03 dezembro 2007

FC Porto luta contra si próprio

Um rescaldo da Luz, antro pouco recomendável, breve postal de Lisboa e o que ficou por contar de mais uma vitória na provinciana capital. E muitas incidências, antes, durante e depois dos jogos. Várias perspectivas sobre um rival que diz que um dia será a maior instituição desportiva nacional (esta ninguém contou ainda!)

O contexto do jogo
Para desânimo da Imprensa Destrutiva, sempre hostil ao FC Porto, o campeonato já estará ganho outra vez. Mais uma vez esta época. Como noutras épocas. Pedro Emanuel, capitão da equipa e estandarte da correcção e combatividade portistas na Luz, na esteira de Fernando Couto, Jorge Costa e João Pinto, disse que não, falta muito campeonato. Mas lembrou, bem, olhos nos olhos com os traiçoeiros pés-de-microfone da capital, que era tempo, sim, de darem o verdadeiro mérito a quem lidera há 42 jornadas, dois anos completos, um campeonato que só artifícios de arbitragens às vezes fazem por tornar competitivo. A quente, ainda, o rescaldo da jornada europeia já aqui dissecada.

Único invicto
O FC Porto, uma vez mais, luta contra si próprio. Lutou após as 8 vitórias consecutivas, ainda há semanas. Em duas jornadas viu cortada para metade a sua vantagem pontual. Setúbal era uma casca de laranja mas sofreu a 1ª derrota. Já tinha havido o Marítimo só com vitórias… Sobrava o duelo principal, aquele que A Bola titulava como o “jogo do povo”, epíteto até aqui dado só aos derbies da capital amiúde válidos apenas para disputar o título (?) de vicecampeão. Perdeu o Benfica, ficou o FC Porto único sem derrotas para se defrontar a si próprio e testar a tese principal da história recente de duas décadas do futebol português: quem é capaz de ganhar ao FC Porto?

Proença, amigo, o recorde estava contigo!
Gabou-se uma longa série sem derrotas do Benfica: há quase dois anos não perdia em casa (1-3 com Sporting), há mais de um ano acumulou 30 e tal jogos sem perder na Liga (3-1 em Braga). Pelo meio, há precisamente nove meses, a dupla derrota podia ter acontecido, mas o sócio de camarote Pedro Proença impediu a vitória azul-branca de 1 de Abril, com penálti por marcar sobre Pepe e golo ilegal na posição de David Luiz…

Lembrar Mourinho
Mas perder pode estar ao virar da esquina. Até o Porto de Mourinho o experimentou, quase anonimamente, em Guimarães, com o Gil Vicente (0-2), com 29 jornadas, salvo erro, em 2004. Era o FC Porto a lutar contra si próprio, como sucedeu com Robson durante 53 jogos entre 1994 e 1996. No futebol não há invencíveis, mas já afirmei que, em dia normal, não há equipa para vencer o FC Porto em Portugal.

O jogo, a última vitória antes desta e as vitórias que se repetem
O FC Porto na Luz pulverizou o adversário a quem faltou uma série de coisas: não menos importante, a categoria, a competência, a classe; depois, a sorte de jornadas recentes, adversários competentes (e da metade inferior da tabela, pormenor sempre desprezado nas análises mas que não impede parangonas tipo “labaredas enormes” de gato fedorento). Vinham sobrando benefícios de arbitragem (P. Ferreira) e erros alheios (Académica).

A final era esta, Jesualdo!
A sorte, tristemente deturpada, nos duelos europeus a meio da semana iludiu os mais incautos. Jesualdo fez bem em “poupar” jogadores em Anfield, a “sua” final era na Luz. Camacho teve de meter a carne toda no assador e contra um Milan que também não precisava do resultado (e o empate garantia a qualificação) e pensava na sua “final” de sábado (0-0 com a Juventus). Isto chama-se estratégia e gozo de vantagem adquirida nas tabelas (Champions e Liga). É por isso que a formiga amealha no Verão em vez de cantar como a cigarra.

“Jogo do título” (ah, ah, ah)
A mim, apesar dos 4 pontos somente de diferença, fazia-me lembrar o Benfica-Porto de Março de 2003. Eram 10 pontos de vantagem, acabaram em 13 com o golo de Deco a meio da 1ª parte, ali na posição onde Quaresma agora marcou em arrancada a solo, o anterior Mágico a receber passe vertical de Maniche que pedia desmarcação e remate. Mourinho gozou com a Imprensa Desportiva (pró Benfica e pró Sporting ou prósdois): “Vocês são fantásticos, conseguiram criar a ilusão de este ser o jogo do título. Mas ainda não somos campeões”.

