
02 maio 2010
30 abril 2010
A perversão nos mais diversos modos
Os dias de hoje são mais ou menos encarados assim.
Comecemos pelo confronto parlamentar de hoje, sob o tema do estado da economia alvo de "atentados especulativos" de gente sem nome algures no mundo contra o Estado português e a conotada dívida pública muito nacional e nossa:Primeiro-Ministro - ... o estado da nossa dívida tem sido alvo de especulação e saberemos resistir a isso...
Francisco Louçã - Senhor Primeiro-Ministro, as nossas contas sofrem um abalo, a finança internacional ataca a dívida pública, rebaixa a credibilidade de a pagarmos, dificulta a vida a todos nós e o desemprego sobe, ainda hoje, 30/4/2010, subiu ainda mais o recorde de 10,5% de desempregados inscritos no IEFP.
PM - ... não nos abalarão, o PEC será cumprido e as grandes obras públicas prosseguirão, sem desfalecimentos, criando emprego...
FL - Mas aos ataques de especuladores internacionais, o Governo reage reduzindo as prestações do fundo de desemprego; contra os movimentos especulativos da alta finança, o Governo quer tirar dinheiro ao subsídio de desemprego como se fossem os desempregados a pagar a factura...
PM - O senhor Francisco Louçã acha bem que um desempregado ganhe mais no Fundo de Desemprego do que a trabalhar?
FL - O Governo, no seu portal oficial do IEFP, tem uma proposta de trabalho a 2 euros à hora e se fizer as contas comigo são 80 euros numa semana de 40 horas de trabalho e 320 euros por mês que é o que representam 4 semanas a 80 euros cada uma. Tudo isto, 320 euros, abaixo dos 419 euros que é o subsídio mínimo de desemprego. Patrocinado pelo Governo, este serviço inscrito num portal de emprego.
PM - Não nos desviaremos do PEC, nem do caminho traçado, nem das grandes obras públicas.
(o diálogo foi mais ou menos assim, na essência, e cito apenas de cor do que ocorreu esta manhã na AR)
A propósito do Barça-Inter, um diálogo possível e verosímil entre surdos, para não dizer mudos...
Fulano - O Inter fez um jogo extraordinário, o Mourinho deu uma lição táctica e o Barça, que sim senhor admiro e admito que joga tão bem quanto é inigualável, foi eliminado. Justamente. E por um técnico sagaz tacticamente.
Sicrano - Mas o Inter mal passou com a bola do meio-campo e submeteu-se a uma defesa tão recuada e porfiada que não só desmente a teoria da pressão alta como modelo de jogo de Mourinho, como desfaz o mito de quem tem a bola ganha o jogo, da mesma forma que arriscou-se a sofrer mais um golo, de ressalto, com a mão, de penálti e a ser eliminado sem fazer nada por evitá-lo a não ser... não fazer nada no jogo, só defender, de forma exaustiva, exasperada e mesmo desesperada.
Fulano - Ah, mais jogou com 10 cerca de uma hora de jogo e defendia o 3-1 da 1ª mão, não lhe competia atacar...
Sicrano - Estamos numa semifinal da Champions e deduz-se que todos os semifinalistas sabem jogar a bola, até estão habituados a tê-la, a ganhar jogos e o facto de ter 11 na primeira meia-hora não fez o Inter passar da linha de meio-campo e só o fez para marcar um livre, a 40 metros da baliza, que o Chivu atirou rápido ao lado, sem convicção, como que a aliviar e depressa para trás que temos de defender.
Fulano - Mas o Barça não passou e pronto!, ficará na história que passou o Inter contra a que será talvez a melhor equipa do mundo.
Sicrano - O Inter já está na história precisamente pelo tipo de jogo que 50 anos depois voltou a praticar. E o mundo continuará a esperar que o Barça desenvolva bom jogo, para agradar às pessoas e entretar o espectáculo. De resto, todos sabemos que nem sempre os melhores ganham, já era assim e não deixará nunca de ser assim.
Fulano - Era a única maneira de o Inter parar o Barça.
Sicrano - Se todos jogarem assim, sobrará apenas o Barça para jogar a bola?
Fulano - O Mourinho é o melhor do mundo!
Sicrano - O Castro Santos também empatou 0-0 contra o Porto mas o Leixões descerá de divisão.
Fulano - O Mourinho merece tudo o que ganha!
