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31 maio 2009

Jesualdo por mais dois anos


Jesualdo Ferreira continua como técnico do FCPorto por mais dois anos. O técnico anunciou na conferência de imprensa no final do jogo da taça que acabara de conquistar, que no dia do jogo com o Manchester United no Dragão selou um acordo com um aperto de mão com o presidente Pinto da Costa. Só amanhã serão tratados todos os pormenores do contrato.

PS: Actualização 11h00

FUTEBOL CLUBE DO PORTO - Futebol, SAD

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, de acordo com o artigo 248º nº1 do Código
dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que, após conversações havidas
com o técnico da sua equipa principal de futebol, Jesualdo Ferreira, foi encontrado
um acordo de princípio para prolongar o contrato de trabalho que o une a esta
sociedade, por mais duas épocas desportivas, ou seja, até 30 de Junho de 2011.
No entanto, este acordo não está ainda formalizado, nem tão pouco estão
estabelecidas as suas bases contratuais, o que se espera venha a acontecer nos
próximos dias.

O Conselho de Administração
Porto, 31 de Maio de 2009

In CMVM

05 março 2009

A arte de construir

Tal como prometido neste texto debruçar-me-ei sobre o trabalho táctico que Jesualdo teve que fazer ao longo destes quase 3 anos que leva de clube e em que cumpriu totalmente com os objectivos pedidos pela direcção.

A parte de ter que defender o clube numa fase difícil, e a sua importância numa época atribulada do clube, já a deixei bem clara. Pela forma como ele defendeu o clube contra tudo e todos e numa fase em que mais prejudicados fomos em muitos anos, ele conseguiu ainda assim ganhar o campeonato. Só isso já torna Jesualdo se não um dos melhores treinadores pelo menos um dos mais importantes da história do clube pelas condições difíceis em que, teve que chegar, ver e vencer numa época que, mais que nunca, o clube tinha mesmo que provar a sua força no campo, por mais prejudicado que fosse.

O primeiro desafio táctico de Jesualdo no F.C. Porto.
Chegado ao F.C. Porto e ainda sem tempo de conhecer os cantos à casa, já Jesualdo tinha títulos para disputar, jogos importantes a ganhar e uma herança muito pesada.

Numa recente entrevista Carlos Queiroz dizia que era mais fácil herdar uma equipa sem resultados do que herdar resultados sem equipa. Não foi totalmente o caso de Jesualdo mas quase. Jesualdo herdou um grupo campeão com Adrianse mas uma herança táctica muito difícil de tornear e um plantel além do mais planificado para essa determinada táctica. Uma táctica totalmente desadequada e irrealista para o que é o futebol actual e os desafios que oferecem a alta competição. Uma equipa que jogava com 3 defesas, com uma mentalidade ofensiva sem dúvida mas perfeitamente lírica e muito pouco pragmática. Um treinador de escola holandesa que queria muitos golos mas que se esquecia que o equilíbrio de uma equipa para que possa atacar bem passa exactamente por ter uma retaguarda segura. E uma táctica que tinha outra condicionante. Extremamente dependente de um central que fosse muito veloz e capaz de não ser surpreendido com bola nas costas como era Pepe. Sem um só jogador e tendo no seu lugar um central mais lento já toda a estrutura defensiva ia por água abaixo.

Para além disso pedia-se a Jesualdo que restituísse o orgulho portista numa competição como a Champions. Sim muitos dizem que Jesualdo é medroso, nada sabe de táctica etc., etc.. Mas esquecem-se que com Adrianse fomos totalmente humilhados na champions. Últimos classificados no grupo e com direito a derrota humilhante em casa para o Artmedia.

Era isto o Porto de Adrianse. Capaz de dominar em Portugal porque efectivamente não havia equipas capazes de explorar a táctica de 3 defesas de Adrianse porque eram apanhadas de surpresa pela avalanche ofensiva e eram demasiado medrosas para explorar os enormes espaços que essa táctica permitia. Mas já nos jogos com equipas do mesmo calibre, com equipas grandes, Adrianse via-se e desejava-se para ganhar um jogo e o F.C. Porto com alguma sagacidade táctica era acessível a qualquer equipa minimamente grande.

Os que hoje criticam Jesualdo por quererem que a equipa fosse mais ofensiva e dominadora, lembrem-se que a de Adrianse, era ofensiva e dominadora... E depois perdia com o Artmedias...

Os números nos clássicos e jogos grandes
Na altura fomos campeões ganhando apenas um único clássico, em Alvalade e por 1-0 num jogo apertado. Perdemos em casa 2-0 com o Benfica já depois de termos perdido na Luz e com o Sporting. Aí sim dominávamos e atacávamos como loucos, mas nos jogos grandes era o que se via. E supostamente o Jesualdo é que é medroso e o Adrianse é que devia ser bom, pois ele era super ofensivo e adorava dominar os jogos.

O engraçado é ver agora gente a criticar Jesualdo quando ele neste ano já venceu o Sporting em Alvalade dando um banho de bola e não perdeu para o campeonato um único clássico, enquanto que Adrianse para o campeonato perdeu 3 clássicos e ganhou um. E ainda foi humilhado na champions. Mas como ganhou uma tacinha já acharam mais piada. Jesualdo que logo no seu 1º ano foi campeão e também só perdeu um clássico, para o Sporting em casa. De resto ganhou ao Benfica no Dragão e só não ganhou na Luz porque fomos prejudicados e depois de um grande jogo ainda vimos o Renteria mesmo no final a falhar um golo escandaloso que nos daria a merecida vitória.

Para terminar a contabilidade: no ano passado para além de batermos o record de número de pontos para o 2º e dizimar-mos totalmente a concorrência em Portugal, em termos de clássicos, o Porto de Jesualdo ganhou os dois jogos ao Benfica, ganhou ao Sporting um e perdeu outro. Ou seja, dá 3 vitórias e apenas uma derrota.

Adrianse o homem do domínio, da coragem, do futebol ofensivo, etc. ganhou apenas um clássico em Alvalade por 1-0 e perdeu outros 3. Uma vitória e 3 derrotas em clássicos fora as derrotas e empates com potências do futebol como Artmedia e Rangers na Europa e um humilhante 4º lugar atrás do Artmedia após sofrermos 3 golos deles em casa e perdermos no último jogo. Isto sim é ter ambição e ser ofensivo. Isto sim é o que todos deveríamos sonhar para o nosso clube...

Jesualdo “o medroso” o que não tem ambição e não sabe nada de futebol tem o seguinte balanço:
1ª época - 2 empates, uma derrota e uma vitória

2ª época - 3 vitórias (2 ao Benfica ainda por cima, o maior rival) e apenas uma derrota

3ª época (a presente) - Não perdeu um único clássico. 3 empates e uma vitória em Alvalade com um belo banho de bola. Nenhum dos dois candidatos ao título nos venceu.
E o Jesualdo é que se amedronta nos jogos grandes. Então comparem os seus resultados nos jogos grandes com os de Adrianse e a sua campanha na champions com a de Adrianse.

O regresso do F.C. Porto Europeu
Jesualdo devolveu a dignidade que o F.C. Porto merece na champions qualificando-o sempre para os oitavos tal como já a Adrianse era pedido e ele não cumpriu. O Professor não só cumpriu como ainda acrescentou dois inéditos primeiros lugares na fase de grupos na frente de equipas como Arsenal e Liverpool e excelentes exibições valorizando uma série de jogadores na grande montra do futebol que depois nos valeram grandes vendas. Caímos de pé com o Chelsea num grande jogo em Londres em que fomos traídos por um frango do Helton e ano passado todos os portistas sentiram que a eliminação para o Schalcke foi tremendamente injusta num jogo em que o Porto fez tudo para passar e o sorte virou-lhe a cara, num jogo em casa que vimos um guarda redes fazer a exibição da sua vida e uma equipa a ter a maior sorte que alguma vez terá.

