
14 dezembro 2009
Pepe (volta) rápido

A memória de Jesualdo por Pavão
Não deixo aqui de registar o facto de, após o Porto-Setúbal, Jesualdo ter evocado a morte de Pavão. Muitos portistas notaram-no, da mesma forma que terão sentido algo por o FC Porto, oficialmente, não ter respeitado a memória do malogrado jogador falecido em campo num jogo da 13ª jornada, em 1973, frente ao V. Setúbal (também vitória de 2-0, tal como agora), efeméride em data a cumprir amanhã dia 16 de Dezembro, mas sem passarmos ao lado do simbolismo do reencontro entre dragões e sadinos.Não sei se Jesualdo saberia mesmo que Pavão morreu nesse jogo e exactamente ao minuto 13, como rezam as crónicas e se lembra quem, como eu, então assistiu. O treinador do FC Porto, natural de Mirandela, contou que foi colega de liceu de Pavão, o Fernando Pascoal das Neves, além de colegas nos juniores do D. Chaves, de onde era natural o antigo jogador portista. Ficamos também a saber disso por Jesualdo.
O que também fica, em desabono do clube, é que a ocasião passou ao lado quer de dirigentes mais antigos, quer da estrutura (alegadamente) para comunicar montada no clube. E onde não há memória, é uma tragédia. Pelo visto, importam-se muito com artigos de A Bola para atear labaredas ridículas e de tão mau gosto quanto o mau profissionalismo que alegam ver nesse jornal.
Não sei se Jesualdo tinha em si essa recordação, até por, suponho eu, em 1973, estar por Lisboa, onde se formou e passou a viver. Não sei se algo na blogosfera lhe chamou a atenção, como aqui ficou apontado no sábado, e porventura o tenha ajudado.
Percebo, e já não é a primeira vez, que há jornais desportivos que sacam daqui informações: por exemplo, não é qualquer Rascord que "intui" ter o Benfica ganho 4-1 ao Olhanense na tal jornada 13 de 1973-74 disputada a 16 de Dezembro, a mesma em que Pavão morreu durante o Porto-Setúbal. Coincidências...
Sei que, no FC Porto, mesmo as vitórias retumbantes de 2004, como a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental de que fez no sábado 5 anos da última conquista em Yokohama, continuam sem a marca devida no Passeio dos Campeões que circunda o estádio pelo topo sul. Nas placas circulares comemorativas de feitos históricos, passados estes anos, como aqui já foi também anotado com frequência, ainda faltam esses êxitos gravados no alumínio como outras façanhas ali registadas até 2003.
Deve ser a nova/velha maneira de comunicar nas modernices de uma SAD virada para o negócio e o futuro. Com desprezo da história, até ficou esquecido algures que na "transferência" das Antas o busto de Pavão, ali erigido, perdeu-se em qualquer corredor da memória.
Lamentável, FC Porto. E Jesualdo volta a ficar melhor na fotografia.
13 dezembro 2009
David Luiz negro só com árbitros imbecis

A saber:
No passado dia 4 de Outubro, jogou-se o Olhanense x FC Porto arbitrado por Pedro Henriques. Nesse jogo, houve três situações em que jogadores do Olhanense deveriam ter sido expulsos:1a) Após uma falta de Fernando, entrada por trás de Miguel Garcia a varrer completamente Guarín;2a) Entrada violentíssima de Rui Duarte sobre Guarín, atingindo-o com os pitons nas pernas;3a) Agressão de Guga a Tomás Costa provocando-lhe a fractura dos ossos do nariz e ruptura (afundamento) do septo nasal. O mais incrível é que o jogo só foi interrompido a pedido, ao ponto do sempre calmo Jesualdo Ferreira ter-se enervado e protestado com o quarto árbitro.
Tudo o que está mal faz a equipa ficar mal

(Como foi tudo sobre o fraco, ainda que possa enumerar as razões, recuso meter fotos do jogo. E o imbecil árbitro trato-o à parte, em post próprio)
Mas o que antes esteve mal serviu, agora, para mostrar porquê, em toda a linha. E a razão do progresso dos últimos jogos "à Porto" volta a saltar à vista, algo que vim descrevendo em vários comentários e até noutros fóruns. Pela discriminação positiva.
Sapunaru é um desastre a atacar. Disse-o na antevisão do jogo. Pensava poder jogar Miguel Lopes. Insistir no romeno é retirar um flanco à equipa. Fucile foi ocupar a vaga de Álvaro, à esquerda. Tempos houve em que se rotinou. Claramente, foram outros tempos, até quando era para encaixar o próprio Sapunaru à direita. Cissokho e Álvaro desaconselham Fucile de novo à esquerda. Outra lacuna que volta a sentir-se. Ora, dos laterais em diante, só equívocos. Como nos jogos piores. Sendo fracos os trabalhos dos laterais na ofensiva, se os alas/extremos não funcionarem bem a coisa torna-se pastosa. E perturba o miolo.
Não por acaso, os golos surgiram pela zona central. Os flancos não funcionaram. Hulk foi uma nódoa, além de ter começado à direita e, levando Varela para a esquerda, este também começou a estranhar a posição.
