Volto a ver multiplicadas as bacoquices de uma certa linha (idólatra, inculcada, incapaz) de pensamento porque não saem, como os pintainhos, do redor das saias de Pinto da Costa (sem segundas intenções ou alvejando outras figuras, juro).
Há aí ainda tanta gentinha a acreditar que Pinto da Costa foi apanhado de surpresa pela saída de AVB. Mas a infalibilidade papal foi decretada e abolida há séculos. É só ir à História...
Houve tempo para contratar um treinador ganhador e comprovado. Como houve tempo para contratar um ponta-de-lança a sério. Com um ano de Walter no clube acham que dali sairia melhor? E o Kléber do Marítimo ia dar alguma coisa? Foi para isto que Hulk ficou? E Guarín? E Fernando?

Ainda há tempo para ter alguma memória sobre o que foi dito num dado tempo e desdito noutro momento a seguir. Mas os pascácios, os pastores armados em conselheiro Acácio, já esqueceram da garantia dada pelo presidente de que não haveria problema em substituir AVB porque quem dava os treinos e tudo era o Vítor Pereira - o único que AVB não escolhera no seu staff por ser prerrogativa do presidente!. Ou que o presidente era capaz de substituir todos os jogadores menos o Hulk. Falcao, esse, de firme no ninho à 1ª jornada deseja voar com o presidente ao lado nas declarações à tv em Guimarães...
A questão é que, "independente" do que se diga da continuidade do plantel, que é de facto bom e melhor do que tem mostrado de si mesmo tout court, estes jogadores não mantiveram a fome de vitórias. Porque não foi isso que perceberam à sua volta, e não foi pelo treinador.
E não pode ser uma derrota numa Supertaça europeia a pôr isso em causa. A não ser os próprios, sempre com o timing na cabeça. O gong. E o tilintar do dinheiro.
Não era Vítor Pereira, co-optado como fosse e num risco altíssimo para si mesmo, quem iria certificar-se disso. Mesmo assim, conquistada a Supertaça de cá, sabe-se como desde o final da época passada, sempre a pairar na mente de todos e mais alguns como se transitasse uma alucinação de Maio para Outubro, se pensava em ombrear com o Barcelona. A equipa deu uma imagem de si positiva no Mónaco. Mas ficaram interrogações no ar e que aqui deixei. Porque não foram opção certos jogadores? Pois a actual situação de ostracismo a que foi votado Cristian Rodriguez vem com o apenso de ter sido utilizado para ser vendido até final de Agosto. Ora, tanto a SAD queria encaixar e despachar flanqueadores que tem aos montes, como os jogadores darem um último alento às aspirações de sairem. Aos montes. Se a SAD colaborou ou contribuiu, primeiro que tudo, nesse plano, como pode dizer-se que a ideia era manter a equipa e atacar a Champions com o mesmo treinador?

Talvez, precisamente lembrando não 2003 mas 2004, AVB tenha pensado nisso. E na grande oportunidade foi-se. Não de repente. Nem com o constrangimento que se alardeou. No Dragão ainda não é como na PGR: não avisam a Imprensa de uma fuga ou captura iminente... Passou-se com o próprio Mourinho, tudo parecia negro em Gelsenkirchen desde a chegada da equipa finalista com a vitória na Corunha que fez o treinador voar logo à chegada ao Porto para Londres. Um tema, de resto, que vinha desde Manchetser em Março e tivera avanços em Abril e desenlace em Maio. Nessa da surpresa é que não acredito. Nem a Imprensa quando começou a falar do Chelsea outra vez. Na altura havia certezas a mais para aquilo ficar por um golpe de última hora. E, assim, ficou o problema com uns belos 15ME. Como ficou a percepção, em todo o grupo, de que era tanto para ficar como para vender. Mas se possível vender. Porém, não foi possível.
Ou há explicação, mesmo com o freio de algumas renovações apressadas como para evitar levantamento de rancho, para os jogadores ansiosos por sair agora jogarem na proporção inversa do que falam os seus empresários? Não há, e cada vez menos eles jogam, cada vez eles mais falam. É o risco da multiculturalidade e os farrapos que ficam não fazem uma manta a não ser rota.
Já repararam que os jogadores não se falam em campo? Não se recriminam por tantas e tantas asneiras de principiantes? Não há um berro, alguém que se imponha? Pior, em vez de se mostrarem unidos, é cada um por si, afastam-se, não dão linhas de passe, não se faz o 2x1, nunca há superioridade numérica, resolve tu que tens a bola e nem ajudam a receber, criando o problema inicial, muito menos vão socorrer o colega que atarantado perde a bola? Numa equipa alemã haveria dentes partidos, certamente. Mas há quem acredite que os jogadores devem "morrer" pelo treinador? Não! Têm de dar tudo pela equipa, pela camisola, pelo que conquistaram (títulos e salários) e não podem malbaratar. São os ídolos de pés de barro, os deslumbrados de circunstância de quem em breve pouco se falará.
Talvez não gostem dela, apesar do escudo de campeão e sem derrotas. Eu sempre achei haver ali muito branco, pouco azul, parece-me pálida e a imagem está a corresponder em campo.
A acalmia das férias é que fez crer que tudo parecia sereno. Mesmo com as ondas que se levantavam para levarem na espuma os mais variados jogadores. A divisão e a incerteza entre vender e manter deu numa paz podre. Alguém conhecia estes empresários de que agora se fala? Ora, tiveram subitamente a primeira grande oportunidade de facturarem a sério. É como os mercados da especulação financeira. A crise e os oportunistas. Real world. Mercado. Ganhos. Pilim.
Estes jogadores, mesmo com doces da SAD, relaxam como ainda em férias e a verem ainda acenarem os mais variados pretendentes para Janeiro? Por isso estão no estado que se vê. E não aceito que se culpe o treinador! Ainda que saiba o velho dirado de ser fácil mudar um a onze...
Os jogadores quiseram ganhar mais dinheiro, não mais títulos. O jogo de sábado é para recordar mas obrigando os jogadores a vê-lo, todos os dias. Porque daquela maneira perdem todos os jogos, basta sofrerem um golito. Notei há dias que deixaram, em parte, de incidir na questão física, além da falta de capacidade do treinador, para falarem de um problema psicológico. É sintomático.
Em 2003, perdendo com o Milan até por inventar o Ricardo Costa a defesa-esquerdo por onde fugiu Rui Costa para cruzar para o golo de Shevchenko, Mourinho chegou ao fim e revelou que sentia os jogadores com fome de mais títulos. A Champions, não me venham com tangas, não estava no horizonte. Sucedeu, ainda bem e com toda a justiça. Mas os louvaminheiros de hoje não viam ali - no FC Porto?, não ouvem as risadas deles? - o melhor treinador do mundo. O título europeu, para essa gente idiota, foi comprado como todos os outros ceptros, cá e lá fora. Portanto, 2004 foi um feliz acidente que, de resto, teve as consequências consabidas a seguir. Um crash impressionante.
Vêem estes jogadores com vontade de ganhar alguma coisa? Vislumbram-lhes algum brio?
E acham que é por o treinador não os motivar?
Acreditam mesmo no que dizem?
Quem é incompetente?
De quem é a culpa?