20 abril 2010

II. O Barça, o "melhor futebol" e o jogo súcio



O Inter ganhou esta noite ao Barcelona e por 3-1, virando o resultado. Contundente nas subidas à área contrária, partindo de um sector recuado quase a pé fixo - só Maicon subia, para rivalizar com Dani Alves como melhor lateral direito do mundo e sorte a do Brasil ter dois face a Portugal sem Bosingwa na África do Sul, mesmo que este não se lhes compare sequer.

Tal como Hiddink com o Chelsea na semifinal de há um ano na 1ª mão em Camp Nou, Mourinho fez o jogo de guerrilha e saiu-lhe a lotaria. Não só porque limitou os danos atrás, tal como fez no 0-0 da abertura do jogo de grupos entre ambos na primeira fase da Champions. Mas porque aproveitou quase todas as oportunidades que teve, com insistência e fé, objectividade e pragmatismo. E porque, defendendo até à retranca absoluta no final, evitou os cantados golos barcelonistas que a péssima realização e enquadramento da câmara faziam desesperar ainda mais sem se saber se a bola entrou ou não: porque alguém cortava a bola sobre o risco (Lúcio) ou porque Júlio César impedia as ocasiões catalãs.

O jogo súcio, com faltas e dureza a meio-campo para neutralizar Messi e, especialmente, Xavi, vingou, tal como com Hiddink. Este, como Mourinho agora, não se compadeceu com floreados e a boa imagem, reconheceu ser impossível jogar de igual para igual com o Barça - como quis fazer o Real Madrid -, jogando defensivamente para surpreender ofensivamente. Jesualdo nunca faria isto e, por isso, sempre foi tão "naïve", ingenuidade partilhada pelos jogadores com que pretendia encarar, sem subterfúgios, os tubarões europeus.

O estilista Jesualdo era trucidado na passarela europeia em fases mais avançadas, a eliminar, da Champions. Hiddink e Mourinho mostram como é.

O que levanta a questão do "melhor futebol" ser ou não premiado e se isso interessa. Mourinho há muito joga pelos resultados. Hiddink procurou-os também e acabou traído no último minuto da 2ª mão em casa, com o golo de Iniesta que levou o Barça à final.

Os "puristas" que se levantem, agora? Bem, a avaliar pelos comentários da RTP-1, parece que o primado da beleza voltou a cair por terra. Com a agravante de não se perceber que, a par do posicionamento e a cultura táctica, os médios do Inter jogaram forte e feio. De resto, discordo também no alegado cansaço mental do Barça face à pressão estratégica do Inter. O Barça esteve sempre cómodo no jogo, se não furava entre tantos defesas não se incomodava, até marcou primeiro e na fase de maior pressão, em que era suposto jogar afogueado e "desesperado", só não empatou por milagres e acasos. Sempre no seu jogo de toque e em progressão, entrou na área, saiu dela, voltou a entrar e se aflição havia era na defesa italiana. Apesar da péssima transmissão televisiva - até nisto os transalpinos perdem para os outros grandes países do futebol europeu - foi o que vi claramente esta noite.

Pareceu-me, isso sim, que havia mesmo cansaço físico e o desgaste da viagem de autocarro fez-se sentir no Barça. Os jogadores estavam presos "muscularmente", não reagiam nos piques nem eram fortes nas divididas. Os arranques para a frente não eram demolidores nem aventureiros. O vulcão da Islândia deixou muita aviação em terra e a frescura e aragem do futebol perfumado em progressão ficou algures pelo sinuoso caminho até Milão, via Cannes. Vai ser interessante, já agora, ver como o Lyon, que se fez também à estrada, se comportará amanhã em Munique.

O Barça manteve a sua identidade e estilo, o Inter disfarçou-se de equipa grande, jogando na guerrilha e espreitando jogadas de quatro jogadores no máximo junto a Puyol e Cª. Mourinho e Hiddink ficaram-se pelas meias-finais com o Chelsea, mas o português aprendeu a lição e o holandês não pode repeti-la.