Como é possível jogar bem com a equipa a mancar dos dois lados de suporte? Foi preciso Varela e Hulk trocarem de flancos. Os golos chegaram, ainda que nada tivessem a ver com isso. Porque Hulk continuou, como se costuma dizer, a meter nojo. Nem finta, nem passe, nem remate. Tudo de pior que se viu em jogos caseiros recentes. O Hulk que teve o banco como destino. O 1-o nasceu de lançamento longo de Fucile para Farias: domínio no peito e rotação para a direita, tiuro e golaço. Depois, num canto e insistência, Varela está na direita a enviar uma bomba, golaço também.
Tudo bem? Sim, ajudava à gestão de esforço, depois de jogos trepidantes. Não, não se exploraram laterais fraquíssimos, especialmente o esquerdo sadino. Ruben Lima é muito verdinho. Mas nem Hulk nem Sapunaru arranjaram coisa que se visse na direita. A goleada podia surgir: dois remates nos ferros. Mas o jogo começou a empastelar. O costume. Pelas razões já expostas e que tinham sido canceladas nos últimos jogos. Com Fucile e Álvaro nas laterais, Varela e Rodriguez nos flancos, a equipa é forte. Assim, libertam-se os médios, Meireles e Belluschi chegavam à área. Ontem, Meireles voltou a ficar longe da área, Sapunaru não passava com a bola da linha de meio campo e Hulk na direita nunca defendeu: nem na esquerda, nem no meio.
Ainda na 1ª parte, a bola percorre duas vezes o percurso B. Alves-Rolando-Sapunaru. Não saiu do sítio, nem a bola, nem esse trio, nem a equipa. A bola foi e veio, voltou a ir... Mesmo em poupança de esforços, não é admissível.
O tempo correu, o jogo sensaborão, com dois penáltis sobre Hulk e sobre Sapunaru por marcar. Mas o jogo ficava pior, o Setúbal, quando não se fechava, queria espraiar-se no campo sem fòlego, sem pernas, sem categoria, sem jogadores. Uma lástima, uma equipa de segundo escalão, seja por ter jogadores inconsequentes como um uruguaio Álvaro Fernandez no meio-campo, seja por ter cedidos do Benfica sem qualidade, como Ruben Lima e Zoro. Cinco defesas, laterais sem subirem, Sandro como escora dos centrais à frente, dois médios a tentar a transição e dois homens perdidos na frente. Nenhum remate à baliza, nenhuma defesa de Helton.
Quando Jesualdo meteu Rodriguez, já apareceu o Cebola confuso dos tempos de angústia em que o resultado obrigava a atacar e marcar e nada saía bem. Hulk atingia o grau zero da improdutividade, enredando-se em lances individuais que requeriam luta corpo a corpo (agarrões) e lhe retiravam a lucidez mínima que tivesse. Esse pavor, pela negativa, deu lugar a Mariano. Outro que, entretanto, por castigo, perdeu o ritmo, mas nunca o sentido do jogo, algo que se esvaiu de Hulk nesta partida. Mas já era tudo uma manta de retalhos. Tudo mal estruturado desde o princípio, acrescentar Guarín para mais rodeios com a bola só complicou. Varela, esse, quis imitar Hulk no seu pior: malabarismos, perdas de bola, inconsequências. Belluschi idem, a entregar mal apesar de correr, lutar, desarmar, rematar e querer jogar. Mas durou os 90 minutos.
Entretanto, como se viu, como já se vira nos piores jogos, Farías fez figura de corpo presente, a equipa jogava sem pensar no ponta-de-lança e em condições assim o Falcao prova que é melhor, porque sai mais da área, tabela, recebe, passa e corre, enquanto Farias é mais fixo.
Nesta gestão de efectivos por parte de Jesualdo, e muito bem, o resultado desaconselha coisa semelhante. Os três próximos jogos são para ganhar: Luz, Leiria e Paços em casa para entrar na 2ª volta em 1º lugar. Mas são estas contingências de gerir o plantel, o esforço, a carga dos jogos, os amarelos também que resultam assim em coisas sem expressão. E, com tudo desmantelado, como se onze gajos tivessem marcado encontro para um jogo de bola entre amigos sem ninguém se chatear, até Fernando, com os pecados velhos à sua frente, voltou a cometer as mesmas asneiras, errar os mesmos passes, demorar o mesmo tempo precioso para soltar a bola nas melhores condições e para alguém mais bem posicionado, até por fim não quis tabelar com um defesa e cedeu canto. A inépcia é contagiante. De repente, todos se tornam vulgares e é isso que se torna imperdoável.
