13 março 2007

F***mosio é uma questão homérica?

Quando o FC Porto eliminou o Panathinaikos em Atenas mandei uma mensagem a um amigo escrevendo precisamente f***mosios. Não é uma questão de português, mas de semântica.

Não querendo moer-vos a paciência com textos longos, poderei demorar um pouco a contextualizar o que pretendo com o título e a entrada acima, impronunciáveis. Onde entra o grande poeta Homero -- que Platão considerou ter feito “a educação da Grécia” e Pisístrato, tirano ateniense, ordenou publicação escrita há 26 séculos dos romances Ilíada e Odisseia, embora os filósofos do séc. XVII disputassem a origem dele e a autoria dos escritos no que se chamou a “questão homérica” (1) -- o Marítimo-FC Porto, algumas análises inquinadas pelas águas insalubres há muito estagnadas e um português macarrónico (2) de um treinador sem a 4ª classe com sensações catatónicas (3)?

Tróia, o Aquiles e um Cavalo

Jogar na Madeira é como a Batalha de Tróia. Só de torres de assalto é tomada a fortaleza da Ásia Menor mas há sempre um calcanhar de Aquiles que pode deitar tudo a perder. Isso é da Ilíada, cuja interpretação é mais do que a narrativa épica de um confronto de civilizações grega e asiática: é a superação do homem, a vitória sobre ele mesmo.

As palavras a instigar à suspeição do treinador maritimista Ulisses Morais são de uma pobreza confrangedora. O FC Porto teve o seu Cavalo para tomar Tróia, Adriano, sofreu no calcanhar de Aquiles (Ibson e Bruno Alves) mas saiu vencedor. Como de costume, perde no fim dos jogos com interpretações ronceiras como a de se saber quem investiu “mais agressividade” no jogo.

Um loiro holandês com aspecto de turista acidental deu três pancadas seguidas em Quaresma. Saltar à bola era sempre bueno para os madeirenses, encavalitando-se em tudo e todos. Num contra-ataque de ferocidade homérica, Grégory fez de bombista-suicida contra Helton. Olberdam, com nome de cão perigoso, até contra o árbitro chocou! No final, o treinador do Marítimo falou da “dualidade de critério do árbitro”, da agressividade que só viu no FC Porto e, até, na preocupação por o “árbitro saber que o FC Porto tinha jogos muito importantes a seguir” – numa alusão indirecta, mas clara, à contenção de cartões de João Ferreira poupando os jogadores portistas a suspensão certa pelo menos por um jogo.

Bom, elogio como este de João Ferreira beneficiar o FC Porto até Lucílio Baptista deverá ter um dia, porque há poetas que eternizam coisas assim, lapidares, e que “se vão da lei da morte libertando”, anteviu o nosso grande Camões.

A cantiga de Ulisses

Para o seu treinador, o Marítimo não foi inferior ao FC Porto. Jogou, lutou, ameaçou marcar, foi tudo igual. Marcos fartou-se de defender, beneficiou até do egoísmo de Quaresma (tinha Lucho para servir frente à baliza) e de um ressalto a remate de Adriano que por pouco Jorginho não aproveitou (sempre com 2-0 feito em 4 minutos mas que o “FC Porto não justificou”).

Mas ele sentiu o resultado injusto, deu a ferroada no árbitro embora ressalvando que o FC Porto não ganhou por aí – mas deixou a já célebre mancha – cagada será de bom tom? -- de suspeição sobre favores arbitrais ao FC Porto.

O problema é que Ulisses -- ao contrário da Odisseia de 10 anos erráticos a tentar regressar a Ítaca após a Guerra de Tróia, tendo sido seduzido por uma sereia até voltar aos braços da amada Penélope -- este Ulisses, não encanta.

Tal como frente a Sporting e Benfica, o Marítimo defrontou o FC Porto sem avançados, ou pontas-de-lança mais precisamente. Por isso nunca farejou sequer o golo. Preencheu o meio-campo. Especulou com o jogo. A ver o que dava, atirava umas setas de longe, arremessava uns calhaus tipo Grégory pelo ar e por fim lá teve uma pequena compensação de tanto esforço (o golito que faz iludir o resultado) para tamanha falta de lucidez.

A resumir, pelo que ouvi na rádio depois de “tver” o jogo, Ulisses saiu-se com esta: “Fizemosio”. Repetiu-o, até. Queria dizer: “Tal como anunciámos, cumprimos a promessa de fazer a vida difícil ao FC Porto, jogámos olhos nos olhos e em todos os sectores do campo. Fizemosio”, repetiu-se.

Como treinador, Ulisses Morais não tem marca por onde se lhe pegar. Nenhum jogo de cátedra, nenhum feito assinalável, nenhum resultado positivo contra um grande, homérico ou não. Mas fala tão mal português, além de ter interpretações enviesadas de um jogo, como Homero via, pois a sua cegueira visual seria lendária como as obras pelo olhar interior do criador.

Fizemosio. Fodemosios (4)

Eu lembrei-me logo de uma mensagem enviada a um amigo quando o FC Porto conquistou a fortaleza, inexpugnável na Europa, do Panathinaikos rumo à conquista da Taça UEFA, essa sim uma tarefa ciclópica.