Sicrano - O Mexia e o Zeinal foram eleitos grandes gestores por uma instituição norte-americana e por cá só se debate o que eles ganharam, propostos pelos accionistas...
Nas vésperas do Porto-Benfica, ainda se escalpelizam as incidências ao longo do campeonato que muitos não quiseram crer.
Benfiquista - Se não for no Dragão, o Benfica será campeão na última jornada com o Rio Ave.
Portista - Campeão agora ou na última jornada, importa pouco para o FC Porto sendo que está nesta altura afastado do título e de a decisão poder caber-lhe em sua casa, não fossem tantas coisas mais ou menos estranhas mas não aleatórias durante a prova.
Benfiquista - Temos mais vitórias, seremos justos campeões.
Portista - Têm mais penáltis a favor, já são 11 e faltam duas jornadas. O máximo de penáltis numa época para uma equipa são os 17 do Sporting em 34 jornadas em 2001-2002 e o Benfica pode tornar-se a equipa com mais penáltis a favor se lhe apitarem mais um, desde que o campeonato passou a ter 3 pontos por vitória desde 1995-96.
Benfiquista - Jogámos o melhor futebol...
Portista - Num incomensurável número de jogos jogaram sempre 11 contra 10, foi a tónica na maior parte do tempo e nalguns jogos os adversários cedo começaram a perder jogadores por expulsão, fosse aos 26 minutos com o Leixões a jogar com 9 ou aos 8' com o Olhanense a jogar com 10.
Benfiquista - Marcámos mais golos...
Portista - Muitas faltas inventadas para livres preciosos que valeram vitórias, golos irregulares como aquele contra o FC Porto na Luz, penáltis indevidos.
Benfiquista - Jogámos bem toda a época, muito regulares.
Portista - Os árbitros nunca avaliaram de forma tão dura, e às vezes nem era preciso serem muitos severos nas sanções disciplinares, as acções faltosas do Benfica em comparação com a forma como avaliavam os adversários, daí tantos terem ficado reduzidos a 10 e 9 jogadores.
Benfiquista - Temos menos golos sofridos.
Portista - O FC Porto podia ter mais pontos e mais golos, mas anularam 4 golos indevidamente a Falcao, tantos quantos os penáltis que permitiram a Cardozo e ele falhou-os, até aqui a luta pelo título de melhor marcador foi deturpada.
Benfiquista - Seremos campeões e pronto, agora ou na próxima semana...
Parece que as greves de transportes, retirando menos hipóteses de circulação para quem queria ir trabalhar, não impediu que nos dias de calor as praias - especialmente na zona de Lisboa, a que se reportam as notícias destes dias - se enchessem.
Parece haver aqui contradição, mas pode significar, e isso não foi estudado, que a maioria das pessoas vive perto do mar e tinha a praia ali ao pé, fosse na Linha ou na Costa da Caparica.
Tal como a "tolerância de ponto" para a visita do Papa impõe estas perplexidades, muita gente irá à praia se estiver calor ou para fora, passear, como alternativa, ainda que muitos acorram à missa papal no Terreiro do Paço e em Fátima. Ao que ouvi hoje na rádio, o Governo deu "tolerância" às escolas para dia 13, pelo que ficamos sem saber como será no Porto que o Papa visitará no dia 14... Bem, aí é 6ª-feira, afigura-se um fim-de-semana prolongado, mas isso é com os empresários e o espírito liberal do Norte conceder ou não facilidades aos seus assalariados. No Estado, no Governo, em Lisboa, está assim previsto...
E bom fim-de-semana. Com ou sem PSP por perto. Protejam-se contra as melgas. Aproveitem as máscaras contra a gripe A que não chegaram a ser utilizadas no auge da crise epidémica que nos venderam.
Por último, esta ironia: http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=4E2AE311-350B-421E-B3D5-CFEDF398DE65&h=1
Por último, esta ironia: http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=4E2AE311-350B-421E-B3D5-CFEDF398DE65&h=1
TEMOS DE IMPORTAR ESPERMA DE ESPANHA!
Eu não preciso. E também não sou dos que "devem" não sei quanto por conta do défice português. Não devo nada a ninguém, fdp!
29 abril 2010
Uma semana de memórias... para esquecer

As eliminações de Barcelona e Liverpool, cada qual a seu modo e por razões opostas, suscitam-me um sentimento de depressão futebolística, pois acompanho avidamente o futebol europeu desde miúdo.
