15 agosto 2010

Extra!. Extra! O Rui Prantos já está à solta! Olhó desastre!

É pá, desculpem lá a descrição em baixo do jogo da "defesa do título".

O Rui Prantos entrou em grande e a SIC abriu o missal. Ainda se fala da Supertaça com comentários da Bimbo TV em rodapé a chamar portista ao João "Pode vir o João" Ferreira.

O Rui Prantos já fala da Verdade Desportiva, pá, parece os Homens da Luta, pá, viva a Verdade Desportiva, pá, tiriru tiririri, tiriru, tiririru...

Foram 3 - TRÊS - penáltis negados ao Benfica.
Dúvidas em dupla posição de fora de jogo no 0-1 da ACADÉMICA.
Depois do terceiro penálti negado ao Benfica, claro, a Académica ainda teve:
- um jogador a jogar a bola com a mão;
- outro jogador que iniciou uma jogada com a bola fora do campo.
- parece que mais um jogador a fazer falta sobre o David Luiz, coitado,
- um jogador capaz de marcar um golo de bandeira.

Bem, esqueçam no seu RELATÓRIO DO ÁRBITRO, com nota 7 (presumo que em 10, portanto positiva, mas se não for caguem para isso na mesma), não consta ainda o terceiro penálti, porque já foi nos descontos e ele estava a preencher a folha para enviar com urgência para o Vite ó Pereira.

Eu é que devo ter visto mal a cotovelada e expulsão por mostrar a David Luiz sobre Sougou. E o fora-de-jogo indevido tirado a Laionel que se isolava.

O árbitro-assistente vai vestir a camisola da APAF na nova época com o Rui Prantos, serão entrevistados na Bimbo TV pelo Afonso de Melo e o José Carlos Soares e participarão, todos, na cobóiada que vai seguir-se durante a época: penáltis? quantos são? quantos são?...

Ó diabo!

Apesar de Jesus, Fair-play da treta, ter conseguido expulsar um jogador da Académica (David Addy), esbracejando ainda que sem mostrar quaisquer dedos espetados mas só brandindo os braços no ar como um tonto a chamar táxi em Nova Iorque onde "you need to be agressive", segundo me explicaram por lá.
Apesar de Caimar ter tentado o que Caientrão tentou na Supertaça, recebendo o mesmo amarelo por simulação grosseira dos campeões da treta que nem a APAF enganam mais.
Apesar de cantos da Académica terem sido transformados em pontapés de baliza.
Apesar de David Luiz ter passado de novo sem expulsão, com uma cotovelada violenta em Sougou.
Apesar de esse lance, só entre os dois jogadores, ter sido nas barbas do assistente de Cosme Machado, sem ter coragem de dar indicação ao árbitro de agressão.
Apesar de esse mesmo "fiscal do gamanço" ter marcado fora-de-jogo inexistente a Laionel que se isolou ante Roberto e podia marcar o 2-1.
Laionel marcou um golo de bandeira e a Académica ganhou na Luz, mesmo nos descontos.
À hora que terminou o jogo, o site de A Bola ainda indicava 1-1 no marcador. O do Rascord marcava 1-2 (obtido aos 93'... com mais um para jogar) com indicação de ainda se jogar a 2ª parte.
O choque é tremendo, como se verá nas manchetes dos pasquins. Acredito que um falará do golão extraordinário de Laionel, os outros vão falar da derrota.
Laionel, nem de propósito, encarnou o espírito de vingança do... Boavista. Vocês sabem do que estou a falar. Laionel desceu com o Boavista por causa do Benfica.
De resto, André Villas-Boas ganha pelo FC Porto na estreia e pela sua ex-Académica que deixou.
Mas, acima de tudo, foi o Bicho, Jorge Costa, foi o Bicho, num ninho de vespas.


p.s. - não há muito tempo disse acreditar que se repetiria o caso de 2005. Ora, depois do título infame da APAF na época anterior, o Benfica começou a "defesa do título" a jogar na Académica. Ficou 0-0. Mas os encornados barafustaram muito, tal como hoje. É que, fatalmente, começam logo a estranhar quando os árbitros marcam faltas que antes não marcavam aos meninos da Luz. Dão cartões que antes não davam, ainda que continuem impunes as cotoveladas do cepo Cardozo e do espanador David caceteiro Luiz. E não vão na tanga dos penáltis.