Quando Derlei marcou o 2-0, bisando no jogo durante o prolongamento em Atenas, para superar-se o 0-1 das Antas em que Mourinho prometeu não ter a festa acabado ainda, lá mandei a mensagem ao meu amigo: Fodemosios.

Palavra que é verdade. Agora rio-me, destas brincadeiras e das que alguns treinadores sem a 4ª classe fazem retirando avançados e anunciando que jogaram ao ataque. Com sofismas e credos habituais, entre mantos de sabedoria como aquele “pareceu-me ver algo mais com Marcos no 1º golo do FC Porto”.

Os simples mortais, como Ulisses e Aquiles personagens homéricos, superaram todas as forças dos deuses conspiradores e das sereias de serviço como nos servem nos jogos televisionados.

Mas nada como a veia de poeta inspirador como Ulisses, o Morais.

Espanta-pardais

Ele e, cá no panorama áudio-visual, os espanta-pardais que prenunciam catástrofes: era Jesualdo que nunca ganhou no Nacional, o Braga que não perdia no Dragão (em dois jogos, uma lenda!), há cinco anos que o Porto não vencia o Marítimo (só na Liga, que na Taça ainda há um ano lá venceu), há jogadores em risco de suspensão (este é o alvo, atirem, atirem!), o Adriano, vejam lá, esteve para ser dispensado e o Porto, enfim, lá ganhou jogando pouquinho -- como se não fizesse o q.b. para vencer e merecê-lo ou outras equipas tenham lá ganho com exibições inesquecíveis.

Pois, é mais fácil vaticinar que o Sporting pode ser campeão europeu (por ganhar o primeiro jogo ao Inter), agora que o Benfica pode, além da Liga, ganhar a Taça UEFA (antes um troféu de segunda, como é a Supertaça que Bento um dia disse valer “feijões”) e que Karagounis, hoje imprescindível no meio-campo lampiónico, nunca esteve na lista de dispensas com nome riscado a encarnado.

Sic transit, gloria mundi, assim vão as glórias do mundo, dizia-se em Roma. Sem circo.

(1) - In Nova Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores
(2) - Introduzir palavras de línguas diferentes
(3) - Síndrome de esquizofrenia caracterizada pelo negativismo e a oposição
(4) - Tradução de F***mosio e F***mosios, menos chocantes assim postos em título e pós-título…

12 março 2007

Venham eles

Marítimo 1-2 FCPorto
Adriano 18', R. Meireles 28', Douglas 86'

Melhor o resultado que a exibição. Pelo menos será o que a maior parte dos portistas devem estar a pensar depois da má segunda parte que terão presenciado. Mas mais uma importante batalha foi ganha, só que desta vez com algumas baixas a registar, Ibson e Bruno Alves, e que, bem vistas as coisas, não terão sido muitas, dada a verdadeira batalha campal da primeira parte, principalmente por parte dos madeirenses e devidamente permitida pelo homem do apito. Nada que surpreenda. Só esperemos que não sejam graves as lesões, principalmente da parte de Bruno Alves, dada a qualidade das suas exibições.

O professor resolveu poupar dois dos jogadores em perigo de exclusão, Lisandro e Raul Meireles ficaram no banco, dando lugar respectivamente a Renteria e Ibson. O primeiro quase não existiu durante o tempo que esteve em campo e o segundo, o azarado Ibson, apenas se manteve 10 minutos até à sua falada lesão. O 4-3-3 foi a táctica utilizada. O ponta-de-lança foi Adriano e revela-se cada vez mais importante nesta segunda volta, já que tem crer e espírito de sacrifício e tem acima de tudo a pontaria afinada, o ano passado, só na segunda volta, resolveu praticamente o campeonato, este ano vai pelo mesmo caminho. E ainda bem. Fucile, que substituiu o lesionado Bosingwa, é uma aposta completamente ganha, tem feito grandes jogos e hoje não foi excepção.

Adriano ainda antes dos vinte minutos da primeira parte e depois do FCPorto estar a controlar completamente o jogo, marcou o primeiro golo da partida fazendo o seu quarto golo em quatro jogos consecutivos para o campeonato. Os dragões continuaram a dominar e a criar oportunidades de relativo perigo, até que Raul Meireles num rápido contra-ataque remata forte e faz o segundo golo. A partir daqui acabou o FCPorto de ataque, para entrar o FCPorto de gestão. Gestão que continuou pela segunda parte fora, uma gestão fraca, tal a incapacidade de segurar a bola dos jogadores do azuis e brancos, com passes errados uns atrás dos outros, e o Marítimo foi aproveitando, avançando no terreno na procura do seu golo.

Depois de uma segunda parte em que o FCPorto parecia ir controlando, mal, o jogo e em que Quaresma sempre que tinha espaço no ataque e em lances superioridade numérica só pensava nele próprio, em vez de acabar de vez com o jogo passando a bola a colegas desmarcados, já no pressing final do Marítimo e na tentativa desesperada de chegar ao golo, num cruzamento para a área portista, Helton resolveu mais uma vez colaborar com o adversário, largando uma bola, e em vez de se concentrar na bola resolveu ficar a reclamar, deixando-se bater pelo maritimista. Até ao final, e embora os comentadores da tv completamente extasiados fizessem passar uma mensagem diferente, o FCPorto dominou e teve duas ou três oportunidades flagrantes para resolver de imediato a questão, acabando por naturalmente ganhar o jogo.

