Não querendo moer-vos a paciência com textos longos, poderei demorar um pouco a contextualizar o que pretendo com o título e a entrada acima, impronunciáveis. Onde entra o grande poeta Homero -- que Platão considerou ter feito “a educação da Grécia” e Pisístrato, tirano ateniense, ordenou publicação escrita há 26 séculos dos romances Ilíada e Odisseia, embora os filósofos do séc. XVII disputassem a origem dele e a autoria dos escritos no que se chamou a “questão homérica” (1) -- o Marítimo-FC Porto, algumas análises inquinadas pelas águas insalubres há muito estagnadas e um português macarrónico (2) de um treinador sem a 4ª classe com sensações catatónicas (3)?
Tróia, o Aquiles e um Cavalo
Jogar na Madeira é como a Batalha de Tróia. Só de torres de assalto é tomada a fortaleza da Ásia Menor mas há sempre um calcanhar de Aquiles que pode deitar tudo a perder. Isso é da Ilíada, cuja interpretação é mais do que a narrativa épica de um confronto de civilizações grega e asiática: é a superação do homem, a vitória sobre ele mesmo.
As palavras a instigar à suspeição do treinador maritimista Ulisses Morais são de uma pobreza confrangedora. O FC Porto teve o seu Cavalo para tomar Tróia, Adriano, sofreu no calcanhar de Aquiles (Ibson e Bruno Alves) mas saiu vencedor. Como de costume, perde no fim dos jogos com interpretações ronceiras como a de se saber quem investiu “mais agressividade” no jogo.
Um loiro holandês com aspecto de turista acidental deu três pancadas seguidas
Bom, elogio como este de João Ferreira beneficiar o FC Porto até Lucílio Baptista deverá ter um dia, porque há poetas que eternizam coisas assim, lapidares, e que “se vão da lei da morte libertando”, anteviu o nosso grande Camões.
A cantiga de Ulisses
Para o seu treinador, o Marítimo não foi inferior ao FC Porto. Jogou, lutou, ameaçou marcar, foi tudo igual. Marcos fartou-se de defender, beneficiou até do egoísmo de Quaresma (tinha Lucho para servir frente à baliza) e de um ressalto a remate de Adriano que por pouco Jorginho não aproveitou (sempre com 2-0 feito em 4 minutos mas que o “FC Porto não justificou”).
Mas ele sentiu o resultado injusto, deu a ferroada no árbitro embora ressalvando que o FC Porto não ganhou por aí – mas deixou a já célebre mancha – cagada será de bom tom? -- de suspeição sobre favores arbitrais ao FC Porto.
O problema é que Ulisses -- ao contrário da Odisseia de 10 anos erráticos a tentar regressar a Ítaca após a Guerra de Tróia, tendo sido seduzido por uma sereia até voltar aos braços da amada Penélope -- este Ulisses, não encanta.
Tal como frente a Sporting e Benfica, o Marítimo defrontou o FC Porto sem avançados, ou pontas-de-lança mais precisamente. Por isso nunca farejou sequer o golo. Preencheu o meio-campo. Especulou com o jogo. A ver o que dava, atirava umas setas de longe, arremessava uns calhaus tipo Grégory pelo ar e por fim lá teve uma pequena compensação de tanto esforço (o golito que faz iludir o resultado) para tamanha falta de lucidez.
A resumir, pelo que ouvi na rádio depois de “tver” o jogo, Ulisses saiu-se com esta: “Fizemosio”. Repetiu-o, até. Queria dizer: “Tal como anunciámos, cumprimos a promessa de fazer a vida difícil ao FC Porto, jogámos olhos nos olhos e em todos os sectores do campo. Fizemosio”, repetiu-se.
Como treinador, Ulisses Morais não tem marca por onde se lhe pegar. Nenhum jogo de cátedra, nenhum feito assinalável, nenhum resultado positivo contra um grande, homérico ou não. Mas fala tão mal português, além de ter interpretações enviesadas de um jogo, como Homero via, pois a sua cegueira visual seria lendária como as obras pelo olhar interior do criador.
Fizemosio. Fodemosios (4)
Eu lembrei-me logo de uma mensagem enviada a um amigo quando o FC Porto conquistou a fortaleza, inexpugnável na Europa, do Panathinaikos rumo à conquista da Taça UEFA, essa sim uma tarefa ciclópica.
Quando Derlei marcou o 2-0, bisando no jogo durante o prolongamento em Atenas, para superar-se o 0-1 das Antas
Palavra que é verdade. Agora rio-me, destas brincadeiras e das que alguns treinadores sem a 4ª classe fazem retirando avançados e anunciando que jogaram ao ataque. Com sofismas e credos habituais, entre mantos de sabedoria como aquele “pareceu-me ver algo mais com Marcos no 1º golo do FC Porto”.
Os simples mortais, como Ulisses e Aquiles personagens homéricos, superaram todas as forças dos deuses conspiradores e das sereias de serviço como nos servem nos jogos televisionados.
Mas nada como a veia de poeta inspirador como Ulisses, o Morais.
Espanta-pardais
Ele e, cá no panorama áudio-visual, os espanta-pardais que prenunciam catástrofes: era Jesualdo que nunca ganhou no Nacional, o Braga que não perdia no Dragão (em dois jogos, uma lenda!), há cinco anos que o Porto não vencia o Marítimo (só na Liga, que na Taça ainda há um ano lá venceu), há jogadores em risco de suspensão (este é o alvo, atirem, atirem!), o Adriano, vejam lá, esteve para ser dispensado e o Porto, enfim, lá ganhou jogando pouquinho -- como se não fizesse o q.b. para vencer e merecê-lo ou outras equipas tenham lá ganho com exibições inesquecíveis.
Pois, é mais fácil vaticinar que o Sporting pode ser campeão europeu (por ganhar o primeiro jogo ao Inter), agora que o Benfica pode, além da Liga, ganhar a Taça UEFA (antes um troféu de segunda, como é a Supertaça que Bento um dia disse valer “feijões”) e que Karagounis, hoje imprescindível no meio-campo lampiónico, nunca esteve na lista de dispensas com nome riscado a encarnado.
Sic transit, gloria mundi, assim vão as glórias do mundo, dizia-se
(1) - In Nova Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores
(2) - Introduzir palavras de línguas diferentes
(3) - Síndrome de esquizofrenia caracterizada pelo negativismo e a oposição
(4) - Tradução de F***mosio e F***mosios, menos chocantes assim postos em título e pós-título…
