13 dezembro 2011

A repescagem para a Liga Europa

Agora que a Liga Europa chega, 4ª e 5ª feira, ao final da sua fase de grupos, antes do sorteio de 6ª feira na sede da UEFA e logo encaixa os 32 clubes apurados em duplicado (1/32 e 1/16 final), não posso deixar de sublinhar a costumeira visão obtusa e desonestidade profissional, a par de falha intelectual, a respeito dos repescados como o FC Porto e o Man. United, este ano, como foram no ano passado Benfica e Sp. Braga.
No intervalo dos jogos de sábado do Porto em Aveiro e do Barça em Madrid, no café onde estava, tive oportunidade de ler A Bola e uma coluna na última página de Fernando Guerra que diz tudo sobre o jornalismo tuga eivado de má-fé. Era só uma coluna de opinião, mas a deformação cultural e mental nela contida diz muito da generalidade da praça da informação: não há ideia nenhuma forma sobre coisa alguma; quem tiver alguma ideia é normalmente ridicularizado; dá para alfinetar alguém ou alguma coisa por mor de enfatizar o bem de alguém ou de outra coisa. Trabalhinho mal feito.
Nunca deixei de criticar a repescagem de equipas da Champions. E isto desde as pré-eliminatórias, pois desde a 3ª eliminatória isso sucede, os eliminados passam à Liga Europa no play-off de acesso à fase de grupos; e os campeões que passam ao play-off da Champions vencendo a 3ª ronda de apuramento, têm ainda a hipótese de continuarem na Europa entrando directamente nos grupos da Liga Europa. É uma mama que não acaba para quem entra pela porta da Champions e já vem desde as pré-qualificações, aquilo em que muita gente nem sequer pensa ser assim. Li algures no início da época que um pascácio benfiquista, na tv, temia ser eliminado da Europa se perdesse com o Trabzonspor... Direito de jogar e possibilidade de amealhar dinheiro, uma desbunda. Uma injustiça.
Ora, de início não se percebeu bem o que queria FG dizer com a "Bazófia de AVB", tendo o treinador portista da época passada defendido a tese de que era injusto os 3ºs da Champions passarem para a Liga Europa. Tínhamos, em 2010, o exemplo do Atl. Madrid que no grupo do FC Porto e do APOEL só somou 3 pontos, esteve quase a ser último e eliminado de vez mas acabou a época a triunfar na final europeia de Hamburgo, frente ao Fulham. Uma aberração.
Entretanto, deu-se a entender, um pouco por todo o lado, que o facto de Vítor Pereira lembrar que a repescagem estar prevista nos regulamentos não permite discussão sobre isso. Obviamente, está legal. E o actual técnico portista não deu opinião sobre nada, disse apenas o que há, sem contestação. AVB, ao invés, emitiu uma opinião e tem o seu direito.

Aparentemente, FG quis criar uma "guerra" à distância e sem sentido. Não houve divergência entre VP e AVB. Um constata um facto concreto; outro disse o que achava justo. Mesmo assim, o jornalista não opinou, não se sabe a sua opinião e sabe-se o desprezo que acha os outros terem-na.
Pasmei, porém, que o aproveitamento fosse no sentido de agora o FC Porto beneficiar, como outro qualquer, das regras que há um ano, presumivelmente, o jornalista sentiu (de AVB) como uma crítica ao Benfica. Não percebi, quase até ao fim, o que pretendia com aquilo, mas o remate diz bem do golo na própria baliza da credibilidade que escritos destes revelam de quem os profere.
Ao acabar aludindo a "frustrados" por passarem da Champions à Liga Europa, FG meteu Domingos ao barulho para mostrar que está errado em toda a linha. Porque se AVB tivesse visado na sua opinião "apenas" o apuramento do Benfica na época passada, pois também o Braga era "atingido", como todos os outros. E Domingos, que não opinou nada na época passada beneficiando do sistema, não poderia, em pleno na Liga Europa, dizer nada agora; como não pode Jardim, hoje no Sp. Braga. A frustração da época passada sabemos onde ficou... até hoje guardada e mal exteriorizada.