Parecia de novo o FC Porto de Jesualdo mas há "nuances" e... sorte

Cheguei muito tarde da F. Foz e a tempo de ver alguns lances na tv, à 1 e tal, ocorridos longe da bancada onde fiquei num estádio impróprio para a Liga dos dirigentes profissionais e ainda recintos anacrónicos por muito que se junte ao nome do campeonato um, dois ou mil patrocinadores. Nunca ali tinha estado nem voltarei, depois de recuar 20 anos para me lembrar de ficar, ainda que com cadeiras individuais, sobre uma estrutura metálica já enferrujada para acompanhar o ataque portista na 2ª parte...
Na viagem ainda ouvi a análise de AVB, mas não percebi, até discordo, o seu raciocínio de o muito vento, contra o sentido de jogo portista, na 1ª parte, ter obrigado o FC Porto a jogar longo numa péssima metade do jogo. A verdade é que devia ter jogado curto precisamente por ser incerto o passe em profundidade e as pernas não se apresentarem muito frescas em Moutinho e Belluschi, para dinamizar a posse em vez de soltar a bola que incomodava, enquanto Varela não ganhava um duelo com Carlitos e Hulk voltava a andar longe do jogo, pagando Falcao pela falta de apoio já vista há um ano por esta altura. E com muitos navalistas no meio, os médios portistas ficaram sem liberdade para criar, à falta de rasgo para se soltarem.
Obviamente, com o vento a favor na 2ª parte, esperava mais do FC Porto. E viu-se. Também a Naval amainou na sua capacidade de jogar contra a maré. Sim, o vento condicionou muito o jogo. Helton mal passava a bola do meio-campo em pontapé de baliza. Depois a bola pingou com frequência na área dos locais. Hulk acabou a figura do jogo e não só pelo golo marcado, porque dinamitou a defesa contrária. Mas foi a entrada de Guarín a dar a estocada subtil nos equilíbrios que, depois Zvunka amontoando jogadores horizontalmente atrás para resguardar o pontito, ainda se verificavam com uma hora de prélio.
A 1ª parte pareceu aquele exercício de futebol estéril do Porto da época passada. Repetido o onze da Supertaça, já sem o vendaval que vergou o Benfica, avultou outra vez que só Moutinho era a única cara nova desta época na equipa titular. Já é normal. Mas o sistema de Jesualdo é um hábito difícil de erradicar, tal como as rotinas dos jogadores. A 2ª parte era mais do mesmo que se via há um ano, depois de 45 minutos perdidos e com dois remates de longe de Hulk, potentes mas fora do alvo, o único que teve um rasgo, levou uma cacetada e deu um amarelo a Rogério.
Mas há mais do que o 4x3x3 e até Varela, destaque na Supertaça, foi o primeiro a sair, apagado. Entrou Guarín e o FC Porto passou a ter alguém capaz de jogar entre a defesa da Naval e os seus médios defensivos, um duo ao centro. A Naval sentiu a espinha ali cravada. Muito arrumada em campo, passou a oscilar face a um novo problema táctico. O meio-campo portista em losango, com Fernando atrás, Moutinho e Belluschi dos lados, este agora sem se sobrepor ao espaço do companheiro, mais disciplinado no sistema em relação ao ano passado; e Guarín na ponta do "diamante" ofensivo. Hulk mais interior e próximo de Falcao. Não tinha havido nem circulação de bola nem pressão alta, como prometido. Nem entrada forte, como precozinado para todos os jogos. Nenhuma jogada resultava além do terceiro passe no terreno contrário. Guarín chegou a soltar Hulk na área, mas o Incrível atirou ao lado. Depois, o colombiano recebeu do brasileiro que fugiu pela esquerda, o tiro saiu alto.
Em pouco mais de 10 minutos, porém, Villas-Boas fez-me lembrar Jesualdo. Segunda substituição com Rodriguez a entrar para a esquerda de onde tinha saído Varela, Belluschi para sair desta vez. Porque não a troca directa uma vez apenas? Mas a "nuance", aqui, foi também decisiva. Já não era para repor o 4x3x3, como se admitia, porque o uruguaio jogou mais por dentro, sem se colar à linha como Varela. O corredor ficou aberto para Álvaro subir na sua mecha inoxidável. Mais rombudo talvez, o losango na largura teve a percussão de Rodriguez, com Moutinho já no lado onde estivera Belluschi. Guarin sempre no vértice superior da organização do meio-campo. Hulk a entrar agora pela direita, Cebola pela esquerda com o infatigável Álvaro. A pressão foi asfixiante, mas o golo, se era esperado, nunca mais aparecia. Só uma carambola e uma insistência de Guarín rendeu o penálti, por mão na bola sem necessidade, mas inequívoca. Hulk marcou e, de novo, fez-me lembrar o que há um ano aqui disse: marca penáltis melhor do que Falcao, como então comentei depois do penálti falhado por este frente ao Sporting e depois de Hulk, antes, ter marcado ao Leixões.
A equipa pressionou, como pressionava há um ano; não se afligiu, como não se afligia há um ano; amontoou ocasiões de golo, como amontoava há um ano nos diabólicos 15 ou 20 minutos finais; faltou a finalização, como faltava há um ano; teve lucidez, como tinha há um ano, pecando apenas em não meter a bola lá dentro e acabar com as dúvidas, premiando o seu esforço. Desta vez teve a sorte de um penálti inequívoco mas, reconheça-se, caído do céu para uma vitória merecida mas muito sofrida.
Transformar empates em vitórias era o que não se conseguia há um ano, amiúde por mera infelicidade, mesmo com a 1ª parte dada sem trabalho ao adversário - como ontem. Continuo a rever mentalmente as incidências da época passada. Os jogadores esforçam-se, mas o adversário foi competente na sua organização e muito solidário colectivamente. AVB teve a sorte que faltou em jogos não ganhos por isto e por aquilo, amiúde por erros dos árbitros com golos inexplicavelmente anulados.
Mas o dom de mexer e mudar mesmo, ainda que com pequenas subtilezas, parece marcar o novo técnico e desenhar uma nova aura. É sempre preciso sorte para ganhar jogos assim, por muito que tenha ganho quem mais mereceu.
Vejo evolução na continuidade, apesar de alguns "fantasmas" de recessão do "período homólogo". E sempre é mais positivo do que o bacoco deslumbramento do PM sobre um crescimento de 0,2% do PIB que voltou a dar-se ao desplante de achar "muito positivo". Ainda assim, com uma pontinha de sorte, que se procura mas nem sempre aparece, num jogo globalmente pouco conseguido e que fatalmente muitos pretenderiam comparar com o anterior em Aveiro, como se os adversários e seus objectivos e capacidades fossem os mesmos entre Benfica e Naval, sendo que os pontos são para conquistar dê por onde der. Por isso expus toda a semana que a "época" começava agora, com um adversário como a Naval, como muitos aparecerão assim, para um campeonato onde perder pontos, como sucedeu com a derrota, imerecida e castigadora, do Sporting na Mata Real, pode marcar atrasos vincados logo a abrir.
Volto a frisar duas coisas, defensivamente: a equipa controla melhor o processo defensivo e está muito bem nas bolas paradas; Maicon não se sente à vontade na esquerda da "zaga" e pode ser esse o problema para aquilo que defini aqui como a incapacidade de ser deciviso no primeiro lance e lento e normalmente vencido na sobra. Aliás, como constatei na tabela Saviola-Cardozo-Saviola que apareceu frente a Helton precisamente pela deficiência do movimento de Maicon. E, decerto, os adversários não andam a dormir.
Ah, o penálti do Porto não o vi no estádio, no lado oposto da área em que eu estava "enfiado". Naquele mesmo local da área, na 1ª parte, caiu um jogador da Naval. Confirmei o penálti para o FC Porto na tv, e verifiquei, apesar da negação de evidência de Bruno Prata na RTPN, que Álvaro não toca no jogador que tropeça em si mesmo e caiu sem falta e assim não há polémica.
Porém, o pivot do programa "Zona Mista" insistiu que o técnico da Naval falou desse penálti. Não é verdade, Zvunka disse ter ficado com dúvidas nos dois lances, também não tinha certeza naquele que seria a favor e ambos ocorreram quase diante do banco da Naval.
Alguns ou vêem a mais o que passam as imagens, como no pretenso toque de Álvaro no jogador da Naval; ou interpretam para além do que são as declarações prestadas no final. Dois erros recorrentes na tv, mesmo com replay e legendas, que atiçam as polémicas amiúde inexistentes como a tempestado no copo sem água a que Queiroz aludiu no seu estapafúrdo processo.
Sobre o processo Queiroz, a sua entrevista ao Expresso e a de Pinto da Costa também, que só ontem à noite pude ler calmamente depois de um dia atarefado, falarei durante a semana.
À parte: Também vou começar a anotar as asneiras grosseiras, como a que ouvi na rádio (RR) de o Sevilha ter ganho a Supertaça ao Barcelona (3-1), quando ainda falta a 2ª mão...

