07 setembro 2010

Relatório (Bo)Ronha (XX): quando for grande, tirar um curso e ser bem pago gostaria de dirigir um pasquim

No sábado, após o jogo brilhante na fase ofensiva
ainda que acabrunhante pelas barracas defensivas por erros individuais
tivemos isto:















Hoje, para o dia de jogo (mais) importante, oferecem-nos isto, porque ninguém de bom senso compraria uma coisa destas:

















Digam lá se é preciso um curso para ser director de um pasquim? E, pior, dá a impressão de que tiraram todos o canudo no mesmo sítio? Alguém, quando for grande, quer ser assim e mostrar como é ser responsável? Bem, se tiverem um patrão que se gabe de pagar a directores cinco mil euros mensais e cartão de crédito, talvez pensem que vale a pena... Porque quando as regalias não chegavam a este ponto, as coisas eram bem diferentes e até havia capas bem distintas pelo esforço de procurar algo que distinguisse uns dos outros.
São os verdadeiros artistas.

06 setembro 2010

Relkatório (Bo)Ronha (XIX): a Noruega e o bacalhau seco português

A provar que só há dois resultados no futebol, a vitória e a não vitória, como há bacalhau fresco tirado do mar e o seco e salgado à maneira portuguesa que faz muitos desconhecerem que tipo de bicho é aquele ao natural, o pitoresco 4-4 de Portugal com Chipre, em rescaldo, teve a seguinte abertura do noticiário da selecção na SIC durante todo o dia de hoje:

"Pior arranque não podia haver", como se Portugal tivesse perdido, a única forma de haver um "pior arranque" creio ainda ser a derrota e independentemente dos números. E, logo a seguir no tremendismo, a mesma peça indicava que "Portugal fica logo em posição delicada" no grupo, o que pode impressionar quem pense que se vai para o último jogo de apuramento, com a diferença de este ter sido apenas o primeiro.

Esta tralha, de um enviado-espacial desde Oslo, passou de manhã, à tarde e à noite, o que arrasta a incompetência por toda a estrutura hierárquica editorial da SIC sem alguém ter sugerido uma alteração mínima a estas bizantinices informativas desde o editor que primeiro terá visto de manhã a peça ao director de informação que a deixou entrar, à mesma, no jornal da noite.

Ao mesmo tempo, lá o Laurentino disse que, "não sendo adepto da técnica do 'achismo', porque eu não acho nada", acabou por dizer: "achei que não fomos felizes e achei que podíamos ter ganho" a Chipre. É uma forma sempre peculiar de futebolês governativo que não difere do português informativo acima plasmado e transmitidos em peças praticamente sucessivas em horário nobre televisivo.

É nestes entretantos e nestes infelizmentes, como diria o celebérrimo e saudoso (também ele adepto do chimarrão) Odorico Paraguaçu, que Portugal joga amanhã com a Noruega. A SIC, sempre avisada, lembrou-nos que Portugal ganhou sempre à Noruega em jogos oficiais. Mas, claro, também o tinha feito com Chipre e olha o que aconteceu.