Foi um jogo em que o azar perseguiu a nossa equipa, mas ela soube dar a volta e conseguiu esta importantíssima vitória contra as várias adversidades. Foi um jogo “qb” do campeão à procura do bi, um jogo depois de uma semana europeia desgastante, mas que lança por completo e da melhor forma a equipa para os dois jogos decisivos que se esperam.

Faltam vencer mais duas das cinco finais deste mês. Venham elas.

11 março 2007

Tolerância Zero

Depois da saída um pouco inglória da prova máxima da UEFA contra um dos grandes candidatos à vitória final, o FCPorto só tem que continuar a demonstrar que é o melhor desta liga, seja em casa do principal rival, seja em casa do Marítimo, seja em casa de que adversário for. Como e bem disse o Menphis_Child no seu post, é hora de virar a página rumo ao Bi.

As dificuldades são mais que evidentes num tradicional campo difícil para qualquer clube da superliga e se acrescentarmos as mais que prováveis dificuldades que o visitante crónico, como lhe chamou o Zé Luís no post anterior, nos colocará, então o FCPorto terá de jogar ao mais alto nível, talvez tanto como o que tentou fazer contra o Chelsea, porque dados os jogos que se aproximam uma vitória deixar-nos-ia com a margem de confiança suficiente para os encarar da melhor forma.

O professor disse que “a margem de erro é zero” e está tudo dito quanto ao que o FCPorto tem que fazer na, agora, única frente em que está envolvido. Alguns jogadores estão em risco de exclusão, mas a dificuldade dos jogos que se apresentam pela frente é tal, que mais uma vez Jesualdo Ferreira tem razão e o melhor será mesmo pensar-se jogo a jogo.

A equipa não deverá ser a mesma que enfrentou o Chelsea, o esquema de jogo deverá regressar ao já tradicional 4-3-3. Bosingwa continua de fora e Fucile fará o seu lugar, regressando ao lado esquerdo da defesa Marek Cech. Hélder Postiga com uma lesão de última hora também não viajou para a Madeira, ficando como a principal opção de ataque Adriano. Na minha opinião Lucho descansaria numa tentativa de se apresentar a 100% nos próximos jogos, o que (não) tem jogado tem sido por demais evidente, dando assim o lugar a Ibson que tem mostrado estar à altura da posição. Helton "está de pedra e cal" depois do apoio do grande homem a quem ele próprio conquistou o lugar no ano passado.

A minha equipa seria então esta:

É a terceira final de cinco neste mês. Já ganhamos uma e já perdemos outra. Para um clube como o FCPorto já ter perdido uma final deixa-o com tolerância zero para as restantes. O FCPorto hoje não vai jogar, vai ganhar, mesmo que seja contra tudo e contra todos.

10 março 2007

O João? Pode ser o João!

Um árbitro de certas preferências e um visitante crónico com o FC Porto

Entre as milhares de escutas telefónicas captadas no âmbito do Apito Dourado, desde meados de 2003 e durante um ano, outros figurões do futebol português foram apanhados em falatório, barato ou nem tanto, além dos que se prefere manter na ribalta.

Para a semifinal da Taça de 2003-2004 entre Benfica e Belenenses, na Luz, Valentim Loureiro, Pinto de Sousa e Luís Filipe Vieira engendram a forma de nomear um árbitro do agrado do Benfica.

Quando tudo veio a lume, o Belenenses ficou surpreso pelas revelações, no jornal Público precisamente, a 8 de Setembro de 2006: foi afastado da final (3-1) e mantido à parte das conversas que supostamente deviam ser entre todos os intervenientes para bem da bondade de ser nomeado um árbitro do agrado dos clubes em compita. Por isto, o Belenenses sentiu-se à margem mas manifestou a intenção de se constituir assistente no processo. Achou-se prejudicado no jogo e moralmente pelo processo a que foi alheio. E quanto à bondade de nomeações consensuais, os azuis nunca foram tidos nem achados para nada.

O processo, esse processo, é que não se sabe se foi instaurado para os azuis se meterem no meio e saberem em que param as modas nos meandros da justiça.

Alô, Alô

Para o Benfica-Belenenses, Luís Filipe Vieira é apanhado a falar ao telefone com o major. Entre vários nomes de árbitros e rejeitados pelo presidente do Benfica, acaba por surgir um par que agrada aos encarnados.

LFV – F… António Costa? F… Isso é tudo Porto!
VL – Pronto… E Lucílio?
LFV – Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio.
VL – E o Duarte [Gomes]?
LFV – Nada, zero, ninguém dá. […] Ó major, eu nem quero, nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado.
VL – E o Proença?
LFV – O Proença também não quero.
VL – E o João Ferreira?
LFV – O João… Pode vir o João. Agora o que eu queria… Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro. Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência por ninguém, à última hora vêm dizer-me que não pode ser o Paraty por causa do Belenenses.

O presidente do Benfica tinha riscado uma série de nomes. Não tendo preferência por algum em especial, gostava do Paraty e o João Ferreira também era benquisto.

Lucílio na final

Fica nos mistérios da Justiça à portuguesa a razão de só dois anos depois dos factos vindos a público sobre o Apito Dourado, em Abril de 2004, esta conversa ter sido divulgada. Já vai avançar o julgamento de Valentim e Cª por causa dos jogos do Gondomar em 2003-04. Está em vias de seguir idêntico caminho uma série de outros processos conexos, apanhados das escutas do género acima descrito.

