09 março 2008

Sem necessitar de cábulas

Equipa: Helton, Fucile, P. Emanuel, B. Alves, M. Cech, P. Assunção, R. Meireles (Lino 90'), Lucho, Tarik (Farias 71'), Lisandro e Quaresma (M. Gonzalez 80')

31.109 espectadores

O FCPorto respondeu da melhor forma possível, ou seja venceu a equipa da Académica, à desilusão de ter sido eliminado na 4ª feira da Champions League, frente ao Schalke 04, apesar de ter rubricado uma exibição muito fraca, num jogo também ele muito fraco, fruto do cansaço físico e psicológico que esse jogo teve na equipa portista e também à falta de ambição atacante da equipa de Coimbra.

Valha a verdade, a Académica nada fez para que o FCPorto necessitasse de jogar mais, é de facto incompreensível como um treinador como o Domingos Paciência, um ex-pupilo de uma escola onde a vitória é mais do que um resultado, mas sim é o único resultado possível, numa jornada onde vê os seu
s adversários mais directos a perderem pontos, onde vê que a equipa portista se apresenta cansada, organiza uma equipa para, unicamente, defender, sempre com todos os homens de campo atrás da linha da bola, e por vezes mesmo atrás da linha do meio campo, sem arriscar um bocadinho que seja para tentar surpreender o seu adversário.

Aliás quase antes de discutir o jogo, porque ele tem pouca di
scussão, interessa reflectir para onde levam o futebol português estes " agentes de futebol ", que se esquecem do respeito que deveriam ter pelo simples adepto que paga um bilhete para ver um jogo de futebol disputado entre duas equipas, às vezes com imensos sacrifícios, que perde uma tarde em família para ir ver um jogo marcado a horas que convém a esses agentes, e depois nada fazem de bom para promover o seu " produto ". Por muito respeito e admiração que tenho, e tenho imensa admiração, por uma pessoa como o Domingos, que tantas alegrias me deu enquanto jogador, não posso aceitar que ele traga uma equipa para o Dragão, num jogo onde nada tem a perder, apenas e unicamente para defender e esperar que caía do céu um golinho salvador.

Se algo vai mal na competitividade deste campeonato, além de vermos que o FCPorto é uma equipa a mais porque está a anos-luz de todas as outras, é também porque os treinadores das equipas ditas pequenas nada fazem para que haja um maior interesse nos seus jogos quando se apresentam no Dragão, apresentam-se todas como o Schalke 04 se apresentou na 4ª feira, ou seja com um autocarro à frente da baliza, com a única, grande, diferença, que às equipas portuguesas o FCPorto consegue derrubar esse autocarro com maior ou menos dificuldade.

Podem argumentar que uma equipa não se pode apresentar de peito aberto frente a uma equipa tão poderosa como o FCPorto, e ainda po
r cima a jogar em casa, mas penso que não existe diferença nenhuma em perder por um golo ou por mais, e uma equipa jogando mais aberta até tem mais condições para surpreender a outra e, quem sabe, aproveitar-se do cansaço para levar um resultado mais positivo. É que se apresentando sempre assim, com pensamentos defensivos,resulta em espectáculos fracos, o que leva às pessoas a ficarem em casa.

Quanto ao jogo, o FCPorto apresentava-se com a equipa esperada, tendo co
mo única alteração, da equipa que se apresentou na 4º feira, a saída do lesionado Bosingwa, passando Fucile para o lado direito da defesa, cabendo a Cech o lado contrário, como seria de esperar.

O FCPorto, desde cedo, começou a dominar a partida, embora impondo um ritmo lento, muito pausado, e tentou derrubar o autocar
ro de Coimbra com mudanças repentinas de velocidade, mas sentiu sempre algumas dificuldades, tudo por causa do cansaço, atrás referido, de um jogo com uma tremenda pressão psicológica, isto sem falar da questão física, que a equipa portista teve no jogo a contar para a Champions League.

E foi depois de ter visto um golo anulado, justamente, a Lisandro Lopez, que, aos 31 minutos da partida, e com Pedro Roma a ficar mal na fotografia não defendendo um remate traiçoeiro de Ricardo Quaresma, o FCPorto viria a inaugurar o marcador.

E a partir daqui, a história do jogo poderia terminar...


O FCPorto continuava a jogar a seu bel-prazer, sempre em lume brando, com poucas preocupações defensivas visto que a Académica parecia não querer incomodar a noite descansada portista.

Na 2ª parte, tudo mais do mesmo, o tempo passava a Académica nada arriscava, e o FCPorto aproveita para passar o tempo a trocar a bola entre si, se bem que impôs um pouco mais de velocidade ao jogo do que tinha na primeira parte, mas nada de muito interessante, o jogo foi-se arrastando até ao final.

Jesualdo Ferreira aproveitava para fazer a substituição do costume, tirar Tarik para dar lugar a Farías, e também para "oferecer" a Quaresma uma grande ovação, tendo est
e dando o lugar a Mariano Gonzalez.

A equipa, com a entrada desses jogadores mais frescos, melhorou substancialmente, a velocidade do ritmo do jogo era maior tendo sido nos últimos minutos da partida os
momentos onde as maiores oportunidades de golo do FCPorto apareceram, quase umas atrás das outras, com destaque para Lisandro Lopez sempre à procura do seu golo da ordem.

Quando se pensava que o jogo não teria mais novidades, eis que Cosme Machado deu razão à sua nova alcunha, o " Cómico Machado" , expulsando Mariano Gonzalez que além
de ter sofrido uma falta, levou um soco do jogador academista, tendo este tentado responder, mas a não tocar no jogador adversário.

É interessante verificarmos quando vimos que houve jogadores da Académica que entraram, pelo menos por duas vezes, uma sobre Fucile e outra sobre Lucho, à margem das leis, a primeira com uma cotovelada e a segunda com uma entrada violenta, e não tiveram admoestações tão duras com àquela que Mariano teve. Pelos vistos, além de estar em primeiro, e com as faixas do Tri à muito encomendadas, o FCPorto ser a equipa mais disciplinada do campeonato também é motivo de confusão a muita gente .

Por fim, destaca-se à muita presença do público mostrando que continua sempre ao lado da sua equipa, e também ao feito de o FCPorto não sofrer golos no Estádio do Dragão, para o campeonato, à mais de 600 minutos, o que demonstra a qualidade defensiva da equipa portista.

Relativamente ao que resta desta época, a única preocupação do FCPorto é saber qual é a jornada em que se consagrará, finalmente, Tricampeão Nacional, e tentar que Lisandro Lopez marque ainda mais golos para aumentar a sua vantagem na lista dos melhores marcadores, isto sem esquecer que ainda tem outra competição para vencer, a Taça de Portugal.

