
Tal como com a Alemanha, a entrada de Varela foi determinante para mudar o rosto e a expressão do ataque de Portugal. Desta vez, além de uma arbitragem sumamente simpática que ajudou ao 1-0 num canto inexistente (do qual ninguém vai reclamar...), não pode haver queixas da sorte. Até a "rosca" de Varela, falhando o remate de primeira com o esquerdo, serviu para, à segunda, marcar o 3-2 quando mais nada espevitaria a equipa a não ser a colocação de Varela, de novo entre cair para um flanco e entrar ao meio onde com os alemães quase empatava e desta vez logrou a vitória.
Quem diria que o FC Porto pode vir a ter mais um homem apetecido no mercado com a marca que está a deixar neste Europeu?
Futebolisticamente, a equipa portuguesa está abaixo do nível elevado que se tem observado no Europeu. Uma vez mais, a teimosia de Paulo Bento impede de ver o óbvio: os médios não chegam à área e o potencial de ataque perde-se na maior parte do tempo. Raul Meireles dá experiência mas pouco jogo à equipa. Mesmo com 2-2, foi Pepe a fazer uma subida ao lado contrário e no ataque só apareciam Cristiano à esquerda, Nélson no meio e Nani à direita. Médios nem vê-los e foi sem médios que Portugal chegou a 2-0. Continua a ser sem médios de chegada à área que Portugal não faz jogo e esta partida confirmou, apenas, as debilidades da estreia e de toda a qualificação, aliás. Quase sempre o ataque é do trio da frente e pouco mais. Ao invés, a Dinamarca jogou mais de trás para a frente, em progressão, do que Portugal, com uma consistência de jogo a que o resultado não faz justiça e com jogadas muito bem elaboradas, amiúde basculando a defesa portuguesa com jogo em largura e em profundidade sem bolas longas, criando sempre muito perigo pela direita e retirando hipóteses a Coentrão para subir. João Pereira continua muito fixo atrás e não há "desdobramento" pela direita, o que obriga Nani a recuar em demasia mas, também, a mostrar-se mais e a jogar mais para o colectivo do que Cristiano (mais uma preguiça defensiva evidente no 2-2 - e levou as mãos à cabeça).
A vitória, feliz e imprevista, vai esconder as deficiências de construção e a tracção atrás que marca o jogo pausado da equipa. Era o que faltava se com a Dinamarca não houvesse mais posse (até houve com a Alemanha) numa partida que foi equilibrada e bem jogada de parte a parte porque houve espaço. Mas vi sempre a Dinamarca colectivamente mais organizada, ainda que sem a capacidade de desequilibrar nas alas. E mesmo com 2-0 nunca senti Portugal e o resultado seguros, não me espantando que o 2-2 tenha chegado com justiça. Embora, hoje, amanhã e até domingo, ninguém vá discutir essa bitola tão subjectiva mas que a mim deixa ver o copo apenas meio vazio e não meio cheio. Tal como a sortinha no resultado fique de lado, bem como a falha de Cristiano para 3-1, isolado (no limite de fora-de-jogo, que passou bem mas sem a mesma acuidade no ataque dinamarquês...) que, também aqui, o resultado vai esconder como não escondeu a de Varela para 1-1 no sábado passado...
Os bipolares, em vez de perceberem bem as necessidades da equipa e as limitações que este onze enferma, vão glosar e aliviar-se um pouco e ainda sem sabermos do resultado da Holanda. Business as usual que já vem dos basbaques que viram maravilhas na qualificação sem alguma vez a qualidade de jogo ter sobressaído.
Basta a vitória, como pugnava Paulo Bento, para serenar as hostes. Não acredito muito, ao contrário da equipa que parece só ter esse registo de jogo e as substituições já programadas que a retiram do sonambolismo. Nani esteve muito bem, Varela voltou a ser o homem decisivo na aragem que deu ao futebol português e Cristiano confirma mais uma má fase final: não fechou o flanco no 2-2 (o cruzamento desta vez foi sem ressalto para nos queixarmos) e falhou o 3-1. De resto, pouco para tanta fartura. E uma arbitragem porreira, insisto.
Falta ver o Alemanha-Holanda, mas se os alemães precisarem do resultado com a Dinamarca vão ter muitos problemas porque os nórdicos são muito sólidos apesar das quebras musculares de Zimling e Rommedhal (outra forma desafortunada de ver a partida mas que também escapará a uma análise mais fria e racional).
Ooops! Hoje os resultados ajudaram Portugal: 2-1 para a Alemanha, numa das suas mais fáceis vitórias sobre a Holanda de que tenho memória desde 1974! A Holanda ainda pode qualificar-se (precisa 2-0 com Portugal e que a Dinamarca perca), mas esta selecção perdeu a alma e tem uma defesa (e g.r.) horrível: a Alemanha acabou os 8 minutos a jogar sobre a direita onde Willems anda de fraldas (e na direita outro puto, van der Wiel, não justifica alguma fama que já tem). Deve é ter sido o fim para, pelo menos, van Bommel; e talvez Robben. Muito maus e que época horrível para o esquerdino!
Ooops! Hoje os resultados ajudaram Portugal: 2-1 para a Alemanha, numa das suas mais fáceis vitórias sobre a Holanda de que tenho memória desde 1974! A Holanda ainda pode qualificar-se (precisa 2-0 com Portugal e que a Dinamarca perca), mas esta selecção perdeu a alma e tem uma defesa (e g.r.) horrível: a Alemanha acabou os 8 minutos a jogar sobre a direita onde Willems anda de fraldas (e na direita outro puto, van der Wiel, não justifica alguma fama que já tem). Deve é ter sido o fim para, pelo menos, van Bommel; e talvez Robben. Muito maus e que época horrível para o esquerdino!