13 agosto 2010

Começa mal, sem respeito



Acho inadmissível que a Liga de futebol vá começar, daqui a duas horas, sem um minuto de silêncio pela tragédia dos fogos e vítimas daí resultantes que enlutam Portugal.

Já tivemos minuto de silêncio no futebol por ocorrências no estrangeiro e por nomes sonantes da modalidade em Portugal, outros nem por isso e que até passaram despercebidos apesar do protocolo dado ao respeito por alguma entidade ou figura representativa que nada dizia nem aos adeptos da bola. Respeitou-se a tragédia da Madeira, mas não é o volume de danos e o número de vítimas que fazem declarar o sagrado minuto de silêncio e partilha de dor que devia unir-nos.
Na semana em que a Liga, pelo seu novo presidente, anuncia que os seus principais quadros serão doravante remunerados e o profissionalismo avança, com resultados a avaliar mais para a frente, Portugal viveu sob fogo permanente a transformar o verde da sua bela mancha florestal no cinzento e negro deixados pelas chamas inclementes que nem vidas pouparam. Mas os novos profissionais não tiveram uma ideia, uma atenção para a realidade dura que se vive e afecta tantos.

Pode fazer-se um ou dois dias de luto e colocar a bandeira a meia-haste pela morte de um cidadão que se destaque e devia fazer-se um minuto de silêncio em nome daqueles que dão algo, sem retribuição ou só um dízimo irrelevante para tanto risco e custo da própria vida. O futebol, pela dimensão mediática condizente com o alcance social e transversal do tecido humano português, é um palco ideal para que estas coisas sejam mais do que simbolismo.

Portugal, no terreno, está de luto. O PR e o PM interrompem as férias para, finalmente, se mostrarem "interessados" pelo que está a acontecer e é dada notícia ao facto, que também é simbólico e pouco acrescenta ao combate aos fogos. Mais vale tarde que nunca. Para a Liga será tarde demais.
Há uns anos cheguei do estrangeiro e vi um cabeçalho de um diário desportivo a negro, pelo luto devido à morte de alguns bombeiros na região de Águeda, creio, naquela semana. Pouco antes eu próprio testemunhei o que é andar a apagar fogos, com o empenho de alguns e o alheamento de muitos mais, mesmo os das redondezas onde ocorria um incêndio a ameaçar casas. Foi ali na Marginal do Douro na zona de Meda, Lomba, Gondomar onde esta semana pereceu queimada uma jovem de Santa Maria da Feira em vias de ser doutora, trabalhando em part-time e com tempo de sobra para dar algo à comunidade tantas vezes alheada das pessoas quando não mesmo dos terrenos vizinhos. Muitos anos depois, vejo ao longe as mesmas falhas, o mesmo alheamento e desinteresse até do cidadão comum, a não ser quando começa a arder o seu próprio palheiro.

Lembramo-nos da santa Bárbara quando troveja e dos bombeiros quando a casa arde e é a nossa. Pelo que conheço da vida, do que vivi de perto e do que sinto dos que me rodeiam, há muito deixei a treta do patriotismo, do dar a vida pela bandeira e dar o coiro pelo bem comum e por gente que desconheço e não me merece cuidado. Sobram os últimos mohicanos quando alastra a indiferença para o seu esforço e dedicação até de quem não teria necessidade de se sacrificar. Por esta gente, dos doutores e engenheiros, nem dou a camisa e espanto-me com aqueles que ainda dão a vida em nome de quem não a respeita.

Esta Liga, sendo o futebol o fenómeno social entranhado no zé tuga, começa de luto, mesmo que os jogadores profissionais nem enverguem sequer os "fumos negros".
Como em tudo, continuamos amadores. Muitos doutores e engenheiros. Mas amadores. E desumanos.
adenda: a talhe de foice, mal acabei de escrever o que me vai na alma, leio isto aqui http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2010/08/anvs-scholae.html, que remete para uma reportagem da TSF sobre o que uns alunos de Valpaços sabem, dizem e sentem sobre o que foi Auschwitz - onde já lá estive, a chorar - que acabam de visitar, parece que num convénio com uma escola polaca. Entre putos e filhos da puta, renovo o meu voto de mandar toda esta gente à merda e não dar um caracol para coisas tão reles. Nem sei como há tipos a pensar que "isto" ainda se assemelha a um país e que só se pode morrer de fome e não de ingorância e vergonha.