Renovar de ambições

Foi com naturalidade que recebi a notícia de que Jesualdo Ferreira irá renovar com o treinador do FCPorto, o contrário é que seria de estranhar perante as demonstrações de competência evidenciadas a todos os níveis no futebol da equipa principal. Os jogadores estão com o treinador e isso tem sido demonstrado ao longo do campeonato, em que o empenho dos atletas é sempre o máximo e o progresso do futebol jogado são prova de que as ideias do treinador são assimiladas por todos. Além de que após a revoltante e injusta eliminação da Liga dos Campeões, que poderia fazer desmoronar a equipa, nada melhor que os jogadores saberem que o seu timoneiro continuará a ser Jesualdo.

O regresso à terra, para a continuação da conquista do primeiro e grande objectivo da época, é frente à Académica de Coimbra treinada pelo Domingos. Clube que está a fazer um campeonato mediano, mas que não virá ao Dragão apenas para servir de saco de pancada para a vingança dos bi-campeões nacionais e que deverá apresentar-se no Dragão fechando todos os caminhos para a sua baliza de forma a retardar o mais possível o golo do FCPorto, enervando assim os jogadores e o público, tentando explorar assim as feridas ainda abertas da derrota da passada quarta-feira.

Sendo o campeonato a prioridade, a equipa a apresentar tem de ser até ao fim da época sempre a melhor disponível, tendo a receita para hoje de ser a mesma do jogo da Champions League, ficando apenas Bosingwa de fora da equipa titular, já que não recuperou da lesão que o afastou da equipa a meio do jogo com o Schalke e não foi sequer convocado para este jogo. O meu onze para hoje:
Muitos dos principais jogadores da equipa renovaram, Jesualdo também já o fez, agora, e depois de termos saído da prova milionária, as ambições terão também de ser renovadas e, para além do campeonato ter de ser ganho, tal como a Taça de Portugal, a fasquia terá de ser colocada ao ponto de não se perder mais qualquer jogo até ao fim da época, tentando assim bater o recorde da maior diferença pontual entre um primeiro e um segundo classificado. Os adeptos acreditam que tal é mais que possível porque a equipa demonstrou ainda na quarta-feira a sua grande qualidade e por tal o Dragão deverá encher hoje para a aplaudir. Eu estarei lá e faço questão de prestar-lhes essa homengem.

FCPorto - Académica, 19H00 - Tvi e RTP África

07 março 2008

Manuel da crueldade aniquila dragão

Sem querer repisar quão injusta, e cruel até, foi a eliminação portista da Champions, recusando a vitória moral que nunca reclamei e enjeitando o “nunca vi nada assim” que, fatalmente, nos ocorre nestas ocasiões, há uma série de ideias a fixar que vagueiam entre o elemento imponderável (sorte e azar) num jogo e a série de regras estipuladas objectivamente para “apurar” os méritos, fora o sortilégio da bola, dos qualificados.

Do imponderável, há muita gente hoje em dia que, refugiando-se em parâmetros - nenhum científico, rigoroso, matemático, da táctica às estatísticas amiúde vagas e mesmo mal apuradas (o que é um remate perigoso?; o que são “ataques”?) - tem horror a enunciar exemplos de sorte e azar num jogo tão atreito a essa dicotomia. Tanto debate como a definir o “melhor futebol”, como se os melhores meios ao dispor não influenciem a qualidade e o que é bom futebol para uns orçamentos médios não será “mensurável” para outros mais apetrechados. Por reflexo, no sortilégio da bola e também dos reflexos e do que se acha mérito ou demérito numa acção, entra a questão da competência, igualmente mal explicada e, como é voga hoje, estreitamente ligada ao resultadismo: foi golo é culpa de fulano; sicrano falhou o golo mais fácil (?).

Das regras estabelecidas, é tão válida a importância de ter bons jogadores como a velha máxima de o penálti ser tão importante que quem o deveria bater seria o presidente do clube. Responsabilidade máxima, porque ninguém contrata jogadores para ganhar desempates por penáltis. Mas nem sempre os melhores ganham e nem sempre quem muito acerta tem tanto mérito como o resultado final pode fazer crer.

Os erros
- O pragmatismo das eurotaças, aliviado na fase de grupos onde uma noite má, e mesmo duas e até três, podem ser remediadas, atinge o auge nas eliminatórias. O FC Porto não foi tão pragmático como os alemães, pouco incomodados como “underdogs” e nada impressionados por virem, de qualquer maneira, defender o 1-0 da 1ª mão – e imagine-se o FC Porto defender assim, tudo a monte e fé em Deus…

- Na 1ª mão faltou outra preparação para o jogo: física, táctica, mental. O FC Porto fez globalmente um mau jogo na Alemanha, sentindo o pulso do adversário mas ciente de que no final a sua superioridade iria manifestar-se e mas já não emendou.

- Talvez hoje a votação no blog de qual o sistema táctico a implementar fosse mais equilibrada: o FC Porto deveria ter acautelado um 4x4x2, de resto a única forma de poder sobreviver na Europa a eliminar, como teria de confrontar-se se avançasse na prova. Custou muito ver, tanto tempo, a inferioridade numérica a meio-campo que só a falta de golpe de asa dos alemães petrificados atrás não permitiu explorar.

- Dir-se-á que a eliminação não foi por causa disso. Mas também foi, em parte, porque as dificuldades que rodearam o 1º jogo deveriam suscitar cautelas que não houve. Alguns entendem que o jogo de lá foi mal “preparado”, talvez os mesmos que criticam a tentativa (lembre-se Alvalade num jogo mal perdido mas que em nada diminuiu o FC Porto) de procurar alternativas ao sistema preferencial, sabendo que ele nos fará falta.

Os azares
- Independentemente do sistema, sem dele ser refém qualquer jogo, os erros próprios fazem ruir uma boa intenção. Infelizmente, quem fez o reparo ao golo sofrido por Hel
ton (a defesa para a frente, como se fosse deliberada…) não reparou que Neuer, no Dragão, fez uma igual, na 1ª parte, em remate de muito mais longe, só que a bola não ressaltou para Lisandro, foi para um defesa… É (de)mérito? Discutível… Da mesma forma, aludir à falha de Quaresma no prolongamento, exausto, com um pique a tirar a bola a um defesa, sem lucidez (tinha Farias atrás para servir), esquecendo o golo incrível, esse sim, falhado por Tarik aos 60’, é folhear, de novo, o manual da crueldade em que o Manuel Neuer caiu em graça por uma das mais espantosas defesas – seguramente entre as três ou cinco mais incríveis de um guarda-redes, que me lembre – da história do futebol, diria de forma pouco ortodoxa, que eu só revendo na tv consigo convencer-me de um golo cantado transformado em canto!

