O 1-2 até pode dizer-se que foi injusto, mas não surpreende. O Manchester City é muito superior ao FC Porto, em tudo, esteve sempre confortável no jogo mesmo após o 1-0 algo inesperado e acabou a virar o marcador sem querer. Posicionado para cumprir a formalidade da 1ª mão fora de casa, com o cinismo típico das equipas inglesas e esta muito arrumada tacticamente, ou não fosse Mancini o seu técnico italiano, o líder incontestado da Liga inglesa teve ritmo, poder de choque patente em todas as divididas para várias lesões traumáticas entre os portistas, individualidades para terem ascendente de per si em todos os sectores e uma capacidade letal de fazer mossa na frente... sem forçar muito.
Só pode surpreender os mais distraídos. E sem o FC Porto fazer um mau jogo, salvando-se todo o empenho posto em campo, a verdade é que se viu como este adversário é muito forte para o nível de qualquer equipa portuguesa: provavelmente, será o Sporting a sentir essa categoria na pele, na ronda seguinte. O adversário levou muito a sério o jogo, como vi em todos os seus jogos esta época, e não percebi que esteja desinteressado nesta prova, além da Liga inglesa.
Para além de ter de escalar uma montanha de primeira grandesa, ao FC Porto não era necessário acumular uma série de azares que penalizaram a equipa em toda a partida: lesão de Danilo sem fazer falta e ainda vendo um amarelo, autogolo de Álvaro Pereira no 1-1 sem querer e sem perigo, lesão também de Mangala, Moutinho um par de vezes por terra contra os robotizados médios do City, Lucho sem fòlego nem pernas para tamanha trepidação, James desaparecido e Hulk pouco mais do que inconsequente, fora o cruzamento para o 1-0 na entrada de Varela a empurrar. Tudo somado: se pensarmos na eliminação da Champions, a precoce saída da Liga Europa e a lesão do lateral de 18ME, é um desastre e dificilmente poderia ser pior.
Não valeria a pena focar aspectos técnico-tácticos, entre tanto infortúnio do jogo e uma inferioridade teórica plasmada no relvado em praticamente todo o jogo. Mas no adeus à Europa, sem honra nem glória, a verdade é que Lucho não viria fazer a diferença para este nível tão elevado de competitividade e continua a faltar um ponta-de-lança. Ontem mais evidente, nem só porque ecoaram mais dois golos de Falcao, o bombardeiro recordista dos 18 golos da época passada, levando o Atlético a ganhar na Lazio 3-1, mas porque Kléber voltou a não calçar e dava jeito um estorvo no meio dos gigantes defesas ingleses, porém Janko foi comprado também para não figurar nesta despedida de mais um troféu em 2011-12.
Não sei se os adeptos aflitinhos a acender velinhas a James voltaram a perceber que o Bandido é ainda um puto e que a brincadeira da gestão do ponta-de-lança continua a passar factura. Mas há sempre ocasião para culpar Vítor Pereira por eventualmente "queimar" Kléber. E vamos ver as opções para domingo, no Bonfim, depois de tantas mazelas, um jogo de campeonato que a desastrada SAD não desencaixou de entre estas partidas europeias, sendo o M. City a descansar em Inglaterra: nunca visto!. Depois volta-se a falar da data do Benfica-Porto...
