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12 fevereiro 2008

O Currículo

Na altura em que escrevo, existem dúvidas sobre a veracidade dos dados biográficos de Leando Lima. Ainda não são conhecidos os contornos completos do caso mas, aparentemente, L. Lima terá sido uma daquelas crianças que se foi registar pelo próprio pé. Segundo notícias recentes, terá mais dois anos do que o que constaria dos seus documentos.

Já muito se escreveu sobre este caso. Já se insinuaram responsabilidades ao FCP. Na edição online do jornal “O Jogo”, correu um inquérito sobre qual deveria ser a resposta do FCP ao caso – defender o jogador, ou rescindir o contrato. Responsáveis da federação brasileira de futebol, confrontados com as possíveis consequências deste facto – L. Lima terá sido utilizado na selecção sub-20 do Brasil já com 21 anos – ironizaram sobre se o FCP perderia os seus títulos por causa desta questão.

Pessoalmente acredito que, caso se revele verdadeira a fraude, esta só pode ter uma resposta. Evidentemente, não poderá recair qualquer pena sobre o FCP. Tal só poderia suceder se o clube fosse conivente com a situação – o que não poderá ser o caso, já que Leandro Lima representou irregularmente a selecção brasileira muito antes de ser jogador do Clube – ou se tivesse beneficiado da irregularidade da sua inscrição
– o que também não será verdade, já que L. Lima só foi utilizado em jogos de séniores.

Torna-se claro, portanto, que o FCP não terá beneficiado com esta situação. Pelo contrário, tudo indica que terá sido vítima de uma fraude. Para além do talento natural de um jogador, a sua idade é também um factor decisivo na definição do valor de mercado. A idade dá-nos duas informações. Por um lado, diz-nos (mais ou menos) quantos anos de carreira o jogador terá pela frente, até à sua reforma. Por outro lado, diz-nos qual é a sua margem de progressão. Naturalmente, no caso de um jogador jovem, este último factor é decisivo. Ser um jogador importante da selecção brasileira de sub-20, aos 19 anos, é verdadeiramente impressionante. Assumir esse papel aos 21 anos já impressiona muito menos.

Acresce que a margem de progressão de um jogador de 21 anos é muito menor do que a de um de 19. Dois anos, nessa fase de intensa aprendizagem e de adaptação ao futebol sénior, fazem uma diferença enorme. Pode-se justificar, para o FCP, contratar um jogador com 19 anos que não tenha perspectivas de ser titular – sendo legítimo esperar que, com a natural evolução, possa conquistar um papel importante na equipa ao fim de um ou dois anos de aprendizagem. Já é mais duvidosa – e arriscada – a contratação de um jogador de 21 anos nas mesmas condições. Logo, o factor idade é decisivo na atribuição d
e um preço ao passe do jogador. Nesta circunstância, pode-se concluir que o negócio foi fraudulento.

Perante o exposto, não tenho dúvidas de que seria legítimo ao FCP anular o negócio da sua aquisição. Pode, portanto, reagir de duas formas. Tem legitimidade para anular a transferência, exigindo a devolução do dinheiro investido. Em alternativa, pode renegociar com o clube de origem do jogador, reavaliando o jogador face à sua idade real, e exigindo a devolução da parte do passe correspondente à diferença.

Penso que a melhor solução será a primeira. Por um lado, será muito difícil reavaliar o jogador, atribuindo-lhe um valor aceitável para as partes. Uma vez iniciada a negociação, seria provável que se chegasse a um valor de consenso superior ao real valor de mercado, pelo que o FCP continuaria a sair prejudicado (note-se que, ao assumir esta opção, o FCP estaria imediatamente a admitir que pretende ficar com o jogador, apesar de tudo – ou seja, que lhe atribui um valor elevado). Por outro lado, existe um factor externo que será importante neste caso. Tendo havido fraude quanto à idade, não restariam dúvidas de que o jogador será o primeiro responsável. Tendo representado selecções jovens com uma idade acima da regulamentar, será de esperar um castigo pesado da FIFA – o qual penalizará, indirectamente, o proprietário do seu passe. Ou seja, o FCP arriscava-se a não poder utilizar o jogador durante uns bons meses.

Acresce que a veracidade dos factos descritos num currículo têm sempre implícito um compromisso de honra. Mentir num currículo é um acto gravíssimo, que atesta falta de princípios éticos por parte de quem o faz. Ainda há coisa de um ano tornou-se mundialmente célebre o caso de uma alta responsável do MIT (uma das principais universidades norte-americanas), em relação à qual foi descoberta uma fraude no seu currículo quando aderiu à instituição, já lá iam mais de 20 anos. Nunca esteve em causa a competência da senhora – já que subiu ao topo da hierarquia –, mas estava em causa a sua ética (e se teria deixado ficar para trás alguém ainda mais capaz, graças à fraude). Naturalmente, a senhora demitiu-se imediatamente.

Num clube como o FCP, em que o profissionalismo e a união do balneário são imagens de marca, penso que não deverá haver dúvidas sobre a resposta a este caso lamentável.

