08 janeiro 2010

Pela Verdade Desportiva


Os cómicos que se entretêm no futebol falado dos paineleiros que falam sem verem imagens esta semana até falaram de um amarelo a Javi Garcia naquele desaguisado com o Amuneke. Não houve amarelo sequer, mas falaram como se tivesse havido. Não há dúvida que nos programas televisivos já querem fazer justiça por opinião própria. É como analisar jogadas no vídeo, cada cabeça sua sentença.
E, enquanto o careca de Sintra se ria e o cineasta esquelético cruzava os braços dizendo que os portistas e os sportinguistas é que faziam a saudação nazi, como se isso tivesse um importância do caraças no tempo em que era politicamente correcto fazer isso para não bater o cu na cadeia e ter visitas inesperadas pela noite, ninguém pediu sumaríssimos ao Javi e ao Maxi.

O Ricardo Bosta da Liga deve estar a emoldurar as entrevistas de regime, enquanto dá umas dicas aos amigos sobre como evoluirá o processo do túnel, tão obscuro como o pífio apito que entusiasmou bestas como o geninho.

Sumaríssimos, nada. A CD anda muito ocupada e os paineleiros acham que nem devem pedir sumaríssimos porque acham que o Javi levou amarelo.

Básicos...

FC Porto tem sido bem tratado na Luz!



2010-01-08 17:08h
CAN-2010: comitiva togolesa atacada por tiros de metralhadora
Motorista foi morto; há dois jogadores feridos

A selecção do Togo foi atacada nesta sexta-feira por tiros de metralhadora, na fronteira de Cabinda com o Congo, disparados por rebeldes angolanos, quando se preparava para entrar em território angolano, onde vai disputar o Campeonato Africano de Nações (CAN).
Até o momento, foi confirmada a morte do motorista do autocarro e ferimentos em vários elementos da comitiva. Em declarações ao LEquipe, Thomas Dossevi, avançado do Nantes, contou que «há dois jogadores feridos» para além de dirigentes. À «Rádio Monte Carlo», Alaixys Romao, do Grenoble, referiu que há sete pessoas atingidas.
Dossevi explicou que, perante este ataque, a equipa pondera não disputar o CAN-2010: «Ninguém pensa jogar, não estamos capazes, pensamo acima de tudo na saúde dos feridos, porque havia muito sangue no chão. Não temos mais notícias, a não ser que foram transportados ao hospital.»
O Togo está incluído no Grupo B, o mesmo da Costa do Marfim, adversária de Portugal no Mundial, do Burkina Faso, orientado pelo português Paulo Duarte, e pelo Gana. Adebayor, jogador do Manchester City e grande estrela da equipa, saiu ileso do incidente.
As quatro selecções irão jogar no enclave de Cabinda, uma das províncias mais ricas de Angola, devido ao petróleo. No entanto, tem sido foco de tensão entre os separatistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda e o governo de Luanda.
Aliás, o atentado já foi reivindicado pelas FLEC. Entretanto, o Jogos dos Astros, que reúne Pelé, Eusébio, Figo, Rui Costa e outros, foi adiado de sábado para terça-feira, na sequência deste caso. A partida será realizada no Estádio da Cidadela, em Luanda.

in Maisfutebol

Vá lá, esta brincadeira do túnel da Luz e a inútil inquirição de hoje de Hulk e Sapunaru - como as anteriores de Reinaldo e Pinto da Costa no Apito Dourado tratado com faca da Liga (à qual, recorde-se, até Carolina fez um manguito e não foi depor...) - é uma brincadeira de crianças.

Como dizem que os angolanos, além do BES, da TVI, do Sol e mais não sei quê, também já compraram o Benfica (os chineses há uns anos foi outra brincadeira para entreter e subir as acções como convinha), daqui por uns tempos nem o Olarápio nem o Vigarista terão sequer coragem para lá ir roubar à descarada as equipas visitantes. Quanto mais os adversários...

Roubos de Igreja

Tornou-se uma expressão popularizada, entrou no léxico futebolês mas viu a luz do dia por José Maria Pedroto, o Mestre dos treinadores nacionais que faleceu há 25 anos depois de quebrar as correntes que atazanavam, mentalmente, o futebol portista.

O “roubo de igreja” fala-se em relação aos favorecimentos de arbitragem aos clubes de Lisboa, especialmente ao Benfica. Ainda antes de a Luz ser designada por catedral, o roubo de igreja significava uma situação de flagrante benefício de arbitragens que o FC Porto deixou de calar quando Pedroto voltou ao clube em 1976 para ganhar nessa época a Taça de Portugal e dois campeonatos nos anos seguintes.

É curiosa a coincidência de evocar-se a morte de Pedroto – e não só pela expressão popularizada, porque era um técnico dotado de argúcia táctica e fluência no falar sem esconder nomes e refrear impulsos politicamente correctos após o 25/4/74 – quando o Benfica somou, antes do Natal e na entrada do novo ano, duas vitórias fraudulentas centradas em erros de arbitragem claramente a seu favor e que definiram os resultados com duplo 1-0 ante FC Porto e Nacional, este para a famigerada Taça da Liga que resiste, ainda tão jovem, como a prova dos roubos de igreja pela infame arbitragem de Lucílio Baptista na final da época passada em que o Sporting foi a vítima ocasional.

Essa “Taça Lucílio Baptista” de Março do ano passado, no Algarve, ainda motivou chamarem o patético árbitro sadino a explicar-se perante a TV (SIC). No recente clássico com o Benfica, o FC Porto sofreu um golo precedido de flagrante irregularidade. Mas desta vez ninguém foi chamado a explicar a “nova regra” perante câmaras de televisão. Curiosamente, um ano antes, num Benfica-Nacional marcado pela anulação de um golo bem invalidade ao Benfica, o árbitro Pedro Henriques também apareceu, sabe-se lá picado por qual mosquito, a dar a sua explicação, essa coerente, racional e suportada nas Regras do Jogo, sobre o golo anulado a Cardozo nos últimos instantes.

