06 maio 2014

Barcelona e Porto: haverá "saída limpa"?

É mesmo, só a Supertaça. O resto dos dias têm as costas 100% largas. Apesar de o Barça, súbita e inesperadamente, "graças" ao Real Madrid Valência, ainda ter opções de ser campeão, se o Atlético perder domingo em casa com o Málaga...
Quanto a profissionalismo, se Busquets lamentou a falta dele no sábado com o Getafe (2-2), que dizer do Valência (2-2 no Bernabéu só desfeito por uma invenção de CR7) que ficou fora da Europa com um golo, nascido de um lançamento lateral, nos descontos privando-o da final da Liga Europa?

05 maio 2014

Special None

Não sei que títulos os pasquins tugas do saloiismo patriótico inventarão amanhã, mas o Chelsea nem sequer chega à última ronda, domingo, com possibilidades de ser campeão inglês. A vitória desta noite do Liverpool em Londres retira o chelsea do título.

Mourinho não ganha nada mesmo mas, como Jesus, está feliz por ter chegado a muitas finais sem vencer Supertaça da Europa, Champions, Campeonato, Taça da Liga e Taça de Inglaterra. É obra. E falta saber a remodelação a ocorrer na próxima época no Chelsea: depois de despachar Mata, prepara-se para recambiar Hazard. É preciso talento, de resto, para ter David Luiz a organizar de jogo (com o Atl. Madrid). E queixar-se de opções atacantes como Schürrle (já tinha feito o mesmo com Ballack...), Eto'o, Torres, Ba, Óscar, enquanto acumulou alguns Ramires, David Luiz e Matic.

Terminar em 3º lugar se o Man. City ganhar o jogo atrasado com o Villa nao é melhor do que o 3º lugar com Benitez na época passada. A inveja é uma coisa muito feia - depois de Mourinho ter dito que Benitez ganhou o Mundial de Clubes (Inter, 2010) porque lhe deixou o campeão europeu nas mãos e Benitez, ganhando a Liga Europa, ter deixado a Supertaça Europeia para o Chelsea jogar (perdeu-a em Agosto para o Bayern de Guardiola).

Se o ridículo matasse...

Oops!... E o que da sair de casa com 3-0 e no carro saber que em 11' fixou 3-3; já não termo net e demorar a actualizar. Tudo para o City. Liverpool não merece.

Falta convidar A Bola para ir buscar o novo treinador a Espanha

Para já, à falta de confirmação, sobram especulações. E alguma confusão. O Jogo refere que viria para dirigir as camadas jovens, decerto para o lugar de Luís Castro, supervisionando os escalões de formação. Não é mau, aquilo nem é carne nem peixe e há que dar um refresh na coisa, assumindo que o tema é importante para o futuro e, acarinhando-o, pode ser o relançamento de um projecto que teve um rotundo fracasso.
 
Não é nada fácil eleger o novo treinador depois do desastre desta época.
 
Mas também se lia em O Jogo online que pode ser uma possibilidade para a equipa principal. Há alguma contradição, sendo que é dito que a SAD admite ser uma possibilidade. Em Espanha as gentes do futebol assumem as coisas e as decisões de forma mais desempoeirada.
 
Ora, sem falar se é bom ou mau, sendo Lopetegui um dos muitos responsáveis pelo êxito dos jovens espanhóis que dominam as competições com limite de idade, é importante admitir que poderia ser um chamariz para atrair jovens espanhóis que têm dificuldades em inserir-se no futebol ao mais alto nível, especialmente nos grandes clubes.
 
Há dias surgia o catalão Tello, rápido extremo, associado a um interesse do FC Porto. É um bom jogador e seria uma boa prova, para ele e para o FC Porto. Um jogador que falta no plantel: extremo, rápido, que sabe marcar golos também.
 
Lembre-se, por exemplo, que o Benfica há anos esteve associado a jovens valores espanhóis, como Jesé, que se integrou no Real Madrid, ou mais recentemente Jonathan Soriano, que preferiu o modesto Salzburgo ao enorme clube de Portugal e arredores.
 
Sim, Lopetegui poderia ser um isco importante. E os treinadores espanhóis vêem o jogo em modo de ataque, impõe futebol corrido e variado, não há tradição de treinadores retranqueiros como abundam em Portugal.
 