05 fevereiro 2008

Superleague Formula

Fazendo um aparte em relação aos habituais textos sobre futebol, os adeptos portistas foram, recentemente, agradavelmente surpreendidos com a notícia de que o FCP integrará a Superleague Fórmula. Essa eclética competição – integrando, para já, as equipas do AC Milan, PSV, Olympiakos, Borússia Dormund, Anderlecht, Flamengo, FC Basel e Galasataray, para além do nosso emblema, será mais uma oportunidade para vibrar com o FCP e conquistar mais troféus para o nosso futuro museu.

O objectivo da competição será o de colocar 20 carros idênticos em prova (cada clube terá um carro), representando os principais clubes da Europa e do Mundo (esperando que, pelo menos, metade dos participantes sejam oriundos do G-14).

A origem dos carros será norte-americana, sendo provenientes de um fabricante de carros de competição com experiência em provas como a Indy Racing League. Trata-se de um monologar construído em fibra de carbono, com uma aerodinâmica distinta (ou seja, diferente dos carros utilizados noutras competições de monologares), concebidos para minimizar os inconvenientes associados ao cone de ar do carro que vai à frente – ou seja, procurando maximizar as possibilidades de ultrapassagem, por oposição do que se verifica na Fórmula 1 actual, em que o carro que segue no cone de ar de outro carro vê seriamente comprometida a sua eficácia aerodinâmica, perdendo aderência em curva.

Os carros, com 2 metros de largura máxima e menos de 3,2 m de comprimento, terão um peso de cerca de 675 kg, sendo propulsionados por um motor V12, de 4,2 litros, com 750 cavalos.

Nesta época inaugural, a Superleague Formula terá 6 corridas. Numa delas, a realizar a 1 e 2 de Novembro, teremos a oportunidade de conquistar mais uma vitória em solo “mouro”, desta vez no autódromo do Estoril (afinal, parece que sempre serve para alguma coisa).

Todos estes ingredientes parecem indiciar que será uma prova de sucesso. Aliando carros de qualidade – ainda por cima, na minha opinião, com a vantagem de serem iguais entre si – à paixão clubística (no fundo, associando a prova ao futebol), admito que poderá, a prazo, ser uma séria concorrente à cada vez mais desacreditada Fórmula 1.

Pela minha parte, que sempre gostei de Fórmula 1, tenho vindo a perder o interesse ao longo dos últimos anos – e a época passada, tendo sido extraordinariamente competitiva, acabou por ser manchada por questões disciplinares de extrema gravidade. Penso que, muito facilmente, trocarei o meu habitual interesse na Fórmula 1 por esta prova.

O site oficial pode ser visitado em http://superleagueformula.net/

19 dezembro 2007

À Campeão

Aguardei o jogo com o Guimarães com alguma apreensão, ou mesmo nervosismo.

Para um portista, o jogo mais difícil é sempre o que se segue. Acontece que, desta vez, o adversário seria uma das melhores equipas da Liga, a qual ocupava – com inteira justiça – o terceiro lugar.

O FCP iniciou o jogo com uma vantagem relativamente confortável sobre o 2º classificado (7 pontos). Acresce que este jogo seguiu-se a outros dois de grande responsabilidade. Primeiro jogamos na Luz, de onde poderíamos sair com um ou sete pontos de vantagem. Fizemos um jogo à altura da nossa valia, e saímos vitoriosos, ganhando tranquilidade no campeonato.

Logo a seguir, recebemos o Besiktas para a Champions, num jogo de tudo ou nada. Apesar da nossa vantagem no Grupo, entramos em campo nesta última jornada sabendo que poderíamos ficar em qualquer dos quatro lugares. Fizemos um jogo seguro, tranquilo, e demasiado forte para o Besiktas. Como resultado, conseguimos o feito notável de ganhar o Grupo – algo que não fazíamos desde os tempos de António Oliveira e Jardel. Esta vitória é extremamente importante, já que permite entreabrir a porta dos quartos-de-final na Champions.

Depois dessa semana, jogar com o Guimarães seria sempre perigoso. Implicava receber uma equipa forte e personalizada, praticando bom futebol, e que tem lutado pelos lugares de acesso à Champions. Adicionalmente, não sendo um rival tradicional, havia o risco de alguma descompressão, podendo o FCP perder pontos neste jogo.

A reforçar os piores receios, entramos no jogo falhando uma oportunidade de baliza aberta. Pior, só começar sofrendo um golo! Após essa perdida fizemos uma primeira parte de bom nível, mas o empate manteve-se teimosamente – e ainda voltamos a ter outra perdida flagrante.

Entramos na 2ª parte empatados, e sabendo entretanto que o mais directo perseguidor tinha perdido. Ou seja, mesmo com um empate ganharíamos um ponto. O Guimarães, pelo contrário, sabia que a vitória valia o 2º lugar. Entraram de rompante, fazendo os seus melhores 10 min. de jogo – e, provavelmente os melhores 10 min. de qualquer adversário que tenha vindo ao Dragão nesta época. No final desse período, a classe de uma equipa fria, que só pensa na vitória. Surge um golo “à italiana”, um golo cínico, ao alcance das grandes equipas que não perdoam as menores descompensações. A fazer lembrar o Porto “vintage” de 2004.