Um já foi, o outro está quase
Foi a última vitória. Antes da última, sábado. Uma vitória como outras das últimas décadas, aquelas onde a presença tolerada do FC Porto no início da reconquista passou a ser odiada. Depois de superar o Sporting em títulos e pontos de todos os campeonatos (Robson, 1996), o FC Porto ameaça seriamente a histórica supremacia do Benfica. Já superou o grande rival em vitórias entre ambos, de que é exemplo o saldo dos últimos 25 anos: onde antes havia 8 resultados positivos num quarto de século, passou a haver só 8 derrotas em período homólogo e, melhor, já são 6 vitórias no último período considerado nas visitas à Luz. No Porto, o registo de 13 anos consecutivos dos dragões a vencer nem pelo Benfica em casa foi alguma vez aproximado.

Esta é a história contemporânea, feita de títulos e cores vivas, não de memórias em canal antigo e a preto e branco, quando até alguns troféus internacionais eram diferentes e hoje irreconhecíveis, da Taça do Mundo Jules Rimet (de resto roubada e derretida no Brasil) à Taça dos Campeões Europeus. Mas a Imprensa do Regime não desiste. Resiste, mesmo no risco de cair no ridículo.

Destaques
O jogo da Luz não teve história. Deslizes ocasionais e individuais permitiram ao adversário algumas hipóteses de golo. Nulo Gomes falhou ambas, a abrir cada uma das partes do jogo. O clássico que ficou por ver foi um penálti favorável ao FC Porto mais uma vez escamoteado. Antes, a clássica pressão das sebentas da capital a desconfiarem do árbitro do Porto… À parte a Trivela do Cigano, título digno de conto de magia, só um mano-a-mano prendeu as atenções: Bosingwa-Christian Rodriguez. Este, cansado, pouco imaginativo na finta que procura à base do pico de velocidade e da força bruta, foi presa fácil para o nosso Zé, que foi o caçador a brincar com a caça. Mesmo assim, sem o Zé perder algum lance directo, teve a mesma nota 3 do adversário e até Fucile, sem opositor à altura, mereceu 4 em Record. A Bola deu notas bem distintas aos jogadores a marcar a superioridade portista vista em campo, colectiva e individualmente.

Intervalo
Onde o Benfica é bom – além das vendas de kits que convenceram Soares Franco a fazer a mesma feira em Alvalade, e dos gabarolas maiores do mundo e arredores antes dos jogos – é nos intervalos. Equipa de boas dançarinas em que a Carolina não tem lugar; mas, especialmente, brilharam na PlayStation. Ouvia-se golo por todo o lado, a instalação sonora é excelente mas o fado do seu hino torna aquilo muito ao estilo Bairro Alto e a “casas típicas” eu prefiro típicas casas… Promoveram ali um jogo electrónico qualquer e os pacóvios vibraram, acreditem…

Final digno do túnel dos horrores
No final, o episódio também já costumeiro no túnel da Luz. Em Abril foi Rui Costa a pegar-se com Jesualdo, desta feita foi o perdulário Nulo Gomes a querer irritar o professor. É preciso ter lata alguém dizer, para alguém mais velho, que não se deve cuspir no prato onde se comeu… Mas o que houve foi insultos de “chulo” de parte a parte, o “vai-te foder” da ordem e o ex-capitão João Pinto a impor respeito à prima-dona do penteado fácil.

Linha Azul no Metro
A lata, ou falta de vergonha, já não existe em Lisboa na recepção aos adeptos portistas. Numa cidade sempre suja, e da qual por extensão ali insistem em generalizar e dar a fotografia de todo o país, ao estádio do Benfica acede-se, descobri agora que me dispus a tal, pela Linha Azul do Metropolitano – agora que os soberbos da capital não podem gozar os portuenses. Lá chegado, onde antes era uma armação de cimento, ergue-se um suposto estádio moderno só pela data da inauguração e de ter sido palco do Euro-2004. Continua a ver-se, cá fora, o cimento das bancadas dos níveis superiores e, também como no século passado, ao mamarracho rodearam-no de vielas com casebres à volta para rápido consumo e mais lixo à porta. Não é recomendável e eu só fui por curiosidade de (re)ver o estádio. Não fiquei cliente. Dragão é para toda a vida.

