08 junho 2009

SMS de Portogal a Carlos Queirós


"Já que ainda não tens o melhor jogador, pelo menos vale-te o melhor central do Mundo!"

Portogal! Voltou a ser Bruno Alves a salvar a cabeça do seleccionador Carlos Queirós. Depois do golo de abertura na vitória (amigável) sobre a África do Sul, na Suíça, em Abril, o melhor jogador do campeonato português em 2008-2009 manteve Portogal na rota do Mundial-2010 com novo golo de cabeça.

Agora da forma mais dramática possível, Bruno Alves ergueu-se e antecipou-se ao guarda-redes albanês para carimbar de testa um cruzamento largo de Raul Meireles aos 90+3 minutos, em Tirana. Depois do 1º golo por ex-portistas, com Bosingwa a cruzar para Hugo Almeida marcar de cabeça em deslize defensivo albanês, o capitão do FC Porto marcou a coroar uma época esplêndida a título pessoal e colectivo.

Desta forma, Portogal capitalizou a derrota caseira da Suécia com a Dinamarca e tem pelo menos em vista o 2º lugar do Grupo A para aceder ao play-off que apurará os últimos representantes europeus para o Mundial na África do Sul.

Portogal joga 4ª feira na Estónia um jogo amistoso para encerrar a época e começará a próxima temporada a jogar na Hungria e na Dinamarca onde tem forçosamente que vencer e, ainda, poder aspirar ao apuramento directo como vencedor do grupo.

Deco e Pepe mostraram dificuldades físicas em consequência de várias semanas sem actividade competitiva, o primeiro a recuperar de lesão e o segundo pelo castigo ao serviço do Real Madrid na Liga espanhola. Mas comandaram no meio-campo o jogo da selecção.

A 1ª parte portuguesa foi fraca globalmente, coxa do lado esquerdo onde Duda apoiou pouco o ataque e Boa Morte não mereceu a surpresa da titularidade. Em boa verdade, o titular à esquerda do ataque, Simão, tem comprovado a sua decadência e quando entrou na 2ª parte nada acrescentou. Quanto a Duda, só fez lembrar no golo sofrido a ausência de Gonçalo Brandão que foi o lateral frente à Suécia e cuja estatura mais elevada talvez evitasse o cabeceamento de Bogdani (saltou e ganhou nas costas de Duda para empatar logo após o golo português). Quão importante são os laterais altos para as bolas aéreas defensivas...

Com Cristiano Ronaldo desaparecido do campo na 2ª parte, depois de ser o único a agitar o ataque na 1ª metade em que sofreu um penálti, Bruno Alves subiu para ponta-de-lança ao lado de Edinho (substituíra Hugo Almeida) e num 3-2-1-4 o assalto final lusitano tornou-se decisivo quando os albaneses só queimavam tempo e o árbitro alemao complacente deu 5 minutos de desconto. Deco e Meireles orquestraram o jogo atrás, C. Ronaldo jogou atrás dos pontas-de-lança, Simão (direita) e Nani (esquerda) abriram o jogo nas alas. Bruno Alves teve um afundanço formidável praticamente na última jogada do desafio.

07 junho 2009

A suprema competência portista

Seguir as regras, dos amarelos às transferências… Os portugueses, os estrangeiros e os 6+5 que ameaçavam mas são impraticáveis

Miguel Lopes. Silvestre Varela. Orlando Sá. Portugueses. Foram os primeiros reforços anunciados pelo FC Porto para a próxima época. Para já, não se confirmou Beto. Felizmente, as idiotas hipóteses de Paulo Bento e Jorge Jesus ficaram com quem as bolçou (vómito dos bebés, para quem não saiba), em pueris exercícios de especulação. Discute-se se assim, se assado, se são bons, se vão falhar, se podem servir, se são para emprestar (os jogadores certos).

Ninguém notou: PORQUÊ? O traço comum da nacionalidade deve ter sido despiciendo.

Agora, de uma assentada, Maicon (brasileiro) e Álvaro Pereira (uruguaio). PORQUÊ estrangeiros?

