09 junho 2012

O futebol bentinho é benzinho?

Parece que vamos de vitória moral em vitória moral, tal como vamos decaindo ao ponto do futebol pequenino de antigamente que espevita apenas em desvantagem no marcador. Perder um amigável com a Turquia em casa ou com a Alemanha numa fase final dá igual: "grande jogo", "temos qualidade" e por aí fora. Não dei conta, nem tenho paciência, se Raul Meireles se juntou ao coro dos coitadinhos infelizes na finalização, mas para ironia do futebol depois da vitória do Chelsea na Champions, amplamente dominado por Barcelona e Bayern, só faltava o nº 16 tatuar as declarações tugas com o choradinho que fez escola durante décadas.
Não admira, pois Paulo Bento é um digo sucessor das vitórias de "meio a zero" praticadas pelo escroque escolari. E já era dado como muito bom o empate com a Alemanha, pelo que nada como mandar uma bola à barra, num dos raros remates lusos à baliza de Neuer na 1ª parte e na sequência de um canto, além de um quase-golo sortudo do qual ninguém se queixaria se o cruzamento natural de Nani pingasse na baliza em vez de, fortuito, ir à barra... Porque até aos 72 minutos, com o golo de Gomez, Portugal limitou-se a defender, nem sequer explorando bem os alas velozes que tem em CR7 e Nani. Porque o seu miolo tem jogadores de menor apetência pela área, com Meireles muito renitente a subir e sem Moutinho sair da beira de Miguel Veloso a trinco, qualquer dos três lateralizando mais em vez de darem profundidade ao jogo e aos alas. Só assim se justificaria a presença do estático Postiga na frente, por forma a tabelar com os alas saindo da área, mas isso era se o pensamento colectivo estivesse virado para a baliza alemã. Nunca esteve, senão em desespero de causa.
Vamos, pois, no 7º jogo a somar fracassos, à excepção da goleada à Bósnia na qual ninguém se queixou da eficácia que só é lamentada quando se falha e não quando se acerta quase a 100 por cento.
Paulo Bento, com o futebol de tracção atrás como é sua prioridade, desbaratou o potencial ofensivo de jogadores como Moutinho e Nani, ausentes do Mundial tal como Pepe, apoucando uma equipa que tem três novos titulares face ao Mundial-2010 onde Portugal nunca fez um jogo de pendor defensivo como hoje mas foi alvo de críticas violentas até quando jogou com a campeã da Europa e que viria a ser campeã mundial Espanha. Um jogo, recorde-se, que deu lamiré pela substituição de Hugo Almeida - hoje o 3º atacante (?), preterido face ao neófito Nélson Oliveira!... - quando Carlos Queiroz meteu a velocidade de Danny (e aos 58', e com 0-0!) para surpreender a Espanha em contra-ataque à falta de Nani num flanco para diversificar as acções com Cristiano Ronaldo.



 
Parece que hoje foi A Bola a fazer uma capa do género bronco
Hoje, nos 20 minutos finais, Portugal só assumiu porque nada tinha a perder e Paulo Bento foi capaz de meter Varela a cair para um flanco mas tendencialmente a surgir no apoio directo às costas do ponta-de-lança (já N. Oliveira) - tal como Vítor Pereira chegou a fazer no FC Porto em dois ou três jogos sem contemporização dos adeptos portistas! - e que, isso sim, foi a única coisa que transformou o futebol de Portugal e fez criar presença junto da área alemã, retirando Meireles, lento e pastoso, do campo. Varela até teve a melhor ocasião de golo nos pés, na zona do ponta-de-lança, mas Neuer defendeu o 1-0. Paulo Bento inovou e quase era premiado face a tanto conservadorismo de resto atamancado por um fraco defesa-direito (Podolski fez o que quis de João Pereira, só não acertou com a baliza) e o tal meio-campo de trabalho e suor mas sem genialidade nem força construtiva.
Se o 1-0 da Dinamarca à Holanda já tinha sido um péssimo resultado para Portugal, o 1-0 da Alemanha deixa já Portugal encostado às cordas, pois nova derrota na 4ª feira com os nórdicos e uma nova vitória alemã sobre a Holanda que não gosta de jogar pressionada, decidirá à 2ª ronda o Grupo B que prometia equilíbrio. E se Portugal se queixa da sorte, do azar, dos postes e das oportunidades, que dizer dos 28 remates holandeses, alguns na cara do g.r. e também no poste, mais um penálti por marcar a seu favor?...
O fadinho prosseguiu nos comentários da mesmice patrioteira encantada com mais "uma bela exibição" às quais os resultados, excepto contra os adversários da qualificação tida como fantástica e numa dinâmica imparável até não aguentar um empate no jogo derradeiro de Copenhaga, continuam a atraiçoar certa mentalidade de gentinha que não dá passo maior do que a chinela e vive dos cghavões de antigamente do futebol fechadinho ao ataque...
Se atentarem bem, acima dos ocasionais remates aos postes (que podem ser de sorte, como o de Nani) e ignorando as muitas ocasiões alemães na área em jogo corrido e menos em bolas paradas tão temidas, o futebol de Portugal vai definhando lenta mas inexoravelmente. Porque esse é o fado, já previsto há vários anos quando todos eram chamados a pôr as bandeiras à janela.

nota - vi a maior parte do jogo pela BBC, partes pequenas pela RTP, porque tinha um certo Gary Lineker a conduzir a emissão no estúdio, com Harry Redknapp (treinador do Tottenham), Clarecen Seadorf (holandês do Milan) e Alan Hansen (ex-jogador do Liverpool e da Escócia), além de um tal Alan Shearer em directo do relvado de Lviv. Os pés de microfone não vão aos jogos para ouvir zés ninguéns à saída do estádio e jogadores deprimidos a contarem a mesma lenga-lenga de um jogo que todos viram e, na BBC, todos reparavam que Portugal foi ao Leste europeu erguer um muro à frente de Rui Patrício, sacrificando as lentas e longas saídas para o contra-ataque.

