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29 janeiro 2012

Atiraram a toalha

ACT.: Vi as imagens há pouco e, de facto, há dois penáltis por marcar para o FC Porto e é curioso que Bruno Paixão tenha marcado a mão/braço de Otamendi, encostados ao corpo, e não tenha visto a mão/braço de um gilista na cara de Defour. Mas de Bruno Paixão, que numa Supertaça em Leiria também não viu uma mão de Tonel esticada para a bola, espera-se tudo. Há dois anos também obrigou o FC Porto a despedir-se do título, com um penálti monstruoso negado a R. Micael no Leixões-Porto (0-0). Para quem já viu tudo desse tipo, nada surpreende. Mas no FC Porto nunca se aprende nem ensina. Calar, como venho dizendo, é comer disto. Faltam 21 dias para celebrar o jogo de Campo Maior e tudo vem a calhar.

Na semana em que a SAD deu mais um passo no caminho do seu total descrédito, completamente atarantada no mercado de "reparação" em que só se reparou a sua inoperância e completa ausência de ideias e alternativas, risível na busca de um ponta-de-lança e sujeita a vexames brasileiros que expõem o ridículo de toda a época em que se afunda a equipa, parece nem estranhar-se que também no campo o FC Porto tenha atirado a toalha ao chão.
Não vi o jogo, ou só vi a partir do momento do 3-0 muito bem conseguido por André Cunha, mas do que vi a apatia pareceu-me geral e a incapacidade colectiva gritante. Ou não lembraram àquela malta que ainda havia um 56º jogo para ganhar, ou pelo menos não perder, mas até as coisas mais acessíveis escapam a quem não tem noção do que anda a fazer, dos gabinetes ao relvado.
Por isso do jogo posso dizer pouco, quase nada, embora fique com a impressão de a auto-estima dos profissionais do FC Porto ter-se esvaído. Não sei se por terem visto o Benfica ganhar na véspera com mais um roubo de arbitragem - uma jornada que salvo arbitragens conduzidas não inocentemente poderia mudar o líder, mas ninguém entende porque alertei para as nomeações do vi-te ó Pereira -, admitindo implicitamente que vão levar o andor ao título, ou se a rapaziada de azul-branco até a Bruno Paixão tem complexo, atendendo à vergonhosa derrota de Coimbra para a Taça.
O certo é que, com um ridículo ponta-de-lança e dois laterais comprados por mais de 30ME em que um praticamente não jogou e o recém-chegado não vale nem um quarto do balúrdio disparatado nele investido, o FC Porto entregou o título como se nada fosse, não vi angústia na cara dos jogadores, um miúdo fixado na esquerda estava desenquadrado talvez por ser menor de idade e o treinador não me pareceu mais capaz do que descruzar os braços, quiçá com a falta de iniciativa sentida a montante.
As nomeações dos árbitros fizeram o seu caminho, sem alguém dar por isso, esta jornada carimbou a minha suspeita na íntegra, as investidas brasileiras do FC Porto ficam no fundo do Atlântico e a chover no molhado, mas decerto será o treinador de mãos atadas a levar com as culpas e não os responsáveis que deixaram chegar isto ao deus-dará.
Não chegou aos 56 jogos de imbatibilidade nem a dois anos completos sem perder no campeonato, mas um dia tinha de acontecer e decerto não foi por galo.
Daqui a pouco teremos a Imprensa do regime a querer tirar o 2º lugar com que os responsáveis portistas demonstram estar satisfeitos. O que vale é terem o Porto Canal para levantarem o moral.