-Guarín: Foi contratado com a ideia de ser um dos possíveis sucessores de Paulo Assunção, algo que poderá acontecer mas não da forma como se esperava, uma vez que acredito que ele poderá suprir o lugar no onze de Assunção mas jogando mais adiantado no terreno fazendo baixar Raul Meireles para trinco. Pode
também significar uma alteração do modelo, uma vez que em determinados momentos do jogo poderá trocar de posição com Meireles, permitindo assim uma permuta constante entre quem sobe e quem fica para não descompensar o meio campo.
Ambos os cenários obrigam a um maior esforço defensivo de Lucho, voltando a ter preocupações defensivas que já não tinha no ano passado graças á segurança de ter um elemento fixo como Paulo Assunção, que permitia que os companheiros do meio campo jogassem com mais liberdade.
Guarin é rápido, dinâmico, com boa qualidade técnica e passa com critério. Um claro 8 e não um 6 típico. Se jogar a trinco oferecerá maior mobilidade a essa posição mas ao mesmo tempo menor segurança defensiva e cultura táctica que Paulo Assunção acrescentava ao jogo portista.
Falta saber que planos terá Jesualdo para Guarín… Será que desistiu da ideia de o converter num 6 e a partir de agora o colombiano lutará por um lugar entre Lucho, Meireles e Tomas Costa? Ou esta passagem de Guarín para 8 e Meireles para trinco é apenas momentânea, e no segredo do trabalho realizado em Gaia ,Jesualdo prepara tacticamente Guarín para assumir essa função, não de uma forma igual a Assunção mas aproveitando as características ofensivas que Guarín já tem, mas acrescentando-lhe melhor cultura táctica , sentido posicional e leitura de jogo. Semelhante ao trabalho que Ferguson fez em Manchester com Anderson para adapta-lo a médio centro quando ele levava para lá rotinas de médio ofensivo.
-Tomás Costa: Outro jogador contratado ao engano. Vinha qualificado por Pinto da Costa como o substituto de Paulo Assunção e foi mais uma prova que alguém não anda a fazer o seu trabalho de casa, pois ele nunca, segundo as suas próprias palavras, foi trinco.
É um jogador que gosta de pisar os mesmos terrenos de Lucho Gonzalez mas sem metade da sua qualidade.
Do pouco que se viu até agora destaca-se por ser um jogador esforçado, “raçudo”, que sua a camisola mas sem grande primor técnico. Um jogador que faz lembrar outros que por cá passaram como o Luís Aguiar que não aquecem nem arrefecem.
Acho que será opção para lançar no decorrer dos jogos quando se quiser mais nervo no meio campo e pouco mais.
Como trinco foi pouco experimentado mas parece-nos que teria sempre a tendência de subir em demasia e não possui cultura táctica necessária para a posição, porventura demonstra menos aptidão, para essa posição para a qual supostamente foi contratado, que o próprio Guarín.
Outra opção será avança-lo para jogar lado a lado com Lucho, recuando o Raul Meireles. Seria uma modalidade mais ofensiva do triângulo porque enquanto Meireles é um jogador com uma formação que o permite percorrer duas zonas do meio campo e tem um raio de acção no campo mais amplo, já Tomás Costa parece jogar em espaços mais curtos e claramente vocacionado para ser um 8 á semelhança de Lucho, que ajuda nas tarefas defensivas, mas que gosta mais de lançar o ataque, apesar de até ao momento, não ter demonstrado grande visão de jogo nem grande qualidade de passe, para ajudar nas já famosas transições rápidas de que Jesualdo tanto gosta.
-Fernando: É o jogador que mais se assemelha a Paulo Assunção e o único trinco de raiz que chegou para este plantel. Quando se esperava que 2 dos reforços fossem trincos, afinal o único foi um jogador que já tínhamos.
Fernando já na pré-temporada passada impressionou Jesualdo pelo vigor físico, pelo excelente sentido posicional, capacidade de antecipação, assim como, pela maturidade que o seu jogo já demonstrava em tão tenra idade e, ainda
por cima, chegando de uma realidade competitiva menos complexa que a do futebol europeu.
Após confirmar todas essas qualidades no Estrela de Amadora volta com toda a força e toda a legitimidade de reclamar para si o lugar que foi ocupado por Paulo Assunção.
A opção por Fernando permitiria a Jesualdo manter mais ou menos os processos de jogo já assimilados pelo seu triângulo de meio campo, uma vez que, não obrigaria a grandes mudanças quer posicionais, quer de processos de jogo, quer por parte de Raul Meireles ou de Lucho.
Permitiria que Raul Meireles continuasse a ser o pulmão da equipa percorrendo todo a zona central do terreno quer no apoio a Fernando quando necessário quer apoiando Lucho. Poderia continuar a ter um papel de transportador de jogo e não se perder tanto em tarefas de coadjuvante do meio campo defensivo.
