, por mais boas intenções que tenham não há projecto que resista sem vitórias e acima de tudo sem ambição.

Por isso podemo-nos dar ao luxo de trazer descarregamentos todos os anos, porque este reforço é melhor que contratar 3 Aimares todos os anos que por mais bom que sejam se chegam a um clube sem uma estrutura capaz não conseguem expressar o seu melhor futebol.

Isto explica também o facto de vários jogadores que brilham no F.C.Porto quando trocam de clube não conseguem ter o mesmo rendimento. O Benfica durante muito tempo pensou que bastava contratar os mesmos jogadores e técnicos que haviam brilhado no Porto que isso lhes daria campeonatos... Zahovic, Drulovic, Rodolfo Moura são disso exemplo… o que eles não entendem é que o F.C.Porto é muito mais que a soma das suas individualidades, é uma mística e uma estrutura que não pode ser comprada e é isso que faz com que qualquer jogador ou técnico que chegue ao clube tenha muito mais facilidade em se impor - e disso é prova o nosso actual técnico que foi preciso chegar ao F.C.Porto para ganhar o seu primeiro título..

A prova de que o nosso clube marca qualquer um é que podemos criticar o pouco nº de jogadores que aproveitamos da formação mas a verdade é que quem de cá sai leva o clube entranhado e é visto e diferenciado para sempre como um jogador do F.C.Porto e fala sempre como portista. Veja-se o caso do Sérgio Conceição que esteve para regressar a Portugal para o Sporting mas que sempre que fala do F.C.Porto fala na 1ª pessoa do plural, apesar de já não jogar no clube continua a ver-se como parte dele.

Quem fala Sérgio fala de outros que brilharam lá fora como o Couto, o Baía entre outros que nunca esqueceram o clube e que são sempre identificados como jogadores do F.C.Porto por onde quer que passem.

Já o Sporting está sempre a lançar jogadores da sua formação mas há efectivamente algum que seja uma bandeira do Sporting ou que manifeste especial afeição pelo Sporting…? Quaresma atingiu o seu topo de forma como jogador e como homem no Porto, o Simão foi capitão do Benfica e nunca demonstrou especial afeição ao seu ex-clube, Cristiano Ronaldo nunca demonstrou grande carinho pelo Sporting e até o próprio Futre tem o F. C. Porto como o clube mais importante da sua carreira.

O nosso clube marca por quem por ele passa e influencia a forma como cada um encara a sua profissão. Mesmo jogadores e técnicos que não nasceram portistas saem do clube portistas e o vêm como sua casa:

Em Espanha sempre que lia entrevistas do Deco via-o a falar do F. C. Porto como o seu clube do coração e sempre que havia polémicas no Camp Nou Deco falava que se calhar era ele que estava mal habituado porque no F. C. Porto o balneário estava mesmo fechado e a organização funcionava.

Fernando Santos, Fernando Mendes, Maniche, Costinha etc são outros exemplos.

Mesmo aqueles que nunca passaram pelo F. C. Porto desejam passar ou falam com pena de nunca o terem conseguido…vejam João Pinto símbolo de Benfica e Sporting que fala sempre de forma muito elogiosa do nosso clube e como um sonho que ficou por cumprir e até Sá Pinto símbolo do Sporting ou Carlos Queiroz que em várias entrevistas referiu que o F. C. Porto seria o único clube que seria capaz de o aliciar a treinar na liga portuguesa neste momento.Esta mística, esta estrutura organizada e profissional e esta sede inesgotável de vitórias são o nosso melhor reforço em todas as épocas. Contratem á vontade Aimares, Reyes, Rochembakcs etc, por mais dinheiro que gastem o melhor reforço será sempre nosso todas as épocas, e seremos sempre nós a partir como favoritos todas as épocas. Isto é o F. C. Porto.