Estaleiro de obras na viela da Luz
Numa dessas vielas da Luz, um ovo de Colombo com um resto de pedreira no lado oposto do estádio, canalizaram as claques portistas. Há uma foto no Record que retrata a viela. Resta dizer que, tirada a mole humana, aquilo ainda é um amontoado de cabos e lixo, o estaleiro de obras por acabar, barrancos de areia que no escuro da noite pode parecer um simulacro de montanha de neve para o Inverno. Deprimente, sobram paredes e falta espaço. Houve a final do Euro, mas já não houve a final da Liga dos Campeões. Percebe-se. Só falta ali a “tenda do Adelino” (se ouvem a TSF…).

Censura aos adeptos na cortina de fumo
Mesmo revistadas uma, duas e três vezes, as claques metidas na chamada “caixa” de polícias sofreram a minúcia da revista ao ponto de uma bandeira, a dizer somente “Não somos anjos, nem bandidos, só Ultras”, ter sido alvo de inquérito a um superior, via rádio, a perguntar se uma ofensa daquelas era passível de superar a porta do estádio. Fora uma carga policial, mais por hábito local que por castigo, e um ou outro ferido ligeiro, tudo bem e em frente que atrás vinha gente. Não sei em que estado ficou o pano que perguntava: “Já pagaram a água?” [meio milhão de dívida no Seixal]… mas a dívida estará porventura incobrável. E não vi o pano na bancada – há um lápis censor que coarcta a liberdade de expressão. O problema é que ao zelo num canto, faltou a segurança noutro, onde emergiram foguetes e fumos que se julgavam proibidos. Algures nas redondezas devem fazer um monumento ao “very-light”.

Cânticos ao desafio
Os portistas ocuparam o seu lugar habitual no piso zero, onde uma vez encaixotaram três mil pessoas em mil lugares… Mais portistas no piso mais alto, uma boa curva que apoiou incessantemente. Brindados à entrada com o actualizado “Carolina, allez!”, ripostaram com o “Orelhas, cabrão, saúda o campeão”. Cânticos portistas a toda a hora, do “quem não salta é lampião” à resposta ao coro contrário com o “fdp, slb, fdp, slb”. Para remate, apropriado à quadra, “Para todos, um bom Nataaaaal, para todos um bom Natal”…

Com águia mas sem vaca…
O jogo não voltou a revelar a já conhecida “vaca gloriosa” a garantir resultados, tão-só o provinciano voo da águia e do seu tratador ajoelhado no relvado para deleite de 55 mil basbaques… O voo, os basbaques e o ganhamos a todos convém ser sempre no início, quando não se dão da inferioridade face ao adversário…

Audiências é com o Porto
Feitas as contas, com os 5 mil portistas, os 60 mil e tal na Luz superaram os 46 mil da visita do Milan. Vê-se a diferença de tratamento e a curiosidade dos indígenas em prestarem justiça ao bicampeão nacional, desprezando o campeão europeu em título. Isto para não falar dos 48 mil no chamado derby eterno há um mês e picos…

Caricato, no final, foram duas imagens contraditórias: os “benfas” aguentaram estoicamente até aos 90’, impotentes perante a derrota mas incapazes de saírem dos lugares, ao contrário de meio estádio do Dragão quando o FC Porto está a vencer a 10 minutos do final… Pior, adeptos locais, curiosos e masoquistas, deleitaram-se a ouvir e ver os portistas a cantar e a gozar, insultando-os até, mas os da casa só reagiram, verdadeiramente, com o “Pinto da Costa, olé”. O presidente, e agora o treinador, do FC Porto é que os põe à nora. Complexos e não haverá psiquiatras que cheguem em Lisboa.