Penso que todos estes pormenores, que ressalvei nos piores jogos e acentuei, pela discriminação positiva, nas recentes vitórias em virtude de alterações fulcrais no onze, se antes escaparam aos mais desatentos agora foram uma realidade que entrou (será?) pelos olhos dentro de qualquer um. É por isso que, nestas ocasiões, apesar da vitória e da liderança a 1 ponto apenas, enfatizo, mesmo em triunfo sem sabor, o que de bom a equipa faz. Espero que este jogo tenha sido o despertador, ainda que as consequências da jornada não contribuam para o adepto (não) pensar como a equipa pode jogar tão mal. Os "críticos" empedernidos justificarão a sua ideia com o voltar ao normal depois de dois jogos muito bem conseguidos e que o que há a esperar do FC Porto é coisas assim tão desajeitadas ao ponto de desaconselharem a ida ao estádio e deixar o coração mais longe ainda. Um bom terreno para medrarem os piores sentimentos dos adeptos que se dizem "exigentes".
Em resumo, a razão de o FC Porto ter feito jogos fracos (péssimo no Marítimo) foi por ter fracos jogadores em campo, desarrumando a melhor estrutura e desafinando o jogo mais belo. Quando pôde contar com os melhores, a produção subiu e as vitórias surgiram. Agora que, com retoques, foi preciso fazer "reset" na máquina, a coisa encravou. Álvaro já merecia descanso, porque também ele arcou com a responsabilidade de atacar quando na direita não havia Fucile para repartir a tarefa ofensiva dos laterais alternadamente. Mas só a gestão dos cartões (para ver um na Luz e certamente descansar de novo a seguir, esperemos que então jogue Miguel Lopes pois Sapunaru é irritante e inconsequente) fez Álvaro parar.
Depois de um jogo na esteira dos mais fracos, sem expressividade no jogo e no resultado, nada, porém, está em causa. O FC Porto normal vai à Luz para ganhar. Podem meter o SLB ou o sócio Proença para dificultar. E até conseguir esses intentos com arbitragens de encomenda. Mas o FC Porto com os melhores é de outra estirpe e acredito que o confirmará no local, na hora e com o adversário que é preciso.
Para continuar bom momento
Nunca houve, nem nunca vai haver, nenhuma projecção de um jogo posterior ao jogo que temos a seguir. O objectivo é V. Setúbal. Desde que acabou o jogo de Madrid, concentramo-nos em recuperar os jogadores e treinar com intensidade a pensar no V. Setúbal. É um jogo mais difícil de preparar do que outros porque tivemos menos dias para o fazer.
O V. Setúbal, pela classificação que ocupa neste momento, ainda é mais difícil do que seria uma equipa com uma classificação melhor. É um clube histórico do futebol português, que não está a passar um bom momento. "
A uma jornada de um jogo importante, o FCPorto não poderá tirar o pé do acelerador, sujeito a deixar fugir os seus adversários, por isso é proibir facilitar frente a qualquer equipa.
FCPORTO - VITÓRIA DE SETÚBAL
ESTÁDIO DO DRAGÃO
20:15 HORAS, RTP1
ÁRBITRO: PEDRO HENRIQUES ( AFLISBOA)

12 dezembro 2009
Efeméride(s) de Pavão (pelo V. Setúbal) ao Japão (duas vezes)



As vitórias da Taça Intercontinental de 1987 e 2004 e o minuto 13 da 13ª jornada com o V. Setúbal (a 16/12/1973)
Cumprem-se hoje 5 anos da vitória do FC Porto, em Yokohama, na última edição da Taça Intercontinental. Foi por grandes penalidades frente ao Once Caldas, da Colômbia, depois de 0-0 em 120 minutos porque um fiscal-de-linha sul-americano parecia o Ramalho a levar um cachaço na Luz e negou dois golos a McCarthy por fora-de-jogo, inexistente nos dois lances que teriam evitado até o prolongamento.
Este jogo foi a um domingo de manhã, pelas 10h em Portugal continental, 20 horas na grande metrópole nipónica de Tóquio e arredores. Foi a 12/12/2004. Que diferença para o 13/12/1987, quando a hora do jogo com o Peñarol de Montevideu foi pelas 12.30 horas locais e 3.30 horas por cá, uma madrugada de domingo, no então Estádio Nacional de Tóquio, onde desde 1980 as finais passaram a disputar-se num jogo só (em vez de duas mãos entre os campeões europeu e sul-americano desde os anos 60 salvo raras excepções que fizeram três jogos com a finalíssima).
Amanhã faz, então, 22 anos dos golos de Gomes e Madjer sob a neve de Tóquio e um lamaçal como nunca se viu numa final. O relvado parecia palha, fruto de um jogo de râguebi disputado dias antes e agravado com um nevão como há muito não se via na capital japonesa e de resto nunca mais voltou a suceder nas finais em Tóquio. Foi, por isso, um fenómeno climatérico único, circunstancial, mas que obrigou as duas equipas a jogarem em condições indignas, sem possibilidade de voltarem a cruzar mundo para se reencontrarem ali posteriormente. Foi jogar de qualquer maneira e, ainda assim, para ver mais uma magia de Madjer, a picar a bola sobre o bigodaço g.r. uruguaio Pereyra numa equipa então dirigida por Óscar Tabarez que hoje comanda a “Celeste” de Rodriguez, Fucile e Álvaro Pereira.
