Não houve (podia haver?) primeira vítória em Inglaterra, ao invés a goleada do costume assente nos princípios básicos do jogo e há ali jogadores do FC Porto que já passaram por todas dos últimos anos: dos 4 do Arsenal e do Liverpool aos 5 também do Arsenal e até 3 do Chelsea. Lucho esteve em quase todas, Rolando e Hulk também, mais Helton e Fernando, mas nem há passe de jeito nem remate que se veja. O FC Porto chegou a parecer perder a eliminatória por poucos com o M. City, mas o futebol pode ser cruel a expor fragilidades portistas numa conjuntura que a "estrutura" não defendeu.
Já na época passada, especialmente com os adversários mais fortes como Sevilha, CSKA Moscovo e Villarreal, mas também com o Besiktas na fase de grupos, apontei aqui várias vezes que faltava poder de choque ao FC Porto. Sabemos como a Liga Europa foi ganha, quando Guarín emergiu com a sua força e alguns golos preciosos (2-1 em Sevilha e 1-0 em Moscovo). Havia Falcao para o resto e os 18 golos recorde numa época europeia.
Ora, ao ver como Aguero marca nos dois jogos com o M. City, depois de quatro jogos sem cheirar o golo pelo Atl. Madrid frente ao FC Porto em dois anos, somando ainda Dzeko e até Pizarro, parece que o FC Porto foi afundado pelos pontas-de-lança contrários. Onde já vimos isto? Na Champions, claro, onde a falta de um ponta-de-lança de jeito aqui recalquei em todas as jornadas da fase de grupos.
Hoje, na chuvosa Manchester, nem força nem remate. Do lado do City, força para ganhar todas as divididas, tal como Dragão, e remate para marcar as oportunidades criadas. O futebol é relativamente simples quando os jogadores passam a bola, os colegas recebem a bola em condições de prosseguir a jogada (não perder a bola na pior das hipóteses) e alguém sabe chutar.
O FC Porto não fez um remate de jeito, apesar de muita posse e pouca profundidade. Qualquer portista a receber a bola de costas para a baliza, mesmo a 40 metros dela, da baliza, tinha um adversário em cima. E com nenhum adversário em cima qualquer portista se desenvecilhou. Na melhor das hipóteses, ganhava uma falta, porque quando eles sabem que vão perder a jogada não hesitam e parar o homem, que se lixe a bola. Ora, tanta matreirice, vista já no Dragão, contra tanta ingenuidade chegou e sobrou ao City para controlar o jogo, a bola, os adversários, num jogo posicional zonal que tapou os caminhos da sua baliza. Contra isso, sem ponta-de-lança e Hulk a cair para um flanco onde James continua sem dar conta do recado, o FC Porto não tinha poder de fogo, depois de lhe faltar o de choque e, claro, o remate.
Que melhor, enésima lição disto tudo do que o avolumar do resultado perto do fim?
Pois, é ver que, tal como faltou Falcao e Kléber é já considerado perdido em combate sem fazer mossa no inimigo, entrámos repescados para defender um troféu com um ponta-de-lança que... não podia jogar. Depois, os outros metem Dzeko e Pizarro, médio-ofensivo que também já marcou ao FC Porto pelo Inter.
Em resumo, tínhamos o pior ponta-de-lança do grupo da Champions, na Liga Europa vemos os outros apresentarem Balotellli, Aguero, Dzeko. São muitos, mas basta jogar um à vez.. Porque há um Yaya Touré - como destaquei desde o sorteio - box-to-box como não temos e vai faltar ao próximo jogo - é a grande vantagem do próximo adversário do City. Enfim, só mais uma brincadeira a somar a todo o ridículo da situação de uma equipa querer e não poder.
Do FC Porto, Otamendi esteve tão desastroso que também, no meio de tantos azares portistas desde a 1ª mão (e o próprio sorteio), levou um pontapé de um colega. Moutinho e Fernando falharam muito nos passes que contam, James é inócuo, de Alex Sandro continuo sem ver algo que possa ser avaliado em 10ME. Só o saber estar e saber jogar de Lucho é insuficiente e a explosão de Hulk, aquele mais temido e que fez tremer a defesa inglesa, escaparam ao desastre. Helton não fez uma defesa e isso diz tudo da eficácia do adversário, que teve ainda uma bola na barra por Aguero.