Outra curiosidade é o de Jesualdo ser chamado de defensivo mas curiosamente as suas equipas marcaram mais golos que a de Adrianse. Teoria facilmente desmontada portanto essa do medo dos jogos grandes e da falta de ambição.

O que Jesualdo é, é um treinador equilibrado. Que sabe melhor do que ninguém que uma equipa tem que ter harmonia. Não pode ser nem só ataque, nem só defesa. Mais importante que pensar em marcar 3 ou 4 golos é importante tornar a equipa capaz de ganhar em qualquer campo mas também saber trancar o resultado quando assim é necessário e é algo que o próprio Mourinho faz.

O Primeiro ano

Na 1ª época Jesualdo pegou num grupo com sérios desequilíbrios e preparado para uma táctica capaz de vencer jogos a equipas pequenas da liga nacional, - equipas essas que já estariam agora mais preparadas para combater esse sistema - mas que claramente não servia os interesses do clube na Champions onde era imperioso fazer boa figura e assegurar um lugar entre as 16 melhores equipas da Europa para além de ser constrangedor a dificuldade em vencer jogos aos denominados 2 grandes para além do Porto.

Como tal, Jesualdo deu confiança total a um jogador então muito criticado pelos adeptos... Um tal de... Bruno Alves. Deu-lhe oportunidades, trabalhou-o tacticamente mas acima de tudo preparou-o melhor para que controlasse mais durante os jogos a sua impetuosidade e o seu tempo de entrada aproveitando no entanto o seu grande poderio físico para fazer uma forte dupla de centrais com Pepe que até então jogava sozinho no meio e voltou a adaptar-se para um sistema normal de dois centrais.

Mas Bruno Alves não foi o único jogador que Jesualdo fez crescer. Também Bosingwa que jogava na posição de defesa a descair para a direita na táctica dos 3 defesas e que pela sua velocidade era uma espécie de apaga fogos na defesa portista (até porque do lado esquerdo jogava um tal de Pedro Emanuel (curiosamente agora Jesualdo de vez em quando o coloca de lateral esquerdo numa missão de menor risco que a que Adrianse lhe colocava mas todos lhe caem em cima).

Bosingwa fixou-se então finalmente como lateral direito, aprimorando os cruzamentos, a sua grande pecha e tendo maior liberdade para fazer aquele louco vaivém no flanco direito permitindo a que o F.C. Porto jogasse num 4-3-3 dissimulado em que Quaresma podia se fixar na esquerda e desequilibrar desde aí com as suas trivelas enquanto que Bosingwa corria todo o flanco direito permitindo-nos jogar com um falso extremo que em situações ofensivas encostava no ponta de lança, ora fosse ele Lisandro ou até Hélder Postiga.

Com Jesualdo, Lisandro que com Adrianse era um jogador ainda meio perdido e claramente desenquadrado, batalhava mas encantava pouco. Com Jesualdo começou a ganhar um espaço próprio na equipa e a conhecer-se si mesmo e onde podia ser mais perigoso e efectivo para o jogo colectivo. Sim também foi Jesualdo que a certa altura na época seguinte o fixou a ponta de lança tornando-o o melhor marcador do campeonato e descobrindo o tal ponta de lança de qualidade pelo qual Adrianse queria gastar tanto dinheiro e afinal sem o saber já o tinha no seu próprio plantel.

Com Jesualdo volta uma táctica consistente e voltam os laterais. E pelo caminho no lançar de um grande Bosingwa ainda lança um tal de... Fucile. Um jogador que aparece no Porto e que ninguém conhecia de parte alguma e que Jesualdo trabalha e o aproveita para a equipa quando repara que Marek Cech não lhe dava garantias do lado esquerdo da defesa e aprimora e estimula a polivalência de Fucile que ainda hoje é tão importante quando há lesões, podendo ele cobrir bem quer um flanco, quer outro e tendo-se tornado naquilo que gostamos de chamar de “jogador à Porto”.

Pelo meio disto ainda teve a coragem de dar a titularidade a um pequeno fenómeno chamado... Anderson. Adrianse colocou-o na equipa B e nas suas entrevistas dizia coisas estapafúrdias como que via Anderson como defesa esquerdo ou Extremo esquerdo. Perderíamos nós e o futebol mundial um talento enorme para jogar no meio campo. Infelizmente para nós ele não pôde jogar tanto como gostaríamos, mas Jesualdo não teve medo em dar-lhe a batuta.

Dá para rir quando se fala de um Jesualdo defensivo. Nessa época o F.C. Porto chegou a jogar com um meio campo com: Raul Meireles, Lucho e Anderson. Lucho que actualmente é até o jogador mais avançado do meio campo do Porto, chegou a jogar até um pouco mais recuado numa espécie de 8 enquanto Meireles que agora joga mais ou menos nessa posição jogava de 6 sabendo-se do seu pendor ofensivo e Anderson era um 10. Se isto é defensivo... Infelizmente Jesualdo não pode desfrutar muito de Anderson e como tal mostrou a sua sagacidade táctica adaptando a equipa a jogar e a ganhar sem ele.

O F.C. Porto jogava um bom futebol e tinha uma estrutura equilibrada finalmente, coisa que não tinha no ano anterior e mesmo chegando já com o ano a correr e tendo que alterar todas as rotinas de um estranho 3-4-3 para um 4-3-3 em que eram essencialis as transições ofensivas e em que a filosofia nova de ter menos bola mas tornar essa posse mais produtiva e num ataque com processos mais directos e eficazes foi assimilado em pleno campeonato a decorrer com resultados a terem que ser apresentados.

O Porto no final acabou por se complicar fruto de algumas lesões de jogadores importantes e porque não dizer de algum relaxamento da equipa, e em que Jesualdo teve culpas também, como é óbvio, mas ele próprio estava em processo de crescimento e aprendizagem a uma nova realidade, a um novo clube e a novas exigências juntamente com a equipa. E totalmente desamparado pela direcção convém não esquecer.

A segunda época
Jesuado depois de finalmente ter deixado uma base do seu trabalho já sedimentada e assimilada pelo grupo, perde duas pedras importantes como Anderson e Pepe. Anderson que apesar da lesão era sem dúvida o jogador mais capaz na equipa de transportar jogo ofensivo desde o meio e de desempenhar a função 10, que tantas vezes a equipa se ressentia de não ter em alguns jogos.

Jesualdo perde dois craques e recebe um descarregamento de qualidade duvidosa: Farias, Mariano, Bollati, Stepanov, Lino, etc.. Na altura ouvindo várias criticas por ao contrário dos outros grandes não colocar muitos reforços em campo, aposta na sua estrutura já campeã. Ouve muitas críticas porque todos estavam ansiosos para ver aqueles grandes craques contratados. Mas Jesualdo sabia o que tinha. Alguns jogadores com algum talento como Luís Aguiar ou Fernando mas ainda muito verdes para serem trabalhados no F.C. Porto e a precisarem de rodar e outros já mais experientes como Farias e Mariano ou Lino que simplesmente não estavam ao nível da equipa campeã e teriam muitas dificuldades em apanhar o ritmo, e como tal teriam que ser lançados aos poucos.

Assim perdendo 2 jogadores importantes, encontrou as soluções para os seus problemas dentro do próprio grupo. Apostando no capitão Pedro Emanuel e assim resolvendo também um problema premente que era a saída de uma referência como Vítor Baía do grupo de trabalho, reforçando assim a posição do Pedro e potenciando ainda mais a ascensão de Bruno Alves na defesa em mais uma etapa no seu crescimento que seria poder aprender com a experiência de um jogador como Pedro Emanuel.

O problema de não ter um 10 pensou que se resolveria com Leandro Lima de quem se dizia maravilhas mas que afinal foi um barrete que nos enfiaram a todos os níveis. Assim sendo a solução passou por simplesmente deixar de ter um verdadeiro 10. Passamos a jogar com dois 8 que eram Lucho - numa posição mais adiantada e num estilo de jogo diferente e Meireles que já desde a lesão de Anderson gozava de maior liberdade na época anterior.