Esta troca de impressões conexa é que não cabe em caso algum em vias de ir a julgamento.

Já agora, o Lucílio que Luís Filipe Vieira não desejava para a semifinal acabou por apitar a final com o FC Porto, poupando a expulsão a Fernando Aguiar por agressão a Derlei e expulsando Jorge Costa com dois amarelos a meio da 2ª parte. Pormenores que serviram só para impedir que o FC Porto se tornasse a primeira equipa em Portugal a ganhar duas dobradinhas consecutivas (2003 e 2004).

João, alegre visitante

Sobra o árbitro João Ferreira que amanhã estará nos Barreiros para o Marítimo-FC Porto.

Em 12 jogos que dirigiu o FC Porto na Liga, João Ferreira fez só dois no Porto e desde há 5 anos passou a dirigir jogos do FC Porto na condição exclusiva de visitante.

2005 – Benfica-FC Porto (1-0) expulsão perdoada a Leo por meter os pitons nos calcanhares de McCarthy logo aos 8’ junto à bandeirola de canto e nas barbas de um árbitro-auxiliar.

2004 – Estoril-FC Porto (1-2), na estreia de José Couceiro, nega um golo ao FC Porto (cortesia de um tal Lacroix como seu auxiliar) e marca uma g.p. contra o FC Porto por mão de Costinha antecedida de mão (não sancionada) do estorilista Moses (também sob escrutínio de Lacroix); Sporting-FC Porto (2-0) com duas expulsões injustificadas de McCarthy e Seitaridis.

2003 – Leiria-FC Porto (1-3); Braga-FC Porto (0-3) na estreia oficial da “Pedreira”; Benfica-FC Porto (1-1); Nacional-FC Porto (0-0)

2002 – Beira-Mar-FC Porto (1-1); Nacional-FC Porto (1-2)

2001 – FC Porto-Benfica (3-2); Belenenses-FC Porto (3-0)

2000 – FC Porto-E. Amadora (2-1)

… e outras andanças

Em 2004, para a Taça em Guimarães, uma carga violenta de Flávio Meireles sobre Costinha (que chegou a usar colar cervical) nem falta teve. Em 2003, no Nacional-Porto, um central dos madeirenses, Cardozo, meteu os pitons no pescoço de Deco e nem falta teve.

Pelo meio, desde a I Divisão à II Liga de Honra, este árbitro setubalense viveu momentos muito complicados: já saiu de Braga pela porta das traseiras por marcar uma g.p. que deu empate (1-1) ao Setúbal no último minuto para ajudar os sadinos a não descer; já saiu de Chaves escoltado pela Polícia ainda na época passada. Tem semeado a discórdia por todo o lado, já esta época, inúmeros clubes contestam o seu trabalho, mas o seu modo cortês de não falar com ninguém sem esconder o embaraço que sabe de algumas decisões suas polémicas e muito suspeitas têm permitido a João Ferreira escapar, sabe-se lá como, às parangonas. Este ano, numa situação muito complicada de analisar, permitiu ao Paços de Ferreira ganhar em Alvalade com um golo com a mão.

Já agora, em matéria factual e diversificada quanto à capacidade deste árbitro, pode acrescentar-se:

2004 – Benfica-Braga, golo mal anulado a João Tomás (indicação do auxiliar); Académica-Sorting (2-3), golo da vitória leonina em falta; Benfica-Leiria (1-1) golo aos 90+4’ de Mantorras em falta assinalada ao contrário, depois de Karadas carregar João Paulo, favorecendo o Benfica, cinco minutos depois de poupar a expulsão a Petit por entrada violenta sobre Fábio Felício num contra-ataque leiriense junto à linha lateral e na divisória do meio-campo – nesta época o Benfica foi campeão…

2005 – Braga-Benfica (3-2), g.p. inventada a dar o 2-2 ao Benfica, sem alguém fazer falta; golo da vitória bracarense, nos descontos, em fora-de-jogo sem indicação do seu auxiliar; Belenenses-Sporting (0-1), 2 g.p. negadas aos azuis.

2003 – Alverca-Sporting (1-2), desastre técnico e disciplinar que levou o presidente Manuel Bugarim a dizer com todas as letras que “tudo isto foi uma merda!”.

2002 – Até como 4º árbitro num V. Guimarães-Benfica (1-4), João Ferreira fez das suas: chamou o árbitro Duarte Gomes e mandou expulsar Romeu que no outro lado do campo agrediu Simão, Inácio acusou João Ferreira de ter espreitado a câmara junto ao relvado para na repetição vislumbrar o que então escapou a todos.

Atenção, pois…

O perfil, os casos e a oportunidade, estranha, desta nomeação chegam para fazer recear o pior para o FC Porto.

Um predilecto de Vieira, nesta fase do campeonato, só pode fazer cheirar a esturro.

Nesta altura da época, há dossiês que deviam ser do conhecimento dos jogadores do FC Porto, tanto ou mais que as informações sobre o clube adversário, a manobra da equipa e as características de alguns dos seus jogadores.

Pode ser mania da perseguição – há quem seja pior nesta matéria -- mas também gato escaldado de água fria tem medo.