O logótipo da finald e Bucareste, a 9 de Maio
Como não devia, de forma deslocada e pateta, fazer Fernando Guerra, até porque há um ano o Benfica era seguramente mais criticado na Imprensa por ter-se mantido a boiar na Europa depois de perder 3-0 com um tal Hapoel - não APOEL - e 2-1 em casa com o Schalke; sobrevivendo apenas graças a um golo alheio, o de Lacazette, no 1-1 do Lyon aos 88', que impediu os israelitas de ficarem em 3º no grupo da Champions. O Benfica passou vergonha? Sim, mas os louvaminheiros logo esqueceram e chegaram a alimentar o ensejo de vencer a competição para a qual o Benfica foi repescado. Nem sequer mereceu continuar na Europa, ao contrário do FC Porto que só por infelicidade, além de erros próprios antes, agora não se qualificou. E se frustração há tem toda um sentido diferente do de há um ano com o Benfica; já o Sp. Braga lutou até ao último jogo em Donetsk para se apurar e perdeu com o vencedor do grupo, mas acabou com 9 pontos, contra 6 do Benfica que sofreu 4 derrotas e o FC Porto apenas 2 para seguir na Europa agora.
É lamentável que os jornalistas não tenham opinião a não ser em prol do seu clube, tergiversando quanto a interpretações que outros possam ter. Afinal, o FC Porto vai ter a primeira oportunidade de repescagem que Benfica e Sporting já tiveram por mais de uma vez. E isso, normalmente, significa mais jogos europeus em vez de apenas mais dois até à próxima fase eliminatória da Champions. Para o Atlético de Madrid serviu para consolo na época e ainda lhe abriu a seguinte ganhando a Supertaça ao Inter. Quem diria, depois de um fracasso rotundo antes. Como se falhando um penálti e outro ainda haja uma nova hipótese de redenção, de ganhar dinheiro, acumular prestígio e chegar à glória. Felizmente, o Benfica já não a teve como os espanhóis. Porque não a justificou, ao contrário deles que até eliminaram nas meias-finais o Liverpool que arrasara o Benfica...

Se amiúde ouvia falar de jornalistas escreverem só para eles próprios, há claramente quem escreva para néscios se embebedarem de irrealismo e desinformação que são o fundo da falta de cultura desportiva que um conhecido benfiquista já identificou em Portugal. Olha quem fala, então...

12 dezembro 2011

Notícias da caserna

Enquanto Vítor Pereira mantém o barco no rumo certo, contra todos os agoiros e prantos de basbaques de outros mafarricos, Villas-Boas também se mantém firme. Isto de ser do Porto é muito complicado, até para quem... é do Porto. Especialmente se não for nem de Lisboa ou por lá tiver passado. Santos da casa fazem milagres, ou dão-nos como tal com o efeito do chamado "efeito difusor" que concentra a massa na capital para dali ser difundida pelo País, como num chuveiro mas sem passar do Tejo e o seu vale. Como no PIB, que pode ser produzido por uma frutaria em Tondela ou uma marcenaria em Rebordosa, mas desde que a sede da companhia da fruta ou da madeira esteja em Lisboa é lá que se regista o lucro e se dá o bálsamo da capacidade exportadora.

Isto a propósito de o ex-treinador do FC Porto e o seu delfim terem sido vaticinados como apeados nesta altura. AVB tinha a data de hoje como dead...line. Por acaso impôs ao City a sua primeira derrota na Premiership. VP e AVB tinham problemas com o balneário? Hulk diz que "vale a pena correr pelo treinador", e não "correr com o treinador" como se supôs em Coimbra. Lampard, em declínio competitivo que AVB quer resguardar da melhor forma, saltou do banco para marcar o penálti da vitória sob chuva inclemente e o olhar babado do seu pai na bancada.




Enquanto continua a disparidade de avaliações das vitórias portistas e dos outros, além de Jorge Sousa Rouba voltar a perdoar Cardozo como fez no Dragão em Setembro, permitindo ainda um golo irregular para o colo do Benfica, esta data marcou o 7º aniversário da conquista da Intercontinental pelo FC Porto, frente ao Once Caldas, em Yokohama. Amanhã, dia 13, passam 24 anos sobre a primeira conquista em Tóquio, pela neve dessa madrugada inesquecível e inigualável.

No futebol, posto o rei Gomes no lugar do fraco Madaíl, irei pôr um dia a escrita em dia no relatório (Bo)ronha sobre a Selecção Nacional.

Entretanto, calhou-me estar pela TVI às 20h e ouvir a Judite de Sousa, quase excitada do alto das suas botifarras de fartos centímetros acima do palco como para se fazer maior do que é, proclamar a proclamação de Mourinho de que ainda é líder em Espanha. Mourinho é líder em Portugal desde que saiu do FC Porto. É líder quando ganha e quando não ganha. Na Catalunha dizem que é mentira que o RM seja líder, porque tem os mesmos pontos do Barça e perdeu o confronto directo, embora tenha um jogo a menos que cumprirá no fim-de-semana, veremos o que fará em Sevilha.