Agora, ontem aliás, vejo na tv que Lucílio Baptista teve direito a perguntas de circunstância sobre os incidentes no túnel da Luz, o antro profundo da igreja onde se cometem outros crimes pelo visto e ouvido. Não se lembraram, os pés-de-microfone lisbonenses, de lhe perguntarem se reviu o lance do fora-de-jogo de Urreta a passe de Saviola no clássico. Perguntaram-lhe se foi ameaçado por causa do que sucedeu no túnel de acesso aos balneários…

É por estas e por outras que o futebol português cai na imbecilidade informativa e redundante. Para mais, com um arauto aparolado a proclamar a Verdade Desportiva branqueando os roubos sucessivos de arbitragem em favor do Benfica, a saga continua.

Mas era por estas e por outras, com o condicionamento informativo e o espírito de colaboração dos meios de Comunicação Social para com o Benfica naqueles tempos, que Pedroto dizia:

“Não vou à rádio porque de Lisboa estão sempre a cortar a emissão”.

Pedroto
, que saudade!

Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"

07 janeiro 2010

Futebol Clube do Pedroto

Faleceu há 25 anos. As suas “tiradas” ainda são actuais. Por muito que firam os melindrosos caciques lisbonenses, que ele tanto atacou nos seus tempos áureos em que conduziu o FC Porto não só a uma conquista da Taça de Portugal (1977) como a dois títulos nacionais (78 e 79) e, acima de tudo, para bradar contra o centralismo, o poder do futebol submisso aos clubes da capital, o jornalismo faccioso e vícios atávicos do futebol e dos portugueses. Cada vez mais uma saudade

Quando José Maria Pedroto faleceu, em 1985, já tinha “lançado” Artur Jorge que, como previu, guindaria o FC Porto ao topo europeu dois anos depois. A ironia é que com o popular Zé do Boné ao leme do futebol portista, o Benfica obteve o seu último bicampeonato (83 e 84) desde então. Incluindo (mais) uma final ganha no Jamor ao FC Porto (83). Suspenso de funções por doença crónica (cancro) praticamente desde um ano antes da sua morte, Pedroto mal viu o FC Porto ganhar a Taça ao Rio Ave e perder a final da Taça das Taças com a Juventus em Basileia uns dias depois (84). António Morais (também já falecido) substituiu-o, até chegar na época seguinte Artur Jorge para se iniciar a fase decisiva, crucial, histórica de viragem no futebol em Portugal. Artur Jorge: O delfim de Pedroto, que com ele privou em Guimarães. Hoje, de há uns tempos, delfim de Pedroto na argúcia, mediatismo e contundência é Mourinho, com quem tende a comparar-se na discussão pública os dois fenómenos entre os técnicos portugueses. Mas Pedroto esteve sempre à frente do seu tempo, Mourinho simplesmente desafia o tempo presente.

Pedroto era um cidadão de corpo inteiro, Mourinho tem mais espírito de mercenário. Tão iguais e tão diferentes e falamos das três maiores figuras de sempre do FC Porto que após o 25 de Abril de 74 se refundaria no Futebol Clube de Pedroto e a sua indomável vontade de superar o destino, à excepção da morte, já ele era um “enfant terrible” no tempo do obscurantismo da ditadura que, infelizmente, se reveste de cariz aparentemente democrático nos dias de hoje que reclamam um outro Pedroto. Muitos nunca o conheceram, dos adeptos mais novos que só viram o FC Porto hegemónico nos últimos 25 anos. A esses, ávidos de saber como era dantes, aconselho a leitura do extenso (mas algo “embrulhado” e menos “aliviada” densidade de factos, datas e histórias descritas) “Pedroto, o Mestre”, publicado em 1998.

É preciso, de facto, um livro para falar de Pedroto. Dá gosto ler um livro quando o personagem é tão fascinante como era Pedroto, natural de Lamego e que, morando episodicamente perto do campo da Constituição, chegou aos infantis do FC Porto mas só nos juvenis do Leixões obteve a sua primeira inscrição como jogador no único clube onde, como técnico, não chegou depois a acabar o contrato de trabalho. Não foi um estudante profícuo, mas leu os clássicos de Eça, Camilo, Júlio Diniz, era leitor inveterado e, por isso, culto, aprendendo a mestria das palavras como a arte do bilhar e da sueca nas tertúlias pela noite dentro na zona da Boavista.

Seria extensíssimo falar do que fez, do que instruiu, do que ganhou. Mas do seu legado desportivo ímpar, para os dias de hoje, nada como tentar resumir nalgumas das suas notáveis tiradas na Imprensa o seu sentir e a “táctica” dada para tornar o FC Porto grande, algo que inspirou gente como Octávio, Oliveira e até Pinto da Costa que o resgatou do Boavista para todos mudarem o rosto do futebol em Portugal hoje em risco de cair no bolorento ambiente que o FC Porto tanto combateu para dar cor, títulos inolvidáveis e brilho ímpar ao jogo em Portugal.

Enquanto jogador, nos anos 50 e 60, foi dos melhores, era interior-direito, jogou em vários clubes e foi bicampeão pelo FC Porto em 1956 (titular indiscutível e esteio da equipa com o famoso Hernâni) e 59 (quase no fim da carreira, aos 30 anos) no ano do Calabote que o fez esperar no Torreense que acabasse na Luz o famigerado Benfica-CUF.

Como treinador, além do curso superior em França (daí o seu segundo idioma) que lhe dava habilitação a treinar a selecção gaulesa, em 1960, dirigiu a selecção de juniores de Portugal campeã europeia (1961) e a equipa de juniores do FC Porto. Já então, o que hoje se chamam de transições rápidas ele incluía no XII dos seus “17 Princípios do Jogo”: “Passar com rapidez dói ataque à defesa e vice-versa”. Orientou, então, Académica, Leixões e Varzim em anos consecutivos (1963 a 66), com a sua única “chicotada” em 1965 no Mar. “Falharam-me com aquilo que não podia dar-me”, explicou. Teve uma outra “chicotada”, especial, no FC Porto a 9/4/69, discordando de opções directivas (frontal como era) num ano em que os portistas perderam o título por culpa própria. Pelo Setúbal (2º em 71-72), Boavista (2º em 75-76, ganhando a Taça) e V. Guimarães (4º em 81-82) obteve as melhores classificações de sempre até então nesses clubes, só melhoradas por Jaime Pacheco com o título no Bessa em 2001 e pelo 3º lugar vimaranense há duas épocas com Cajuda.

Como já confessei aqui, foi o Setúbal dirigido por Pedroto que me encantou primeiro em Portugal, nas suas epopeias na Europa e um futebol de sonho. Vivi intensamente os dois títulos portistas dos anos 78 e 79 e, por isso, nada do que a seguir transcrevo do livro de Alfredo Barbosa é para mim novidade.