Tirando aqueles a quem escapou que Chipre, na última época e em competição para o Mundial-2010, tinha ganho 4-1 à Bulgária e perdido 2-3 em Itália após vantagem de 2-0 até aos 78 minutos em Parma, juntam-se aqueles que nem sabem o que a Noruega tem feito e muito menos o salto que deu com o regresso do carismático Egil "Drillo" Olsen. Para o Euro-2008 a Noruega só falhou o apuramento por perder em casa com a Turquia quando lhe bastava o empate no último jogo. E, afastado depois o antigo internacional Hareide, dos tempos em que perdia sempre com Portugal, a chegada de Olsen deu logo isto:
1-0 na Alemanha, em amigável em solo alemão na estreia, em Fevereiro de 2009;
daí para cá juntou-lhe vitórias de 1-0 na Suíça, 1-0 na Eslováquia e 4-0 à Escócia;
as únicas derrotas da Noruega com Olsen - que antes tinha levado a Noruega ao Mundial-94 e 98 e ao Euro-2000 - foram com a Holanda, em jogo oficial de apuramento para o Mundial-2010 num grupo em que os laranjas venceram todos os jogos e chegaram depois à final de Joanesburgo, e com a Ucrânia no final da última época em jogo amigável.
Isto é só para avisar sobre o solo em que se pisa e onde a França foi a última a cair, em Agosto, na estreia de Laurent Blanc, com CQ, premonitoriamente, a ver na bancada do Ullevaal...
Se Portugal ganhar, como espero, parece que cumprirá a obrigação que advém do histórico anterior de êxitos; se não ganhar, o "Adeus Polónia e Adeus Ucrânia" começarão a ser aduzidos ao inevitável despedimento do seleccionador que tanto anunciam já para o dia de 5ª feira (ainda a SIC) como, segundo A Bola, só para depois de recebermos a Dinamarca, já agora adianto, no Dragão, em Outubro, pelas 20.45h, pelo que vi no site da UEFA e creio não ter sido ainda difundido em Portugal pela própria FPF.
O problema para amanhã não é Miguel Veloso, naturalmente, ocupar a vaga de Coentrão a lateral-esquerdo, mas se Nuno André Coelho será útil, pela altura, como trinco face ao jogo directo dos nórdicos e dos pinheiros da Escandinávia que têm na frente, apesar da aparente baixa de Carew a que se junta o poderoso esquerdino JA Riise também KO. Neste caso último, NAC tirará o lugar a alguém que deve ser Manuel Fernandes, pois Portugal não poderá ter o aventureirismo ofensivo de Guimarães, ainda que as falhas individuais defensivas, por muito que Bruno Alves queira repartir as culpas "na derrota de todos", tenham sido a marca de um jogo, de tal forma inesperada que escureceu o brilhante futebol de ataque produtor de quatro golos, duas bolas nos ferros, uma sacudida sobre a linha e mais um par de boas defesas do g.r. cipriota.
Mas como no futebolês só se olha para os resultados, isto é o que é e não pode ser diferente com gente assim.
Aos jogadores cabe ganhar e Portugal vai à Noruega como antes foi à Suécia e mereceu mais do que o 0-0 lá depois de perder em casa com a Dinamarca num dos maiores festivais de futebol ofensivo deste século só superados pelo desnorte de cobertura do meio-campo que ditou a derrota nos 5' finais de Alvalade com uma saída em falso de Quim, num canto, e um golo de chouriço nos descontos desviado num jogador português. Mas, como diz Carlos Manuel, o futebol é isto. Pois é, até tem dois resultados apenas e duas maneiras de ver o bacalhau, ao natural ou na seca.

05 setembro 2010

Relatório (Bo)Ronha (XVIII): algo vai podre no reino da Dinamarca...


Repesco do DN online, esta notícia recente a que foi dado pouco ou nenhum destaque, da página de Desporto deste jornal na net ainda encimada e patrocinada pela ADoP e IDP incriminadores de Carlos Queiroz em causa própria, página patrocinada que por acaso hoje não aparece e deve ser por não ter notícias relacionadas com o iminente despedimento do seleccionador anunciado há várias semanas...
'Doping'
Perito dinamarquês discorda da suspensão de Queiroz

Rasmus Damsgaard, perito no combate ao doping, considera que Carlos Queiroz não deveria ter sido sancionado por violar as regras antidopagem.
Mas avisa que as brigadas de controlo não podem esperar meia hora ou uma hora pelos atletas (como diz o seleccionador, que o pretendia aquando dos incidentes no estágio na Covilhã), por haver riscos para a integridade dos testes.
"De um ponto de vista geral, o treinador português, na minha opinião, não pode ser suspenso com base nas regras da Agência Mundial Antidopagem. Se ele apenas confrontou verbalmente os oficiais de controlo mas não obstruiu o seu trabalho, pode ser sancionado pela federação mas não pela agência antidopagem", afirmou, por e-mail, ao DN, o antigo secretário-geral da Anti Doping Danmark (agência anti-doping dinamarquesa).
Damsgaard dá como exemplo uma ocasião em que Morten Olsen, seleccionador da Dinamarca, proibiu uma brigada de fazer um controlo dois dias antes de um jogo, com o argumento de que isso iria perturbar a concentração dos jogadores. Não houve processo.
Segundo este perito da Federação Internacional de Esqui, as brigadas devem notificar e manter sob a sua vista os jogadores assim que sentirem que estes estão acordados, porque "podem acontecer facilmente manipulações de urina ou de sangue durante 30-60 minutos de comportamento sem supervisão. A integridade das amostras pode ser minada".

Além de os fazedores de opinião e peritos em todas as matérias especulativas e demais redundâncias críticas de quem é expert em "tudismo", a arte de saber de tudo, conquanto não leia ou interprete acórdãos de órgõs jurisdicionais ou de tribunais portugueses como manifestamente se tem percebido ao longo destes anos, terem assobiado para o lado quanto ao teor deste artigo, é curioso notar como algo vai podre no reino da Dinamarca e Morten Olsen já criou "perturbação suficiente" num controlo antidoping em vésperas de um jogo da selecção em que se tornou a figura mais emblemática, com mais de 100 jogos como jogador e também como seleccionador. Apesar de nunca ter ganho nada, e perdido mais qualificações do que as que ganhou em Europeus e Mundiais, Morten Olsen não é tratado abaixo de cão no seu país, pelo que as historietas de Hamlet devem encaixar-se perfeitamente no país de pedantes, ignorantes e indigentes mentais que é Portugal, com os seus típicos relatórios (bo)ronhas como aqui venho descrevendo a chamar os bois pelos nomes.

