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18 julho 2009

Cissokho no Lyon e mais 15 milhões no FCPorto


Cissokho no Lyon por 15 milhões de Euros

A FC Porto – Futebol, SAD comunicou este sábado a cedência dos direitos desportivos de Aly Cissokho, ao Lyon pelo valor de 15 milhões de Euros.

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a acordo com o Olympique de Lyon para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Cissokho pelo preço de 15 milhões de euros.

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD garantiu ainda 20% da mais valia que o Olympique de Lyon vier a obter como resultado duma eventual transferência do jogador.

Mais se informa que o jogador já foi aprovado nos exames clínicos a que foi sujeito.

O Conselho de Administração
Porto, 18 de Julho de 2009
In fcporto.pt

15 julho 2009

Falcao a chegar ao Dragão

FC Porto anuncia acordo por Falcao

A FC Porto – Futebol, SAD anunciou ter chegado a um acordo de princípio com o River Plate para a aquisição dos direitos desportivos do Radamel Falcao, avançado internacional pela Colômbia.

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem comunicar, nos termos e para os efeitos do art. 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, ter chegado a um principio de acordo com o River Plate, para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Falcao.

Esta aquisição foi realizada pelo montante de 3.930.000 € (três milhões novecentos e trinta mil euros) sendo que a Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD adquiriu 60% dos direitos económicos do jogador.

Informa-se ainda que o jogador acordou com a sociedade um contrato válido para as próximas 4 temporadas, ou seja, até 30 de Junho de 2013.

Mais se informa que o acordo relativo a esta transferência será formalizado assim que o atleta concluir os exames clínicos a que se vai submeter.

O Conselho de Administração

Porto, 15 de Julho de 2009
In fcporto.pt

29 dezembro 2008

Um conto de Natal

Há muitos, muitos anos, no tempo em que ainda não era notícia o Benfica liderar o campeonato, em que o Mundo era todo a preto-e-branco e a Velha Senhora afinal era um senhor, o Natal era uma época de paz e comunhão entre os homens de boa vontade.

Depois veio o consumismo e estragou tudo.

Agora nunca estamos satisfeitos com nada. Estamos sempre à espera do último modelo de LCD com HDMI, do último modelo de GTI com ABS, do último modelo de MP4 com DIVX, ou, pura e simplesmente, da última modelo da Elite Top Models para podermos trocar as tralhas velhas e gastas que temos lá por casa desde o último Natal.

O futebol não escapa à vertigem.

Os adeptos já estão fartos do guarda-redes, do central, do médio e do avançado do ano passado. Querem modelos novos em folha, altos e espadaúdos, com pés esquerdos assassinos e pés direitos letais, velocidade supersónica e técnica apurada como um molho de francesinha.
Querem-nos com todo o potencial que encerram as coisas novas e desconhecidas e sem o desencanto das coisas velhas e gastas.

E vão tê-los, apenas para perceberem que se gastam num instante e que precisam de ser trocados outra vez. O mais tardar no Verão.

Jorge Maia in O Jogo

16 dezembro 2008

Uma história de Hulk

Hulk chegou ao FC Porto vindo do Japão por 5.5 milhões de euros, quantia que comprou apenas metade do passe que estava na posse do empresário Juan Figger ou de um clube ligado a ele. Mas o jogador brasileiro queria mesmo vir para o Dragão, onde chegou a treinar ainda com 16 anos, e por isso os portistas conseguiram o seu concurso - ele fez mesmo questão de voltar ignorando outras propostas mais vantajosas. E ele já tinha um grande contrato no Japão, note-se.

Mas há uma história sobre Hulk ainda não contada em Portugal, porque o Verdy Tokyo, que era o clube em que ele jogava, chegou a pagar uma soma importante por Hulk e, afinal, ficou sem nada. O FC Porto parece não ter nada a ver com isso mas o clube de Tóquio queixa-se amargamente de ter sido enganado, embora um dos seus directores tenha sido provavelmente conivente com a suposta marosca.

Mas Hulk, como me diz um amigo meu japonês, era mesmo um fenómeno e levou literalmente sozinho o Tokyo Verdy da II à I Divisão japonesa e era já uma grande estrela - tanto que nem conseguia sair à rua em certas partes da capital japonesa, porque era logo assediado pelos adeptos. Por isso o clube se queixa tanto, mas até ver não conseguiu nada porque o velho uruguaio Juan Figger é um empresário de grandes meios e grandes poderes. Há mais de 20 anos, recordo, emprestou ele Casagrande ao FC Porto, por seis meses, na época em que o clube conquistou a sua primeira Taça dos Campeões Europeus (1987).

Hulk é um jogador singular, tanto que às vezes joga mesmo... sozinho. Era um pouco assim no Tokyo Verdy, onde os colegas lhe agradeciam que resolvesse as coisas. E ele resolvia. No FC Porto é um pouco diferente, como se compreende, mas já conquistou o seu espaço. Falta conquistar um lugar, mas para quem tem 22 anos isso não é o mais importante. A certeza com que eu fico é que quando Jesualdo Ferreira acertar o 4-4-2 com Hulk e Lisandro a entenderem-se na frente, essa dupla é fortíssima em tudo - rapidez, força, disponibilidade física e, sobretudo, remate à baliza.

Manuel Querioz in De Trivela - RTP

04 dezembro 2008

Campeões...

Vitor Baía - Formar campeões
É alarmante ver que as equipas grandes estão a esquecer o jogador português

A formação do Sporting é realmente competente, mas nasceu em virtude do clube falhar muitas contratações. É o resultado de uma gestão menos acertada. Tem sido uma excelente escola, mas que peca por não aproveitar os jogadores que forma e que acabam muitas vezes por ser aproveitados noutros clubes, nomeadamente no F.C. Porto mas isso são questões do foro interno dos clubes.

No F.C. Porto estamos a trabalhar para formar jovens de forma a poder integrá-los depois no plantel principal. Estamos trabalhar de forma sustentada e segura, num projecto a longo prazo, até para combater a redução de meios financeiros no futuro

A educação desportiva no F.C. Porto quando se é jovem passa por fortalecer os laços de ligação ao clube e a diferença de tratamento na imprensa fomenta a própria mística. Trata-se até de uma forma de motivar os miúdos e fazê-los crescer mentalmente. Enquanto jogador notava muito a diferença de tratamento, mas espero que não mude.

Hulk - Garra de Campeão
Procuro jogar o meu futebol. O povo fala que sou um jogador guloso, mas o treinador ainda não me puxou as orelhas. É sinal de que estou a fazer o trabalho certo.

