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27 junho 2012

Espanha ganha onde Paulo Bento falha

Portugal saiu de frente da Espanha, com naturalidade, eliminado por penáltis que nos trouxe à vulgaridade de analisar o desfecho, justo, pela fatídica bola no poste e a caprichosa que entrou. Já tínhamos visto o argumento naquele cruzamento de Nani frente à Alemanha que quase dava golo fortuito mas todos consideraram um motivo de azar para "aparar" uma derrota também natural.

A Selecção teve um bom comportamento global, conseguindo passar um grupo difícil e apanhar não só um adversário acessível e vantagem até no calendário com tempo de descanso. Não aconteceu nada de extraordinário, apesar de nos porem de aviso para a necessidade de fugir da realidade mediática que nos devolveu à mediocridade noticiosa, agora travestida de patrioteirismo, de uma campanha normal da bola indígena. Como no campeonato e as épocas penosamente idiotas que nos servem nos pasquins e nas pantalhas.

Temos azar, porvenura, de não apanhar mais a Inglaterra para ganharmos nos penáltis só com mérito e não por sorte, e continuamos sozinhos no mundo, porque tal nunca aconteceu com nenhuma equipa, a lamentar o sortilégio dos penáltis especialmente se o poste tem alguma coisa a ver com isso.

A verdade é que ajuda à parvoíce portugalória e desvia a atenção para as asneiras do treinador às quais, ao contrário dos jogos anteriores, os jogadores não puderam reagir mais e melhor. A morfologia do jogo de Paulo Bento tinha mesmo que bater no poste, esgotando-se em substituições de cardápio e nunca de vencedor. Pela enésima vez, lá entrou Nélson Oliveira e, vejam só, por troca com Hugo Almeida, uma substituição fatal, dois anos depois, mas que, desta vez, sabe-se lá porquê, não levou Cristiano a gritar para o banco: "Assim não ganhamos, Paulo".

Nélson Oliveira nunca contribuiu com nada em qualquer das vezes que entrou. Infelizmente, as críticas sussurradas, para não causar um levantamento popular com os pés de microfone agitados com as repercussões que alguma observação mais crítica a beliscar o bom ambiente, não chegaram para a Selecção actuar de raiva. Porque para Paulo Bento estava vedado algum desvio ao rumo pequenino traçado para esta caminhada. Nada de meter Varela, que nos tirou da fase de grupos com um golo providencial - e muito feliz! - à Dinamarca, para lançar Cristiano no meio. No Mundial, para desequilibrar a Espanha, Queiroz tirou Hugo Almeida - pelo cansaço que os pategos da SIC atribuíram agora ao jogador - para lançar Danny e aproveitar a sua velocidade. Cristiano não pensou assim em 2010 e quedou-se mudo e sem jogar muito desta feita, enquanto a Selecção se afundava.

Os parolos das diversas tv's viram Portugal até a "vulgarizar" (sic) a Espanha, que teve menos dois dias de descanso, sendo que só uma equipa existiu no prolongamento e apenas por milagre, que Patrício ainda prolongou na primeira defesa, chegamos aos penáltis com a ordem de ideias de novo assumida que fez Bruno Alves quase marcar um penáltifora da ordem e porventura ser expulso com um segundo amarelo...

O nacional-parolismo julgou ver um jogo tremendo de Portugal a criar apenas uma oportunidade mínima aos 90', que um pascácio disse que foi quase em "cima da baliza" (sic) e Cristiano chutou apenas do limite da área.

O jogo retraído de Paulo Bento, mais a substituição clássica que nada muda e até estraga, não aproveitou o cansaço espanhol e, até, o devaneio de del Bosque com Negredo a ponta para desprezo de Torres, assim como Paulo Bento meter Nélson Oliveira em vez de Hugo Almeida ou este ainda preterido por Postiga. Del Bosque acabou sem ponta-de-lança enquanto Paulo Bento não sabia usar os seus. Lá entrou Fàbregas, saindo Xavi para Iniesta jogar ao meio e Pedro abrir a esquerda como Navas fazia à direita. A Espanha ganhou nas substituições e Fàbregas até marcou o penálti decisivo - comparem com as decisões absurdas de Paulo Bento!

O medíocre treinador português, sem gerir também o seu onze para chegar mais fresco e constatarmos não aguentar o prolongamento atirando Varela para esticar um jogo que Paulo Bento não soube gerir a não ser na sua pequenina visão de merceeiro, nem sequer meteu jogadores - já que pensava chegar aos penáltis e sair em glória por não perder, como sempre jogando como nunca - para marcar penáltis.

O ridículo do pensamento de Paulo Bento teve a dessintonia de Bruno Alves a sair para um penálti que não lhe competia, depois de pôr Moutinho a marcar quando tanto falhou no Sporting treinado por Paulo Bento e ainda no FC Porto!, deixando Cristiano para o fim sob o risco de nem chegar, como não chegou, a bater o seu, terminando sem honra nem glória a aspiração a ser melhor do que Messi no final do ano.

Se Paulo Bento usou a analogia das críticas iniciais não servirem para espicaçar a Selecção pois caso contrário não seria preciso treinador, bastava alguém dizer mal e tudo corria bem, na véspera do jogo, a contabilização de bolas nos postes em jogos passados que nada resolviam agora e até a tal bola na barra que não entrou e a que bateu num poste e entrou diz bem da mentalidade pobrezinha do seleccionador que há. De resto, a parolice das perguntas no final, com a tese de superioridade sobre a Espanha que mais cansada durou e jogou mais, até à do "campo inclinado" que aquela patetinha da TVI colocou, ajudou a missa cantada para congregar à chegada. Tudo com honra, claro, muito orgulho e por aí fora.

Amanhã jogam Alemanha e Itália, a Alemanha ganha e será campeã na final de Platini, tem contundência e intensidade que já faltam à Espanha. Estou muito crente nisso, tal como certo de que, seja como for, a Itália não se queixará da falta de sorte, de ter lutado e mostrado brio, de estar orgulhosa do que fez. De resto, a Alemanha fará o mesmo se perder.

Só Portugal tem de ter este discurso medíocre, picuinhas e de derrotado crónico quando em campo não pôde fazer mais. Porque faltou Nani, em queda desde os 1/4 final, e assim Cristiano não teve como brilhar. O trio dianteiro voltou a jogar sozinho, sem apoio, isto se descontarmos como Hugo Almeida tanto ajudou a defender. Sim, era para jogar para o empate e pedir a sorte nos penáltis, mas futebol tão avarento e pobre normalmente tem este destino. Paulo Bento é um perdedor, por muitas bolas nos postes que contabilize.  O futebolzinho da treta precisa de mais rasgo que Paulo Bento não tem, por muita água benta que insistam em aspergir e fazer confiar um povo ignaro, católico mas, já e sabe, não praticante. Sem moral.