É uma semana para esquecer, perdida na bruma das memórias que estas "perdas" me sugerem com dois clubes do coração.
O Barça foi afastado pelo antifutebol, gerado por diversos factores sacrificados à primazia do resultado sob cujo prisma se tecem as mais variadas considerações mas nem envergonham sequer alguns auto-intitulados experts e puristas do futebol...
O Liverpool, ao contrário, sucumbe a uma melhor equipa - ressurgido Atl. Madrid dirigido com competência por Quique Flores e empolgado pelo seu quarteto ofensivo de luxo -, mas aos seus erros de formação de plantel que é de uma mediocridade medonha e pode afastar o clube da Europa pela primeira vez em quase 40 anos.
Àquela que não está longe de ser considerada, provavelmente, a melhor equipa do mundo de sempre, o Barça de futebol sempre vivo, enleante e positivo, só um Inter ao velho estilo poderia resistir.
Em Portugal celebrou-se o "efeito Mourinho": li hoje um título acertado no JN sobre a "glória do 'catenaccio'", e uma incompreensível "vitória táctica" do treinador do Inter que, pelo visto, nunca terá alguma "derrota táctica" na vida, tal o clube de fãs incondicionais granjeados desde que deixou o Dragão...
O Inter de Mourinho conseguiu ser mais "negativo" e retranqueiro do que Hiddink na época passada com a visita do Chelsea a Camp Nou. O nosso treinador é mesmo o novo Zé da Europa - depois do Zé Travassos dos anos 50 - e nem de propósito é digno do epíteto de Helénio Herrera que levou os "nerazzurri" a duas conquistas da Taça dos Campeões em 1964 e 65, muitas vezes com aquele futebol feio e de "catenaccio" inquebrantável mas que nunca granjeou adeptos além-fronteiras.
Foi a forma mais pobre a lamentável possível para o Inter afastar o Barça. Ao melhor futebol bastaria, decerto, a troca de árbitros nos dois jogos, pois o belga no Camp Nou puniu antijogo e violência (aquele Thiago Motta estava mesmo a pedi-las há muito) e anulou um golo de forma muito discutível que teria salvo a reputação do futebol. Pode ser precisa muita sorte, além de ferrolho sobre retranca, para parar o Barcelona, mas as decisões de arbitragem favoreceram sempre os italianos.
E, nem de propósito mas de certa forma previsivelmente, Olarápio preenche esta semana também com a nomeação para domingo no Dragão...
Ao chegar a casa ouço que o Mourinho vai dar aulas a putos numa iniciativa qualquer, mas as imagens do último jogo do seu Inter não podem ser mostradas, certamente. Envergonha o futebol, ainda que a façanha pareça de monta. Quando muito, além da bolinha vermelha no canto do ecrã a desaconselhar visionamento a miúdos, serviria para contar umas histórias do futebol, a do futebol especulativo e retranqueiro próprios dos tempos de HH, algo que nem os mais velhos lembrarão e muito menos as abencerragens que comentam jogos na televisão...
A honra do futebol inglês é erguida pelo modesto Fulham, o 99º clube presente numa final europeia que começou a prova a par do Paços de Ferreira, na 2ª pré-eliminatória e, ao longo de 18 jogos, foi passar a fase de grupos vencendo o Basileia na Suíça (3-2), arrumou o detentor do troféu Shakhtar Donetsk, humilhou a Juventus e passou o campeão alemão Wolfsburgo e teve em Hamburgo uma première a pisar o palco da final. Um Salgueiros de Londres, salvo pelo Al-Fayed dono dos "Harrod's" e cujo Craven Cottage chegou a estar ameaçado, que encarou de frente colossos como Juventus (virou 1-3 para 4-1 na 2ª mão) e agora Hamburgo, ex-campeões europeus e o HSV, como o Real Madrid, sem beneficiar de ter a cenoura à frente do nariz com a final marcada para sua casa.
O orgulho do futebol alemão vai ser garbosamente exposto pelo Bayern muito ao estilo dos anos 70 que fez dele um potentado na Europa. Despachou o garboso mas "curto" Lyon com um rolo compressor e permite em Madrid a final entre o mestre van Gaal e o pupilo Mourinho que com ele aprendeu tudo em... Barcelona. Dali voltou Mourinho para o Benfica que o menosprezou, antes de pegar, quase anónimo, na equipa do Leiria e depois chegar ao Porto com o curso feito a esquecer o episódio do tradutor de Robson.