Numa altura em que o FC Porto recorda a 2ª Taça Intercontinental que podia ter sido com Mourinho mas preferiu o Chelsea, o Barcelona está de volta ao Japão para ver se lá ganha o Mundial de clubes perdido em 2006 para o Inter PA e ganho em 2009 nos EAU. O Barcelona acabou de dar (mais um) banho de bola - o presidente Rosell disse que não o devia dizer, mas disse mesmo assim - mas já não é notícia em Portugal, o Portugal dos pequeninos idólatras do Real Madrid e Mourinho sofredores do assédio psicológico dos catalães no campo mas querendo os madridistas ser grandes fora dele, com notícias avulso de uma cantada supremacia inexistente.

O PÚBLICO traz hoje um estudo que só confirma o que empiricamente se vê e sente todos os dias em Portugal: a tv massificada em Lisboa. É ler aqui “Quando as elites da capital dominam o que se diz sobre o país e o mundo", embora para mim não sirva para contestar que o tal serviço público deve ser bem limpo de gorduras e com saneamento financeiro a sério. Porque como é notado, a RTP é mesmo o palco do poder e isso tem de ser esbatido. Só que os jornalistas não ajudam. Porquê? Por serem as chefias comandadas pelos gabinetes ministeriais - a acusação/constatação do tal grupo de trabalho tão criticado e do qual a autora do estudo Felisbela Lopes se demitiu por uma divergência ideológica (sobre a RTP essencialmente, onde tem palco ao sábado de manhã) mas sem poder negar-se, e ela vir confirmar em parte isso mesmo, as certeiras conclusões de quem reflectiu sobre o serviço público que nos custa mais de um milhão de euros por dia.

Barcelona como o Porto? Não, como o Tua: irrepetível se o estragarem

No sábado cheguei a pensar nisso quando via o Barça perder a bola no meio-campo como vejo no FC Porto por desleixo e convencimento de absoluta superioridade que é atendível nos catalães e risível nos portistas. Mas falo de outras coisas emblemáticas que dizem muito a quem é desta zona do País e despreza os franco-atiradores armados em Mexi(lh)ões...

Por causa dos famosos planos que fazem sempre adornar o barco.
- Só falta o cimento...
- Está quase!
E desta gente, que sonha com cimento

A irresponsabilidade - e a falta de cimento, dá nisto.

Porreiro, pá?

11 dezembro 2011

Dizem que o Jorge Rouba é dos SuperDragões...

Depois de proteger o Real Madrid com dois golos anulados ao Ajax ainda pode dizer que o auxiliar em Amesterdão foi João Santos e hoje nos Barreiros foi Bertino Miranda. Há quem lhe chame especialidade...

E Jorge Sousa Rouba é tido como ex-membro dos SuperDragões, na costumeira clássica manobra propagandística de diversão mas que volta a ajudar empurrar o Benfica a ganhar um jogo.

É claro que, em nome dessa fama e para proveito alheio, o alegado adepto do FC Porto não quis ajudar o Benfica com a expulsão de Olberdam aos 47' nem com os amarelos a mais a dois jogadores do Marítimo para não jogarem no Dragão no próximo sábado. É um complô com o champô habitual que uns chamam "aconselhamento matrimonial" e "fruta e chocolate" quando não se passa, como dantes, no Elefante Branco que a voz ronca do João Malheiro transferiu para "repito, Granada no Calor da Noite"...
Olberdam já devia estar vacinado contra isto, pois foi expulso pelo João "Pode Vir o João" Ferreira alegadamente por "palavras" ao árbitro num jogo facilitado que chegou depois a 5-0! Mas a esses guardanapos deve limpar-se bem o lambe-botas do presidente do Marítimo.
A coisa da arbitragem está preta e a malta do Porto não quer ficar para trás do gangue. A eleição do Conselho de Arbitragem na FPF decidiu-se por um voto... Vasco Santos, outro eventual portista além de portuense, é costumeiro a beneficiar o Benfica mas desta vez voltou a deixar o Sporting em vantagem numérica com o Nacional, a enésima vez dos leões a jogarem contra 10 esta época com o silêncio da Imprensa do regime que se repete - irão superar o Benfica do título fraudulento de 2009-2010 em que jogaram 13 jogos contra equipas com jogadores expulsos?