Não há individualismo, é sempre trabalho para a equipa. Todos querem dar o máximo. Por vezes um jogador não toma a decisão certa durante a partida, mas são coisas que acontecem no futebol.

Um jogador tem de estar bem, tem de pensar em tentar levar sempre a bola para a frente, pois pode aparecer uma oportunidade no último minuto.

A adaptação tem sido boa. Eu conhecia o F.C. Porto, mas não conhecia os jogadores, nunca tinha trabalhado com eles. Com as semanas de trabalho, com os jogos, penso que melhorei bastante.

Gosto de jogar ao lado de Lisandro. É um grande jogador, tem velocidade, técnica e experiência. Foi o melhor marcador da época passada. No entanto, independentemente de quem joga, todos querem dar o máximo.

[Com o V. Setúbal] Sabemos que vai ser difícil. Empataram com o Benfica. Foi um bom resultado para nós, mas temos de pensar sobretudo em fazer o nosso trabalho, ganhar os nossos jogos para chegar à liderança da Liga. Faltam três jogos para a paragem da Liga e queremos vencer os três. Não vai ser fácil, porque contra o F.C. Porto os adversários dão sempre o máximo.

O 12º jogador também tem sido importante. Tem apoiado bastante, ainda agora esteve muita gente frente à Académica e só desejo que continuem assim. É um jogador a mais para ajudar o F.C. Porto.

Não tenho meta de golos para esta época. Quero trabalhar e aproveitar as oportunidades para ajudar o F.C. Porto a alcançar o seu principal objectivo, ou seja, ser campeão.

O cansaço pesa, mas com vontade tudo se supera e com a vontade de vencer que o grupo tem demonstrado, podemos triunfar nos cinco jogos que faltam até ao final do ano. Na Liga, temos de pensar nos nossos jogos, em fazer a nossa parte, porque o resto não depende só do F.C. Porto

Liga intercalar - FCPorto Campeão de Inverno

20 novembro 2008

Prestígio...

...de Vítor Baía

"Vítor Baía, antigo jogador do F.C. Porto e actual director de relações externas do clube, vai ser distinguido pela Confederação do Desporto de Portugal com o prémio «alto prestígio».

Para além do ex-guarda-redes, o prémio será também entregue à selecção portuguesa de hóquei em patins que conquistou o primeiro título mundial, em 1947. O galardão vai ser entregue a Correia dos Santos, único elemento dessa equipa que ainda é vivo.

Os prémios serão entregues na Gala do Desporto, que se realiza esta quinta-feira no Casino Estoril, e que vai estar subordinada ao tema «amor à camisola»."
In maisfutebol

...do Portistas da Bancada


Não é todos os dias que se atingem números destes de páginas vistas num blog:

E isto em pouco mais de dois anos, o que para mim é deveras prestigiante.

Mais uma vez, só tenho de agradecer a todos os Portistas que enchem esta Bancada.

Acho que é hora de dizerem de vossa justiça: o que acham deste blog? Digam o que está bem, o que podia estar melhor, o que está mal, o que deveria estar e não está, o que está e não deveria estar, etc. A caixa de comentários é toda vossa, aliás, como sempre foi.

Obrigado a todos.

17 outubro 2008

Mais alguns segredos do sucesso

a hegemonia do F.C. Porto no futebol português deve-se a um misto de «paixão, organização e espírito (...) o FC Porto tem sabido incutir, ao longo dos últimos anos, uma mentalidade vencedora, que leva os jogadores em campo a “irem até ao fim, acreditando sempre

Além do domínio das capacidades técnicas do jogo, é preciso, acima de tudo, uma grande paixão

embora a robustez física e atlética e o domínio dos princípios do jogo sejam muito importantes, só com o “sentir” se consegue alcançar uma grande capacidade competitiva.

Um jogador tem de saber fazer e saber pensar, o que implica o domínio dos princípios do jogo e das capacidades técnicas (...) no futebol moderno só se consegue estar 15 anos no top como Luís Figo com muito trabalho e grande cabeça

a construção de uma equipa exige, sobretudo, um discurso orientado para objectivos, tal está sempre presente no FCPorto. Quando eu olho para o nosso presidente [Pinto da Costa], vejo logo que há objectivos

a chamada táctica não é mais do que um conjunto de princípios a aplicar durante um jogo, com vista à vitória

é fundamental a cooperação entre todos os jogadores, já que cada um sabe a sua função e sabe qual é a dos outros

Um jogador tem, hoje, que ser muito forte para aguentar jogos de três em três dias, muitas vezes sob grande pressão e com recuperações incompletas do desgaste físico

Hoje um jogador não pode mentir, porque o computador diz-nos tudo sobre a forma como jogou (...) é preciso grande disciplina táctica em campo, já que, muitas vezes se joga em apenas 38 metros. Mais do que a arrumação da equipa em campo, é imprescindível que todos se desdobrem num sistema dinâmico, sendo uma “tanga” o modo de jogar em 4-3-3 ou 4-4-2."

Jesualdo Ferreira numa palestra em Braga intitulada "O corpo e a imagem"

01 setembro 2008

Sai Quaresma, entra Pélé (oficial)

Comunicado da F.C. Porto - Futebol, SAD

A F.C. Porto – Futebol, SAD anunciou este domingo ter chegado a um acordo de princípio para a transferência de Quaresma para o Inter de Milão e para o ingresso de Pelé no F.C. Porto. O negócio pode atingir os 30,6 milhões de Euros.


COMUNICADO


A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo de princípio com o Inter de Milão para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Ricardo Quaresma.


O acordo foi fixado em 24,6 milhões de euros e prevê o recebimento de 18,6 milhões de euros, ao qual acrescerá o valor de 6 milhões de euros, resultante da aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Pelé. Este atleta irá celebrar um contrato desportivo com a F.C.Porto – Futebol, SAD o qual será válido por um período ainda a definir.


O valor global a receber por esta transferência poderá atingir os 30,6 milhões de euros, dependendo da performance desportiva do atleta Ricardo Quaresma e do próprio clube que irá representar, Inter de Milão, durante as próximas 3 épocas desportivas.


Mais se informa que a formalização final deste acordo está dependente da celebração dos contratos de trabalho dos atletas supra referidos com os respectivos clubes e da conclusão dos exames clínicos a que se irão submeter.


O Conselho de Administração


Porto, 31 de Agosto de 2008


In FCPorto.pt

31 julho 2008

Quanto vale Quaresma?