Mas, note-se, enquanto se fez a reportagem/entrevista, alimentada por meia dúzia de frases enviadas por email, como o jornalista não enquadra devidamente as questões que suscita.

Como estas de saber se alguém poderia, na Covilhã, ter tido oportunidade de manipular urinas, sabendo nós, como deve saber o jornalista, que os médicos da selecção acompanharam sempre os colegas da brigada antidoping e providenciaram os necessários meios no hotel para que o processe se desenrolasse, como sucedeu, apesar de alegada "perturbação".
Não são os jogadores, apanhados em cuecas, que poderiam sair da cama e criar manobras de diversão por si sós quanto a poder confundir a posterior recolha de urinas, tanto mais que nem estavam avisados nem sabiam quais dos 23 seriam (apenas 7) sorteados para o controlo. Só com acompanhamento médico, e conhecimento atempado da visita, poderia suceder um caso de manipulação de amostras e os médicos da selecção não fizeram nada às escondidas, bem pelo contrário o seu comportamento e colaboração foram sublinhados pela brigada dos "vampiros".
É que o "preconceito" está sempre presente, como se Queiroz desejasse dar mais tempo aos jogadores, na cama e sem acompanhamento médico necessário a eventual trafulhice, para numa hora ou em meia hora de atraso "dar a volta" a alguma situação menos clara ou que fosse mantida em segredo e de forma ilícita.

É curioso como este "preceito" diria institucional de trafulhice premente em cada português vem à baila, certamente por consciência, clara e colectiva, de tal poder até acontecer de verdade... em clubes e sabemos que há clubes mais "dopados" do que outros e alguns são campeões da mentira também na matéria da verdade competitiva com recurso a substâncias dopantes - falo do Benfica, como o DN conhecerá sem rebuços e qualquer leitor atento assumirá como factual pelas notícias até em várias modalidades.

Mas na Dinamarca as coisas, mesmo a urina, têm outro perfume. Não tarda e Portugal jogará de novo contra eles, enquanto por agora se ambienta na Noruega.

Fica mais um registo interessante enquanto o tremendismo noticioso se amplia como bola de neve empurrada ao sabor de quem interessa manter a avalancha ameaçadora.

04 setembro 2010

Relatório (Bo)Ronha (XVII): leituras do caso ADoP-Queiroz







a 31 de Agosto, que agora estou a pôr alguma leitura em dia.


Coincidem na instrumentalização do poder da ADoP pelo Governo e a interferência em matéria de disciplina desportiva... com a bizantinice de não se poder recorrer para os tribunais portugueses, só para o TAS de Lausana.


José Manuel Meirim há muito fala da inconstitucionalidade dessa norma que impede o recurso para os Tribunais Administrativos em Portugal das sentenças da ADoP.


Enquanto uns se ficam pelo que lhes sugerem as condenações, sem verificarem os pressupostos que as sustentem, outros querem ir mais fundo e perceber, afinal, em que País estamos e com que Direito lidamos.


E ainda esta:


outro(s) a bater em Laurentino Dias.
E outra, de novo do Joao Miranda e mais antiga (28/8):
E mais uma, que com relutância insiro depois de 24 horas de reflexão sobre esta opção, porwque acho Emídio Rangel um traste e nunca partilho da sua opinião demasiado enviesada e vendida a interesses instalados, o que contraria até este escrito essa tese de ser um defensor do regime socrático mas não o impede de denunciar o que é de denunciar, aqui:
pede a exoneração de Laurentino e lembra o que este (não) fez como político, mais um a sujar guardanapos.

03 setembro 2010

Relatório (Bo)Ronha (XVI): Navegadores todos à vela e ninguém ao leme, só a fazer lama