Curiosamente, já na eliminatória recente com o Chelsea o Inter jogou assim, na espera e com dureza que os adversários não costumam sentir: jogo súcio, à sul-americana, feito de faltas programadas, embrulhadas em concorrência leal, favorecidas pelo povoamento do meio-campo e proximidade dos jogadores cientes do seu papel. Depois soube punir os ingleses com golos de oportunidade, como agora repetiu com o Barça.

Parece, portanto, que o designado "melhor futebol", na altura crucial da época, não só deve ser mandado às malvas, com aceitação bovina dos "doutores do futebol", como é irrelevante face à primazia do resultado. E se este confirmar a aposta, melhor: foi o que também ouvi na tv. Mesmo na iminência do 2-3 e até de outro golo catalão, parece que vi outro jogo diferente dos tipos da RTP. Para não variar, achei bem a saída de Ibrahimovic, quando o Barça precisava, antes de olhar os seus avançados, de fazer levar a bola à frente e criou mais perigo depois do acerto de Pepe com Abidal à esquerda com Maxwell.
Isto para não falar dos princípios tão do agrado dos "doutores do futebol", capazes de elocubrações mirabolantes para dizer que é nerazzurro o que foi blaugrana.
Mas, enfim, o futebol não é... isto?
Não tenho dúvidas que uma derrota pela margem mínima seria revertível pelo Barça para a semana. Assim é mais difícil, mas alcançável. Vencedor mesmo, esta noite, pareceu-me a Roma - pelo "scudetto" de que o Inter abdicará provavelmente, confortado nesta ilusão de estar mais perto de Madrid...
nota: Mourinho já avançou para a 2ª mão:
E Pep Guardiola parece os do FC Porto, anteviam mas não anularam:

I. O Barça e Jesualdo






"Olhando para o Barcelona, o 4x3x3 não é assim uma coisa tão ultrapassada como alguns dourores do futebol quiseram fazer crer. Continuo a pensar que é o sistema do presente e do futuro, assim saibamos escolher os jogadores que o interpretem bem. Fiquei também a saber que é um sistema bastante ofensivo, assim o queiramos tornar. Também confirmei que permite nuances tácticas brilhantes, como sempre pensei antes, mas nunca tive equipas para o provar. Portanto, ainda bem que o Barcelona ganhou a Champions a jogar tão bem", Jesualdo, em entrevista O Jogo, 8/6/2009.

Guardo poucos recortes e (agora) muito menos jornais. Este já tinha o pressentimento de me ser útil. Eis a oportunidade.

O "problema" de Jesualdo foi, de facto, continuar iludido com o 4x3x3 que é da sua preferência estilística e de génese táctica. E, afinal, condensa o seu erro estratégico desta época, o de insistir num sistema eleito, escolástico e que lhe deu resultados. Mas não teve os tais intérpretes para o fazer. Não foi tanto querer, nem digo copiar, seguir o exemplo do Barcelona. Parecendo simples, só quem souber a partitura dita a música em campo. Hulk e Rodriguez, por exemplo, são falsos extremos, Varela foi-se tornando um, evoluindo de segundo (ou primeiro) ponta-de-lança de raiz. Mas era pouco. E qualquer um deles jogar como avançado, contando o homem de área, não faz um tridente de ataque como deve exigir o 4x3x3.

No contexto europeu, bem entendido. Porque a nível nacional, o FC Porto impôs-se, apesar de dificuldades pontuais com o losango de Paulo Bento - e na altura bem referi isso aqui, na primeira época de Jesualdo, apontando estas discrepâncias sem renegar a validade do sistema! - e que agora prosseguiram com o de Jorge Jesus.