"Quaresma não é um campeão. É um driblador. Quando está num dia bom, enerva muita gente. Mas, normalmente, não faz a diferença. Quando era novo, parecia um campeão, mas hoje em dia é apenas um bom jogador."
Arrigo Sachi (antigo seleccionador italiano) in Gazzetta dello Sport

Opiniões
Arrigo Sacchi nunca treinou Ricardo Quaresma. Que me lembre, nunca treinou uma equipa que tenha jogado contra o extremo do FC Porto e não treina actualmente nenhuma equipa interessada na sua contratação. Não tem absolutamente nenhuma ligação com o jogador do FC Porto e tudo o que sabe dele é o que terá visto pela televisão. O que terá levado, então, o antigo treinador italiano, a dar a sua opinião sobre o extremo portista, especialmente uma opinião tão radicalmente negativa? Nem sequer vale a pena enumerar a quantidade de opiniões diametralmente opostas à de Arrigo Sacchi que ao longo das últimas temporadas Quaresma foi justificando. Nem sequer vale a pena recordar que Marcelo Lippi, para citar apenas o exemplo de outro reputado treinador italiano, o considerou um dos seus jogadores favoritos. Afinal, opiniões, tal como chapéus, há muitas e muito diferentes umas das outras. O que me faz confusão é que a opinião de Sacchi, tão profunda e acentuadamente negativa, surja de forma tão oportuna nesta altura, quando FC Porto e Inter mantêm um braço-de-ferro sobre o valor de uma eventual transferência do jogador. Afinal, uma opinião tão profundamente negativa sobre Quaresma servirá apenas para desvalorizá-lo, o que, na situação actual, parece servir apenas os interesses do Inter de Milão, que passou as últimas semanas a tentar fazer baixar o preço do extremo portista. Ora, se o Inter não conseguiu fazer baixar a fasquia estabelecida pelos portistas para admitir negociar o extremo, não será a opinião de Sacchi a fazê-lo. O que não impede o italiano de ter sido desagradável. Desnecessariamente desagradável.
Jorge Maia in O Jogo

Para Arrigo Sachi parece que Quaresma não valerá muito. Para o Inter de Milão, parece valer menos de 25 Milhões de Euros. Para Pinto da Costa valerá perto de 40 Milhões, sendo que nas negociações a SAD poderá baixar algo.

Mas as principais questões são: quanto vale Ricardo Quaresma para os adeptos? E para a equipa?

29 julho 2008

O Novo Plantel


Foi bom jogar contra uma equipa de grande porte físico como o Celtic. E foi isso que mais me ficou na retina no jogo de apresentação: temos uma equipa muito mais forte fisicamente do que na época passada. Isso e os livres do Lino.

Se Quaresma ficar, e se Jesualdo o conseguir motivar para estar ao seu melhor nível (o que não acontece desde há um ano), temos um plantel de luxo. Mais forte do que o da época passada em muitos aspectos.

Mas, para estar ao nível dos melhores na Europa, temos problemas a resolver e muita coisa para
melhorar.

1- O Guarín ainda não é um trinco. Estou a ver que o Jesualdo quer fazer dele um trinco, mas não sei quanto tempo isso levará.

Guarín é um jogador muito potente e com muita técnica. Mete a bola onde quer, vai ao choque e é agressivo a atacar. Mas não tem posicionamento defensivo para jogar a trinco. Foi facilmente ultrapassado por várias vezes em zona recuada do meio campo. Está inadaptado naquela posição. Esperemos para ver no que ‘a coisa vai dar’ com o aumento de confiança e entrosamento. Como diziam em França, "um diamante em bruto".


2- Sapunaru, é um grande reforço. Muito forte fisicamente, quando embalado é quase impossivel de travar. Sabe conduzir a bola e aparece com muito perigo na área nos lances de bola parada, a fazer valer o seu porte físico e o seu bom jogo de cabeça. A nossa superioridade na primeira parte foi tal que defensivamente não foi possivel descortinar grande coisa.

3- Rodriguez, é outro grande reforço. Um verdadeiro jogador de equipa. Explosivo e com bom drible, muito trabalhador na recuperação. Faz um trabalho constante de pressão alta com Lisandro que vai dar muitas dores de cabeça aos adversários.


4- Tomás Costa, nunca pôde verdadeiramente jogar na sua posição e não acho útil andar a fazer perder minutos de jogo em outras posições do terreno que não a de médio volante ou a de trinco. Para além de ser tempo perdido não é bom para a moral do jogador, que nunca consegue actuar ao seu nível. Trata bem a bola e conduz o jogo com passada larga. Parece-me muito bom jogador.

5- Fernando, sabe transportar a bola e armar jogo. Adaptar-se-á mais rápidamente à posição de trinco do que qualquer outro jogador. Sinceramente, não entendo porque jogou tão pouco tempo. Especialmente quando Jesualdo resolveu dar minutos ao inadaptado Bolatti, que nunca será o pêndulo de que o Porto precisa.

6- Rolando, não teve muito trabalho e defensivamente esteve bem. Mas nota-se ainda, uma forma de jogar à “equipa do meio tabela”, quando sai para o ataque. Principalmente nos lançamentos longos. Com tempo, provavelmente fará a dupla de centrais com Bruno Alves.

7- Benitez. Uma contratação para o banco. Espero que se revele mais útil do que Mariano, Bolatti e Farias. Infelizmente estes dois últimos foram ainda mais caros. Tudo jogadores que nada acrescentam e pior, tapam o lugar a outros que tendo sido mais baratos ou formados no clube nunca terão assim uma oportunidade para mostrar o seu valor.

Os dois principais problemas
A posição de trinco
Já todos sabemos, é especialmente difícil avaliar o real valor de jogadores que para além de não jogarem nas suas posições de origem, jogam num sistema pouco ou mal trabalhado por Jesualdo como é o 4-4-2.


Se calhar, se Bolatti jogasse no habitual sistema e com os habituais titulares faria um jogo melhor. Se calhar, se Tomás Costa jogasse a trinco com os habituais titulares faria um bom jogo. Provavelmente será assim que o Guarín irá evoluir, já que
parece que Fernando não terá muita sorte. O que é facto é que temos um problema para resolver nessa zona decisiva do terreno. Será que, não querendo Jesualdo utilizar Fernando, não seria melhor soltar Guarín e experimentar Meireles a 6? Será que o professor terá coragem para criar todos esses novos automatismos entre Guarín, Lucho e Meireles? Ou achará que haverá demasiado a reaprender? Ele é que trabalha com eles todos os dias. Ele é que sabe.