Lucho poderia manter aquela posição no terreno mais ofensiva como um jogador entre o 8 e o 10, um 8 porque continuaria a ser um jogador de transições e descer um pouco para buscar a bola, e acima de tudo, efectuar um pressing zonal mas sem estar tão ligado a acções de grande desgaste físico, pautando-se a sua acção defensiva mais por um sentido de posicionamento importante para a equipa na hora de fechar linhas de passe, permitindo assim a rápida recuperação da bola para ser ele o primeiro ou 2º jogador a ter a bola para poder, no imediato, efectuar um dos seus passes de ruptura que desequilibram toda uma defesa apanhada em situação ofensiva.
Creio que a dúvida de Jesualdo relativamente a Fernando será o saber se ele está pronto para assumir a responsabilidade de jogar numa equipa como o F.C. Porto e se não será preferível preservá-lo e integra-lo no onze de uma forma progressiva.
-Raul Meireles: Ao que tudo indica, e ao contrário de todas as previsões inicias, poderá ser ele o sucessor de Assunção mesmo sendo um jogador de características totalmente distintas e que nos últimos anos se habituou a jogar com maior liberdade.
Jesualdo sabe que a posição 6 no seu desenho táctico assume um papel fundamental na estrutura de toda a equipa e na forma como esta se desenvolve em campo, e por isso, parece que neste inicio de época não quer correr riscos com uma adaptação (Guarín e Tomás Costa) ou com um jogador jovem e que pode ainda sentir o peso de uma camisola como a do F. C. Porto (Fernando).
Meireles já conhece os métodos de Jesualdo, sabe perfeitamente a forma como Jesualdo encara o jogo e as movimentações que ele espera. Meireles é também um jogador que no Boavista se habituou a jogar várias vezes naquela posição, assim como, no trabalho das selecções sempre se destacou jogando a médio defensivo, quer sozinho, quer muitas vezes, numa situação de duplo pivot defensivo, algumas vezes com o amigo Bosingwa até.
Este recuo de Meireles alterará de forma mais radical os mecanismos de jogo do triângulo portista do que a solução por um jogador mais fixo como Fernando, mas não será uma alteração tão radical e imprevisível como seria uma aposta por um jogador sem rotinas nem formação naquele lugar como Guarín ou Tomás Costa.
Em relação a Assunção, Meireles transporta mais nervo, maior mobilidade, capacidade de se desdobrar nas mais diversas funções e pode ser, á semelhança do que é Miguel Veloso no losango do Sporting ou Pirlo no meio campo do Milan, o 1º construtor de jogo da equipa por dispor de um pendor ofensivo que Assunção não tinha.
Como desvantagem Meireles não tem a mesma capacidade de ler o jogo em situação defensiva, nem o poder de antecipação que tinha o médio brasileiro obrigando assim a que Lucho recue uns metros no terreno e jogue mais em cunha com Guarín e participe mais nas acções defensivas, sofrendo maior desgaste e tendo que partilhar também o seu protagonismo no plano ofensivo e aprender a por vezes ficar ele mais atrás permitindo que suba antes Guarín, e até por vezes deixar Meireles galgar uns metros para aplicar o seu forte remate, que é uma arma que não poderemos abdicar mesmo com Meireles jogando mais recuado.
Lucho neste último ano estava acostumado a ser ele o maestro de todo o espectáculo, a ser o patrão de todo o processo ofensivo da equipa, e a ser ele a escolher quando acelerar o jogo e a quem dar a bola para a última etapa da conclusão da jogada de ataque. Este ano Lucho como todos os grandes patrões terá que aprender a delegar… Nesta estrutura mais ofensiva do meio campo do Porto ele terá que abdicar de algum do seu brilho nas acções ofensivas e saber também dar espaço para que outros também participem nesse tipo de acções.
Para outros jogadores poderia ser problemático mas não para Lucho, um jogador que se destaca exactamente pela sua generosidade e por não se importar de desaparecer mais vezes do jogo visível e dos holofotes das câmaras, para que outros possam brilhar e acima de tudo para que a equipa jogue melhor. Assim se distinguem os grandes jogadores dos demais… Os grandes jogadores não são aqueles que “ apenas” jogam bem, tendo o seu brilho próprio, são aqueles que fazem jogar bem todos os seus companheiros e os fazem parecer até melhores jogadores, ou seja, partilham o seu brilho por todos os companheiros mesmo que isso lhes faça perder protagonismo para que o céu em vez de ser iluminado por uma só estrela seja iluminado por várias.
Quem beneficiará com este recuou de Meireles e o refrescar de velhas rotinas na posição de trinco será Carlos Queiroz e o próprio Meireles.
Com a mais que provável saída de Petit das convocatórias de Queiroz, fica vago um lugar de trinco no onze da selecção. Se momentos houve em que tínhamos duas ou três opções de qualidade para trincos, actualmente o futebol português passa a fase dos médios box to box…Não temos médios ofensivos, os denominados nºs 10, e estamos a deixar de ter os típicos nºs 6, e há uma proliferação algo exagerada de médios centros de grande qualidade.
Meireles assim deixaria de ter que lutar com João Moutinho por um lugar no onze e assumir-se-ia como o novo trinco da selecção nacional, creio que á frente inclusive de Miguel Veloso que não assentaria bem num meio campo a três tão ofensivo como o da selecção.





















