12 abril 2009

Quadra pascal em momento musical

Independentemente da crendice, da fé e de mais ou menos religiosidade nesta quadra pascal, não resisto a evocar, sem intenção moral e religiosa, o génio de Johann Sebastian Bach que exalta a vida, no seu estilo barroco que consagrou outros vultos da música clássica como Brahms, pelo belo e o odioso, em composições magistrais a que ninguém pode ficar indiferente.

Para mais um momento invulgar, e único, neste espaço, o futebol pode caber nesta contemplação da beleza sonora, da harmonia de uma orquestra que pode comparar-se a uma equipa de futebol como, actualmente, representa o FC Porto no panorama nacional, com inveja de muitos, e internacional, pela admiração repetida de quem, lá fora, vê fazer-se muito com tão pouco.

Tomem este exemplo:
  • Concerto brandeburguês nº 3 (BWV 1048, Allegro)
Note-se o andamento feliz, os tempos movimentados da música a transmitir vivacidade, alegria, êxtase, quando Bach dedicou esta música a quem pagava bem, pois claro, como um ricaço de Brandenburgo.

O momento do FC Porto pode sintonizar-se aqui:


  • Suite nº 3 em Ré (BWV 1068: ária sobre a quarta corda)
Este tema gracioso evoca o estado de tranquilidade, num suave contraste entre o som do cravo e a sonoridade das cordas. Outro tema que encaixa na perfeição à naturalidade com que o FC Porto joga, aqui, com dedicatória ao sereno líder que é Jesualdo Ferreira:

  • Cantata nº 147 (BWV 147)
Uma cantata (o coro aparece duas vezes nesta obra que não se ouve aqui de forma completa) que é meditação sobre a vinda de Cristo aos corações cristãos, naturalmente. Mesmo quem for "infiel", vulgo mouro, pode sentir nostalgia e ser tocado na sensibilidade deste canto belíssimo que marca, de fora perene, a quadra pascal, aqui:
  • Tocata e fuga em Ré Menor (BWV 565)
Esta é, talvez, uma das obras mais célebres do famoso Bach. Nesta quadra em que a morte e ressurreição de Cristo de celebra entre os cristão, sabemos quem nem todos, ou muito raros, são os que dão a outra face, depois de esbofeteados. Por isso a fé ou mito de Jesus é tão polémica e não universal. Independentemente disso, esta tocata e fuga é mesmo isso, em homenagem aos cobardes e invejosos, aos instrumentalizados pela cegueira do poder em que gostariam de perpetuar-se. Sente-se na música o prenúncio de fuga, próprio de quem atirou a pedra e escondeu a mão.

Como esquecer o bronco líder de uma SAD que já foi condenado por roubo em tribunal na Boa Hora (Pinto da Costa dixit) que fez tudo "por outro lado" e, vencido na batalha jurídica, disse em confissão à Judite que "nem queria que o Benfica fosse à Champions" se a UEFA excluísse o FC Porto?

Como não nos indignarmos, quem não dá a outra face como o Boavista num amigável indecoroso onde o móbil do dinheiro vingou, com as bacoradas em que este sujeito mantém o nível do PR oficial com nome de anjo, ao ponto de dizer, há uma semana após mais uma derrota às portas do Porto e sem capacidade para atravessar de Gaia sobre o Douro, que os da Liga são tão "juizes" como os da Justiça civil?

Aos que atiram e fogem, denunciados e vencidos na sua vil tristeza, este trecho encaxa perfeitamente.


Com orgulho de ser portista.

Johann Sebastian Bach (1865-1750), nascido na Turíngia (centro da Alemanha) e falecido em Leipzig, é um dos grandes da música clássica entre os 3B (Bach, Beethoven e Brahms) e dele disse o fantástico Luwig van (dito assim na "Laranja Mecânica" de Kubrick) que J.S.B não devia chamar-se Bach ("riacho") mas "Ozean" (oceano em alemão). Se Beethoven cedo ficou surdo, Bach acabou cego, pouco famoso mas de uma criatividade sem par na música sacra. A este nível só o extraordinário Brahms. Parecido com eles, mas só pela peruca branca, tivemos quando muito o déspota iluminado marquês de Pombal, por sinal chamado de Sebastião (de Carvalho e Melo) e reproduzido em muitos mandantes, igualmente facínoras, a quem o terramoto não soterrou para sempre - ao contrário de Portugal imerso nesse mar de mediocridade germinada no novo Terreiro do Paço. Fico-me por aqui quanto a referências históricas, com a devida diferenciação dos génios imortais que, como disse o nosso grande Luís Vaz, da lei da morte se libertaram.