A falta de profundidade ofensiva
Para mim este é um problema que já vem da época passada. No ínicio da época valeu-nos São Quaresma a colmatar aquilo que os automatismos de ataque (ou a falta deles) não resolviam. Este problema desvaneceu-se com a grande época de Lisandro e a sua adaptação (ou re-adaptação) à posição de ponta de lança.

Este ano, enquanto Lisandro não readquirir a forma necessária, vamos sofrer do mesmo mal. Este problema é mais visivel quando a equipa passa a jogar com dois avançados. Farías não tem porte físico para dar profundidade à equipa. Esta era a posição que precisava de um reforço de ‘peso’. Espero que Hulk seja o jogador que tanto precisamos e que assim nos tornemos numa equipa mais fléxivel e com mais soluções.

24 julho 2008

Incrível...

Mas assim não deixa de ser surpresa?!

Acho estranho o jornal O Jogo estragar assim a festa do Dragão. A não ser que o homem se transforme como no filme.

Das duas uma, ou Pinto da Costa falou mais que aquilo que devia, ao anunciar uma grande surpresa, e o jornal O Jogo está a preparar os adeptos (parece-me ser o mais certo) ou então esta não será a real surpresa anunciada.

O melhor mesmo, e depois de tantos e tantos nomes falados, é esperar até à apresentação do próximo sábado.

14 julho 2008

A bola já rola na Alemanha


Desde a passada sexta-feira que o FCPorto já se encontra instalado no Klosterpforte Hotel situado em Marienfeld, localidade alemã escolhida pelos responsáveis do clube, onde a equipa encontrou o sossego e as condições necessárias para apurar o físico nestas sempre puxadas pré-temporadas. Curiosamente o mesmo hotel onde a selecção portuguesa ficou instalada aquando do mundial da Alemanha de há dois anos.

Para a Alemanha seguiram os seguintes jogadores:
Guarda-Redes
Helton; Nuno Espirito Santo; Ventura

Defesas
Jorge Fucile; Bruno Alves; Stepanov; Rolando; Pedro Emanuel; Nelson Benítez; Lino; Cristian Sapunaru

Médios
Mario Bolatti; Tengarrinha; Fernando; Lucho Gonzalez; Tomás Costa; Freddy Guarín; Raul Meireles

Avançados
Ricardo Quaresma; Tarik Sektioui; Mariano Gonzalez; Cristian Rodríguez; Candeias; Lisandro Lopez; Ernesto Farías e Alan

Já na passada semana o FCPorto tinha realizado e goleado o Ribeirão num jogo treino à porta fechada no centro de treinos do Olival por oito a zero e ontem voltou a jogar e a golear uma equipa vizinha da vila alemã que recebeu os tri-campeões portugueses por quatro a um, desta feita num jogo a que todos poderam assistir em Gutersloh contra a equipa local e em que o FCPorto ainda não contou com os jogadores internacionais que se apresentaram no estágio no fim da passada semana.

Ficha do jogo contra a equipa alemã:
FC Gutersloh 1 - 4 FC Porto

Equipa: Ventura, Jorge Fucile, Pedro Emanuel, Rolando, Nelson Benítez, Mário Bolatti, Lucho Gonzalez, Tomás Costa, Candeias, Ernesto Farías e Mariano Gonzalez

Jogaram ainda: Hélton, Lino, Tengarrinha, Fernando e Alan

Golos do FCPorto: Heeinrich (PB), Ernesto Farias, Lucho Gonzalez e Lino

Agenda de jogos para o resto da Pré-Temporada:
16 de Julho > FCPorto - PAOK
18 de Julho > Hannover 96 - FCPorto
20 de Julho > Bochum - FCPorto
26 de Julho > FCPorto - Celtic (Jogo de Apresentação)
1 e 3 de Agosto > Torneio da Cidade de Braga (Equipas: SC Braga, Leixões e Cagliari)
10 de Agosto > FCPorto - Lázio

Início da época 2008/2009:
16 de Agosto > FCPorto - Sporting (Supertaça)(Estádio do Algarve)
24 de Agosto > FCPorto - Belenenses (1º Jogo do Campeonato)

21 junho 2008

Come e não chora

"O FC Porto acertou a contratação de Cristian Rodríguez, que era esperado em Lisboa a qualquer momento para conversar com Rui Costa e fechar um acordo com o Benfica, onde jogou, por empréstimo, na última época.

Segundo apurou O JOGO, as negociações dos portistas com o representante de Rodríguez - ou "Cebola", como também é conhecido - já duravam há algumas semanas, tendo sido fechadas ontem em Milão, numa investida rápida que incluiu a passagem pelo consulado português daquela cidade italiana para oficializar o contrato. Além do Benfica, os dragões ultrapassaram a concorrência de clubes italianos e franceses, que também estavam interessados no uruguaio, de 22 anos. Completa 23 em Setembro. "

In O Jogo


Mais uma vez, o clube da luz comido de cebolada. De ir às lágrimas.

E será que vem o Miccoli? Até seria interessante para o 4-4-2 de Jesualdo ao lado do Licha.

Relembro também esta notícia da passada semana:
"Katso" anuncia desejo de sair
Katsouranis admitiu ontem, pela primeira vez, o seu desejo de deixar a Luz. Tal como O JOGO adiantou em primeira mão, o internacional grego está descontente no Benfica, e, nesta altura, nem o aumento salarial recebido em Setembro do ano passado - passou a auferir 950 mil euros/ano, sendo um dos mais pagos do plantel encarnado - refreia a vontade de sair. Rui Costa tem feito um esforço para motivar o jogador com o novo projecto encarnado, mas certo é que o camisola 8 está mais inclinado para a porta de saída.
In O Jogo
Alguém poderá chorar bem mais.

07 junho 2008

Mais um...


... título para Baía

Finalmente alguém ou algo relacionado com o FCPorto irá merecer o devido reconhecimento da presidência da republica e isto depois desta receber e condecorar perdedores, como foi o caso da selecção portuguesa segunda classificada no último europeu, tendo ao mesmo tempo esquecido o campeão
europeu de clubes desse mesmo ano de 2004 e que tanto prestígio deu ao futebol português pelo mundo fora.

Vitor Baía foi o eleito e irá receber o seu primeiro título depois de ter terminado a sua belíssima carreira. O jogador mais titulado do mundo, agora
Director de Relações Externas do FC Porto, irá ser distinguido no próximo 10 de Junho pelo presidente da republica, desta vez com o Título de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, entrando para um restrito lote de jogadores que já possuem essa condecoração, como são, por exemplo, Eusébio e Luís Figo.

