10 janeiro 2009

O campeonato ainda não está nivelado por baixo?

Quando o último sai dos lugares de despromoção impondo a primeira derrota ao líder que o tira do comando, costumava ser o toque a rebate contra a falta de competitividade. Os miúdos do Porto ganharem aos seniores do Setúbal deu a mesma indicação.

Enquanto dizem que enregelamos à entrada de um ano antevisto como dos mais quentes de sempre, a pretexto de mais uma vaga de frio como se a espécie humana tivesse a
sobrevivência em risco, o futebol desta época trouxe um conformismo incomum que os últimos jogos confirmaram.

Os miúdos – sim, até o Benitez tem 24 anos, o Sapu 22, o Rodrig
uez consegue ser mais novo do que o Hulk por uns meses, mais o Rabiola e o Diogo Viana, o Ventura futuro Vítor Baía, o Guarín além do Fernando – do FC Porto ganharam aos seniores sadinos que tinham defrontado o Sporting da eterna juventude tão cantada. Uma lufada de ar fresco nesta aragem polar que sempre conheci em Janeiro (acho que mal nasci senti-a logo), uma coragem de Jesualdo merecedora de todos os aplausos que os altifalantes da propaganda do regime não difundiram.

Parece que a opção de pôr as “reservas” a mostrar serviço chocou muita gente, quando antes era motivo de chacota por se portarem mal (eliminação com o Atlético ou o Fátima), mas como a coisa até saiu bem há que perguntar aos cronistas do regime “o que é isto”, não vá a qualidade em profundidade do plantel portista causar mais surpresas do que já mostrou. Em cada espaço desportivo ficou ontem a pergunta, ao jeito de “aqueles gajos do Porto estão malucos, ou quê?”…

Isto acontece dias depois de o último da Liga ter ganho ao primeiro. Não só: foi o modo, a substância, o critério, a justiça e a valentia do Trofense a impor ao Benfica a primeira derrota no campeonato, afastando os encarnados da liderança. Onde dantes era tudo Flores de encómios, nem um
aceno de simpatia para o simples Tulipa que antevejo como um Carvalhal para muito melhor: tem discurso, fluência, astúcia, sabe do jogo e para já dispensa o “doutor” e a figura de autor de livros.

Noutras circunstâncias, seria o suficiente para tocar a rebate, mas um alegado título de campeão à entrada oficial do Inverno no calendário civil, que não desportivo, deve chegar para afagar a coisa e vê-la ainda sob o prisma mais caloroso para a alma: a de que, enquanto houver luta na frente da classificação, a coisa vai bem. Será assim?

Há duas épocas, o FC Porto não era só consagrado campeão de Inverno, nesta altura, mas já o proclamado campeão da época 2005-06, o que retirava interesse à competição, só reavivado(a) quando a pauta assinalou apenas um ponto de avanço no final, dos 7 da viragem da 1ª volta.

Hoje não se fala do nivelamento por baixo, da falta de competitividade. Um ou outro cronista tocou o assunto sem despertar emoções, logo na segunda ou terça-feira. O exe
mplo da segunda equipa portista a vencer os titulares de Setúbal também não deve agitar as consciências que noutros contextos se sobressaltam.

Tem-se discutido, um pouquinho mais, a qualidade, do jogo, dos plantéis, dos espectáculos. Mas quase nada. O que é ridículo, atendendo às surpresas que têm sido Hulk no FC Porto, William no P. Ferreira, Nené no Nacional, mais os afamados Reyes, Aimar e Suazo que são jogadores de uma craveira internacional indiscutível. Pode ser discutível a constância do seu rendimento, mas não a sua qualidade.

Depois, serão os jogadores ou os treinadores castradores, os responsáveis pela qualidade do jogo? E que dedos têm sido apontados a esses treinadores ou jogadores?

Há emotividade e isso parece bastar a muitos. Enquanto assim durar, não há alarme. Mas sem olhar-se para a forma lúcida e brilhante como o último ganhou ao primeiro, a qualidade geral das equipas e a competitividade da prova poderão ser aferidas?