Mas este domingo traz o V. Setúbal ao Dragão, à 13ª jornada da I Liga. E foi ao minuto 13, de um Porto-Setúbal da 13ª jornada de 1973, que Pavão morreu. Por acaso, o jogo foi no domingo 16 de Dezembro, mas a coincidência de os sadinos voltarem ao Porto à 13ª jornada, como há 36 anos, evoca fatalmente o acontecimento que enlutou o futebol português.
Naquele tempo já eu, miúdo, andava pelas Antas havia um ano e picos. Gomes via-o já nos juniores e só começaria a jogar nos seniores na época 74-75 (vi o seu bis à CUF na 1ª jornada), dentro de um ano e meio. Oliveira já era um senhor, tal como Pavão, o Fernando Pascoal das Neves, de Chaves e que abrira um bar no Porto com o nome inglês Peacock da alcunha porque era conhecido no futebol.
Nunca se apurou ao certo a causa da morte de Pavão. Então alvitrou-se uma doença congénita do coração, que devia interditar a prática desportiva a um tipo atarracado, forte, humilde e tecnicamente bravo. Palpitou que um cabeceamento aos 11 minutos pudesse ter apressado uma embolia cerebral, mas a verdade é que eu vi Pavão passar a bola, sozinho, e cair para o relvado: “Pavão fez um passe e depois morreu”, titulou o JN. Simples e real, mas doloroso. Naquela tarde cinzenta e chuvosa, quando todos os jogos eram às 15 horas, o Porto venceria por 2-0 a equipa portuguesa que eu então admirava: o V. Setúbal, sob o comando de Pedroto, jogava um futebol brilhante, com médios e avançados de categoria ímpar: Octávio, José Maria, Matine, Duda, Jacinto João e Torres, o bom gigante que se transferira do Benfica.
Octávio e Duda jogariam depois, com enorme sucesso, no FC Porto, artífices do fim do jejum em 1977 (Taça) e 1978 e 79 (dois campeonatos). Duda, em 73-74, levava 16 golos em 12 jornadas e marcara, na 4ª feira anterior, precisamente a 13 de Dezembro, um golo ao Leeds United. Os sadinos eliminaram da Taça UEFA os gigantes ingleses com 3-1 no Bonfim. O Leeds foi a primeira grande equipa inglesa que eu vi jogar, nas finais da Taça de Inglaterra. E na época seguinte 74-75 chegou mesmo à final de Paris da Taça dos Campeões, perdendo injustamente com o Bayern de Munique (0-2) depois de um golo mal anulado a Lorimer. Eu sabia tanto o onze do Setúbal como o do Leeds também comandado por um génio (Don Revie). Eu encantei-me com o futebol sadino em épicas pelejas na Taça UEFA com os potentados do Tottenham, Leeds (duas vezes), Hertha de Berlim (eliminação estúpida com 2-2 depois de chegar a 2-0 na fase seguinte).
O Setúbal era, pois, um cartaz naquele tempo. Liderava o campeonato, mas nesse jogo nas Antas perdeu com golos de Abel (53) e Marco Aurélio (68), o Sporting de Yazalde igualou os sadinos no comando e o FC Porto, à 13ª jornada, ainda distava 3 pontos dos líderes. Curiosamente, tal como nesta 13ª ronda de 2009-2010, também o Benfica defrontou então o Olhanense, como sucede neste sábado, vencendo por 4-1 na Luz. O ano de 1973, de resto, terminaria com a 15ª jornada a 30/12 e com o Setúbal a obter na Luz uma raríssima vitória, por 3-2, chegando a 3-0 para sentir a reacção encarnada a reduzir o marcador nos últimos 5 minutos. O Sporting terminou a 1ª volta na frente do Setúbal por um ponto e do Porto por 3 pontos, com o tricampeão Benfica em 4º lugar após 0-0 no Barreirense; e acabaria, o Sporting, campeão, apesar de perder duas vezes com o Benfica; e Yazalde foi o maior dos marcadores de sempre com 46 golos.
No Porto-Setúbal, porém, a notícia que marcou o dia foi a morte de Pavão. Caiu fulminado aos 13 minutos, depois Vieira Nunes substituiu-o. Durante o jogo, aguardavam-se notícias do Hospital de S. João, cresceu a especulação e a vitória foi das mais tristes da história do FC Porto. Cerca de 55 mil pessoas haviam deixado 110 contos na bilheteira, segundo o JN.
Da Pavão ao Japão, este fim-de-semana evoca memórias. Mas ao lembrar estas efemérides, aponto que quando o FC Porto jogou em Tóquio, em 1987, nem nesse dia 13 nem no dia 16 em que era devido lembrar Pavão a sua triste sina foi publicitada.
Para o Porto-Penãrol, de 1987, cujo programa do jogo guardo por um amigo mo ter trazido, o que se evocou foi a final da Intercontinental de 25 anos antes. O Santos tinha espetado uma goleada ao Benfica na Luz. Com Pele (3), Coutinho e Pepe, os brasileiros ganharam 5-2 (chegaram a 5-0), depois de 3-2 no Rio de Janeiro, no Maracanã. Pepe, em 1987, estava no Porto, treinava o Boavista. E falou de uma das noites mais memoráveis do Santos contra a já então afamada bazófia benfiquista que pensava ganhar a Pele e Cª. Dois anos antes, o Benfica levara 5-0 do Peñarol em Montevideu, na primeira edição da prova, mas é lendária a ideia benfiquista de ser maior do mundo e arredores…
Curioso ainda, sobre Tóquio-1987, um tal de Pinto de Sousa afirmar, no Japão: “Achei que devia estar alguém ligado à FPF em mais um momento de afirmação internacional de um clube português”.