O FC Porto e Pinto da Costa não movem só a persecutora Morgado. O Benfica já não vive sem o FC Porto e Pinto da Costa. Damos audiências a muita gente…

Imprensa à vista desarmada
Justiça seja feita, nas bancadas pode circular-se à vontade, para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, deste para aquele sector, até se misturar o gentio com a gente da Imprensa e quejandos. Vi, por isso, um Miguel “parece-me claramente que a bola entrou” Prates abatido, mal acompanhado com outros derrotistas na expressão. Imagino o que terão sido os comentários na SportTV… Eu até preferi ver o jogo junto à tribuna de Imprensa, para ter o mesmo campo de visão dos jornaleiros e saber as oportunidades de ver os lances. Já na visita a Alvalade verifiquei porque há lugares para invisuais, atrás dos ecrãs gigantes… Convém saber como e porque vêem o jogo pelo olho cego…

Por que non te callas?
Já cá fora, desfeita muita feira, com o mesmo lixo de antes do jogo espalhado pelo chão, ecoam os cânticos dos portistas à espera de saírem. “Ainda não se calaram”, desabafam os benfiquistas no exterior. Nem os calam. Os portistas ouviram-se de uma forma extraordinária. No Dragão já não há assim ambiente, e isto na proporção, na Luz, digna da batalha de Ourique, de 1 para 10 foi mesmo fantástico. O “quem não salta é lampião” encheu de inveja o estádio mudo e quedo, impávido a ouvir o “campeonato c´o caralho, outra vez”…

Descida ao balneário…
Ao intervalo do jogo, três figuras desportivas e um energúmeno no relvado. Vanessa Fernandes, Nelson Évora e José Monteiro (paralímpico) foram homenageados pelo presidente da instituição. Mas a descida de Luís Filipe Vieira ao inferno do relvado onde o Benfica era passado a ferro pelo FC Porto não pareceu bem. Nos inúmeros túneis da Luz, há desvios não inocentes pelas bandas do balneário da arbitragem e as achegas do benfiquista de Valongo José Luís Melo não chegavam para evitar a derrota.

Missão, dizem eles…
Ao descer eu mesmo, perdido nalguns labirintos, dei conta de um placard que a muitos passará despercebido. Reza assim sobre uma alegada “Missão do Sport Lisboa e Benfica (transcrevo fielmente): nas próximas décadas o Benfica será a organização desportiva de maior sucesso em Portugal, tanto no Futebol como nas Modalidades, tanto na perspectiva competitiva como na vertente económica”.

Será?
O futebol vai como vai, as Modalidades ganham títulos individuais de atletas como os acima citados contratados a outras colectividades. Mas o notável é que o famoso clube que se julgava o maior em Portugal acredita que, um dia, não assinalado nem previsto, será, porventura, a maior organização desportiva do País. É certo que, além da falta de data para a efeméride, a coisa não vinha assinada. Em 2011, o colosso anunciado algures virá de Marte? É que aquele clube vive noutro planeta.

Leitão e tanto porco…
Antes do adeus à Luz, que entretanto se foi apagando por todo o lado a mostrar como em casa de ferreiro há espeto de pau, reparei que não cortaram, ao menos isso, a água. Mas pagam-se bem por ela: garrafa de 0,5l a 1,5 euros. Nem digo nada. Cá fora, revejo o antigo atleta José Leitão, medalhado olímpico espinhense dos anos 80 e conhecido benfiquista. Nem sei como o distingui entre tantas cabeças de porco inchadas que nem vos digo.

Há um sítio para vir embora…
Por fim, a ansiada busca da saída para a A1 rumo ao Porto. Como sempre, o melhor de Lisboa…

PS: Imagens retiradas do site Vermelhices

02 dezembro 2007

Simplesmente... normal

Benfica 0-1 FCPorto
Quaresma 41'

Equipa: Helton, Bosingwa, P.Emanuel, B.Alves, Fucile, P.Assunção, R.Meireles (Bolatti 81'), Lucho, Quaresma (M. Gonzalez 69'), Lisandro e Tarik (Postiga 60')

60.116 espectadores

Como disse na antevisão do jogo, se jogássemos o que sabíamos, o resultado só poderia ser um, a vitória. E isto era simples de se entender já que a equipa do FCPorto não é apenas melhor que a equipa da Luz, é muito melhor e a primeira parte deste jogo foi a prova disso mesmo. Por momentos pareceu que o que FCPorto jogava com uma daquelas equipas que apenas vêm ao Dragão tentar não sofrer muito. A classe, o domínio, a superioridade do FCPorto, principalmente nos primeiros 45 minutos, demonstrou a muitos aquilo que, para qualquer pessoa de bom senso e que saiba ver futebol, já se sabia há muito, o FCPorto é a melhor equipa a jogar em Portugal, está a um nível bastante superior e por isso está há mais de dois anos no primeiro lugar da liga, sendo que este resultado acabou por ser simplesmente… normal.

