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10 abril 2012

Dois líderes

Muitos problemas, mais a expectativa inusitada na transição de época depois do sucesso retumbante da anterior, tantos focos de tensão, amuos, arrelias a sério, inopinadas transferências e adiados movimentos de mercado, 2011-2012 era um presente envenenado para um novo treinador com o handicap de ser ex-adjunto e nunca ter treinado nem uma grande equipa nem sequer uma pequena na I Liga.
Ao fim disto tudo, com os naturais solavancos e faltas de carisma entre outras debilidades expectáveis para um estreante ao mais alto nível, Vítor Pereira sofreu e ainda sofre injustas comparações; mas está a sair por alto nos momentos mais importantes: faltou um só golo, mas não as oportunidades e o bom jogo, para passar os grupos da Champions, mas está lá e estamos lá nos jogos cruciais do campeonato. As duas provas importantes, sendo a prioridade o título nacional.
Vítor Pereira teve de superar muitas vicissitudes. Entre elas, aspecto fulcral que tantos palpites suscitou para quem vê de fora, o relacionamento mas, acima de tudo, a revolta dos jogadores em momentos negativos.
O último foi só Álvaro Pereira, em Braga, mas algo normal, atendendo ao jogo péssimo que efectuou e pelo qual estaria seguramente desagradado. Tivemos de tudo, de Guarín (Belluschi nem tanto) a Fucile (semanas afastado da equipa por alguma coisa foi e... despachado), a limpeza de balneário em Janeiro. Até Hulk, em casa com o Paços fez a sua figurinha. Percebeu, arrependeu-se, penitenciou-se, e demonstrou o que é. Recentemente, foi Rolando, também e apesar da braçadeira. Os jogadores querem jogar, mas nem sempre sai bem e têm de reconhecer que há outras opções, até algo diminutas, e cabe ao técnico exercê-las. Parece que Rolando está calmo no banco, entrou sem azedume quando teve de ser e tudo não parece mais do que naturais "desabafos" e irritações como sucedem a tantos jogadores de forma mais ou menos visível.

Não vou, por isso, na tentação fácil de pegar pelo último caso; ilustra apenas o rol de casos de toda a época que, estupidamente, muitos atribuem ao treinador, como se isto pudesse ser controlado a não ser pela formação própria das pessoas sem esquecer que a quente pode-se reagir mal. E não passa disto, até porque pretendo sublinhar o aspecto que, mais uma vez, passou ao lado e comprova como tudo não é mais do que uma tempestada temperamental sem consequências e fruto do calor e das frustrações do jogo.
Hulk, que já na época passada desgostava das substituições, acabou a capitão, aqui num "golpe de balneário", em Barcelos (ainda que transitoriamente passando por Rolando, Hulk estava castigado), a braçadeira passou de Helton a Hulk, da baliza ao símbolo portista. Como noutro tempo Vítor Baía a deixar a braçadeira a Jorge Costa, da baliza ao símbolo portista (e Baía não o era menos). A braçadeira tornou-o mais responsável? Seria natural se assim for.
Em Braga, Hulk e Vítor Pereira (não necessariamente nesta foto) acertaram ideias sobre coisas do campo. Serenamente, como foi o jogo compenetrado do FC Porto ciente da missão a cumprir em tarefa delicada. Uns segundos, troca de palavras e gestos para dentro do campo. Fazer correcções necessárias.
A simbologia perfeita da união da equipa em campo que o azedume de Álvaro não apaga, nem sobrepõe ao que foi o jogo determinado e acertado da equipa.
Não apreciei as declarações do treinador antes do jogo, a apelar à união e a que se deixasse o clube, a equipa acima de querelas pessoais. Se é que existiam, mas Vítor Pereira deixou de alguma forma pontas de dúvida como restos de lixo que não foram devidamente varridos para debaixo do tapete.
O jogo e especialmente a conferência de líderes a meio da 2ª parte, creio que estava ainda 0-0, merecem este destaque. O treinador terá tido a mão no balneário, ao contrário dos adivinhos e leitores de carácter, seguramente com a força da SAD, não duvido (a limpeza de Janeiro di-lo por si, e aqui lancei o problema sem temores) e a harmonia reinante, que a frustração de Álvaro não abala, fará com que o FC Porto acabe com o campeonato em beleza. Como era objectivo. Tudo o que correu mal, escalpelizado abundante e longamente, esta época só serve de ensinamento para o futuro. Continuo a achar o treinador mais vítima que culpado e a aposta de risco da SAD/Pinto da Costa a comprovar isso mesmo. Experiência ganha, por técnico (deixará de ser estreante e ex-adjunto) e por sociedade que deve pesar certas variáveis causadoras de turbulência. Até porque a equipa vai precisar de reforços e não serão poucos. Infelizmente, um recomeço custoso em diligências de mercado e gastos em transferências.
O que acho piada é os detractores portistas conseguirem ser aziagos e do contra só porque sim  o foram sempre, não dando o braço a torcer, não reconhecendo os problemas verdadeiros, não responsabilizando devidamente e atirando tudo para cima do treinador que é um gestor de competências e de humores - mas claramente sem se preocupar com as competências e humores dos de fora, mesmo que putativos adeptos. É bom que tomem os Rennies que recomendam aos adversários. Mas Vítor Pereira, a ficar como é suposto, e só por uma vez admiti (custam-me aquelas repetidas vezes do "entrámos mal e não sei porquê", só isso) que não fique mesmo campeão por todo o rasto de problemas mal identificados por quem aponta defeitos de fora como se conhecesse o que vai lá dentro, terá imensos críticos para o ano. Se começar a correr mal, claro. Difícil é ver ao perto, quanto mais ao longe.