08 junho 2012

Convém precisar bem o que se espera de positivo de Portugal

Coberta de presunção e água benta, pelos louvaminheiros do regime que parecem mais avençados da FPF do que profissionais do jornalismo ou comentadeiros encartados de ocasião, a Selecção de Portugal parte para o Europeu não com a obrigação de ganhar a prova - seria estultícia dizê-lo e nem é corrente afirmá-lo, ao contrário do que se faz passar como se acrescesse à pressão, natural, sobre a equipa nacional quando cresce, de forma também natural, a expectativa habitual nestas alturas -, mas de fazer boa figura.
Não faço críticas fáceis, tal como recuso adulações imbecis, nem enveredo pelo achincalhamento, por exemplo, por causa de folgas. Não me dizem muito os particulares de preparação pela óptica dos resultados, mas antes pela evolução da equipa que deve aferir o seu nível de entrosamento, enquadramento competitivo e preparação. E faço por esquecer os efe-erre-ás da qualificação que para o caso não servem nada. A hora é de jogar e o melhor possível. Dizer que "vão dar tudo" e "têm honra em representar o País" é bacoco e idiota. Vamos a factos e esperemos que saibam interpretá-los de forma a que, no fim da prova, seja em que estádio for da competição, se avalie bem o que se fez, os meios à disposição e os resultados conseguidos. O "espírito de grupo", o "corpo unido", o "estágio que agrega" são blá, blá ultrapassados. Nas grandes selecções há tantos bons jogadores como grandes tormentas, seja na Espanha, Alemanha, Holanda ou Itália, as favoritas do Europeu.
Não espero nada de Portugal. Tudo o que vier acima disso é bom. O grupo é muito difícil, não adianta repisá-lo. Portugal não tem a "obrigação" de passar à fase seguinte. Está ali para contrariar os vaticínios, meu e de muitos, não para se dar por vencido. Contudo, depois das "festas" do estágio que fizeram pensar se já tinham "cumprido a obrigação" de se qualificarem para a fase final e andam "de charrete" como numa gala de vencedores, convém destrinçar uma série de coisas. Como tenho dito, "a culpa" é da FPF, que monta ou aceita que montem o espalhafato que se sabe. Não ponham panos quentes: nenhuma selecção europeia decente passa pelo que Portugal tem passado.  Os jogadores, como diz Bruno Alves e bem, limitam-se a cumprir o calendário que os responsáveis alinhavaram. A FPF, por força dos compromissos comerciais a rendibilizar agora (como escrevi anteontem), mas também o seleccionador, que tem responsabilidade de travar alguns excessos. A crítica de Manuel José, de quem raramente partilho opinião, é justa, acertada e no tempo certo. Só podia dizê-lo não só porque foi instado a isso, e fala sempre sem papas na língua, e só após o final do estágio, com uma derrota com a modesta Turquia depois de insosso empate com a pior Macedónia, era possível fazer esse balanço. O contexto está analisado. Olhemos factos para a fase final.
Tenderia a concordar com aqueles que preconizam o "agigantamento" de Portugal no "grupo da morte", quando a equipa se supera nestas ocasiões mais delicadas. Mas alguém já se deu ao cuidado de lembrar que Portugal venceu apenas UM  dos últimos SEIS JOGOS? Sim, foi o que valeu a qualificação com a Bósnia (6-2), depois de perder, bastando-lhe um empate, o 1º lugar da qualificação para a Dinamarca.
De resto, recorde-se também, o glorioso e radioso ambiente familiar e de amizade da Selecção, propalado na qualificação, deveria ser um factor decisivo para obter melhores resultados do que empatar com a Bósnia, Polónia e Macedónia, tão longe da primeira linha de qualidade quão demagógicas e estapafúrdias eram as declarações, no apuramento, de que havia alma nova na Selecção, coisa que nem se viu nem em qualidade de jogo e que os recentes amistosos agudizaram.
Vai ser giro, por fim, constatar que a comentadeirice parola e desqualificada que vem de há muitos anos e não gosta de fazer mal a uma mosca enquanto se embrulha no cachecol do Continente e na bandeira do BES, passou até agora ao lado da exigência maior que é a de verificar estarem presentes nesta fase final três jogadores fundamentais que faltaram em 2010:
- Nani, então lesionado;
- Pepe, presente na Áf. Sul mas sem rodagem competitiva após grave e demorada lesão;
- João Moutinho, rejeitado após uma má época com um mau Sporting a justificarem a opção de Queiroz.
São três titulares, sempre, na Selecção e que tanta falta fizeram, especialmente Nani, no Mundial. Ninguém teve isso em conta no tocante a malhar no então seleccionador, mas convém ter agora em conta seja para perceber como não se passa da 1ª fase, quando sem eles Portugal superou o grupo com Brasil e C. Marfim que era tão difícil quanto este com Alemanha e Holanda; ou para não embandeirar em arco porque se chega aos 1/4 final, pois são estes pesos pesados que têm obrigação de fazer a diferença e justificarem a expectativa de quem admite a passagem à fase seguinte.