Pegando, como deve adivinhar-se, no jogo desta noite e que me merecem reflexões sucessivas:

O 4x3x3 do Barça e o do Inter tem jogadores que, mais à frente (os catalães) ou mais atrás (os interistas), jogam abertos, soltos, flanqueadores ou interiores, combinando com o avançado-centro. Nem cultura táctica nem disponibilidade física e empenho defensivo Rodriguez ou Hulk têm para tornar praticável o 4x3x3 que Jesualdo sonhava. Tinha uma ideia. Faltava passar à prática. Então, na Europa, a diferença de qualidade era gritante. E esbarrava mais com sistemas de maior densidade populacional no meio-campo de adversários de mais valor: Arsenal, M. United, Chelsea, menos o Liverpool que por os ter em menores qualidade e quantidade não se impôs ao FC Porto como os carrascos ingleses de Jesualdo.

Cinzas tóxicas e caixas de robalos à portuguesa





Não gosto de desviar atenções, para mais em dia de Inter-Barça, mas não evito estar atento.


Por causa disto, no Blasfémias:




sim, sobre a famigerada EPUL.


Vem isto, a propósito (quem te menda a ti, sapateiro, tocar rabecão?):




Uma notícia do Público no caderno local "Lisboa" que só na net pode ser acessível ao resto do País profundo.


Obviamente, sem esquecer que, para além disto:


http://blasfemias.net/2010/01/29/outros-mercados/



que, para resumir, diz assim:



" Outra anomalia detectada foi o pagamento de 9,975 milhões de euros pela EPUL ao Benfica em 31 de Dezembro de 2004, pelos eventuais lucros da construção de 200 fogos num terreno no Vale de Santo António, habitações essas que até hoje ainda não foram construídas. Em violação do contrato de execução, a EPUL pagou ainda 32,4 milhões de euros do terreno que o Benfica vendeu (imóvel este doado ao clube pela câmara) entre Janeiro e Novembro de 2003, apesar da escritura de compra e venda ter sido realizada só em Setembro de 2004. (no Público, que curiosamente coloca a notícia na secção “Desporto“)"



ainda respigado do Blasfémias mas que, em tempo, para distracção generalizada em blogues e jornais mesmo de referência, aqui também trouxe a "erupção" em causa.



Lembrar, ainda, que há um processo em tribunal em curso mas, tal como o Figo, o beneficiário da corrupção moral, ética e política não tem nada a ver com isto.










Evolução na continuidade



Obviamente o FC Porto não vai a caminho de nada, a não ser uma provável e natural vitória na Taça de Portugal. Mas tem somado vitórias, não porque joga muito melhor (no domingo viram-se os mesmos passes transviados sem nexo, coisas simples deitadas para fora e exibições individuais desastradas), mas por jogar sem complexos, sem alternativas de vulto e basicamente sem objectivos.
A equipa foi massacrada por lesões e outros "azares", nunca teve a complacência dos árbitros orientada para outras equipas, alguns jogadores não se "mostraram" e outros querem mostrar que nem andaram porventura "escondidos", apenas dessincronizados com o tempo e os métodos da equipa. Um fartote de explicações possíveis para uma época fraca, não por ser fraca tout court mas por não ter ganho o campeonato e, pior, por ele estar perdido a 3 jornadas do fim. Isto sim, é fraco para um clube que pelo menos disputava o título até à última jornada. A forma de sair da Champions não ajudou ao panorama, apesar da boa carreira europeia.

Não será, porém, a crise propagada, a equipa ganhou a Supertaça e pode/deve ganhar a Taça de Portugal, passou os grupos da Champions sem problemas e ganhou ao Arsenal. Tomara muitos clubes viverem nessa crise, mesmo que pouco alegre os adeptos e responsáveis do Dragão.