Agora, falta o FC Porto dar a A Bola a primazia de ir busca-lo à fronteira num exclusivo como fez, só lá vão 10 anos, com Victor Fernandez em Vigo. É, as coisas podem mudar em pouco tempo e muito depressa mas fica sempre alguma coisa na história do ridículo e esse exclusivo perdurará mesmo que não tenha hipóteses para certos museus...

04 maio 2014

Não vi nem verei

Nem interesse tive em ligar-me ao jogo, segui o resultado pelo livescore e também não me serviu muito, anunciavam 2-0 a meio da 2ª parte e só depois meteram um golo do Herrera logo após o 1-0 do Olhanense - são 22.30h e ainda lá está que o Herrera chegou a empatar o jogo (16') mas pelo menos já vi que marcou um belíssimo golo, pena ter sido a única coisa aproveitável como o golo do Varela na Luz para a Taça... Realmente, não foi só o 611 nem o 2014 que falhou; e ao que consta, ir tão longe para fazer tão fraca figura é como mediar o tempo que nos espera até se ver recuperar alguma coisa na próxima época. Pior deve ser difícil, mas com certa gente dá tudo para o torto, até o malfadado canal (o qual também alguns totós percebem a nulidade...).
 
Também não vi a menção ao comunicado contra O Jogo a que aludi no post anterior. Não vi porque não consigo ver tudo e tenho tido cada vez menos tempo para ver coisas, lá vou escrevendo a correr quando posso. Peço desculpa ao Augusto Ferreira, sim, ele esteve atento. Eu, como nem o jornal do dia vi não podia saber de alguma reacção nos blogues, quando me apercebi da bronca é que vasculhei a correr e não detectei por alto alguma reflexão.
 
Não verei o próximo jogo, depois do que vi esta época não conseguiria ver mais algum jogo desta equipa miserável e de um clube em queda acentuada por uma SAD incompetente que deve levar mais com estes resultados nas trombas como negas e vão à merda dadas há um ano pelo Vítor Pereira. Aliás, nem sei quando será o próximo jogo. Vou tentar ver os golos na net, porque há semanas que nem tv vejo, a bem da saúde mental.
 
E é tudo, desta época pouco mais haverá a dizer. Até por aqueles que só há um par de meses perceberam (perceberam?) o que antevi há mais de meio ano.

Projecto falhado dará frutos?

O FC Porto poderá jogar hoje em Olhão uma cartada geográfica, no fim de Portugal, similar, em imagem, à de ir ao fundo do baú recuperar umas quantas coisas perdidas: integrar talvez no onze, ou mesmo lançando só a meio no jogo, alguns jogadores da equipa B.
 
Se esta fosse uma prática corrente, na esteira da semente de portismo lançada nos anos 90, tudo bem; mas não é, trata-se de um recurso ao jeito do Sporting, o que não quer dizer necessariamente um recurso leonino enquanto adjectivo. É apenas oportunístico. E, mesmo assim, muitos aplaudem a palha que lhes servem, pelo que a primeira constatação é que os adeptos comem qualquer coisa que lhes ponham à frente, sem questionarem, como não questionam Atsu desperdiçado e ostracizado e Kelvin ostracizado e desperdiçado, ambos igualmente procedentes da "formação" carente de uma formação de gestores e responsáveis que são mais de deitar ao gato.
 
Há quem alvitre, em consequência, ou anteveja, um regresso ao passado, com malta jovem só da "escola". Está bem, quem se habituou a comer marisco não se importa de comer sardinha, constatando-se, como na palha, que alguns adeptos portistas têm boa boca e não enjeitam nada. É uma vantagem a contrapor àqueles que têm fraco estômago e não engolem tudo, embora possam passar mal. Será uma questão de fazer das tripas coração, o que não é bem o significado para um caso ou outro, antes pelo contrário...
 
A outra constatação virá depois, se se provar que alguns "Bês" podem integrar o plantel principal há anos tão avesso a acomodá-los devida e carinhosamente sendo serem da casa. Se fosse assim, o mais lógico seria pôr um Domingos a treinador, por exemplo, que até treinou a primeira equipa B do FC Porto. Ou fazer regressar Sérgio Conceição, sei lá, em vez de se meterem e aventuras por paragens que pouco dizem e nada adiantam, como se viu esta época.
 