A Espanha tem um representante improvável, depois do duelo fratricida que afastou o Valência, talvez a melhor equipa que restava na indistinta Liga Europa.
Tal como o Inter de Helénio Herrera (vencedor de 3 Taças UEFA nos anos 90 com diferentes técnicos e todos italianos), o Atlético de Madrid ganhou uma Taça das Taças em 1962 e perdeu finais nos anos 70 e 80. Depois de sofrer a pior derrota caseira na Europa com o FC Porto (0-3), eis um confronto impossível de antecipar com o neófito Fulham 7º na época passada na Liga inglesa e à frente do Tottenham. Mas o inglês Roy Hodgson já teve a experiência de perder uma Taça UEFA em casa por penáltis com o Schalke, pelo Inter.
Por cá, entretanto, vai-se falando de polícias. Inacreditavelmente, depois da "estória" aqui trazida de um ataque a uma casa do Benfica em Ermesinde, no sábado passado, eis que um incidente do género, em Braga, da mesma altura, só hoje apareceu relatado nos jornais. Coisinhas de trazer por casa...
26 abril 2010
Notícias do 26 de Abril (II)

Também em Espanha, onde o futebol vive o "problema de sempre" entre Madrid e Barcelona, se percebe que certos árbitros não apitam de forma igual consoante se trate de jogos do Real e do Barça.
Os catalães, aliás, até devem ter percebido como será um Olarápio a apitar na Liga Portuguesa.
Pois, tal e qual...
Notícias do 26 de Abril (I)



Quem pedia melhores condições de vida era não só "desordeiro" mas, antes do mais, "anti-português". É claro que, assim, nesse caldo de cultura onde fermentava o pensamento único, uma rádio nacional e um jornal "consolidado" em pequenos jornais que diziam a mesma coisa como um só, com a falsa ideia de liberdade de expressão tão evidente como o edifício vazio da Assembleia Nacional que a Constituição de 1933 essencialmente esvaziara para acabar com o forrobodó parlamentar do advento da República em 1910, tudo tenderia, de facto, para a instauração de um clima que pedia a restauração da ordem e a implementação de uma autoridade que sanasse quaisquer conflitos.
Hoje, 100 anos após a queda da Monarquia sob cuja tutela liberal a liberdade de Imprensa atingiu níveis nunca alcançados nos 100 anos seguintes, e 36 anos depois do 25 de Abril de 1974, a que ainda é televisão do Estado dedicou-nos um fartote de informação relevante que passou da "escolha" do palco de eleição dos benfiquistas para celebrar um título de futebol à longa reportagem de uma sede do Benfica em Ermesinde, com quase uma dezena de entrevistados, alegadamente vandalizada crê-se que no sábado à noite.
Fatalmente, como a pedir "ordem na sala" quiçá clamando por uma autoridade nacional que esmague os "revoltosos", seguramente "anti-portugueses desordeiros" 80 anos depois daquele título de jornal que vi agora numa série notável sobre o Estado Novo no Canal História acessível em qualquer rede de cabo para quem quiser fugir à "informação de novo normalizada" e o rasto de telenovelas com programas cor-de-rosa como dantes se ouviam na rádio e lia no "Corin Tellado", a reportagem permitia concluir que o mundo está perigoso.
A Polícia, dizem e repetem na RTP, "tirou impressões digitais", não se sabe de quê pois não houve arrombamento, apenas vidros estilhaçados de fora e tinta borratada numas paredes exteriores. Ermesinde, subitamente, viu-se não só no centro do furacão, como foi eleita sede da casa do Benfica mártir em terra de "anti-portugueses desordeiros" e, por isso, a pedirem mão forte neles, prisão certa se houvesse a PIDE e desterro da família dos condenados para os confins das Beiras interiores renegados como judeus.
Também contra os certos, identificados e localizados "anti-portugueses desordeiros", lê-se a 26/4/2010 num jornal local que as tv's do regime mostram ao País Profundo do operariado revoltado e miséria humana ao nível de há 80 anos hoje sem capacidade de se indignar e, pior, não lutar por mais do que a mera sobrevivência, que a deslocação de uma equipa local a um ponto do País em polvorosa será acompanhada de medidas de segurança e reforçadas. "Superprotecção", é o título.