- De permeio tivemos uma incrível sucessão de azares com os laterais, as trocas de lá (Fucile e João Paulo), os dissabores de cá (Bosingwa lesionado, Fucile expulso, mais Meireles esgotado).

O que falta
- O facto de o adversário, com nome feito na Alemanha, não se envergonhar de jogar feio, na retranca, porque não é a jogar sempre bonito que se ganham eliminatórias, algo a que o código genético portista começa a mostrar-se avesso como se o FC Porto tivesse uma imposição visceral de jogar bonito, algo a que os tratos de polé dos espanhóis ao Porto de Mourinho bem retrataram no seu paternal exagero.

- Por fim, a acompanhar o arrojado 4x3x3, desadequado na Europa à excepção de quem tem foras-de-série (mesmo assim, o Real Madrid não vai mais longe do que o FC Porto) a falta de jogadores nucleares, médios interiores que variem jogo e permitam meia-distância no remate e avançado de reserva que Farias, definitivamente, não é: fraco fisicamente, curto de pernas, peso-ligeiro que um sopro faz aterrar.

Não fiz um reparo a Jesualdo, porque só o facto de que por mim teria apostado na estatura e meia-distância de Kaz em vez do insustentável levezinho Farias não me leva a ousar discutir uma opção legítima do técnico que, até por comparação de altura e peso, poderia mesmo implicar a presença de Adriano, para estorvar daria mais jeito…

Curioso é notar, porém, que a eliminatória com o Chelsea foi, globalmente, mais bem conseguida, com um adversário fortíssimo, com muitos e muito melhores jogadores do que os nossos, mas a crueldade desta eliminação pesa mais, sem confirmar-se o crescimento da equipa, que é notório mas não chegou, ainda, para superar o… pragmatismo já visto do Chelsea e agora do Schalke a quem ninguém pode levar a mal as perdas de tempo nas reposições, o uso do físico invulgar, a teimosia de defender a pé fixo com duas linhas de quatro (amiúde duas de cinco) elementos.

É tão enganador, e eivado de má-fé, quedar-se, nalgumas opiniões mais resultadistas do que fundamentadas, pelo Rubicão que o FC Porto não atravessa, não lhe reconhecendo a capacidade de o fazer, como especular que a falha foi no momento x ao minuto y, quando tantas coisas influíram nos 210 minutos de jogo. Ou, como ontem se leu nos comentários, recriminando isto e aquilo só neste jogo, quando a história do outro faz parte integrante e as lacunas (apoio ao ataque, cobertura defensiva, atitude de reserva e não de altivez) ali detectadas.

Discutindo se Quaresma jogou ou não? Claro que jogou, assumiu o jogo, enfrentou o dever, impulsionou a equipa, com risco de falhar, mas sempre activo, porém infeliz e incapaz de ultrapassar na sua passada curta as longas pernas alemãs e a vigilância reforçada que sobre ele exerceram. Lucho fantástico, Lisandro heróico, Assunção esmagador, Helton soberbo até fora da área, todos a saberem o que fazer com a bola (e melhor com menos um…), pacientes, abnegados, estóicos no esforço final mas carentes de mais peso, mais centímetros e mais força para rematar de longe.

Reagir
O sabor amargo na boca não desfaz o orgulho pela galhardia da equipa, que foi brilhante com 10 e menos esclarecida com 11, o brio e o pulsar colectivo que
prenderam a assistência. A equipa saiu infeliz mas não diminuída, eliminada mas convencida do esforço para contrariar um destino que o sortilégio da bola esconde até nos momentos mais previsíveis – ainda não acredito que Tarik não marcou golo, ele que deixou um dos mais memoráveis momentos do Dragão no slalom predestinado com o Marselha!

Os alemães vivem, entretanto, o seu conto de fadas, o jovem gandula que viu o Porto ser campeão europeu escreveu um Manuel de sobrevivência nas eurotaças com uma crueldade imerecida até para Helton réu da 1ª mão por uma falta comezinha que Neuer teve a sorte de não ter sido aproveitada no Dragão: e quando num ressalto, na 2ª parte, a bola tabela nas pernas de Farias e sai ao lado do poste o argumento do drama parecia destapado para perdurar na dor portista.

É tão ténue a linha que separa a glória do fracasso como a do mérito e do demérito. Que nem todos sabem apreciar.

E, contudo, além de esperar-se a reacção no domingo com a Académica (como reagirá? que equipa?, até quantos adeptos no estádio?), muitos ficam a especular “para o ano como vai ser?”, sem saber-se as saídas e as entradas, sendo certo que umas dependem das outras e os acertos nem os deuses conhecem.

p.s. – calculem a superfície da área delimitada pelos ferros da baliza: 2,44 de altura, por 7,32 de comprimento. Agora, algures num ponto dessa superfície determinado pelo bico de uma chuteira será possível calcular a probabilidade de uma bola de 410g de peso (450 no máximo) e 68 a 70cm de circunferência lhe acertar, impulsionada (com que força?) por um jogador a não mais de 2,5 metros da linha de golo? A minha perplexidade vai mais além da impotência humana de Quaresma ante o gigantesco Neuer a tapar a baliza no prolongamento.

Eleição do Jogador da Bancada 07/08 - 10º Round

05 março 2008

O autocarro que atropelou o nosso sonho

FCPorto (1)1-0(4) Schalke 04
Lisandro 86'

Equipa: Helton, Bosingwa (M. Gonzalez 54'), P. Emanuel, B. Alves, Fucile, P. Assunção, R. Meireles (M. Cech 97'), Lucho, Tarik (E. Farias 58'), Lisandro e Quaresma

45.316 espectadores

O FCPorto irá para sempre recordar esta eliminação, injusta, da Champions League, com a sensação que o sonho, em chegar à final de Maio próximo, a disputar na Rússia, foi atropelado por um autocarro de matrícula alemã que, sem saber como, conseguiu ultrapassar todas as dificuldades que a equipa portista lhe pôs nas duas partidas, mas mesmo assim não se despistou e manteve-se na estrada que lhe permite continuar a sonhar conquistar o tão desejado troféu. A equipa de Jesualdo Ferreira despede-se da prova mais importante de clubes, conforme já tinha se tinha despedido na edição do ano passado, com a consciência de que tudo fez ao seu alcance e que merecia ir muito mais longe na prova, porque tem imensas capacidades, provando dentro do campo o seu imenso valor.