O FC Porto terá, mais uma vez, de vencer contra tudo e contra todos.

09 março 2007

Virar a página rumo ao Bi

Apesar da derrota na última eliminatória da Champions League, o FCP demonstrou ter uma equipa com qualidade, o que deu origem a vários elogios de jornais estrangeiros ( ver post do Zirtaev de ontem ), não me lembrando numa época, exceptuando as épocas das glórias europeias, onde o FCP conseguisse ter uma imagem tão positiva por essa Europa fora e os seus jogadores serem tão desejados por clubes de vários campeonatos.

A imagem que o FCP deu a conhecer, foi de uma equipa difícil de bater, sendo um conjunto muito bem organizado e com uma defesa forte, um meio campo lutador, mas também com um ataque inconsequente para as melhores defesas da Europa e sem a genialidade e a improvisação de Anderson.

Na minha opinião, o FCP, no conjunto das 2 mãos, bateu-se bem frente a um adversário que é muito forte como conjunto e com jogadores com uma experiência internacional muito mais madura do que os jogadores da nossa equipa, tendo perdido a eliminatória por pormenores que, mais não são, do que normais no futebol : um erro de concentração defensiva do nosso lateral no golo de Shevchenko no Dragão e um deslize , infeliz e anormal, de um jogador, que muito nos tem dado e que tem transmitido, e irá certamente continuar a transmitir no resto da época, uma segurança defensiva fora do comum.

Esta eliminatória serviu também para " consagrar ", aos olhos dos olheiros europeus, jogadores como Quaresma, apesar de não ter sido tão decisivo e tão brilhante como tem sido no campeonato, a dupla Pepe - Bruno Alves, provavelmente a dupla mais difícil que a dupla de atacantes do Chelsea encontrou esta época, e também para " reabilitar " um jogador que estava a ter exibições menos boas mas foi, para mim, o melhor jogador do FCP nesta eliminatória : Paulo Assunção, foi um pêndulo no meio campo não dando hipóteses aos jogadores que caíram na sua área de jurisdição rubricando duas excelentes exibições.

E o futuro?

Tenho um sentimento, podem chamar de fé, que o FCP poderá ser, novamente, campeão europeu no espaço de 5/6 anos, mas o que falta para não sermos agora?

Falta maturidade, e por isso é necessário tentar não deixar destruir um plantel com uma média de idade tão baixa como a nossa, embora poderá haver necessidade de vender um ou outro elemento mais preponderante da equipa, não se poderá perder as peças-chave ou, em caso disso, deverão ser substituídos por outros onde a qualidade não difere muito, nem desequilibre a equipa.

Falta um goleador, o ataque ainda não é aquele que poderá dar vitórias decisivas contra defesas fortes, precisamos de um jogador com categoria internacional, que não seja inconstante e que na cara do GR adversário não falhe. Ainda temos Renteria para apreciar, esperemos que tenha sido acertada a sua contratação.

Por último, falta um banco com maiores e melhores opções com jogadores mais versáteis, para que a equipa não note a diferença aquando da transição para sistemas tácticos diferentes durante o decorrer das partidas.

Resumindo, esta equipa, com esta atitude e com esta arrogância demonstrada no campo, juntando a genialidade de Anderson e, com o passar do tempo será ainda mais equilibrada e madura, juntando a sorte, poderá voltar a brilhar ao nível mais alto na Europa, brevemente, depois de uma prestação infeliz do ano passado, podemos ficar, não satisfeitos porque as derrotas não nos satisfazem, mas apenas moralmente conformados e orgulhosos por aquilo que foi feito.

Agora é tempo de reunir as tropas, virar a página, esquecermos dos elogios porque não garantem vitórias, unirmos-nos todos e arregaçar as mangas, porque ainda temos um campeonato para ganhar.

08 março 2007

Nós por lá, Inquérito, Diferença e Audiência TV

The Independent

«José Mourinho passou grande parte da temporada a maldizer a falta de sorte, mas ninguém pode negar o enorme bafo de fortuna que beneficiou o Chelsea ontem à noite, quando um terrível frango do guarda-redes Helton ajudou a apurar a equipa para os quartos-de-final.»

«No primeiro tempo o Chelsea foi dominado por Quaresma e Mourinho foi ultrapassado tacticamente pelo adversário Jesualdo Ferreira.»

«O Chelsea vai ter de jogar melhor para estar em Atenas em Maio. O alívio de Mourinho no final era evidente. O até agora anónimo Ballack deu razão à fé que Mourinho tinha nele.»

The Guardian:

«Mourinho escapou ontem à noite à derrota que poderia justificar a sua partida do cargo de treinador de Chelsea. O português tem de agradecer a Ballack, que saldou a dívida em relação à fé que Mourinho sempre teve com ele. O empate foi conseguido através de um frango de Helton. A partir daí, de cada vez que a bola chegava junto de Helton, o guarda-redes entrou num estado de nervosismo que pareceu condicioná-lo.»

Daily Telegraph

«O Special One foi por uma vez o Lucky One. O golo de Quaresma encerrou um período de perfeição do F.C. Porto, que frustrou por completo as expectativas do Chelsea.»

«Stamford Bridge suou de nervosismo nos últimos minutos, mas o Chelsea segurou a vantagem.»