05 agosto 2008

O melhor reforço é nosso (Parte 1)


Falta pouco para o inicio de uma nova época e como tal por esta altura discute-se contratações, dispensas, hipóteses tácticas, potencial, elogia-se, critica-se mas acima de tudo andamos a calcar ainda o terreno das hipóteses e a traçar cenários hipotéticos com o pouco que vamos vendo de jogos de pré-época. Isto é a beleza do futebol.

A pergunta da moda nas habituais perguntas dos jornais desportivos aos amantes do desporto rei é: quem é o favorito?

O F.C.Porto parte com vantagem para esta liga. A vantagem de ser uma equipa tri-campeã é sem dúvida o argumento mais utilizado pelos rivais mas acho que não é o mais importante.

Nós somos os grandes favoritos ao título porque asseguramos este ano o melhor reforço para o ataque ao título…O Hulk? O Rodriguez? Sapunaru? Não. Um reforço que já tínhamos assegurado não só na época anterior como há vários anos. O facto de termos a estrutura organizativa em Portugal em termos desportivos mais bem montada. Há um plano definido. Podemos criticar a política das contratações, alguns jogos de interesses e uma ou outra estratégia mas a verdade é que o nosso clube em termos de organização é uma estrutura altamente profissionalizada que neste momento se encontra num estágio de desenvolvimento muito acima dos demais clubes em Portugal.

Isso percebe-se em vários exemplos que mencionarei neste texto, e é por comparação aos nossos directos rivais que podemos perceber muito mais a importância de termos este reforço para atacar o título todas as épocas.

Pode parecer algo irrelevante porque não enche 1ªs páginas de jornais nem marca golos ou faz assistências, mas sem dúvida que é isso que nos faz ganhar mais que os outros. Haver uma estrutura, haver liderança, cada um saber o lugar que ocupa no esquema organizativo do clube, os jogadores sabem quem manda, sabem a quem se devem dirigir quando têm um problema e sabem que apenas têm que se preocupar em jogar futebol porque o clube trata do resto.

Além disso, existe a consciência por parte de quem chega de que no F.C.Porto não se brinca, aqui eles podem ter tudo se quiserem, somos exemplo de um clube que sabe valorizar os seus activos e que aqui podem ter uma rampa de lançamento para grandes voos mas também exigimos total comprometimento e profissionalismo e não damos sequer azo a que a disciplina interna seja sequer beliscada, já temos casos do passado que o comprovam em que no F.C.Porto nenhum jogador por mais importante que seja está acima do clube: vejam-se casos emblemáticos como o bi-bota de ouro Fernando Gomes ou o Vítor Baía e ainda Jorge Costa.

Outro ponto que é fundamental para tudo isto é o nosso presidente. Ele é o rosto de toda esta máquina e é importantíssimo não só na história do clube mas na actualidade por mais que com o tempo vá perdendo aquele peso todo decisório que já teve antes da constituição da Sad.

O nosso presidente tem muita experiência no mundo do futebol, já viu de tudo, é muito difícil que o superem em termos negociais, é um estratega nato, e acima de tudo criou a reputação de ser intransigente na defesa dos interesses do clube e por isso granjeia a reputação necessária para que lá fora todos saibam que com o F.C.Porto não se consegue saldos. Sabem que em Portugal se querem contratar bem o F.C.Porto é referência mas que também o seu presidente só aceita negociar por pequenas fortunas.

Isso não acontece noutros clubes… No Sporting por exemplo um Cristiano Ronaldo sai a preço de saldo e no Benfica andam a tentar durante anos vender o Simão por uma verba elevada e depois têm que o despachar por um valor abaixo do que exigiam.

Outro aspecto fundamental é ter um presidente que sabe de futebol coisa que o Benfica não tem (pelo menos sabe de pneus ao que dizem) e o Sporting também não. O Sporting tem o problema de ter gente muito boa a falar de coisas que ninguém percebe muito bem como os Project Finance, e dizem que economicamente são brilhantes mas na verdade vejo o Sporting cada vez mais enterrado economicamente e ao mesmo tempo não tem ninguém que perceba de futebol que parece-me algo de fundamental para um clube de futebol mesmo que englobado numa Sad.

