13 novembro 2009

Refresco de pimenta


É sintomático ver a percepção dos adeptos portugueses quanto ao jogo jogado e a valia técnica e táctica das partidas de futebol pelas apreciações dos respectivos adversários e destes nos confrontos com equipas rivais o que se passou estas semanas. Nada de novo, mas é só para lembrar que a idiosincrasia do Zé da bola é imorredoira.

O FC Porto fez dois jogos em casa com Académica e Belenenses, por sinal os últimos da classificação, vencendo o primeiro com dificuldades e empatando com o segundo.

Houve loas às actuações das duas equipas visitantes e, porque os azuis lograram o pontito da ordem, o treinador Carlos Pereira mereceu algum destaque por tal honraria. Passou-se por cima das realidades evidentes dos “autocarros” defensivos de ambas. Esgrime-se com as “armas diferentes” que têm quem visita o Dragão, equipas de “outros objectivos e meios desproporcionados”, etc. e tal.

A Naval acabou de fazer sofrer o Benfica na Luz e até só foi vergada por um golo de bola parada por livre de falta inexistente. Também se procurou esquecer isso, apagando-se todas as imagens do lance da alegada falta que não existiu, como dantes os soviéticos apagavam das fotografias as pessoas indesejadas (e até perseguidas) pelo regime estalinista.

Desta vez não houve penáltis reclamados na Luz, a não ser um da Naval que até daria expulsão de Maxi Pereira com segundo amarelo antes do intervalo. Mas como o 1-0 final deu justiça a quem mais procurou a vitória, lá se concluiu o ditado futebolês do escrever-se direito por linhas tortas, ainda que estas não tenham sido devidamente denunciadas como seria da mais elementar justiça e equidade de tratamento devidas a todas as equipas e que todos os lances merecem alvo de tratamento equidistante e correcto à luz das Leis do Jogo.

Mas, além de sonegar a ilegalidade da vitória “tout court”, já se aludiu ao “autocarro” navalista. Que existiu e até o Inácio admitiu ter ficado preso no tráfico do futebol encarnado.

Mas não pode haver duas leituras consoante os clubes em causa, nem livres em barda para uns e recusados a outros.

Porque apesar de o merecer, mesmo com fraco jogo colectivo e apenas na 2ª parte com alguma ambição e crença, o FC Porto também merecia ter ganho ao Belenenses e até teve um golo mal anulado a Farias que, como era a seu favor, não mereceu o destaque que lhe estaria reservado se fosse em seu benefício um lance pretensamente ilegal – como o 3-1 de Farias à Académica na semana anterior em jogada de fora-de-jogo no limite e que deve ser ignorado em favor do atacante como aconselham as regras.

E escrever direito por linhas tortas é lembrar outro adágio popular de a pimenta no cu dos outros ser refresco.

Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"


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