A sequência do Mundial teve um Portugal tão diferente quanto disparatado, o suficiente para empatar 4-4 com Chipre, resultado impensável pelos números mas só para quem não viu as barracadas da defesa portuguesa. O que pelo menos não suscitará os comentários recorrentes do Mundial sobre o cinzentismo do futebol da Selecção Nacional, pois mais trepidante do que isto é difícil e sempre contenta mais aqueles que preferem um resultado assim do que 7-0 à Coreia do Norte.
Na senda dos Navegantes que chegaram cautelosos à África do Sul por causa do Adamastor chamado C. Marfim e replicado no Brasil, a nova equipa, decalcada da anterior na convocatória só alterada por lesões várias e renúncias previstas, revelou arrojo que Nani e Quaresma deram nos flancos, precisamente o que se notou estar em falta no Mundial. Não era, contudo, previsível que todos fossem dar ou puxar a vela para o barco navegar a todo o vento e ninguém estivesse ao leme. De facto, foi mandado para a bancada, mas a barracada fica por conta de quem?...
Numa altura em que muitos atulham de lama a Selecção, cujos responsáveis administrativos assobiam para o lado como sempre, sem que algum aparecesse nas imagens que as câmaras afanosamente procuravam na tribuna VIP despida dos costumeiros palhaços que só aparecem nas horas boas e intrigam o resto do tempo, o que se passou em campo é bem a imagem do que se passa actualmente: muitas bolas fora, muitos tiros nos pés.
Com laterais de vocação ofensiva e um ataque a 4 "todo maluco" virado para a frente, com Danny a 10 e Nani e Quaresma a alimentarem Hugo Almeida, o filtro do meio-campo foi meramente um passador e os centrais nem cobriram a sua zona nem defenderam as subidas dos laterais; pelo que o estudioso Chipre, que não tem os trambolhos amadores de antigamente e há muito é mais do que uma selecção de Malta ainda bombo de festa por essa Europa, explorou muito bem todas as abertas e as abébias defensivas de Portugal.
Mas foram inúmeros golos desperdiçados, alguns por má finalização e outros por manifesta infelicidade como duas bolas nos ferros e outra defendida casualmente sobre a linha de golo, mais as paradas do guarda-redes, a marcar a partida que teve 2-2 ao intervalo e Portugal incapaz de segurar o 3-2 e o 4-3 a que chegou na 2ª parte.
Como se não bastasse o atrevimento ofensivo descarado e até pornográfico, as substituições foram só a ênfase na tónica da estratégia muito aventureira e demasiado libertina para o costume, com trocas directas e pouco cuidado na protecção do meio-campo: Danny por Liedson, M. Fernandes por J. Moutinho e Hugo Almeida por Djaló é coisa para equipa a perder, não para quem teve tanto trabalho, depois de tantas baldas defensivas, em dar a volta ao marcador após inúmeras ofertas ao adversário que não se fez rogado e se mostrou esperto e eficaz no aproveitamento.
Depois temos a sobranceria e desconhecimento de sempre, julgando poder ganhar a Chipre só por ser Chipre, como dantes, mas esquecendo que o seu último jogo oficial, de qualificação para o Mundial-2010, foi perder em Itália por 3-2 mas a ganhar 2-0 até 10 minutos do fim. E este grupo, ao contrário do que se pinta, não é nem mais nem menos acessível do que na qualificação anterior e também os resultados serão praticamente todos pela margem mínima: e assim a Noruega foi ganhar 2-1 na Islândia.
Não sei se Portugal, como equipa e incluindo a equipa técnica com Queiroz na bancada, queria provar algo a alguém ou a si mesmo, mas o que o futebol nos revela sempre é que é necessária prudência e organização, coisa que faltou a um meio-campo espaçoso e caído em embaraços desnecessários, de resto transfigurado com Manuel Fernandes de volta e Raul Meireles a trinco mas muito expostos pelo adiantamento de Danny que era mais avançado do que médio.
Ouvi na rádio (mas vi na tv o jogo), nos intervalos, que isto quase fazia lembrar o 0-0 com a Albânia, de Braga, mas lembrou-me mais o Portugal-Dinamarca de tanto futebol e tantos falhanços numa derrota cruel (2-3) em Alvalade que nos fez penar por todo o apuramento. Portugal voltou a jogar muito, mas esbanjou e, ao mesmo tempo, cumpriu a sina de tudo piorar quando parece já estar mau demais, oferecendo golos aos cipriotas e perdendo dois pontos após tanto correr e batalhar mas tão abandonado pela sorte como por um guia que tem de ser mais do que um piloto/navegador automático.
Porque no futebol não há milagres, as asneiras pagam-se caro apesar de muitos responsáveis não aparecerem, ainda que eu tenha ouvido, num centro comercial, incentivos a Luís Horta e Laurentino Dias por cada golo cipriota que nos deixava sempre com cara de idiota. Isto é, aqueles que tenham cara, seja de polvo, do carvalho ou a dias.
Como sempre, serão jogadores e técnicos a fazerem tudo para Portugal ir a mais uma fase final e, antes dela começar, depois lá aturam uns políticos estúpidos que arrotam postas de pescada com "saudades de picanha e Chimarrão".
Dentro de dois anos, se desgraçadamente este Governo ainda existir para mal de Portugal, um Primeiro-Ministro parvo e um adjunto para o Desporto feito para cortar fitas e sujar o guardanapo irá desejar boa sorte para a fase final. Até lá, seguramente, a Imprensa colorida ou desportiva deve começar a ensaiar o "Adeus, África" de há tempos, pronunciando "Na Zvedenia" ou algo similar em ucraniano que para mim é como o polaco e o Portugal-Chipre: não percebo puto mas vou a tempo de aprender, que já não há segredos nas coisas da bola.