Muitos asobiarão para o ar e praticamente todos eles estiveram presentes, nas suas obrigações profissionais, na África do Sul, mesmo que tenham, subitamente, passado ao lado das razões, de "circo", que mudaram o ambiente interno da equipa da qualificação, também feita no "espírito de grupo" (que Queiroz não quis perder, chamando Pepe sem justificação e tendo neste mais um Brutus a espetar a faca nas costas...), "na união familiar" atiçada pelo estágio e por aí fora, azedando tudo na fase final. Já li ontem, por sinal, que um dos enviados-espaciais destes imbecis jornaleiros do regime fez notar que o estágio na Áf. Sul foi alongado e repercutiu-se na modorra e arrelias que depois "destabilizaram" o ambiente na Selecção - como se fosse o mesmo jogar-se um Europeu a 3 ou 4 horas de casa ou no Inverno Austral e em altitude.
A idiosincrasia idiota da "Emprensa" dita desportiva vai estar tanto à prova quanto a competitivdade da Selecção do apaparicado Bento que viu a tempo prolongado um vínculo contratual (mais dois anos) a fazer pressão e chantagem que em caso de correr mal, e tem meios para evitá-lo, poderá virar-se contra ele. Isto é, se houver gente séria, de bom senso e conhecimento para fazer o justo relatório de avaliação à equipa e à continuação, de momento injustificada, do seleccionador.
A borrasca do Mundial-2010 não teve nada a ver com resultados: apuramento atrás do Brasil (normal) a quem podíamos ter ganho no último jogo que foi renhido e até "cortante", e perigosa e valiosa C. Marfim de fora; goleada do Mundial (7-0 à Corteia do Norte); depois eliminação natural, num bom jogo e com algum equilíbrio, face à Espanha que era campeã europeia e acabaria campeã mundial e com um golo em fora-de-jogo, Maradona a criticar o árbitro argentino Baldassi como nenhum português comentadeiro o fez por vergonha ou má-fé, uma participação digna apesar de três jogadores fundamentais não estarem presentes. Não me digam que agora a fasquia está baixa quando temos praticamente todos os melhores possíveis convocados...

Um último dado, de anteontem (escrevi isto na 4ª feira): Portugal chega ao Europeu em 9º lugar do ranking da FIFA onde vem caindo gradualmente desde há... dois anos. A qualificação, cheia de vitórias "de Paulo Bento" para os basbaques do costume, deu nisto. Há dois anos, Portugal chegou, sob zombaria pateta da comentadeirice serôdia cá da terrinha, ao Mundial em 3º lugar, não esqueçam.

É que, depois, ou agora, há a mania de ridicularizar a incultura da Merkel em posicionar Berlim no mapa. Quando não achincalhar a Alemanha que nos ajuda a receber dinheiro a preço abaixo do nível sinistro do socratismo...

07 junho 2012

O Barcelona e o cansaço à entrada do Europeu

Já há tempos glosei as vacuidades de comentários vários só ditas levianamente por não se acompanhar devidamente as coisas do futebol que implicam seguir-se com atenção e fixar pormenores ao longo de toda uma época e até de vários épocas seguidas.

A propósito do Euro, um chico-esperto por aí chegou a dizer que as fases finais apanham os jogadores cansados e disputam-se sob calor. O Euro-2008 e o Mundial-2010 não tiveram calor, antes muita chuva em bastantes jogos. E se os jogadores chegam cansados, nenhuns mais do que os espanhóis que, contudo, se sagraram campeões europeus e mundiais!

Salvo uma Taça do Rei em que foi eliminado pelo Sevilha (0-2 em casa e 1-0 fora), perdendo cinco jogos na competição, e as finais não atingidas da Champions em 2008 e 2012 o Barça jogou sempre, sem parar, e os seus jogadores, metade dos titulares de Espanha, não deixaram de ser campeões em Viena e Joanesburgo.

É claro que os chico-espertos continuarão a debitar as suas inanidades e perderão ensejo de aprenderem mais um bocado. Mas as duas coisas, chico-espertos e aprendizagem, nunca andam juntas, perdem-se sempre pelo caminho tortuoso de seguir com atenção a evolução das equipas, de clube e selecção.

06 junho 2012

Árbitros estrangeiros

Sempre preconizei esta possibilidade. Não me lembro que alguém o tenha feito a não ser recentemente, movido pelos interesses do costume e não em defesa da verdade desportiva proclamada por papagaios.
Não é a panaceia, apenas um fenómeno como o actual de Vénus passar frente ao Sol, o nosso astro-rei que conhecemos também dos seus "humores", tal como os apitos lusos. Talvez nem seja senão a coincidência de árbitros como João Pode Vir o João Ferreira e o Paulo Baptista se retirarem por limite de idade, sendo dois dos mais experientes do activo da arbitragem lusa tão mal vista e maltratada amiúde com razão.
Resta saber com quem se faz o "intercâmbio" e em que situações o vi-te ó Pereira chamará apitos de lá de fora para desempastelar a loja da corrupção lusitana.
Para mim é um bom sinal e chega mais depressa do que o "árbitro electrónico" sobre o qual (imagens televisivas) é raro encontrar dois experts com opinião coincidente nos lances mais gravosos.
Pelo menos dá para fazer a experiência, tirar teimas e, por fim, analisar os prós e os contras. Como deve ser.