Depois do golo, mesmo sabendo que o mais difícil estava feito, o FCP continua a ameaçar o adversário – apesar de perder o principal pilar na transição defesa –, e a procurar ampliar a vantagem. Obtém o 2º golo, matando definitivamente o jogo e anulando uma das equipas que melhor jogaram no Dragão!

Para além de todas as qualidades técnicas e tácticas da equipa, o jogo de sábado revelou uma equipa ambiciosa e com enorme personalidade, que procura ganhar todos os jogos, como se todos fossem igualmente decisivos. Com esta atitude, dificilmente se poderá repetir o susto do ano passado, em que a equipa quase desbaratou a desvantagem que tinha no Natal, chegando-se a recear o pior. Esta época, e apesar de já termos uma vantagem histórica sobre o segundo, o FCP demonstra querer sempre ampliá-la. Jogando à Campeão, para que na Primavera possa se possa escrever Há Campeão.

Liga Intercalar
FCPorto - D. Aves, 15H00 - CTFD PortoGaia

21 novembro 2007

Jesualdo

Salvo raras excepções, os treinadores do FCP são sempre alvo de críticas ferozes por parte da massa associativa – o que também estará ligado ao elevadíssimo nível de exigência dos adeptos do FCP.

Entre as raras excepções, de que me posso recordar, podem contar-se Pedroto (que transformou, definitivamente, o FCP num clube de dimensão europeia), Bobby Robson (recentemente reformado, com 74 anos!) e José Mourinho. Não obstante, José Mourinho foi alvo de críticas generalizadas, por alegadamente ser um treinador defensivo, que recuava a equipa após o 1-0. As críticas só desapareceram após a vitória na Taça UEFA o que, aliado à “dobradinha” dessa época, permitiu a construção do mito, fortemente ampliado após a Champions.

Há, ainda um outro treinador
que não juntei à lista, por ter tido três fases distintas – Artur Jorge. Começou por ter dificuldades em impor-se junto dos adeptos. Depois da vitória na Taça dos Campeões, tornou-se num dos treinadores mais queridos. No entanto, não se livrou de fortes críticas durante a sua segunda passagem – e a sua saída foi pouco lamentada.

Há ainda alguns treinadores que são duramente contestados quando estão no FCP, mas que deixam boas recordações junto dos adeptos. Estou a
falar, sobretudo, de Carlos Alberto Silva –acusado de ser defensivo, e de fazer escolhas medíocres de novos jogadores. Entre os grandes vencedores, houve mesmo um que nunca conquistou, verdadeiramente, os adeptos. Foi Tomislav Ivic, vencedor da Taça Intercontinental, da Supertaça Europeia e da “dobradinha” numa das melhores épocas de sempre do clube (em que terminamos o campeonato com 15 pontos de diferença, quando as vitórias valiam 2 pontos!), mas que foi despedido por ter sido eliminado da Taça dos Campeões Europeus pelo... Real Madrid (de uma das melhores equipas de sempre do Real, diga-se).

No outro extremo, todos nos lembramos de um treinador que, tendo chegado ao clube após uma das suas piores épocas dos últimos tempos, e tendo ganho uma “dobradinha”, foi mesmo alvo de uma agressão por parte de elementos de uma claque, que poderia ter tido graves consequências.

Dito isto, não surpreende que Jesualdo seja alvo de constantes críticas por parte dos adeptos. Esta é a tradição da casa, e só um título europeu o poderia deixar a salvo de contestações (por quanto tempo?).
O FCP lidera o campeonato à 10ª jornada (ou seja, decorrido 1/3 do campeonato), com 26 pontos (8 vitórias e dois empates). Tem a liderança mais folgada dos grandes campeonatos europeus. Na Champions, após 4 jornadas, lideramos o grupo. Não só estamos quase apurados para os 1/8, como temos fortes possibilidades de – apenas pela 2ª vez na história – vencer o nosso grupo – apesar de este integrar os actuais vice-campeões europeus (e vencedores em 2004-05).

Jesualdo entrou no FCP na época transacta, em circunstâncias conturbadas. Assumiu o comando da equipa após o 1º jogo oficial da temporada, com uma equipa que não tinha sido construída por ele, e rotinada para um esquema de jogo muito peculiar. Apesar disso, conseguiu renovar o título de campeão e apurar-se para os 1/8 da Champions, onde foi eliminado pelo poderoso Chelsea (mesmo assim, esteve em vantagem durante boa parte da eliminatória, e o FCP poderia ter passado se não fosse um lance infeliz do seu excelente guarda-redes). Este ano tem liderado o campeonato com autoridade – apresentando uma vantagem pontual que nem sequer expressa a sua superior qualidade –, apesar de ter cedido dois empates nos dois últimos jogos. O primeiro em casa, num jogo em que fomos manifestamente infelizes, e o segundo fora, num campo que tradicionalmente nos é difícil, mas que ocorreu sobretudo por desconcentração dos jogadores, e por dois erros individuais de palmatória.