O FCPorto poderá justificar esta eliminação com várias contingências dos jogos que não lhe foram favoráveis, como se queixar de falta de sorte, ou de um árbitro com qualidade que estes jogos onde se jogam muito coisa, desde desportiva como financeiramente, exigem, ou até pode-se ironizar, quase em tom de brincadeira, que o FCPorto foi eliminado pela única maneira possível de eliminar, pela marcação de pontapés de grande penalidade, já que não os podemos ensaiar, nenhum árbitro, quer seja português ou internacional, não nos assinala nenhum a nosso favor.

A equipa que Jesualdo Ferreira escolheu para tentar derrubar o muro germânico foi a desejada por a maior parte dos adeptos, com a inclusão de Tarik Sektioui na ala, deixando Lisandro Lopez no meio e remetendo Ernesto Farías para o banco de suplentes. Com essa opção, pretendia alargar a frente de ataque, já que o marroquino tem mais facilidade de abrir nas alas do que Lisandro, um jogador, cada vez mais, a render no meio, se bem que com a sua garra e espírito de sacrifício pode jogar em todos os lugares do campo.

A história do jogo é simples de contar, o FCPorto foi a única equipa que procurou ganhar o jogo, e foi a melhor equipa no conjunto das duas mãos, o futebol europeu perde em qualidade com a passagem do Schalke 04 à próxima eliminatória.

Logo aos 2 minutos, Bosingwa num remate de surpresa deu a primeira imagem do que viria a ser toda a partida, o FCPorto rematava muito mas encontrou sempre pela frente um autocarro gigante comandado por um motorista de primeira linha, de nome Manuel Neuer, sendo ele o responsável mor da passagem da equipa alemã aos quartos de final.

Até ao final da primeira parte, o jogo só teve um sentido único, a baliza do Schalke 04, o dominio portista era avassalador, mas as jogadas, invariavelmente, terminavam sempre da mesma maneira, ou era Neuer que defendia, algumas vezes mesmo por instinto, como a resposta a uma cabeçada de Tarik, ou então a defesa, liderada por Bordon, resolvia com maior ou menor dificuldade os lances de maior perigo portista.

Na segunda parte, a mesma história, o FCPorto atacava muito, como lhe competia fazer, ou seja, ir à procura do golo do empate da eliminatória, mas a equipa germânica aguentava e, à medida que o tempo passava, a sua confiança ia aumentando, de quando em vez, tentava alargar o seu futebol procurando chegar à baliza de Helton para surpreender e marcar o golo da tranquilidade.

Aproveitando a lesão de Bosingwa, Jesualdo Ferreira começou a jogar todos os trunfos, e chamou Mariano Gonzalez para ocupar a faixa direita da equipa, o argentino, apesar de algumas vezes se mostrar trapalhão, correspondeu plenamente com uma exibição bastante esforçada à imagem de quase toda a equipa.

Colectivamente, a equipa portista sempre funcionou, o domínio no meio campo era indiscutível, fruto da exibição portentosa de Paulo Assunção, conjugada com a classe irrepreensível de Lucho Gonzalez e com o esforço abnegado de Raúl Meireles .

Mas mesmo assim, o tempo passava e golo tardava a aparecer, quando o árbitro, depois de não ter marcado uma grande penalidade clarissima sobre Farías, entretanto já entrado substituindo Tarik, expulsa Fucile por este ter cometido uma falta dura sobre um alemão, aí se as dificuldades em marcar já eram imensas, então previa-se que depois iriam aumentar ainda mais.

Mas, curiosamente, o FCPorto aguentou bem a inferioridade numérica, chegando ao golo aos 86 minutos, um grande golo do sempre incansável Lisandro Lopez, a partir daí o mais dificil estava feito, a desvantagem estava anulada agora era tempo de tratar de se pôr em vantagem.

Então chega o prolongamento, continuamos a ver o filme já visto nos 90 minutos, até que Ricardo Quaresma isoladissímo, num dos poucos momentos de desconcentração da equipa germânica, consegue falhar a melhor ocasião de todo o jogo. A partir daí, as esperanças de decidir o jogo no prolongamento quase tinham terminado, assistindo-se apenas a um enorme sacrifício dos jogadores para aguentar o resto do jogo que faltava, e a já se mostrarem conformados que esta eliminatória só se iria desempatar através da marcação de grandes penalidades.

Aí a estrelinha alemã brilhou mais forte, Neuer conseguiu travar duas grandes penalidades, uma por Bruno Alves e outra por Lisandro Lopez, e assim derrubava o sonho portista da maneira mais cruel que o futebol tem.

Os adeptos do FCPorto podem estar orgulhosos do plantel que Jesualdo Ferreira tem ao seu dispor, a equipa portista não necessita de dar gritos no meio do relvado, como agora está na moda, para provar que é uma equipa unida, solidária e com um enorme coração.

Agora que o sonho da Champions terminou, há a necessidade de ser chamada à realidade, e a realidade é só uma única, estamos em contagem decrescente para a conquista do Tricampeonato e podemos ainda chegar à final da Taça de Portugal para tentar conquistar a "dobradinha". E são destas vitórias, de vitórias reais que nós somos feitos, não vivemos de vitórias morais, por isso temos de nos unir ainda mais e todos juntos iremos tornar este FCP ainda maior do que ele mostra nos relvados por onde joga.

Pede-se magia à Dragão!

E que tal dar ao Schalke um triunfo digno da final de Gelsenkichen?
Que seja como o Mónaco e os princípes portistas d
e novo reis da festa

Uma grande noite europeia pede hoje um FC Porto arrebatador que, aliado ao ambiente à Dragão, pode lançar os bicampeões nacionais para a melhor época desportiva desde o triunfo de Gelsenkirchen (2004) que se pretende reeditar em casa; e, por ironia, que o Schalke faça de Mónaco.

Para motivar o FC Porto, com a sua melhor equipa em campo desta vez e baterias recarregadas em Quaresma, de intrigante exibição na 1ª mão, e no regressado Bosingwa cuja falta então muito condicionou a equipa e o extremo desse lado, não há grandes registos históricos de superação de resultados: lembra-se o 3-0 ao Vítkovice a caminho de Viena, depois de 0-1 na antiga Checoslováquia, ou fora de casa a forma categórica como o 0-1 das Antas, para a Taça UEFA, foi transformado em mágico 2-0 no Panathinaikos que jamais perdera no seu Leóforos para as eurotaças.

Mas a epopeia de 2004 começa a entusiasmar os adeptos com o crescimento da equipa que Jesualdo soube guindar a um patamar superior nesta segunda época ao leme e a ilusão de nova final europeia tem hoje um marco fundamental que decerto levará a casa cheia no Dragão.