É certo que em grande parte da época, até há pouco, os três grandes jogavam sem atractividade, sem convencerem, sem pujança nem confiança. O que tem explicações para a transformação que Benfica e FC Porto sofreram, mas menos para o Sporting de quem era lícito esperar muito mais
no campeonato e que fraquejou contra os dois rivais, mas desde que tal seja esquecido parece que está também tudo bem, conquanto sonhem, como sempre fizeram, com o título, por estarem perto do líder mais do que sentirem capacidade para, mais meia volta cumprida, lá chegarem.

A ascensão do FC Porto à liderança foi mal digerida e dissecada, porque confrontarmo-nos com a realidade de alguém ser claramente melhor é difícil e o português comum, a Imprensa Destrutiva e as tv’s do regime, se já têm mitigado bem a crise com a propaganda própria aos serventuários do poder, não estão para maçar as pessoas com mais preocupações.

A dado ponto, neste “embalar” doce a pretexto do anunciado “campeão de Inverno”, quase adormeci a ver o Nacional-Porto, não porque o jogo fosse desinteressante, bem pelo contrário, mas por os gritos estridentes pelo 2-2 dos madeirenses me terem despertado para a consciência de umas picaretas falantes subitamente amplificadas uns decibéis para dar conta de um golo.


Despertei, pois, para o que diziam na tv, quando só me preocupava o que via.


Vale a pena concentrarmo-nos nas mensagens televisivas? Por exemplo (negritos meus):
- ouvir dizer (na RTP) que “o árbitro Pedro Proença considerou que o jogador do Nacional jogou a bola com a mão”, assinalando penálti, é precaução do jornalista, evitando comprometer-se?

- ouvir dizer (na RTP) que “Guarín jogou a bola com o braço”, no segundo penálti a favor do Setúbal, quando nenhuma imagem o mostra, é coragem de quem o relata?

- e os eufemismos (na SIC) do “Moreira podia ter feito melhor” (ou a preocupação de telegenia do “ficou mal na fotografia”), poupou-nos a imagem de um frango só por estarmos empanturrados de rabanadas e bolo-rei?
Algum dia estes discursos, confrontados com um líder em fuga, poderão “voltar” às preocupações filosóficas – atendendo a esta predisposição cultural de comentar o que se vê remetendo para terceiros ou assumindo asneiras próprias – sobre a competitividade, a qualidade, a emotividade e, porque não, a arbitrariedade com que se continua a apitar nos jogos de futebol em Portugal?

09 janeiro 2009

Jogador da Bancada - Época 2008/2009 - 22º Round

PS: Em comentário coloco os nomes dos jogadores que actuaram neste jogo e o treinador. Só necessitam de copiar, colar na vossa caixa de comentários e atribuir a vossa nota (de 0 a 10).

08 janeiro 2009

Um jogo de embalar

FCPorto 2-1 V. Setúbal
E. Farias 32', Leandro Lima 61' (gp) e Rabiola 78'
Equipa: Ventura, Sapunaru, Stepanov, P. Emanuel, Benitez, Pelé, T. Costa (D. Viana 73'), Guarin, M. Gonzalez (Josué 90'), E. Farias e Candeias (Rabiola 68')

12.219 espectadores

Foi com um Estádio do Dragão enregelado e com pouco público, que o FCPorto entrou a vencer na edição da Taça da Liga desta época, num jogo que teve muita pouca vivacidade, mas com alguns apontamentos interessantes para o futuro da equipa. Desde logo, o despontar de alguns jogadores jovens que querem mostrar a sua valia para pertencerem ao plantel principal portista. Se alguma coisa tem de valor esta competição, é o surgimento de oportunidades para alguns jogadores, principalmente mais jovens, poderem mostrar-se ao treinador em jogos, mais ou menos, competitivos.

Jesualdo Ferreira, passando logo um atestado de menoridade a esta competição, fez descansar 10 jogadores titulares, um mês de Janeiro completamente recheado de jogos fulcrais para competições mais importantes é a maior justificação para esse facto.

A primeira parte desta partida, foi como um grande convite ao adormecimento de quem estava a assistir, foi como um longo bocejo com momentos pouco interessantes e dignos de registo. O ritmo foi sempre muito baixo e lento, as equipas nada faziam para animar a partida e o tempo corria à espera de momentos individuais para aquecer o ambiente.