Há várias explicações, não desculpas, mas há, agora, uma teimosa aversão a não se reconhecer a "boa forma", as vitórias naturais e até contundentes, os golos, até golos muito bonitos. Vem tarde, continua menosprezado e não serve de muito. Para alguns, porém, é um pouco como discutir a política e eficácia da comunicação da SAD: ah, não vale a pena, ninguém nos ouve, estamos contra todos, a CS não gosta de nós, é difícil fazer melhor.
Mas a teoria antes usada de que Hulk perdia bolas, Hulk não decidia, Hulk não marcava golos é, agora, desvalorizada a par das actuações mais consitentes e "agressivas" da equipa.
Entretanto, os médios desataram a marcar golos, coisa rara e que tanto afectou a produtividade de uma equipa que continuou a acertar muito nos postes, a sofrer golos bizarros e a não ter ou sorte ao jogo ou sorte com as arbitragens. Nem sorte em prevenir incidentes de túneis, mas isso é incompetência própria e indesculpável.
Voltando à "vaca fria": ao "melhor futebol" que agora se joga na parte final do campeonato pode não bastar o que o FC Porto tem feito, ajudado por golos até brilhantes como a bicicleta de Falcao e os golaços de Guarin ou os petardos de Hulk.
O que dantes era um martírio em relação a Hulk agora é um delírio que poucos aceitam de bom grado pela sua incontornável influência na equipa e no desenrolar do campeonato. Se não marca, oferece golos. E decide, ou ajuda decisivamente a obter vitórias. Como é normal num jogador do seu potencial. Mas quem avalizava que com Hulk o FC Porto perdeu mais pontos do que depois sem Hulk (castigado), agora perdeu tanto o pio como os portistas o entusiasmo em vias de esgotar-se como as já nulas hipóteses de ser campeão.
O que não deixa de comprovar que, nem há mal que sempre dure e Hulk teria de arrebitar e ser o que é no FC Porto e no campeonato onde os adversários voltaram a temê-lo, nem a teoria de que a suspensão decretada administrativamente pelo Bosta da Liga não era perseguição nem uma forma de diminuir, entre outros factores, as hipóteses do FC Porto no campeonato.
E o FC Porto pode acabar com uma pontuação praticamente de campeão - superado pela melhor época de sempre de um inesperado concorrente e a melhor época do maior rival em 30 anos, o que diz bem da coisa - e já ronda os 100 golos marcados na época oficial. Como tudo, vale o que vale, tem na mesma de origem as virtudes e os defeitos da planificação da época e estruturação do plantel, mas também são factos que comprovam como a equipa não era nem é tão depauperada como a pintaram. Mas quando se está na mó de baixo até os adeptos parecem falar de cima da burra.
Ouvi agora (16.30h) na rádio (como o Bruno já apontou): Ruben Micael partiu um pé. É a sina? Se for, seja como em 2002, recomece-se de novo e, de volta à Taça UEFA, ganhe-se para o relançamento internacional e novo ciclo vitorioso. Se falavam em fim de ciclo, "este azarento" nunca mais acaba, de facto. Chame-se-lhe época atípica, what ever, mas superar tantas adversidades é difícil. Crise é que nunca. E se coincide com o relançamento da presidência, pois que tenha sucesso, como anunciado. ue outro clube, se em crise, resiste assim em Portugal?

18 abril 2010

Outra flor no andor


O Xistrema voltou a negar um penálti à Académica, havia 1-2 no jogo. Agora o inimputável foi Sidney. Antes já tinham sido Luisão e David Luiz e até Miguel Vítor (aquele derrube a um brasileiro do Rio Ave, lembram-se?). Mais um prego no caixão e tantos magarefes capazes de, desde o início, carregarem o andor.
Foi assim que o FC Porto foi sendo afastado do título. E vai na época com mais golos marcados (94) na gestão Jesualdo. Mas foi sempre assim, contra a corrente. Antes dos túneis, os árbitros. Hoje, um agarrão a Guarín teve as mesmas vistas grossas de Duarte Gomes como uma calcadela de Nuno Assis a Guarín, depois de ter mostrado (e bem) um amarelo a Bruno Alves por derrubar um adversário.
Podem fazer quantas quiserem, podem perder a memória que estes pormenores não escapam a manchar uma época de apito encarnado desde a 1ª jornada.