12 agosto 2010

As bestas e os bestiais


"Villas-boas quer voltar a mostrar imagem forte", leio no Maisfutebol na antevisão da estreia portista no campeonato em que o técnico voltou a saber falar de futebol sem subterfúgios nem receio de ferir susceptibilidades bacocas como pode acontecer na interpretação dos "29 golos do Benfica na pré-época ou um título?", aqui aludindo, ironicamente, a uma manchete pateta de pasquim da paróquia da Luz.
AVB quer evitar, no FC Porto, oscilar entre o "besta e o bestial", o que nem é nada que qualquer treinador não deseje e não pronuncie. Na banalidade, porém, pode cair-se até sem querer mas ninguém cobrar por isso.
Se se lembrarem, e não é preciso nem memória apurada nem recuperar as manchetes de jornal da "nacional-mesmice", Jorge Jesus garantiu na véspera da Supertaça que o Benfica ia "mostrar qualidade". Após a derrota, inapelável, lamentou ter "jogadores fora de forma".
Se fosse como na Suíça, onde as multas de trânsito são cobradas mediante os sinais de riqueza e a dita fortuna comprovada do infractor, e por isso quem circula a 200 à hora paga aos milhares de euros (ler aquihttp://www.autoportal.iol.pt/noticias/geral/apanhado-a-290-kmh-arrisca-se-a-multa-de-720-mil-euros), Jesus e o Benfica teriam cobrança e pagariam bem alto o facto de prometer ser bestial e acabar feito besta, fora a pancada exasperada em qualquer adversário que mexesse.
Mas não podemos pensar em imitar os "melhores países" como se algum pudesse apurar apenas o positivo dos demais, apesar da patética intenção de eliminar os chumbos nas escolas como se faz na Suécia, Finlândia, e por aí fora, dizem. É uma pena não copiarmos os países democráticos e civilizados mesmo quando ministros mentem, como o das Finanças, têm um diploma sujo, como Sócrates, e à senhora da Educação, para mais escritora de livros infantis, já não chega fazer passar alunos com 7 e 9 negativas... por forma a demiti-los ou esperar que se demitissem. Num país de elevado padrão não enganariam com o SNS "tendencialmente gratuito" nem com a "justa causa" de despedimento na Constituição sem impedir as empresas de procederem a despedimentos colectivos só por "razões atendíveis" que se recusa ver em prática, como alegar "reestruturação" e "por questões de mercado", mesmo em empresas com lucros...
Para melhorar o cenário, Villas-Boas dá uma dica sobre as tácticas, que nem sempre são o melhor do futebol:
"Se calhar há treinadores que optam pela exacerbação do táctico. Eu alertei que a equipa estava motivada e quando a isso se junta a organização que tínhamos seria de esperar algo parecido. A exacerbação contínua do táctico é fruto de quem deseja comentar isso para determinado tipo de promoção. Nós pensamos no táctico, na organização e na motivação. Contra o Benfica a mensagem passou na totalidade».
Como aqui já repeti, há especialistas fantásticos em táctica nas tv's que nunca ganham jogo algum por muito que se esforcem e esta tirada de AVB pode ser-lhes dirigida. Mas não só.
Alguns confrades portistas andaram meses a fio, como já repeti, a malhar em Jesualdo e em garantir, mailos especialistas das tv's, que o plantel não rende em 4x3x3 e o sistema a adoptar seria o 4x4x2. O colega do Bicampeões do Mundo insistiu na tese na véspera da Supertaça. Por sinal, o Pobo do Norte mencionou que a exibição de Aveiro ficou nos antípodas da de Faro para a Taça da Treta.
Há maneiras de ver a coisa e alguma tem de estar certa. Ainda bem que ninguém me acusou, nem quis insultar, por eu ter escrito que a exibição, colectiva, de garra e discernimento, um jogo à Porto, decalcava a de 2 de Maio, do 3-1 ao Benfica para o campeonato. E que, tirando Moutinho, era a equipa de Jesualdo que entrou em campo, apenas com Maicon em vez do castigado Bruno Alves e Sapunaru no lugar de Fucile lesionado.
AVB não quer que o achem já bestial e parece-me bem. Tal como me pareceram exagerados comentários de "banho táctico" quando houve uma diferença de pernas e pulmões. O novo técnico não exaspera as meninges de alguns mais sensíveis face aos "processos" de Jesualdo, mas foi nas antigas "transições" que o FC Porto fez valer a sua força. Além disso, como se queixaram no Reflexão Portista, para uns parece que o FC Porto fez poucos jogos de preparação, mas descansou uma semana antes do primeiro jogo oficial. E, atemorizados com a dinâmica e se calhar os tais "29 golos da pré-época", não quiseram ver como esforçado foi o calendário do Benfica, para mais com um jogo amigável e desaconselhável a 4 dias da Supertaça.
A época, queiram ou não, começa agora. A Supertaça foi um aperitivo, mais saboroso pelo adversário que foi. Dá uma ênfase diferente ao início do campeonato, em que AVB diz pretender "chegar à liderança o mais rápido possível". E com uma eliminatória de permeio para entrar na Europa a sério, há aí 5 jogos em 15 dias que não têm um coeficiente elevado de dificuldade, apesar de 3 deles serem fora do Dragão. Mas são uma rampa de lançamento ideal para uma bela época que se deseja, com o foguete do estímulo da conquista da Supertaça.
Como o novo treinador põe as coisas na devida conta, peso e medida, também não vejo diferenças substanciais para um homem comedido e moderado como era Jesualdo. Há uma questão de sorte, que é apenas uma oportunidade aproveitada. A época passada teve azares em demasia que quem quis comparar, por exemplo, a Taça da Treta com a Supertaça não contabilizou o frango inacreditável de Nuno logo a abrir e o golo defensável a 30 metros antes do intervalo no jogo do Algarve.
E enquanto a semana passa com o treinador a falar apenas de futebol, e da exploração mediática que possa fazer-se disto ou daquilo, a SAD lá respondeu com o silêncio habitual às súplicas dos adeptos para centrar já o fogo na arbitragem.
Como João "Pode vir o João" Ferreira não foi escalado por estar desviado para um jogo da Champions, a par de Pedro Proença que mereceu o título de não ter sido chamado por Vítor Pereira para a 1ª jornada da Liga, lá passou a oportunidade de voltar a falar do malfadado árbitro da famosa escola sadina onde imperou o já desterrado Lucílio Baptista e paira a sombra do célebre Carlos Valente... Mas não perdem pela demora, nem o líder dos árbitros nem o oficial do Exército que resta naquela tropa fandanga, depois do retiro do major que também não merecia os galões de apitar na I Liga.

11 agosto 2010

As súplicas dos portistas e a disponibilidade de Pinto da Costa



Há muito deixei de dar para o peditório, choramingas e patético, de adeptos portistas, com ou sem blogs, para que a SAD reaja, comunique, actue, combata, defenda o clube e tranquilize os adeptos face a tantas porcarias a que se deixa sujeitar o FC Porto. Na bluegosfera continua uma actividade recorrente: ó meu FC Porto, porque não reages?; para quando uma resposta do meu clube?; espero uma reacção célere da SAD do FC Porto; ou a SAD do FC Porto não pode deixar passar em claro o que se passou. E por aí fora, em lamentos e súplicas do género. Nalguns casos bem tentei alertar que estão a chover no molhado. A SAD não os ouve. A SAD não reage. A SAD não combate. A SAD não responde pelos adeptos e estes dizem-se que, assim, não se sentem representados pela clique dirigente do futebol portista. Isto são factos e dispenso-me, porque os envolvidos conhecem esta realidade e a minha intervenção, de enumerar as ocasiões em que tento abrir os olhos a quem espera, paciente e mesmo dolorosamente, que a situação mude.