Existem três qualidades importantes num treinador. Os conhecimentos teóricos e técnicos – ou seja, o seu domínio de todos os aspectos relacionados com a preparação de uma equipa, e a qualidade das decisões de contratação –, a capacidade de leitura dos jogos – ou seja, a capacidade de perceber as circunstâncias específicas de um jogo, e de fazer alterações tácticas
–, e a capacidade de motivar os jogadores. Poucos serão excelentes nestas três vertentes (sendo Mourinho o exemplo acabado e raro de um treinador que domina as três).

Jesualdo é mais forte
naquela que, para mim, é a qualidade mais importante – sobretudo quando se pretende construir um projecto sustentável. É um homem inteligente, com profundos conhecimentos do mundo de futebol, e uma boa base de dados de jogadores. É, também, um especialista em formação – tendo na época transacta levado ao título uma equipa extraordinariamente jovem.

A sua pior vertente será aquela que, para mim, é a menos importante – a capacidade de reacção no banco.
As alterações feitas durante um jogo tendem a ser sempre modestas (divirto-me com os comentadores que dizem que “o treinador mudou a estratégia ao intervalo”), não podendo actuar de forma dramática sobre a postura de uma equipa. Será muito mais importante o “trabalho de casa” do que a capacidade de improviso (não querendo dizer que não seja desejável juntar ambas as qualidades).

Finalmente, não tendo a capacidade de Mourinho de galvanização de um grupo de trabalho, Jesualdo é competente nessa matéria – e tem sabido resolver os problemas de balneário que lhe têm surgido.
Seria de esperar que Jesualdo fosse, nesta altura, um treinador querido pelos adeptos do FCP – alguém que eles desejariam ver por longos anos no clube, para dar profundidade às suas ideias. Por isso, vejo com estranheza a persistência e a violência das críticas que lhe são feitas – de forma moderada nas frequentes vitórias do clube, e de forma violenta quando este não ganha.

Tenho para mim que é desejável a estabilidade a nível de treinadores – o que será ainda mais importante no dia em que Pinto da Costa abandonar o clube. Jesualdo será o homem certo para garantir essa estabilidade.

29 agosto 2007

Meios Públicos e Privados

A LPM, de Luís Paixão Martins, é uma das prestigiadas empresas de consultadoria de imagem e relações públicas do país. Refira-se que, nos tempos actuais, serão raras as grandes instituições que poderão dispensar-se de ter gabinetes especializados em imagem e comunicações com o exterior ou, em alternativa, contratar esses serviços a empresas como a LPM.

Sendo reconhecido que o nosso FCP possui aquilo que se chama “má imprensa”. Os seus sucessos são sucessivamente desvalorizados pela comunicação social – quando não amesquinhados – e os seus problemas amplificados. Para tentar vencer este obstáculo, não surpreende que o FCP tenha decidido, recentemente, recorrer aos serviços da LPM. Recorde-se que a gestão da imagem é um pilar importante para garantir a sustentabilidade das nossas vitórias, quer pela captação de novos adeptos que poderá proporcionar, quer pela possibilidade de se negociar contratos de publicidade em condições mais favoráveis – em ambos os casos, podendo garantir mais receitas para o clube.

Após a curta colaboração da LPM com o nosso clube, surge agora uma carta desta empresa a rescindir o contrato. A carta, que transcrevo na íntegra (com sublinhados meus), pode ser consultada no blog profissional de Luís Paixão Martins:

“Pela circunstância de estarmos ligados ao Futebol Clube do Porto por um contrato de prestação de serviços de Conselho em Comunicação e Assessoria Mediática temos sofrido, nas últimas semanas, uma lamentável sucessão de pressões ilegítimas.


Não é este o momento adequado para tornarmos público o conteúdo e a forma dessas pressões, mas queremos deixar claro que nunca, nos 20 anos de actividade da LPM
, algo de semelhante tinha ocorrido.

Tememos que a continuação do contrato que nos liga ao FCP possa colocar em risco a normal actividade da LPM em prejuízo dos cerca de 70 colaboradores que empregamos e das cerca de 50 instituições que representamos.


Estas circunstâncias levam-nos a solicitar a rescisão amigável do contrato.


No momento em que o fazemos deixamos claro que nada de menos ético – muito menos ilegal - ocorreu no nosso relacionamento com a vossa instituição e que as pressões que têm sido exercidas sobre a LPM, essas sim,
pressupõem uma lamentável falta de seriedade de entidades que deveriam dar o exemplo ao País.

A curta experiência de trabalho com o FCP confirmou, infelizmente, o que tínhamos identificado no diagnóstico inicial: existe uma anormal coligação de interesses que procura impedir a expressão pública da vossa instituição, mesmo quando se trata de situações que poderíamos descrever como de legítima defesa.


Nas últimas semanas, porque ocorreram episódios mediáticos (a maior parte sem qualquer intervenção nem do FCP nem da LPM) que mostram quão frágil é o guião construído por esses interesses, foram sendo utilizados sobre a nossa empresa meios, públicos e privados, que relevam sobremaneira o desespero dessas entidades e a falta de consideração pelos princípios éticos que deviam respeitar.