Este título, mais um para Baía, é atribuído como uma distinção que premeia a prestação de serviços relevantes a Portugal, seja no próprio país, seja no estrangeiro. Todos nós, portistas, já o tinhamos reconhecido como uma bandeira do FCPorto e de Portugal pelo mundo inteiro, faltava, finalmente, o devido reconhecimento da nação. Parabéns Vitor Baía.

... jogador do FCPorto na selecção

"Nuno Espírito Santo a caminho da Suíça

Portugal actuou de acordo com os regulamentos e solicitou à UEFA a substituição do guarda-redes Quim que contraiu uma fractura num punho no treino de ontem, portanto antes do início do Euro 2008 e chamou para o substituir Nuno Espírito Santo, guardião do FC Porto, que viajará amanhã de manhã para a Suíça. No jogo de hoje, frente à Turquia, estará no banco de suplentes o jovem guarda-redes do Sporting, Rui Patrício."

In O Jogo

Em relação à selecção de Portugal deixo uma curiosidade. Com a inclusão do Nuno, o número de jogadores que são ou já foram do FCPorto são 11 e dariam para fazer a seguinte equipa:

02 junho 2008

Postiga sai, Quaresma quer sair


"Postiga transfere-se do F.C. Porto para... o Sporting
Hélder Postiga é reforço do Sporting, para as próximas três épocas, com mais uma de opção. O avançado do F.C. Porto, que esteve emprestado ao Panathinaikos, vai actuar num dos eternos rivais dos portistas, numa transferência que custará aos leões dois milhões e meio de euros, revelam os dois clubes através da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

Os comunicados apontam ainda que, no caso de Postiga se transferir para outro clube, os portistas terão direito a 50 por cento do montante. Se o Sporting quiser fazer «extinguir o direito de crédito futuro» terá de pagar mais dois milhões e meio de euros. A cláusula de rescisão está fixada em 20 milhões de euros.

O negócio envolve ainda a transferência de Diogo Viana, das camadas jovens do Sporting, para os escalões de formação do F.C. Porto. No entanto, os leões mantêm 50 por cento do passe do jovem atleta.

F.C. Porto: «Acho que está na hora de sair», diz Quaresma
Ricardo Quaresma diz que está na hora de sair do F.C. Porto. O extremo assumiu a sua vontade em Viseu, após o encontro entre Portugal e a Geórgia.

«Em Portugal, acho que já fiz o que tinha a fazer e está na hora de sair», afirmou Quaresma, lembrando que sempre disse que queria voltar a um grande clube estrangeiro, depois de ter representado o Barcelona, e repetindo a ideia: «Penso que está na hora.»

Questionado sobre as dúvidas do F.C. Porto na Liga dos Campeões, face ao processo Apito Final, o extremo disse que o clube está a tratar disso. «Tenho de pensar na selecção, nesta altura. Não estou preocupado, o F.C. Porto tem responsáveis a tratar disso. Depois do Europeu logo se vê onde vou jogar.»"

In MaisFutebol

PS: 300.000 visitas num blog é sempre um número a assinalar. Obrigado a todos.

29 maio 2008

Comunicados

Comunicado da F.C. Porto – Futebol, SAD I

"O médio Paulo Assunção informou a F.C. Porto – Futebol, SAD que deixará a equipa azul e branca já no final desta temporada. Leia o comunicado da sociedade portista na íntegra.

COMUNICADO

O jogador Paulo Assunção informou a Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD que põe termo, sem justa causa, ao contrato de trabalho desportivo que o liga a esta sociedade. Esta medida tem efeitos já no final da época em curso.

A comunicação de Paulo Assunção foi efectuada nos termos do Artigo 17º das «Regulations on the status and transfer of player», aprovadas pelo Comité Executivo da FIFA.

Porto, 29 de Maio de 2008"


Comunicado da F.C. Porto – Futebol, SAD II

"A F.C. Porto – Futebol, SAD emitiu esta quinta-feira um comunicado, no qual anuncia ter sido notificada pela UEFA sobre um processo disciplinar relativo à UEFA Champions League 2008/09.

COMUNICADO II

A F.C. Porto – Futebol, SAD foi hoje notificada, pelos serviços disciplinares da UEFA, da abertura de um procedimento disciplinar tendente à verificação das condições de admissibilidade da equipa principal desta sociedade na UEFA Champions League, edição 2008/09.

Na mesma notificação, a F.C. Porto – Futebol, SAD foi informada que poderá pronunciar-se sobre o referido assunto até ao próximo dia 3 de Junho e que o Órgão de Controlo de Disciplina da UEFA tomará uma decisão, em primeira instância, a 4 de Junho.

Apesar deste procedimento da UEFA, a F.C. Porto – Futebol, SAD reitera a confiança nos argumentos que já tornou públicos e na força da razão que lhe assiste.

Leia o Comunicado na íntegra

Porto, 29 de Maio de 2008"

In fcporto.pt

08 maio 2008

Quaresma: O problema de uma época, o desafio de uma carreira

É muito fácil encontrar montagens fantásticas de Quaresma na internet. Na realidade, haverá poucos jogadores no futebol actual a quem são dedicadas tantas compilações, de jogos, épocas, carreira, anos, etc. O motivo é simples, Quaresma é dos jogadores mais espectaculares do futebol mundial da actualidade e se aqui em Portugal vamos estando habituados, lá fora a pergunta que se faz recorrentemente é como é possível este jogador não estar num grande da Europa? Pessoalmente sempre fui um apreciador das qualidades fantásticas do jogador, que penso ser um daqueles que marcam uma época em Portugal por serem, simplesmente, bons demais para o que o campeonato lhes exige, tendo sido a principal figura dos dois campeonatos anteriores. Há, no entanto, uma mudança nesse estatuto no campeonato 07/08, onde Quaresma não foi a peça que mais marcou o triunfo portista. O porquê está, na minha opinião, numa alteração táctica que Jesualdo introduziu no seu ataque em 07/08 e que, apesar de beneficiar o colectivo, acabou por prejudicar aquela que era a grande referência da equipa, precisamente Ricardo Quaresma.

05/06

Começando pelo inicio do tri: 05/06. As nuances tácticas de Adriaanse, com 3 ou 4 defesas, nunca puseram em causa o posicionamento de Quaresma. A opção era por extremos fixos e Quaresma era, à direita ou à esquerda, sempre um deles. Um aspecto que foi na altura muito realçado foi a exigência para que Quaresma defendesse, e por motivos óbvios, especialmente quando havia apenas 3 defesas. É verdade que essa exigência era feita ao jogador mas não me parece que tivesse merecido tanto realce. Fazer um recuo ou acompanhamento defensivo não requer grande evolução táctica ou comportamental, apenas um pouco mais de esforço físico e atenção que facilmente pode ser correspondida. A exigência, essa, viria em 07/08 e tem a ver com o aspecto decisional, mas já lá vamos...