O prémio da organização de 1987 foi de 25 mil contos para o vencedor. Não deu para pagar aos jogadores e técnicos. Soube-o, muitos anos depois, por um dos intervenientes portistas, que Viena rendeu 1500 contos a cada jogador, Tóquio mil contos e a Supertaça da Europa que se seguiria, em Janeiro de 1988, com o Ajax, “apenas” 750 contos.
Dinheiro de outros tempos, como de outro tempo era, então, Pavão.
Em finais de 1973, o FC Porto cobiçava um genial nº 10 peruano que se distinguiu no México-70 (segundo melhor marcador atrás do inevitável alemão Gerd Müller). Cubillas, porém, custava uma pipa de massa e justificaria a mais cara contratação de sempre de um clube português, para a qual o FC Porto teve de fazer uma colecta pública até obter os 5600 contos necessários para resgatar Teófilo Cubillas aos suíços do Basileia, onde não se adaptara.
Um dia depois da morte de Pavão, o repórter do JN António Matos, depois falecido igualmente, revelou passagens não publicadas da última entrevista de Pavão, dias antes, ao diário portuense. Pavão, contou o jornalista, criticava as opiniões da Imprensa de forma frontal, mas era um puro e um senhor, comportando-se civilizadamente e comprovando o seu amor ao clube, no tempo de jogar com amor à camisola.
“Não escreva isso (que adorava o FC Porto e sofria com as críticas nos tempos de jejum de êxitos), pois as pessoas pensam que nós só actuamos por dinheiro e a nossa devoção é uma vigarice. E não ponha isso dos 10 contos para o Cubillas, hein?”, recordou António Matos sobre as palavras de Pavão que não escrevera em vida e não hesitou em publicar após a morte de um campeão sem título levado pelo infortúnio da morte.
Foi ao minuto 13, da 13ª jornada numa visita do Setúbal. Pavão teve um busto nas Antas, como depois teve Rui Filipe (vítima de acidente de viação aquele que marcou o 1º golo do que se tornou a Saga do Penta). Mas poucas vezes mais foi lembrado e amanhã podia ser uma boa ocasião. Faz 36 anos da sua morte no próximo dia 16, mas a coincidência de serem os sadinos nesta ronda a jogar no Porto justificava-o este domingo.
11 dezembro 2009
Eu, a viúva negra nas teias da lei
Futre, Hulk, transferências, jogadores, Lucho, Diego: FC Porto
A avaliação do mercado (de jogadores) não é fácil, até porque deixa os seus especialistas verdadeiros às vezes sob algum embaraço. Também neste ponto, como a “fazer o onze” para cada jogo, os adeptos dão largas à sua imaginação e… confusão. Depois, fica-lhes criticar o “trabalho” dos experts de mercado e demais directores-desportivos, porque as opções dos adeptos não restam para se debaterem… da mesma forma que “nunca perdem um jogo”.
Isto a propósito de avaliações, várias, avulsas ou centradas num clube apenas, que recentes acontecimentos e opiniões suscitam.
Tome-se Futre, na mais recente “opinião”. Pensei que Futre poderia lembrar que o golo de Hulk em Manzanares lhe faria lembrar o Futre que em 1987 foi arrasar para o Atl. Madrid: fuga em ziguezague e tiro poderoso com o canhoto. Mas não. Futre, que devia saber não ter feito a melhor opção desportiva quando trocou o campeão europeu pelo clube então de Jesus Gil y Gil, diz que Hulk tem como destino um clube “maior” do que o FC Porto. Há vários na Europa, de facto, mas de há muitos anos não está o clube colchonero entre os melhores. Se Futre pensa em Hulk para algum dos clubes, sete, que como o FC Porto passaram os últimos quatro anos a fase de grupos da Champions, então o destino de Hulk é mesmo um clube endinheirado capaz de pagar os 100 ME da sua cláusula. Aí faz sentido, embora fique a ideia de Futre, porventura, revendo em Hulk o diabólico esquerdino português que arrasou o Bayern de Munique em Viena, porventura imaginar Hulk como um novo Futre no Calderon.
Dos clubes que têm passado a fase de grupos da Champions nos últimos quatro anos, só Jesualdo Ferreira compete com “sir” Alex Ferguson, sempre presentes nesta pequena epopeia.