O segundo Alex Ferguson na história do FC Porto

O FC Porto recebeu o Portadown em Setúbal (5-0), por interdição das Antas, e obteve na Irlanda do Norte a maior vitória fora nas eurotaças (8-1, quatro de Madjer) da sua história. Foi em 1990, 1ª eliminatória, a última época em que a Taça dos Campeões se jogou no formato só de "bota-fora", com os campeões, de novo sob o comando de Artur Jorge, eliminados pelo Bayern de Munique nos 1/4, depois de deixarem pelo caminho o Dínamo de Bucareste.
É um outro "Port", o Portadown, e Ronnie McFall fez também 25 anos de treinador uma semana depois do celebrado técnico do M. United.
E nem como jogador Ronnie McFall esteve no Porto pelo Dundee United, quando os "Terrors" foram eliminados (2-1 em Tannadice e 1-1 nas Antas) da Taça UEFA por Seninho que marcou nos dois jogos, em Novembro de 1975. Nessa altura já tinha regressado ao Portadown da sua terra natal.

Já há muito previ o fim do mito Mourinho: agora refugia-se na sorte e acena com um troféu oferecido por um árbitro espanhol


O As é melhor por isto, claramente.

O Barcelona voltou a convencer, mesmo falhando a maior goleada de sempre no Bernabéu onde já ganhou por 3-0, por 6-2 e até por 5-0. Mourinho teve vergonha do último jogo em casa em que se limitou a defender para perder 0-2 e culpar o árbitro na semifinal da Champions. Desta vez só mudou Khedira por Diarra ao lado de Xabi Alonso no "doble pivote", o Real Madrid foi inundado de futebol por todos os lados, inclusive o direito com Coentrão, quiçá o Maicon de Mourinho! Mesmo recebendo um golo de avanço pela paragem cerebral costumeira de Valdez na baliza catalã. Nem com 1-0 oferecido com recorde (22") e obtido por ressalto para Benzema aproveitar, nem por acabar com 11 em campo como se queixava de que nem isso lograva, Mourinho deixou de falar do árbitro e, imagine-se, até da sorte que nunca lhe aflorou os lábios que entendeu fechar antes de mais um Clásico!
Mourinho calado começa a ser um fenómeno, tal como Cristiano Ronaldo desde que não jogue com o Barça e não veja Messi voltar a mostrar que é de longe muito melhor do que ele, como o Barça tem futebol que nem em imagens a preto e branco, como as vetustas instituições se habituaram, se lhe compara.
Qual Jorge Jesus ou subjugado por uma "Manita" ou escapado miraculosamente de uma derrota (como da última vez no Dragão), Mourinho ainda tem uma bandeira para agitar em defesa do seu estatuto de alegado melhor do mundo: uma final que ganhou à custa de porrada de criar bicho na final da Taça do Rei. Pode ser vilipendiado dentro e fora do campo. Refugiar-se impotente no banco e jogar na especulação de preferir o cepo Benzema a Higuaín de outra cepa ou substituir o melhor médio que é Ozil por um Kaká com o pensamento no Milan cujo Milanello-Laboratório lhe atenue o efeito da decadência inexorável. Até dar um aceno de simpatia, como aquele do fair-play da treta, de cumprimentar o adjunto de Guardiola a quem agrediu mas fazê-lo, teatral, para a fotografia, apenas no final do jogo.
Estas declarações que agora pesquei no As, de Madrid mas não de malabarismos informativos, definem a perda da aura que a superior categoria do Barcelona definitivamente lhe infligiu.
"El fútbol es un juego y los detalles y la suerte forman parte de él. Con 1-0, pudimos hacer el segundo, y un jugador tan fantástico como Cristiano Ronaldo lo hubiera hecho en circunstancias normales. Con 2-0, el escenario habría sido diferente, porque el primer tiempo fue equilibrado. El segundo gol del Barça fue pura suerte, no hubo talento ni fallo. Y al minuto siguiente perdonamos el 2-2. Luego ellos tuvieron la supremacía psicológica de ganar como tanto les gusta. El 1-3 fue normal. Pero es que también pudimos hacer el segundo. Sin embargo, el tiro de Kaká no entró por mala fortuna, no por una gran parada del portero. Sin quitar mérito al rival, la suerte ha marcado la diferencia", añadió.
"Ellos han ganado más partidos que nosotros y es fácil analizar que quien gana más es mejor que su adversario. Porque pasa el tiempo y olvidamos la expulsión Pepe, el gol anulado a Higuaín en Barcelona y nos quedamos sólo con los números. Sin embargo, nosotros ganamos una final, que vale más que un partido como este, porque el campeonato continúa. Escogería para ganar lo que ganamos, que daba un título", concluyó.
Mourinho explicó por qué renunció al trivote: "Jugábamos en casa, queríamos ganar y ser ofensivos, y además pensaba que Özil nos daría un rendimiento muy bueno en nuestra casa". En la víspera compareció su segundo, Aitor Karanka, y fue preguntado por qué fue él quien habló con la prensa tras el choque: "He venido porque hemos perdido. No voy a mandar a mi ayudante en esta circunstancias. Antes sí, porque no hay que dar la cara". Y evitó pronunciarse sobre los pitos a Cristiano Ronaldo: "No tengo tiempo para escucharlos".
Só não sabia que CR7 tinha sido assobiado. E Mourinho nem tem ouvidos nem soluções para isso.
Entretanto, após o jogo do Bernabéu, o Barça voou directamente para o Japão onde - instalando-se no hotel que o FC Porto ocupou em 2004 e que recebeu a equipa de Rijkaard também em 2006 - tenta reconquistar o título mundial de clubes conquistado há dois anos nos Emiratos. E já com a vitória no bolso do jogo da próxima jornada (4-0 ao Rayo) em que o Madrid de Mourinho vai a Sevilha. Mas para a Marca parece que se jogava em Madrid a posição do umbigo do Mundo... com a habitual inspiração do "medo cénico" e um Real vitorioso nos últimos 16 jogos exuberantes e aos quais Valdez deu mais um de avanço sem merecer o "agradecimento" de Mourinho para quem a sorte é quando sorri ao adversário e não quando ganha em Valência à rasca ou o Barça marca um golo de ressalto...
Enquanto podemos desfrutar da melhor equipa da História do Futebol nos intervalos dos jogos que o Real Madrid ganha profusamente vendidos nas tv's portuguesas onde por várias semanas não se vê um resumo de uma equipa que tem 39-0 em golos no Camp Nou para a Liga, já temos pasquins, quais cópias piores que o original acima, a dedicar 10 páginas ao Clásico espanhol, uma coluna de "notícias" na capa certamente por causa do Real Madrid e o campeão português e líder da Liga remetido para uma "orelha" (ao lado do título) que se confunde com publicidade. Nada de estranhar num periódico que foi baluarte e líder como jornal desportivo e se assume como "diário generalista especializado em futebol"... onde tem lugar notícias deste género...
As tv's portuguesas prosseguiram hoje a sua bacoquice intemporal, indiferentes à leitura geral e lapidar em Espanha