Por tudo isto e muito mais um caso como o caso João Moutinho no Sporting seria muito difícil ou quase impossível de acontecer no nosso clube.

1º o F. C. Porto tem uma cultura diferente do Sporting. No Sporting ganhar uma taça de Portugal e ficar em 2º nem que seja a 20 pontos do primeiro é considerada uma excelente época, no Porto seria uma época desastrosa.

O Sporting nunca passou da fase de grupos da champions enquanto o F. C. Porto já foi duas vezes campeão europeu e cada ano que não passa a fase de grupos é considerado um fracasso na Europa. O Sporting se consegue o 3º lugar que dá acesso á Taça Uefa é um sucesso.

Um pouco por isto se pode explicar o porquê da ânsia das referências do Sporting saírem do clube mesmo que para clubes de dimensão inferior como o Betis, o Everton entre outros. Porque os jogadores pensam, entre jogar num clube grande em Portugal mas sem mentalidade de campeão e que não tem ambição de grandes voos na Europa e clubes pequenos em grandes campeonatos aonde me pagam mais, é melhor ir para esses clubes.

Outra questão é o facto de no Sporting não haver uma liderança forte em termos directivos o que dá aos jogadores a segurança de poderem mais ao menos pressionar o clube consoante a sua importância na equipa.

No F. C. Porto um jogador que se lembrasse de chamar jornalistas para pressionar o clube a deixa-lo sair e o obrigar a chegar a um acordo estaria a assinar a sua sentença de morte no clube.

Ou no dia a seguir estava a pedir desculpas e a explicar o que aconteceu ou estaria automaticamente descartado.

Mas e o activo perguntam vocês? O activo seria valorizado de qualquer das maneiras… Lembro há uns anos quando o Zahovic aconselhado por Veiga tentou pressionar o F.C.Porto a vendê-lo para o Valência e andou a negociar nas costas do clube… O que fez o nosso presidente? Simples, desde logo deixou claro que o Zahovic para o Valência não saía nem por todo o dinheiro do Mundo e aí marcou uma posição para dentro, para todos os jogadores que algum dia tivessem uma ideia semelhante, e para fora para todos os clubes europeus passando a mensagem que com o F.C.Porto esse tipo de esquemas não resultam e que eles saem sempre a perder. O jogador acabou vendido ao Olympiacos e foi jogar para a liga grega, uma liga menor comparado com o seu sonho de jogar na altura num super valência e na liga espanhola.

Agora imaginem se se tratasse do capitão de equipa… Logo no dia a seguir perdia a braçadeira.

Lembram-se de Jorge Costa quando num jogo com o Setúbal ao ser substituído atirou a braçadeira…? Pois nesse ano nunca mais jogou no F.C.Porto e era um símbolo e um grande capitão. A braçadeira deste clube vale muito, deve ser respeitada e o Jorge aprendeu isso nesse ano e se calhar só lhe fez bem para no ano seguinte voltar e levantar a taça dos campeões europeus.

Mais vale perder um jogador por muito mais importante que ele seja do que perder uma equipa. E é nestes casos que se vê os líderes. É muito importante também a carta branca e o total apoio que Pinto da Costa dá aos seus treinadores, mesmo que, por vezes não esteja de acordo com as suas opções pois é isso que lhes permite controlar o balneário porque se eles não sentirem que têm esse poder e os jogadores não sentirem que têm que respeitar, por mais importantes que sejam, estas estruturas funcionam como um baralho de cartas e tudo se desmorona.

O que não invalida que um bom presidente tenha que também saber conciliar, mas nunca, imiscuindo-se na disciplina interna do grupo aplicada pelo treinador. E disso é exemplo o conflito de Vítor Baía com Mourinho em que foi fundamental o papel de Pinto da Costa para conciliar as duas partes mas sem nunca atropelar a autoridade do treinador.

Claro que os Jorges Baptistas e os Ruis Santos tentam sempre encontrar um caso no F.C.Porto e querem comparar a situação de Moutinho á de Quaresma e Lucho, situações incomparáveis.