Ficam citações, extraídos do livro da autoria de Alfredo Barbosa (ex-jornalista de A Bola, amigo e até cúmplice de Pedroto que lhe concedia entrevistas notáveis de rasgar a eito e sem pejo de identificar os alvos bem definidos na verrinosa mas literária crítica do treinador que fumava o triplo em dias de jogo em relação ao maço diário que, fatalmente, lhe moldou a voz roufenha mas nitidamente audível e, por fim, apressou a sua morte).

E a tantos servirão muitas das carapuças a seguir ditadas:

Por princípios
“Ética e deontologia cabem, inteiras, nos princípios da razão. Não se invocam quando não os temos…”
“Como dizia Eça, “os serventuários das instituições que abdicam da sua personalidade não passam de medíocres que vegetam e aguardam ansiosamente os dias de pagamento”.
“Cito Miguel Torga: “Prefiro mil vezes o ódio dos que estão ao desprezo dos que hão-de vir. Verídico, posso alimentar a esperança da companhia sincera de algum leitor futuro; mentiroso, nem a dos mentirosos de agora”.
“Tenho para mim que, por muitos ginásios e muitos pavilhões que se construam, nada faz mais falta aos jovens do que a alimentação (…) Os mais franzinos são (agora) os mais talentosos. O que não fariam eles se tivessem outros cuidados, nesse sector, desde pequenos? (…) Agora, sucedendo como sucede, verifica-se em Portugal, tal como no Brasil, que menino rico não é bom de bola”
“Sofri influências que não destruíram a minha personalidade nem obliteraram o meu carácter. E o que desejo para o meu país é a social-democracia”
“Escrevo nos momento de ócio, quando estou só. Sensibilizam-me aspectos de ordem humana, como da própria natureza. Sinto-me imbuído de uma ideia e transmito-a para o papel. Mas sem valor literário para serem publicados”.
“Escreveria um manual sobre futebol? Mais do que nunca, por ter acabado o manancial de Angola, Moçambique, Guiné é premente um trabalho de base na formação”.
“O verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso futebol reside no simples facto de quase todos pensarmos que, quando saímos dos estádios, já não somos profissionais de futebol”.
Como jogador
“Não me censure, por favor, mas gostava de atingir a categoria de internacional”.
“Há jogadores de fraca estatura moral facilmente manejáveis por alguns dirigentes sem escrúpulos” (isto ainda nos anos 40, do que designavam dos tempos de cavalheirismo)
“Às vezes a boa vontade não chega. E é pena, porque o jogador deveria diariamente estar em contacto com a bola (…) Nos pormenores de execução, pelo menos, conseguiria assim registar progressos, que indubitavelmente se reflectiriam na valorização mais firme do futebol português. O ideal é que os jogadores tivessem modos de vida que permitissem esses regulares exercícios diários”.
(defendendo o profissionalismo, vetado pelo Estado Novo, pouco depois de 0-10 de Portugal com a Inglaterra em 1947 no Jamor)
Em 1952-53, Pedroto trocava o Belenenses pelo FC Porto na mais cara transferência de sempre em Portugal: 335 contos para os azuis e 150 contos nas mãos do jogador (“luvas”).