10 dezembro 2011

Campeão melhor quando a perder, pois a ganhar ameaça seriamente deixar o adversário empatar

A exclusão de Kléber, além de Fucile, da convocatória para Aveiro é todo um tratado da nova gestão, profissional e objectiva, do futebol portista por parte do técnico Vítor Pereira - que assume a coragem que diz ter para tomar decisões! E os resultados dão-lhe razão, mostrando ainda porque é que a rotação sucessiva do plantel até há pouco tempo serviu para testar as potencialidades de todos os elementos, pois nenhum escapou à avaliação técnico-táctica; e já me parece patente uma conclusão racional e válida nesta altura em que um balanço mais pertinente deve ser feito e não em Setembro/Outubro como muitos se apressaram para "limpar a folha" ao treinador.
Belluschi voltou a mostrar-se sem estofo e sem rasgo para o meio-campo, onde acedeu agora pela lesão do convincente Defour. E de cada vez que Varela entra, sem entusiasmo e sem jeito sequer para a função, dá-nos arrepios sobre se serão boas e verdadeiras as memórias do ex-estrelista que há um ano integrava o demolidot tridente com Hulk e Falcao. Ao mesmo tempo, a limitada capacidade de Djalma, sem comprometer mas nada prometer também, reforça as dores de cabeça que perspassa qualquer adepto mais atento e interessado no jogo portista, pois começa a acumular-se tanto o excesso de flanqueadores quanto a imperícia e inconsequência da grande maioria deles. O 4x3x3 já é descentrado pela emergência de um jogador de apoio ao homem (circunstancialmente) de área, que é James Rodriguez a quem nem tudo sai bem mas tem fome de bola e vontade de brilhar e ser influente.

Sem flanqueadores em condições e sem ponta-de-lança inspirador, pois parece que teremos Hulk a nº 9 e o tal homem de Vítor Pereira que foi o melhor marcador do campeonato. Hoje deu a assistência para James empatar e marcou ele mesmo, em dois toques e uma finalização à matador, o 2-1 que subjugou o Beira-Mar mas não chegou para deixar a defesa portista como a menos batida da Liga. Tudo porque na zona dos centrais pingou um livre e o único remate dos aveirenses deu golo inesperado a meio da 1ª parte sem terem feito qualquer outro remate à baliza de Helton.

Com James definitivamente talhado para nº 10 que Belluschi já nem ideia tem do que é, o futebol portista espraiou-se com tranquilidade, criando situações de golo negadas por Rui Rego. O 1-0 momentâneo era uma mentira mas sabemos que o futebol tem deste tipo de traições entre certos crimes que às vezes prejudicam a economia dos jogos e a verdade do campeonato. Hulk foi derrubado em frente à área e por pedir justiça viu um amarelo de Carlos Xistra. Brasileiro e árbitro albicastrense conjugados com um adversário de amarelo é mistura explositva como em 2009 se viu em Paços de Ferreira onde Hulk acabou expulso logo à 1ª jornada...

