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20 agosto 2014

É, vai ser um cabo dos trabalhos

O FC Porto ganhou em Lille e este 1-0 não teve nada a ver com o último triunfo europeu fora de casa, em Viena. Esta equipa, ainda em construção e com jogadores como Quaresma, Adrián e Tello no banco para acomodar os que têm a preparação mais atrasada mesmo que outros, como Casimiro, entrem e justifiquem a titularidade apesar de ainda não dar para uma consistência de 90 minutos, vai mesmo fazer uma boa época e até dar espectáculo, estou convicto plenamente.
 
Acontece que, nesta fase de crescimento acelerado auto-imposto, tem de ser assim e para já está bem. Embora não tenha percebido a intenção do técnico JL em colocar o Oliver à direita, onde não rende como no meio nem é tão perigoso como atrás do ponta-de-lança sendo que o seu futebol curto mas de passada larga e passe fácil fosse necessário com os combativos gauleses, não está ainda na hora de discutir opções: seria estultícia. Mas a entrada de Quaresma no final, por Oliver, embora sem reflexo no jogo, indicou que podia e devia ter sido assim.
 
Não sou de prognósticos só no fim e, de resto, já me pronunciei sobre a nova vida do futebol portista, quer com a contratação de JL quer com a prevista aposta em jogadores espanhóis ou de Espanha, como Brahimi que ele conhecia de lá (Granada). E tanto assim é que, logo antes do golo de Herrera, com a entrada de Tello eu desejava que entrasse alguém(Quaresma ou até Adrián) para tirar Herrera e meter alguém forte no flanco esquerdo. Pois Herrera marcou e não vou dizer que não achava que ele devia ter saído. Correu bem, para Herrera, para o treinador que teve logo a aposta ganha em Tello, para este que vai mostrando ser decisivo em minutos de rodagem para o seu entrosamento que venha a render o máximo. Tudo está bem quando acaba em bem e o FC Porto foi mais forte colectiva e individualmente do que o Lille, equipa de trabalho, física atrás e veloz na frente, num perfil italianizado que o futebol gaulês adquiriu há mais de 20 anos. E se acaba bem é porque a equipa, o jogo e a vitória convenceram - tudo ao contrário de há um ano em Viena que me fez, aliás, logo de seguida, antes de Setembro terminar, que não iríamos longe nem com a equipa, nem com o futebol nem com o treinador. Helàs, vamos rever o Preocupações Fonseca já no sábado em P. Ferreira...
Os lapsos parvos da defesa, onde faltava a chamada de atenção do treinador malfadado de há um ano, foram trocados por entradas valentes, posicionamento correcto e alívio quando tem de ser. Uma equipa forte atrás torna-se mais forte na frente.
 
Parece-me é que Oliver tem de jogar no meio nem que seja Herrera o sacrificado, até por continuar a gerir mal a bola (passe) como dantes, para ganharmos acutilância na ponta que hoje pareceu manca.
 
São ironias do futebol mas a sua verdade do campo é normalmente incontestável. O FC Porto tem mais futebol, o Lille sabia disso mas também está formatado para tal e queria o 0-0, simplesmente não sofrer golos. Não é que o FC Porto tenha criado muitas ocasiões, mas foi senhor do jogo e impôs a sua maneira e estilo, apesar de algum desnorte nos 5' finais em que geriu pior a bola e saídas mais concretas e definidas para o ataque, quiçá para ampliar a vantagem com o Lille já definitivamente apostado em atacar com os jovens e excelentes Ryan Mendes e Marcos Lopes.
 
É, vai ser um cabo dos trabalhos este FC Porto. Mas para os adversários. E isto ainda mal começou, há tanto por afinar mas já muito em produto acabado a que falta acrescentar valor e brilhar. Não tenho dúvidas disso. A entrada na Champions é uma formalidade agora, já que não antevejo o FC Porto dar hipóteses de contra-ataque ao LOSC no Dragão, apesar do equilíbrio notório que esta fase de apuramento tem revelado. E esta sucessão de jogos com graus de dificuldade e especificidades diferentes - agora impondo a cautela de gestão de um resultado em casa onde atacar não é mais a prioridade - ajudam a equipa a crescer. A sério. E com maturidade e classe que ainda não se vêem.