Espera-se é que o efectivo crescimento colectivo, defraudado na 1ª mão, tenha esta noite um esplendoroso timing de chegada para eliminar o único representante alemão na prova. Alemães, de resto, com quem o FC Porto habitualmente se dá bem, embora as contas a ajustar com o Schalke contemplem uma eliminatória inglória em 1976 (2-2 na Luz, 2-3 no Parkstadion após dois golos de Oliveira), na 1ª vez que o Schalke visita o Porto em cinco ocasiões implicado na história do futebol português (0-0 e 2-0 com o Braga e a final de Gelsenkirchen as outras situações).

Tirar partido
Para tal, alguns factores confluem em favor do FC Porto:

- jogar em casa e ter o público também com mentalidade ganhadora para empurrar a equipa

- o controlo emocional deve ser total, sem arriscar-se o ataque desenfreado mas gerindo todo o ritmo do jogo e os tempos de pausa e organização

- ter Quaresma ao melhor nível físico e mental que se anteviu no Bessa, além de Bosingwa ao seu nível habitual e Fucile sem estranhar funções

- os dois laterais do FC Porto podem fazer os estragos dos homólogos alemães na 1ª mão com as subidas ao meio-campo

- qualidade técnica individual que o tapete do Dragão ajudará a marcar a diferença, em vez do piso seco e irregular do Veltins Arena, propiciando um ritmo intenso e velocidade de circulação com pressão alta a tirar partido da atrapalhação que afectará os alemães menos confortáveis com a bola

- um golo só de desvantagem não pode inibir, o 0-0 obrigaria também ao dispêndio de energia e redobrar de cuidados para não conceder um golo em casa (porventura irremediável)

Obter o mínimo
Fica, assim, um 2-0 necessário como mínimo a obter para o FC Porto que marcou sempre na fase de grupos e, debilmente, concedeu um em Gelsenkirchen ao rival que só marcara golos ao Rosenborg no seu grupo e não é propriamente um cartão de visita...

O 2-0 tem sido fatal para o Schalke, nos últimos anos, ou mesmo o 1-3 com que foi, surpreendentemente, eliminado pelo Nancy da Taça UEFA há um ano. Mas também não tem sido fácil marcar dois golos ao S04, o que acresce ao desafio que espera Quaresma&Cª. Ainda assim, um momento de poucos êxitos e alguma turbulência interna dos alemães é factor que retira alguma confiança no seu seio.

Depois de um jogo globalmente comprometedor na 1ª mão, em que jogadores não estiveram à altura e o colectivo pagou por isso com desorientação geral por fraquezas individuais, não há tibiezas ou dúvidas menores sobre o onze a eleger:

Árbitro: Howard Webb (gosto dos ingleses), o careca total para quem não liga o nome à careta

Aposta no ataque
A colocação de Lisandro no meio é inevitável, face à leveza insustentável de Farias no contexto europeu e marcante na 1ª mão sem segurar os defesas contrários nem a bola para receber apoio da chegada dos médios.

Tarik é fundamental para o 1x1 necessário nos flancos, além de ter uma passada ligeira mas larga que permita galgar terreno até à área germânica.

Quaresma pode mostrar a Rafinha de que massa é feito e vencer o duelo perdido por falta de combatividade (ou de comparência) no jogo de lá.

A presença de Bosingwa, ainda que Slomka possa contrariá-la com alguém a fechar o corredor esquerdo alemão, pode libertar mais o Harry Potter que se pede com a magia vista ante o Chelsea há um ano.

A colocação de Lucho, e a sua eventual “sombra” a vigiar os seus passos, poderá ser de extrema importância, tal a confluência de médios centrais no Schalke em que se destacam o loiro e cumpridor Ernst, o ágil Jones e o carregador georgiano Kobiashvili a fechar da esquerda para o meio - mas desta vez terá Bosingwa a criar um factor de perturbação no flanco que impedirá a concentração de três médios centrais como na 1ª mão, então reforçados pelas subidas dos laterais Rafinha e Westermann (chegou a ser de 5x3 a disparidade no meio-campo, o 4x4x2 não seria desaconselhado de usar lá).

Rakitic será alvo da atenção de Paulo Assunção, guindado ao galarim numa época soberba, e os avançados Asamoah e Kuranyi ficarão para duelos com os centrais portistas a proporem alguma pulsação acelerada num jogo decerto impróprio para cardíacos mas que inflamará mais, por isso mesmo, o ambiente.

Ou seja, se Slomka repetir o onze (e não sujeitar-se ao sufoco desde o início com alterações à equipa-tipo na Champions), a chave estará no meio-campo e a preocupação de cobertura dos alemães, o que deixa em alerta máximo o eixo defensivo portista, incluindo o trinco) para o confronto com uma dupla de internacionais germânicos.

p.s. – O meu vaticínio: 3-0!

04 março 2008

O mestrado de Jesualdo

Jesualdo Ferreira. Rigor, seriedade, competência. Talvez os 3 adjectivos que melhor definem o actual treinador do F. C. Porto.

Natural de Mirandela, “o mestre” como Pinto da Costa de forma brilhante o chamou é uma personalidade que subiu a pulso na vida. Não tinha a elegância e o carisma de José Mourinho nem gozava da vantagem de ter sido um grande jogador de futebol.

Tirou o curso de educação física e logo se entregou ao trabalho…Selecção angolana, Estrela de Amadora e selecção de esperanças, Alverca foram algumas das primeiras experiências de Jesualdo e por onde passou deixou sempre a imagem de uma pessoa que se entregava 100% à modalidade que tanto ama.

Anos de dedicação. Jesualdo é uma pessoa reservada o seu grande amigo Toni até diz que é raro conseguir sacar um sorriso de Jesualdo que parece sempre que todos lhe devem e ninguém lhe paga.

O seu perfil é este, por isso mesmo numa das raras alturas em que Jesualdo falou dele próprio (prefere sempre enaltecer o trabalho do colectivo e deixar espaço para brilharem os seus jogadores e não ele próprio) Jesualdo disse “abdiquei da família e amigos mas nunca dos meus princípios”.

No Braga fez um trabalho notável, criou um 4º grande com dois 4º lugares consecutivos e deixou uma estrutura e um modelo de jogo montado para os treinadores que viriam a seguir dando uma lição de metodologia e organização…Porventura por ser uma pessoa que nunca se preocupou em promover-se e sempre se destacou pela descrição a imprensa nunca deu o devido valor ao seu fabuloso trabalho e arrastado por isso o presidente do Braga teve a hilariante tirada de dizer que dispensava Jesualdo porque o Braga necessitava de um treinador mais ambicioso….O que dirá hoje o presidente do Braga após dois campeonatos praticamente ganhos por Jesualdo e a maquina trituradora que é o Porto…? Parece-me que não era Jesualdo que não tinha ambição, era o Braga que não tinha uma direcção e uma estrutura capaz de acompanhar a qualidade do mestre…

No Boavista Jesualdo preparava-se para voltar a fazer um bom trabalho…mas foi impossível recusar o chamamento de Pinto da Costa para treinar o melhor clube português…

Jesualdo sabia que era a última oportunidade da sua carreira, que durante anos nunca tinha recebido o crédito merecido e que apesar da dificuldade do projecto, de chegar a um clube vencedor sem currículo, sem tempo de preparar a equipa nem de impor as suas ideias na composição do plantel, era o sonho daquele jovem de Mirandela que podia-se concretizar. Era a ultima oportunidade de compensar anos de sacrifício e de entrega ao trabalho, de provar que as suas ideias poderiam ter sucesso.