Relatório (Bo)Ronha (XV): as atenuantes de Queiroz e as agravantes de Amândio e Laurentino

Pronto, ficamos a saber pela excelentíssima ADoP, ou IDP ou, no escritório central ao fundo do corredor, a própria sec. Estado da Juventude e Desporto que tutela as primeiras, que invectivar com "foda-se" e "caralho" e mandar alguém para a "cona da mãe dele" é perturbar ou criar perturbação, mas também, incorrer no risco de provocar o erro de alguém sensível a português tão corrente em futebol como na política onde, no Parlamento, um ministro faz corninhos e o PM manda alguém "chatear a tua tia, pá".
Douta decisão que tanto nos esclarece e termina com as atenuantes para reduzir em 75% a pena mínima prevista de dois anos (4 semestres) de suspensão.
Para Queiroz continuar ainda, fora as ameaças do sec. Estado Laurentino Dias, dentro do seu vínculo contratual de dois anos, valeu-lhe estas deferências:
- apesar da tal "perturbação", o controlo antidoping foi feito e não houve necessidade de recolher a densidade urinária para registar o tal parâmetro em falta;
- nunca tinha sido punido por algo deste género na sensível luta contra o doping;
- tem uma folha de serviços relevante em clubes e selecções no estrangeiro, em cujo âmbito decerto assistiu a centenas de análises antidoping;
- prestou "relevantes serviços" ao Desporto português;
- foi agraciado com títulos pelo Governo português.
Então, comparemos:
- em 1989 Portugal sagrou-se campeão mundial de sub-19 (então assim designada a competição) em Riade;
- em 1991 Portugal revalidou o titulo na final de Lisboa, então pelos sub-20 (nova designação da competição).
- bem ou mal, muito ou pouco, não há registos de coisa semelhante, nem nos 90 anos anteriores nem nos 20 anos que já passam destas conquistas do futebol português que tiveram muito mais do que possa imaginar-se em frutos recolhidos desde então.
Pois, entre 1989 e 1991 passou-se alguma coisa de relevante no futebol português?
Passou, remonando a anterior Mundial disputado, a nível sénior, em 1986 foi a vergonha de Saltillo que se sabe, onde até chegar o presidente da FPF Silva Resende a selecção viveu amotinada, faltou a treinos, fez greves e conferências de Imprensa e, ainda, depois de ganhar à Inglaterra conseguiu perder com Polónia e Marrocos para ser eliminado, tudo com o dirigente federativo Amândio de Carvalho ao leme e hoje reinstalado no poder.
Por causa do "caso N'Dinga", com falsificação de inscrição de jogador na FPF e histórias rocambolescas que meteu crocodilos no Rio Zaire e carimbos forjados, a I Divisão passou de 16 para 20 equipas em 1987-88. Amândio de Carvalho ainda continuava a fazer parte do quadro dirigente da FPF, tal como voltou, depois de 1991, a fazer parte até chefiar uma comitiva em pré-Mundial e ao qual não foi dado sequer um "bom-dia, vimos fazer um controlo-surpresa" pelos médicos a ADoP e parece que nem esteve na Covilhã e que, como em Saltillo, tudo lhe passou ao lado e nem era tido nem achado como responsável máximo em plenas funções.
Mas tal não ficou inédito. Em 1990-91 a I Divisão voltou a ter 20 clubes, num alargamento à medida dos interesses instalados, porque um cambalacho num Famalicão-Macedo de Cavaleiros acabou por ditar a despromoção dos famalicenses, mesmo depois de terem iniciado o campeonato com 1-0 ao Ac. Viseu, para alargamento que contemplou, entre outros, o Desportivo de Fafe.
Nessa luta em que o Fafe subiu destacou-se um dirigente local, um tal Laurentino Dias que soube mexer os cordelinhos para a equipa da sua terra não ficar privada e uma benesse dos deuses da bola jogada nos bastidores.
Muitos anos depois, em 2007, Laurentino Dias como governante com a tutela do Desporto não consegue que a CNAD, hoje ADoP no sentido lato ainda que a própria CNAD exista para a servir, não conseguiu que uma análise antidoping positiva do jogador Nuno Assis desse para cumprir pena de suspensão mínima de seis meses. Foi preciso ir ao TAS de Lausana para fazer cumprir a lei que pune os verdadeiros infractores da luta contra o doping, já que nem Laurentino nem Luís Horta puderam ou quiseram impor as regras que deviam fazer respeitar cá dentro.
É ironia do destino, ou não, que agora tenha Queiroz de ir ao TAS de Lausana para revogar uma decisão da ADoP/CNAD em que foi juiz em causa própria porque há subjectividade no que significa ser "perturbar um controlo antidoping" que acabou por decorrer em plenitude?
Isto são factos e História, o resto é pouco mais do que irrelevantes caralhadas que gente aprumada julga não existir no português corrente e menos ainda no informalismo do futebolês que toda a gente entende e... pratica.