Na primeira fase do mercado, desafiei alguém a notar a tendência. Prometi que falaria do tema. Estava agora para fazê-lo e vem a desfeita de uma dupla contratação de mais sul-americanos. Em que ficamos?

O futuro seria gizado em português ou ainda com o idioma de Cervantes em vez do nosso camoniano (e vernacular, já agora)?

Pode ser coincidência e algum locutor de rádio gritar, como o outro: “É do caralho, senhores ouvintes!”.

Os portugueses obedeciam ao respeito por uma futura regra a impor ao futebol: a regra dos 6+5, 6 jogadores nacionais e 5 que não pudessem jogar na selecção do país de acolhimento.

Fazia sentido o FC Porto virar-se para os portugueses.

Com Maicon e Pereira, parecia desrespeitar-se a regra que devia entrar em vigor na próxima época. Eis que, entretanto, a FIFA no seu Congresso nas Bahamas, deixa cair os 6+5. E o FC Porto (saberia disto?) ou está a par ou antecipa-se. E ganha.

Era a questão da gestão dos amarelos (Fucile no Restelo a fazer-se expulsar pelo expert Duarte Gomes…), agora o domínio dos meandros das transferências: além de bater o dinheiro certinho e ter confiança e credibilidade no mercado, há que saber os regulamentos.

Foi o episódio das batalhas jurídicas do Verão passado a que só as avestruzes disciplinares da Liga não tiraram a cabeça da areia.

Isto chama-se competência, competência ou competência?

p.s. – é claro que os toinos das tintas de Imprensa e zés dos pés-de-microfone nunca perceberão o que faz um campeão…

06 junho 2009

VIII - OctoCampeão


O FCPorto sagrou-se esta noite Campeão Nacional de Hóquei em Patins pela 8ª época consecutiva
Hóquei: F.C. Porto garante oitavo título consecutivo
Vitória por 5-4 no quarto jogo da final com o Juventude Viana

O F.C. Porto revalidou o título de campeão em hóquei em patins, ao bater o Juventude Viana no quarto jogo da final, por 5-4, após prolongamento. Os azuis e brancos vencem, desse modo, o troféu pela oitava vez consecutiva. Na final, os dragões ganharam 3 jogos, contra um do Juventude Viana.
In maisfutebol.pt

Parabéns Octocampeões

05 junho 2009

“Silly season” diz-se Cília com tesão?

Há um ano foi o regabofe da exclusão do FC Porto da Europa, o inferno da II Divisão, os títulos transferidos para quem de direito e uns quantos maganos na prisão.

Este ano, quando tudo parecia tão calmo apesar de Queiroz “ameaçar” que “não queria estar na pele dos albaneses” – caro Carlos, por muito menos o Orelhas ficou com elas a arder e teve de engolir elefantes mesmo andando de Sapo em Sapo! --, o futebol acabou nos campeonatos, as selecções preparam os seus últimos jogos da época antes das férias.

Mas temos disto:
F.C. Porto: Sevilha quer trocar Lisandro por Duda
O nome de Lisandro Lopez continua a preencher grande parte do noticiário deste defeso. O argentino do F.C. Porto é agora colocado na rota do Sevilha, pelo jornal La Opinion de Málaga.

O diário andaluz escreve que Lisandro é um dos alvos preferenciais do emblema espanhol e que o português Duda poderia servir como moeda de troca.

Em traços largos, o Sevilha ofereceria perto de 15 milhões, mais o passe de Duda pela contratação de Lisandro.
E disto:
Transferência de Baía para o Barcelona está a ser investigada
Vítor Baía deixou as Antas na época 1996/97 a caminho do Barcelona de Robson. Mais de dez anos depois, a transferência do guarda-redes para a Catalunha está a ser investigada pela justiça belga. Tudo porque há suspeitas que Luciano DOnofrio, na altura o empresário do internacional português, tenha cometido irregularidades.