06/07
Em 06/07 chegou Jesualdo e depressa reformulou o modelo. 4-3-3 “à Braga”, com particular destaque dado ao “craque” da equipa: Quaresma. É que, ao contrário do que acontecia com Adriaanse, Quaresma ficou com menor sobrecarga defe
nsiva. Esse papel era muitas vezes desempenhado pelas basculações do trio de meio campo – afinal é para isso que serve a zona! – ficando Quaresma com a responsabilidade de se manter sempre aberto, para que a sua qualidade individual fosse a referência da principal arma da equipa, a transição ofensiva. O Porto nesse ano não era uma equipa simétrica. Lucho era mais móvel do que Meireles e Lisandro tinha uma missão diferente da de Quaresma, fazendo uso das suas diagonais. Nesse Porto, não estranhou por isso que a equipa sentisse a ausência dos seus extremos. Quaresma – principalmente ele – porque a sua qualidade era altamente relevante e referência dos tais movimentos colectivos, não havendo outro no plantel. E Lisandro, porque a sua ausência significava a entrada de Alan ou Vieirinha, extremos que jogam mais junto à linha e que tornavam a equipa mais previsível. Entre outros motivos, a ausência e quebra de forma de Quaresma e a lesão de Lisandro foram, por tudo isto, as principais explicações para a quebra de rendimento na segunda metade de 05/06.

07/08

Se nas épocas anteriores, e independentemente dos modelos, Quaresma havia sido sempre utilizado junto à linha, 07/08 mostraria outra realidade que foi tomando corpo progressivamente ao longo da época, e que foi fruto de uma alteração em alguns princípios ofensivos. Tudo começa na frente. Sem um 9 que realmente apreciasse, Jesualdo utilizou Lisandro e, para tirar partido das suas características, deu outra mobilidade ao seu ataque. Primeiro, “puxou” Lucho para uma zona mais ofensiva, tornando-o num jogador com funções claramente diferentes das de Meireles. Hoje, vê-se Lucho a iniciar muitas vezes as jogadas perto dos centrais contrários, esperando o tempo certo para “baixar” e criar uma linha de passe à construção. Com isto, Lisandro pode mais vezes sair da zona central, fazendo apelo à sua mobilidade. A subida de Lucho, forçou, por outro lado, um papel mais vigilante de Meireles que tem de estar pronto para aparecer na segunda linha do pressing (que, diga-se, passou a ser mais alto fundamentalmente pelas novas funções de Lucho).
Para Tarik, a novidade individual da época, foi dada uma liberdade para vaguear no espaço entre linhas, abrindo espaço para o “super sónico” Bosingwa – outro dos jogadores que estas alterações favoreceram. De tudo isto sobra Quaresma que, à semelhança do resto dos seus colegas também teria de se apresentar mais móvel, aparecendo noutras zonas, mais recuadas e interiores. Se estas alterações, tornaram o Porto numa equipa mais difícil de controlar, tirando maior partido das qualidades de Lisandro, Lucho (sobretudo estes) e Bosingwa, no caso de Quaresma sucedeu o contrário...

O grande desafio
Sem ter o trabalho de rever todas as actuações de Quaresma, basta reparar nas tais compilações que encantam meio mundo. Remates, trivelas, cruzamentos ou dribles aparecem, com raras excepções em jogadas a partir de posições exteriores. Habituado
a receber e encarar de frente a marcação, com a vantagem de ter as linhas como um limite fixo e fiável para os seus dribles largos, o processo de decisão de Quaresma está “moldado” para a linha e é lá que ele é mais perigoso. A exigência de vir ao espaço entre linhas faz com que receba a bola com demasiada gente em seu redor, com que os seus dribles passem a estar vulneráveis a dobras que nem sempre consegue controlar e com que o dilema entre a trivela e o remate interior deixe de ser um problema para os defensores. Quaresma tem tentado, igualmente, tornar-se mais participativo na construção, vindo atrás para receber jogo mas, aí mais uma vez, o seu processo de decisão revela-se inadequado. Habituado a ter uma equipa atrás dele, os seus passes ignoram o risco em busca de um desequilíbrio que defina um jogo. Na fase de construção, obviamente, essa não é a realidade e as suas perdas de bola tornam-se uma ameaça séria para a equipa.

Independentemente de considerar que esta exigência não retira o melhor de Quaresma, e que o jogador deve sempre ser potenciado junto à linha, há algo de extraordinariamente importante na evolução que Quaresma possa ter no seu comportamento em espaços distantes da linha. É que o Quaresma de hoje apenas pode ser utilizado junto à linha, quase à margem da restante equipa que, naturalmente, se terá de adaptar a ele. Ora numa grande equipa (das grandes ligas europeias, entenda-se), repleta de outras estrelas até mais relevantes, Quaresma terá de ser capaz de aparecer noutros espaços, revelando um processo de decisão diferente daquele que tem junto à linha. Esse é um problema que, na minha opinião, se coloca já na formulação do modelo da Selecção para o Euro (estou curiosíssimo para ver o que vai fazer Scolari!) e, claro, definirá até que nível Quaresma poderá chegar. Afinal, e pegando noutro exemplo, foi em grande parte essa capacidade que distinguiu Luis Figo de outros extremos talentosos que nunca atingiram a sua projecção.

Filipe in Jogo Directo

27 março 2008

Um Galgo do Futebol Moderno

Corria o defeso da temporada 2003/04. O FC Porto preparava uma temporada que se iria revelar memorável, com a consagração de melhor clube da Europa. Com José Mourinho ao leme dos azuis-e-brancos, e depois de uma temporada que havia culminado com a conquista da dobradinha a nível nacional e da Taça UEFA a nível europeu, os olhos estavam colocados na administração portista, e na forma como iria gerir o plantel a apresentar à sua equipa técnica.

"Ele é alto e eu gosto de jogadores altos, é rápido e eu gosto de jogadores rápidos, ganhou pouca coisa e eu gosto de jogadores que querem ganhar muita coisa!". Foram estas as primeiras palavras de Mourinho, bem ao seu estilo, como reacção à primeira contratação portista para a temporada de 2003/04. A 17 de Junho de 2003, José Bosingwa da Silva era apresentado de dragão ao peito, depois de uma operação relâmpago entre responsáveis do Porto e do Boavista FC. Apesar de não constar da lista prioritária do treinador português, Bosingwa havia sido a grande revelação do Boavista na época transacta, e era considerado um polivalente por natureza. O negócio envolvia ainda os atletas Ricardo Silva e Ricardo Sousa, assim como a realização de uma partida amigável entre as duas equipas. Aqui se iniciava mais uma história de sucesso no futebol português.

