
Já h
á palpites sobre os adversários (in)desejados, mas devia olhar-se para as letras e não para os nomes. A não ser os das cidades, pensando nas deslocações menos desejadas. Mas o primeiro jogo será sempre difícil... se não sair a Argélia... contra uma selecção africana ou sul-americana não cabeça-de-sériePara o sorteio do Mundial-2010, com fase final na África do Sul, a organização prévia dos potes (quatro de oito selecções cada) já sugestionou as reacções normais, de meros adeptos à Imprensa dita especializada. Mas se, além de entender-se o sorteio, puderem olhar mais para as letras e menos para os nomes talvez a leitura antecipada do que ocorrer depois de amanhã na Cidade do Cabo (17 horas portuguesas) possa ser mais enriquecedora.
Primeiro, já pareceu soar um alarme por o pote em que está Portugal ser o 4 e não o 2, aquele a seguir ao pote 1 que engloba os cabeças-de-série e que serão divididos pelos oito grupos de A a H e assim preenchidos sucessivamente com os outros potes, esgotando um a um as suas equipas até distribuí-las, sob um critério já oficial mas a seguir os trâmites de outros sorteios da FIFA, também sucessivamente de A a H com as excepções previstas. Por exemplo, sendo a África do Sul a selecção A1 no sorteio, não poderá calhar qualquer outra equipa africana no grupo A se sair logo do pote 2 a Nigéria, os Camarões ou a C. Marfim. Certo é que pelo menos um grupo terá duas equipas europeias, pois não se pode fugir a isso.
Ora, o que é certo desde já, é que Portugal sabe que vai começar o Mundial a defrontar uma equipa do pote 3, pois o emparelhamento dos jogos opõe o nº 1 de um grupo ao 2 e o 3 ao 4.
E, assim, o primeiro jogo será contra uma destas equipas: Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Chile, Paraguai e Uruguai. A Argélia é acessível, caso contrário restam as fortes equipas da África Negra, a Argélia do Magrebe e os sul-americanos não cabeças-de-série. Prevêem-se dificuldades e não um "figo" como Angola em 2006 ou mesmo os EUA em 2002.
E aos palpites de "sorteio favorável", esmiuçando desejos, cabe a pior leitura possível. A começar pelo cabeça-de-série que calhar. Porque esse será o último adversário de Portugal no grupo. Pois a ordem de jogos segue esse caminho: o A1 defronta sucessivamente o A2, o A3 e só no fim o A4 (e assim em cada grupo).
Aliás, na Alemanha-2006, Portugal só defrontou o México, cabeça-de-série no sorteio, no terceiro jogo do seu grupo. E em 2002 coube enfrentar a Coreia do Sul, de tão má memória.
As primeiras reacções à definição dos potes para o sorteio são, portanto, erradas, deslocadas e sem conhecimento técnico mesmo de jornais nas suas edições online. A imbecilidade e desinformação costumeiras, aliás, fruto da incapacidade crónica de conhecer as coisas e os regulamentos e procedimentos em geral. A informação em geral veiculada lembra que Portugal não irá defrontar as outras equipas do seu pote e obviamente levará com um cabeça-de-série que a isso não poderá fugir. La Palisse não diria melhor, mas a "normalização" da informação, por bimbos com mais ou menos idade mas sempre mal colocados e mal preparados para estas coisas que exigem conhecimento, especificidade e seriedade.
Não se sabe ainda o "quartel-general" de Portugal na África do Sul, por onde tem andado Carlos Queirós com Carlos Godinho, e só haverá definição das várias alternativas decerto já elencadas mediante o sorteio final. Porque há, isso sim, grupos indesejados, por obrigarem a mais deslocações e porventura mais longas. Ouvi na rádio o secretário-técnico da FPF falar de um local "o melhor do país" perto do Cabo, mas tudo depende do grupo em que Portugal calhar e precisamente se implicar mais ou menos viagens e a sua dimensão.
Neste sentido, olhando para o sorteio em bruto e a priori, os grupos G e H são os que motivam mais deslocações no país e longas. Prevendo-se de duas a três semanas a permanência de uma selecção numa base de apoio, é importante que tal rotina necessária não seja atribulada com deslocações constantes e demoradas, ainda que o intervalo de 5 dias entre jogos facilite a "assimilação" do viver na Áftica do Sul com cidades-sede distanciadas como quase 2000 kms entre Polokwane e Cidade do Cabo.
O problema, agora, é que Portugal será sempre um 4 no sorteio. Começará por defrontar um 3 no seu grupo e, nesta perspectiva, a generalidade das posições 4 num dado grupo obriga a muitas mudanças e andar em bolandas. Como Carlos Queirós já disse que Portugal não vai lá fazer turismo nem jogadores e técnicos pretendem jogar em todas as cidades do Mundial, esta perspectiva parece bem real.
Mas começar com a Nigéria ou Camarões ou C. Marfim não é o mesmo que defrontar Angola e adivinha-se já um sorteio bem menos favorável do que a "canja" de 2006 na Alemanha com Angola, Irão e México.
Só a posição D4 e F4 deixa jogar num raio de menos quilómetros a percorrer. O D4 concentrado em Pretória-Rustenburg-Joanesburgo. O F4 em Rustenburg-Bloemfontein-Joanesburgo. O A4, por exemplo, implica Cabo-Polokwane-Bloemfontein. O B4 joga em Port Elizabeth-Blomfontein-Durban, as cidades costeiras e a do centro do país. O C4 não é mau com a proximidade de Polokwane-Joanesburgo e um último jogo em Port Elizabeth (também chamada para os locais de Nelson Mandela Bay). O E4 faz-se em Blomfontein-Pretória-Cabo - muito duro e longo, obrigando a um "QG" bem situado. O G4 em Port Elizabeth-Cabo-Durban (as cidades costeiras). O H4 em Nelspruit-Port Elizabeth-Pretória.