E deixaremos de ver árbitros tugas em campeonatos clandestinos como da Bulgária, Qatar e Arábia ou Ucrânia em que se vangloriavam de boas prestações sem sabermos... Despacharemos o bruto do Caixão para um Dortmund-Bayern ou Atlético Madrid-Athletic Bilbau?

O tal clube...

As bizantinices à volta da Selecção e a bizarria das manchetes que, uma vez mais, nada dizem e retratam apenas um mercado de transferências apoucado e ajustado à triste realidade lusa de uma economia em crise por todo o lado, só podiam ter complemento no reavivar dos grunhos de Luís Filipe Vieira que encontrou a única maneira, tão ridícula como sempre ressabiada, para falar de "mais um anúncio" do fim da carreira de um jogador que o seu clube apresentou manco em competição, e de um torneio em Angola que nenhum adepto, nem do seu clube, sabia para que era e porque foi, há muito, cancelado.

Felizmente, o ridículo não mata, mas medra em meio de ignorantes com o burgesso a falar em código à falta de entender-se o pretoguês providencial e dirigindo-se, imagine-se o rebolar de riso, ao Ministério da Cultura. Não admira, de há muito que o grunho implica com sectores da governança do País, para não falar de obstrucções à Justiça...
Se já não vimos porcos a andar de bicicleta...

"Sirko" da Selecção

Os pés-de-microfone continuam a dizer a que horas treina a Selecção na Polónia e o que comeram depois de acordarem os jogadores. Há anos que a domesticada Imprensa se sujeita a isto, resta saber se há "ordens de serviço" ditadas por um palerma qualquer na FPF como para o Mundial-2006 (ou Euro-2008) em que quem não assinasse as "regras de conduta" não teria salvo conduto para o estágio e acompanhamento da equipa portuguesa nas grandes competições internacionais. É claro que para certos Condutos e carneiros, silenciados para saberem uns fait-divers que justifiquem o investimento das administrações até ao limite dos patrocínios dos pasquins, a coisa parece de cumprir calendário. Tal qual a Selecção anda a fazer e já ouve sérias críticas ao "sirko" montado.
Nem queria falar da Selecção antes do jogo de sábado, que é o que interessa, mas as primeiras reacções desagradáveis não são minhas, já que os comentadeiros e os pasquins do regime acham que devem bendizer toda a porcaria que rodeia a Selecção e mais uma participação no Europeu como o festivaleiro e fracassado concurso da Eurovisão, sempre mais parolo e ridículo do que o anterior certame.
A propósito do que disse Manuel José, também Carlos Queiroz refere como é montado o "sirko" à volta da Selecção. Na experiência pré-2010, como aqui referi no rescaldo do Mundial sul-africano, escalpelizei várias situações de "desconformidade" - para usar o jargão do antidoping que tanto brado deu e de puta que pariu para cima, além da "cona da mãe dele" - que afectaram as relações, antes tão frutuosas e cordiais como até agora na qualificação com Paulo Bento, dos jogadores com o treinador já na fase final. A malta do "porreiro, pá", na FPF, dá o cu e oito tostões pelos milhões de patrocínios que chovem nestas alturas e nos enchem os ouvidos como as promoções de frangos, nabiças e enchidos...
Queiroz não aceitou interferências várias e acaba a contar mais uma, em O Jogo online. Já se percebeu que, com toda livre, o pusilânime Paulo Bento aceita tudo para não ter os mininos de Scolari revoltados. Muito do "sirko de 2010 não existiu, não obstante o anúncio dos 23 convocados ter tido alguma pompa, curiosamente, porque o então seleccionador insistiu para uma cerimónia não espampanante mas luzidia e com certo "snighte" para a TV em directo. Este ano foi uma pasmaceira sem graça alguma, nem ideia de como fazer, para daí em diante se assistir a eventos sem fim e tangas entre folgas, necessariamente intervaladas, e fracassos nos amistosos de preparação. Vá lá que Nani poupou-se a acrobacias nefastas desta vez...
Como escrevi ontem, depois da vitória moral num amigável inimaginável com a Turquia, esse colosso europeu, a que não faltou o "golo dos apanhados" no 1-3 final, mais o cantar do hino para a tv e a acção de marketing com o estádio vazio e parolo como sempre é na Luz, estes andores estão a montar uma boa procissão de santos defuntos. Como nunca disto foi visto na Selecção, prefiro trocar o "circo" de que Artur Jorge falava do Benfica com o "sirko" que é esta coisa com "ar de feira" que o bentinho abençoado tem a primazia de comandar e já com contrato renovado. Rico enterro...

É que o "sirko" contenta, pelo que se ouve, os basbaques das tv's. A Selecção é imagem, não são resultados. E as tv's querem a imagem, antes dos resultados que potencialmente podem estragar tudo se forem maus. As imagens abafam os assobios frente a Macedónia e Turquia e são imagens novas, nas tv's sedentas delas como sua "raison d'être", que ajudam os basbaques das tv's a fomentarem a ideia de os telespectadores terem perspectivas novas e visão de dentro dos estágios anteriormente negadas. Ora, os idiotas que defendem estas práticas estão a vender o seu produto para quem o quiser comprar. Como o voyeurismo televisivo está em alta na mais diversa programação, os tipos das tv's querem isto mesmo e aplaudem.