Valeu a compostura e seriedade portistas para dar a volta ao resultado, desmontando com paciência e jogo em toda a largura da cerrada defesa aveirense uma teia que justificava o estatuto de melhor defesa da Liga. Enquanto esteve a perder e mesmo quando durou o empate o FC Porto mandou na partida, criou lances de perigo, nem em mais livres laterais - aproveitados pelos aveirenses em cada encosto para "cavarem" faltas, a lembrar o outro jogo em Aveiro com o Feirense que deu 0-0 - esteve ameaçado. E o  2-1 surgiu com naturalidade e quase sem forçar a nota, mas sendo vincada e intensa q.b. a pressão ofensiva mesmo com a esquerda, mais uma vez, entregue a Álvaro Pereira que faz um trabalho árduo e solitário para servir de extremo sem deixar de recuar para defender.

A partir da vantagem, não mais o FC Porto criou perigo. A não ser para a própria baliza. Mesmo preenchendo o meio-campo, com Souza e ainda Iturbe que logo teve uma arrancada ao seu jeito de meio-Messi, o FC Porto deixou escapar a bola e os cordelinhos do jogo quase convidando o BM a empatar e nos instantes finais só por acaso tal não sucedeu, o que era um crime capital bem mais grave do que o golo inicial mas um castigo para o "deixar de jogar" e de procurar o golo da tranquilidade não mais justificado após o 2-1.

Vistas as coisas pelos 25 minutos finais, meter Varela é cada vez mais uma leviandade para mais quando tudo se conjugava para uma estreia na Liga mais adequada ao jovem Iturbe que sabe tocar, segurar e passar a bola. O meio-campo deve saber, com mais unidades, jogar em posse defensiva e "descanso activo" sem se meter em trabalhos nem ceder a iniciativa ao adversário. Para evitar calafrios que acrescentem mau resultado ao mau tempo que marcou este jogo. E muito menos apagar o que de muito bom a equipa fizera até ter avanço no marcador.

Desta vez sem irregularidade, esteve para dar-se um harakiri fatídico como em Chipre. Não sei que explicação Vítor Pereira deu para esse abaixamento deplorável no jogo, mas convém continuar a apontar e assumir as falhas até quando se ganha. Porque de tudo o resto já sabemos o que anda e o que não funciona, e quem não trabalha, para a equipa. Mas os analistas apressados já não devem ter vontade de reconhecer as suas fracas e deslocadas avaliações, esvaziada a pressão sobre Vítor Pereira que me parece bem consciente da árdua tarefa de fazer uma equipa ganhadora do pouco que resta em mentalidade competitiva e esforço colectivo colado a custo e ainda ameaçado por desfazer-se em cacos.

(Des)Informação às 23h na Antena Um

"O FC Porto é líder provisoriamente da Liga portuguesa e o Barcelona ganhou em Madrid mas o Real pode ser líder se ganhar o jogo em atraso em Espanha".

09 dezembro 2011

O que sentir?

"É vergonhoso estar na Liga Europa. Não estou preparado para isso. Queria a Liga dos Campeões ou nada.Na realidade tínhamos de ter acordado mais cedo. Não fomos profissionais desde o princípio da prova." - Patrice Evra, após a passagem do Man. United da Champions para a Liga Europa.

Pode um jogador, em nome próprio mas estendendo essa frustração à equipa ainda que não fale pelo colectivo, ter vergonha de jogar uma competição? Sabendo, antes do mais, que não fez o que devia para ter direito a disputar uma competição maior?

É este sentimento contrastante que nestas alturas, depois das indecisões do percurso anterior, deixa o habitual "tolo no meio da ponte", sem saber para que lado ir mas resignado a ter de ir para onde, aifnal, não queria.

Evra não é o primeiro a manifestar esse azedume. Desde 1995-96 que o United não joga a Taça UEFA, mas também ninguém lembra o que ali fez (0-0 e 2-2 eliminado por golos fora com o Rotor de Volgogrado!). E 10 anos depois aconteceu pior, conseguindo ser últimos num grupo tão fácil como este.

Na época passada, curiosamente outro francês, Ribéry dizia que "é impensável jogar na Liga Europa", estava o Bayern à rasca para obter pelo menos o 3º lugar da Bundesliga e ir ao play-off de acesso à Champions. Acabou por qualificar-se por essa via, eliminando o Zurique. Mas Evra vai ter de resignar-se a jogar na segunda competição da UEFA.