Aos 25 minutos, o primeiro momento
de interesse da partida, com os protagonistas a virem de Setúbal. Um cruzamento bem efectuado para a cabeça de Leandro Branco que proporcionou uma grande defesa de Ventura. Poucos minutos depois, Mariano Gonzalez, numa boa jogada individual, responde com um remate perigoso, mas, desta vez, foi Bruno Vale que brilhou, defendendo para canto.

O FCPorto mal acelerava, criava perigo para a baliza adversária, Guarin bem puxava a equipa para a frente, mas esta tinha pouca vontade de o acompanhar. Até que, aos 32 minutos, Ernesto Farías foi o intérprete do momento mais animado da primeira parte, contando com a colaboração de Bruno Vale, que largou a bola entregando-a de mão beijada ao argentino, que cabeceou tranquilamente para o fundo das redes inaugurando o marcador que não se viria a alterar, nem a estar em perigo de se alterar devido à falta de oportunidades para isso, até ao fim da primeira parte.

Na segunda parte, o jogo foi um pouco mais mexido, o Vitória de Setúbal quis responder ao golo sofrido no primeiro tempo, e lançou-se ao ataque com vontade, enquanto a equipa portista aproveitava o espaço dado para lançar o contra-ataque e tentar criar perigo, embora tudo isso feito com pouca velocidade. O jogo não teve muitas novidades, foi sempre uma partida bastante morna e com toada pouco rápida, mas sempre teve uns, poucos, furos acima do futebol praticado na primeira parte.

Aos 61 minutos, Sapunaru ganha a bola a Leandro Lima, este, mais fraco fisicamente, aproveita-se para se lançar ao chão e o árbitro, na minha opinião ridiculamente, considera grande penalidade. O jogador brasileiro emprestado pelo FCPorto não se fez rogado e, superiormente, empatou a partida.

É então que Jesualdo Ferreira começa a lançar os jogadores mais jovens, que, com a sua irreverência e vontade de se mostrarem, agitam a partida. O primeiro a entrar foi Rabiola, para o lugar de Candeias, depois foi a vez de Diogo Viana entrar para o lugar de Tomás Costa. Foram mesmo estes dois jogadores os, brilhantes, protagonistas da jogada que viria a dar o golo da vitória portista, aos 78 minutos, Diogo Viana, no lado direito, cruza de forma excelente para o aparecimento de forma fulgurante de Rabiola que, numa cabeçada colocada, não deu hipóteses a Bruno Vale. Uma melhor estreia, não se poderia pedir destes dois jogadores jovens, não esquecendo, também, da bela exibição de Ventura, que, cada vez que é chamado, mostra uma maturidade anormal para a sua idade.

O Vitória de Setúbal bem atacava, mas sempre com pouca genica, o FCPorto aproveitava os espaços consentidos pelo Vitória e a velocidade de Diogo Viana para tentar animar a partida até ao final mas, mais uma vez, a equipa de arbitragem, embora desta vez foi o fiscal de linha, foram os actores dessa animação. Num lance, onde até dou o benefício da dúvida visto que as imagens apresentadas pelo canal de televisão foram tudo menos esclarecedoras, o fiscal de linha entendeu que Guarin cometeu falta, dentro da área, colocando mão à bola. Mas, desta vez, Leandro Lima não foi tão eficaz, como da primeira vez, enviando a bola por cima da baliza.

Até ao final da partida, ainda houve tempo para Jesualdo Ferreira dar mais uma oportunidade dos adeptos portistas conhecerem mais um nome das suas camadas jovens, Josué, e de ver Janicio, mesmo em cima da linha da baliza, retirar a oportunidade de Stepanov dilatar o marcador.

O FCPorto acaba por entrar da melhor forma nesta edição, já lidera isolado o seu grupo dando um passo firme e convicto na passagem às meias finais de uma competição, embora subvalorizada, por várias razões, que quer vencer, conforme o desejo expressado pelo seu técnico no final da partida.