Nascido em 1982, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, cedo a sua família o trouxe para Portugal. Bosingwa não tem sequer memórias da terra africana de onde é natural, e foi em Seia, distrito da Guarda, que deu os primeiros pontapés numa bola. Durante alguns anos desenvolveu o seu futebol num clube local, o Fornos de Algodres, onde chegou a treinar a equipa feminina de futebol. Como juvenil, tornou-se em mais uma descoberta da famosa e antiga equipa de prospecção boavisteira.

Rumando ao Estádio do Bessa, iniciou uma nova etapa na sua carreira. Com maior exigência, também com maior tranquilidade e qualidade para desenvolver as suas qualidades, José Bosingwa dividia-se entre o centro de treinos e a escola, situada a dois passos do Bessa. Recordo-me, como se fosse hoje, de falar com um colega de carteira do jovem jogador boavisteiro, que me dizia empolgado: "Vai ser um grande jogador, tenho a certeza. Quando jogamos nos intervalos ele ocupa todas as posições do campo, e consegue ser o melhor em qualquer uma delas.. detesta perder, e está constantemente a dar indicações aos colegas!". Conversas de miúdos, é certo. Coincidência ou não, José haveria de se revelar como um jogador dinâmico, polivalente, e cuja evolução foi notória dia após dia, jogo após jogo.

A nível de selecções, Bosingwa foi também presença constante. Referenciado como "José da Silva", recordo-me perfeitamente de o ver actuar nas selecções de Sub-20 e Sub-21. A primeira vez que o vi actuar, na sua posição de origem - médio centro - fiquei empolgadíssimo. Bosingwa parecia estar 5 anos à frente dos outros colegas, tal era a maturidade que aplicava em qualquer lance. De cabeça levantada, saía a jogar com a maior das facilidades, e tinha uma leitura de jogo invulgarmente boa para a idade. Rapidamente me quis informar a quem pertencia tão belo jogador - tratava-se de um miúdo das escolas axadrezadas. Com um ano de rodagem em Freamunde (2000/01), e dois na equipa sénior do Boavista, Bosingwa perdeu quase definitivamente o estatuto de trinco ou médio centro. Jaime Pacheco "puxou" por ele como nenhum outro até à altura, colocando-o a defesa lateral, médio interior direito, e até a extremo direito, onde as dificuldades ao nível de cruzamento eram evidentes. Em todo o caso, este jogador conseguia surpreender qualquer um, tal era a facilidade com que se adaptava a posições totalmente novas. Tecnicamente muito forte, e com uma estrutura física de um praticante de atletismo, Bosingwa tinha tudo para ser um dos melhores.

Chegado ao Dragão, Mourinho chegou a testá-lo em 5 posições na pré-temporada então realizada. Segundo o genial treinador portista, Bosingwa conseguia cumprir qb em 5 posições. Para além da sua posição de origem, e das outras três apostas distintas de Pacheco, Mourinho conseguiu ainda vislumbrar Bosingwa como um rápido e moderno defesa-central. As capacidades aéreas são hoje um trunfo de José Bosingwa, mas a posição de central foi a única que acabou por nunca ser desempenhada oficialmente.

O que é facto é que nos dias de hoje vemos um José Bosingwa que acumula como lateral-direito um pouco de tudo aquilo que absorveu nas posições que ocupou durante a sua carreira como futebolista. Defensivamente cada vez mais forte e consistente, não são poucas as vezes que o vemos a ganhar lances de cabeça dentro da área. Diagonaliza facilmente para a sua posição de origem, percorrendo o centro do terreno como peixe na água, mas consegue igualmente ser um quebra cabeças quando está encostado à linha lateral. Os cruzamentos, uma das suas antigas pechas, foi também algo muito trabalhado pelo luso-africano, e é hoje mais uma das suas inúmeras qualidades. Como titularíssimo na turma de Jesualdo Ferreira, e actualmente com 25 anos, atrevo-me a dizer que José Bosingwa absorve inteiramente a mística portista, revelando-se em campo como destaque de uma equipa moderna e adulta que Jesualdo conseguiu construir.

Com um pulmão que parece não terminar, Bosingwa estará certamente a viver uma época de sonho. Se no Porto as coisas correm bem, a titularidade no Euro 2008 é também uma realidade bem viva. E Bosingwa merece-o, pois é um jogador à antiga. Com raça e competência.

13 março 2008

Os três melhores

Quem olhar para a tabela do «Jogador da Bancada» repara que apesar da classe que Lucho Gonzalez oferece ao futebol da equipa e apesar da entrega e de todos os golos de Lisandro Lopez, que foi considerado pelo segundo mês consecutivo o melhor jogador da Liga BWin, prémio do sindicato dos jogadores, o primeiro lugar da tabela é ocupado por um outro jogador que, embora não dê tanto nas vistas em campo é de fulcral importância na manobra da equipa, o seu nome: Paulo Assunção.

O facto de se encontrar em primeiro lugar na tabela para Jogador da Bancada para esta época, revela, antes de mais, que os convidados da bancada e todos os Portistas de Bancada que participam nesta votação sabem reconhecer o valor de jogadores que não marcam golos e que apesar de não darem muito nas vistas são de indiscutível valor. Por outro lado mostra-nos que a opinião dos dois jogadores que ocupam as duas seguintes posições do pódio dessa mesma tabela, Lucho Gonzalez e Lisandro Lopez, o segundo e terceiro classificados respectivamente, coincide no reconhecimento dado ao número 6 portista, considerando-o até o melhor jogador do campeonato.

Vejamos as opiniões de Lucho e Lisandro sobre Paulo Assunção:

"O Paulo Assunção é um jogador que, por vezes, não tem o reconhecimento que merece, mas todos sabemos que é fundamental para o F.C. Porto. No meu caso, protege-me e permite mover-me em outras zonas do terreno. Além disso, recupera muitas bolas por partida e erra muito poucos passes, pelo que fico muito contente por tê-lo ao nosso lado."
Lucho Gonzalez in fcporto.pt

"Na minha perspectiva, o melhor jogador do campeonaro, neste momento, é o Paulo Assunção, pois tem uma importância impressionante para a equipa, embora o seu trabalho, provavelmente, não seja tão reconhecido como o de outros jogadores. Para mim, é um jogador-chave, que faz o trabalho sujo da equipa, entre aspas. Sem dúvida, é um jogador crucial, o mais importante. Imprescindível não sei, isso tem de dizer o treinador"
Lisandro Lopez in fcporto.pt

Paulo Assunção não jogará na próxima jornada por acumulação dos 5 primeiros cartões amarelos da época, isto apesar da posição que ocupa no terreno, o que poderá também demonstrar a qualidade do seu trabalho em campo, falhando assim o primeiro jogo para os rounds de apuramento do Jogador da Bancada.