16 abril 2010

Fogo "vs." gelo: no futebol tuga ou da fuga?

Por uns anos foi Bruno Alves o vulcão da discórdia, por agora põe-se gelo nas diatribes de Luisão. E o "massacrado" André Vilas Boas perde para o consagrado Miguel Veloso que pode ter os mesmos cartões mas a uma certa realidade chama-se "combatividade". É a "Natureza" do futebol português e dos paineleiros do regime
O politicamente correcto manda fazer vénias ao clube do regime, escondendo todas as arbitrariedades neste reino da impunidade sacralizada até ao ridículo. A propósito de mais uma expulsão perdoada a Luisão, como dantes a David Luiz e recorrentemente a Javi Garcia, o futebol português continua a assobiar para o lado, como se as vestais de agora não fossem as virgens ofendidas nos últimos quatro anos quando o coro crescia contra Bruno Alves.
E enquanto na Islândia escorre lava contra o resistente gelo, fumegando cinzas para todo o continente europeu, parece que no futebol tuga está consagrada a fuga à ética, responsabilidade, credibilidade e o famigerado fair-play que, pelo visto, é mesmo só na Playstation. Depois do jogo em casa com o Liverpool, com uma cacetada a Fernando Torres, Luisão escapou impune a outra entrada a varrer sobre Liedson. Nada que espante em João Ferreira de quem, aliás, o Sporting também não se pode queixar. Noutras épocas, noutros jogos, a mesma "simpatia" e "pusilanimidade" do já celebérrimo João "Pode vir o João" Ferreira foi prodigalizada não só a benfiquistas, mas também a sportinguistas.
Claro que não foi só isso que contribuiu para a derrota do Sporting no dérbi, mas valeu alguma coisa num jogo que devia ter um mínimo de 3 expulsões para cada lado mas a "versão oficial" nem a posteriori quis manchar o espectáculo que vendem como grandioso para os seus rafeiros epígonos... Aos que negam essa importância de um jogador a menos escapa-lhes que, esta época, raramente o Benfica actuou em inferioridade numérica na Liga de todas as trapaças. Eu fiz o balanço da 1ª volta desses minutos a mais do Benfica que fez com que praticamente jogasse como se os adversários tivessem o tempo todo com 10 homens.
É curioso, porém, notar que nos últimos dias - em que também acompanhei as coisas da bola de longe -, observei o destaque dado a André Vilas Boas, o primeiro jogador a chegar aos 12 cartões amarelos na Liga. E leio, hoje, em papel, n' O Jogo, o médio do Rio Ave a evocar: "Se eu fosse dos grandes se calhar não levava tantos amarelos", foi o sentido da sua frase lapidar.
Mas vá lá explicar-se isto aos encartados prolixos comentadeiros da praça lusitana onde a disputa verbal só episodicamente é autêntica tourada à portuguesa, pois normalmente é um show de chocas na arena... Aliás, dos opinadeiros e demais apeadeiros, passando pelas estações com carris bem definidos para veicular pantominices e louvaminhas, mesmo no pós day-after ainda li que a arbitragem, como Jesus proclamou urbi et orbi logo após o prélio, foi boa e aquilo do Luisão algo de somenos... O próprio também sentenciou, de imediato, que basta ter Luisão no meio da confusão para se gerar essas coisas das tricas da bola.
O que não se diria se as duas "varridelas" a Torres e a Liedson fossem da parte de Bruno Alves que pode usar o físico, que o tem para dar e vender, mas não mostra as solas das chuteiras a ninguém? Depois do coro e missa cantada nos últimos anos, mais o espanto irónico de como o central e capitão portista não tinha mais cartões e, sobretudo, expulsões, a idolatria cega pelo líder do grupo tão do agrado de Luís Filipe Vieira rivaliza com as comadres a pedirem tolerância de ponto a tutti quanti queiram ir ver o Papa em breve.