Ontem, confesso que com surpresa, ouvi Rui Moreira no Trio de Ataque numa súplica do género, pedindo/exigindo uma reacção da SAD ao facto de João "Pode vir o João" e ei-lo em todo o seu esplendor Ferreira, como o cataloguei sem esperar cumplicidade ou duplicidade de crítica da SAD após a Supertaça, ter posto a mão na cara de Álvaro Pereira. Talvez involuntariamente, esquecendo como as súplicas caem em saco roto, Rui Moreira fez um apelo em que denota o seu inconformismo por mais uma actuação aberrante e abjecta do tal árbitro de Setúbal sobejamente conhecido ainda antes da escuta telefónica em que o bronco Vieira se revelou também em todo o seu esplendor de traficante, no mínimo, de influências. Obviamente, terá o silêncio da SAD como resposta, como já hoje se "ouve" e não "houve" (reacção portista).
Sobre a arbitragem do João "Pode vir o João" Ferreira que reapareceu em todo o seu esplendor em Aveiro a beneficiar o Benfica estou certo que ainda esta semana falarei dele. Talvez amanhã mesmo. Para já, o que me motiva é outra coisa e diz bem da incomodidade que isto me provoca e do qual já dei conta da minha total insatisfação como portista e por muito respeito que me mereçam, como merecem, as pessoas dirigentes e quem define a estragégia (o quê?) da Comunicação do FC Porto. Mas não quero, como os outros, chover no molhado e não sigo nem cartilha ideológica e muito menos fico refém de preferências pessoais que me impeçam de criticar o que acho mal, seja quem for envolvido. Da mesma forma, não é qualquer patarata iletrado, vesgo e tonto, nem que veja o FC Porto há mais tempo do que eu, que me limita a capacidade de análise e crítica, porque os repudio como qualquer outro imbecil de outro clube que não aduza motivos e argumente como deve ser.
Pois enquanto se espera que, para lá de uma Labareda invariavelmente pateta e até deslocada e insignificante, ou de uma boca de Pinto da Costa, sem fulgor e raramente com piada, em qualquer festa de casa com fanfarra e foguetes, o FC Porto reaja, aí está o presidente portista totalmente disponível para defender Carlos Queiroz no (subscrevo) "ridículo" processo da treta movido, pela inteligentsia nacional-tuga-de-merda, ao seleccionador nacional.
Não me choca o apoio dado, que me parece normal e até justo. Podia o presidente portista evitar dar "explicações" à maralha dos pés-de-microfone à saída da FPF? Podia e devia. Pinto da Costa expôs-se. Mais uma vez. Indevidamente. Escusadamente. Cumpriria o seu papel e o resto ficaria, como com Figo por exemplo, apenas como "entrou calado e saiu mudo". A qualificação do processo já nem interessa, tão imbecil ele é e chumbado à partida pela mais básica das leis de regulação laboral. O enumerar de exemplos do "discurso do meio futebolístico" nem serve os grunhos das canetas e dos gravadores, que pensam, ainda hoje, viver num mundo de cavalheiros como o que lhes contaram ter existido há 40, 60 e 95 anos no centenário futebol português sempre dividido pelos interesses dos clubes da capital e a intromissão, temida, invejada e repudiada, do FC Porto. Este é o caldo da cultura do futebol tuga e vão para a puta que os pariu que não há volta a dar, nem daqui a mais um século de patifarias, canalhices, merdilhices e pulhices várias em epicentro em Lisboa.
Sem dar resposta aos seus adeptos nas coisas do FC Porto, Pinto da Costa saiu a terreiro defendendo quem muitos em Portugal querem ver pelas costas. Acho sempre honroso e "de homem" defender quem é tão atacado. Mas, politicamente saiu mal. Desportivamente não parece ter calhado melhor e veremos quantos grunhos o Vieira dará a respeito na hora de ir à FPF. Eticamente, pela incursão no vernáculo peculiar que nem é só do futebol mas do português até do mais suave, a coisa soa pior ainda. Numa merda de um processo que só qualifica quem o moveu e desqualifica quem o suporta por forma a despedir o seleccionador, dos manhas aos (Bo)ronhas, passando pelos jaquins e octávios coxos de inteligência ou por deficiência motora, meter-se nisto com estardalhaço é quase replicar uma conversa de putedo em que o presidente portista, infelizmente, não sai incólume pelo passado recente que enlutou o clube. E, puta que pariu, as coisas têm de ser ditas, sendo que, mais uma vez, e por muita liberdade e até libertinagem de linguagem que Pinto da Costa tenha direito inalienável, a forma como se expôs demonstra o descuido do FC Porto com a imagem que o seu presidente deve dar. Uma vez mais, em causa a Comunicação e Imagem do clube.
Para mais quanto está em falta com a devida compensação aos seus adeptos, muitos deles que o idolatram por boas ou más razões.
Sabem que defendo Carlos Queiroz, como defenderia qualquer um sujeito a uma pulhice destas que o atormentam, só pela patifaria que me suscita revolta.
Mas fico estupefacto como Pinto da Costa se expôs, em termos públicos, em defendê-lo. Seguramente teria argumentos mais válidos e verídicos, bem acima do vernáculo que é folclore do mais básico da tugalândia estúpida e vociferante a clamar por ética e responsabilidade quando não reclama por coisas bem mais patrióticas como o destino do próprio cadáver adiado que é este miserável país dominado por corja política e estúpida governança que a idiosincrasia do povo da bola relega para segundo e fatal plano com uma menoridade que diz bem da exigência do eleitor e da intervenção cívica do cidadão comum despido de clubismos.
Só falta mesmo, para completar o ridículo, que se explique como, em Aveiro, Pinto da Costa se sentou ao lado de Vieira, com Madaíl de permeio, uma aproximação que não vi alguém comentar e que, física e literalmente, não tem razão de ser. Nem protocolar. Muito menos para aproveitar-se sequer para a merda da fotografia.
Se não fosse o assunto sério, daria para rir como a reaproximação do saloio Chavez de novo nos braços da querida vizinha Colômbia que há dias pareciam estar em guerra por causa de um acampamento numa franja da floresta da Venezuela. Coisas de selva e de selvagens. Mas para o comportamento animal ou estudo antropológico não perco tempo.
ACT.: amanhã, sábado, sai entrevista aqui http://aeiou.expresso.pt/pinto-da-costa-sem-papas-na-lingua=f598796.
Mas no mesmo Expresso já tem réplica o diálogo da cona ou do putedo http://aeiou.expresso.pt/caso-vagina-a-fraca-defesa-de-carlos-queiroz=f598701