02 setembro 2010

Relatório (Bo)Ronha (XIV): conversa de merda com cheiro a mijo, em português legível

Primeiro ouvi na rádio ao início da tarde e custou-me acreditar: a sentença da ADoP contra Carlos Queiroz baseava-se em acusações à CD da FPF e não sustentou com clareza os factos que a própria ADoP dá como provados.

Depois li por aí umas coisas avulso, nomeadamente o que a alguns interessa destacar no sentido de provarem como a decisão foi justa de suspender por 6 meses o seleccionador, como pretende sustentar o inefável António Boronha.

E detive-me, finalmente, a ler o acórdão da ADoP, de 31 páginas e assinado pelo presidente do IDP, Luís Sardinha, em vez do visado da ADoP, Luís Horta, para dar uma imagem de isenção de gente que, um ou outro organismo, patrocinam a página de Desporto do DN online, volto a repetir. A folhas 26 e 27, lê-se:
"... foi registada uma não conformidade, conquanto este médico não registou a densidade urinária no formulário do controlo antidopagem. E, independentemente de um nexo de causalidade objectiva entre este concreto erro e a perturbação criada, o que conta é que os médicos, com toda a sua experiência, caracterizaram a perturbação gerada como susceptível de ser causadora de um erro o que, de facto, se verificou. Tanto basta para confirmar a situação de perturbação".
Não fosse o personagem ter passado, tristemente, à história e diria que esta treta tinha sido escrita pelo Bosta da Liga entre os compêndios vergonhosos do seu Pífio Dourado.
Reparem:
- a tal densidade urinária foi recolhida, mas não registada no boletim;
- não interessa se se consegue comprovar o nexo de causalidade;
- os médicos tinham muita experiência
- uma alegada perturbação, no sentir dos próprios, é SUSCEPTÍVEL de levar a um efeito, não é certa ciência mas pode-se admitir que sim, porque a eles interessa;
- e isso basta, o resto são trunfos, urina é mijo e cagalhões são merda, diria um tio meu a jogar à sueca.
Pronto, pondo de lado as tretas do Direito e as acusações aos juízes da CD da FPF, o que se reume deste processo é isto: mandar alguém para o caralho perturba muito, mesmo gente experiente que, subitamente, se sente incapaz de escrever num papel 0,13 de densidade de urina, por exemplo.
Bendita transparência e doutrina que cabe bem a certos senhores. Convém é saber português, como sempre, antes de querer discutir a torto e a direito. E, pronto, lá avocaram o processo para justificarem que, assim e assado, com duvidoso sentido de causalidade, arranjarem forma de enquadrar o que foi dito e feito na Covilhã para se chegar a conclusão de perturbação do controlo antidoping.
Agora vou ali dar uma mijinha e aliviar isto de uma vez por todas. Os adeptos devem entender esta normal informalidade das conversas da bola, conquanto alguns doutores possam ser feridos na sua susceptibilidade...
p.s. - há coisas ridículas em tamanha vontade de descrever o sucedido: por exemplo, perguntaram ao médico Henrique Jones se ele sabia que treino tinha sido dado na véspera e o que estava programado para o dia em que se fez o controlo. O médico da selecção deve adormecer nas reuniões da comissão técnica, tal qual o responsável directivo Amândio de Carvalho... É que não ficou provado que houvesse "perturbação" da selecção e do que estava delineado, sendo certo que o descanso é vital para os jogadores e, afinal, a ADoP chegou lá antes ainda das 8 da manhã.
Melhor (ou pior): é considerado o percurso profissional por clubes e selecções de CQ, mas este é tido como um nabo e inconsciente incapaz de saber que há controlos-surpresa antes das grandes competições, daí a sua surpresa pelo controlo na Covilhã...