Jesualdo não inventou, colocou de início a equipa que todos consideramos a melhor e o habitual 4-3-3 desta época, já que o que se queria era que impusesse o seu jogo e não o alterasse pensando no adversário, tendo apenas colocando Pedro Emanuel no lugar do Stepanov, espero que para fazer o que eu havia dito no post de antevisão do jogo, precisamente para protegê-lo.

Iludida, por um empate em casa contra o campeão da Europa, que apenas precisava desse mesmo empate, e pela goleada sofrida pelo FCPorto em Inglaterra, mesmo sem saberem como ela aconteceu, e que para segurar o 1º lugar, nem do empate precisou, esperava-se na parte inicial do jogo que a equipa da casa entrasse com grandes “ganas”, que é a grande mais valia desse conjunto, aliado aos seus histéricos adeptos, a quem basta uma bola passar do seu meio-campo defensivo para festejarem como se de um golo se trata-se. O FCPorto sentiu um pouco essa intensidade inicial e esse ambiente, cometendo alguns erros, falhando passes e não acertando com as marcações, o que originou logo aos 50 segundos uma das únicas verdadeiras oportunidades de perigo criadas pelos encarnados.

Aos poucos o FCPorto foi tomando conta do jogo, começou a trocar bem a bola. Os médios começaram a servir bem os avançados e estes começaram a fazer a “cabeça em água” aos defesas adversários, fazendo com que o recurso à falta fosse o único meio utilizado para os travar. O substituto de serviço de Binya, na arte de maltratar os adversários, foi um jovem central a quem tudo foi permitido pelo juiz em funções, sendo que só a esse foram perdoados vários cartões. Uma das faltas cometidas, dentro da área, foi tão clara, tão clara, tal a persistência do “agarranço”, que deu logo aí para entender que o FCPorto iria ter mais que o adversário normal.

Mas o FCPorto estava senhor de si, os jogadores sabiam perfeitamente o que fazer, controlavam o jogo, eram donos dele, não davam espaço a um adversário que parecia completamente perdido em campo. Os azuis-e-brancos foram construindo algumas oportunidades e Tarik foi o primeiro a avisar quando isolado rematou forte e apenas a centímetros do poste, até que Quaresma, numa das suas geniais jogadas, deu, primeiro, o devido castigo pelas entradas à margem da lei ao jovem central trauliteiro, deixando-o de rastos com uma das fintas do seu cardápio, depois com a trivela que todos lhe conhecemos rematou cruzado e colocou finalmente justiça no resultado. Um golo de diferença que no fim da primeira parte não demonstrava a realidade do que se tinha passado nesse período de tempo.

Para a segunda parte Jesualdo encetou a habitual contenção, também tendo em conta o cansaço dos jogadores. Deu a posse de bola ao adversário, chamou-os para o seu meio campo, à espera de ganhar mais espaços na defesa do mesmo. Tenho pena que não quisesse continuar a assumir o jogo, continuando a assumir as despesas do mesmo, mas compreende-se a sua ideia e poderia ter resultado até numa goleada se Lisandro e companhia estivessem com mais pontaria, dadas as oportunidades que surgiram. Os encarnados, como seria natural foram aparecendo mais perto da baliza de Helton, mas o perigo, além de uma oferta de Bruno Alves que ia correndo mal, não fosse o avançado do outro lado Nuno Gomes, só lá chegava através de livres que iam sendo inventados à medida que os jogadores de vermelho iam caindo no chão. Neste aspecto foi por demais evidente a dualidade de critérios já que as faltas só eram marcadas numa direcção. Mas do outro lado estava uma equipa que sabia bem com o que contar e nada afectou a consistência dos portistas que iam sempre pondo em sentido a defesa contrária, conseguindo o FCPorto até terminar o jogo em cima da defesa do 2º classificado.

Esta vitória, sempre especial, por ser contra quem foi e principalmente em sua casa, embora seja de todos e seja injusto individualizá-la, tem de ter, da minha parte, uma especial dedicatória a três pessoas. A Jesualdo porque carrega o estigma de o chamarem benfiquista e porque nunca tinha vencido o clube da Luz, esperando agora que lhe seja dado o crédito merecido por parte dos portistas. A Quaresma que tem vindo a subir de produção e tem dito presente nos momentos importantes, tendo espalhado magia com o seu tremendo golo que acabou por resolver o desafio. E por último a Lisandro Lopez que personaliza o espírito do Dragão, pelo corre, sempre incansável, transmitindo a todos uma grande vontade própria de um grande campeão. Cansa só de vê-lo correr e lutar.