Admirava-me muito se, em vez de imagens que um dia acabarão também esteriotipadas como no passado e banalizadas como já são hoje pela sua profusão em overdose, os profissionais da Radiotelevisão pugnassem por entrevistas generalizadas como muitas selecções disponibilizam os seus jogadores todos numa grande sala onde é permitido falar à vez com um e com todos por parte de todos os meios de comunicação. Ao invés, predispõem-se a ouvir o 3º g.r. (Beto) não utilizado um dia a seguir a um jogo, o que no mínimo deveria ser considerada uma falta de respeito pelos profissionais de Comunicação e em concomitância falta de consideração para com o público que prefere ouvir os titulares certamente de forma mais positiva do que verem imagens de tangas e merdices de jogadores abraçados nos sofás a demonstrarem união ou a jogar cartas com a última maravilha tecnológica pendurada ao pescoço.

Este sentido - de um modo mais lato por o futebol ser um produto hoje eminentemente televisivo e dos direitos de transmissão garantirem prémios milionários aos participantes - de não ter medida é aflitiva porque denota a tendência geral para a vulgaridade, defendendo-se o inócuo e a superficialidade que não chega a entrar em campo nos jogos onde é suposto estar o País representado para dar o máximo, com seriedade que tem de estar demonstrada antes de chegar ao inviolável balneário, e ter a Nação suspensa.

Por fim, o zapping à procura de alguma coisa notável, deu-nos as caras de sempre, os pivots vulgares e até o regresso do Gordo Gobern - ah, como o carlitos de Paredes esperava a oportunidade de redenção do colossal comentadeiro que tanta falta faz e tanto génio trás às pantalhas.

Pois é, um ano de Governo, ontem, e deu o que deu...

05 junho 2012

Do patriotismo e jornalismo sem medo

Já o afirmei aqui, repetidamente, dos raríssimos jornalistas que me prendem a atenção é José Gomes Ferreira. Vejo quase sempre o seu Negócios da Semana, senão em directo à 4ª à noite, na 5ª às 13h ou mesmo no sábado às 7 da manhã, na SICN. Normalmente prefiro os telejornais da SIC, confesso, sem deixar de lhes notar defeitos, como é normal. Por ironia, não acompanhei o telejornal da noite de 5ª feira, mas fica aqui o resumo essencial que define um jornalista e, mais, um editor de uma secção, no caso Economia, que ajuda muitos a compreenderem a verdade das coisas longe do ruído de quem demagogicamente quer abafar os prejuízos irreparáveis que a governação Sócrates causou a Portugal.
Agora que a parolice à volta da Selecção atingiu o pico ainda sem Tony Carreira chegar ao palco e os porcos e cabras, nabos e galinhas desfilarem garbosos pela Praça do Comércio um dia destes na promoção abarracada do Continente digna deste continente de que se ri até o alarve Jardim madeirense, seria bom pensar no patriotismo de outra forma e olhar e ouvir como deve ser para as infelizmências e acontecências a que chamam crise sem pôr nomes aos boys...
Prefiro guardar para o Europeu os dizeres sobre a pobre Selecção que, se fosse com Carlos Queiroz, estaria já enterrada viva de tão medíocre parece mais anafada pelo meio do conformismo triste do País. Mal tenho visto os jogos, na verdade vi apenas a 2ª parte com a Turquia, mas o efe-erre-á habitual não faltou, como se já fôssemos campeões de alguma coisa que não seja a estróina e a fanfarronice. Ressalvo que nem vi as capas dos pasquins de domingo, mas não tarda ouvir e ler os críticos de 2010 face à nova realidade que descuraram então...
Ouvi ontem o que os jogadores iam comer, seguiram-lhes os trajectos do autocarro de todos eles do último treino para uma comezaina qualquer e depois a ida a Belém. Depois do bronco Madaíl, Fernando Gomes quis ser erudito a falar na gesta dos navegadores como novidade, mas não inédito nem sequer melhorando o refrão já gasto do blá, blá. À saída, com a perturbação costumeira de meia hora de atraso na descolagem, não descolámos nunca da parolice de saber que a comitiva iria embarcar pela porta 26... E à chegada, ouvi na rádio, também foi noticiado o menu dos jogadores em Opalenitsa, como já ensinaram alguns a dizer mas o locutor da RR, voilà, teimou dizer Opaleniska...
Já transformaram o 1-3 com a Turquia - parece que não houve manchetes a dizer que NUNCA PERDEMOS COM A TURQUIA -- numa vitória moral, algo nunca visto em amigáveis, fruto de muitas ocasiões de golo e aparentemente um bom futebol praticado, mas que não se compagina tal lamúria dos "azares da bola" com um adversário fraco, um g.r. pior ainda e que caiu de cotação depois do fim da sua geração dourada que conseguiu dar-lhes, em 2002, um 3º lugar no Mundial - enquanto por cá adulam um tipo que perdeu em Portugal um Europeu e foi apenas 4º em 2006 na Alemanha. E tudo a uma semana de defontarmos os alemães...
Realmente, a selecção parece banhada não a ouro mas em água benta e anda tudo muito dolente, como se o futebol embalasse as pessoas ou estas já nem sentissem a tal crise que surgiu por coisas que se podem ouvir no vídeo acima, se quiserem ser PATRIOTAS...
Das peripécias da bola dá para falar de sábado em diante. Para já vivemos do marketing, dos porcos que estão para chegar ao Terreiro do Paço aos tablets que, depois das bandeiras com pub no canto, lá fizeram as cores nacionais num canto do estádio. É explorar enquanto dá, porque depois pode não dar.
Foi o que fizeram os criminosos que afundaram o País em seis anos apenas...

p.s. (salvo seja) - a jornalista do Público no cerne de uma bronca sem nexo e mal explicada, demitiu-se, comprovando quem se lixa ser sempre o mexilhão e, também ela, vítima das crónicas de escárnio e maldizer que atribui à Direcção do próprio jornal. Também quem aceita trabalhar com gente daquela estirpe num jornal que virou latrina a sujar o dinheiro de Belmiro de Azevedo... (este bem se pode queixar-se de que nunca ganhou com aquilo, não se sabe é porque aceitou perder sempre dinheiro). 