O meio campo funcionava com menor transporte de bola e explosão pela falta de Anderson mas compensava essa falha com uma maior liberdade dada a Quaresma de partir da esquerda para o meio e de Bosingwa de pelo flanco carrilar o jogo, deixando a Lucho o papel de cérebro na forma como geria os ritmos de jogo consoante interessava a equipa e sendo o autor do último passe que desposicionava defesas ao mesmo tempo que era o homem que aparecia de trás e surpreender para finalizar. Dava-se assim também chances a Meireles de aparecer mais na ajuda a Lucho na construção do jogo ofensivo. A linha do meio campo ficava mais junta e solidária na recuperação de bola e sem ter um vértice tão ofensivo como tinha quando jogava Anderson.

Deu ainda maior destaque a Paulo Assunção como pêndulo da equipa, senhor dos equilíbrios que dava assim maior liberdade ofensiva a Meireles e Lucho tal como em outros anos fazia Costinha com Maniche e Deco.

Apesar de á vista desarmada o plantel ser semelhante á época anterior, algo havia mudado. Já não havia Postiga e Adriano não era aposta porque supostamente Farias seria o grande ponta de lança que o Porto contratara. Como Jesualdo reparou que mais uma vez não lhe tinham dado bem o que ele pretendia, aí alterou mais uma vez rotinas de forma inteligente com a matéria prima que tinha á sua disposição, ainda do plantel que vinha de épocas anteriores.

Fixou Lisandro no meio, mostrando inteligência na forma como encontrou um espaço a Lisandro aonde este se tornou letal sem deixar de poder participar do jogo e aproveitou Tarik que todos nós pensávamos que nunca daria em nada já com uma idade para lá dos 30 e que com Jesualdo ainda fez um grande ano. Aí jogamos com um trio de ataque mais criativo, aberto pelas alas mas já sem o falso extremo da época anterior por falta de alternativas para esse estilo de jogo. Aí assumiu Lucho um papel diferente, algo que já Jesualdo havia feito de forma inteligente para substituir Anderson aquando da sua lesão.

Deu liberdade a Lucho para subir mais no terreno e aparecer ele como o elemento surpresa a finalizar vindo de trás e trocando uma organização de jogo em posse por uma em passe. Menos explosão menos transporte de bola, mas mais velocidade no passe e acima de tudo processos cada vez mais simples adaptando-se ás necessidades da equipa e á filosofia de Jesualdo de transições rápidas para o ataque que surpreendia os adversários e ainda por cima na champions podia ser fundamental para a obtenção do sucesso. O F.C. Porto tornava o campo para as outras equipas pequeno por uma excelente ocupação zonal e ao mesmo tempo era capaz de através de processos simples de 3 ou 4 toques na bola criar jogadas de perigo.

Tudo isto denota trabalho de treinador. Este tipo de automatismos demoram tempo a construir, requerem muita qualidade de treino e um modelo e projecto coerente apresentado aos jogadores de forma a que, estes o compreendam, o aceitem, integrem e trabalhem ao longo da época.

Criou então Jesualdo um trio fortíssimo no meio campo: Asssunção, Meireles e Lucho e descobria o ponta de lança que há anos procurávamos. Lisandro e ainda aproveitava recursos que já pensávamos perdidos como... Tarik. Tudo sem recorrer aos reforços comissionistas encomendados pela Sad para esse ano como possíveis grandes titulares da equipa.

Resolveu o problema mudando alguns aspectos da formula, alterando ligeiramente o desenho mas sem retirar as rotinas já criadas nem deitando fora o trabalho de um ano, acrescentando-lhe antes outros processos e fazendo com que a equipa crescesse ainda mais e se tornasse numa máquina de jogar futebol que dizimou a concorrência em Portugal e nos proporcionou bons jogos na champions e muitos elogios internacionalmente.

Isto demonstra coragem, ambição, capacidade e é indubitavelmente prova de um trabalho metódico, bem pensado e nada empírico. Isto é prova de que estamos perante um excelente treinador. Actualmente o melhor treinador português a seguir a Mourinho.

Epílogo
Como o texto já vai longo fica para o próximo texto o que para mim foi em termos tácticos o maior desafio de Jesualdo no Porto a seguir á sua 1ª época. O mais uma vez ter que lidar com perdas importantes. Desta vez e ainda mais. 3 figuras chave da equipa. E mais uma vez ter a capacidade de encontrar soluções e de construir uma equipa diferente, com outras características, mais jovem e em que teve que incorporar em plena competição jogadores com os quais ainda estava a trabalhar no laboratório de Gaia para renderem o que actualmente estão a render.

Tudo isto com uma massa associativa sem paciência e ansiosa para assobiar e deitar abaixo ao mínimo erro e esquecendo-se de que se trata de uma equipa bastante jovem a que temos este ano. Mas até nisto Jesualdo foi sábio. Quando todos anunciavam a desgraça após a derrota em Londres já Jesualdo pedia paciência para com a equipa, que tinha vários jovens e que a equipa não tinha outra forma que não fosse crescer em competição e que, esse dissabor fazia parte desse processo, era mais que normal que ainda tivesse que limar muitos aspectos e a equipa muito ainda tinha muito para crescer e os novos ainda estavam a adaptar-se ao que é o F.C. Porto. Mas já na altura dizia Jesualdo que havia vários jovens que então eram criticados assim como a equipa e que com o desenrrolar da época iriam crescer e na fase decisiva a equipa seria capaz de apresentar qualidade suficiente para lutar em todas as frentes e mais uma vez ser campeã.

Isto é de treinador.

03 novembro 2008

Mudança precisa-se, antes que o barco se afunde de vez

Todo o Portista vê que algo vai mal no nosso clube. E o mal vem de cima.

Não vou perder muito mais tempo a tentar vislumbrar as falhas tácticas do nosso treinador ou a alimentar o desgastado debate sobre as qualidades de alguns dos reforços. Vou apenas reafirmar que Mariano, Benitez, Bolatti e Farias estão a mais no plantel. Que para mim Sapunaru, Tomás Costa, Hulk, Rolando, Pelé e Guarin são bons reforços.

Também o eram Ibson, Fabiano e Seitaridis e nunca tiveram uma verdadeira hipótese de mostrar o que valiam. Foram assobiados e desmoralizados na primeira época de Dragão ao peito. Isso comprometeu a evolução de jogadores que hoje seriam titulares importantíssimos da nossa equipa. Precisam de ser trabalhados convenientemente e necessitam de tempo para evoluir tacticamente e minutos de jogo nas suas posições de origem. Como precisaram Bosingwa, Pepe e Bruno Alves.

Parece-me evidente que o Tomás Costa é um belo jogador que não pode voltar a perder minutos na posição de lateral esquerdo. E que Hulk é o único jogador capaz de desmoronar as defesas adversárias, na falta de um modelo de jogo conseguido que permita à equipa fazê-lo em conjunto. Poderoso, explosivo, muito forte no um para um, é um diamante por lapidar, muito verde tacticamente, que precisa de um treinador de nível mundial que o leve ao patamar que o Porto precisa.

Parece-me consensual que falta no plantel um defesa esquerdo com qualidade para actuar ao nível exigido a um habitué na Liga dos Campeões.

A equipa não tem bola, falta alguém com qualidade para a fazer circular no meio campo. O nosso miolo não tem explosão nem alguém que consiga esconder a bola quando precisamos de a guardar.

Estas são para mim as principais deficiências do plantel. Outros adeptos terão outras opiniões, mas penso que estas duas falhas são evidentes.

Estes problemas conduzem-nos para duas discussões. A incompetência e a falta de pulso gritantes do nosso treinador e a “indecência” que grassa na SAD do nosso clube.

A SAD
A nossa SAD não tem vergonha na cara. Nenhum Portista entende como é que uma terceira posição dá lugar a bonificações avultadas aos seus administradores. Não vou aqui escalpelizar o conhecido relatório e contas aprovado na passada semana, nem falar das ridículas gratificações que esses senhores recebem bem ao estilo “Wall Street”, aquando da chegada dos camiões de sul-americanos que não servem à equipa.