Como treinador (a partir de 1964, na Académica)
“O futebol reflecte o convívio humano em que germina”.
“Se possuímos uma magnífica elite de jogadores internacionais, dos melhores da Europa, sem qualquer dúvida, que valem os outros? Temos imaginação, ritmo, menos futebol estereotipado que na Europa Central, mas na massa de praticantes existe muita deficiência. Só com escolas e processos novos podemos melhorar”.
“Um futebolista profissional não pode dispor apenas de um par de botas. Pois é o caso do Leixões. Na P. Varzim aconteceu que, num piso encharcado, Narciso e Marçal perderam os pitões, sem hipótese de substituição de calçado (…) E os banhos de imersão não são um luxo, mas uma necessidade”.
“Em princípio, não são as tácticas que ganham os jogos. Nenhum jogador ou equipa podem ser escravos de tácticas (…) uns e outras devem estar aptos a corresponder imediatamente a uma mudança de sistema, num mesmo jogo”.
“De quinta a segunda-feira, os jogadores ficarão concentrados. O após-jogo não é subestimável: o desgaste a que os homens são submetidos exige tratamento cuidado para a recuperação” (já no FC Porto, em 1966).
“Na minha segunda época, com uma equipa recuperada, fizemos miséria. Ganhámos a Taça (2-1 ao Setúbal) e só não vencemos o ‘Nacional’ porque um senhor árbitro, no jogo decisivo contra o Benfica, nos anulou um golo limpíssimo (como toda a crítica o classificou) de Manuel António que poria o marcador em 3-2 a nosso favor. Estávamos a perder por 2-0 e recuperámos até ao 2-2 (…) Perdemos, então, o jogo que tínhamos ganho por direito, por 3-2 com um frango de Américo”.
“Depois, a época seguinte ia ser a da consagração final. Estivemos toda a época à frente. Veio aquele tristíssimo caso do sr. Presidente” (Pinto de Magalhães).
(A escassas jornadas do fim, em 1969, o FC Porto perde com a Académica (0-1) e empata com o U. Tomar (2-2) nas Antas. O Benfica, que empatara um jogo em S. João da Madeira, ganha um protesto e ganha o jogo repetido com a Sanjoanense (golo de… penálti). E só precisa de empatar na última jornada no clássico decisivo na Luz (0-0) para ser campeão com 2 pontos de avanço. Uma intriga palaciana nas Antas fracturou o balneário e Pedroto será excomungado em AG que em 1976 o reabilitaria para regressar e finalmente triunfar)
“É minha obrigação ajudar a desmascarar o bezerro de ouro do FC Porto, um clube que amo no qual vivi os melhores anos da minha vida” (aludindo ao presidente Pinto de Magalhães).
(De quase ganhar o campeonato, em 1969, à pior classificação de sempre: 9º em 1970, o FC Porto passou de habituado a ganhar ao V. Setúbal a perder 5-0 e 3-0 nas Antas com a equipa sadina orientada por Pedroto. Um tal Tommy Docherty, ex-M. United, afundava os dragões).
“Treinadores ingleses?... Uma ofensa à inteligência das pessoas”.
(no regresso, desde o Bessa, às Antas, Mortimore treinava o Benfica e Ronnie Allen o Sporting. Em 76-77 começou a época dos “roubos de igreja”, segundo um título enorme em A Bola)
“Só a vitória final é objectivo. Não importa que nos apodem de obcecados, de fanatizados e doutros termos semelhantes”.
“Parece-me de grande importância na conquista de campeonatos nacionais que os clubes pertençam à cidade onde o poder desportivo se concentra em todos os seus órgãos de cúpula”.
“Parece que muita gente está interessada em que a arbitragem continue a funcionar nos mesmos moldes de antes do 25 de Abril”.
“No FC Porto não há contestatários maricas, nem os problemas se levantam porque nunca chegam a existir”.
No Verão quente das Antas (1980) confronta o presidente
“Américo de Sá traiu os interesses do FC Porto desde o momento em que aceitou ser deputado. Sacrificou o clube e dirigentes à política. Foi miserável ao não aceitar a recondução de Pinto da Costa” (então chefe de
departamento de futebol)
“Chegar a ministro à sombra do FC Porto parece ser a ambição de Américo de Sá. Nunca o conseguirá, porém, à custa dos profissionais de futebol e os jogadores do FC Porto dir-lhe-ão na cara que não querem trabalhar com ele como presidente”.
“Os jogadores do FC Porto são uma força e, entre eles, não há traidores como o presidente”.
“Eu sou militante do PSD e, em obediência à disciplina partidária, irei votar no dr. Américo (candidato à AR pela AD) que não tem categoria para ser deputado. O mundo tem destas incongruências. O FC Porto foi bicampeão e isso levou-o à Assembleia da República onde, se calhar, vai continuar ensonado a responder presente. E apenas isso, pois ninguém o ouviu ainda levantar a voz para defender os interesses da cidade que o elegeu”.
“Foi pelos seus actos e pela sua conduta vertical que Pinto da Costa se impôs a tudo e a todos. Foi ele quem revolucionou o futebol do clube"
“Conheço o Artur Jorge desde a sua infância (natural de Cedofeita) (…) tive alguma influência para que ele se tivesse tornado o grande jogador que foi e o extraordinário treinador que pode vir a ser, pelo que o recomendei ao FC Porto (…) Acredito que vai ser no FC Porto que ele acabará por se revelar como um homem predestinado pata a direcção de equipas de futebol”.
“Chalana e Jordão poderiam ter sido do FC Porto”.
“Walsh (irlandês do FC Porto depois de Pedroto sair em 1980) veio demonstrar as carências do futebol português no jogo por alto. Até por parte dos nossos defesas. Precisamos de gente que salte dentro da grande área, mas cabeceie”.
Contra a Imprensa centralista
“Uma guerra fria cuidadosamente desenvolvida contra o FC Porto pelos meios de comunicação social de Lisboa (jornais, rádio e RTP) e alguns jornalistas influentes em jornais do Porto”.
“Denunciaremos a todo o momento as anomalias que influenciem os resultados dos jogos”
“É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital”
“Verifica-se um estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica”
(Pedroto usava A Bola e o amplo espaço que lhe concediam em extensas e profundas entrevistas, daquelas que metiam peças que se desdobravam por duas e três páginas até o final em página anterior aos parágrafos que o precediam. Para Pedroto, o jornal dava “uma protecção indecorosa ao Benfica”)
“O Benfica tem merecido dos Órgãos de Comunicação Social estatizados, concretamente da EDP e da RTP, um tratamento especial, com tempos de antena extraordinários (…) na televisão é raro o domingo onde não aparecem imagens do jogo do Benfica, mesmo não sendo considerado dos mais importantes da jornada”.
”Sabendo todos nós que estes dois órgãos (RDP e RTP) têm as suas sedes em Lisboa e dali emanam instruções para as respectivas filiais no Porto (…) deveriam estender uma maior cobertura aos clubes nortenhos que constituem a maioria de participantes na I Divisão (…) deviam ser criados no Porto programas desportivos (…) para não nos sentirmos como que marginalizados ou diminuídos no apoio que também devemos merecer”.
“Conheço muito bem os jornalistas. Sei quais as suas cores clubistas, ou se cortam a direito, como há vários, e como eles reagem quando a equipa da sua predilecção perde. E sei bem como eles procedem nessas alturas em relação ao FC Porto. Há ocasiões em que não passo do título. Basta-me lê-lo para saber o que o jornalista escreve. Por norma e educação não hostilizo o jornalista que, no meu entender, deturpa a verdade, sonega factos aos leitores, sobrevaloriza o secundário, deixando passar o essencial. Não deixo de alertar os meus jogadores para a subjectividade do jornalista, que é tanto mais desfavorável à equipa quanto maior é a sua predilecção pelo clube de que gosta (…) Eu sei, por exemplo, o que se pretende quando se diz que Frasco está em baixo de forma, Rodolfo está a jogar mal. Eu sei e os meus jogadores também sabem”.
“Não tenho ido à rádio porque de Lisboa estão sempre a interromper”.
Tricas com a selecção (que dirigiu de 75 a 77)
“Assistimos ao principiar de uma guerra fria. Consta-se que o FC Porto tem o melhor plantel, faz as melhores aquisições e tem automaticamente a obrigação de ganhar o campeonato. Vêm de seguida as selecções nacionais e outros clubes fornecem maiores contingentes de jogadores e na selecção actuam em maior número”.
“Mário Wilson só pensa no Benfica que beneficia do apoio dado pelo seleccionador com convocatórias de 20 jogadores benfiquistas para a selecção nacional (…) Estão, agora, criadas as condições para que os treinos e os jogos da selecção se realizem na Luz. Os jogadores e o técnico do Benfica não precisam de sair de casa…”
Sindicalista
“Nós (treinadores com sindicato) gostávamos de ser integrados numa Caixa qualquer para podermos usufruir dos benefícios da previdência, mas nem para a Caixa dos Sapateiros nos mandam”.
“Não vendo a alma por dinheiro. Dirigentes endinheirados pensam que compram tudo. Sou um homem livre e um treinador sem medo”.
“No SINBOL (sindicato) estão filiados quase todos os treinadores portugueses das três divisões nacionais. Da I Divisão falta Pavic (sérvio do Benfica), cuja filiação espero se por cá continuar. Falta, também, Mário Wilson, que não se encontra filiado em nenhum sindicato, tomando atitude a carácter consigo próprio. Se todos fossem como ele, Moçambique (de onde era natural) não seria independente. É uma filosofia de vida, são os equilibrismos de não se ser carne nem peixe, a que se chama bom-senso”.
Hoje em dia, no País e no FC Porto, uma tremenda saudade da frontalidade e argúcia de José Maria Pedroto, nascido a 21/10/1929 em Lamego, falecido a 7/1/1985 no Porto.