04 junho 2012

Passaram três meses e nada...

Já tínhamos lido coisas de castigos a treinadores por "atacarem" árbitros.
Agora, os alemães mostram tolerância zero.
Por cá, a justiça boa continua na desportiva.
É só bons exemplos.
E consta que agora anda aos tiros. E que lhe dá jeito como treinador.
Xiça!

As vendas milionárias é que não avançam, os milões, inters, manchesteres, clísteres e outros éres não avançam pelo gaitinha, o gayleador, o central suplente...

Parece o nosso patrício, saído a chorar de Alvalade como a despedir-se, depois a chorar do Jamor porque perdeu e agora animado no Euro porque... renovou.

No final de Julho já este blogue estará encerrado, o FC Porto vendido mais dois ou três jogadores por muitos milhões e a manada a espumar da boca com o bicampeão mais fraco e a miragem do título mais perto dela...

Business as usual.

02 junho 2012

Relatório (Bo)ronha (XLVII): histórias da bola que o próprio nunca contou

Já revimos o velho escroque escolari quando menos esperávamos. Embora, verdade seja dita, tal como apareceu inopinadamente, e a falar!, em Lisboa antes do play-off com a Bósnia para o Mundial-2010, é nestas alturas que o rasca rabugento dito sargento de caserna mal frequentada aparece. Ou, então, vão falar com ele, como o pobre coitado Conduto enviado pelos chefes de missão da RTP sempre Renitente a Travar Prejuízos a S. Paulo para ouvir falar a gente do passado. Quando se fizer 100 anos da última conquista europeia do Benfica - é só fazer as contas... - alguém há-de ir perguntar alguma coisa a Mário Coluna em Moçambique como é que no seu tempo glorigozo dos anos 60 "o Benfica não tinha esses contrangimentos com as arbitragens" - e ainda não tinham aparecido os Mr. Howard King com miúdas à borla oferecidas pelos cavalheirescos clubes capitolinos...
 Adiante. Como as surpresas, por norma, nunca vêm sós, lá tivemos o ressuscitar do caquético António Boronha. Recuperou o seu blogue, a que acedi por vias travessas, episodicamente, para contar um episódio, isto depois de fechá-lo quando prometia contar muitas histórias da bola mas algumas mais picantes nunca publicou. E veio, ontem, para dar palpites sobre a relação e as "acontecências" entre Scolari e Vítor Baía. Coisas atiradas para o ar, sem o devido enquadramento de datas e factos, nunca caem nem saem bem, pelo que o velho algarvio lá quis brilhar com a merda do costume que por fim se habituou a publicar para gáudio de uma série de basbaques. Entre eles sobrou para mim um filho da puta qualquer que assina sintra ao contrário mas nunca viu um coméntário seu publicado aqui porque sempre prezei pela higiene do espaço. Este filho da puta, como outros, deram-se uma vez ao trabalho de inserirem em comentário no blogue do (Bo)ronha algo que escrevi acerca dele, autor do blogue, e das merdas que escrevia sem contraditório nem argumentos plausíveis a contraporem as boçalidades que debitava alarvemente. Ou seja, patente aquele espírito mesquinho, coscuvilheiro e de filho da puta pidesco, carácter tão entranhado no tuga reles do qual um brasuca como o escroque escolari é digno herdeiro e também do que deu amostra cabal da sua estatura de verme que só um jornalista rasca como o Conduto(r) de merda podia permitir. Com semanas para enquadrar, histórica e factualmente, a entrevista da treta na peregrinação ao sargentão gaúcho, a merda que saíu do escarro escolari foi só palha para burros, nenhum contraditório e a deixar os ouvintes/espectadores no vazio, sem saberem o que pensar nem perceberem a razão de ser de, finalmente, outra versão ter sido acrescentada a uma estória que cheira mal e na qual quem mexe só sai coberto de merda. Pois será o que sucedeu ao algarvio que sempre deu uma no cravo e outra na ferradura sobre as personalidades da bola de quem dizia tão bem que lhes garantia a eternidade no... Inferno.
Mas como eu sou de prometer e cumprir, e já tinha previsto fazê-lo à entrada para o Europeu-2012, vou contar as histórias que (Bo)ronha nunca contou apesar de muito prometer sobre a sua passagem como vice-presidente da FPF e responsável directo das selecções, em particular a nunca escalpelizada saída imprevista de Humberto Coelho depois de um brilhante Euro-2000 apesar da nódoa disciplinar da semifinal com a França. No fim, voltarei ao tema Baía para enquadrar de novo o que se diz com o que aconteceu.