Nem vale a pena ir mais longe, só gente mal formada é que pode ter o desplante de apresentar um relatório com o passivo e as “bonificações salariais” decorrentes de falhanços desportivos (estamos a falar de uma colectividade desportiva). Parece mentira mas é verdade.

A nossa formação está de rastos. Já observámos uma dezena de jogadores oriundos das camadas jovens que não têm o mínimo de qualidade para integrar o plantel principal.

O projecto que deve em 2011 trazer frutos e ajudar ao rendimento do plantel principal é uma prioridade que demonstra que a visão do nosso Presidente não está tolhida. Antes pelo contrário.

Mas então o que se passa na SAD? Onde estão os homens como Reinaldo e Pinto da Costa? Onde estão os sucessores desta direcção? Onde está o sangue novo que precisa de se formar para preparar “a sucessão”? Vítor Baía não vai certamente poder fazer tudo sozinho.

O Treinador
Porque é que Jesualdo continua à frente do plantel?

As culpas das contratações têm forçosamente de ser repartidas entre SAD e treinador. O treinador deve ser o elemento primordial nas contratações, tal como o foram Adriaanse e Mourinho.

O melhor defesa esquerdo do Porto imagine-se é Leandro e nem está no plantel. Farias treina com equipa e Adriano vai para o desemprego? Ibson não tinha lugar neste plantel? Bolatti é-lhe superior?

Depois meus caros Portistas, é muito difícil avaliar a qualidade de um jogador quando a equipa não tem rumo, não tem fio de jogo, ninguém sabe o que fazer dentro do campo dado o deserto de ideias que é o nosso treinador. Disse aqui logo no princípio do campeonato que Jesualdo deveria procurar um sistema que se adaptasse às características dos jogadores que tem. Não o fez convenientemente. Agora tenta fazê-lo, tarde e a más horas. Sem capacidade para o fazer, está agora a destruir por completo a equipa. A confiança não existe e a desmoralização é quase anedótica.

Se queremos campanhas consistentes na Europa e um projecto a longo prazo, precisamos de um treinador de nível mundial, que não existe na velha guarda de treinadores do nosso país. Não é a ressuscitar fantasmas do passado ou antigos jogadores que vamos formar uma equipa vencedora. Esses ex-jogadores devem ser representantes da mística nas diferentes camadas e modalidades, mas nunca vão ser os gestores de um plantel ou os artífices das nossas próximas vitórias.

Tem a palavra o nosso Presidente.

17 outubro 2008

Mais alguns segredos do sucesso

a hegemonia do F.C. Porto no futebol português deve-se a um misto de «paixão, organização e espírito (...) o FC Porto tem sabido incutir, ao longo dos últimos anos, uma mentalidade vencedora, que leva os jogadores em campo a “irem até ao fim, acreditando sempre

Além do domínio das capacidades técnicas do jogo, é preciso, acima de tudo, uma grande paixão

embora a robustez física e atlética e o domínio dos princípios do jogo sejam muito importantes, só com o “sentir” se consegue alcançar uma grande capacidade competitiva.

Um jogador tem de saber fazer e saber pensar, o que implica o domínio dos princípios do jogo e das capacidades técnicas (...) no futebol moderno só se consegue estar 15 anos no top como Luís Figo com muito trabalho e grande cabeça

a construção de uma equipa exige, sobretudo, um discurso orientado para objectivos, tal está sempre presente no FCPorto. Quando eu olho para o nosso presidente [Pinto da Costa], vejo logo que há objectivos

a chamada táctica não é mais do que um conjunto de princípios a aplicar durante um jogo, com vista à vitória

é fundamental a cooperação entre todos os jogadores, já que cada um sabe a sua função e sabe qual é a dos outros

Um jogador tem, hoje, que ser muito forte para aguentar jogos de três em três dias, muitas vezes sob grande pressão e com recuperações incompletas do desgaste físico

Hoje um jogador não pode mentir, porque o computador diz-nos tudo sobre a forma como jogou (...) é preciso grande disciplina táctica em campo, já que, muitas vezes se joga em apenas 38 metros. Mais do que a arrumação da equipa em campo, é imprescindível que todos se desdobrem num sistema dinâmico, sendo uma “tanga” o modo de jogar em 4-3-3 ou 4-4-2."

Jesualdo Ferreira numa palestra em Braga intitulada "O corpo e a imagem"

27 maio 2008

Quem fala assim é Dragão

O título de campeão
Soube a pouco, mas os objectivos mais importantes, que eram ganhar o campeonato e chegar aos oitavos-de-final da Champions, foram conseguidos e por isso mesmo tenho de fazer um balanço muito positivo da temporada. Mas disse há poucos dias que acho que o FC Porto, quando parte para uma época, parte sempre com pelo menos três objectivos definidos: ser campeão, ganhar a Taça de Portugal e conseguir passar aos oitavos-de-final da Champions.

Fizemos um campeonato em que vencemos 80 por cento dos jogos. Na discussão com os nossos adversários directos - o Guimarães fez um grande campeonato, mas é um corpo estranho na discussão do título - ganhámos três e perdemos um. A questão, portanto, não se prende com aquilo que os adversários deixaram de fazer, mas sim com aquilo que nós fomos capazes de realizar. Mesmo que eles tivessem vencido 80 por cento dos jogos, tal como nós, teríamos sido campeões na mesma em virtude dos resultados alcançados no confronto directo.

Apito final
Terminámos o campeonato com 20 de avanço. Dêem as voltas que quiserem. Aliás, até achava giro que, quando fizessem as resenhas do campeonato, pusessem lá os 20 pontos e depois um asterisco: 'Descontaram seis'.

Não coloco sequer a possibilidade de não disputar uma prova para a qual nos apurámos com mérito. Finalmente, acredito que essa hipótese resultou apenas de mais um ataque cerrado ao FC Porto durante as últimas semanas para encobrir problemas de outros clubes.

Trabalhar no FCPorto
Acho difícil que um treinador tenha uma vida tranquila nesta casa. Mas o meu é um percurso que se divide também em três fases. No primeiro ano houve a dúvida sistemática sobre as minhas capacidades até ao final da temporada. No segundo ano, esclarecemos algumas dúvidas, mas persistiram outras em relação às coisas que não conseguimos ganhar. No terceiro ano vou entrar com mais credibilidade, mas também com algumas dúvidas que quero esclarecer definitivamente.

Sinto-me muito bem no FC Porto, não pensava vir para o FC Porto e muito menos pensava começar um terceiro ano no FC Porto. Mas, já agora, já que cá estou e gosto de cá estar, gostava de ficar por cá muitos anos.

Objectivos
O campeonato é o objectivo primordial neste clube. Queremos voltar a vencê-lo, de preferência com muitos pontos de vantagem. Ficou um registo de 20 pontos, porque para mim, para os jogadores e para o clube foram 20 pontos de vantagem e não os 14 que nos atribuem. Temos esses 20 pontos como objectivo a bater, temos os oitavos-de-final da Champions para ultrapassar e temos a Taça de Portugal para vencer.

O que falam dele
Se estou no tricampeão nacional, não posso ter um discurso pequenino e envergonhado. Houve coisas que sempre disse e ninguém quis escutar, mas que agora são ouvidas. Depois, é natural que o discurso seja mais veemente, quando se sente, constantemente, que o exterior não é leal em relação àquilo que conseguimos.

Os ataques ao FCPorto
Admito que todas as questões são discutíveis, mas colocar em causa tudo aquilo que o FC Porto conseguiu e consegue, utilizando sistematicamente os mesmos argumentos, dá a ideia de que vivemos numa floresta onde só há um lobo, e o resto são tudo ovelhinhas muito indefesas, quando o que há é uma série de lobos em pele de cordeiro. Ao fim destes anos todos, o FC Porto é o único mau da fita. Quando há dias me perguntaram se a perda de pontos pelo FC Porto na sequência do Apito Final vai mudar a face do futebol português, tive de dizer que não vai mudar nada, porque o futebol português nunca foi isso, e nunca foi por isso que o FC Porto ganhou. O futebol português só vai mudar no dia em que as pessoas com responsabilidades, a Liga, a FPF e o Governo, quiserem mudá-lo de facto e fazê-lo evoluir no sentido em que o FC Porto já evoluiu.