Falta esta taça no nosso museu


Convocados: Benitez, Candeias, Dias, Diogo Viana, E. Farias, Guarin, Josué, Ivo Pinto, M. Gonzalez, Nuno, Pedro Emanuel, Pelé, Rabiola, Sapunaru, Sérgio Oliveira, Stepanov, T. Costa, Ventura

FCPorto - V. Setúbal, 20H45 - SIC

07 janeiro 2009

Falando de arbitragens é ter a mão nos resultados?

Vítor Pereira faz como Rui Costa mas anda ao contrário de José Sócrates? Pergunta-se “que queres que eu faça?”, mas depois da confissão de que não é possível ter melhores árbitros desdobra-se em explicações… Os outros, ao menos, prometem tudo e depois avisam que há mais deserto do que oásis por perto

Não sei se passou despercebido, após a noite da reviravolta na classificação, nos programas desportivos de domingo sob o choque, notório em algumas almas desfeitas, da mudança de líder do campeonato, terem falado mais de arbitragens do que dos méritos e deméritos das equipas em causa. O mérito do Trofense e a astúcia de Tulipa, um jovem treinador que põe as suas equipas a jogar futebol e a quem já ouvi com muito agrado a comentar jornadas com lucidez técnica e táctica em televisão, ficaram no tinteiro das negras indiferenças, por exemplo. A força atacante do FC Porto também passou minimizada para ganhar um jogo difícil.

O que reparei, em dado momento, foi que coincidiu – num infeliz acaso que para quem acreditar em bruxas roçou a premeditação – em dois programas distintos, à mesma hora, falar-se dos efeitos da mão de um central do Nacional que deu penálti e a vitória portista e a mão de Binya que não influenciou muito o descalabro que já se via na Trofa, na perspectiva benfiquista de atirar tochas e objectos para o relvado até se atirarem a jogadores e técnico no final do jogo, tudo no rol das sem-vergonhas que passam com multas da treta dos areópagos disciplinares do futebol luso.

No seu habitual diálogo com o espelho, com a muleta conveniente de um pé de
microfone no seu longo “Tempo Extra”, Rui Santos lá andou entretido com as suas elucubrações – e que se nunca chegam a lado algum, permitem meter tudo num beco em que, desta vez, perante uma ameaça de “falar dos graves problemas das laterais do FC Porto”, acabou a opinar, 15 dias depois, de um caso de arbitragem no Benfica-Nacional.

Ao mesmo tempo, Vítor Pereira no “Domingo Desportivo” dava mais uma entrevista para negar o que dissera numa primeira oportunidade em “O Jogo”.

Creio que esta foi dada perto do final do ano e que, como em premonição, parecia antecipar Rui Costa a acalmar os adeptos: “Que queres que eu faça?”. Isto depois de o “presidente dos árbitros” reconhecer que não é possível melhorar o nível dos que tem agora, nas actuais condições, para andar a convencer que o que disse então não era bem assim.

Vítor Pereira descaiu-se? É politicamente incorrecto assumir essa realidade?

O seu problema foi mostrar a realidade, depois tentou escondê-la. Tudo ao contrário de Sócrates, que só revela os problemas quando já não pode fugir a eles, mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas da arrogante propaganda do oásis.

Para Vítor Pereira, em directo na televisão, não podia ser pior do que ouvir o futuro presidente da APAF e, daí, talvez da arbitragem nacional, Paulo Paraty, apontar-lhe uma série de erros políticos e de gestão do sector. Já não caiu bem a nota negativa e o castigo a Pedro Henriques, réu conveniente para acalmar algumas hostes que berram e ameaçam pela arruaça. Mas Vítor Pereira encaixou bem, sem cortar a palavra ao ex-colega, mostrando boa educação e respeitando a opinião de Paraty.

Mas quando se pede ao presidente dos árbitros que, além de confessar o abandono de formandos (70% desistem cedo, disse) e a perda de vocação para este sacerdócio com as mesmas aflições da Igreja que atrai menos padres para o seu magistério, fale de propostas, Vítor Pereira não avançou uma, dizendo que tem algumas para apresentar em sede própria (FPF). Não convenceu, como não convenceu dizer que tem quatro ou cinco árbitros de nível. Se o de Benquerença é a referência, estamos conversados.