14 comentários:

  1. A qualidade e o simbolismo das músicas escolhidas é um contraponto com a incultura dos incapazes benfiquistas...Perguntam agora -em teletexto- o que fazer com o clube deles para a época que se avizinha, eu respondo: -Abram falência e amortalhem-se!...
    Referência musical: -"Requiem", Wolfgang Amadeus Mozart -1756/1791.

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  2. No entanto o último trecho escolhido -Toccata e Fuga em Ré MenorBWV 565- é suficientemente acabrunhador e pesado...Vale!

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  3. Zé Luís... tu não andas a fumar nada esquisito, pois não? :D

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  4. Parabens Zé Luis. Brilhante, genial. Embora certamente inspirado pela exibição do Porto em Manchester, só um espirito superior era capaz de fazer uma ligação tão bela entre a música sublime de Bach e a equipa do FCP.

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  5. Zé Luís agora, qual director de comunicação do SLB, andas a dar-nos música? :P

    Muito boa a selecção musical. Razão tinha o Rei Artur sobre os intragáveis comentadores de futebol.

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  6. Pela qualidade da metafora e pela subtileza da ironia, este post é para nota 10.

    Obrigado Zé Luís por me provocares mais um largo sorriso!!!

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  7. Pinto da Costa afinal foi Benfiquista, toda a verdade em: http://mynameisfairplay.blogs.sapo.pt/

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  8. Pinto da Costa foi benfiquista? Vieira é portista?
    Oh Diabo!

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  9. mynameisfairplay.com disse:
    «Pinto da Costa afinal foi Benfiquista, toda a verdade em: http://mynameisfairplay.blogs.sapo.pt/»

    Legenda: "Ó jovem, empresta aí a bandeira que eu tenho de ir à casa de banho."

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  10. Zé Luís,
    Uma contemplação fenomenal!

    E sim, ver este porto jogar é música para os ouvidos, tal como ver os outros a fugir. :-D

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  11. Zé Luis em todo o seu esplendor.

    Obrigado Zé Luis por mais este brilhante post.

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  12. Grande post.

    BTW, ainda estou rouco por insultar aquele animal presidente da liga no passado sábado.

    p.s. Alguém aqui no blog pode colocar uma foto do taberneiro ao lado do chefe do Dilbert. Eu acho que eles são mesmo muito parecidos ;)

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  13. Isto é musica para os meus ouvidos, como o Porto é futebol para os meus olhos.

    Só não percebo a razão de tantos salamaleques e cuidados com a referência à Pascoa.É uma festa religiosa e ponto final. Festeja-se a morte e a ressureição de Cristo.Quem acredita, muito bem, quem não acredita, respeita. Já não se pode ser crente ?!

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  14. Viva !

    Francamente fabuloso !

    É uma obra prima o que produziu !

    Só uma sugestão : Se os dedos da mão são cinco , porque não ter acabado com o requiem "Pelas Vítimas do Fascimo" de Fernando Lopes Graça ?

    Com todo o respeito a quem foi perseguido pela pide, independentemente de ideias clubísticas (caso dos meus pais). Mas estas últimas também contam.

    Não era batido quem não era pelo Benfica ? Não era excomungado quem não defendia o Benfica quando este vinha levantar o moral da e/imigração Poruguesa nos bairros de lata de Champingny até, antes, de Vincennes ?

    Levantar o moral significava : Cala-te, manda devisas e não te metas em política Francesa.

    Existem alguns textos teatrais de Luís Rego quanto ao assunto. Ver os anos 70 !

    E Viva o Porto !

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