Quando o FC Porto foi campeão, nasceu imediatamente o castigo que implicava a perda de seis pontos. Mesmo assim, festejamos o campeonato com 14 pontos de avanço. Mais do que isso, desde esse momento e até ao final da temporada, mesmo com uma derrota frente ao Nacional, conseguimos aumentar essa vantagem em mais quatro pontos para o segundo. Depois, foram quatro semanas de ataque cerrado e ininterrupto ao FC Porto, com a introdução de uma polémica nova por semana, quase ao mesmo ritmo em que íamos aumentando a nossa vantagem para os perseguidores. Por muito que queiramos passar ao lado disso, há momentos em que é impossível não sentir essa pressão. Mais recentemente, foi o ataque maciço à exclusão do FC Porto da Champions. De tal forma que não há espaço para que, no meio do ruído, alguém atenda àquelas que são as nossas queixas legítimas.

Saídas
O FC Porto perdeu um jogador, que foi o Bosingwa. Está toda a gente à espera de ver quantos mais jogadores o FC Porto vai perder, e eu estou à espera de não perder mais nenhum. Mas temos um conjunto de jogadores que têm três campeonatos ganhos, e gerir esse sucesso nem sempre é fácil. Os jogadores têm ambições legítimas, e, nesse contexto, teremos de fazer uma avaliação muito clara e consciente do plantel para a próxima época. Teremos de fazer um esforço para manter a mesma estrutura que nos foi tão útil esta época e, dentro das capacidades financeiras do clube, encontrar jogadores que possam ser importantes.

Lucho foi dos melhores profissionais que encontrei, como jogador e como homem. Se o Lucho ficar no Porto, será seguramente mais forte do que foi na última época. Vai ser melhor ainda, não tenho nenhuma dúvida. Mas há questões que estão acima dos meus desejos.

Entradas
Em conjunto, estamos a tentar encontrar jogadores com o perfil do FC Porto, jogadores para determinadas posições e que o FC Porto tenha capacidade financeira para adquirir. São três questões fundamentais: perfil, capacidade de integração no modelo de jogo do FC Porto e capacidade financeira para os adquirir. O Tomás Costa está claramente dentro desse perfil, tal como está o Rolando, prevendo uma saída de um jogador dessa zona do terreno…

Esses jogadores [emprestados] foram acompanhados ao longo de toda a temporada, temos avaliações em nosso poder que terão importância nas decisões relativas à próxima temporada.

Um jogador tem de ter condições técnicas muito boas e alguns traços de natureza pessoal para poder estar aqui. Grande sentido profissional, grande empenhamento no trabalho de grupo da equipa, grande solidariedade e cumprimento de regras que vão para além das qualidades técnicas de cada um.

Quaresma
O Quaresma tem uma enorme capacidade e joga por cima das regras da equipa, e só há duas coisas a fazer num caso assim: se acho que ele é importante, mantenho-o na equipa; se acho que não é importante, tenho de tirá-lo. Ora, se não o tirei, é porque o acho importante. Foi importante para mim e para a equipa, e, se fizerem o levantamento dos últimos dois anos, vão perceber exactamente até que ponto ele foi importante. Agora, é evidente que nem sempre os jogadores conseguem ser tão influentes. O Lucho, no ano passado, não fez uma época tão boa como a actual, mas foi fundamental, e foi por isso que eu não o tirei, apesar de haver quem achasse que o devia ter feito. Este ano, o Quaresma aparentemente teve um rendimento inferior ao da última época, mas os números negam essa evidência e colocam-no como um dos jogadores mais influentes da equipa.

O sistema de jogo
Nunca disse que o meu sistema preferido é o 4-4-2. Disseram - e nunca desmenti, porque nem me interessava - que era esse o meu sistema favorito, mas não é verdade.

Entendo que o 4-3-3 com determinados jogadores é o sistema mais forte de todos. Se reparar nos clubes europeus, nas equipas de topo, andam todas dentro do mesmo estilo. O 4-4-2 clássico já acabou, e o 4-4-2 em losango apresenta uma teoria pouco consistente no que diz respeito aos equilíbrios e estrutura de uma equipa. O Liverpool joga neste momento em 4-3-3, os finalistas da Liga dos Campeões jogam em 4-3-3. É importante ter jogadores para potencializar o 4-3-3, caso contrário não o forço nem corro riscos. Com os jogadores que o FC Porto tem, as alternativas ao 4-3-3 não eram muitas. O FC Porto pode jogar em 4-4-2, apesar de esse não ser, para mim, o sistema mais importante. Nem acho que o 4-4-2 seja mais ofensivo do que o 4-3-3, nem o 3-4-3 é mais ofensivo. Quando cheguei ao FC Porto, deparei-me com esta situação: o sr. Adriaanse foi um treinador ofensivo, e a equipa marcou 54 golos em 34 jornadas. No meu primeiro ano, marquei 65 em 30, e este ano marquei 60 em 30.

Bruno Alves
Era bom que as pessoas fossem observar os cartões amarelos, as faltas que cometeu, as faltas que sofreu, e que percebessem que duas ou três jogadas polémicas não definem um jogador. Não foi assim que o seleccionador o viu, não foi assim que a UEFA o viu, e não foi assim que eu o vi. O Bruno atingiu um nível bom, porque, ao dominar melhor aquilo em que ele tinha mais dificuldades, que eram as técnicas defensivas, equilibrou-se emocionalmente e portanto, subiu como jogador.

O Sporting
Temos os nossos processos, o nosso sistema e a nossa filosofia e não fomos em nenhum momento uma equipa que se adaptasse ao adversário. Nenhuma equipa deixa de ter em atenção o facto de que joga contra alguém de forma a incluir no seu plano de jogo aquilo que o adversário faz, no sentido de não o deixar jogar e tirar vantagem desse facto. O que aconteceu foi um grande jogo em Alvalade, onde fomos muito melhores, mas fomos infelizes e não ganhámos; um jogo bom no Dragão, que vencemos com um lance que é discutido até hoje - nunca mais ouvi discutir o penálti que o senhor Bruno Paixão não marcou na final da Supertaça e provavelmente nunca mais vamos ouvir falar dos erros do senhor Benquerença na final da Taça de Portugal - mas fomos melhores nesses jogos. Na Supertaça, o jogo foi equilibrado e perdemos, na Taça o Sporting foi melhor e ganhou.

Acho que as melhores equipas, as equipas que ganham mais coisas importantes, são precisamente aquelas que resistem mais tempo em patamares elevados de rendimento. O FC Porto é uma dessas equipas. As equipas que pontualmente atingem picos ganham algumas eliminatórias, ganham alguns jogos, mas acabam por perder mais vezes e não vão ganhar títulos de rendimento constante.

Extractos da extensa entrevista dada por Jesualdo Ferreira a O Jogo

PS:Títulos da responsabilidade do administrador do blog.

02 abril 2008

«Esperamos festejar o título no sábado»

Palavra de Capitão

«Está um ambiente perfeitamente tranquilo no balneário, dentro de um trajecto que tínhamos perspectivado desde o início da época. Temos vindo a demonstrar tudo o que havíamos projectado e felizmente encontramo-nos em contagem decrescente para o concretizar do nosso objectivo, que é sermos Campeões.»

«É lógico que esperamos festejar o título no sábado. Sabemos que matematicamente isso é possível e vamos tentar fazê-lo, respeitando, é claro, a equipa do Estrela, atitude que temos, de resto, em relação a todos os nossos adversários, independentemente da prova.»

«O único cenário que temos em mente é garantir os três pontos no jogo de sábado e sagrarmo-nos Campeões, conquistando em definitivo o título pelo qual já ansiávamos há algum tempo. Queremos demonstrar dentro de campo que fomos e somos a melhor equipa desta competição e provar a todos o nosso valor.»