05 janeiro 2010

Varela confirma estatuto



FC Porto, 1 -- Leixões, 0
Varela 44'
Nuno (capitão); Miguel Lopes, Maicon, Nuno André Coelho, Álvaro Pereira; Prediguer (Guarín 71); Tomás Costa, Valeri (Sérgio Oliveira 77); Mariano, Orlando Sá, Varela (Rodriguez 62).

Um belo cabeceamento de Varela, num livre de Valeri, decidiu uma partida renhida apesar de disputada em ritmo morno numa noite fria que não deixou de apelar a mais de 16 mil espectadores, o que é notável.
O FC Porto ganhou bem, com justiça pelo mérito e, convém realçar por estes tempos sinuosos quanto a Verdade Desportiva a que uns arautos da dita vão assobiando para o lado e com coro afinado em todos os quadrantes, sem casos de arbitragem.

Mesmo o golo (bem) anulado perto do fim a Sérgio Oliveira devia merecer aplausos pela decisão do árbitro-auxiliar, se lembrarmos a fraude que precedeu o golo do Benfica ao FC Porto antes do Natal com a cegueira inadmissível do "auxiliar" Venâncio Tomé e a imbecilidade generalizada dos experts e jornalistas da treta que nada viram na Luz e, ontem, aqueles toninhos da SIC também não notaram que o miúdo portista estava claramente à frente da linha da bola e do jogador (Mariano) que lha endossou.

Boa réplica do Leixões, com uma maioria de jogadores habituais titulares e que inclusive haviam jogado no Dragão para o campeonato, ameaçando Nuno e pondo-o à prova logo de início (Hugo Morais de cabeça) com uma parada espectacular. Mas o seu guardião Diego também defendeu alguns "golos feitos" e não teve o azar de ser batido nalguns remates portistas desviados em defesas leixonenses e que "assobiaram" junto às redes do Mar.

Não há muito para dizer de um jogo em que o FC Porto fez estrear Miguel Lopes (muito melhor do que Sapunaru em todas as valências); deu a Orlando Sá a sua segunda oportunidade em quatro dias, um e outro vindos de longas lesões; também remeteu o puto Sérgio Oliveira a jogar depois da Taça de Portugal com o Sertanense e o moço voltou a mostrar que a bola não atrapalha e tem espírito para ir à luta por um posto; ainda teve Prediguer (muito discreto) também depois do jogo da Taça em Outubro. Um meio-campo argentino sem raça (de Tomás Costa, inepto com a bola nos pés) nem rasgo (Valeri pouco afoito) que pouco alimentou o ataque, para o qual mais contribuíram os laterais de pendor ofensivo que estiveram também bem a defender.

E, assim, o ataque ficou um pouco entregue a si próprio, com desenrascanços individuais de Mariano e Varela mas sem servirem bem o ponta-de-lança Orlando Sá a quem nem os cabeceamentos, a sua especialidade, estão a sair bem. Nestas condições, a que se juntou a costumeira e imbecil assobiadela a Mariano mal o primeiro lance saiu defeituosamente, sabe-se que o risco é grande de pôr uma equipa assim a jogar. Uma equipa notavelmente jovem e não fora o veteraníssimo Nuno a média de idades andaria pelos 21 anos e raras participações dos seus jovens jogadores na I Liga. E o risco, calculado, de tanta gente sem jogar junta não fazer o jogo fluir e, ao invés, precipitar alguma ansiedade e atrapalhação.

Valha a verdade que tal não sucedeu, a equipa esteve coesa, ainda que "distante" do seu ataque, os médios foram quem acusou mais a falta de ritmo e competição mas jogaram na "defensiva", aventurando-se pouco mas não dando muitas oportunidade ao Leixões de surpreender. Os matosinhenses cruzaram muito com pouco acerto, um bocado à imagem do FC Porto, e Mota tentou um segundo homem na área (Faioli a juntar a Pouga) mas os centrais portistas estiveram calmos e resolveram a contento.

Deixado no início o destaque para o público, os 16 mil e tal sempre foram mais do que os 12 mil de Alvalade onde jogou o líder do campeonato, e não andaram longe dos 22 mil da Luz onde a equipa-maravilha recebeu um adversário de estatuto europeu e precisou novamente da arbitragem para ganhar um jogo...

E a presença de público - embora a mim não me apanhem lá mais, jurei desde que vi o primeiro jogo na competição no Porto-Académica da época passada - é justificativa numa altura em que, subitamente, uns quantos iluminados falaram da calendarização do futebol nacional.

Não é sequer verdade que em Dezembro e pelo Natal o público acorre mais aos estádios, as estatísticas provam-no e já foram, em tempos, publicadas e publicitadas. Há uma série de verdades feitas que não são nem verdades nem sérias, atira-se muita frase vulgar para fora sem sustentação, depois uns parolos acedem a comentar nas tv's sem dados na mão nem memória de estádios vazios. A questão, como sempre em Portugal, é de tradição (má entre nós) e comodismo (visível o ano inteiro), ao contrário de Inglaterra onde o futebol se dá ao respeito e o público adere porque as instituições funcionam, não se fala de verdade desportiva mas a competição é limpa e sem segredos de gabinetes. O futebol, ao contrário do que uns palermas com microfone proclamam, não é um produto televisivo, pode é servir-se da televisão mas para isso precisava que esta evoluísse para boas filmagens, melhor realização e, a par, uma isenção e competência de análise e idoneidade que cá não há mas muitas pessoas acham-se adeptas do futebol, e comentam nos blogs, sem porem os pés num estádio que é onde, na maioria dos países europeus, os verdadeiros adeptos estão se as provas forem coerentes, sérias e livres de más influências.