DOnofrio é belga e foi responsável, enquanto empresário, pela transferência de muitos outros jogadores como Futre, Domingos ou Fernando Couto. O tribunal de Liège emitiu uma ordem judicial que autorizava diligências em Camp Nou por suspeitas que DOnofrio ter-se-ia apropriado de parte das verbas de transferências para posterior branqueamento de capitais.
E ainda disto:
Pinto da Costa e Vieira são almas gémeas
Tentei descobrir as diferenças entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira mas não as encontrei.

É certo que o que está mais a norte nasceu no seio de uma família burguesa e não num qualquer bairro periférico da capital mas isso é apenas um pormenor.

A metodologia que ambos usam confirma isto mesmo. Estamos perante dois seres extraordinários. Um pela forma como consegue perder ganhando sempre, o outro pela forma como consegue ganhar perdendo quase sempre.

Explico melhor: enquanto Pinto da Costa banalizou o sucesso no clube do dragão e sente dificuldades em tornar o FC Porto um clube com real dimensão nacional, Luís Filipe Vieira vulgarizou o insucesso no clube da águia e continua a vender kits. É quase a mesma coisa. O efeito, aliás, é o mesmo: a popularidade de ambos não parece ter sido afectada.

Por cada título que ganha Pinto da Costa pouco acrescenta ao poder da sua imagem enquanto Vieira não sofre grande erosão como consequência de cada título que perde.

As grandes massas que suportam estes líderes não os respeitam mais ou menos pelos resultados conseguidos. Com ligeiras flutuações, o apoio popular mantém-se em níveis altos. Para PC basta ter a chatice de conquistar mais um campeonato, para Vieira cinco visitas a casas do Benfica na província e um título de futebol de salão compõem a coisa.

Suspeito que Pinto da Costa está preocupado. Ele pode não dizê-lo mas continua a ter por Luís Filipe Vieira um respeito profundo. Para o presidente do FC Porto, um Benfica liderado por Bruno Carvalho ou José Veiga será finalmente um espinho que se crava na asa do dragão.
In Record online (Eugénio Queirós)
O corno é o último a saber numa casa de putas
Ou ainda o branqueamento total a uma entrevista contundente no Rascord do ex-putativo candidato leonino nas centrais e sem referência na 1ª página dedicada ao candidato do regime: “José Eduardo Bettencourt traiu-me”.
Pedro Souto: «Sinto-me traído»
O gestor de 46 anos recebeu-nos no seu escritório no Monte Estoril. Pedro Souto retirou-se da corrida eleitoral no Sporting mas tinha ainda muito a dizer. Desde logo que "José Eduardo Bettencourt perdeu um amigo." "Se tiver saúde", dentro de 4 anos será candidato...
Imaginem se um ex-jogador, ex-técnico ou ex-dirigente saía do Dragão e dizia algo contra o FC Porto e Pinto da Costa? Qual seria a manchete?

Mas há mais:
O FREGUÊS QUE SE SEGUE?
No blog do sem génio Queirós.
Depois de terem garantido que Paulo Bento, e ainda mais Jorge Jesus seria treinador do FC Porto, agora que Álvaro Pereira foi roubado (sem aspas, que no pasquim roubam até as aspas ao bom senso) ao Benfica já temem que os dragões de alta cilindrada peguem num “Chico” que anda a meio-gás só em três meses, como antes temeram que – antes de Cissokho e agora Álvaro Pereira – o FC Porto pegasse no coxo Leo…

Ainda vão recear que Pinto da Costa retire do ex-amigo e consócio nº 17 499 Luís Filipe a sua jóia da coroa da equipa do Lar do Comércio, Pedro Mantorras.

Coisas apanhadas aleatoriamente em 10 minutos, ontem, na net. Quanto ao treinador futuro do FC Porto e aos jogadores a desviar para o Dragão, a paródia começou há muitos meses. Mas agora está a aquecer, deve ser dos momentos eleitorais que mostram, no Benfica, no Sporting e neste Portugal dos Pequeninos, o pior do ser português: estúpido, tacanho, rasca. Tudo isto fede.