Neste contexto, estamos certos de que compreenderão melhor do que ninguém esta nossa decisão.


LPM, 25-08-2007”


A gravidade das situações retratadas no documento não pode passar em claro. Refere-se a existência de pressões ilegítimas – ou seja, que os seus autores não hesitarão em ultrapassar os limites consentidos pela lei –, e é referido que a LPM poderá ver a sua carteira de clientes em risco, caso mantenha a ligação ao FCP. A acusação abrange instituições que, repare-se, “...deveriam dar o exemplo ao País”.

LPM vai mais longe, dizendo ainda que foi pressionado com recurso a meios públicos e privados. Sobre o uso de meios privados, num Estado de direito, pouco haverá a dizer – desde que os mesmos sejam utilizados de forma legítima. Quando se fala de meios públicos – ou seja, meios que ajudamos a financiar com o dinheiro dos nossos impostos – o caso muda de figura. Trata-se de uma questão política – porque a decisão de empregar meios públicos é sempre política –, e pressupõe a existência de uma teia de interesses coligados com fins cujo alcance dificilmente poderemos descortinar.

Essa teia poderá adensar-se se virmos, aqui, qual a actual carteira de clientes da LPM. Entre as instituições públicas, ou controladas pelo Estado, podemos encontrar a Adene, a Administração do Porto de Lisboa, a Carris, a ParqueExpo, o Turismo de Portugal e, pasme-se, o Supremo Tribunal de Justiça. Esta lista de entidades públicas, diga-se, está longe de ser exaustiva. Também é curiosa a presença da Fundação Oriente, que sempre teve ligações bastante fortes com a “clique” do PS.

Dir-se-à, com justiça, que a denúncia de LPM é um caso de polícia, e que deveria ser apresentada queixa formal. Sobre essa questão, só se poderá especular – já que a informação veiculada pela comunicação social é escassa. Não se sabe, neste momento, se esse passo terá sido dado, ou poderá vir a sê-lo. Recorde-se que a carta refere não ser este o momento e forma de tornar públicas as pressões, o que se compreende.

No entanto, o próprio LPM apresenta comentários elucidativos sobre a forma como a PJ conduz as suas investigações - o que seguramente todos nós já teríamos imaginado, avaliando os resultados habitualmente obtidos -, nos posts intitulados Distracções Judiciárias, de 25 de Agosto, e Para Memória Futura, de 21 de Agosto. Compreende-se que, para a PJ, tudo se resume à imagem que é passada sobre o decorrer das investigações - e sobre a pressão que fazem sobre um certo alvo, acusado até do "horrível" crime de ter contratado uma agência de comunicação. Se calhar, um crime quase tão grave como o regozijo com um empate da equipa cor-de-rosa com o Nacional...

Restará saber, ainda, se esta atitude da LPM mereceu o aval prévio do FCP – e se o clube aceitará esta decisão, ou se procurará acionar alguma cláusula contratual que possa existir, impedindo a desvinculação nestes moldes. Essa atitude, a existir, poderia obrigar a LPM a fundamentar as afirmações que produz. Embora, a avaliar pelo conteúdo da carta, acredito que o FCP tenha dado o seu consentimento prévio à desvinculação. Dúvido que uma atitude desta natureza possa ser assumida sem que haja, previamente, uma conversa

No meio de tantas interrogações, resta a maior incógnita. Qual o papel da Justiça relativamente à situação do futebol, e quando serão devidamente esclarecidos os muitos indícios graves que permitem suspeitar de que estamos perante uma campanha que ultrapassa o próprio mundo do futebol? Esta é, cada vez mais, a questão a responder.

16 maio 2007

2ª Volta

No final da 1ª volta, muitos acreditavam – e eu incluía-me nesse grupo – que o campeonato estava ganho. A vantagem do FCP sobre o segundo era de sete pontos, e tínhamos perdido apenas 5 durante as primeiras 15 jornadas. Logo, mesmo admitindo um desempenho bastante inferior na 2ª volta (em que perdêssemos, digamos, 7 ou 9 pontos), tal seria mais do que suficiente para terminar em primeiro sem sobressaltos.

No entanto, algo inexplicável sucedeu após o Inverno. Depois de uma longa paragem, (quase um mês), disputou-se a 15ª jornada, com vitória fora sobre o Aves. Nova paragem de duas semanas, e começa a 2ª volta. Aqui, começam as surpresas desagradáveis.

O FCP estreia-se na segunda volta com duas derrotas (em Leiria e em casa com o Estrela).
A vantagem no campeonato reduz-se para 3 pontos. No entanto, uma série de quatro vitórias consecutivas permite ao FCP apresentar, à 21ª jornada, uma diferença de 4 pontos para o mais directo perseguidor.

Seguiu-se o ciclo de confrontos com os opositores directos, tendo o FCP sido derrotado em casa com o Sporting e empatado na Luz. Apesar da mediocridade destes resultados (um ponto em dois jogos, e a desvantagem no confronto directo com o Sporting), a vantagem de três pontos com que encerrou este ciclo, e a certeza de que teria um calendário mais simples (e de que os seus perseguidores teriam de jogar entre si), dava novo alento para o título.