Há uma dispersão pouco favorável no território sul-africano, sendo que o Cabo recebe tantos jogos (oito no total da prova) como a Soccer City em Joanesburgo (também há ali sete no Ellis Park) e Nelson Mandela Bay Stadium em Port Elizabeth. E toda a logística numa operação desta envergadura e que se deseja duradoura tem de ser bem cuidada e planeada.
Apesar de reacções "dramáticas" e suspeitas genéricas de concertação de objectivos da FIFA, já lidas por diversos fóruns, o certo é que a FIFA ao "mandar" o pote de equipas europeias para o 4 retira o dramatismo dos primeiros confrontos entre europeus logo a abrir. Da mesma forma que impede que os africanos ou sul-americanos se defrontem no começo. É bem avisado, mas nem todos têm esta percepção das coisas. Ainda se fala da mão de Henry (e um estúpido castigo em "efervescência" na FIFA), da ausência da Irlanda e de um "castigo" da França por cair fora dos cabeças-de-série, tal como Portugal, em favor da entrada de Inglaterra e Holanda, mediante o ranking FIFA de Outubro levado em consideração. Inglaterra e Holanda, então nos 8 primeiros postos do ranking, são as nações na origem da República da África do Sul que até andaram em guerra civil (os Boeres) há um século e mantêm fortes presenças na origem de vocábulos e nomes (Rustenburg, Bloemfontein de origem holandesa) na História sul-africana.
Voltando ao ponto fulcral: não haveria muitas posições favoráveis dentro de cada grupo pelo tal número de ordem 1, 2, 3 ou 4. Mas seguramente o lote de melhores possibilidades reduz-se na posição 4 e obrigará as selecções europeias a vaguear pela África do Sul. Uma ou outra posição dentro de um grupo mais agradável, com menos deslocações, reparte-se pelas posições 2 e 3. Há até a coincidência de o C2, o D4 e o E2 percorrerem todos Pretória-Rustenburg-Joanesburgo, concentrando-se apenas no nordeste e a zona à volta das capitais política e financeira do país. Mesmo o cabeça-de-série que calhar no grupo F (o F1) terá de se "mexer" um bocado (Cabo-Nelspruit-Joanesburgo) e o C1 andará por Rustenburg-Cabo-Port Elizabeth. O E1 por Joanesburgo-Durban-Cabo.
Mas duvido que a Imprensa de hoje e amanhã analise as coisas por este prisma. Vai ser o "chover no molhado" habitual até em fóruns televisivos com os chamados "paineleiros" como experts de coisa nenhuma e rendidos a lugares-comuns. A Imprensa que temos e os leitores e cidadãos que temos falam por si.
Apesar de poder torcer-se o nariz à possibilidade, a verdade é que o melhor grupo será aquele com a selecção anfitriã. Excepto para o A4, o único que terá de fazer várias viagens, ao passo que os outros concentram-se no nordeste do país.
Uma olhadela ao mapa do Mundial dará uma compreensão alargada e objectiva do que está em causa. Não tendo a noção da dimensão do país, que é muito mais do que uma França ou uma Alemanha por exemplo, não é possível percepcionar as dificuldades. Mas se notarmos que entre o extremo nordeste de Polowane e o Cabo são quase 1800 kms e que isso implica 3 a 3,5 horas de avião, já faz pensar. E entre Pretória, a capital política, e Port Elizabeth podem ser 3 horas de voo. Daí a importância de um bom sorteio ser mais direccionada para os locais e não para os adversários. E um voo de 3 horas é, sensivelmente, como ir do Porto a uma das capitais da Escandinávia ou de Lisboa a Bucareste.
p.s. - Há dias venho a ouvir a TSF anunciar a presença no sorteio do Mundial. Sob o patrocínio do BES. Ao leitor comum e cidadão desatento, o que tem isto? Nada ou alguma coisa. Porque, apesar de a Imprensa do Regime o omitir de forma dolosa e grosseira, retirando da circulação noticiosa factos graves que se passam nesta República das Bananas, tenho noção do que se vai passando no país. Graças à blogosfera, aliás. E um alarme surgiu com as tais conversas que não querem que se saiba entre Armando Vara e a Face Oculta de José Sócrates, pior do que o processo com o mesmo nome em curso em Aveiro e que, como a Casa Pia, o Freeport e tantos outros os senhores do poder querem escamotear. Quando o administrador do BCP pedia ajuda para o "amigo Joaquim". Mais aquela coisa feia que ninguém vergonhosamente assumiu a paternidade, chamado "assalto à TVI". Joaquim (Oliveira) que é dono precisamente, entre outros títulos, da TSF. E o director do novo jornal visado pelo Governo prepotente e ditatorial atolado em Pscândalos, refiro-me a José António Saraiva e ao "Sol" que trouxe à luz a Face Oculta deste negro Regime, denunciou há dias no CM que a publicidade institucional do Estado, através das empresas ainda em sua posse total ou parcial, ou entidades que "suportam" este Estado de coisas como o BES, retiraram muita da sua publicidade a jornais malquistos como o Sol e, antes, o Público incómodos. Por obra e graça do Espírito Santo, a Imprensa do Regime como a do "amigo Joaquim" passaram a facturar muito mais em publicidade. Esta do BES com a TSF pode ser um bom exemplo do "castigo" que o Governo infame desta pobre República manda os seus lacaios dar aos "mal comportados". Este nojo nunca passa.