O Quaresma e o Lucho anunciaram o seu desejo de sair para outros campeonatos no final do campeonato quando é o espaço temporal próprio para o fazerem. Mas nunca o disseram no sentido de pressionarem o clube, sempre disseram que estavam à espera de propostas e que quem os quisesse teria que chegar a acordo com o clube.

E outro aspecto muito importante que os diferenciam de Moutinho, quer um quer outro manifestou a sua vontade num momento em que não haviam propostas concretas para a sua saída.

Isto pode parecer apenas um pormenor mas não é. O João Moutinho ao manifestar que quer sair e que o Sporting tem que chegar a um entendimento com o Everton num momento em que o Sporting acabava de rejeitar uma 1ª oferta do Everton afectou gravemente os interesses do clube e acabou de forma consciente ou não (não o posso afirmar convictamente) por desvalorizar o seu passe. Deu ao Everton uma margem negocial maior, porque agora é pública a vontade do jogador, e acima de tudo, este caso fez com que ele fosse visto como um problema para resolver no Sporting e tudo isso joga a favor do Everton.

Um exemplo de como funciona a política de comunicação do clube agora a cargo do Rui Cerqueira: nunca mais vimos o Quaresma a falar à comunicação social desde que o F.C.Porto recebeu uma proposta do Inter. Por isso mesmo, agora o novo passatempo dos jornalistas para tentar encontrar um caso e dizer que o Quaresma quer sair, é fazer análise da sua expressão nos treinos, se ri muito se ri pouco, se faz mais ou menos trivelas, porque da boca do jogador nem uma palavra saiu porque ele sabe que o F.C.Porto não compactua com esse tipo de comportamentos e que se ele quer sair terá que ser com o acordo do clube e nunca numa situação de ruptura, porque aí, ele será sempre o elo mais fraco seja ele o Quaresma ou o Maradona.

Este é apenas um de muitos exemplos da organização ser o mais importante reforço do F.C.Porto todos os anos.

04 agosto 2008

Um Teste Promissor

No mais recente teste desta pré-temporada portista, mais especificamente o Torneio Internacional de Braga, pareceu-me novamente que este Porto tem a máquina surpreendentemente afinada para o momento temporal em que nos encontramos - basta comparar os níveis competitivos do campeão nacional com o dos seus maior oponentes. Na ressaca de um estágio que teve como maior objectivo preparar física e mentalmente os atletas para mais uma temporada longa e exigente, a grande maioria denotou já índices competitivos bastante apreciáveis, sendo que desta feita os golos foram também alcançados - de forma eficiente e muito interessante.

Frente ao Leixões, Jesualdo Ferreira tinha já referido que pretendia testar um esquema bem perto daquele que seria o mais certo para o início das competições oficiais, e foi com esse pensamento que nos chegou uma interessante informação: a colocação de Meireles como elemento fixo no vértice defensivo do meio-campo, uma possibilidade que em tempos já havia sido referenciada. Numa pré-temporada que, naturalmente, é a altura para testar novos elementos e novas estratégias, parece evidente que a saída de Paulo Assunção acabou por ser a mais notada no esquema portista. A preponderância do brasileiro no 11 azul-e-branco era por demais evidente, e a sua abrupta saída tem sido paulatinamente resolvida, de forma inteligente e tentando não criar um fardo que venha mais tarde a criar pressão sobre os seus possíveis sucessores. Assim, e à surpresa que para todos os portistas foi a entrada “vencedora” de Fredy Guarin, Jesualdo tem sabido aproveitar o rendimento do colombiano de diversos modos, como que rendido à versatilidade e qualidade futebolística do médio. Contudo, e aceitando como certo que no 433 portista um trinco terá que funcionar como pêndulo na recuperação e na eficiência posicional, a colocação de Guarin acabou por não resultar da forma mais consistente, pois resguardava uma posição extremamente importante, obrigando os restantes elementos do meio-campo a dobrar o lugar quando o colombiano se estendia no terreno (como a natureza do seu futebol o levava a fazer).