Daily Mail

«O Chelsea devia estar preparado para o F.C. Porto, especialmente depois da exibição electrizante de Quaresma no primeiro jogo, no qual o Chelsea não conseguiu segurá-lo de nenhuma forma.»

«A fúria de Roman tornou-se num sorriso assassino. Tudo está bem em Stamford Bridge, pelo menos de momento.»

The Sun

«Herr we go, boys. Por uma vez Ballack justificou as 130 mil libras que ganha por semana.»

«Os guarda-redes brasileiros nunca foram grande coisa e Helton fez questão de o provar mais uma vez.»

Porque foi eliminado o FCPorto?

Esta é a pergunta que vou deixar na barra lateral, mais precisamente na rubrica "Opinião da Bancada", durante os próximos dias para tentar aferir da opinião dos visitantes deste blog sobre o que terá corrido mal. As respostas penso que conseguem abranger a maior parte das opiniões. Votem e justifiquem as vossas opiniões na caixa de comentários.

O Chelsea é de outro campeonato.
O FCPorto esteve mal.
A sorte não esteve connosco
O golo sofrido acabou com a equipa
A táctica foi errada
O FCPorto não tem banco
Quebra fisica da equipa

Mais uma diferença

Aconselhado pelo ilustre visitante deste blog Teixeira, calculei a média de idades dos jogadores dos dois onzes que iniciaram o jogo da passada terça-feira. Fica a tabela para vossa apreciação.Dados recolhidos de uefa.com. (Idades dos jogadores à data do jogo)

2,63 Milhões a ver

"Voltou a ser superada a melhor audiência da temporada: o desafio de Stamford Bridge foi ainda mais visto do que o do Dragão

O recorde de audiência televisiva voltou a ser quebrado pelos mesmos intervenientes de há 15 dias. Segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões entre o Chelsea e o FC Porto, o apuramento a sorrir ao conjunto de José Mourinho já perto do final do tempo regulamentar. Emoção partilhada por 2,63 milhões de telespectadores portugueses, proporcionando, à RTP 1, uma audiência esmagadora de 27,8 por cento e um "share" de 61,2 por cento"
In O Jogo

07 março 2007

Adeus Atenas! Adeus sonho!

Chelsea 2-1 FCPorto
Quaresma 15', Robben 47', Balack 76'

A culpa foi do golo do Quaresma que nos fez sonhar quase até ao final do jogo, mas quem não gostou de sonhar. A personalidade, o brio, o esforço, a atitude da equipa ficou bem demonstrada neste jogo e só temos de nos orgulhar de um grupo que ousou bater o pé em sua casa ao mais sério candidato ao título europeu deste ano e cair de pé como caiu. Em Portugal tenho a certeza que o FCPorto é único clube capaz fazer sonhar assim os seus sócios e apoiantes.

Jesualdo surpreendeu os seus adeptos com a inclusão de Ricardo Costa no onze e com uma mudança táctica logo neste jogo. Fez-me pensar no pior, fez-me relembrar o último jogo em Londres ainda na fase de grupos. Mas a mudança não comprometeu, antes pelo contrário, terá também surpreendido o adversário que foi manietado pelo meio campo povoado e forte do FCPorto, ao ponto de ter sido praticamente dominado no seu reduto durante muito tempo.

A entrada dos Dragões em Stamford Bridge foi personalizada e concentrada, e ao controlar o meio campo, conseguiu não deixar o Chelsea armar o seu jogo e não o dominar como tanto gosta de fazer. Aos quinze minutos numa excelente jogada de contra-ataque, ao primeiro toque, Lisandro envia a bola para Lucho que desmarca superiormente Quaresma para este fazer o que prometera de véspera, marcar a Petr Cech.

O mais difícil estava feito e o sonho parecia mais real que nunca e com as grandes exibições a nível defensivo dos centrais e de Paulo Assunção e muito acerto do resto da equipa a esse nível, ficava a ideia que seria apenas uma segunda parte sofrida, mas não mais que isso para a chegada ao objectivo final. O próprio treinador do Chelsea dava a entender que muito haveria de mudar no clube londrino para conseguir dar a volta ao marcador e que até o suor e o puxar dos galões das suas estrelas poderia não chegar.

Para a segunda parte a equipa vinha já preparada para o grande assalto por parte dos Blues, sabiam que deveria bastar aguentar uns minutos e aos poucos ir deixando o desespero e nervosismo adversário fazer o resto. Mas a equipa portista foi traída, foi traída por um lance muito infeliz de Helton que deitou por terra tudo o que ao intervalo tinha sido preparado. A equipa não merecia ser traída por parte de Helton, o próprio Helton não merecia esta traição. Tantos jogos para falhar, porque foste logo falhar neste Helton?

A moral alta estava agora do outro lado, tal como sempre esteve o maior poderio físico e a o maior qualidade dos jogadores. A diferença de ritmo competitivo de uma equipa e de outra foi-se mostrando e acentuou-se cada vez mais ao longo da segunda parte. Os jogadores do FCPorto além de se irem desvanecendo animicamente, iam perdendo a frescura, algo que não se passava no lado contrário.