Tendo o pássaro na mão, logo o FCP o deixou fugir com uma apática exibição no Bessa. O susto podia ter sido bem maior se algum dos seus rivais tivesse ganho o “derby” da segunda circular. Já depois disso, e apesar d
e ainda estarmos numa posição que garantia algum conforto, não deixamos de viver um verdadeiro pesadelo em Paços de Ferreira – onde estivemos durante cerca de 50 min. arredados da liderança do campeonato.

Nesta segunda volta, já perdemos o espantoso total de 16 pontos. Perdemos mais de um terço dos pontos que disputamos
– o que nos obriga a lutar pelo campeonato até à última jornada. Este desperdício obriga a reflexões, uma vez que não é normal num Campeão. Depois da excelente primeira volta, parece indiciar a perda do controlo sobre a equipa.

Os três candidatos ao título aparecem, ao final da 29ª jornada, separados por apenas 2 pontos. Se o SCP apresenta uma equipa com alguma qualidade, e que beneficiou do facto de ter sido a única a manter o treinador em relação à época transacta (tendo, contudo, perdido o título entre 15ª e 20ª jornada, quando obtiveram seis empates), já a diferença para o SLB só pode ser classificada de chocante. Este clube também passou por uma mudança de treinador (embora menos atribulada), e tem uma equipa medíocre, pelo que seria natural que estivesse bem mais distante à entrada para a última jornada.

O FCP tem a melhor equipa portuguesa, por uma larga margem. Tem uma mão cheia de jogadores de classe mundial (Helton, Pepe, Lucho, Anderson, Quaresma), com outros nomes de grande qualidade (Bosingwa, B. Alves, P. Assunção, Lisandro). Posição por posição, não fica muito aquém da equipa que foi campeã europeia em 2004 – embora seja uma equipa menos matura, com muitos jogadores ainda longe de terem atingido o seu pleno potencial.

Dadas as características e a idade dos nossos jogadores, seria de esperar que a participação deste ano na Champions servisse, sobretudo, para ganhar experiência, preparando melhores resultados nas próximas épocas. Mas seria impensável que tivéssemos que lutar pelo nosso campeonato até à última jornada, apertada por dois rivais.

Se todos os portistas já tinham constatado a existência de uma diferença flagrante entre a primeira e a segunda volta, agora o próprio Jesualdo chama a atenção para este facto, acrescentando um enigma (para utilizar a expressão de Miguel Sousa Tavares): a afirmação de que “a equipa oscilou muito nesta segunda volta. Não é muito difícil as pessoas perceberem porquê”. (O Jogo de 15 Maio 2007).

A mesma edição do jornal questionou diversos adeptos ilustres sobre quais seriam essas razões, tendo as opiniões variado entre os que apontam o dedo ao treinador (Rudolfo Reis, com o argumento das excessivas férias de Natal concedidas aos jogadores, Manuel Serrão, ou Carlos Tê), os que alegam não conseguir descortinar quais as razões que Jesualdo tem em mente (Miguel Sousa Tavares, embora com uma critica sibilina aos empresários de futebol que já andarão à volta do plantel), problemas no balneário (Francisco José Viegas), lesões (Domingos Paciência, Pôncio Monteiro), ou que apresentam um leque de várias razões possíveis (Miguel Guedes, incluindo críticas feitas à gestão da equipa).

O facto de o enigma ser pouco evidente para a generalidade dos adeptos, apesar de Jesualdo dizer que não é difícil as pessoas perceberem o que se passou, parece indicar que se trata de um recado com destinatários bem definidos, com responsabilidade no sucedido. Ainda que seja da opinião de que Jesualdo não é dos treinadores com melhores capacidades para galvanizar uma equipa, teve uma falta de apoio insólita por parte do clube que representa. Poucos treinadores trabalharam em condições tão difíceis no FCP.

Por isso, vejo esta afirmação de Jesualdo como um desabafo, e um recado a pedir serenidade nesta semana. Uma das técnicas mais conhecidas e utilizadas para motivar um grupo é a definição de um adversário comum, de um “inimigo” contra quem todos têm de cerrar fileiras. Não deixa de ser sintomático que Jesualdo pareça ter escolhido esse agente externo recorrendo a um enigma, a uma insinuação cujo alcance só os destinatários – os jogadores e as pessoas mais directamente ligadas ao clube – conseguirão perceber na sua plenitude.

Não sei se Jesualdo prestará esclarecimentos adicionais no final da época. Mas o desalento que se vive no balneário, as exibições displicentes, a ausência de uma autoridade no clube (deixando essa responsabilidade por inteiro sobre o treinador, apesar de este não ter formado a equipa e ser um recém-chegado ao Dragão), indiciam a existência de problemas graves no clube.

PS: A propósito deste assunto fica uma nova pergunta na "Opinião da Bancada" e a que podem desde já responder.