É natural estes jogadores sentirem o peso desta "despromoção". Jogam em clubes que têm aspirações de campeão europeu. Não são clubes de sonhar apenas em passar os oitavos, ou pelo menos chegar às meias-finais a partir das quais vêem e acreditam estar o jogo decisivo e a glória muito mais perto, à vista. Não precisam de manter os plantéis em Dezembro para triunfarem na Primavera. Fazem-no porque têm esse poder económico e uma tradição que não engana. Mas nem dinheiro nem tradição fazem sempre vitórias, nem em provas domésticas.

Ao "anunciar" o desinteresse na Liga Europa, o Man. United pode abdicar já de conquistar o único troféu que lhe falta na UEFA. Poderia ser uma aposta em renovar o título inglês. Mas está à vista que não tem força para tal. Vidic acabou de perder o resto da época, em mais um azar dos muitos que se empilharam em Basileia para trair o United. Aquilo, de facto, só visto e faz-nos lembrar muito da infelicidade na finalização do FC Porto a quem bastava um golito para seguir na Champions, mesmo que seja apenas para dar um salto de prestígio e sair a seguir, porque a equipa de Vítor Pereira não demonstra estofo para mais, sejamos justos.

Afinal, uma vez, Ribéry estava tão desinteressado da então Taça UEFA que o Bayern, com a final à vista, perdeu 4-0 com o Zenit em 2008 e viu os russos vencerem a competição. Quando se começa a sentir desprezo por uma competição, dificilmente se evita um "embaraço", como sente Evra, quando não uma "humilhação". Afinal, o United passava apenas com o 0-0 com que entrou em Basileia. Só precisava de não atacar e de não falhar na defesa como falhou.

Também vimos o FC Porto não ser "profissional" na 1ª parte da Champions. Teve o jogo na mão na Rússia e deitou tudo a perder e não foi capaz de justificar a vitória em casa com o APOEL, num jogo paupérrimo. Em Chipre conspiraram muitas maldades para ditar uma derrota com o cúmulo de um golo em cima da hora e em evidente irregularidade. Quando tudo corre mal...

Isto de pensar que são favas contadas dá... nisto. O United já empatou 3-3 aos 90' em casa com o Basileia... E se esse não era o grupo mais fácil, então não se consegue conceber outro tão fácil. O do FC Porto, ao invés, era bem mais difícil do que muitos proclamaram. E o facto de termos chegado a uma vitória do apuramento, inclusive do 1º lugar que se julgava impensável, só traduz a imprevisibilidade do futebol como a tentação das "facilidades" com que é encarado, por vezes.

O FC Porto, ou qualquer clube português, não pode pensar em ganhar a Champions, 2004 foi um acidente feliz que começou precisamente com o M. United. Cair para a Liga Europa é só uma benesse, de um regulamento injusto, a aproveitar, como outros no passado. Mas esta Liga Europa com tanto cheiro a Champions será o objectivo primordial?

Se antes de Donetsk questionei a "fome de títulos" que os jogadores portistas poderiam ter, vindo a demonstrá-la à saciedade um bocado tarde e sujeitos aos ares da desfortuna, a forma de reafirmá-la, sentindo a desilusão de 3ª feira, é ganhar em Aveiro ao Beira-Mar e vincar a liderança do campeonato que é sempre o principal objectivo.

Aveiro onde, com o 0-0 com o Feirense, se iniciou um ciclo inconstante roçando o medonho. E o facto de ser o Beira-Mar pode criar a ideia de "facilidades" das que saem caro menosprezar. Ao fim de 11 jornadas não pode ser por acaso que os auri-negros têm a defesa menos batida. O melhor ataque deve dar conta de si e a melhor equipa tem de estar em campo em todos os jogos.

Mais baldas podem dar resultados frustrantes como aquele que ainda sentimos. Não merecíamos seguir na Champions e, contudo, estivémos tão perto disso. Pelo que tem feito até agora, o FC Porto merece ser líder e só tem de reafirmá-lo para ganhar o campeonato. Se estiver bem no campeonato, a Liga Europa correrá melhor. Se claudicar em Portugal, não será a Europa a dar-lhe a mão.

A Liga Europa só vem lá para Fevereiro, quando campeonato e Taça da Liga já terão dado sinais do que vai ser o resto da época, a decisão com a meta à vista. E a Taça de Portugal perdida da forma indecente que se viu não pode estar nunca apagada da memória para se saber como é preciso competir e jogar para ganhar. Sempre.