Jesualdo no trabalho que fez em Braga e pelos sítios por onde passou demonstrou ser “o professor” mas faltava-lhe o mestrado e esse conseguiu-o nestes quase dois anos de Porto. Era aquele degrau que lhe faltava subir, demonstrar que conseguia impor o seu estilo e as suas ideias numa equipa de alto rendimento como o Porto e juntar os títulos que a sua qualidade merecia.

Jesualdo tinha a pesada herança de uma táctica com apenas 3 defesas de Adriaanse que contrariavam completamente a maneira como o mestre vê o futebol, um desporto que requer equilíbrios e unitário e não apenas de ataque desenfreado ou defesa cerrada.

Depois de solucionado esse problema sofreu com o processo apito dourado e com o facto de se encontrar isolado, demasiado exposto. Não havia ninguém do clube que falasse tendo Jesualdo que levar com todas as perguntas difíceis e insinuações sem o apoio necessário da direcção.

Aí Jesualdo conquistou o meu respeito e admiração pela sua forte personalidade, grande carácter e a sua entrega a 100% na defesa do clube que representa.

Um treinador mais preocupado consigo próprio saberia que tamanha exposição iria desgastar sua imagem perante o publico e os próprios adeptos tornando-o mais exposto à critica mas mesmo assim Jesualdo aplicou a máxima com que sempre guiou a sua vida nunca abandonou os seus princípios…

Jesualdo não teve medo de enfrentar tudo e todos, de dizer frases desconfortáveis para os arautos do regime centralista como o fez após um jogo em que o Porto foi prejudicado pela arbitragem dizendo “numa altura em que se gosta tanto de falar em investigações só digo uma coisa após este jogo…investigue-se”. Coragem enorme, e grito de revolta da excelência que parte do homem comum que é Jesualdo.

Ele não tem a imagem de Mourinho, nem tem a graça de Pedroto, é um homem comum sem gostos refinados, sem preocupar-se com o dia de amanha ou a imagem que passa para o exterior, a sua felicidade é poder trabalhar no dia a dia, ver a equipa a crescer e ver os seus jogadores voarem alto.

Jesualdo por ser fiel aos seus princípios também não se preocupou quando teve de colocar todos os benfiquistas contra ele por defender o clube que representa mesmo sabendo que grande parte dos portistas nunca o viu com bons olhos por causa do seu passado, mas mesmo assim enquanto treinador do F. C. Porto nem pestanejou na hora de sair em defesa dos interesses do clube fosse contra quem fosse.

Por muitos foi acusado de ser defensivo, medroso (eu próprio já o acusei disso) mas é inegável que o que ele construiu no Porto foi mesmo uma máquina trituradora e vencedora.

Um esquema bem montado, automatismos cimentados que fazem parecer que a equipa sabe jogar de olhos fechados e uma forma de liderança eficaz, segura, dialogante, virada para dentro, sem precisar de atitudes de autoritarismo barato para vender para fora.

Se estes dois últimos anos eram o mestrado de Jesualdo este 2º era a conclusão da sua tese, absolutamente brilhante a gestão que Jesualdo tem feito esta época do plantel.

Tanto criticaram por ele não utilizar os reforços…Agora tudo faz sentido…Os rivais utilizaram reforços em grande quantidade logo desde o inicio do ano esperando com isso alegrar os adeptos enchendo-lhes da habitual esperança do “este ano é que vai ser” e dar algo para escrever aos jornalistas…Jesualdo como sempre não se importou de ser impopular em beneficio daquilo que são as suas ideias do que era o melhor para o clube. Sabia que tinha uma estrutura montada e que era difícil entrar nela e acima de tudo seria injusto obrigar jogadores que vinham de realidades competitivas inferiores entrarem numa máquina tão bem oleada como o Porto e renderem o mesmo que rendem jogadores que já vinham trabalhando segundo esses métodos um ano inteiro.

Preferiu não os queimar, dar tempo a que se adaptassem à realidade, treinando em Gaia protegidos das câmaras, dos assobios do estádio do dragão ,com tranquilidade.

Deu a ideia que eles estavam esquecidos mas agora verificamos que tudo fez parte de um excelente planeamento do professor…Lembro-me de vezes e vezes sem conta Jesualdo dizer aos jornalistas que jogadores como Farias, Kaz, Mariano etc ainda iriam neste ano ser muito importantes para o Porto. Na altura pensava que eram discursos de circunstância para os motivar, mas afinal tudo fazia parte do planeamento de Jesualdo que nada faz ao acaso. Deixou que a estrutura campeã fizesse o trabalho inicial sozinha, sem grandes mudanças para não a desvirtuar e foi progressivamente dando minutos e um espaço competitivo distinto aos reforços consciente que quando chegasse a altura certa eles estariam lá para responder presente como responderam.

E esta era a altura certa, com a champions em disputa, com muitos jogos importantes pela frente chegava a hora de demonstrar as horas de trabalho que Jesualdo dedicou a estes jogadores e eles não o defraudaram.

Brilhante também Jesualdo da forma que geriu Quaresma. Quaresma fisicamente não vinha bem e isso verificava-se também na sua confiança e instabilidade emocional. Jesualdo aproveitou por matar vários coelhos com uma cajadada só.

Provou à equipa e aos adeptos que a equipa vale como um todo e que não precisa de Quaresma para vencer, e assim deu uma enorme prova de confiança no seu plantel demonstrando para fora e mesmo para dentro que todos têm que se convencer que o Porto não depende nem nunca dependerá de um jogador, o Porto vale acima de tudo como equipa e o que importa é a estrutura , o processo e não um ou outro jogador que o integra.

Poupou também Quaresma a mais uma polémica com os adeptos poupando-o estrategicamente a dois jogos no Dragão. Com isso Quaresma e o grupo saíram reforçados e a própria imagem exterior para os adeptos saiu reforçada. Tanto se falou numa dependência de Quaresma que em dois jogos o professor teve o dom de a reverter ao ponto de se chegar ao cúmulo de se questionar se o Porto precisaria assim tanto do “Harry Potter”.