Ao invés, entrou pela peregrina ideia de dois árbitros em campo, testada sem sucesso no campeonato paulista apesar de vir dizer o contrário, e acabou alvo de perguntas de algibeira de três jornalistas: a questão dos meios tecnológicos tão cara a José Manuel Delgado (A Bola) mas que se fosse remédio santo impediria páginas pouco dignas de vários jornais; a de Olegário Benquerença estar resguardado de “jogos quentes” como os clássicos, questão colocada por António Magalhães (Record) mas que qualquer adepto atento descortinaria; a de António Tadeia anotar incongruência de os árbitros que mais faltas apitam marcarem menos penáltis, sendo os exemplos de árbitros de segundo plano que dirigem jogos, com equipas de média-baixa classificação, mais atreitos a faltas e menos a penáltis pelo que basta somar 2+2 e verificar que o resultado até bate certo. À parte, ainda, a observação, cínica mas certeira, de Fernando Santos (O Jogo), que precisamente entrevistara primeiro Vítor Pereira, de que os árbitros são mesmo fracos, não melhoram e o seu dirigente máximo escusa de andar em “rali” a desmentir o que antes disse.

Sobre o recurso a meios tecnológicos – que nos dão imagens sempre alvo de disputa interpretativa e, portanto, nunca garantirão unanimidade e acerto de decisões – e a dois árbitros em campo – imaginando-se como seria giro um Sporting-Porto arbitrado por Lucílio Vigarista e Bruno Caixão, bastando condensar num só os dois jogos de Alvalade recentes com os portistas sempre prejudicados –, sabendo-se da tenaz defesa dos princípios estabelecidos pelo IFAB que zela pela preservação das Leis do Jogo, mais a relutância da FIFA em fazer mudanças de fundo, sendo que controla o “Board” com metade dos votos (4 em 8, os outros repartidos pelas quatro federações britânicas originais de Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte), nem os disparates sempre repetidos de Tadeia sobre esta matéria, tal como Delgado, alteram o que quer que seja.

Porque ouvir Vítor Pereira, ou um tipo da APAF ou da AG da FPF, ou o patego do Rui Santos pela “verdade desportiva” de que não tem autoridade moral e técnica para falar, em mudanças das Leis do Jogo é como escutar ou validar a importância que terá o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros falar sobre o Hamas, a Faixa de Gaza e Israel.

Será que mexem ou influenciam de alguma forma? A que distância do poder se situam, tanto que contribuíram, cada um na sua esfera, para deixarem chegar mais alto esse poder?

E quanto a arbitragens, no fim-de-semana, que dizer:
- de Benquerença a penalizar sempre os sadinos, negando no final uma falta claríssima quase sobre a área, dispensando-se de mais um amarelo a Polga, como sempre sucede, tal como poupou outros a Caneira, Abel, enfim, os do costume, para dar, ainda que justamente, dois cartões ao jovem Carriço?
- de Jorge Sousa que dirigiu bem o jogo mas antes da expulsão de Binya já devia ter mostrado o segundo amarelo por uma entrada sobre Reguila, além de ser um árbitro a quem os benfiquistas gostam de testar a paciência de evitar interromper jogos, lançando-lhe fumos e tochas, quando não um cachaço de amigo?
- e que explicação, clara como Pedro Henriques (honra lhe seja feita) deu com todos os pormenores mais elucidativos, poderá dar outro internacional como Pedro Proença para vislumbrar uma falta de um central do Nacional sobre Lisandro, impedindo este de se isolar perante o guarda-redes, e só dar um amarelo e não o vermelho devido por ser o último defesa?

06 janeiro 2009

O aquecimento global derrete os falsos campeões de Inverno?

Ano novo, vida nova, perguntas renovadas a precisar de respostas… frescas. Para antecipar um obituário à medida de 2009 sob o signo da crise, apesar dos desmentidos oficiais de que tudo continuará “porreiro, pá!”