Ora bem, este deve ser o caminho:
"a equipa tem consciência que, a jogar desta forma, estará muito mais habilitada a ganhar do que a empatar como foi o caso com o Zenit." - Vítor Pereira, hoje em conferência de Imprensa.

ADENDA: eis a típica notícia IDIOTA, referir uma discordância - que não é forçosamente uma "notícia", justificando apenas um comentário se a base de discussão for a mesma, que não é - inexistente. VP não acha injusto nem justo, diz apenas ser "legal" e contra isso nada, sabe-se que é mesmo assim. VP não deu opinião, não exprimiu o que AVB exprimiu e quem deu a opinião, deslocada e pateta, foi o jornalista. É o que há, quando não há nada. Uma tristeza.

08 dezembro 2011

1ª Supertaça há 30 anos, com três de Jacques e João Pinto a médio!


Supertaça 1980/81 | Final | Mão 2

Terça 8 Dezembro 1981
27' 65' 70' Jacques, 79' Costa
4:1

AGG:
4:3

Foi há 30 anos, numa tarde sombria e húmida mas sem chuva a sério, que o FC Porto conquistou a primeira Supertaça de Portugal "Cândido de Oliveira", mais ou menos por esta hora (16.30h). O improvável aconteceu, sem tv, com 4-1 nas Antas a superar o 0-2 da 1ª mão na Luz uma semana antes. Costa fez o golo decisivo, mas Jacques, contratado ao Sp. Braga no Verão, fez três golos que por si só anularam o bis de Nené do feriado anterior. Um a zero ao intervalo, por Jacques. O brasileiro e primeiro estrangeiro do Benfica, Jorge Gomes, empataria na 2ª parte, mas Jacques fez 3-1 em 5' e o esquerdino bigodaço selou a primeira conquista desde o bicampeonato de 78 e 79 e entre duas finais de Taça de Portugal perdidas para o Benfica (80 e 81) que ganharia a dobradinha nesse ano, a penúltima do seu historial (última em 1987).
Foi a 1ª de 18 Supertaças do FC Porto, mal imaginava Manuel Bento, guarda-redes do Benfica, que uma frase sua nessa tarde seria lapidar mas ingénua e torpedeada pela História: "Isto é a feijões, conta pouco". Hoje, o FC Porto tem mais troféus do que o Benfica.

Oito das Supertaças tiveram um tal João Pinto em campo. Jacques foi o homem do jogo, seria o melhor marcador do campeonato (27 golos em 30 jornadas, 34 golos oficiais na época). Mas a época 81-82, com o estranho austríaco Hermann Stessl a pegar na juventude que sobrava e aproveitando alguns ex-juniores, ficaria marcada pelo aparecimento de dois putos, Jaime Magalhães como extremo-direito e João Pinto, então como médio ao lado de Sousa e Jaime Pacheco...
João Pinto estreou-se na 1ª mão, na Luz, a 1/12/1981, acabadinho de fazer 20 anos (21/11). Estive para fazer esta evocação há uma semana, mas houve outros assuntos. Substituiu Jaime Pacheco na Luz, vejo no Almanaque do FC Porto que já aqui referi, do Rui Miguel Tovar. Depois estreou-se nas Antas frente ao Estoril, para o campeonato (1-0, por Jacques), entre os dois jogos da Supertaça. E lá entrou na 2ª mão para o jogo que abriu a história desta prova colorida de azul-e-branco.
O futuro lateral-direito, tomando o posto de Gabriel, seria capitão por muitos anos e 9 títulos nacionais para além de não ter largado a Taça dos Campeões em Viena. Fica a efeméride e alguns rostos que os mais velhos lembrarão, mas não talvez o lugar de médio que nos primeiros tempos João Pinto desempenhava.
Conquista seguinte: duas em 1983-84, já com Pedroto de volta e Pinto da Costa a presidente, uma época que culminou na Taça de Portugal de 1984 a anteceder a final de Basileia para a Taça das Taças perdida para a Juventus. Mas em Dezembro de 83, com 0-0 no dia 8 nas Antas, uma semana depois o FC Porto foi à Luz virar o resultado (2-1) com golos de Frasco e Vermelhinho, para a 2ª Supertaça. Depois, sim, deu-se o bicampeonato de 85 e 86, and so on, and on, on, on...

nota: vai aí um chinfrim sobre as portagens nas SCUT que faltavam pagar, a partir de hoje, mas nem uma referência à discriminação que há 418 dias fazia pagar só as SCUT do Litoral Norte e Grande Porto. A equidade proclamada é só quando certa casta e a região da capital se sente desfavorecida, o que nunca acontece. Até a A5 Lisboa-Cascais paga menos por quilómetro do que a A25 que leva as exportações do País.