A que se deve a má 2ª volta do FCPorto?
Baixo rendimento de alguns jogadores
Empresários que rondam os jogadores
Falta de apoio da direcção ao treinador
Férias de Natal excessivas
Más arbitragens
Más opções do treinador
Lesões
Plantel desiquilibrado para a táctica de Jesualdo
Problemas de balneário

03 maio 2007

Anderson

Será sobre este jovem jogador, com 19 anos recentemente completados, que recairá a maior responsabilidade nos três jogos que restam até à conquista do título. Em boa parte, estarão sobre os seus ombros o futuro de Jesualdo e as esperanças de todos os portistas.

Por alturas do Natal, um primo meu, então a residir nos E.U.A., pediu-me que definisse Anderson. A minha resposta intuitiva, a quem nunca o tinha visto jogar, foi qualquer coisa como “imagina a capacidade técnica de Ronaldinho aliada à visão de jogo e espírito de equipa de Deco. Claro, descontando o facto de ter 18 anos e ainda estar longe der ter desenvolvido todo o potencial”.

Com efeito, Anderson foi um jogador fundamental no início do campeonato, até à lesão no jogo com o Benfica. Recuperado da lesão, tem vindo a reconquistar o seu espaço. No jogo do Bessa, onde deveria ter entrado de início, fez a diferença logo que entrou. Mais do que com a sua técnica estonteante, deixo-me deslumbrar com a sua capacidade de fazer desmarcações impossíveis, de descobrir companheiros com passes a rasgar defesas compactas. Revela uma visão de jogo e uma maturidade impressionantes num jogador com 19 anos.

A equipa que defrontará o Nacional terá de ser, obrigatoriamente, diferente do “onze” do Bessa. Bruno Alves e Quaresma viram o 5º amarelo, o que os colocará de fora do próximo jogo. Dada a importância que Quaresma assumiu após a lesão de Anderson, afirmando-se como o artista da equipa (mesmo pecando por tentar, frequentemente, resolver tudo sozinho), a sua ausência obrigará ao regresso de Anderson à equipa titular. Terá de ser ele a dar um toque de fantasia à equipa e a liderar o assalto às defesas herméticas que encontramos no Dragão. Após esse jogo, não tenho dúvidas de que agarrará o lugar, jogando com Quaresma nos dois jogos restantes. No entanto, estando os dois génios em forma, Anderson será sempre mais útil à equipa. Trata-se de um génio humilde, que prefere entregar a bola e prossegui uma jogada a tentar deslumbrar uma bancada.

Estando Jesualdo há quase uma época no Dragão, já é possível conhecer razoavelmente bem a sua personalidade, e o seu estilo de liderança. Percebe-se que Jesualdo cultiva um estilo algo paternal, o que será reforçado pela sua idade. Por isso, acredito que a lesão de Anderson no jogo com o Benfica tenha sido traumática para Jesualdo. Recorde-se que foram muitos – incluindo o próprio Jesualdo – que previram, antes do jogo, conhecendo-se o futebol do Benfica e o árbitro nomeado para esse jogo, que Anderson seria tratado de forma implacável e até brutal. E que corria sério risco de não conseguir terminar a partida. Imagine-se, então, a reacção de Jesualdo ao constatar que, à segunda entrada violenta protagonizada pelo mesmo jogador (e que não viu um amarelo durante toda a partida), Anderson fracturou o perónio e sofreu uma ruptura de ligamentos.

A memória deste acontecimento deve influenciar a forma cautelosa com que Jesualdo aborda o regresso de Anderson. Mas chegou o momento em que essa entrada não pode ser refreada. Está em causa o título, e o próprio futuro de Jesualdo – que não pode perder esta oportunidade de ser campeão, sob pena de não voltar a ter outra.

Depois do campeonato, virá o defeso. Devido à insustentável situação financeira do FCP, será inevitável a venda de duas ou três jóias do plantel. Faço sérios votos para que Anderson não seja um dos sacrificados, pela enorme margem de progressão, pelo pouco que jogou este ano, e pelas alegrias que ainda nos pode dar.

27 abril 2007

Porto e FC Porto

Sendo portuense por nascimento, e portista por opção, sempre me habituei a encarar com naturalidade a associação que é feita entre a cidade e o seu clube mais representativo – e que transporta o seu nome.

Hoje em dia o FCP é, também, o mais vivo símbolo da cidade do
Porto. Depois de a cidade de ser afirmado nos séc. XIX e inícios do séc. XX através do seu produto mais emblemático – o Vinho do Porto – e de ter assumido um importante protagonismo político e económico no período pós-25 de Abril – tendo sido menos afectada pelas tropelias do período pós-revolucionário e pelas nacionalizações, por um lado, e por se ter assumido como uma intransigente defensora dos valores da Liberdade e Democracia, voltando a fazer jus à inscrição que apresenta nas suas armas, “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade D’ Porto”. Nessa altura, a economia da região – alicerçada, sobretudo, em pequenas e médias empresas de natureza industrial, com destaque para os sectores dos têxteis e calçado – apresentava um grande dinamismo.