A propósito de episódios climáticos, desde mortes por frio no norte da Índia ao gelo de costa a costa no Canadá este Natal pela primeira vez em dezenas de anos, parece que o tempo se vinga nas teorias aterradoras de Al Gore. O seu inusitado temor e terrível
descrição dos efeitos do aquecimento global só teria equivalência, de valor contrário, e quando muito, na irresistível valorização das acções do Benfica logo após a queda abrupta que se seguiu ao seu lançamento no mercado e à manipulação mais criminosa/mafiosa de que foram alvo, até hoje serem transaccionadas de mão amiga do Manuel Vilaverdinho para um banco da sua confiança com a bênção do Espírito Santo. Embora saibamos que aos BÉÉÉÉS, o Bando de Vítor Constâncio fecha os olhos.

Os detractores de Gore podem, porém, argumentar que só um episódio – e ridículo! –, faz jus à sua teoria: o aquecimento global só derreteu um falso campeão de Inverno.

E sabemos, em qualquer feira seja da ladra ou da vandoma, que artigo contrafeito não é de fiar.

É que, enquanto num país normal o “título de campeão de Inverno”, valha o que vale, é atribuído, oficiosamente, só e exclusivamente ao fim da primeira volta do campeonato, como em Espanha, Itália, Alemanha, França, há agora quem afiance que o alegado campeão de Inverno já cumpriu a sua tarefa, hercúlea, e desatou a empatar um e perder outro dos jogos realizados desde a data oficial de início de estação: 21 de Dezembro de 2008. E com os saldos já em força, será natural este relaxamento a mercadejar artigos rascas?

Isto não é bem sobre a importância das lâminas de barbear na cultura dos agriões, como tive de aprender na tropa, mas nos programas desportivos de fim de jornada não se notou que algo tivesse mudado na classificação. Ou se mudou, será que tudo ficou na mesma?

05 janeiro 2009

Jogador da Bancada - Época 2008/2009 - 21º Round

PS: Em comentário coloco os nomes dos jogadores que actuaram neste jogo e o treinador. Só necessitam de copiar, colar na vossa caixa de comentários e atribuir a vossa nota (de 0 a 10).

Acabar com a tradição...e em 1º

Nacional 2-4 FCPorto
Edson 14', Hulk 51' e 92', C. Rodriguez 72', M. Fidalgo 79' e Lucho 90'
Equipa: Helton, Fucile, Rolando, B. Alves, P. Emanuel (M. Gonzalez 45'), Fernando, R. Meireles (Guarin 71'), Lucho, C. Rodriguez, Lisandro e Hulk (Benitez 92')

O FCPorto entrou em 2009 da melhor maneira possível, vencendo o Nacional, equipa que na época passada derrotou por duas vezes a equipa que se viria a tornar tricampeã, na sua própria casa, um Estádio onde os portistas já, por várias vezes, experimentaram viver imensas dificuldades. Mas a vitória conquistada não foi fácil, longe disso, o FCPorto necessitou de dar a volta por cima a um resultado que lhe era desfavorável, mostrando, principalmente na segunda parte,
uma atitude aguerrida e de campeão.

Com Jesualdo Ferreira a dizer, na conferência de imprensa, que este jogo era nuclear para as aspirações portistas ao título, em virtude das dificuldades em jogar na Choupana, o FCPorto apresentou-se com o mesmo onze titular das últimas partidas, tendo mais uma vez apostado em Pedro Emanuel para a esquerda, sendo um erro que Jesualdo tem vindo a insistir ultimamente, como se veio a provar durante a partida.

A primeira grande oportunidade de golo é mesmo dos portistas, logo aos 2 minutos da partida, num livre marcado por Raúl Meireles, Lisandro Lopez, num remate à meia-volta, envia a bola à barra, tendo depois sobrado para Rolando que não conseguiu dar um bom seguimento à jogada. O FCPorto começava a jogar demasiado confuso, no meio-campo Lucho tomava conta das operações, parece que o argentino está a regressar aos seus bons momentos, mas Raúl Meireles mostrava-se demasiado perdido para coadjuvar o argentino na missão de controlar o meio-campo, parecia que o português queria estar em todo o lado, mas sempre sem resultados positivos.

O Nacional da Madeira fazia o seu jogo, inteligentemente, percebeu as dificuldades de Pedro Emanuel no lado esquerdo, e, arrisco a dizer todas, as jogadas de ataque nacionalista foram sempre pelo seu lado direito, criando imensas dificuldades ao FCPorto em estancar aquele lado. Sem fazer muito por isso, no primeiro remate à baliza portista, de fora da área, e com a infelicidade de Bruno Alves desviar a bola de Heltón, o Nacional da Madeira inaugurava o marcador, por Edson Sitta.