04 junho 2009

O tabu dos objectivos depois do tabu Jesualdo

Parece que todos se deram por contentes com a informação oficial, dada pelo próprio, da continuidade de Jesualdo Ferreira no FC Porto, por mais dois anos.

Para os pataratas que quiseram fazer de um caso sem história - e com final previsível que foi confirmado - um tabu mediático, o que só mereceu a zombaria costumeira, mas justa, de Pinto da Costa, o fim do tabu Jesualdo foi, ironicamente, proclamado na hora, momento e local adequados: depois de ganhar a Taça, com uma dobradinha a reforçar o crédito do treinador para continuar no clube e no Jamor onde teimam em fazer as finais e onde era esperada mais uma vitória portista. Um encadeamento lógico, programado pela organização exemplar do FC Porto e dado no momento preferido e confessado pelo clube/treinador que sempre definem o timing para estas coisas mas alguns "adiantados mentais" teimam em não perceber...

Acabou por nem parecer novidade e, como é costume, foi uma notícia para usar e deitar fora. Apesar de alguém ter alimentado certa expectativa no tema, esbarrando na indiferença portista com que era encarado, a confirmação oficial poderia dar azo a mais especulações ou projecções. Mas não deu, fruto da proverbial ausência de massa crítica e aprofundamento das notícias e seus reflexos.

Jesualdo renovou até 2011, Pinto da Costa tem mandato que oficialmente expira em 2010 e não deve ser por causa do colosso anunciado há dois anos para daqui a dois anos... Isto nem é costume: digo, é habitual alguém anunciar-se como um colosso do Guiness Book, mas é menos comum que um treinador do FC Porto tenha mais contrato do que o presidente... Mas isto não faz ninguém pensar? E, afinal, que objectivos para Jesualdo?

O feliz treinador do FC Porto, justamente reconhecido e elogiado, definiu as metas de sempre mal terminou a final: campeonato, Taças nacionais e passar a fase de grupos da Liga dos Campeões (chegar aos oitavos-de-final, pelo menos).


Mas isto não foi o objectivo global dos últimos três exercícios competitivos? E em cada época com Jesualdo a equipa não subiu uns patamares de competência acompanhando a capacidade de resistência com o aumento do número de jogos de 40 para 46 e para 52?

Não acredito que Jesualdo e o FC Porto não pensem em mais do que a trilogia de objectivos do último triénio. Para mais, numa altura em que se refez praticamente uma equipa desde o início e tem uns bons dois anos para amadurecer e progredir, exigindo-se sempre mais a si própria. Logo, com Pinto da Costa apostado em manter a "nova" equipa com o treinador que a moldou ao seu jeito, é de crer e querer que não se mude nada para que um alto objectivo europeu seja alcançado no tempo de maturidade competitiva e força mental desta bela equipa.


Pode haver um novo tabu: até onde chegará esta equipa laboriosamente forjada, com queimadelas nas mãos e fuligem na ponta do nariz? Não é que seja fácil assumi-lo, porque os últimos anos têm confirmado que a Champions só está ao alcance de poderios económicos tremendos que já não variam muito além dos potentados Barça e Man. United... Mas secretamente, se for possível manter esta equipa feita à imagem dos seus criadores nos gabinetes e nos relvados, talvez o FC Porto possa aspirar a algo mais do que os quartos-de-final. Não é para melhorar que se trabalha no Dragão? Então, e doravante uma semifinal e depois uma final onde tudo possa acontecer? Não esteve para acontecer esta época a superação absoluta da equipa?


Belo tabu este. Os distraídos e que confiam nas coisas fáceis imaginam a continuidade de Jesualdo como objectivo do hexa, mas não se ganham dois campeonatos num só, é um de cada vez. O penta será crucial e defender a Taça de Portugal também na década das dobradinhas portistas. A Taça da Liga servirá de rodagem dos menos utilizados, mais uma vez.