10 agosto 2010

Da primeira vitória de Mourinho a Villas-Boas


Os bacocos cá da paróquia entretêm-se a sugar os significados do que diz Mourinho e a trespassar o que poderá ter dito nas entrelinhas. Só os dementes, invariavelmente derivados dos enlouquecidos pela aura do famoso treinador quando estava e era odiado ao serviço do FC Porto, embarcam em fantasias que permitam sustentar, doentiamente, a antipatia pelos dragões - encíclica religiosamente apregoada em sentidos directos ou indirectos na análise transversal ao fenómeno da bola tuga. Entretanto, como se lhes fizesse bem ao ego, desanuviando a sua pobre cabecinha tão cheia de areia quando o criticavam de dragão ao peito, quem embarca nesta onda pacóvia de mesmice e endeusamento de Mourinho, do que nos rimos ou alarvemente ou com ironia e desprezo desta maioria de invertebrados sempre ziguezagueantes e rastejantes nas coisas da bola, continua a revelar a inelutável pobreza de espírito e incapacidade crítica e de memória.
Alegadamente viram numas declarações de Mourinho sobre Villas-Boas um apoucar das qualidades do novo técnico portista. Admito que possa ter ficado algum malentendido quando Villas-Boas decidiu seguir o seu caminho e abandonar a equipa técnica que Mourinho levou, desde o Dragão, para Chelsea e o Inter de Milão. O próprio Mourinho, a quem ainda não convence esta onda eufórica e de quase unanimidade à sua volta, chegou a dizer estar farto da Imprensa portuguesa, por não lhe querer bem, disse que iam vê-lo à "espera de sangue" (um potencial despedimento em Itália) e disse, também, que lhe era indiferente falar para os media portugueses, reservando para a Imprensa estrangeira as suas "pérolas". Estes são os factos.

A fantasia durou pouco na sua recente entrevista que alguns quiseram ler como marcante ou polémica no Rascord. A verdade é que não disse nada de novo, mais uma vez, aproveitando-se para explorar, comercialmente, a capacidade do Benfica na Champions. Ao dizer que o "Benfica luta pela Champions" tanto pode ser que é candidato na prova máxima europeia, que vai disputar, o que nos faz rir a todos, como impõe o Benfica como candidato, pela Liga portuguesa, a conquistar em 2011-2012 um novo lugar na Champions, como campeão ou como 2º classificado via play-off. A verdade é que Mourinho não explicou, a questão ficou em aberto e abrangente e lá a mesmice nacional achou que Mourinho dava alento às aspirações do treinador do fair-play da treta e dos títulos na Playstation e do presidente bronco da instituição.
Depois percebeu-se um ataque, que seria despropositado se não se lhe colar a dose de inveja que Mourinho, humanamente, tem em corpo, mente e habilidade para carregar, a Villas-Boas, como se este não tivesse lastro para treinar o FC Porto. Ficou no ar a questão de quantos jogos no banco são precisos para alguém treinar o FC Porto. Não bastam já os epítetos da idade e do "comer muita massa", adequados a Jesualdo por exemplo. Não bastam também os clubes onde se treinou, pois Fernando Santos saltou do modesto E. Amadora para "engenheiro do penta" que, com esse rótulo, e só por um título, parece perdurar mais do que os que ganharam dois seguidos, como Robson ou António Oliveira. O próprio Mourinho, helàs, jovem e vindo do modesto Leiria, teve no FC Porto a rampa de lançamento que nem jovens, como Paulo Bento ou estrangeiros como Autuori, nem mais credenciados e respeitados pela antiguidade, de Manuel José a Camacho, tiveram nos clubes rivais, o recreativo e o desportivo, de Lisboa.
Mourinho sabe ser mordaz e é perspicaz, o que lhe vale o domínio dos contactos com a Imprensa em geral. Quanto a atribuir-lhe intenções, tivemos o caso da camisola rasgada e do alegado desejo de ver alguém morrer no Sporting cujo pobre roupeiro teria propagado nos balneários de Alvalade, a que não faltaram os jornalistas do regime para acreditar que sim, tinha dito e tinha rasgado a camisola, como abundaram as primeiras páginas com o castigo a Mourinho pelos factos mas omitiram a sentença de ilibado saída do recurso.
Quiseram atribuir-lhe intenções malévolas no confronto com Villas-Boas e pôs-se a questão de saber quantos jogos teria feito Mourinho antes de chegar ao FC Porto. Não se perguntou quantos fez antes de chegar ao Benfica, o seu primeiro clube em Portugal depois de anos como adjunto de Robson nas Antas e no Barcelona e mais um tirocínio longo com van Gaal no Camp Nou. Não procuro a retaliação a que muitos confrades portistas chegaram de vituperar o que Mourinho disse sobre Villas-Boas nas entrelinhas, nem sei se a Imprensa explorou a carga de jogos na carreira de cada um até chegarem ao FC Porto. O FC Porto, note-se, sempre no topo da discussão, porque é a referência nacional que todos procuram sem excepção e a que não negam quando podem rejeitando outras ofertas. Nem Jesus o negaria três vezes, não fosse o compromisso com Vieira para mudar-se de Braga para a Luz, ao que contam.
Villas-Boas, estranhamente, parecia no centro das preocupações de Mourinho, pela interpretação dada às suas palavras e um desconforto reforçado pela constatação de, afinal, ter feito praticamente os mesmos jogos (30-29) que Mourinho fez antes de trabalhar no FC Porto como técnico principal. Veio ainda a terreiro a questão do clone que o novo treinador do FC Porto diz já ter desmistificado antes de chegar ao Dragão, quando começou a trabalhar na Académica em Novembro passado.
Temos, entretanto, Villas-Boas como vencedor da Supertaça e logo ante o Benfica, o terceiro treinador mais jovem a vencer um troféu, antecedido por um da Académica em 1939 e Oliveira então treinador-jogador no Sporting em 1982. De resto, o treinador portista, sócio de há longos anos, demarcou-se quer do currículo anterior necessário para chegar ao FC Porto, comparado com Mourinho, desvalorizando os números e ridicularizando a questão ao ponto de presumir ser mais do que apenas um jogo de diferença, quer até, como frisou, em termos de carácter. Ele é diferente de Mourinho. Todos somos diferentes uns dos outros e Villas-Boas tem pautado as suas aparições e declarações públicas, no palco mediático, por grande frontalidade, verdade e à-vontade, sem crispação, que parece um sénior!
Villas-Boas ganhou o seu primeiro jogo em Portugal num Académica-Portimonense (2-1) para a Taça de Portugal, a sua estreia. Se a querela pretensamente aberta por Mourinho, como a quiseram explorar incluindo alguns adeptos portistas mais reactivos do que cerebrais e estudiosos, podia estender-se a este ponto, poderemos lembrar que a estreia de Mourinho em Portugal foi uma derrota no Bessa, com um golo de calcanhar logo aos 2' que ditou a derrota do Benfica. Um título de jornal, a decalcar a conversa dos clones muito antes do tempo actual de se falar deles, falava até da sebenta de Mourinho vir de... van Gaal.