Benfica e Sporting ou como desvalorizar g.r. que querem promover à força na Selecção

Na sequência da minha visão do patético e até idiota "mercado" dos clubes portugueses, apurada a correr e nos intervalos das férias em que estou ou não estou sintonizado com a actualidade e acorro à net consoante a "onda", eis que a surpresa maior estava reservada, e duplamente, pelo Sporting.
Com a chamada de um novo guarda-redes, Timo Hildebrand, os leões querem competir com o Benfica na forma de serem mais ridículos do que o rival e vizinho, desvalorizando o "seu" guardião titular enquanto procuram promovê-lo com a chamada à Selecção e pensando que o conseguem com bocas e escritos de bimbos a quem deixam opinar em jornais e perorar em televisões para gáudio do pagode nacional.
Depois do Benfica ter tentado "meter" Quim no Mundial, porque foi titularíssimo na época do título em que o seu treinador foi buscar Júlio César, facto que tem sido esquecido na abordagem a nova contratação sob seru exclusivo aval no tocante a Roberto este Verão, mas acabando o Benfica por dispensar Quim a custo zero, eis que o Sporting faz o mesmo.
As velhadas tontas que opinam na Imprensa pelo Sporting, como se não houvesse ou gente mais nova ou gente com mais qualidade para além do nome venerando doutras suas actividades que não as de conhecedores da bola mas apenas de assopradores de balões de ar frio, andavam entretidas a puxar por Rui Patrício e eis que, mesmo sem darem conta as manchetes desportivas, os leões vão buscar o desgastado guardião alemão que teve épocas razoáveis no Estugarda mas falhou rotundamente quer na selecção germânica quer nos vários clubes estrangeiros por onde passou.
Nada melhor para desvalorizar Rui Patrício do que fazer isto que o Benfica já fizera com Quim.
Mas o ridículo não acaba aqui e as manchetes de ontem 4ª feira, com um tal Tales escarrapachado para ninguém se esquecer dele mesmo que o tenham olvidado por ter treinado na pré-época em Braga, as manchetes sem timing para meter Hildebrand que só ouvi ontem à noite num telejornal fizeram alarido por um puto de 20 anos que afinal o Sporting vai emprestar.
E como não posso andar actualizado como devia, mas não posso mais do que consigo intermitentemente, eis que percebo como o fabuloso Rodrigo, de mais 6ME pagos ao Real Madrid, é cedido pelo Benfica a um clube de que nem lembro já o nome.
E, a outros fracassos acabrunhantes mas que se faz de conta que não acontecem, leio que o Drenthe em vez do Benfica vai para o Hércules recém-promovido à I Liga espanhola.
Porra, vexame maior deve ser difícil para esta gentinha tesa e justamente desconsiderada, em que os próprios nomes de Benfica e Sporting são menos apelativos do que o argumento alegado da menor valia da Liga portuguesa. Aquela em que, afinal, li também com atraso, nem Morientes nem Trézéguet quiseram conhecer, também através do Sporting, enquanto parece que Rui Costa chegou atrasado a Barcelona para adquirir um bielorrusso Hleb e leve com tantos voos a ligar Lisboa à capital catalã.
Digamos que, num significado diferente daquele em que tal expressão é utilizada, é a cereja no cimo do bolo... de nada. Fica a cereja apenas, vermelha e redonda, digna de um nariz de palhaços...
Absolutamente anedótico.
p.s. - alertam-me por aqui para notícias de um castigo ao FC Porto - já tardava, não é? - por assédio a Kléber, algo que, como é fácil de imaginar sem ser preciso uma clarividência fenomenal, precisa de ser provado e comprovado e não apenas digno de dichotes de um desbocado presidente do Marítimo que tem andado a falar sozinho, como um tolinho. Mas a Imprensa dá destaque ao que quer, não é verdade?, e limita-se a não questionar, não reflectir, não perceber, não informar, só intoxicar e morrer do próprio veneno. Afinal, o DN tanto ameaçou e nem Queiroz é suspenso dois anos e muito menos despedido com efeito imediato...