«Independentemente do que possa acontecer, tínhamos traçado um objectivo como sendo concretizável para o jogo frente ao Estrela da Amadora e é nele que pensamos. O balneário não se encontra minimamente incomodado com as notícias que têm sido publicadas. Temos vindo a desenvolver o nosso trabalho de uma forma consistente e as nossas conquistas estão aos olhos de todos.»

«Claro que nos vamos sentir Campeões se ganharmos ao Estrela. Estamos preparados para isso e sabemos que os adeptos partilham esse sentimento connosco, pelo que é natural que, com o estádio cheio e com a obtenção da vitória que lhes pretendemos oferecer, festejemos em conjunto a conquista do título.»

«A renovação do mister Jesualdo Ferreira traduzirá o reconhecimento pelo seu valor. Quem tem sucesso neste clube, tem a continuidade naturalmente prevista e é isso que o F.C. Porto pretende salvaguardar e que nós também já estávamos à espera».

«Temos feito um trabalho bastante válido e consistente e parece-me correcto por parte dos nossos adversários reconhecerem que o F.C. Porto realizou um trajecto intocável.»

In fcporto.pt

Como esperado - Jesualdo por mais um ano

"F.C. Porto e Jesualdo Ferreira renovam ligação de sucesso
O acordo estava assente e foi oficializado, ao início da tarde, no Estádio do Dragão. Jesualdo Ferreira prolongou o seu vínculo com os Dragões por uma época, tendo o reforço da condição ganhadora como objectivo desejado. Em nome da direcção azul e branca, Jorge Nuno Pinto da Costa fez questão de expressar a «alegria e confiança no futuro» portista sob o leme do técnico dos Dragões.

Renovadas as assinaturas que oficializam o prolongamento da ligação de sucesso encetada em 2006/07, foi a vez dos dois intervenientes expressarem de viva voz o contentamento pelo passo agora consumado."

In fcporto.pt

É impensável colocar em jogo o bom nome e a honra do clube

"Não sei qual é a estratégia definida pelo departamento jurídico do FC Porto em relação a este caso, mas, por muito tentadoras que sejam as alternativas, não consigo admitir como razoável outra opção que não seja a defesa até às últimas consequências e instâncias do bom nome e honra do clube. Jogadores como Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche, Deco, McCarthy e Alenitchev e um treinador como José Mourinho merecem pelo menos isso, que o FC Porto não admita que lhes belisquem o inegável mérito com que venceram o campeonato e a Liga dos Campeões de 2003/04."

Faço minhas as palavras de Jorge Maia hoje in "O Jogo"

12 março 2008

Renovar com Jesualdo

"O FC Porto não foi capaz de dar um passo em frente e, mais uma vez (a 3ª em quatro épocas), foi eliminado nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões (LC). Há duas maneiras de olhar para isto: uma é ficarmos satisfeitos, porque a equipa caiu de pé e o objectivo definido no início da época foi alcançado (ser uma das 16 equipas que ultrapassou a fase de grupos da LC); a outra é estarmos frustrados, porque toda a gente viu que o FC Porto é superior a este Schalke 04 (6º classificado do campeonato alemão, que nunca tinha sequer chegado a esta fase da LC) e, consequentemente, podíamos ter ido mais além.

Nestas alturas, é habitual apontar o dedo ao treinador derrotado. Mas, será culpa de Jesualdo Ferreira?

Sinceramente, não me parece. O onze inicial, o modelo de jogo e a forma como reagiu às várias adversidades – lesão de Bosingwa, expulsão de Fucile, necessidade de jogar mais 30 minutos com menos um, depois da equipa ter feito as despesas do jogo – , mostraram um treinador capaz, que soube manter uma equipa segura e equilibrada.

Pois, mas ao contrário da época passada, desta vez fomos eliminados por uma equipa que, futebolisticamente (que não em termos económicos), está longe do top 15 europeu. É verdade, mas o FC Porto foi sempre melhor e soube criar as oportunidades suficientes para resolver o jogo e a eliminatória. Não é culpa do treinador os falhanços incríveis de Tarik e Quaresma, pois não?

Um dos aspectos em que Jesualdo Ferreira é criticado por uma franja dos adeptos portistas é por não acrescentar valor e potenciar para patamares mais elevados o plantel que tem à sua disposição.

Evidentemente, Jesualdo não é Pedroto ou Mourinho, mas também aqui esta critica me parece algo exagerada, até porque saber tirar partido da matéria-prima (jogadores) existente é, por si só, um mérito que não lhe pode ser negado.

Olhando para o desempenho do FC Porto nas várias frentes em que esteve e está envolvido, o balanço continua a ser francamente positivo e é inquestionável que uma parte do mérito cabe ao treinador."
José Correia in Reflexão Portista

Aproveitando este texto do José Correia, que acaba por reflectir a minha opinião, e apesar de haver de parte a parte indicações de que a renovação será uma realidade, lanço de qualquer forma uma questão na Opinião da Bancada que parece ainda não ser totalmente consensual para os portistas:

O FCPorto deverá renovar com Jesualdo Ferreira?
Sim
Só se conseguir a dobradinha
Não

16 agosto 2007

Um ano de Jesualdo

Esta semana, faz um ano que Jesualdo Ferreira se tornou treinador do FCPorto, depois de ter deixado uma boa imagem em Braga e de ter trocado o Boavista por uma oportunidade única, quiçá a melhor, na sua carreira já longa de treinador.

Depois de ter realizado uma pré-temporada conturbada, e na ressaca da conquista da 15ª Supertaça Cândido de Oliveira, sob o comando de Rui Barros, o FCPorto apresentava Jesualdo Ferreira, como, mais uma, aposta pessoal do presidente Pinto da Costa, para ser capaz de levar os Dragões ao bicampeonato.

Jesualdo Ferreira porém tinha uma missão ainda mais difícil, necessitava de, a curto prazo, conhecer mais sucintamente o plantel que dispunha, e que não fora escolhido por ele, de mudar um sistema de jogo com o qual não concordava, e no meio disso tudo, teria de ganhar.

Unicamente de ganhar, porque esse, foi, é, e sempre será, o único pensamento dos adeptos portistas e terá que ser o único pensamento de quem o serve.

Depois de uma primeira jornada em que manteve o mesmo sistema herdado de Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira, aproveitando uma paragem para jogos da selecção, mudou radicalmente o sistema de jogo, com total êxito. Acabava o reinado do 3x3x4, nascia o calculismo do 4x3x3.

A qualidade, a solidariedade e o empenho dos seus atletas foi a sua maior base de trabalho, alicerçando uma primeira volta excelente, com apenas um empate e uma derrota, as exibições condiziam com os resultados e tudo se proporcionava para uma segunda volta tranquila.

Por diversos motivos, isso não aconteceu, o mês de Janeiro foi péssimo, a imagem deixada contra o Chelsea foi positiva mas a eliminação na Taça de Portugal contra o Atlético abriu brechas na confiança dos adeptos, a partir daí o FCPorto partiu para uma caminhada cheia de solavancos mas vitoriosa conseguindo o objectivo principal, a conquista do bicampeonato .

Jesualdo Ferreira viria a ser coroado, pela 1ª vez na sua carreira, campeão nacional, conseguindo fazer um trabalho positivo, mas não isento de erros, nem de alguns factos negativos.

Nova época, maiores exigências

Na preparação da época 2007/2008, Jesualdo Ferreira pediu, à sua Administração, jogadores robustos para o meio campo de forma a dar um pouco mais de consistência física ao seu futebol ,querendo impor mais pujança naquele sector importante .

Reformulou o plantel, equilibrando-o e escolhendo jogadores polivalentes para mudanças de sistema, ao longo da época, se necessitar.