Hoje em dia, poucos exemplos restam desse dinamismo económico. A falência de muitas das empresas industriais da região têm provocado um elevado crescimento do desemprego, e a região Norte transformou-se na mais pobre de Portugal, apresentando graves carências sociais.

Num contexto profundamente adverso, surge na cidade um FCP verdadeiramente demolidor a nível interno, quebrando uma hegemonia que parecia inatacável dos clubes de Lisboa, e projectando-se como uma equipa de nível mundial. No espaço de 20 anos, conquista seis títulos internacionais, incluindo duas taças dos campeões e duas taças intercontinentais.

O FCP projecta, assim, o nome da ci
dade além-fronteiras. A sua cultura de trabalho e determinação inabalável, que ficaram como legado de várias figuras que por lá têm passado, com destaque para Jorge Nuno Pinto da Costa e José Maria Pedroto, demonstram à cidade que é possível vencer em todas as circunstâncias e em todos os estádios – com a neve de Tóquio ou o calor de Sevilha.

Por isso, não fará sentido que cidade e clube vivam de costas voltadas, ignorando a importância que têm um para o outro. Embora seja dos que não sancionam a promiscuidade e o espírito facilitista que existiu em tempos – e que envolveu negócios e a atribuição de verbas que terão difícil explicação – também acredito que se pode errar caindo no extremo oposto. Para dar um exemplo recente, não me confo
rmo com o facto que, tem sido referido, segundo o qual só foi possível promover a construção de um pavilhão com 2.000 lugares devido à ausência de cooperação entre a cidade e o clube. Sendo as modalidades amadoras indispensáveis na promoção da prática desportiva, torna-se incompreensível a ausência da busca de soluções que possam servir os interesses da cidade e do clube.

O FCP, por seu turno, conquistou uma posição única no panorama desportivo nacional. Em pouco mais de 25 anos – os anos de Pinto da Costa, primeiro como responsável pelo departamento de futebol, e depois como presidente – passou de clube de província, que raramente saboreava vitórias e temia “passar a ponte”, a um clube habituado a vencer. Esta dinâmica de vitórias está a introduzir alterações substanciais no perfil dos seus adeptos. Encontra cada vez mais adeptos seus fora da sua cidade, da sua região (é significativo que tenha aberto uma casa em Guimarães, cidade que vive com intensidade o “seu” Vitória, ou que já tenha numerosos adeptos no Sul em geral, e Lisboa em particular), e mesmo do seu país.

Esta tendência, de cativar adeptos fora do seu espaço tradicional, é vital para o engrandecimento do clube, que terá de alargar a sua base de receitas. Coloca, igualmente, novas exigências ao clube, quer a nível comercial (onde se podem mencionar questões já focadas no blog, como a estratégia de se contratar um jogador asiático, ou o aprofundamento da estratégia de merchandising), quer a nível de exigência da sua gestão. Num país tão apaixonado pelo futebol, e num clube com a projecção internacional do FCP, fechar as contas anuais com prejuízo não pode ser uma inevitabilidade, nem é sustentável. Este ano, o desequilíbrio das contas terá efeitos desportivos extremamente perniciosos. Tendo o FCP uma equipa jovem, e com enorme qualidade e margem de progressão, será obrigado a vender dois um mais jogadores importantes devido à situação financeira do clube, prejudicando os resultados desportivos das próximas épocas.

O FCP encontra-se no início de uma fase de transição, em que terá de ser repensada a sua estratégia e a sua gestão. O seu passado desportivo, e a sua mentalidade vencedora, são activos que permitem encarar o futuro com optimismo. E está demonstrado que será possível encontrar, entre os adeptos do FCP, pessoas com qualidade e paixão pelo clube, que garantam a continuidade das suas vitórias.

Amanhã, o FCP deverá dar um importante passo rumo ao próximo título. Após essa vitória, poderemos assistir tranquilos ao jogo de domingo, que nos deixará sempre com uma posição mais confortável na tabela – e poderá dar-nos a possibilidade de festejar o título no jogo seguinte, no Dragão.

Aproveito para deixar o meu palpite para o “onze” do Bessa: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, R. Costa, Fucile; Raul Meireles, Lucho, Jorginho; Quaresma, Adriano, Lisandro.

FORÇA FCP!!!

P.S. Uma nota final. Vi nos noticiários que a claque do FCP foi impedida ontem, dia 25 de Abril, de entrar em Lisboa, aonde se deslocavam para apoiar a equipa de hóquei em patins, que jogou na Luz. É absolutamente espantoso o pretexto de que não poderiam deslocar-se ao pavilhão, por não estarem garantidas as suas condições de segurança, para obrigá-los a dar meia-volta num nó da auto-estrada. Parece que voltamos ao tempo das barricadas em Torres Vedras. Pelo menos, a nossa equipa de hóquei em patins conseguiu passar a barricada, e nem este incidente a perturbou, e venceram 2-3 num pavilhão donde, não há muitos anos, foram forçados a sair sob uma chuva de pedras. Fica o registo de mais um estranho incidente num dia em que seria suposto comemorar-se a Liberdade, num país em que o actual poder político coloca-a em perigo permanente.