O futuro de Bruno Alves e/ou Lisandro, aqueles na calha com potencial e interesse para sairem, pode aguçar esta expectativa de rasgar mais horizontes europeus. A sua saída real, que nenhum portista deseja, pode baralhar as coisas consoante o rendimento de quem os vier substituir, mas essa especulação sadia merecerá atenção com dados precisos na mão.

O FC Porto, com mais dois anos de Jesualdo, até poderá superar o Benfica em troféus conquistados (63-65 neste momento) pelo futebol profissional em competições oficiais. Mas não bastará ainda para superar os encarnados em triunfos no campeonato nacional (24-31). Não acham que o desafio europeu parece colocar-se como o pano de fundo da ambição com a renovação do treinador? Ele próprio tem traçado metas para "mais longe" na Europa; e afinando a sua equipa como uma máquina não terá este propósito?

Foi tudo isto que pensei e partilhei com alguns dos amigos com quem confraternizei no Jamor. Porque os dois anos mais de Jesualdo, logo propagados, não podem ser apenas uma notícia corriqueira. O penta já começou a ser preparado há muito, mas o depois disso também. Com a marca do FC Porto.

03 junho 2009

Dragão Caixa vê o seu 1º título




PARABÉNS CAMPEÕES!!!

A equipa do FC Porto recebeu e venceu esta quarta-feira o Benfica por 26-23, no quinto e decisivo jogo da final, reconquistando o título de campeão nacional que já fugia à cinco épocas.


Os dragões já tinham batido o Benfica em casa por 32-25 e 33-26, sendo que a equipa da luz nunca se mostrou capaz de discutir o resultado fora de portas.

Em casa o Benfica ganhou por 32-27 e 23-20, vitórias que ainda assim se revelaram insuficientes para o desenrolar da prova.


FINAL:
FC PORTO (1) - BENFICA (2), 3-2

17 Mai FC Porto - Benfica, 32-25
21 Mai Benfica - FC Porto, 32-27
24 Mai FC Porto - Benfica, 33-26
28 Mai Benfica - FC Porto, 23-20
03 Jun FC Porto - Benfica, 26-23

FC Porto campeão, Benfica segundo classificado.

In O Jogo

02 junho 2009

O que falta(va) sobre as finais no Jamor

Até o relvado piora a cada ano, resta saber se o patrocínio milleniunarium não amarrará mais a Taça a um estádio sem… honra. E a hora imprópria contrária à do futebol no resto do ano.

Desta vez numa improvável excursão, unificada apesar de distribuída por vários carros, com imprevistos amigos sem antes ter conhecido algum, lá fui de boleia ao Jamor esquecendo a promessa do “nunca mais” do ano anterior e silenciando a garantia de na próxima não ir também… Às razões históricas, políticas e desportivas que sempre me colocaram contra o palco
das finais da Taça de Portugal, mais o porreirismo das sardinhadas e a basbaquice do cenário paisagístico que é contemplar de um buraco a abertura para vislumbrar depois do vale do Jamor uns prédios talvez da Amadora, juntaram-se outras preocupações agravadas pelo estado lamentável do relvado.

João Vieira Pinto frisou-o bem em O Jogo, na análise à final, não só porque pisou aquele palco várias vezes, mas por ser um conhecedor mesmo à distância que a tv coloca os adeptos do sofá. Eu fiquei assustado logo que apreciei o tapete (?):
- estava pouco verde, o que denotava falta de rega e aquela tonalidade já amarelecida indicia a proximidade do deserto ali da margem sul;
- inventaram-lhe uma inscrição mais ou menos encriptada a marcar o endereço (Jamor) em que o “o” deve ter sido importado da Papuásia;

- tinha sulcos como se um tractor da Patagónia ali tivesse operado, o que aliviou a suspeita de as carrinhas das fábricas de móveis de P. Ferreira serem responsabilizadas;
Portanto, tudo para pior e atenuante para o fraco futebol mais uma vez próprio desta final. Se a qualidade do jogo depende dos intérpretes, um mau piso é agravante de condições nada propícias como jogar no fim de época e normalmente sob calor sufocante que aquele buraco impõe. A má qualidade do relvado também logo a expus aos novos amigos que tão bem me acolheram, carago! JVP só confirmou, com o ênfase merecido e a autoridade do seu conhecimento, que mais este cancro mina a final da Taça.