Mesmo assim o FCPorto ia-se aguentando, mesmo com um Lucho que não se mexia, que não existia. Jesualdo resolveu mexer, Ibson ia entrar, o meio campo ia ser refrescado, saiu o …Marek Cech?! Adriano também entrou e saiu o… Raul Meireles?! E o Lucho que ficou lá a fazer?! Mudou-se a táctica, o 4x3x3 habitual voltou, mas foi o Chelsea que marcou, numa jogada em que os nossos dois grandiosos centrais se encontravam em inferioridade numérica, o médios esqueceram-se de os apoiar. Até ao fim não havia forças para fazer fosse o que fosse e o Chelsea é matreiro e experiente o suficiente para saber manter a bola longe da zona de perigo.

O sonho acabou, mas tenho de agradecer a quem me faz sonhar. As diferenças entre as equipas são por demais evidentes e são abismais em muitos aspectos, e jogadores que conseguiram fazer esquecê-las durante a maior parte do tempo de toda eliminatória, só podem merecer o orgulho que sinto neles.

Para frente é que é caminho e a próxima final é já no domingo.

06 março 2007

Difícil? Muito. Impossível? Nunca. Acredito? Sempre.

Este é já um dos jogos mais importantes do ano para todos os portistas. Um jogo de campeões que colocará uma das equipas a ver os quartos de final pela televisão. É um jogo que põe Portugal inteiro em suspense por todas e mais algumas razões. Pela frente um dos mais caros e mais temíveis planteis de todo o mundo e que a jogar em casa não costuma facilitar. Mas já no jogo da primeira mão todos achavam que seriam “favas contadas”, todos menos os portistas que sabem que o seu clube é feito para estes grandes jogos.

Afinal de contas, nesse primeiro jogo, o FCPorto bateu bem o pé ao adversário, ao ponto de obrigar o considerado melhor treinador do mundo e as suas estrelas a defenderem o empate, sendo considerado até por alguns, que defendeu com um autocarro tipicamente inglês de dois andares. Sabemos perfeitamente que esta equipa é fortíssima. Estamos conscientes da diferença de qualidade existente. Mas também sabemos que por exemplo Bruno Alves, um eterno mal amado no FCPorto, anulou o que é agora considerado o melhor avançado do mundo. E por este pequeno exemplo temos a percepção de que se calhar a inferioridade poderá estar apenas nas mentes e não tanto no futebol jogado, já que não deixamos os nossos créditos por mãos alheias.

O Chelsea vai entrar a “todo o gás” e o período mais difícil deverá ser mesmo o início do jogo. O FCPorto terá de entrar muito concentrado, aguentar esse fase e tentar colocar em sentido o adaptado Essien a central e os seus colegas da defesa. Eles respeitam-nos, o seu treinador sabe do que somos capazes, mais que ninguém sabe que lhe pode correr mal e a arrogância não ganha jogos.

Esperamos que Quaresma mostre toda a magia que lhe deu o nome, tão familiar em terras de sua majestade. Que Lucho resolva correr e mostrar a sua classe. Que Adriano aproveite as poucas oportunidades que terá, que seja o matador de serviço. Que Meireles possa experimentar o seu pontapé canhão com sucesso e que a nossa defesa esteja certinha como costuma estar Assunção à frente dela. Esperamos também que alguma sorte esteja do nosso lado, já que é sempre necessária nestas coisas. Esperemos que Jesualdo tenha oportunidade de fazer uma corrida como a que fez o treinador adversário ao minuto 90 há 2 anos em Manchester.

Falta Bosingwa, mas está lá o Fucile e este deverá ser o onze de todas as nossas esperanças que se vai apresentar no novo relvado de Stamford Bridge:

As estatísticas dizem que Jesualdo nunca ganhou a Mourinho, mas existe sempre uma primeira vez para tudo e por outro lado talvez nem seja necessária uma vitória, um empate a dois golos ou mais chega. De qualquer das formas e como diz o professor, o FCPorto não tem nada a perder, já ganhou duas vezes a Liga dos Campeões e tem uma equipa em crescimento, já do lado dos ingleses...

Digam-me que é muito difícil, mas nunca que é impossível, ou não fôssemos portistas. É a segunda final deste mês e como diz o nosso presidente, uma final não é para jogar, é para ganhar.

RAPAZES, FAÇAM O JOGO DAS VOSSAS VIDAS!!!

FORÇA PORTO!!!

Chelsea - FCPorto, RTP1 - 19H45

PS: Não se esqueçam de actualizar as vossas equipas do Fantasy Football.

04 março 2007

O grande jogo é já amanhã

«Assim que o autocarro oficial dos Dragões se aproximou da zona de embarque, um mar de bandeiras azuis e brancas projectou-se no caminho dos atletas, combinando o movimento com cânticos de incentivo audíveis do lado de dentro da aerogare. Um momento bastante forte que desencadeou uma onda de energia azul e branca impressionante.»
In fcporto.pt

«Bosingwa, ao contrário do argentino Lucho Gonzalez, não é recuperável da lesão sofrida ontem à noite na partida contra o Braga que o FC Porto venceu por 1-0 e não integra a comitiva portista que parte dentro de momentos para Londres onde, terça-feira à noite, os dragões defrontam o Chelsea de José Mourinho, na segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.»
In o jogo

«O F.C. Porto vai ser muito apoiado no encontro desta terça-feira, em Stamford Bridge. A crença de todos os portistas espalhados pelo planeta vai ser personalizada pelos mais de três mil apoiantes dos Dragões que vão estar presentes no estádio e que prometem não regatear esforços no incentivo à equipa de Jesualdo Ferreira.»
In fcporto.pt