Podemos dizer que este será mesmo o ano mais importante da carreira de Jesualdo Ferreira, os olhos, sempre exigentes, dos adeptos portistas estarão todos virados para si e não haverá mais espaços para desculpas, Jesualdo fez e refez o plantel como quis, e teve a confiança pública do seu presidente, que parece não querer repetir a sua "ausência" da época passada deixando a ideia de que era um treinador sozinho.

No primeiro teste falhou claramente, apesar de outros condicionantes, tais como o árbitro e a falta de sorte, a sua equipa desiludiu, apresentando um futebol demasiado calculista para uma equipa com os pergaminhos do FCPorto, e o espaço de manobra entre os adeptos diminuiu um pouco.

No entanto, a época ainda agora começou, ainda faltará muito para jogar, mas Jesualdo Ferreira terá de ter consciência de que esta época é a sua oportunidade de, definitivamente, se impor como um grande treinador ou então será sempre visto como apenas mais um que o FCPorto fez campeão.


Jesualdo efectuou pelo FCPorto 40 jogos, tendo 25 vitórias, 6 empates e 9 derrotas, com um gool-average de 76 golos marcados e 30 sofridos.

17 julho 2007

A questão física e o mito do mosquito

"Qual é, afinal, o melhor ponto de partida para construir uma equipa de futebol? o primeiro objectivo de Jesualdo para seu segundo projecto no FC Porto já ficou claro. aumentar a dimensão física do meio-campo. Fará sentido esta prioridade?

Os jogos de preparação ainda não começaram, fala-se da troca do 4x3x3 pelo 4x4x2, mas o primeiro objectivo de Jesualdo para seu segundo projecto no FC Porto já ficou claro: aumentar a dimensão física do meio-campo. Dar-lhe maior robustez atlética e capacidade de choque. Percebeu-se isso ao ouvir Jesualdo falar do novo reforço argentino, o trinco gigante Bolatti (1,89m.). “Tem características físicas muito fortes e boas para o futebol europeu. Agora tem de fazer uma progressão táctica para se adaptar”. O principal motivo foi, pois, a sua capacidade física. Tacticamente, ainda tem muito que aprender. Ao mesmo tempo, adquiriu outro gigante para o sector, o polaco Kazmierczack (1,91m.) Se jogarem os dois, em vez de Assunção (1,73m.) e Raul Meireles (1,79m.) –antigos donos das posições- o sector ganha muitos centímetros em altura e ainda mais em músculo.

Mas, faz sentido esta prioridade dada à dimensão física na composição do novo meio-campo do FC Porto? Se pensarmos no duelo contra o meio-campo de aço do Chelsea e recordarmos como na primeira vez em que Ibson (1,77m.) dividiu uma bola com Ballack (1,89m.) foi, acto continuo, após o choque, projectado a mais de um metro, ficando caído, a resposta é sim. Se nos lembrarmos dos melhores momentos do FC Porto, mesmo nesse jogo, foi quando conseguiu ter a bola e trocá-la, com velocidade e técnica, rente á relva, a resposta é não.

Dirão que o bom futebol será sempre uma mistura dos dois, mas basta um olhar para as equipas que mandam hoje na Europa, para se perceber qual deles dita verdadeiramente as leis. O físico, claramente. No meio dele, pode ás vezes existir um Messi ou um Quaresma para derrubar esse castelo físico, mas as palavras que definam, no geral, o sexto sentido desses grandes choques internacionais, estão sempre relacionadas com músculo e a táctica. É o que Jesualdo pretende para o seu FC Porto. Reforçar, em peso e, depois, em número, a composição do seu meio-campo. Assim, poderá alternar, com consistência, entre o 4x3x3 e o 4x4x2.

Neste processo de construção do novo FC Porto, a saída de Pepe representa, no entanto, muito mais do que o seu mero peso e altura. Em ternos de posicionamento em campo, ela pode ser antes medida em comprimento. A presença de Pepe representava, por si só, 20/25 metros de terreno. Espaço que a equipa utilizava para subir no terreno.

Sem Pepe, o onze não poderá, por natureza, defender tão alto, pois perdeu o jogador que melhor colmatava o risco desse adiantamento, tal a forma como ia, com a sua passada larga em velocidade, buscar as bolas longas que o adversário lhe podia meter nas costas. O bloco (distância entre a linha defensiva e ofensiva) arrisca-se, assim, a ficar mais baixo. Isto é, mais perto da área.

Mas será que a capacidade física de uma equipa é, assim, tão quantificável? Lembro-me muitas vezes de uma história que contava Ardiles, franzino argentino dos anos 70/ 80. Era tão franzino que lhe chamavam mosquito. Pois bem, uma vez, quando foi à Alemanha, assustou-se ao ter de defrontar Bonhof. Seria 1,69 m. contra 1,82. Andou dias quase sem comer. Até que, antes do jogo, lhe mostraram, de forma descriminada, os dados dos últimos cinco jogos feitos por cada um deles. Quilómetros percorridos, roubos e transportes de bola, passes certos, remates, e qual dos dois durante os 90 minutos parara mais tempo para descansar. Os dados eram implacáveis. Ardiles estava por cima em todos os pontos, menos no último. Abriu um sorriso no seu rosto narigudo quando viu os números e partir daí subia ao relvado sempre convencido que podia comer o mundo. E comia.

No futebol, tudo o que é quantificável tem hoje muita importância para um treinador. No fundo, ele, com esses dados, consegue tornar o jogo menos imprevisível. Consegue prever como ocupar o espaço, no ar e em comprimento. Desenha o jogo na mente e dá-lhe os contornos físicos desejáveis. Depois é uma questão de gerir ritmos. Falta, porém, a técnica. E a posse de bola que só índice técnico pode dar com qualidade. O edifício de uma equipa de futebol, afinal, é quase como uma obra de engenharia."

Luís Freitas Lobo in Planeta Futebol

09 julho 2007

Primeiras impressões

1ª conferência de imprensa da época

"Foi uma semana dura, os jogadores estão cansados e procurámos fomentar algum reforço muscular. O trabalho é contínuo e sem fugir das
estruturas que o clube tem, uma equipa base que foi campeã. O jogo com o Tourizense foi apenas um treino, cujo objectivo era permitir mais minutos de trabalho, neste caso já com questões de natureza táctica. Terminou bem a primeira fase de trabalho e o estágio na Holanda terá características diferentes, de natureza táctica e com o objectivo de subida gradual de forma."

"Não faz sentido estar a falar neste momento de situações que não são definitivas. Para já é este o grupo de jogadores que vai para a Holanda e esperamos, para encerrar as perguntas seguintes, que até ao dia da primeira competição, a 11 de Agosto, possamos ter praticamente definido do plantel."

"Porque é que falam da saída de Quaresma e Lucho? Podem ser outros. Pepe, Bosingwa... O FC Porto foi campeão nacional, fez uma boa Liga dos Campeões e os seus jogadores saíram fortemente valorizados. Mas o FC Porto tem capacidade para poder resolver questões que venham a colocar-se, de saídas."


"Antes que me façam a pergunta, gostaria de dizer que este é o plantel do FC Porto, como era no ano passado, e não é o plantel do Jesualdo Ferreira, como também diziam que na época passada era o plantel de Co Adriaanse."


"Definimos uma filosofia quanto à política de aquisições, respeitando uma concepção clara que existe no clube. O que vamos fazer é operacionalizar tudo isso. A equipa mantém a estrutura base, com excepção do Anderson, e por isso é sobre ela que vamos trabalhar. Aquilo que perspectivámos em relação ao mercado, e aos nosso objectivos, está a ser cumprido."


"Há jogadores com contrato, preocupações financeiras, estratégias definidas do ponto de vista global do clube e um conjunto de situações que não são alteradas porque se pretende. Há que seguir as regras e os princípios,
que o FC Porto tem. Não podemos nem sequer dizer que temos o plantel definido, porque não temos cá todos os jogadores. Faltam-nos jogadores."

