Devia ter ficado na retina o cruzamento largo e direccionado para a zona mortal de Diogo Valente que sabe colocar as bolas onde é preciso e como ele há poucos em Portugal. Deu golo e a Taça à Académica, mas não houve gritaria audível nem se apreciou a superioridade dos estudantes na final do Jamor que serviu aos sportinguistas para perceberem o quão longe estão de poderem almejar a ganhar qualquer coisa num clube em acelerada queda para a ruína. Mesmo a noite coimbrã de festa ficou muito confinada, lembrando ser verídico o que as reportagens de rua no dia seguinte noticiaram: o divórcio da cidade com o clube. Talvez os 73 anos de jejum tenham a ver com isso, entretanto mitigados nas tertúlias locais - onde sempre ouvi só dizerem mal do clube, dos dirigentes e de toda a gente do futebol local, à parte os nostálgicos do que era a Académica e a tradição estudantil de décadas entranhada no balneário - e dispersados por simpatias clubísticas diversas. Ao menos ficámos a saber isso, porque tudo o resto passou à História...
Aproveito a imagem para homenagear a Académica, ter a noção da amplitude do cruzamento de Diogo Valente da esquerda com a bola directa a Marinho e dar um ângulo de visão que não se viu nos pasquins e nenhuma tv captou
Diogo Valente já fez muitos cruzamentos perfeitos assim mas também passaram sempre ao lado das análises. Fosse um Gaitan ou João Pereira e outras musas cantariam. A verdade é que, com a mesma simplicidade e acerto, cruzar para a zona morta onde não vai o g.r. e os centrais raramente cobrem, só vejo Maxi Pereira ou Alan, em corrida e pelo flanco. É diferente do colocar a bola num livre como faz Matías Fernandez. Mas não houve programas a dissecar a final na 2ª feira para os espectadores nem sequer o balanço da época de mais negritude nos clubes de Lisboa...
Ontem já se perdiam directos repetidos e banais a falar do estágio da selecção que, como de costume, deu bronca com bilhetes logo no primeiro treino e as corriqueiras reportagens do está tudo bem, os flash interviews dos que pensam jogar e os mesmos comentadeiros a responderem igual às mesmas perguntas de pivots televisivos sobre o grupo da morte de Portugal e as hipóteses de apuramento daí para a frente se lá chegarmos. De dois em dois anos temos a mesma bacoquice idiota, dos mesmos pés-de-microfone enviados pelos mesmos editores que deixam fazer as mesmas tristes e apagadas figuras de plantão à porta do hotel onde fala sempre o manager. O corrupio de coisa nenhuma para entreter pacóvios.
Tão certa como a silly season, temos aí a publicidade dos patrocinadores da selecção e as promoções dos vendedores de pantalhas. Até a bola entrar em jogo a sério, porque teremos dois amigáveis de aquecimento, vai ser a pasmaceira do costume. Pelo meio, Hulk será vendido mais 30 vezes e Mourinho repetirá que o CR7 é melhor do que o Messi.
Já alguém se lembra do estupendo cruzamento de Diogo Valente, que me faz lembrar o acerto dos de Drulovic?