Frente ao Cagliari, a aposta decaiu em Fernando, um jogador que apesar de muito jovem tem já alguma experiência e rodagem numa posição que sempre foi a sua desde o início da formação como atleta (o que é importante destacar, num futebol actual feito de versatilidade e constantes adaptações). O temporada na Amadora forrou-se de sucesso, e é com mérito que o brasileiro é visto actualmente como um possível substituto natural de Assunção. A meu ver, será Meireles a opção imediata no que a partidas oficiais diz respeito, mas não será surpreendente que Fernando avance para a titularidade num futuro não muito distante.

Em termos defensivos, a segunda partida frente a um tenro Cagliari revelou também aquilo que já temia de há um ano para cá: Lino é definitivamente um defesa sem qualidade. Os seus dotes técnicos são evidentes, o pé esquerdo preciso e poderoso, mas naquilo que o seu lugar lhe exige Lino é um elemento fraco e sem estofo para o campeão nacional. Frente ao Cagliari, todos os lances ofensivos que os italianos protagonizaram num segundo tempo bem morno foram graças ao brasileiro que, numa pré-temporada em que revelou forte pendor ofensivo, conseguiu como que disfarçar os seus reais défices. Em oposição, frente ao Leixões tivemos a primeira amostra de Nelson Benitez - perante a qual fiquei surpreendido e bastante agradado. Muita raça que parecia estar escondida associada a forte pulmão, bom sentido táctico na hora de defender e um belo pé esquerdo a colocar o esférico na área contrária (conseguiu ainda uma vistosa assistência para golo de Lisandro).

Hulk, como grande expectativa no seio dos adeptos portistas, denotou ainda alguma ansiedade, mas poderá ser uma das grandes surpresas para a temporada que se avizinha. Tecnicamente fantástico, detém um pé esquerdo que parece ter capacidade para furar muitas redes adversárias. Será contudo necessário esperar pelos próximos capítulos, pois a condição física terá que ser melhorada, e a adaptação ao nosso futebol será a realidade imediata na vida do brasileiro. Farias, esse fez questão de demonstrar na partida de hoje como o seu instinto se mantém intacto, e requer sem menor dúvida um tratamento bem especial no lote de atacantes do Porto, pela qualidade e experiência que ainda revela. Faltando de forma evidente um avançado à antiga, mais posicional e com maior “cultura” de finalização, este Porto parte para 2009 com predicados bem similares àqueles que vimos na época transacta: diversos elementos com qualidade bem acima da média, velozes e com uma versatilidade que é de enaltecer. Rodriguez e Hulk vêm trazer a Lisandro, Tarik e companhia uma ainda maior profundidade ofensiva à equipa, somando ainda alguns pontos para sectores em que a equipa se encontrava debilitada, como ao nível do disparo de meia distância e na marcação de bolas paradas. O defêso tem sido positivo para os dragões, e de momento restará esperar para ver se em termos oficiais o brio se mantém.

Artigo também publicado em www.jogodearea.com

03 agosto 2008

FCPorto 4-1 Cagliari

Lisandro 19' e 27', Farias 25', Fini 81 e Hulk 90'Onze inicial: Helton, Sapunaru, Rolando, B. Alves, Lino, Fernando, R. Meireles, Lucho, Mariano, Lisandro e E. Farias

Jogaram ainda: Tomás Costa, Hulk, Fucile, C. Rodriguez, Candeias, Bollati

Mais uma vez o FCPorto venceu em penalties. Marcaram para o FCPorto: Lucho, Fucile, Lino, Hulk e Tomás Costa.


O FCPorto venceu tudo o que havia para vencer neste torneio, ou seja, os dois jogos que disputou e as marcações de grandes penalidades contra os mesmos adversários, conseguindo assim a conquista do primeiro troféu da época, o Torneio Internacional de Braga.

Torneio Internacional de Braga


Hoje:
FCPorto - Cagliari, 18H15 - SportTv