Nascido a 25 de Janeiro de 1980, o médio defensivo brasileiro vindo do Nacional, onde era também cobiçado por um clube de Lisboa, tem 28 anos e é um dos únicos jogadores fulcrais da equipa que ainda não renovou o seu contrato que termina já este ano, ficando daqui a alguns meses livre para assinar por quem quiser. Quero acreditar que tudo estará a ser feito no sentido de prolongar o seu contrato. Opiniões favoráveis não faltam, mas principalmente não falta o mais importante, que é a qualidade para representar o FCPorto ao mais alto nível. Estão à espera de quê?

É sempre subjectivo dizer que este é melhor que outro, ainda por cima quando jogam em posições diferentes, mas com o tri a um passo de ser conquistado, de uma coisa eu não tenho dúvidas, o pódio do «Jogador da Bancada» é ocupado neste momento pelos três melhores jogadores da época do FCPorto e lógicamente também do campeonato.

24 janeiro 2008

A biomecânica genial

Daqui a quinze/vinte anos, quando o cigano rebelde do Dragão pendurar as botas e recordarmos o jogador que foi, ninguém vai dizer «Eu, naquele dia, assobiei o Quaresma!”. Pelo contrário, vão todos dizer, orgulhosos: “Eu, naquele dia, vi jogar o Quaresma!”

Quando recebe a bola em campo, cada jogador tem uma intenção do que fazer com ela a seguir. Coisas simples, um passe curto e já está, ou coisas diabólicas, fintas, remate impossível e o jogo virado do avesso. Quaresma pertence à segunda casta. Ainda bem. Na equipa, coexistem outros jogadores do primeiro tipo. Ainda bem, também. Uns equilibram os outros. São o garante do ecossistema de uma equipa de futebol. É nos segundos, porém, que mora um dos princípios da genialidade. Fazer algo de grande e de diferente ao mesmo tempo. Aos primeiros, o escudo protector desta ousadia. Gosto muito de falar do lado táctico do jogo, depositada no cofre-forte tacticista da primeira espécie, mas não custa crer que são os segundos que nos fazem levantar extasiados dos nossos lugares.

Quaresma já o fez muitas vezes. E em todas essas vezes podia ter resolvido os lances de forma mais simples. Mas não. Ousou fazer algo grande, mágico, e pintou obras de arte, golos ou centros assombrosos. E foi aplaudido e loucura. Noutras, não engatou o primeiro drible, e perdeu a bola quando tinha um companheiro ao lado bem colocado para receber o passe. E foi assobiado logo a seguir.

É comum no futebol ouvir-se falar no gesto técnico perfeito. É um mito. Porque cada um tem a sua forma de viver ou jogar. Na vida, escrever com a caneta mais ou menos deitada, comer com garfo à direita e a faca à esquerda. No jogo, Correr com os pés para fora, centrar com a parte de fora da direita quando devia ser com a de dentro com a esquerda. Em qualquer destes momentos, há a materialização de uma intenção. Há, no futebol, a técnica ao serviço da táctica. A intenção, primeiro. A acção, depois. O que interessa, depois, é que a segunda corresponda à primeira. A eficácia. É isso que faz a qualidade do passe ou do remate. Não a forma como ele é feito. Quaresma é um bom exemplo desta questão. A biomecânica da técnica expressa na trivela. É comum defini-la como contra-natura ou quase insolente. Centrar com a parte de fora da direita quando devia ser com a de dentro com a esquerda. Complicar o fácil. Na bancada, os adeptos quando vêem os jogadores a tentar a trivela, ficam, primeiro, espantados, e, depois, se sai bem, é genial, se sai mal, assobiam e gritam: “não inventes!”. Já vi também muitos técnicos de formação dizerem o mesmo a miúdos que a tentam fazer. Não faz sentido. Porque cada um constrói a sua biomecânica. Por isso, Quaresma não inventa quando cruza ou remata dessa forma. Ela é, apenas, a forma técnica de tornar mais eficaz a sua intenção táctica. É a sua particular biomecânica. Contrariá-la ou assobia-la é atentar contra a riqueza e a beleza e o do jogo.

Poderão dizer que exagera nesta forma de jogar e quando perde a bola, pode desequilibrar tacticamente a equipa. É aqui que entra a tal noção do ecossistema futebolístico, do equilíbrio ecológico que deve ser uma da equipa. Se Quaresma decide jogos nesses seus rasgos, o treinador tem de o aproveitar. Ao mesmo tempo, tem de adaptar a equipa a isso, para o caso de quando ele falhar, perder a bola, ter médios ou laterais atentos para, nas suas costas, activar a transição defensiva. É a tal táctica, com «T» grande. A colectiva.

Quaresma irritou-se com os assobios. Em campo, pelo tom desafiador com que festejou o golo logo a seguir. Fora dele, ao dizer que vai continuar igual. Quanto mais me assobiarem, mais eu vou pegar na bola e resolver jogos. Bela frase. Independentemente de ser um génio ou de um jogador normal, mesmo daqueles que falham os simples passes, não consigo entender o acto de assobiar um jogador durante um jogo de futebol. Dirão que é uma reacção emocional e que há direito a protestar, etc. Sem dúvida. Afinal, também Miguel Ângelo só pintou uma capela Sistina. Devia ter pintado uma todos os dias. Não faz sentido. Daqui a quinze/vinte anos, quando o cigano rebelde do Dragão pendurar as botas e recordarmos o jogador que foi, ninguém vai dizer «eu naquele dia assobiei o Quaresma!”. Pelo contrário, vão todos dizer, orgulhosos: “Eu, naquele dia, vi jogar o Quaresma!”

Luís Freitas Lobo in Planeta do Futebol

Nota: Quero pedir desculpas ao leitores do blog pela insistência no assunto do Quaresma vs Assobios, mas não podia de deixar de aqui colocar este texto verdadeiramente divinal do grande poeta do futebol que é o Luís Freitas Lobo.