Outras duas qualificações que nos dizem que o País está perigoso. Medidas de segurança e reforçadas. Para a "Superprotecção" só falta convocar-se a graça divina, agora que o Papa novo-velho se prepara para uma visita de Estado a um regime já laico mas cuas figuras não deixarão de, como dantes mas então com devoção infinita sendo um pilar do regime, acorrerem ao beija-mão, em Fátima ou virados para o Cristo-Rei.
Nem de propósito, a respeito de liberdade de expressão, o 24 de Abril de 2010 chegou com a notícia de que um órgão jurisdicional do futebol acusa outro, seu par, de querer impor a lei da rolha a um dirigente, amordaçá-lo e impedi-lo de exprimir o seu mais elementar direito de falar, a despeito de alguma condenação que sobre ele impende.
O Portugal republicano de hoje e de sempre.
Faz perceber porque suspiram tantas pessoas pelos ideais de "Abril" não cumpridos e em vias de se resvalar para um regime de informação única, um clube único e uma autoridade única que funcione num só sentido.
Contra os "anti-portugueses desordeiros", hajam "medidas de segurança e reforçadas". Tão inauditos como inelutáveis anacronismos, soam a propaganda, ditada por algum títere de meia tigela num microfone submisso e numa folha de jornal educada para formatar o pensamento do povo.
25 abril 2010
Ena!!!!!!!!!
Mas parece que passou despercebido nas tv's do Portugal democrático. Pois, mais uma modalidade plena de êxitos e tanto acarinhada no tempo da "outra senhora" e hoje, estranhamente, só episodicamente divulgada por causa da selecção nacional que é tão raro ganhar como dantes.
Eram rádios, era a RTP (só havia uma, um canal e a preto e branco), os jornais, relatos e transmissões televisivas.
Hoje, nem um cravo. Um deserto. Parece a margem sul. Só se vêem camelos.
O 25 de Abril no Hóquei em Patins também revolucionou o palmarés dos clubes. E a Imprensa do regime não aprecia. Ai não? Venha mais uma stickada para o ano. O de(ca)campeonato.
Já agora, o andebol está com boa mão também.
24 abril 2010
Um cretino é um cretino, um vintém é um vintém

Nem vou entrar pela "teoria da conspiração" por causa deste imbecil tal qual o qualifiquei no jogo Porto-Setúbal da 1ª volta. Não, o "cozinhado" nem tem a ver com o facto de, de forma absurda, este cretino ter deixado Falcao suspenso para o próximo jogo, nem por ser contra quem é.
"Cozinhados" há muitos e esta besta foi excluída dos jogos do Benfica desde o Natal de 2008, vejam lá. Aquele jogo do sururu por causa de um golo (bem) anulado aos encornados por mão na bola na jogada, frente ao Nacional. Não sei se por causa disso, se o apito vermelho que hoje lhe foi visto em grandes planos na tv, o FC Porto levou com este asno pela terceira vez esta época.
Na 1ª, em Olhão, um dos algasrvios partiu o nariz a Tomás Costa, já no final. Nem cartão houve e viu-se nitidamente a vontade de agredir do marmanjo.
Na 2ª vez, com o Setúbal em casa, não foi só Belluschi que ficou também com o nariz a sangrar. Deu-se o caso de o agressor, Djikiné, também não ter levado cartão. Pior, não levou cartão algum apesar de quatro faltas feias em pouco mais de meia hora de jogo, incluindo a dada em Belluschi. Mais: o sadino cometeu dois penáltis e nenhum foi marcado, mais dois lances passíveis de cartão e nada. Comparando tão distinta imbecilidade, só ao nível de um Bruno Paixão ou Carlos Xistra, ainda que o nivelamento rasteiro da arbitragem este ano não tenha poupado qualquer dos ridículos árbitros que vegetam por aqui, armados aos cágados com intercomunicadores, emprenhados de instruções idiotas em cursos de aperfeiçoamento que só os piora e sempre credores do maior desprezo por qualquer adepto do futebol que, por imprescindíveis que sejam para se realizar um jogo, não vai ao estádio para ver algum árbitro.
Estas bestas nunca compreenderão isso. E se defendem, como este defende, a introdução de novas tecnologias para os ajudar, o seu papel em campo será não só redundante mas absolutamente inútil. Para vídeo-árbitro, fique o vídeo e deixará de se dizer mal do árbitro.
nota: só agora 20.44h de 25/4/2010) vi uma ficha do jogo e lá deparei com o Gabínio Evaristo, o gordo da bandeirola, e, ai que saudades deste matreco, o sadino Luís Reforço. Parece que o Jesualdo se pegou com ele. Esse também ficou na história...