Jesus não tem razão para criticar a falta de um domingo (pelo Natal) sem jogar, era bem pior antes que já passaram dois domingos (21 dias de intervalo já aconteceram) sem jogar e o esperto técnico nunca se manifestou. De resto, de futebol a trote em Janeiro o loiro de cabelos brancos não se pode queixar, porque está fora da Taça de Portugal e o FC Porto já fez um jogo em atraso e dia 20 tem de defrontar o Belenenses no Restelo nesta competição que é a segunda do calendário.

A única coisa positiva que, há um ano, já mencionei nesta novel competição da Liga - embora a ache desprezível e que não substitui(u) mais quatro jornadas de campeonato com 18 clubes, outra das tretas desta Liga mal parida pelo tasqueiro Hermínio mas a quem os basbaques batem palminhas porque o poder dos gabinetes favorece os clubes do regime - é precisamente o encaixe desta fase de grupos em Janeiro, o único mês disponível para tal. E não há formato melhor para este estádio da prova, dando aos treinadores tempo para recuperar atletas e integrar os mais "atrasados". No resto, a Taça da Liga não liga com nada a não ser os costumeiros roubos e a certeza de haver um vencedor antecipado que este ano, tudo o indica, os "stewards" dos corredores da Liga de Clubes tratarão de pôr as competições desta taberna mal frequentada nas vitrinas de quem tanto gasta e nada ganha a não ser fraudulentamente como na época passada na famigerada Taça Lucílio Baptista cheia de vinagre.

Enquanto o Benfica, precisando de árbitragens favoráveis para vencer na tal Verdade Desportiva tão proclamada mas que não é esmiuçada pelos paladinos das coisas bonitas do podre futebol nacional com os seus vícios atávicos de sempre, vai jogar em Janeiro uma vez por semana à parte a sua visita a Guimarães na próxima quarta-feira para esta taça que não liga mas os seus adeptos já acham credibilizada com a vergonhosa vitória da época passada, o FC Porto recebe a U. Leiria e o P. Ferreira nos dois próximos fins-de-semana, com a Académica em Coimbra de permeio na quarta-feira para esta competição e o Belenenses no Restelo na quarta-feira seguinte para a Taça de Portugal.
Pelo que a rotação do plantel tem todo o sentido, ache-se ou não que o FC Porto o faz propositadamente para desapreciar a competição que, sem dúvida, é a menos importante de todas e merece um destaque relativo que, como é este caso, suscita mais a divagação quanto a teorias que aí vão circulando por gente sem génio nem olhos na cara para apreciar e avaliar as coisas na sua relatividade.

Oportunidade para a 2ª linha brilhar

Desta vez, foi José Gomes a comentar sobre o jogo.

Atendendo ao número de jogos que temos em Janeiro (faltam sete até ao final do mês), é quase uma obrigatoriedade fazer uma gestão do plantel. Poderão, portanto, surgir oportunidades para alguns jogadores.

Não concordo com a ideia que foi alimentada de que não damos importância a esta competição. O que acontece é que temos um elevado número de jogos para cumprir e há que aproveitar da melhor forma o plantel disponível. Esta gestão passa por uma rotação de jogadores, sendo que todos participarão em todas as provas. O FC Porto entra em qualquer competição para ganhar.

Como disse o nosso treinador (talvez fosse importante lerem e relerem as suas declarações; julgo que não lhes foi dada a devida importância), estamos em todas as competições que temos de disputar. A Taça da Liga é mais uma; há ainda a Taça de Portugal, o campeonato e a UEFA Champions League.»


Se os jogos da Taça da Liga servem para alguma coisa, será para a rotação dos planteís dando oportunidades a jogadores menos utilizados.
Peran
te um mês recheado de jogos, Jesualdo Ferreira não lhe cabe outra coisa do que rodar o seu plantel, mostrando que conta com os restantes elementos, mesmo que eles não façam parte do seu núcleo duro.

Acertar a equipa titular é uma lotaria, mas visto o adversário ser o Leixões, não penso que Jesualdo Ferreira dará oportunidades aos jogadores mais jovens, logo de inicio, excepção na defesa
.


FCPORTO - LEIXÕES
ESTÁDIO DO DRAGÃO
1ª JORNADA DA TAÇA DA LIGA
19.45 HORAS, SIC
ÁRBITRO: VASCO SANTOS (AFPORTO)


04 janeiro 2010

Que fino, um blécaute selectivo...


Julguei que a diferença de tratamento da CD da Liga nos casos do Braga-Benfica e do Benfica-Porto mereceriam um silêncio por solidariedade enquanto durar a suspensão preventiva de Sapu e Hulk. Mas zangam-se só com manchetes e fretes da Imprensa que pode "branquear" os roubos mas nada decide em campo...

Do site do FC Porto:
04/01/2010
Comunicado do plantel do FC Porto

No seguimento do tratamento jornalístico que normalmente lhe é dispensado pelo jornal A Bola e após cúmulo da falta de rigor e isenção que marcou a edição de 3 de Janeiro, no que concerne a ocorrências após o jogo no Estádio da Luz, o plantel do FC Porto decidiu não voltar a prestar declarações a este diário desportivo ou em eventos nos quais jornalistas da publicação em causa se encontrem presentes. Esta medida tem efeitos imediatos.
(negritos meus, com surpresa pela surpresa portista do tratamento editorial e a afirmação de que o que terá sido descrito, que não li nem me interessa, não corresponde à verdade pelo que põe os pontos nos ii; não sabia era que alguém prestava declarações a A Bola, porque raramente leio esse jornal)

Como os jornalistas do diário de há tempos nas mãos de José Manuel Delgado - a colocá-lo no plano inclinado que ele já antes, aí por 2001, deixou o Record até à miséria que é hoje nas mãos de outros facínoras editoriais da sua estirpe - estarão em todas as sessões públicas do FC Porto, este blécaute selectivo será extensivo aos restantes Órgãos de Comunicação Social, estou em crer.
Não percebo, até porque uns dias sem ler jornais é um bálsamo que pratico e aconselho vivamente, os pruridos do FC Porto, estrutura do futebol, em assumir um silêncio geral e até final da época. Não é como lembrar os "bons velhos tempos", mas já fizeram males maiores à reputação do futebol portista no seu todo e nalguns casos bem particulares, que justificariam, noutros tempos mas com estas mesmas pessoas na Direcção com ou sem SAD, um blécaute a sério, como antigamente, que até enfurecia mais a pasquinagem lisbonense.