01 setembro 2010

As últimas de um "mercado" estranho e cada vez mais acabrunhante

Um dia inteiro fora do País e o regresso com o mercado de transferências, finalmente, fechado, sem novidades mas com coisas hilariantes, concluído no meio de factos ridículos e omissões igualmente deliberadas de tanta incapacidade negocial apesar da grandiloquência, sempre trazida à baila, de nomes sonantes e promessas de coisas mirabolantes de gente sem dinheiro, passe a expressão, para fazer cantar um cego.
O FC Porto lá despachou Tomás Costa, sempre medíocre e custoso de emprestar, aos romenos do Cluj, com o chamariz de jogar a Champions que é demais para a sua capacidade. E conseguiu colocar Miguel Lopes, ainda que na II Liga espanhola, no Bétis de Sevilha, com o português incapaz de cumprir as promessas deixadas no Rio Ave e que me seduziram, embora tenha cedo constatado que o FC Porto era claramente um passo maior do que a sua curta perna poderia dar.
As parangonas dos jornais não se encheram mais de coisas parvas com nomes irrelevantes, na medida contrária aos anúncios fantáticos de jogadores mais ou menos cotados proclamados como reforços certos, particularmente no Benfica e com uma chusma de capas e manchetes difíceis de igualar no parvo mundo da bola de algodão que são as notícias do "mercado", com tanto de infantilidade como de parvoíce saloia.
E é curioso constatar que, enquanto o desejado de Jesus, Huntelaar, vai para o Schalke por apenas 13ME, apesar da alegada cobiça, com declarações do próprio técnico do Benfica, de um clube que se diz cheio de dinheiro e apenas apanhou um g.r. com valor disparatado e algumas coisas em saldos, temos ainda até uma vedeta já fora do prazo como Alex. Hleb, capaz de trocar o grande Benfica pelo monstruoso Birmingham.
Coisas destas têm sucedido a um ritmo alucinante, ou nomes quase desconhecidos como Lovenkrands disseram preferir o Rangers ao Benfica, ou outra vedetas pouco sonantes também trocam o clube da Luz anunciado como certo de os obter, por emblemas de segundo plano europeu.
Parece que sucedeu o mesmo ao Sporting, já marcado por uma inacreditável contratação de outra vedeta que nunca foi e sempre caído em desgraça como Pongolle e aquele episódio inenarrável de Angulo contratado para uma posição mas que só rende noutra que era de Moutinho. E de coisas irrazoáveis como pensar em grande com o pequeno Matias Fernandez passamos a ver como os leões desejavam um jovem desconhecido, mais um por provar, chamado di Santo, para vê-lo assinar pelo modesto Wigan.
O mercado tem sido assim nos últimos anos, ou apanhando refugo, que pode cheirar apenas um ano (Saviola), ou andando na crista da onda com nomes "em baixo" que não convencem ninguém nem provam em campo algumna coisa.
É, ainda, por isto, que com tostões o Braga se tem feito grande, sabendo comprar na loja dos 300 para sacar milhões a vender laterais ao Sporting e a entrar, à sua vez, na Liga milionária.
Entretanto, nem o sabia, Sálvio obtido por empréstimo já foi titular logo no primeiro jogo pelo Benfica, um tipo que era apenas suplente no Atl. Madrid e tão consagrado como o guardião Roberto que os colchoneros haviam cedido ao Saragoça.

Relatório (Bo)Ronha (XIII): Queiroz disposto a lutar

Constato ainda que, em entrevista à SIC, Carlos Queiroz mostrou-se disposto a lutar. Pelo seu nome e reputação, conta uma justiça encomendada e manobrada nos bastidores e por um futuro melhor do futebol português que a nível da Selecção continua atrás das proezas que os clubes nacionais conseguem.
Só apanho alguns ecos das declarações do seleccionador, depois de um dia fora, mas parece-me o suficiente para entender que, ao contrário de 1993, ele não está disposto a abandonar e deixar isto entregue aos mesmos mediocres de sempre, um deles apresentando-se, de novo, pimposo chefe de comitiva da selecção que se conentrou em Braga, o Amândio de Carvalho que corporiza a porcaria ainda existente na FPF refém dos problemas de sempre na sua capacidade de gerir, e dirigir, o futebol português como lhe compete mas não é capaz. Hoje já sem muitos fardos de então, como a organização dos campeonatos profissionais, mas se com menos tarefas a cumprir continua sem ideias e capacidade para gerir o que lhe sobra. É triste mas é assim.
Queiroz vai à luta, também porque tem contrato a respeitar, mas parece-me que continuam a passar ao lado das razões abstrusas deste processo movido por gene medíocre que não ganha nada no Desporto e só se serve dele mas não traz visibilidade ao País.
É uma boa luta, ainda que poucos estejam dispostos a alinhar do lado certo da barricada. O futebol português, em 2010, não é o de 1993 nem o dos últimos 10 anos de qualificações internacionais. A Geração de Ouro, incapaz de ganhar a sério depois da emancipação, foi-se e perdeu-se o motivo de se alimentar novos meninos no berço. Tão basbaques como os dirigentes federativos, muitos comentadores vivem na ilusão de Quaresma ser como Figo e Cristiano Ronaldo como Rui Costa. Não são e não há de novo condições ideais para ter sucesso. Falta retaguarda que não passe por legislação idiota que ponha em causa quem ouse arriscar no sentido de um futuro melhor e vê muito mais do que os meros resultados de campo a que tantos se habituaram sem saber, como um antigo vicepresidente da FPF e ex-chefe das selecções nacionais, António Boronha a quem é dedicado todo este dossier, de como manter as coisas organizadas e prontas nos gabinetes e nos campos de treino, já nem se fala de uma Casa das Selecções que um conhecido autarca dos mais "mediáticos" e "famosos" tem há anos para implementar no seu cantinho lisbonense de orgulho e miséria (Fernando Seara em Sintra).