No último Relatório (Bo)ronha XLVI, lembrei antes do Polónia-Portugal de Fevereiro o que tinha sido o mesmo confronto 35 anos antes, a ascensão do FC Porto de Pedroto e o azedume da máfia benfiquista que controlava a selecção com Humberto Coelho capitão nas duas equipas, por Portugal e pelo Benfica.
Agora, a passagem de Humberto como seleccionador em 1998-2000, teve episódios pouco edificantes que revelaram como era visto e apreciado pelos jogadores. Do princípio ao fim. No princípio, como foi público, Domingos começou por dizer que Humberto "não tinha garra para conduzir tal Ferrari", sem estaleca para a Selecção. Por fim, chegámos ao Euro da Bélgica e Holanda a jogar do melhor futebol dos últimos 20 anos e uma semifinal que não desonra, apesar da perda de estribeiras dos jogadores ao perderem com a França em Bruxelas. Descontrolo emocional, de estatuto e de honra para com o País, que derivava da falta de carisma do seleccionador e dos responsáveis directos, o primeiro dos quais era Boronha, com Madaíl no topo.
Na fase de qualificação, Capucho tinha de entrar num jogo, no Azerbaijão, em que Portugal perdia a meio da 2ª parte. Humberto deu-lhe indicações posicionais algo cautelosas e o extremo portista discordou de tal modo que foi bem mais claro e assertivo: "mister, estamos a perder eu vou é jogar para a frente, temos de virar isto e jogar ao ataque". Capucho entrou nos 20 minutos finais e Portugal empatou 1-1 perto do fim. Isto antes de ir à Roménia (que ganhara nas Antas 1-0) discutir o 2º lugar com a Eslováquia distante à espreita, já que o 1-1 final em Bucareste serviu os romenos que venceram o grupo. Portugal só na última ronda deixou de fora os eslovacos.
Já na fase final, para a qual Humberto cedeu mais uma vez ao lóbi dos Senadores da Selecção, Paulo Sousa foi surpreendentemente convocado, depois de ir rolar para o Panathinaikos e após anos a padecer de lesões, uma deles que o afastou mais de um ano da competição. Humberto e Boronha cozinharam uma convocatória complicada para acolher os interesses de todos, incluindo Vítor Baía que tinha sofrido um castigo da FPF por desacatos em Campo Maior e cuja suspensão expirou no final da época, a tempo de Baía ainda defender na finalíssima do Jamor frente ao Sporting na Taça de Portugal, depois de a final ter tido Hilário na baliza portista (1-1 no jogo, depois 2-0 numa quarta-feira à noite, golos de Deco e Clayton).

Salvo erro com a Roménia, que reencontrámos na 2ª jornada da fase de grupos, Humberto disse a Sousa para aquecer a meio da 2ª parte. Sousa, sem se levantar do banco onde estava o Boronha como director da Selecção, disse a Humberto que não se dava ao trabalho e se quisesse que entrasse o seleccionador em campo. Sousa não entrou, Costinha marcou aos 90' o 1-0 que dava a qualificação. Mas, a despeito de Humberto ter deixado a Selecção após o Euro-2000 sem nunca se ter sabido porquê, Boronha continuou como responsável máximo pelas selecções, lá engoliu o regresso de António Oliveira com quem acabaria incompatibilizado após o Mundial-2002 e o seu famoso relatório de indignidades várias e de vários quadrantes, mas Boronha viu de novo Paulo Sousa ser chamado também para a Coreia-Japão, sem tugir nem mugir, com uma mão à frente e outra atrás, guardando as suas indignações para o pós-Mundial com a pouca-vergonha que se sabe - foi só há 10 anos e muita gente assobiou para o lado, incluindo os jornalistas e respectivos directores que desde então se acobardaram também e passaram a andar agachados perante os poderes dos clubes, dos jogadores Senadores da Selecção e dos dirigentes da FPF com quem passaram a privar mais de perto para sacarem umas coisas e abandalharem a sua independência e verticalidade. Começou aí, também, o declínio da Informação descomprometida na Imprensa dita desportiva que passou a sê-lo, desportiva, mais do que nunca desde a gestão "porreiro, pá" de Humberto Coelho. Os  amigos da Imprensa existem em Lisboa para as gentes de Lisboa, veja-se o caso de Paulo Bento.