A primeira vitória de Mourinho em Portugal foi num Benfica-Belenenses. E que jogo. Na minha lista, já publicada aqui, dos maiores roubos, o 3º, de arbitragem no campeonato nacional e a um nível de exposição pública garantida para todos os clubes pelas transmissões televisivas aí desde 1990, com benefício escabroso para o Benfica. Foi 1-0, Isidoro Rodrigues, bonacheirão de Viseu, a trucidar o Belenenses em todos os capítulos: negando-lhe um golo (Enke chutou contra um adversário e a bola entrou na sua baliza sem falta), validando um do Benfica (Marchena, de livre indirecto por alegado atraso de bola ao g.r. que na outra área negou ao Belenenses) e umas tantas tropelias (penálti transformado em livre fora da área contra o Benfica) que os estudiosos do "sistema" proclamado à boca cheia fazem por esquecer. Mas foi mesmo assim, a 15/10/2000, tinha o Benfica empatado 2-2 com o Braga na Luz após a derrota no Bessa seguida à demissão de Heynckes.

Ainda de Mourinho li um título que os bacocos, os desmiolados, os pategos acham ser novidade ou notável, elogiando a capacidade de trabalho de Cristiano Ronaldo e em que este treinaria à altura do estatuto de estrela que tem, quando poderia supor-se o contrário. Exactamente o mesmo, quase nas mesmas palavras, e não há muito mais de dois anos, disse de Cristiano Ronaldo, por ocasião do seu "World Player of the Year" em 2008, o treinador Carlos Queiroz que com ele trabalhava no M. United e certificava a validade do trabalho individual do jogador português da moda.
Mas no país da mesmice, da igualdade, do pensamento único, dos lugares-comuns salvo se não for um predestinado a dizê-los, é assim mesmo. Porque a Imprensa do regime e a verdade que querem oficial e exclusiva acha que deve comunicar assim com o povo ignaro que se limita a ler os títulos dos jornais no corre-corre dos telejornais que contam tudo e não informam nada.

09 agosto 2010

...ah, foram dois, mas comemorei com um do tipo verdinho e até prestava!



No afã de deixar o essencial após o jogo, num netcafé por aí, não tive tempo de partilhar convosco a forma de festejar da Supertaça. Mesmo com champanhe sempre no frigorífico, já tinha um deste tipo a refrescar há uma semana e no sábado dei-lhe logo.
Não é uma ironia à quase ausência de grandes reportagens televisivas no dia seguinte à conquista da Supertaça. Há muitos incêndios, infelizmente, que me mereceram alguns posts há dias, por controlo remoto, sem deixar de associar-lhes as coisas da bola. . Também há o costume que faz os chouriços dos telejornais de uma hora e tal: as inundações na Indonésia, um vulcão no Chipre, um recorde do Guiness na Colômbia, a seca na Austrália e um ministro dos fogos que diz haver gente e meios técnicos para ser desmentido por uma manchete no dia seguinte a apontar menos 7000 bombeiros e dois dias depois a termos de pedir meios aéreos a Espanha para combate aos incêndios...

Há milhões de artigos que não foram vendidos e capas de jornais que, hoje segunda-feira, à excepção de O Jogo, deixaram de falar do pomposo primeiro troféu oficial da época, com parangonas de mais um grande projecto a caminho.
Mas eu comemorei com um melão, dos de cor verde, fresquinho, madurinho e à saúde dos muitos melões que bem nos refrescam nestes dias de canícula onde, de facto, nem tudo são brisas favoráveis. Cabe-me levar, agora, depois de ter mandado à merda muita gente que aqui quis ser engraçado mais do que o dono da loja, com um dragon fan que percebe mal português e treslê as críticas que se fazem ao FC Porto, enquanto esperava a resposta do vermelhusco que prenunciava "um clube em depressão no dia7" e que "menos de três é derrota".
Como sempre, escolhemos o melhor e o resto deixamos aos animais que também são seres de Deus e merecem a comiseração humana que a Imprensa do regime tem para apagar da memória tão ingrata noite para a saúde de tantos melões e as tiragens previstas de 150 mil prò galheiro.