Entretanto, com o Marselha desviado para a Liga Europa, o ex-portista Lucho podia “acompanhá-lo”, tal como está Lisandro pelo Lyon. São os sobressaltos na carreira de jogadores e treinadores. Mas tremeliques que não têm os adeptos que palpitam sobre isto e aquilo. Ainda há dias, inconscientes de que Lucho garantira quatro anos maravilhosos no Dragão com proveito de títulos e dinheiro na sua transferência irrecusável, muitos portistas lembravam o genial 8 argentino com saudade como se fosse, num período conturbado do FC Porto, a solução dos males que apoquentavam a equipa. Lucho que, há um ano, era apontado como em fora de forma…
Poderiam apontar-se muitas das risíveis tiradas de comentaristas mais ou menos conhecidos e “encartados” a papaguearem banalidades. Poderia equiparar-se-lhes o epíteto de “palhaços” com que os deputados da Nação se tratam neste triste circo político a que o Zé Povo dá o voto estupidamente. Bastaria, por exemplo, ainda sobre o Atl. Madrid-FC Porto, evocar como os homens de serviço na pobre RTP elogiavam os “fantásticos” jogadores Aguero e Forlan, enquanto Bruno Alves marcava de cabeça no 3º andar, Falcão actuava como “matador” e Hulk punha de novo, 10 meses depois, a cabeça em água aos defesas colchoneros. Fantásticos e extraordinários eram os jogadores do Atlético, os do FC Porto estavam lá para os estorvar, embora liderassem a partida de fio a pavio.
Mas há mais, ainda na vertente exploratória dos dotes de adivinho e de premonição de quem gosta de comentar as coisas da bola. Ciclicamente, o ex-portista Diego foi sempre referenciado como uma perda para o FC Porto. Ou porque era muito bom, ou porque os 5 ou 6 ME de encaixe na sua venda ao Werder Bremen foram escassos, ou porque a posterior transferência dos alemães para a Juventus (25ME), no Verão passado, era um negócio que o FC Porto deve “ter feito” e “acautelado”.
Pois bem, independentemente das culpas de Adriaanse em “despachá-lo” enquanto dava a pré-temporada na Holanda em 2006, da inadaptação de Diego ou da melhor saída para um equívoco para o qual o nº 10 brasileiro nunca deu a resposta conclusiva à equipa portista, a verdade é que Diego ficou, nestes quatro anos de qualificações portistas com Jesualdo, sempre na fase de grupos: antes com o Werder Bremen, agora com a Juventus.
É um facto que passa despercebido, eu sei e por isso aqui o deixo. E é um realce à capacidade do FC Porto continuar a brilhar, ganhando no campo e na tesouraria, comprando e vendendo grandes jogadores e sendo o ponto comum de um fio condutor da realidade que é a grandeza do clube: os jogadores e treinadores passam, o clube fica e segue em frente.
Ironicamente, isto é escrito na véspera de comemorar-se, sábado dia 12, 5 anos da vitória portista em Tóquio, na Taça Intercontinental, o último grande troféu conquistado por Diego (no desempate por penáltis em que foi expulso após converter o seu e ir azucrinar o g.r. Henao do Once Caldas), no tempo de Victor Fernandez no Dragão, Porque a Taça da Alemanha ganha pelos verdes de Bremen na época passada na despedida da equipa que antes perdera a Taça UEFA (Diego no banco por suspensão) em Istambul para o Shakhtar Donetsk, não deve ser um troféu à altura da categoria indiscutível de Diego, que aqui enalteço e não ponho em causa porque esse não é o ponto deste escrito.
Mas só lembra que os clubes fazem os jogadores e treinadores. E rancores como os que Diego manifestou durante anos nem lhe permitiram ganhos maiores nem apoucaram o FC Porto. Como se vê.
Crónica semanal do blog Portistas de Bancada para o Futebol "O desporto rei"
O Portistas de bancada contribui com uma crónica semanal no Futebol: Desporto-rei, a convite deste. A parceria destes blogs tem montra à 5ª feira. Quem quiser ler, clique no título acima.
10 dezembro 2009
Boas contas para quem não faz de conta
Em duas vertentes, o Benfica quis colmatar o facto de não ter dinheiro: contrato longo de patrocínio (Sagres) com o beneplácito da Liga patrocinada pela mesma marca (o que é de bradar aos céus, moral e eticamente reprovável ainda que não ilícito numa república das bananas e, por isso, sem beliscar a aura de genialidade com que uns basbaques mimoseiam os corpos gerentes desta tasca mal frequentada); alienação de passes de jogadores em percentagem cedida a um “fundo”. Isto para além de não ter vendido “activos” e, como nos dois últimos anos, gasto uma média de 25ME em reforços.
Quem antes pugnava pelas boas contas, enviesando as interpretações e distorcendo os factos, agora faz de conta que está tudo bem. Os adeptos, claro, querem é títulos. Mesmo aqueles que há um ano pugnavam pelo equilíbrio financeiro. À boa maneira “socrática”, alguém depois há-de pagar as contas.
O Sporting viveu na ilusão de ficar à frente do Benfica, mas afundando-se como sociedade rumo ao descalabro irremediável do famigerado “projecto Roquette”, outro que deixou o “legado” e deixou outros para pagar os estragos…
O FC Porto, entretanto, lá vai vendendo e vencendo, controlando as suas contas no equilíbrio económico e desportivo, ao ponto de já neste 1º trimestre da nova época (Julho-Setembro), ter saído da situação dita de “falência técnica”, onde os rivais se afundam nas célebres “engenharias financeiras” de resgate do bom nome e solvabilidade, compondo os seus capitais próprios para se mostrar uma sociedade acima de tudo com futuro: com os seus activos, e o seu potencial, uma sociedade que se recomenda. Sempre foi a SAD melhor gerida, tudo somado, apesar de muita intoxicação por gente que devia saber mais da matéria.