Horário nocturno, final diurna

O calor, costumeiro, sempre obrigou a jogar-se a partir das 17 horas.

Agora, repare-se, tal como em quase todos os jogos da Liga e da Europa, em que a maior parte das equipas principais jogam à noite, salvo raras excepções no caso do FC Porto como em Cinfães ou na Sertã, também as eliminatórias da Taça são de horário nocturno. A final é jogada à tarde, normalmente com muito calor, em contra-ciclo às condições normais de pressão, temperatura e humidade em que decorre toda uma época futebolística que no caso dos dragões desta vez voltou a passar os 50 jogos (52).

Imagine-se, agora, que alguém nota isto e põe a final à noite para dar uso à iluminação do estádio que só em 2000 recebeu uma finalíssima sob luz artificial… Não se acredita que o braseiro dos fogareiros seja idílico na mata escura envolvente do estádio e, então, perder-se-á o elogio pelas sardinhadas e o reencontrar do espírito de viver no campo que em Lisboa devem sentir muito em falta para tão entusiasta defesa da primazia do Jamor.

Da mata também fiquei a conhecer mais um pouco, porventura o que restava, talvez tenha terminado o meu périplo iniciado noutras ocasiões. Voltei a tropeçar nas raízes de eucaliptos e pinheiros que emergem da terra e da poeira que a polícia a cavalo levanta. Vá lá que ninguém se lembrou de jogar à malha, tal como alguns trilhos íngremes mas inevitáveis para quem quiser cirandar em volta do estádio, continuam como se fosse desígnio nacional preservar esta parte da biosfera que esconde um estádio só evocado uma vez por ano.

Estádio de Honra sem National Geographic e patrocínio no santuário…
Descortinei, aliás, a lápide (presumivelmente histórica e inamovível como o resto que foi legado até ao século XXI) que designa oficialmente o “Estádio de Honra” tal como foi erigido e aberto em 1944. Não é “Nacional”, é de “Honra” e com 65 anos, resistindo à reforma apesar do dinheiro que custa aos contribuintes mas que não chega para regar bem o relvado. Deve ser falha grave da National Geographic menosprezar este santuário…


Mas houve uma novidade e, curiosamente, foi pouco falada, talvez por todos ficarem prisioneiros do passado e das memórias que no programa oficial do jogo, a revista da FPF, evocava a revolta estudantil de 1969, há 40 anos, contra o Estado Novo que ainda hoje parece omnipresente.

O patrocínio de uma entidade bancária esteve patente no seu logótipo e diversos adereços, mas só na tribuna de honra – qual palaque que deixa a plebe aos seus pés – onde curiosamente não podem ser vistos pelos VIP’s… A cor lá nos remete para outras cerimónias, aquele tom algo grená ou roxo evoca vigília pascal e adoração a um novo bezerro de ouro que ao FC Porto valeu meio milhão de euros como vencedor.

E o FC Porto foi um vencedor incontestado, apesar de os pacenses terem esperneado mais do que os leitões (outra quebra na tradição das sardinhadas) que alimentaram aquele despretensiosa tribo vestida de amarelo vivo. Houve do FC Porto um jogar q.b., cansado por 52 jogos que fazem escarnecer da fadiga alegada pelo técnico Paulo Sérgio pelos 40 e poucos da sua equipa…

Foi briosa a forma como o Paços se bateu e ambiciosa a estratégia de jogar sempre em campo curto, com defesa subida e muitos homens para triangulações que roubaram muita bola ao FC Porto mais descontraído e distendido, o que forçou o tetracampeão a fazer valer jogo posicional para ganhá-la nas zonas fulcrais e distribuí-la com outra acutilância depois desperdiçada por Hulk, Rodriguez, Mariano e Lisandro. Mas fazer aquele jogo exige-se perícia de passe sem falhar as muitas trocas, e o golo surgiu à terceira perda de bola em 6 minutos o que diz bem de a receita não ser do conhecimento dos homens da cozinha e esta ter cedo ficado a arder…