O derradeiro teste e aquilo que ainda me levantava duvidas era se o professor seria capaz de ter a coragem e mestria para fazer a rotatividade do plantel necessária para o jogo da Champions. Jesualdo é super competente mas ao contrário por exemplo de Mourinho nunca teve formação de clube grande, sempre trabalhou em clubes pequenos e médios em que tinha poucos troféus a disputar e não necessitava de fazer uso de 18 jogadores mas apenas de 11 salvo casos de lesões. Era o passo que faltava dar e Jesualdo contra o Boavista provou a tudo e todos que ninguém nasce grande treinador ou conhecedor de todos os segredos do futebol, que tal como seu futebol isso é um processo e Jesualdo soube evoluir e teve a coragem e acima de tudo a inteligência necessária para gerir a equipa sem nunca perder a identidade as ideias e princípios de jogo numa entrega tremenda como se o jogo do Bessa fosse uma final quando todos os jogadores sabiam que a verdadeira final será na 4ª feira. Manteve Lucho e Assunção e depois poupo-os mas por Quaresma e Raul Meireles nunca deixando de ter um ou dois elementos da estrutura habitualmente titular para que o corte não fosse tão radical.

Jesualdo não ganhou os 3 pontos mas se calhar ontem ganhou o respeito de todos que ainda o criticavam e acima de tudo demonstrou que temos plantel e um espírito de grupo para lutar por tudo este ano sem complexos de inferioridade.

Devo dizer que me magoa muito que ainda haja adeptos portistas que coloquem em causa o mérito de Jesualdo e as suas qualidades porque acha que o professor merecia ser muito mais elogiado e ver muito mais reconhecido o seu trabalho do que é…

Ser treinador do Porto não é fácil, são os adeptos mais exigentes em Portugal e é raro um treinador ter passado pelo Porto sendo unânime. Talvez Mourinho e Pedroto e porque estamos a falar dos melhores treinadores da historia do futebol português…

Jesualdo pelo seu estilo pouco expansivo e pouco comunicativo e também pelo seu passado ligado ao Benfica infelizmente foi rotulado por grande parte dos adeptos como um treinador sem a grandeza do F. C. Porto ou como um peixe fora de água mas acho que chegou a hora de uma vez por todas Jesualdo receber o respeito que merece. Trabalhou muito para isso, sacrificou a sua imagem e nem olhou para trás mesmo sabendo que se as coisas corressem mal seria a sua carreira que estaria em risco. Sei que o mestre não espera que lhe chovam elogios porque nunca os procurou mas mesmo assim acho que chegou a hora de reverenciarmos aquele que é actualmente o melhor treinador português a seguir a Mourinho e talvez Queiroz.

Claro que ele não é perfeito, ainda acho que Jesualdo se amedronta um bocado nos jogos fora de casa com grandes equipas mudando a táctica e a estrutura que tão bem trabalhou ao longo destes dois anos por outra que não sendo má não se adapta aos jogadores que temos nem sobretudo está tão trabalhada e enraizada.

Assim como acho que não faz a devida aposta nos jovens jogadores preferindo sempre apostar de forma quase obsessiva em estrangeiros sem grande qualidade mesmo quando pouco provam em campo ao invés de dar oportunidades sérias a jogadores da casa como Barbosa ou Castro que a meu ver seriam melhores opções que vários estrangeiros que temos no plantel. Jesualdo chegou também com fama de apostar nos jovens e isso é algo que lhe falta completar no seu trabalho.

Mas só se fosse louco poderia colocar em causa todo o trabalho que Jesualdo desenvolveu no Porto por um defeito ou falha, porque isso todos têm.

Jesualdo pode não ser o melhor treinador que o Porto já teve mas acho que claramente é dos treinadores mais importantes da história do clube e quando sair será assim que ele será recordado.

Passou um ano muito difícil por causa do apito dourado a ver a sua equipa ser prejudicada pelos árbitros e sem poder contar com o apoio de uma direcção que parecia sentir-se acossada e que estava algo limitada na sua liberdade de expressão. Logo naquele que era o seu 1º ano no F. C. Porto em que devia ter mais tranquilidade para conhecer os cantos à casa ele teve que se adaptar mais rapidamente que o normal e assumir uma postura de defesa em relação a um clube quase como se além de treinador fosse adepto ou presidente. Foi o porta-voz do clube em todos os momentos e num dos anos mais conturbados da história do clube foi campeão.

No ano a seguir viu sair Anderson e Pepe sem ter grandes reforços para os compensar e dentro do grupo que já tinha arranjou soluções e conseguiu construir uma equipa ainda mais forte e coesa capaz de esmagar em Portugal e de se impor na Europa.

Convém lembrar que este Porto tinha à partida para esta jornada menos um ponto conquistado que o Porto de Mourinho que mais pontos fez no campeonato que foi o de 2002/2003…

Muitos treinadores de qualidade passaram pelo Porto mas poucos tiveram um papel tão difícil e relevante como Jesualdo teve e poucos se sacrificaram como ele.

Foi o homem certo no momento certo. Por tudo isso ele é e sempre ficará para a história do clube como O MESTRE.

PS: Não se esqueçam de actualizar as vossas equipas do UEFA Champions Leagues Fantasy Football da Liga da Bancada, para mais uma jornada da Liga dos Campeões. Podem fazê-lo aqui até às 19H30 de hoje.

03 março 2008

Eleição do Jogador da Bancada 07/08 - 9º Round

PS1: Devido ao facto de um dos convidados não ter visto o jogo, neste caso o Zé Luís, o Ricardo Costa, também um dos convidados do Portistas de Bancada, deu as suas próprias notas e estas foram colocadas na tabela, tentando que assim não seja desvirtuada em demasia a votação final. Não incluí o Ricardo Costa na votação quando entrou para a "equipa" para que o número de votantes se mantivesse, entrando ele então sempre que necessário

PS2: Em comentário coloco os nomes dos jogadores que actuaram neste jogo. Só necessitam de copiá-los, colá-los na vossa caixa de comentários e atribuir a vossa nota (de 0 a 10).

01 março 2008

A máquina em poupança

Equipa: Helton, Fucile, Stepanov, J. Paulo, M. Cech, P. Assunção (R. Meireles 77'), Kazmierczak, Lucho (Quaresma 45'), M. Gonzalez, Adriano e E. Farias (Tarik 70')

20.000 espectadores

O FCPorto continua a sua caminhada para a conquista do tricampeonato, desta vez conseguindo um empate num Estádio sempre dificil de jogar, realizando uma exibição de garra, de solidariedade entre todos e de um espírito de sacrifício só ao alcance de grandes campeões.