Por exemplo, o caso da UEFA/Champions ainda com A Bola como protagonista. Ou, mais recente, questões várias com alguns jogadores, de resto o comportamento generalizado da Imprensa, em especial a dita da especialidade, não mereceria outra coisa se não um "black-out" como se decretava no balneário.

Não há muito tempo, salvo erro pelo castigo de 15 dias a Adriaanse por ter dito "é falta" aos ouvidos sensíveis de Bruno Paixão num jogo da Taça com a Naval na Figueira, creio que há precisamente quatro anos mais dia menos coisa, a injustiça do castigo, daqueles de catálogo quando o alvo a abater é o FC Porto, determinou um silêncio à Imprensa por solidariedade.
E o que se passa com as suspensões de Sapu e Hulk não merece tratamento solidário enquanto a sua suspensão durar, até por haver dois pesos e duas medidas da CD da Liga face ao ocorrido no Braga-Benfica sem suspensões preventivas?

A minha opinião é esta, os factos são/foram estes. Agora digam da vossa justiça.
p.s. - ao menos não foi o Labaredas a deitar achas para a fogueira, saúde-se a higienização.

Então o FC Porto tem feito boas contratações?...

Melhor do que os "Ídolos" só o "cromo" do Rui "ai, ai, ai, ai, ai, ai" Santos na sua inabalável doutrina canina. E leva uma petição à Assembleia da República? Ah, ah, ah!
Rir é o melhor remédio - à falta de outro remédio! É que terá havido uma boa porção de labregos a gastar aqueles 60 cêntimos+IVA do televoto a afirmar que o FC Porto tem feito boas contratações no mercado de meia estação que é esta "janela de Janeiro".
Esta brincadeira - apresentada num teleprograma para bovinos e com seriedade para dar ar importante à coisa - aconteceu-me ver ontem naquele extenso "Tempo Extra" da SIC-N em que procurei, à falta de alternativa (inexistente, de facto), saber das coisas desportivas dos últimos tempos, mesmo aturando o parolo do Rui "ai, ai, ai, ai, ai, ai" Santos e a sua notável cruzada pela Verdade Desportiva.

É certo que passei vários dias desligado do mundo, sem jornais, nem internet, nem televisão, apanhando uns anúncios de mau tempo em todo o País sem me ter apercebido disso. Ainda ontem falaram, como sempre, de "mau tempo em todo o País" e por onde andei só apanhei sol e uma temperatura amena como devem ser tomados os 15ºC em Janeiro.

Como já dou o desconto nestas coisas da meteorologia, com alguém numa janela lisboeta a vislumbrar o tempo que faz no resto do continente, também admito que o FC Porto tenha ido ao mercado sem eu saber, já que decorrem há tempos os anúncios nos jornais de que, por isto ou por aquilo, os dragões terão de reforçar-se para ficar em 2º lugar na melhor das hipóteses - com o título e quiçá algo mais já entregue ao Benfica porque sim e porque os árbitros tudo continuam a fazer por isso e algo mais também.

Mal soube o resultado do jogo da Taça, que mudou do "caixote" de O. Azeméis para uma "gamela" em Águeda, apanhei nas ondas do tal mau tempo o 2-0 final e só ontem de manhã li de raspão os marcadores dos golos.

Presumo que devem ter acontecido coisas extraordinárias, entretanto, no futebol e na vida do País. Mas é tudo muito relativo, como o "mau tempo que assola o País inteiro". Pode até nem ter acontecido algo de extraordinário, que o rosto sério dos pivôs dos telejornais é igual a lerem o que lhes metem no teleponto, sejam rapazes ou raparigas, loiras ou morenas. É que cheguei a casa e o que vi nem me fez lembrar que mudou o ano, as mesmas caras, os mesmos assuntos irrelevantes, a mesma "Petição pela Verdade Desportiva" que o Rui "mas que raio de Democracia é esta?" Santos já anuncia que vai levar esta semana à Assembleia da República não sei para quê a não ser para nos rirmos mais um bocado.

Se já estava anunciado mais um golpe publicitário do Governo com renovados temas fracturantes que bem distraem, como a eutanásia e os transexuais, depois dos casamentos de gajas e de gajos, pois esta petição que o rapaz dos caracóis fará chegar à AR é mais uma na agenda político-mediática, de resto com um cortejo significativo de basbaques que gostam de ver o seu nome passar em rodapé enquanto o "ai, ai, ai, ai, ai, ai" assume também um ar sério enquanto debita alarvidades e dá escuta a broncos endividados que gostam de falar dos lucros alheios. Já haverá uns 6500 inscritos, não sei se outros tantos terão desistido por desconfiarem da bondade da intenção e do juizo do proponente.

Esperava ver os dois golitos portistas só de fugida, mesmo na estação lisbonense que dedicou o seu "ano desportivo de 2009" aos três títulos domésticos do tetracampeão nacional e autor da dobradinha+Supertaça com menos de 1% do seu extraordinário balanço editorial uns dias antes do Natal.

Decerto os verei por aí na blogosfera que cada vez mais é um espaço livre e de autêntico serviço público. Onde ainda se denunciam as vitórias fraudulentas do Benfica às quais o Rui "ai, ai, ai, mas que raio de Democracia é esta" Santos não associa a falta de verdade desportiva, para a qual reclama meios tecnológicos baseando-se nas câmaras de televisão onde ele não descortina, como no Benfica-FC Porto, uma irregularidade a preceder o golo de Saviola, nem se indigna por um golo limpo do Nacional ter sido anulado indevidamente no jogo de ontem em que voltou a valer tudo para o Benfica ganhar porque tem de ganhar ao arrepio da verdade desportiva que os restantes paineleiros em mais programas de jogo falado ratificarão a bem da Nação, tal qual como noutros tempos em que era mesmo assim que se ganhavam jogos.

As coisas podem merecer um tratamento alegadamente profissional, idóneo e isento como seria suposto, sempre apresentadas com ar sério, profissional, sem se rirem, dos pivôs que lêem o teleponto a provarem que passaram na Primária.

O caso dos 6% que votaram em nome das contratações do FC Porto em Janeiro que só hoje tem o seu primeiro dia útil de tantos inúteis que decorrerão doravante, não deixa de ser o "barómetro" da seriedade destas coisas.