Mas, tal como não li nos jornais da especialidade algo sobre a táctica pacense (apesar dos merecidos elogios pela forma digna de estar em campo) que começou por ser, ironicamente, a causa da sua derrota antes de lhe permitir disputar o jogo (mas não discutir o resultado), também ninguém da Imprensa trouxe uma visão nova a aspectos diferentes que rodearam o jogo.

Ao longe, inclusive, vi os altos responsáveis do patrocinador oficial, que quiseram descer do seu pedestal à sombra e com sumos refrescantes das arcadas de pedra dignas de um promontório azteca ou observatório astronómico maia. O dr. Santos Ferreira e o dr. Armando Vara suscitaram-me a curiosidade de saber se o patrocínio impõe, mais ou menos implicitamente (coisas próprias do “bcp” da actividade bancária), que os homens da massa, precisamente, queiram sempre a final no Jamor.

Se disso também nada li foi por a Imprensa (desprezou a presença de ambos) achar irrelevante discuti-lo, ou por considerar privilégio nacional ali jogar-se sempre a final ou por ser pouco activa e, no geral, ficar sujeita ao contraste interventivo de alguém como Manuela Moura Guedes tão discutida mas indiscutível entre os seus pares, até por o jogo ser transmitido pela TVI…


Desfeita a feira, acabada a romaria, a mim voltou a ficar a sensação de a Lisboa aquilo nada trazer de relevante, o acontecimento ser tratado na Imprensa de forma desleixada, um “fait-divers” que se sente obrigada a respeitar (mas o Rascord não ofereceu mais papel extra para enxamear o fraco alcatrão…), e aos adeptos sobrarem sempre interrogações sobre porque raio se há-de jogar sempre ali, um local estranho e abandonado em que só a entrada VIP está ao nível da estrada que serve logo para dali sair?...

Jogador da Bancada - Época 2008/2009 - 49º e último Round

PS: Em comentário coloco os nomes dos jogadores que actuaram neste jogo e o treinador. Só necessitam de copiar, colar na vossa caixa de comentários e atribuir a vossa nota (de 0 a 10).

31 maio 2009

Jesualdo por mais dois anos


Jesualdo Ferreira continua como técnico do FCPorto por mais dois anos. O técnico anunciou na conferência de imprensa no final do jogo da taça que acabara de conquistar, que no dia do jogo com o Manchester United no Dragão selou um acordo com um aperto de mão com o presidente Pinto da Costa. Só amanhã serão tratados todos os pormenores do contrato.

PS: Actualização 11h00

FUTEBOL CLUBE DO PORTO - Futebol, SAD

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, de acordo com o artigo 248º nº1 do Código
dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que, após conversações havidas
com o técnico da sua equipa principal de futebol, Jesualdo Ferreira, foi encontrado
um acordo de princípio para prolongar o contrato de trabalho que o une a esta
sociedade, por mais duas épocas desportivas, ou seja, até 30 de Junho de 2011.
No entanto, este acordo não está ainda formalizado, nem tão pouco estão
estabelecidas as suas bases contratuais, o que se espera venha a acontecer nos
próximos dias.

O Conselho de Administração
Porto, 31 de Maio de 2009

In CMVM

14ª Taça, 6ª Dobradinha

Paços de Ferreira 0-1 FCPorto
Lisandro 6'
Equipa: Nuno, Fucile, Rolando, B. Alves, Cissokho, Fernando, R. Meireles, M. Gonzalez T. Costa 69'), Hulk (E. Farias 90'), Lisandro e C. Rodriguez (Guarin 88')


PARABENS CAMPEÕES E OBRIGADO POR MAIS ESTA ALEGRIA!!!