21 abril 2010
Jamor em Braga
FC Porto e D. Chaves não querem ir ao Jamor. Os flavienses manifestaram-se hoje a favor de um palco a Norte para a final da Taça de Portugal que os cretinos do costume, estribados em regulamentos que não desejam alterar e dependurados em clichés que sustentem a "festa do futebol" no pobre Wembley de Oeiras, anseiam manter na capital do Império onde todo o País Profundo tem de ir desaguar.

Ao contrário dos pacóvios de Paços de Ferreira - e suspeito que os "centralistas" da Naval 1º de Maio também respeitariam a "tradição" -, os flavienses bem que evitariam ir a Lisboa. Afinal, a "festa do futebol" não se pode fazer noutro lado? Ou a alternativa a Lisboa tem de ser o Algarve, trocando-se o Elefante Branco brindado de carne fresca pelo de betão junto às praias após o deserto da margem sul?
Jornais do regime recusaram pegar no assunto e hoje a RR ouviu o presidente Mário Carneiro, do clube transmontano. Pelo Chaves, e decerto o FC Porto concordará, Braga é um cenário ideal, pelo aspecto cénico do seu estádio novo que merece tanto uma final como Faro/Loulé e por acordo dos clubes. Não sei se, depois de levarem nas orelhas por fazerem ouvidos moucos ao assunto que encerra um apelo lancinante dos flavienses, a Imprensa so regime olhará para o assunto sem as barricadas da supremacia centralista da capital.
Mas já falei com um amigo flaviense de longa data que começou por dar-me este dado: alugar uma camioneta para ir a Lisboa: 850 euros; alugar a mesma camioneta para ir a Braga: 350 euros.
Isto do lado dos adeptos, que têm de pagar portagens, gasolina, comidas e bilhetes. Só o que pouparão na estrada dá para o bilhete e a comida em Braga.
Mas isso é que vê o interesse dos adeptos, o que não é o caso da Imprensa do regime que confunde adeptos com leitores de jornais que muitos adeptos dispensam de bom grado e poupam também umas coroas.
Agora, lembrando que o clube flaviense tem receitas penhoradas por dívidas reclamadas por um ex-presidente e esteve em causa a sua ida à 2ª mão da semifinal na Figueira da Foz; considerando que a equipa transmontana corre o risco de descer da Liga de Honra e ver mais reduzidas ainda as suas receitas futuras nos escalões regionais; que a presença na final da Taça não dá acesso à Europa salvo se ganhar ao FC Porto o que é improvável - há todo um sentido de noção das realidades e uma sensatez económica e financeira que há um ano escapou aos pacenses.
Esta leitura não será partilhada pelos cronistas do reino que consagram o Jamor porque agora mal lá põem os pés nem conhecem as sempre deficientes condições de acesso, sanitárias e de bem-estar, nem sabem como é ver mal um jogo num estádio antigo, numa curva atrás da baliza de onde não se vê, em baixo, as marcações de cal do outro lado do campo.
Resta que os clubes concordantes imponham o seu interesse à FPF. O presidente Madaíl, volto a lembrar, disse no dealbar de 2004 com os estádios prontos para o Euro, que ter tantos palcos bons e dignos pelo País poderia fazer descentralizar a final do Jamor. Mas não mexeu uma palha nem se lhe ouviu algo mais para mudar os regulamentos. E, lembro também o que aqui escrevi depois do Jamor-2009, será que o patrocínio então inaugurado, que fez o recinto de pedra parecer o Vaticano com tanta púrpura à volta como se fosse quadra pascal, imporia sempre a final em Oeiras?
Espero que o bom senso prevaleça. E prevalecer o bom-senso será não impor aos clubes finalistas tão distantes da capital a marcação de um palco desusado, desajeitado - até o relvado se mostrou fraco, seco e irregular na época passada - e desadequeado para uma final nos tempos modernos. Simbologia contemporânea e sintomático dos avanços em matéria de estádios novos e belos, o de Braga tem tudo para agradar. A começar por adeptos que pouparão muito dinheiro, o estádio encherá como não encheu o Jamor em 2009 e a "festa do futebol" não deixará de ser feita.