07 agosto 2010

Meireles com minutos em mais um bom treino

Os números podem ser iguais, mas o 2-0 de há um ano pareceu-me mais difícil, no sentido de ter sido complicado desmontar a teia pacense e só um erro de Cássio permitiu, com uma hora de jogo, Farías marcar e Bruno Alves só sossegou no último minuto.
Agora percebo e concebo que Villas-Boas, indiferente aos números, aos figurões e às bocas que só ficam a ver a caravana vitoriosa passar, tinha mesmo vontade de dar minutos aos jogadores, até Meireles teve, finalmente, a sua oportunidade e lá somou mais um título, disse o técnico não por acaso. A estratégia seguida no Torneio de Paris, afinal, era mesmo certa e para prosseguir, há que preparar toda uma longa época e contar com todos os atletas, mais os que estão para vir, um central e um avançado-centro.
Não fosse o FC Porto, desde a dispensa de Bosingwa na final do Jamor em 2008 por causa de ir para o Chelsea, além do Bruno Alves tão poupadinho recentemente, pôr, sumária e preventivamente, de lado os jogadores vendidos ou a vender para me fazer crer que Meireles não é para sair. Pareceu-me que andou ali a despedir-se de vários colegas no final e o àparte do técnico por "mais um título" pressupõe que deve partir em breve, com uma premonitória rendição por João Moutinho a meio do jogo. É um dado importante para o futuro, ainda que sem podermos tirar conclusão total do que há-de vir.
Falcao molhou a sopa como não o deixaram fazer a 2 de Maio, graças àquela abencerragem que se envergonhou e deixou de apitar no único acto de coragem e comiseração humana pela suaprópria alma penada, mostrando o que é um goleador que não usa os cotovelos.
Para o futuro tivemos um treino intenso, onde não foi possível fazer mais substituições e com o tridente centro-campista do FC Porto só superado pela superioridade numérica dos pitons do Carlos Martins nas pernas de vários portistas. A equipa revelou conhecer-se a si própria, creio que desde 2 de Maio quando impôs, mesmo com 10 jogadores, o 3-1 ao futuro campeão da APAF que voltou a mostrar precisar de mais do que um João Pode vir o João e aí está ele em todo o esplendor Ferreira. Os automatismos do campeão da APAF não estão sintonizados com o melhor apito e o FC Porto dominou totalmente a partida, num jogo posicional irrepreensível e um pressing forte e tão evidente que pôs o árbitro a marcar faltas contra o FC Porto mesmo quando Hulk e Cª eram trucidados por David Luiz y sus muchachos.
Além do jogo colectivo de forte personalidade, entendimento e complementaridade, o FC Porto não deve gabar-se de mais nada, porque a própria Supertaça é uma formalidade que já não espanta e talvez por isso começou cedo a festejar. Ganhar a Supertaça não é vencer o campeonato e perdê-la também nunca significou não ganhar o campeonato, pelo que este foi o último jogo de pré-época, bem sucedido, conceda-se, face a vitórias que se esperam nada mais nada menos que na Taça da Liga, o próximo troféu em vista e talvez longe do Algarve onde o taberneiro gostava de montar a tenda para receber medalhas dos locais agradecidos, além da Taça de Portugal, da Liga Europa e do campeonato nacional.
O técnico portista praticamente copiou o modelo Jesualdo, os mesmos jogadores entre os quais bem se inseriu Moutinho, num papel pouco visível mas muito importante a cortar jogo, a tapar buracos e a fazer faltas para mostrar como é a alguns mais anjinhos... Deve dar-se um desconto por ganhar aos basófias do fair-play da treta, porque o mais difícil vem aí e há sempre um Xistra para a 1ª jornada, precisamente como há um ano... Tal como João pode vir o João e ei-lo em todo o esplendor Ferreira aparece não por acaso, também Hulk e Sapunaru estão à mercê de qualquer coisa num túnel macabro com os paladinos da verdade desportiva à espreita mas não para pedir vermelhos e sumaríssimos a vários jogadores encarnados porque o País está em crise, o sacana do Sócrates continua tão incólume como os mafiosos campeões da APAF e importa defender o regime como faz, despudoramente, o PGR, a sua adjunta do DCIAP, a Mizé Zorro desfeiteada do Pífio Dourado e a Justiça em geral que encobre os fortes.
Da 1ª vitória importante do Villas-Boas ainda falarei por estes dias, porque uma 1ª vitória importante é sempre uma 1ª vitória importante e nem todos a conseguem assim importante, verdadeira, nítida e sem APAF pelo meio a não ser para proteger os sarrafeiros do costume mais expostos por não haver já Bruno Alves para culpar e comparar.
Um basófias qualquer que a meio da semana prometia que fazia e acontecia ("menos de 3 é derrota", "depois aparece a comentar" e "no dia 7 haverá mais um clube em depressão") é agora esperado para saber da sua visão desta coisa esquisita que nem sempre sai como planeado e dirigido, o que perturba quem está em campo à espera de benesses, quermesses e mais salamaleques dos panfletários e pantomineiros do costume, louvaminheiros excelentes e excedentes que se põe, ouvi fugazmente na rádio, a fazer contas à equipa mais cara de sempre, cálculos esquecidos nas vendas a patacos que ninguém quis explorar.

Fair-play, uma treta

O FC Porto superou bem a superioridade numérica do Benfica a meio-campo, onde os pitons do Carlos Martins por si só superavam todos os "números" e, mais uma vez, escapou sem expulsão, nem sei se levou algum amarelo porque vi tudo azul e branco.
Vários jogadores portistas no chão, e sem ser por "número" como já vimos fazer os benfiquistas até na Luz, mas nada de parar o jogo.
Cardozo também mostrou os seus dotes de cotovelo e Sapunaru voltou a sentir o que é a agressividade encarnada.
Caimar levou um amarelo incomum mas Caientrão fez a sua vez a simular penáltis.
César Peixoto também mostrou os mesmos dotes curriculares da agremiação, com dentes das botas na perna de Varela e uma pisadela continuada no outro pé do portista, que isto de hábitos não se perdem com facilidade.
Vá, escusam de pedir contas ao Bosta da Liga que não tem nada a ver com isto, o Rui Prantos não vai pedir sumaríssimo nem para distrair o CD da FPF que tem em mãos o processo da horta de Queiroz que tanto perturba o rapaz de caracóis, gravatas e óculos opacos...
Jesus masca chiclete com a mesma facilidade com que não cumprimenta o treinador adversário no final, deve ter perdido os dedos para mostrar alguma firmeza de carácter.
Para não variar, uma carga da Polícia na escumalha vermelha.
Falta o relato do resto da noite, que o relato da tv não pediu expulsão nenhuma no encontro porque Bruno Alves não estava em campo mas sem deixar de... deixar expostos quem são os feios, porcos e maus...