Ora, a ironia é que, se tal sucedesse a contento, com os vários Mikel, Gonçalo e Tozé, seria óptimo depois de gorado o Projecto 611 que na sua vigência nada deu e de cuja responsabilidade não se tiraram, como no futebol profissional, as devidas ilações e imputações.
 
Restaria a saída à campeão, pugnando pelo aproveitamento dos recursos, rejeitando o oportunismo e rezando para que dê certo. Mas cair ao lado do Sporting seria, igualmente, o pior que poderia pensar-se e decerto ninguém o pensaria.

Mas como na SAD continuam as lutas de intestinos, vendendo compras aqui e ali, resta saber quem deu a notícia do 1º de Maio a O Jogo para o FC Porto reagir assim (não cheguei a ver o jornal, só a capa e apanhei isto por terceiros que se preocupam mais do que eu sendo de outros clubes e calimerices várias). Vá lá, ao menos o Labaredas não se apagou naquela vil tristeza do Dragão. Tudo por um Ghazal. Ainda se fosse por um Deco...

 Mas quem originou isto: o Alexandre e o Antero ripostou ou vice-versa e os corredores do Phoder movimentaram-se no labirinto intestino? Curiosamente, tal como não vi o jornal do dia e nem sabia da resposta, também não percebi que algum blog portista mencionasse a coisa e pensasse (?) sobre o assunto: devem ter preferido dormir para o outro lado onde estão melhor e pensar que as coisas se resolvem por si próprias. Como tudo o resto, afinal...

03 maio 2014

Dúvidas se morreu o tiki-taka, mas o catenaccio é que não!

Do tiki-taka fala-se há meia dúzia de anos e parece que já lhe prognosticam o fim destinado às relíquias, por mais douradas, a cobrirem-se de pó. Não o creio, ainda que a magnitude da sua exuberância tenha tido o seu apogeu em 2009-2011 com a melhor equipa de futebol de sempre, o Barça de Guardiola, pelas conquistas e  exuberância e constância alcançadas.
 
O que parece imorredoiro, e não merece reparos de maior nem lamentos de tão nefasta durabilidade, é o catenaccio, o moderno autocarro e uma desfeita moral, ética e técnica que pode estourar na cara do mais pintado, que o diga Mourinho.

 
Entretanto, temos o Benfica ao estilo autocarro e Jesus sucessor de Mourinho. O Benfica tem tido uma sorte danada e vai ganhando à italiana. Daí rir-me com os lamentos da Juventus, como se o que condenam, com justeza e sem miasmas, no jogo do Benfica não fosse imagem de marca de equipas transalpinas, desde a Juventus de quase sempre ao Inter... de Mourinho.
 
Não se cometem injustiças com o tiki-taka, pode-se reinar com a falibilidade humana de um jogo feito por homens e não por máquinas, cerebral e racional e não mecânico e orquestrado até com artimanhas mil.
 
Perceba-se o que se dizia de Mourinho triunfante com o Inter em 2010, ante o Barcelona de Guardiola, e o que se diz agora com o Chelsea, onde Mourinho sacrificou todo o talento à iminência de um resultado que nem sempre se consegue da pior maneira possível.
 
Quem elogiou o Inter retranqueiro e feliz, manhoso e injusto campeão europeu, pode limpar as mãos à parede e assoar-se à ética apregoada e às loas tecidas ao de mais feio no futebol, o feio que era o catenaccio já nos anos 60 e que as equipas italianas porfiavam numa imagem de marca que não era propriamente positiva.
 
Com uma equipa imensamente rica, Mourinho destruiu o jogo do Chelsea. Hazard: "Não somos de jogar futebol".
 
Talvez um dia no Benfica percebam isso e se venham, como a Juventus, lamentar de velhos truques.
 
Certo é que raros conseguem emergir na história do jogo como brilhantes, abundam os mais certinhos que jogam no limite das leis e da compreensão e afecto e vão ganhando aqui e ali.
 
O autocarro nem sempre ganha, aliás ganha até poucas vezes. Pode durar, mas não faz longos trajectos, muito menos com registo na memória a não ser pelos piores defeitos.
 