Eu sempre me confessei leigo e, obviamente, nunca quis, nem podia, mostrar-me “catedrático” nem a brincar. Do pouco que percebo entendi que nem as coisas eram tão más como alguns pintavam, nem alguns aspectos do passivo seriam tão assustadores como se alvitrava. Eis que, depois de algumas leituras nem sempre profícuas, surge António Fonseca, no blog que tem parceria com este espaço de portistas, O Futebol: o Desporto-Rei, analisar a época passada dos três grandes pelos seus Relatórios e Contas. A simplicidade com que resumiu a situação de cada um leva-me a querer partilhar nesta bancada essas análises, sucintas e pertinentes, que penso escaparem a quem ousou fazê-lo, porventura até mais habilitado, mas sem consegui-lo como penso que António Fonseca o fez.
Ficam os quadros dos 3 grandes para mais fácil comparação e, por fim, o essencial do que escreveu de cada um, sendo que a análise do FC Porto está aqui reproduzida na íntegra. Creio que merece a pena ler, reflectir, observar as notas finais e concluir que este é um trabalho elucidativo, fácil de ler e apreender e que serve os interesses dos adeptos de cada clube, porque tomam em conta o essencial em informação condensada mas comparável.
Normalmente fazem-se análises um a um, em momentos separados, e perde-se a faculdade de comparar no imediato. Foi o que sucedeu quando aqui trouxe, há uns dias, o comparativo dos 3 grandes sobre as contas do 1º trimestre da nova época. A muitos perdeu-se a vontade de comentar, quando são tão pródigos a fazê-lo ao lerem de forma avulsa, aleatória nem sempre olhada sob o mesmo prisma à medida que sai as contas de cada clube.
O Benfica, como todos sabemos, investiu muito na época passada em jogadores. Volto a referir: na época passada (não confundir com a actual). Na verdade, teve um saldo negativo de quase 17 milhões de euros entre vendas e compras.
Seria pouco relevante, se o clube da Luz tivesse uma operação positiva. Mas não tem, como se constata no seu relatório. Claramente, o Benfica é o clube com mais sócios e isso reflecte-se nos proveitos oriundos das quotizações (tanto quanto Sporting e FC Porto juntos). Os patrocínios e direitos televisivos ao nível do FC Porto (que registou uma boa época desportiva), numa época fora da Champions, demonstram bem a força da marca Benfica no nosso país. Obviamente, a ausência de receitas da Liga milionária fez o Benfica ficar-se por 46,8 milhões de euros de proveitos (valor idêntico ao do Sporting).
A estrutura do Benfica é quase tão pesada como a do FC Porto. O custo dos serviços é considerável (17,6 milhões) e o do pessoal foi de 37 milhões num ano sem grandes prémios para pagar. Tudo junto dá um resultado operacional negativo de 13 milhões de euros (seria necessário uma boa prestação na Champions para equilibrar a operação).
Se juntarmos isso à política de contratações, temos um resultado negativo nunca visto de 34 milhões (!), e o atirar da situação liquida confortável (23 milhões positivos) para uma situação muito delicada (11,8 milhões negativos).
Tivesse sido uma estratégia pontual e o Benfica estivesse seguro de que tinha jogadores que a qualquer momento anulassem os desvios negativos. O problema é que a estratégia teve continuidade na época actual (mais acentuada ainda no que respeita à aquisição de passes), e novamente ausente da Champions. Não será difícil perceber esta nova época com resultados líquidos a baterem novamente nos 30 milhões de euros, o que linearmente pode dar para pensar que vai atirar os capitais próprios para os 40 milhões de euros negativos.
Fazendo (com muito esforço, reconheço) fé de que os valores das projecções do presidente sobre Di Maria são suficientes para repor a autonomia financeira do clube, os adeptos devem preparar-se para perder a sua jóia... Isto, porque o clube pode ser grande e glorioso, mas não deve ser do interesse dos seus adeptos ser um grande e gigantesco buraco financeiro.
Mas falta a verdadeira questão: qual o melhor preço que o Benfica conseguirá dos seus jogadores, se forçado a vender? Em época de crise? E ausente dos maiores palcos europeus durante 2 épocas? Se isto não preocupa os adeptos benfiquistas, como se diz na minha terra, então "eu vou ali e já volto".
E, se não houverem efectivamente razões para estar preocupado, então desde já os adeptos do Sporting podem também descansar, e as empresas portuguesas e Estado podem também fazê-lo calmamente pois o modelo económico de crescimento por via do forte investimento terá na gestão do Benfica um comprovativo da sua eficácia, e reconhecerei que Luis FilipeVieira é mesmo o melhor gestor que já vi...
É um clube que está a saber gerir muito bem as épocas e os momentos favoráveis, e a conter-se em tempos de crise o que me parece muito consciente, como se constata pela leitura do relatório.