Foi tão ternurenta a defesa das cacetadas de Luisão, e a indiferença deste face à polémica que adivinhava pois então, que até os desmandos de Miguel Veloso - outro que vem sendo perdoado sucessivamente há várias partidas a expulsões certas - foram transformados, hoje, em Record, na personificação da redescoberta garra e combatividade (sic) leoninas com o ímpeto dado ao meio-campo por Carvalhal. É assim mesmo: apesar de ter também 12 amarelos na Liga, e o total de 16 cartões na época incluindo uma expulsão (tal como André Vilas Boas que passa, pequenino e desprotegido, por ser o mais mau da fita), Miguel Veloso não traz o rótulo de caceteiro que subrepticiamente se entrega ao vila-condense. Pelas manhas e artífices correntes nos periódicos que pugnam pela "verdade desportiva" com os mesmos cicerones de episódios televisivos de fazer chorar as pedras da calçada, Miguel Veloso é o símbolo da combatividade leonina no mesmo jornal que, há poucos dias, dava o primeiro lamiré sobre André Vilas Boas: levava um cartão por cada 3 faltas cometidas.
Que Vilas Boas, mais dois colegas de sector igualmente amarelados com abundância (Silvio com 10 e Wires com 9 cartões), seja o protótipo de jogador português a cumprir a regra de "passa a bola, nunca passa o homem", num vulgarizado trinco tuga que joga a agarrar e a placar adversários, fazendo faltas que não se vê em mais lado algum, é realidade tristemente recorrente para mim, que não vou pela piedade aos coitadinhos. Sei que há muito ando em contraciclo com aqueles que advogam justificar o pontinho "sea como sea" e um empate com um grande será sempre com mérito antes de com sarrafada, massacre defensivo e três trincos tristes como os do Rio Ave que bloqueiam muitas partidas com "futebol de partir pedra". Tal como não acho normal a impunidade que desde o início tem marcado as faltas dos médios benfiquistas, sempre na base primária de "passa a bola não passa o homem". Mas já vi disso em 2004-2005, com Luisão ainda protagonista entre outros "figurões". E na época seguinte foram "eles" que começaram a estranhar a marcação de faltas a que não estavam habituados.
Mas vai assim, alegre e sem remoques, o pobre futebol da fuga para a frente em que, além-túneis, os fins justificam os meios e mais cacetada menos sarrafada o campeão há-de ser o melhor. Convém é não ter Bruno Alves para recriminar, sob pena de ficar uma nuvenzita de suspeição e as cinzas dos despiques mais ardorosos para "poluir o ambiente"
Tal como nos instantâneos fotográficos (os daqui retirados do Boston Globe) em que o fogo combate com o gelo, por cá a paisagem muda muito pouco e a aridez do futebol continua colorida só pelos coreógrafos da nossa praça. Mais ou menos derrame de lava, mais ou menos Omo que lava mais branco, umas vezes vence o fogo, outras o gelo. A "Natureza" do futebol tuga é assim. Imutável na sua estupidez atávica, conquanto o horizonte, pontualmente, mude ligeiramente os contornos.
Para reflectir entre uma jornada aos bochechos e outra para bocejar. Sim, porque o espectáculo dos golos portistas, todos brilhantes na partida da Taça, é o fogo que uns quantos apagam enquanto acorrem a apagar outros "fogos" fátuos.