"O sistema de jogo, para mim, não é uma preocupação, nem sequer é um objectivo definido e claro. O que pretendemos é que todos os jogadores do FC Porto entendam cada vez melhor o jogo, dando-lhe uma dimensão mais forte com as suas qualidades renovadas e mais fortes. É possível que o FC Porto jogue em 4-4-2, é muito possível que jogue em 4-3-3. A equipa vai partir desse sistema táctico. Mas estar a dizer-vos agora que o FC Porto vai jogar de uma maneira ou de outra, não é uma prioridade para mim."

"Qualquer saída de um jogador com qualidade significa uma perda importante. Não é só o Anderson, é qualquer jogador. Esse é o ciclo do futebol e toda a gente começa a adaptar-se rapidamente a essas grandes alterações que houve nos últimos anos. E essas alterações vão ser, na minha opinião, ainda mais visíveis no futuro."

"Há um capitão, que é o Pedro Emanuel. O FC Porto vai ter referências, não só do ponto de vista das figuras como das lideranças que tem de ter. Neste momento o capitão é o Pedro Emanuel."

"O FC Porto tem um número grande de jogadores referenciados e não é o Rossi que neste momento pode originar essa pergunta [se o clube está interessado em Rossi]. São tantos. Fernando Baiano? Se eu respondesse sobre esse, perguntavam depois por outros. Não há resposta para isso"

"Qualquer um deles quer ser mais forte, quer ser campeão e quer manter o prestígio e as ambições que um clube grande tem. Acredito que o Sporting e o Benfica, tal como o FC Porto, vão ser os candidatos ao título. Há indicadores de que podem fazer trajectórias idênticas às do ano passado, podendo lutar pelo título até ao fim"

1ª Vitória da época

FCPorto 6-3 Tourizense
Adriano, Quaresma, Hélder Postiga, Luís Aguiar (2) e Edgar

Equipas do FCPorto
Primeira parte: Nuno, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves e Cech; Paulo Assunção, Raul Meireles e Jorginho; Lisandro Lopez, Adriano e Quaresma

Segunda parte: Ruca, João Paulo, Pedro Emanuel e Lino; Bolatti (Fernando), Kazmierczak e Luís Aguiar; Tarik (Rui Pedro), Edgar, Hélder Postiga e Renteria

06 julho 2007

4-3-3 ou 4-4-2?

Mesmo sabendo que o plantel não está fechado, mas assumindo que pelo menos estes jogadores ficarão no plantel, proponho aos Portistas de Bancada que tentem imaginar o FCPorto nos dois esquemas tácticos que serão com toda a certeza os mais utilizados na próxima época.

4-3-3
Sobre este esquema pouco haverá a dizer, já que o FCPorto poderá usar praticamente a mesma equipa que foi bi-campeã, dado que apenas saiu Anderson, com a diferença que agora existem mais opções para o meio campo, portanto seria até caso para dizer que ainda estamos melhor.

O grande problema é que mesmo depois de tantas contratações efectuadas, extremos de raiz continuam a existir poucos, apenas se saudando (ou não, depende da opinião de cada um) nesse aspecto o regresso de Tarik que terá servido apenas para colmatar a saída de Alan.

4-4-2
Adaptando o plantel ao esquema preferido de Jesualdo Ferreira, salta desde logo à vista o facto de Quaresma poder não se encaixar nele. Mas será mesmo assim? Apesar de ser um avançado, num esquema em losango no meio campo, como o que utilizei aqui, ou mesmo com todas as variações possíveis que um esquema com quatro jogadores no miolo pode ter, Quaresma poderá dar o seu contributo em várias posições, além de que poderá ser o colega do ponta-de-lança, variando para qualquer lado do ataque, aliás como se chegou a ver na época transacta. No entanto fica a grande questão: não perderá Quaresma todo o seu fulgor se não jogar apenas nas alas como no esquema usado pelo bi-campeão?

Outra questão que se pode colocar em relação a este esquema é, por exemplo, se terá Leandro Lima o valor suficiente para ser o jogador influente no ataque que é necessário a um nº10 num esquema destes. Não o coloquei a titular porque não o conheço bem o suficiente, é novo em Portugal, sujeito a todas adaptações necessários, tanto ao futebol, como ao país, etc., tal como Luís Aguiar, e assim sendo, e presumindo que ficará no plantel, Jorginho é ainda o jogador que naquela posição tem mais condições para se sair melhor. Já agora fica outra questão, não seria Ibson um excelente elemento para enriquecer o meio campo neste esquema?

Na frente de ataque requerem-se avançados mais móveis e além da opção de um ponta-de-lança mais fixo (Adriano?) juntamente com Quaresma, a opção pela dupla Lisandro ao lado de Adriano seria a que daria mais garantias.

Para quem acha que um esquema destes é mais defensivo, eu relembro que normalmente os defesas laterais tem mais liberdade de ataque já que a defesa tem mais protecção dos médios, funcionando os laterais muito mais vezes como extremos, assim sendo Lino, como lateral ofensivo que dizem ser, ganharia o lugar a Fucille.

Jesualdo Ferreira saberá melhor que ninguém o que fazer com este plantel. Cada adversário determinará até qual o esquema a ser escolhido, mas por enquanto têm a palavra os Portistas de Bancada.

Nota: As minhas opções como titulares (a azul mais claro) não serão necessariamente e como é óbvio as escolhidas pelo treinador ou por outros Portistas de Bancada. São apenas meras escolhas mediante o que tenho visto ou lido sobre os jogadores e que se baseiam apenas no senso comum, assim como os possíveis substitutos (a azul mais escuro).

28 junho 2007

O próximo FCP

"Como será o FC Porto depois de absorvidos os reforços já contratados ou em vias disso? É uma pergunta a que o próprio Jesualdo Ferreira talvez não gostasse de responder sem antes abrir os embrulhos, mas nem por isso será difícil dar-lhe resposta. Começando por Lino, que qualquer adepto atento terá visto jogar na Académica, o novo FC Porto disporá de um defesa-esquerdo teoricamente mais habilitado para atacar e, como sempre nestes casos, sujeito à orfandade a que os laterais estão entregues nos clubes grandes. Se não souber desenrascar-se sozinho, nada feito; se souber, depende da primeira ocasião em que o esqueça.

Salvaguarda a diferença de grau, para cima ou para baixo, ter Bolatti será em tudo como era ter Costinha: nas duas áreas e no caminho dos despejos, ali pelo meio-campo. Kazmierczak é senhor de duas características em falta: a estatura e o pé esquerdo, sendo que Anderson emprestou este último no pouco que jogou em 2006/07 e Jesualdo foi remendando as ocasiões que achou importantes com Cech. O remate de meia-distância, supondo-se que discutirá a vaga com Raul Meireles, não é um acrescento tão óbvio, mas, dos dois, foi ele quem marcou mais golos de fora da área esta época.

Do que se escreveu sobre Luís Aguiar, ressalta a habilidade para os livres directos, outro recurso inexistente no FC Porto, e a insinuação de que poderá cair para qualquer das alas. Neste ponto, uma pequena ajuda ao raciocínio: dispensando Alan e Vieirinha, Jesualdo não perde os extremos; perde os substitutos dos substitutos dos extremos.

A idade é o principal dado a respeito de Leandro Lima. Se for titular do FC Porto com 19 anos, será forçosamente a estrela da equipa, porque o expectável é que não entre de imediato nestas contas. Ainda assim, é o dez que chega melhor recomendado, mas só um grande jogador pega numa equipa por esse lado tão difícil com aquela idade. Edgar é do mesmo escalão etário, mas com uma diferença: tenha vinte anos ou trinta, medirá sempre um metro e noventa e começa por ser esse o seu contributo para a diferença no FC Porto 2007/08.

Os reforços ideais
«Queremos jogadores mais robustos do ponto de vista físico e mental»
Jesualdo Ferreira, em entrevista a O JOGO "

José Manuel Ribeiro in O Jogo

Plantel 2007/2008 - Ponto da situação

Legenda:
Azul mais escuro - jogadores que não deverão ficar no plantel ou que terão sido dados como dispensáveis.
# - jogadores dados como entradas no plantel, mas que o FCPorto ainda não oficializou.