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10 março 2012

Parar é morrer

Em três velocidades, devagar, devagarinho e parado, o FC Porto conseguiu resgatar um pontito num penálti no último minuto, por Hulk, evitando outra humilhante derrota com a Académica e pelo menos desta vez não perdendo 40 anos sem perder com os estudantes em casa...

Desta vez, Hulk, Álvaro, Moutinho, Lucho e James, o James que muitos pedem para entrar de início, não estiveram bem. Não recuperaram do esforço da Luz? Pensaram ganhar sem correr? Que a Académica ia facilitar depois de 0-0 com o Benfica a jogar em casa à defesa? Que o árbitro ia "ajudar"?

No que tocava ao FC Porto fazer, confirmou-se: nada foi feito. No restante, cada qual fez a sua parte, a Académica defendeu e actuou apenas nas zonas de pressão na linha do meio-campo. Limitou-se a jogar do fundo do court contra quem não tinha profundidade. Daí um jogo sensaborão e sem ocasiões de golo. À parte um lance que Janko falhou na cara do g.r. mas em fora-de-jogo, porém confirmando que falha demasiado para aquilo que marca - e repetiria de cabeça para as mãos de Peiser após o intervalo...

Deixo a pergunta colocado na resposta a um comentário no início da semana? É possível ser campeão sem um ponta-de-lança de jeito?

Com o FC Porto manietado e a sofrer um golo numa insistência e cruzamento lateral para um raro remate à baliza de Helton, nada pior do que a lesão de Fernando, acidental mas originada por um central academista ter disputado a bola com o brasileiro na linha do meio-campo. Defour nada acrescentou, tal como Sapunaru nada acrescenta e, neste caso, ainda bem que se lesionou (entrou Djalma). Depois saiu Rolando, amarelado numa falta inexistente. Kléber foi mais um para o monte. O FC Porto jogou ao monte no ataque, sem extremos para ladear a montanha de jogadores na área da Académica.

Mas à falta de médios - já se adivinhava que iam faltar médios, depois da sangria -, só dava para meter outro meco na área. Raros momentos de discernimento. Pouca capacidade de remate e sem nunca fugir à pressão defensiva dos forasteiros.

Negado um golo quase feito, por fora-de-jogo inexistente de Hulk e com Janko ao lado e os dois contra o g.r., sobre o intervalo, o árbitro roliço transformou ainda um penálti sobre Hulk num amarelo que afasta o Incrível do jogo de 6ª feira.

A agonia tornou-se de tal ordem que a Académica não rematou na 2ª parte e limitou-se a controlar os danos, originando os seus com paragens constantes, lesões a potes e adiando o que parecia incontornável: o golo portista. Surgiu por acaso, num penálti indiscutível, com bola no monte e uma mão na bola (segundo amarelo e expulsão). Não se jogou futebol nos últimos 15' mas isto é uma maravilha para os resultadistas.

Quando se pedia um arranque decisivo do FC Porto para atacar o título, um solavanco na recta final era o que menos se esperava. O FC Porto parou e quase morreu. Assim, dando alento aos adversários directos, é mesmo para jogar até ao fim, agora há três jogos seguidos fora, o próximo sem Hulk, talvez sem Fernando e de caminho tem de jogar o Paulinho Santos, com o Semedo de prevenção.

Era preciso outro aviso de que isto não está fácil? A equipa estaria tão segura de si sobre a "responsabilidade" (inevitabilidade?) de as camisolas ganharem jogos?

Uff, livrámo-nos de perder duas vezes seguidas com a Académica... Ao menos prevalecem os 40 anos sem derrota em casa... E viva o velho!