«Sinceramente acredito [na vitória do FCPorto]. As dificuldades são muito grandes, se calhar até maiores do que da outra vez [há 2 anos], mas o F.C. Porto tem uma capacidade muito grande de se superar em circunstâncias destas»
Diego

«Estou convencido que vai ser o F.C. Porto a ver os quartos-de-final pela televisão, mas eles devem estar convencidos do contrário. As pessoas querem mostrar que têm força interior e que é possível eliminar equipas teoricamente superiores. Quando eu fui treinador do F.C. Porto também tinha essa noção e eliminei mesmo algumas equipas teoricamente superiores ao Porto, mas a verdade é que o meu Chelsea é superior a este Porto e tem mais hipóteses de seguir em frente»
José Mourinho

Começar bem

FCPorto 1-0 Braga
Adriano

A melhor forma de se iniciar um jogo é a marcar para que o relaxamento da equipa surja e esta possa fazer um bom jogo. Hoje, perante um adversário de grande qualidade, mesmo com a falta de algumas unidades importantes, foi o melhor que aconteceu ao FCPorto. O golo de Adriano decidiu praticamente o jogo, logo aos dez minutos, já que o equilíbrio foi a nota dominante de uma grande partida de futebol, em que a incerteza do resultado prevaleceu até ao fim.

A equipa inicial apresentou uma única surpresa, a saída de Marek Cech para a entrada de Fucile no lado esquerdo da defesa. De Adriano já todos estaríamos à espera e com o seu golo decisivo, o professor não se terá arrependido de ter optado por ele. Adriano esteve muito mais participativo no jogo que Postiga costuma estar, mas por razões positivas.

O Sporting de Braga mostrou desde o início uma atitude muito à imagem do seu novo treinador, uma equipa muito aguerrida e sem medo, que teve sempre os olhos na baliza adversária e que desde o inicio quis controlar as operações, tendo surpreendido, de certa forma, os dragões. Só que quem se atreve tanto arrisca-se e num contra ataque, logo aos dez minutos, e a passe de Lucho, que pouco mais fez durante o jogo, Adriano numa boa antecipação faz o primeiro e único golo da partida.

A equipa bracarense pareceu, então, tomar conta do jogo por completo em busca do empate e apenas se via o FCPorto a criar perigo em lances de contra-ataque. Sendo que o golo poderia ter aparecido em qualquer das balizas.

A segunda parte não podia ter começado de melhor forma, um penaltie a favor do FCPorto que Lucho conseguiu falhar, para poder juntar ao curriculum do mau jogo que fez. Onde anda o Lucho que nos encantou? Espero que diga presente, pelo menos, na Europa. O Braga continuou a dar boa réplica, só que nestes segundos 45 minutos, o domínio já era mais do FCPorto que foi prometendo, prometendo e prometendo o 2º golo e eu só pensava, quem não marca… Felizmente estava enganado.

A equipa mostrou-se unida a defender e a lutar pela bola. Na defesa Bruno Alves e Pepe estão insuperáveis, implacáveis e impecáveis (quem sabe a fazer lembrar a ex-dupla de centrais que estava na equipa técnica do Braga). Já o meio campo foi muito intermitente, sendo só Assunção quem funcionava a 100%. Raul Meireles parece fazer um jogo bom, para logo a seguir fazer um mau, hoje foi a vez do mau e talvez o de Londres seja o bom. Lucho parece cansado, não corre à bola e parece tudo lhe sair em esforço. No ataque, Quaresma tem algumas opções erradas e enervantes, mas tem outras que fazem qualquer adepto de futebol ficar deslumbrado e Lisandro é um guerreiro que está em todas e não desiste de nada. Mas se pareceu ser um FCPorto com alguns problemas, temos por uma vez na vida, de dar o devido mérito ao adversário que os criou e de que maneira.

Para o jogo da Liga dos Campeões poderemos ter uma baixa importante, Bosingwa, que vinha a fazer excelentes jogos. Lucho terá também apresentado queixas e poderá estar em dúvida, mas aqui para nós, o Lucho de ontem não fará qualquer falta em Inglaterra. Notou-se a diferença na equipa para muito melhor, depois da entrada de Ibson que se mostrou muito aplicado e deu uma nova vida àquele meio campo.

O FCPorto começou a ganhar neste ciclo terrível que se apresenta para este mês, não terá feito um excelente jogo, mas, além de demonstrar grande união na equipa, uma vitória é o melhor que pode acontecer para uma equipa que tem tudo a ganhar. E é nestes jogos que se ganham campeonatos. Agora, venha o Chelsea

PS: Deplorável é um eufemismo para o que na realidade penso da atitude da principal claque do clube durante o minuto que deveria ser de silêncio em memória de um ex-jogador de futebol que faleceu há menos de três dias. Podem dizer-me que são rivalidades, mas as rivalidades não justificam o que eles fizeram. Ainda bem que o resto dos adeptos souberam dizer-lhes o que pensavam “daquilo” com a monumental vaia que lhes ofereceram e de certo modo demarcarem-se da vergonha que fizeram o clube passar. Àquela atitude eu chamo falta de respeito e falta de educação. E mais não vale a pena dizer.