Assim os adeptos, o povo, o queira e faça um manguito à capital de todos os vícios e onde ainda se julgam mandantes e falantes em nome do povo que os despreza. Como Chaves deu o exemplo, depois de, à semelhança de Valença, em tempos ter também pedido a adesão ao país vizinho...
20 abril 2010
III. O Barça e o Olarápio à portuguesa

Vai ser lindo ler amanhã as críticas catalãs, na Imprensa, ao árbitro português que foi caseiro em S. Siro. Olarápio, aquele que alguns fariseus de cá julgam ser mal visto injustamente na lúgubre Liga lusa, vai ser conhecido em Barcelona e até em Espanha, onde mesmo em Madrid não perdem a noção de que o Barcelona representa o País e pelo menos nos jornais esbate-se a rivalidade da capital para a Cidade Condal.
Benquerença foi só para o Inter e ficará sempre a "sugestão" do elogio, interesseiro, de Mourinho ao árbitro português pela nomeação. O jogo duro dos italianos, como vemos por cá no futebol benfiquista impune em faltas e cartões, teve a complacência que eu pessoalmente esperava de um árbitro que não tem estirpe por muito estilo que queira mostrar em campo.
E, tantos anos depois, tanto tempo em cima de estórias dos bastidores da arbitragem europeia em que o Inter era um dos tentáculos do polvo, parece que tudo caiu como mel na sopa...
Nem quero fazer uma avaliação exaustiva, mas a permissividade de Benquerença especialmente para com os brasileiros do Inter fez-me lembrar outras "simpatias" que conheço bem ao pé da porta. Aquele à-vontade e amiguismo com Maicon e Cª no regresso do intervalo justificou-o. Por acaso, o árbitro regressou ao mesmo tempo do Inter ao campo. Mas no campo nada acontece ao acaso. Faltas ao contrário a penalizar o Barça e se iguais das duas equipas foram, como é fácil de ver, avaliadas disciplinarmente de forma diferente. Cito apenas Thiago Motta, que deu lenha de meia-noite e nem no grande círculo nem na proximidade da sua área via amarelo, fosse mais ou menos ríspida a entrada ao adversário. Tantas deu, por fim, que lá levou um cartão Stankovic com uma falta igual a tantas de Motta e creio que a sua única falta cometida - mas que o priva da 2ª mão. Maicon também foi mauzinho. E Motta, de resto, que se notabilizou na porrada dada frente ao Chelsea.
Eu, pessoalmente, acho feio, não que se faça, mas que não se puna. Posso compreender a estratégia, que resulta consoante o árbitro, mas não nego que tem de haver consequências disciplinares e nenhuma "organização" de equipa está acima disso.
Para coroar a coisa, um penálti de Sneijder sobre Dani Alves foi tratado como uma simulação do brasileiro (e mais um amarelo). Poderia dar o 3-2, enfim, mas já aí os catalães tinham percebido que não teriam "simpatias" do árbitro português.
De resto, apesar da péssima transmissão, o golo de Milito (3-1) é irregular, percebe-se pela linha da área pequena que está mais próximo dela do que o último defesa (Piqué). Ao invés de Bertino Miranda, o famoso José Cardinali apontou um fora-de-jogo a Ibrahimovic inexistente na 1ª parte (J. César defendeu o remate, com a jogada invalidada). Tudo somado, o Barcelona que viu tantos criticarem a arbitragem favorável do norueguês Ovrebo em Londres há um ano, só tem por onde escolher quanto a desfavores do português Olarápio, capaz de dar amarelos por protestos e chutos de bola para longe (Eto'o e Busquets) e deixar passar faltas repetidas, e tantas cometidas pelo Inter, sem cartão.
O costume, à portuguesa, mas isso, confesso, é que me irrita. Ao "teatro" italiano, em que víamos jogadores a rebolarem-se no chão como se tivessem camisolas encarnadas, Benquerença era cuidadoso e quanto mais berrasem a protestar, melhor garantia tinham de o árbitro os atender. Chegou a marcar uma falta de Lúcio nas costas de Pedro, depois virou a agulha. Um cara de pau é assim. Revi neste jogo toda a época da arbitragem portuguesa na lúgubre Liga lusa. Mas muitos aplaudirão tanto o Benquerença como o "melhor futebol" que terá ganho esta noite.
nota: http://antonioboronha.blogspot.com/2010/04/mourinho-benquisto.html, parece que viu o que eu vi; e é difícil coincidirmos...
E, para já, no Sport, As e Marca:
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