O fracasso de Mourinho, já apreciado em Madrid, é o epítome de toda a discussão sobre o futebol moderno. Ou nem tão antigo. Outros se seguirão, sendo certo ser mais fácil defender do que atacar mas em qualquer dos casos é sempre preferível fazer bem uma coisa ou outra, melhor se se juntarem as duas.
 
A final da Champions em as melhores equipas da Europa, indubitavelmente, ainda que fastidiosamente por não permitir emergirem outros finalistas restritos a um círculo cada vez mais elitista e inalcançável. A final da Liga Europa leva as duas piores das semifinais. Que ao menos prevaleça a que é desta competição, porque a degradação dela está manchada com repescagens indignas.
 
O modelo das competições devia estar mais em causa do que o figurino táctico e a maestria do jogo.

02 maio 2014

A ilusão do progresso pelos rankings

Há uma notícia de impacto, hoje, que é a subida de Portugal ao 4º lugar do ranking de clubes da UEFA. Ultrapassando a Itália. Eu percebi o choque pela Gazzetta dello Sport, esta manhã. Pior do que a Juve não ter mantido o lugar na "sua" final, a ultrapassagem de Portugal é mesmo inédita. Claro que resulta de o Benfica ter eliminado a Juventus, com mais choro ou menos sorte a que qualquer um deles nos habituou. E já era previsível. O que os italianos não sabem é como chegaram a isto. Os portugueses também não. Esta é a piada.
 
Portugal sobe ao 4º lugar do ranking, com reflexo na entrada em campo das equipas já em 2015-16, na época em que as suas equipas foram eliminadas da Champions e da Liga Europa. Nenhuma passou a sua prova e, contudo, como nos últimos anos, o Benfica por aí anda. A Itália não se apercebeu que a Liga Europa é um maná, Platini nem quer saber para além da Champions e das selecções com a nova Taça das Nações para entreter camelos, o Benfica faz-se grande em cada saída da Champions e a Liga Europa vai para a 3ª em cinco finais com possibilidade de ter um eliminado da Champions a ganhar um troféu europeu, depois do Atl. Madrid (de Quique Flores,após apenas 3 pontos na Champions) e o Chelsea da época passada. Os pontos acumulados pelo Benfica em todas as épocas de desastrosa Champions, a começar por aquela de 2011 em que esteve em risco de sair mesmo em Dezembro face ao Hapoel Telavive (para não dar confusões com o de Chipre) não fosse Lacazette empatar os israelitas e darem uma mão ao Benfica que depois quase chegou à final com o FC Porto em Dublin, só indigna mais porque tudo isto é fancaria.
 
Não altera propriamente o nº de equipas a inscrever, mas era inimaginável ver Portugal acima da Itália. Na próxima época, Rio Ave, Estoril e Nacional serão, provavelmente, eliminados da fase de grupos da Liga Europa, se alguma não ficar antes pelas qualificações. E, provavelmente, entre Benfica, Sporting e FC Porto será difícil que um deles siga em prova depois de Dezembro, sempre com a boia de salvação por perto no 3º lugar dos seus grupos...
 
 
Mourinho diz preferir ficar nas semifinais da Champions e em 2º, ou mesmo 3º, a lutar até ao fim da Liga inglesa do que ter acabado a 25 pontos do campeão mesmo vencendo a Liga Europa como sucedeu ao Chelsea de Benitez na época passada. De resto, Mourinho, como antes André Villas-Boas em 2011, como eu sempre defendi aqui, muita gente acha indigno esta repescagem da Champions para a Liga Europa. Fosse a Juventus a apurada, como merecia até por ter mais futebol do que o Benfica, pensaria na mesma em torcer pelo Sevilha (ou Valência) na final de Turim. Que alguém salve a face desta competição. A dignidade dos rankings já só tem anedotas, como dizem os espanhóis...
 