Daí ficar em segundo plano que tenham dado relevo a umas bacoradas do presidente-jagunço a dizer que só ganha sem manobras e estratagemas e com o Rui "ai, ai, ai" Santos a abdicar do jogo do dia, mais um ganho com apoio valioso da APAF, e a atirar para o ar a sua "Verdade Desportiva". Há um ano, este tipo de caracóis com gel e gravatas berrantes, entrou em 2009 a puxar a culatra atrás para retomar a polémica do golo anulado ao Benfica, legitimamente, frente ao Nacional que ele não tivera tempo de comentar em directo à data da ocorrência. Deve ter engolido a rolha da garrafa de champanhe para não rever, agora, o golo fraudulento no clássico recente.

E como rir é o melhor remédio, depois dos palhaços da AR, o Rui "mas que raio de Democracia é esta" Santos afiançou ser adequado o remoque do presidente do clube mais endividado a quem ganha milhões na Champions e nas transferências, dois clubes cotados em Bolsa e cujas contas são auditadas e escrutinadas como as normais empresas deste País onde só parece haver "mau tempo", maus ventos e mais maus presságios para o novo ano.



02 janeiro 2010

Vestir o fato-macaco para vencer

Equipa: Beto, Fucile, Alvaro, Rolando, Bruno Alves, Fernando, Raul Meireles ( Tomás Costa 74´), Belluschi, Varela ( Mariano 77´), Orlando Sá ( Yero 84')

Marcadores: Raúl Meireles ( 44') e Rolando ( 65')

Foi um FCPorto que preferiu vestir o “fato-macaco”, do que o “fato de gala”, que se viu no Estádio Municipal de Águeda. Na falta de condições ideias para apresentar bom futebol, desde o estado do relvado ao tempo de paragem que, nalguns jogadores, acabou por ser prejudicial, a equipa portista tratou de arregaçar as mangas e trabalhar muito para vencer um adversário que complicou enquanto o FCPorto deixou.

A equipa de Jesualdo Ferreira impôs a lei do mais forte, acabando por conquistar uma vitória natural, mas teve algumas dificuldades iniciais em se adaptar às exigências da partida. Varela e Fucile deram mostras que sentiram a paragem de Natal, o português não teve uma noite feliz, nunca conseguindo impor o seu jogo, quanto ao uruguaio, parece-me que aborda demasiados lances com sobranceria e falta de concentração, o que, por vezes, leva, escusadamente, a que prejudique a equipa.

No sentido contrário, Rodriguez reapareceu em grande forma, sempre a querer puxar pela equipa para a frente, muito lutador e a ganhar muitas bolas, e Belluschi, bem coadjuvado por Raul Meireles, que quando pôde fisicamente, recuperou muitas bolas, jogou e fez jogar a equipa, até falhando alguns golos, pena as sucessivas quebras físicas que o argentino tem durante as partidas.


O FCPorto só começou a acercar mais da baliza adversária, a partir dos 15 minutos, o primeiro remate portista aconteceu aos 20 minutos, a equipa começou a pressionar bem mais perto da zona de construção do Oliveirense, conseguindo recuperar a bola mais à frente.

A partir daí, adivinhava-se o golo a qualquer momento, apesar de poucas combinações interessantes, quase sempre Rodriguez, ou Belluschi, ou Raul Meireles eram os responsáveis pelas jogadas de ataque com perigo, Orlando Sá andava um pouco perdido na frente.

Por isso, numa jogada de insistência na área do Oliveirense, e aproveitando um momento de atrapalhação da defesa da casa, Raul Meireles, rematou cruzado, não dando hipóteses ao guarda-redes, inaugurando o marcador.

Na segunda parte, o Oliveirense entrou em crescendo, criando mais dificuldades, entrando mais ousada, mas aos 65 minutos, numa conversão de canto, Bruno Alves enviou a bola ao poste, que iria sobrar para Rolando que, sem dificuldades, acabou com as esperanças da equipa de Oliveira de Azemeís em surpreender.

A partir daí, a vitória já não se punha em causa, e o FCPorto ainda se deu ao luxo de falhar uma grande penalidade, Orlando Sá, muito infeliz na partida, necessitando claramente de ritmo e de muita confiança, rematou muito fraco e na recarga foi muito displicente ao enviar a bola par ao sítio errado.

O FCPorto não realizou uma exibição com muito fulgor, mas foi uma equipa profissional, bastante séria, trabalhadora e com uma atitude bastante lutadora, cumprindo o objectivo principal da partida, começando da melhor forma um mês com um calendário bastante preenchido.

Começar 2010 com obrigações antigas

Vai ser um jogo condicionado pelo tempo, pelo terreno e pelo adversário. É uma equipa forte, que tínhamos estudado bem e que continuámos a observar, pelo que vai ser preciso sacrifício, empenho e entrega para os ultrapassar"

Aquilo que nós temos de reforçar é que este plantel que escolhemos é um plantel que nos agrada, dá-nos garantias de entrar nas competições que disputamos e ganhá-las. É isso que queremos e que vai acontecer, seguramente. Estamos no meio de um processo de formação da equipa, por um lado, e de desenvolvimento dos jogadores, por outro"

Tivemos uma paragem de uma semana que foi necessária e boa. Os jogadores regressaram bem, dentro dos níveis que esperávamos. Nestes quatro dias, houve um grande empenho e investimento de todos. Espero que a equipa responda às obrigações que este jogo tem e aos nossos objectivos." - Jesualdo Ferreira


Para o FCPorto, 2010 entra ainda cumprindo compromissos do ano que findou. Depois do adiamento da partida no Estádio do Oliveirense, pelo estado impraticável do relvado, a equipa de Oliveira de Azeméis, mudou o jogo para Águeda.

Pela convocatória, Jesualdo Ferreira apenas dará oportunidade à “ 2ª linha” a partir do jogo para a Taça da Liga, frente ao Leixões, na próxima 3ª feira, se bem que pense que irá apresentar uma equipa mesclada entre jogadores mais utilizados e alguns titulares menos habituais.

Quanto ao jogo, aqueles que entrarem com a camisola portista já sabem qual será o espírito: apenas e só espírito vencedor contra com quer que equipa que defronte.



OLIVEIRENSE - FCPORTO
TAÇA DE PORTUGAL
20:15 HORAS, SPORTV
ÁRBITRO: CARLOS XISTRA