A propósito destas, entre outras, imagens de rara beleza, no Boston.com, um comentários aludia à poluição e alguém ripostou que essa preocupação (em comparação com as indústrias poluentes da China, Índia e EUA) era só de quem olhava para o seu quintal, mas o mundo é muito mais do que as curtas vistas de alguém...
Precisamente o que retrata o pobre futebol português sem critério nem distinção.








13 abril 2010

Milagres há



Leio isto, só as "grandes" no JN, e faz-me acreditar em milagres.


Não sei o que o Vaticano tinha contra eles, mas perdoar os Beatles ao fim de 40 anos...

Seja lá pelo que for.

Há quem esteja há 48 anos à espera de Godot aí pela Europa que só viram a preto e branco.

Certezas e imprevistos



Quem diria que seria o FC Porto a disputar a última quarta-feira de futebol importante do ano em Portugal?
É um dos imprevistos do futebol, tal como os quatro confrontos com o Rio Ave a cumprir no jogo de amanhã à noite, o que torna sempre interessante o desporto-rei apesar de muita "normalidade" que aí impera, aqui e ali anunciada, tonitruante, como um fenómeno dos tempos modernos.
E enquanto a bola continua a rolar, e o Rola a desconcertar nas suas análises de ex-árbitro que uma vez Jaime Pacheco disse ir "recomendar aos columbófilos da minha terra", sem o FC Porto por perto parece que o confronto intramuros entre o "desportivo" e o "recreativo" pôs a desconfiada Polícia em alerta amarelo.
Anunciam-se "vai haver detenções, de certeza", enquanto se prometem "medidas duras" e vigilância apertada a artefactos pirotécnicos, abundantes na Luz até por ali terem arrecadação e tráfico de matérias incendiárias de vária índole, incluindo psicotrópicos que aquecem certas almas e espicaçam espíritos guerreiros. Mas nem isto serve para proclamar que a barbárie chegou à capital do Império e, especialmente, que há aí uns casos em tribunal com facínoras conhecidos em certos domicílios mais ou menos à luz do dia.
Mas depois de duas barrigadas de Barcelona - e de L10 Messi -, esquecendo as opiniões do Verão sobre os galácticos, os melhores do mundo e o futebol verdadeiro e puro, com o meu Liverpool incapaz de bater o Fulham ainda que sejam ambos semifinalistas de uma envergonhada competição que deve calhar ao FC Porto jogar, para ganhar, na próxima época, não vislumbro que motivos felizes podem obrigar a falar de outra coisa em futebol.
Mas vão/bom proveito...

09 abril 2010

Mais vale estar calado...



Começando por afirmar que não ia "fazer um discurso" - "o meu assessor é mais fraco do que o outro", afirmou, sempre polémico... -, o dirigente portista assegurou: "É sempre reconfortante conviver com portistas, mas este ano não vamos ser campeões. Não vamos ganhar o campeonato dos túneis, mas uma coisa prometo: para o ano vamos estar mais atentos e não cair na esparrela como o túnel da Luz".

Do Record online


Além de confessar que o "seu" assessor é fraco, Pinto da Costa deu hoje, na Trofa, mais um exemplo de que era melhor estar calado (além de perder a graça...), a par do que tem sucedido ultimamente. Porque prometer que não volta a "cair na esparrela como o túnel da Luz" é esquecer que os portistas se perguntaram como foi possível o caso do túnel da Luz acontecer à luz do que se passou em 2008?


Ou já se esqueceu que Lucho e Cª viveram o pesadelo - sem ninguém saber?! - do túnel na Luz e as imagens apareceram a par das do túnel de 2009? É que nem todos são tótós!...


Por falar em "assessores", este pode ser um bom pretexto para falar do que se pensa que não existe mas parece que é: a famosa "deserção" da LPM (agência de comunicação de Luís Paixão Martins) de prestar serviço ao FC Porto na área de comunicação pode ter sido um "bluff". Isto é, a coisa funciona apesar da alegada denúncia do contrato, ao que me contam. Mas também não abona nada a ideia de que o FC Porto tem uma assessoria de comunicação, tão deficiente tem sido. E metralhada por todas as concorrentes assessorias de comunicação que facilmente espalham pela Imprensa Destrutiva as "correntes de opinião" e os "factos políticos" que têm polvilhado os jornais do regime e feito "brilhar" mentes obscuras do pardalismo desportivo.

It's been a hard days' night...