Por falar em rankings, o título nacional do Benfica, o título de campeão do 2º lugar do Sporting, as finais domésticas do Benfica e a final de Turim com o Benfica devem fazer bem a alguma coisa. Os pasquins, quais panfletos de caserna, bem precisam. Como estão quase todos na capital, a que se converteu o "amigo Joaquim" e outros antes seus inimigos fidagais e hoje marcelinos pão e vinho, vejam bem o estado das coisas no primeiro bimestre de 2014 (já aqui trouxe uma vez a tabela, do final de 2013). Os números, oficiais (APCT), são de ontem e a variação é homóloga (Jan/Fev de 2013), mas já em Dezembro o sinal era todo negativo. É claro que quem vai à frente é o maior, tipo chefe máximo de pessoal mínimo. O JN, já a bater nos 50 mil, e O Jogo, nos 16 mil só para amigos, por terem ainda a sede no Porto dão uma ideia do panorama regional e da forma como os seus leitores apoiam a Imprensa de proximidade mas que sentem sempre longe...
 
Não admira, depois de ver mais uma alinhada coutada de "heróicos" títulos em que se anicharam os pasquins, que as vendas e o talento estejam pela hora da morte. A curiosidade será ver estes números no Verão, quando se souberem as vendas de Maio. Acho que nem os títulos lhes valerá e os finais estão à vista. A perda de credibilidade, contudo, parece-me mais elevada e de mais perigo do que as quedas das vendas em banca.
 
      Exemplares
vendidos em bancaVariação
         (Jan/Fev)     (%)
20132014
Correio da Manhã112919109467-3,1%
Expresso8091470802-12,5%
Jornal de Notícias5656153751-5,0%
Record4600741425-10,0%
Sábado3761529794-20,8%
Visão2982426846-10,0%
O Jogo1817716185-11,0%
Público1730515376-11,1%
Diário de Notícias1318612034-8,7%
Sol1303211504-11,7%

 

Desgaste físico e de imagem se não for Atlético

Não sei se está provado que fazer muitos jogos cansa ou sequer diminui a frescura física e desgasta a dinâmica do (seu) jogo. Ao ver o Atlético de Madrid tantas vezes desde o início da época penso que ou furam todos os palpites e prognósticos ou é a sorte de estarem bem uma vez num milhão. Mas não é, pois na época passada fizeram muito bem, acabaram em 3º lugar e voltaram à Champions ganhando a Taça do Rei no Bernabéu frente ao vizinho de Madrid - depois de vencida a Liga Europa já com Simeone em 2012 e prolongando por 16 os jogos sem derrotas na competição nº2 da UEFA.


Ao lembrar que, desde o início da época, nunca vi Danilo e Alex Sandro frescos e de "cabeça limpa" para darem o máximo, questiono-me o que é desgaste vendo jogar sempre, e seguramente em jogos de mais responsabilidade e intensidade na Liga espanhola e na Champions inclusive contra o FC Porto, os laterais colchoneros, Juanfran e Filipe Luís.
 
Direi o mesmo para os médios do Atlético, como Koke ou Gabi, este mais pontualmente, ou Raúl Garcia, este intervalando mais a titularidade com o banco.
 
Nunca pensei, à luz do preconceito de saber que não se rende o mesmo toda a época, que o Atlético resistisse tanto. E, contudo, ele lá está a desafiar as probabilidades, com uma leveza de máquina high-tech e uma eficácia que, a despeito da intensidade e da regularidade das suas exibições colectivas e individuais, tornam ainda mais impressionante a sua campanha - imbatível na Liga dos Campeões e depois de ganhar em S. Siro, quase em Camp Nou e agora no Chelsea.
 
Por fim, contrapondo aos Filipe Luís e Koke, vendo Ashley Cole e David Luiz que só Mourinho podia pôr a playmaker recuado, como um 4 que nem é Guardiola ou o 6 de Busquets, para o fracasso total na construção de jogo - só dá vontade de rir e se percebe como o Atlético, sem nomes verdadeiramente sonantes, pôde  chegar tão longe mas fresco como uma alface e mortífero como um caça supersónico sempre acima da velocidade de som, de tom e de bom. Muito acima de bom, a fazer-nos lembrar que a condição física é primordial para dar lastro a uma organização de jogo irrepreensível e, na verdade, inusitadamente arrasadora - e lá vão Milan, Barça e Chelsea, depois de Porto e Zenit onde também ganhou.
 