O clube continua a atrair adeptos efectivos, com todas as rubricas a crescerem face à época passada, desde a bilheteira aos direitos televisivos, das quotizações à Champions.
No final, a operação do FC Porto foi capaz de gerar 56,5 milhões de euros de proveitos.
Relembro que o Sporting não ultrapassou os 47 milhões, apesar de Alvalade render mais do que o Dragão em termos de quotizações e direitos televisivos o que evidencia um Sporting (ainda) mais abrangente do que o rival do norte.
Ao contrário, o FC Porto gera mais receitas em bilheteira e patrocínios - rubricas muito dependentes do bom momento de forma e resultados desportivos.
Lembram-se do Sporting ter custos operacionais de "apenas" 44 milhões de euros? Pois bem, os dragões têm 62 milhões. Estrutura mais pesada? Sem dúvida. Contudo, tem funcionado, pois vence títulos e é a grande responsável pelas mais valias nas vendas que depois compõem estes números.
O problema do FC Porto, e deste modelo assente numa estrutura pesada mas capaz de gerar negócios extraordinários, é o conseguir perceber se está preparado para uma "secagem" do mercado quanto a investimentos exorbitantes? Terá capacidade de baixar os custos se as receitas baixarem?
A resposta, na minha óptica, é de que sim. Isto porque o FC Porto tem sabido dosear a aplicação das verbas bafejadas pela sorte (e saber, claro) de ter sempre clubes interessados em dar largas dezenas de milhões de euros pelos seus jogadores.
Assim, e ao contrário do Sporting, uma operação que é francamente deficitária (e isso não é bom, mais ainda quando assente em rubricas voláteis dependentes de resultados desportivos) gera resultados extraordinários inversamente positivos, transitando para os capitais próprios - que já eram bem positivos - cerca de 5,5 milhões de euros.
A questão, assim, até poderia ser a seguinte: o FC Porto tem capitais próprios positivos de 21,4 milhões de euros. Poderia comprar o "tal" jogador que o Sporting tem que vender por 16 milhões, e ainda assim não falia tecnicamente. Sugestões?
Em Alvalade já há alguns anos que a situação é apreensiva.
Infelizmente, calculo eu, os "maus" resultados (diria antes, os possíveis resultados) bloquearam a execução de uma estratégia que tenderia a conseguir atingir os capitais próprios positivos esta época, por força da enorme pressão dos adeptos em ter uma equipa minimamente competitiva. Consequência: nem a equipa do Sporting, como parece, é suficientemente competitiva, como, e muito pior, está a SAD tecnicamente ainda mais falida do que estava há uma época atrás. E os accionistas da SAD são, no fundo, proprietários de nada mais do que... dívidas.
Em termos operacionais, de uma época para a outra o Sporting viu o somatório de quotizações e bilheteira cair quase 2 milhões de euros, o que evidencia descrença e perda dos adeptos que realmente contam, independentemente dos milhões de simpatizantes que tenha ou não.
Junta-se a perda de cerca de outro milhão de euros em patrocínios e publicidade, direitos televisivos e outros serviços. É a marca a perder apelatividade e força. Uma queda de receitas muito preocupante, pois é relativa às rubricas que evidenciam a "aeróbica" de um clube, numa época até mais conseguida do que muitas outras.
Do lado dos proveitos, compôs um pouco o cenário os 3 milhões a mais que a Champions permitiu e os 1,6 milhões que os contratos de Ronaldo e Quaresma ainda renderam. Sendo que estas rubricas são bem mais voláteis, e dificeis de se repetirem, o Sporting deve mesmo cuidar-se, sob pena desta época poder servir mesmo para condenar a SAD (e o clube) à mediocridade como mal necessário para evitar a falência.
Como se o cenário do lado dos proveitos já não fosse suficientemente mau, o lado dos custos arrasa os leões com um agravamento de 6 milhões de euros, quase 4 milhões só em custos com pessoal. Justifica-se? Pagam-se mais quase 20% à estrutura para fazer uma época pouco melhor do que a anterior?
Não obstante, há um lado positivo a reter pelos adeptos. A SAD, em termos operacionais, tem dado lucros. É a única das 3 grandes, o que dá conta de uma gestão, a este nível, regrada. Em linguagem mais corrente, os 46,8 milhões de euros de proveitos ainda vão sendo maiores do que os 44 milhões de euros de custos.
O problema está no facto do Sporting ter deixado a sua política de contenção na contratação salvaguardada por boas vendas, para passar a contratar sem vender. Resultado, perderam-se 12 milhões de euros que "comeram" os 2,8 milhões de euros positivos que a operação regular deu, o que com impostos à mistura resultou num prejuízo na época de 13,4 milhões de euros que foram direitinhos para a situação líquida, agravando os capitais próprios do Sporting que agora são negativos em cerca de 16 milhões de euros.
Uma nota importante: em qualquer empresa "normal", se os capitais próprios forem inferiores a 10% do passivo, há motivos para se exigir um plano de recuperação pois o espectro da falência começa a aparecer. No Sporting, nem 10% nem 0%. São negativos.