Humberto era desautorizado pelos jogadores permanentemente, os renomados Figo, Rui Costa, Baía, Jorge Costa, Paulo Sousa e tutti quanti faziam o que queriam - entre eles o nº 17 aí da foto, Paulo Bento... Quem começou por cortar-lhes as vazas foi António Oliveira, daí ter garantido, desde 1994 (até ao Euro-96), algumas inimizades mas acabando também ele por capitular ao player-power da tal Geração Dourada que nada ganhou a não ser nos contratos milionários dos clubes da estranja.
Essas foram as razões, mais o desenlace final pouco desportivo e indigno na semifinal com a França que só expuseram a falta de controlo ético e disciplinar de muitos intocáveis que advinha dos responsáveis federativos de cócoras perante os clubes, que este meu Relatório (Bo)ronha descreve com os principais factos mas o rasca ronha nunca desvendou - e por várias vezes instei a fazê-lo comentando no seu blogue para lhe garantir que não falaria sozinho sobre o que lhe importava denunciar mas calava outras coisas.
Vem a tempo do Euro, agora com Humberto feito senhor da selecção como sempre se habituou com a conivência dos marmanjos de Lisboa porque isto da Selecção sempre foi assim excepto quando a Geração Dourada impunha o seu "colectivo" e a ordem na equipa que era de todos eles... Em 1977 já tinha dito como era Humberto jogador, agora conto o que foi como seleccionador e por tabela lá apanho o chico-esperto Boronha a assobiar para o ar.
No episódio de Vítor Baía que o fez reanimar o defunto blogue que entendeu fechar em tempos (nem sabia à altura, porque já não ligava ao patético ex-dirigente acolitado por uns grunhos da capital para o motim nacional indigno face a Carlos Queiroz com os episódios vergonhosos que aqui denunciei), Boronha vai como Scolari pegar o mês e meio de dúvida e castigo do guarda-redes no FC Porto fruto de uma "pega" com Mourinho que foi pública - e que aqui contei em exclusivo antes de a bluegosfera pegar no assunto com consultas várias um dia depois de eu ter aqui publicado os pormenores tirados do meu arquivo. Mau era se por causa disso um clube dispensaria o melhor g.r. de sempre de Portugal e um dos mais titulados e famosos do mundo ao seu tempo. Porém, Boronha conta que até Pinto da Costa ajudou à contratação de Scolari, deslocando-se a Madrid com Madaíl para as conversas preliminares. Nelas terá contado, segundo a nova, mais uma versão do caso, que o FC Porto pretendia ver-se livre de Baía. Mourinho era novato, quisera recuperar Jorge Costa de Inglaterra - desavindo com Octávio foi para o Charlton em 2001 -, precisava de gente de peso no balneário para remodelar a equipa. Mourinho, em 2002, tinha menos tempo de banco, na U. Leiria, quanto acusou André Villas-Boas de ter na passagem deste pela Académica antes de vir para o FC Porto. Mourinho arriscava-se a ter Baía como opositor no balneário onde ainda imperava a velha guarda da formação portista?
Pinto da Costa, e o FC Porto, não chegou a reagir à patética declaração de Scolari na RTP sobre Baía. Não sei se reagirá a este relambório do Boronha. Nem me interessa, fica para cada um e, segundo Boronha, Pinto da Costa até sempre esteve muito bem cotado na sua avaliação pessoal, vá lá a gente entender certas coisas e loisas...
Vítor Baía foi vendido por um milhão de contos à época (1996), indo com Robson para Barcelona. Além dos títulos que ajudou, e muito, a ganhar ao FC Porto desde 1990, sucedendo ao mítico Mlynarczyk, Baía rendeu uma maquía recorde para a sua posição em todo o mundo. E ainda voltou, em 1999, para ajudar ao Penta, a partir de Janeiro, pois a sua sucessão no FC Porto nunca foi bem colmatada. Continuou em grande, foi ao Euro-2000, ao Mundial-2002, teria ainda muito para jogar e ganhar, como sucedeu, esteve no reerguer da equipa portista após três anos sem campeonato ganho. Qual seria o interesse, que ganharia financeiramente com isso, o FC Porto em desvalorizar Baía? Despachá-lo? Eu nem digo que tal seria impossível, que o diga Pinto da Costa se quiser reagir, mas não faz sentido que um arrufo do g.r. com Mourinho fosse o suficiente para o porem fora do FC Porto. E a tempestade no copo de água passou, em meados de Outubro Baía voltou à baliza, ganhou tudo em 2002-2003 e quase tudo em 2003-2004. A vergonha da sua ausência da Selecção de Scolari, com tantas mentiras metidas à laia de justificação em que cada cavadela cada minhoca, volta a pairar e perdurará para sempre, está comprovado. E estes episódios infelizes de declarações patéticas e sem contraditório só agravam a coisa e denigrem quem as produz. Embarcará nelas quem quiser e não souber dos factos para estranhar as elocubrações mirabolantes, quais múmias milenares enfeixando quem avança com a sua parte peculiar da história.
Será coincidência do diabo, que está sempre atrás da porta, o episódio de Baía no FC Porto calhar no tempo em que Madaíl, alegadamente com Pinto da Costa, andava a sondar Scolari? Pois se tal sucedeu foi por um mês e meio. Mas em Outubro mal havia ideia de Scolari vir para Portugal. Creio que o lamiré deu-o então O Jogo, mas só em Outubro ou já em Novembro. Nessa altura, Baía já estava de volta à baliza. Tal como com Scolari, a mentira de Nuno no Restelo e num Belenenses-Porto que ele não viu, os factos estão mal enquadrados e parece haver má-fé, como disse Baía ontem na RTP, para se dar mais uma perspectiva, seguramente distorcida, da estória que se comprova poder cobrir de indignidades todos os participantes, mesmo quem porventura "sofreu" por fora, como Boronha.

Como é extenso, fica para o fim-de-semana, podem digerir bem incluindo os próprios visados Madaíl e Pinto da Costa denunciados por Boronha. Bom proveito.

01 junho 2012

Manchetes que parecem os Manchesters

O pisa-pisa está perdoado (à esquerda)...
Depois de uma dupla do colossal Granada, outra do empolgante Paços de Ferreira..
Alguém avisou os gajos que as equipas B não são para subir de divisão ou é só para ostentarem o título da II Liga e mostrarem-se magnânimos sem reclamarem a promoção?


Já quanto às milionárias vendas anunciadas, com os mais grandes poderosos clubes do mundo e arredores, nada de nada. Ou vão ampliar a folha salarial ou fazer uma equipa do caraças e o famoso Pérez parece que se lesionou na Argentina...