Suspeito que também aqui deve haver sinal de importância crucial de um grande treinador. Deve ser por isso que parece haver cada vez menos destes e é preciso que se dê conta deles ao fim de algum tempo. Os mitos do passado podem ser enterrados de vez em Lisboa. Assim cresça o Atléééétiiii!

01 maio 2014

Socialismo pelo 1º de Maio

Agora que o Governo já anunciou novo aumento de impostos, incluindo o IVA em que todos (consumidores) pagam tenham muito ou pouco mas uma garrafa de vinho de 100 euros leva a mesma taxa de uma de 10 ou mesmo 1 euro, além da famosa TSU que não poupa qualquer trabalhador, já podemos celebrar os 40 anos do 1º de Maio. Em nome do consagrado na Constituição, Portugal continua orgulhosamente empenhado na construção da sociedade socialista. A bimbalhada que se ufana com as reportagens de merda e mentirosas do 25/4, graças aos directores de sub-informação, pode proclamar os amanhãs que cantam.
 
Ah, dizem que é um Governo de Direita, pior, neo-ultra-hiper-liberal. Livra!

Como vou lendo uns clássicos de Economia - já que prescindi de seguir a Licenciatura programada, optando pela primeira oportunidade de trabalho surgida ao acabar o 12º Ano em 1980 -, depois de umas lições na matéria bem como de Finanças e Contabilidade num programa de pós-graduação que concluí -, cada vez me descubro mais a mim mesmo como um Liberal que nunca sonhei!.

Até Ron Paul (senador e candidato republicano nos EUA) já conheço:
This idea that the government has services or goods that they can pass on is a complete farce. Governments have nothing. They can't create anything, they never have. All they can do is steal from one group and give it to another at the destruction of the principles of freedom, and we ought to challenge that concept.

Porque também sempre apreciei História e conheço os avanços (alguns recuos) da Civilização, o enterro do Socialismo, que sempre trouxe pobreza, é cada vez mais o fim do Mito que até me faz rever o que já antevi para Mourinho...

A importância de um treinador (II)

A saída de Mourinho de Madrid no Verão passado, depois de se incompatibilizar com o balneário, foi tomada em Portugal, pelo parolos do costume, como um "treinador livre", não um falhado que já se sentia a mais e onde não era bem amado, para além de se queixar da fobia dos espanhóis para com os portugueses.
 Quando saiu, além de lhe lembrarem que só tinha disputado semifinais da Champions com o Madrid, os adeptos tiveram este desplante.
 Sempre achei, escrevi-o, que o Real Madrid precisava mais de Cristiano Ronaldo do que de Mourinho.
 
Ao ver o Chelsea sem mando no campo, suplantado por um Atlético pouco incomodado com a desvantagem no marcador, lembrei-me deste sinal.

Só tenho pena de não rever o embate de há 40 anos entre Bayern e Atlético de Madrid. Mas o Real Madrid foi melhor graças a um treinador que melhorou a equipa, tal como o Atlético com Simeone.
 
Sobra o problema da Champions: podia repetir-se a final de 1974 em Bruxelas, a única que teve de ir a "finalíssima" e 48h depois de o central alemão Schwarzenbeck ter igualado aos 120', com um tiro rasteiro de fora da área em posição frontal, o golo magnífico de livre directo, no que se chamava então de "folha seca", de Luís Aragonés perante um Sepp Maier especado e uma barreira que, naqueles tempos, não saltou para evitar a bola a voar suavemente para as redes, creio que aos 114 minutos.
 
E é destas memórias que se faz o futebol. Não o futebol retranqueiro a que Mourinho já nos habituou.
 
As memórias agora sucedem em tropel, pois este século começou, em Paris, com uma final espanhola entre Madrid e Valência. Seguiram-se a final italiana (Milan-Juve em 2003), a inglesa (Chelsea-M. United em 2008) e a alemã (Bayern-Dortmund em 2013). Recomeça o ciclo e começa a ficar aborrecido. Mesmo que o campeão já não consiga revalidar o título, na "maldição" da Champions.
 
Mesmo que sejam finalistas em Lisboa as duas melhores equipas da Liga espanhola e da Europa, claramente.
 
Dos fracos nunca reza a história. E o brilhante Atlético, em memória precisamente de Aragonês que era um médio-ofensivo de raça pura, que ganhe a taça para haver um novíssimo campeão.