Com 7 pontos para o 2º classificado e em primeiro lugar há mais de dois anos, o FCPorto só tem de continuar com a mesma garra e humildade própria dos campeões, mentalizando-se que nada está vencido, aliás como se pode ouvir por parte dos jogadores do FCPorto nas entrevistas do final do jogo. Dirão que a equipa da casa esteve mal, é normal e já nos habituamos a não nos darem mérito, mas relembro que uma equipa só joga o que a outra deixa e o FCPorto neste jogo apenas impôs o seu estatuto de campeão e da melhores equipa em Portugal, e por isso o resultado foi simplesmente… normal.

01 dezembro 2007

Directório de imagens do FCPorto - Ano 2008

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Dia de cobranças

Disse na crónica do jogo de Liverpool que alguém teria de pagar a factura de uma derrota tão pesada. Pois bem, chegou o dia, porque não somos de dar crédito por muito tempo e nada melhor para o fazer que em casa do principal rival. Na verdade, espero bem que o desaire de quarta-feira tenha afectado os jogadores azuis-e-brancos, e muito, espero que saibam que para os adeptos aquele resultado foi uma humilhação, para que assim se sintam, mais que nunca, obrigados a vencer, mesmo sabendo que uma derrota até nem colocaria em causa o primeiro lugar na liga.

O adversário de hoje começou mal a presente temporada, mas tem vindo a subir de produção, o que não quer dizer que estejam a jogar tão bem como nos tentam vender. Aliás, pelo que temos visto, muitas das suas últimas vitórias são principalmente fruto de muita "sorte" que tem vindo a acompanhar a equipa há várias jornadas e que não pode durar sempre. E os jogadores do FCPorto têm de ter a noção disso mesmo, interiorizarem que não são apenas melhores, são muito melhores que eles e que, impondo o seu jogo e jogando tudo o que sabem e podem, vencer será apenas a normalidade. Não será fácil porque, independentemente da forma de cada equipa, estes jogos normalmente não o são e ainda existe aquilo a que eu chamo de “factores externos” que podem sempre fazer alterar os planos. Para além destes factores, o que há mais a temer na equipa da Luz são mesmo só alguns jogadores que protagonizaram um historial clínico... em jogadores que contra eles jogaram, resta aqui a esperança que o senhor do apito saiba colocar um travão à dureza eventualmente praticada.

Em relação à equipa que vai entrar hoje em campo, espero Pedro Emanuel, que esteve bem contra o Setúbal, faça parte dela, entrando no lugar de Stepanov. O sérvio tem cometido erros influentes nos últimos resultados e o risco de o colocar a jogar num jogo tão importante como este é demasiado grande. Poderia até correr muito bem e o central ganhar confiança para o futuro, mas se corresse mal era "trucidado" pelos adeptos e poder-se-ia perder um bom e jovem central com valor. Jesualdo deveria então, precisamente colocar Stepanov no banco, tanto no jogo de hoje, como no próximo jogo do Dragão, e quando tudo estivesse mais calmo, lança-lo novamente, sendo que lhe devia dizer isso mesmo, que era exactamente para sua protecção. De resto espero que não hajam invenções e conto que Fucile já tenha descansado o suficiente para render o atabalhoado Marek Cech, conto com o regresso de R. Meireles e de Tarik ao onze inicial, fazendo assim a equipa que nos tem habituado e que melhores resultados nos tem trazido.

Vencer, vencer, vencer, é o único bom resultado para este jogo. Menos que isso, e para os adeptos, será apenas mais uma derrota. O FCPorto tem um dom, mais que ninguém sabe transformar as adversidades em “dopping” para voltar a vencer. E é esse espirito guerreiro que têm de ter, é isso que têm de fazer, lembrarem-se que o bi-campeão de Portugal foi goleado no último jogo e que tal é completamente inadmissível, seja contra quem for. Sejam onze Lisandros em campo, lutem todos como ele até à última gota de suor que assim o resultado será só um, a nossa vitória. Mostrem a raça do campeão e cobrem hoje a derrota de quarta-feira.

Benfica - FCPorto, SportTv1 - 19H45