A equipa portista pareceu sentir o golo, mas desta vez para pior, e foi, até ao fim da primeira parte um FCPorto ao nível do que fez pior durante este ano. Enquanto o Nacional trocava a bola com o maior à-vontade, sempre de forma tranquila e controlava as operações, lutando sempre de forma aguerrida pela posse da bola, o FCPorto parecia ser uma equipa muito confusa, com imensos passes errados, com pouca velocidade, com muita falta de agressividade, no bom sentido, e atitude.

Jesualdo Ferreira, finalmente, percebeu o elo mais fraco na equipa portista, e fez sair Pedro Emanuel para entrar Mariano Gonzalez, tendo a equipa portista se metamorfoseado de forma positiva. Logo de inicio, o FCPorto mostrou uma atitude competitiva bem diferente ao que tinha demonstrado até então, bem melhor e mais aguerrida, sendo, sem surpresa, que aos 51 minutos, depois de um remate forte de Lisandro Lopez, que proporcionou uma defesa incompleta ao guarda-redes nacionalista, Hulk empurrou a bola para baliza, fazendo o empate.

Mas a equipa portista mostrava que não queria ficar pelo empate, lançando-se ao ataque, obrigando a equipa nacionalista a recuar, Jesualdo Ferreira substituía Raúl Meireles por Guarin, sendo, sem surpresa, que, a responder um cruzamento de um colega seu Rodriguez num espectacular pontapé de bicicleta pôs a equipa portista em vantagem.

Tudo previa um final de jogo descansado, o FCPorto tinha o controlo de jogo, a atitude era boa, pensava-se que corria pelo melhor, mas, mais uma vez, um golo consentindo pela defesa portista estragou os planos da equipa orientado por Jesualdo Ferreira. Em resposta a um cruzamento de Bruno Amaro, Miguel Fidalgo aparece no meio de Bruno Alves e Fucile e faz o empate imerecido até à altura.

A partir daí, o FCPorto começou a carregar mais, mas nem sempre da melhor maneira, com o tempo a jogar contra, e o vento a favor, a equipa portista apostava tudo em busca do resultado mais positivo. E, aos 90 minutos, Guarin remata forte, e fora da área, tendo o defesa nacionalista desviado a bola com a mão, Pedro Proença, pasme-se, num acesso de lucidez marca pontapé de grande penalidade que Lucho Gonzalez não desperdiça.

O Nacional apostava tudo por tudo para tentar o empate, mas o FCPorto demonstrou o porquê de ser a equipa mais forte, Hulk, numa brilhante jogada individual, rematava sem hipóteses para o guarda-redes nacionalista carimbando uma vitória arrancada com sofrimento, mas com muita garra e atitude de campeão.

Com esta vitória, bastante importante da forma, e onde, foi conseguida, o FCPorto, beneficiando vitória do último classificado Trofense, começa o ano saltando para o primeiro lugar isolado, mostrando que, mesmo que nem sempre da melhor forma, quando a equipa se mostra com atitude de campeã, com muita personalidade e garra é sempre muito difícil levar de vencida, e é, de longe, a melhor equipa do campeonato.

04 janeiro 2009

Nacional 2-4 FCPorto

Edson 14', Hulk 51' e 92', C. Rodriguez 72', M. Fidalgo 79' e Lucho 90'Equipa: Helton, Fucile, Rolando, B. Alves, P. Emanuel (M. Gonzalez 45'), Fernando, R. Meireles (Guarin 71'), Lucho, C. Rodriguez, Lisandro e Hulk (Benitez 92')

03 janeiro 2009

Hora de apagar más memórias nacionais

Convocados: Benítez, B. Alves, C. Rodriguez, E. Farias, Fernando, Fucile, Guarín, Helton, Hulk, Lisandro, Lucho, M. Gonzalez, Nuno, P. Emanuel, Pelé, Rabiola, R. Meireles, Rolando e Stepanov

Nacional-FCPorto, Domingo - 18H30 - SportTv1