O Boavista tem uma característica única na sua maneira de jogar, além de apresentar um futebol nada atraente, feio até, de jogar aos repelões e de confundir agressividade com violência, quase obriga o adversário a jogar da mesma maneira, foi na classe, indiscutível, dos jogadores portistas onde residiu a maior diferença do futebol jogado entre ambas.

Foi a pensar no jogo de 4ª feira, e numa inteligente gestão do plantel que tem sido feita pelo seu treinador, que o FCPorto se apresentou no Bessa com uma equipa de segunda linha, se é que existe uma equipa de segunda linha num plantel tão vasto e rico como é o plantel da equipa portista, todavia em momento algum se notou esse facto, já que a equipa assimilou bem as características principais da "outra equipa", tendo apenas um pormenor curioso, a presença de um único português na equipa titular, sinais dos tempos da globalização do futebol actual.

O FCPorto entrou a todo o gás, trocando a bola com passes rápidos, e logo aos 2 minutos teve uma grande oportunidade para inaugurar o marcador, numa jogada confusa na grande-área, Fucile remata forte, tendo sido Marcelão, o jogador boavisteiro que desviou a bola do caminho da sua baliza.

A partir daí, o Boavista começou, aos poucos, a retirar os complexos com que tinha entrado, querendo equilibrar a partida, embora nem sempre da melhor maneira, como já referi anteriormente apresentado um mau futebol e obrigando a outra equipa a jogar da mesma maneira, a bola era jogada muito pelo ar, e só a classe do meio campo portista é que fazia a diferença, com destaque para as recuperações de bola de Paulo Assunção, um caso de renovação de contrato a rever urgentemente, e para a classe destilada por Lucho, através de passes perigosos para os seus colegas do ataque.

O FCPorto sempre que tentava acelerar o ritmo afligia a defesa boavisteira, nesse capitulo é necessário destacar o jogo de muito trabalho, muito espírito de sacrifício de, quem diria, Mariano Gonzalez, um jogador que aos poucos está a readquirir confiança no seu futebol, e o seu nível futebolístico apresentado nos campos está a crescer muitíssimo, finalmente parece que todo o trabalho psicológico que lhe tem sido feito está a fazer-lhe bem, um caso a seguir atentamente até ao fim da época.

Na segunda parte, o jogo teve mais bons momentos de futebol do que até então jogado, o FCPorto fez entrar Ricardo Quaresma para o lugar de Lucho procurando com isso chegar com mais rapidez à baliza axadrezada, mas o Boavista também ia à frente tentando marcar um golo, criando algumas oportunidades de golo.

O Boavista procurou sempre tentar surpreender o seu adversário, mas o FCPorto mostrou-se sempre muito sereno defensivamente, resolvendo, com maior ou menor dificuldade, os ataques boavisteiros à sua baliza.

Até que Diakité foi expulso, e aí as coisas tornaram-se mais fáceis para a equipa portista, houve mais espaço para jogar e para os seus jogadores mostrarem a sua criatividade, houve um vendaval ofensivo portista, avassalador, criando várias oportunidades para marcar o golo, golo esse que iria aparecer, por Stepanov, mas Duarte Gomes, como sempre a querer protagonismo e a ter um critério desigual na amostragem de cartões, esqueceu-se de expulsar Hussaíne por uma entrada dura sobre Fucile, anulou por pretenso fora de jogo, mas dá-se o benefício de dúvida ao seu assistente.

Nessa altura, Quaresma viria a tornar-se na figura de proa da equipa, sempre com remates muito perigosos, e empurrando a equipa boavisteira para trás, mostrando que o seu descanso físico foi muito bom para si, espera-se um final de época ao nível alto que nos habituou.

Por ultimo, seria injusto não fazer uma referência aos brilhantes adeptos portistas que encheram o Estádio do Bessa criando um ambiente fabuloso, apoiando a equipa desde o primeiro ao último minuto, tentado empurrá-la para a vitória, quarta-feira, no jogo contra o Schalke 04, seremos poucos para ajudar a equipa na conquista de uma vitória, que poderá ser a vitória mais importante da época.

Tranquilidade no Bessa com o tri à vista

É em fim-de-semana de derbis e antes de um dos mais importantes jogos da época, tanto em termos desportivos como em termos financeiros, que o FCPorto se desloca ao seu vizinho da VCI para jogar o maior derbi da invicta. O facto de os mais directos adversários jogarem entre si nos outros dois derbis é nesta presente temporada um facto que não faz o bi-campeão ter nem mais, nem menos preocupação, tornando-se quase indiferente para os Dragões o resultado desses jogos. E como é bom poder assistir com esta tranquilidade e do imponente primeiro lugar que o FCPorto ocupa, a esses jogos tão apetecidos pela comunicação social.

Os axadrezados, adversários de hoje, vêm de uma boa recuperação na tabela classificativa, onde já estiveram em situação aflitiva, conseguindo que estejam hoje mais desanuviados no que se refere à manutenção na primeira liga. Mas, como todos os outros, os boavisteiros querem, mais que tudo, vencer o grande FCPorto e sabem que é o que baste para chamarem a atenção da sempre pronta, em caso de derrota do FCPorto, comunicação social.

Precisamente devido à tranquilidade em relação ao campeonato e maior preocupação para outros campeonatos, Jesualdo Ferreira resolveu, e bem, poupar alguns jogadores, como Pedro Emanuel e Bosingwa, sendo que Lisandro está ainda a recuperar de problemas físicos e também não foi convocado para esta partida. De volta, depois do descanso dos jogo da taça, regressam Bruno Alves, Fucile, Quaresma, Raúl Meireles e Helton, sendo que poderão ser todos titulares neste jogo. Ainda assim, será compreensível que outros jogadores mais utilizados, como Paulo Assunção ou Lucho fiquem no banco de suplentes, utilizando o professor neste caso, Kazmierczak e Mariano Gonzalez que tão bem terá estado no jogo da taça da passada quarta-feira. Uma possível equipa para Bessa:

O FCPorto vai contar com um mar azul-e-branco de apoio esta noite. Mais uma vez e como sempre, apesar de poupanças, o FCPorto tem toda a obrigação de vencer este jogo e assim presentear os mais de dez mil dragões que irão ao estádio apoiar a equipa. A dinâmica imposta pelo “mestre”, como lhe apelidou Pinto da Costa, e bem, tem feito com que jogadores menos utilizados entrem no onze sem este se ressentir e mesmo a pensar mais no jogo da Liga dos Campeões, os onze jogadores que entrarem em campo, terão mais que obrigação de oferecer aos portistas que se deslocarão ao estádio um grande presente, e este será tão só uma grande vitória, para ter, cada vez mais de perto, o tri à vista.