11 abril 2012

Competitividade e alargamento

Ao contrário da generalidade das opiniões, que acho mais "compradas", interesseiras (nos casos dos órgãos do futebol) e não fundamentadas, continuo a defender o campeonato a 18 clubes. É óbvio que terminaria com essa aberração da taça da treta.

Se repararem, no momento em que a equipa que parecia imparável cá, lá fora e no exterior disso tudo, do mundo e arredores, não tem pernas para mais, em Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha joga-se a meio da semana mais uma ronda da Liga. Só a Bundesliga tem 18 clubes, os outros contam 20. Há cinco equipas espanholas nas oito das semifinais europeias e essas equipas, como o Athletic e o Barcelona, ainda continuam para a final da Taça do Rei, competição que jogam, acho que mal, a duas mãos. O Bayern também está. E o Chelsea. Este vai mal, mas o Bayern continua a perseguir o Dortmund no campeonato.

Ao contrário também do que dizem, foi com a habituação a 18 clubes que as equipas portuguesas mais se habituaram a jogar mais vezes. O FC Porto ganhou a Taça UEFA e a Champions em anos consecutivos, jogando ainda as finais da Taça de Portugal (venceu uma, perdeu outra) e sendo bicampeão.

Jogar mais não fez mal, ao contrário do que vi propagado pelos papagaios do costume.

O campeonato tuga vai parar por causa de uma competição idiota à imagem de quem a fez e a qual interessa a cada vez menos equipas. Uma competição com regras estúpidas, que chegaram a dar confusão tal a dimensão da cagada regulamentar. E uma prova que nada dá a mais e nunca dará um lugar europeu.

Nos campeonatos principais, estando Portugal em 5º lugar do ranking da UEFA, joga-se a sério a meio desta semana. Por cá já só faltam quatro jornadas para um campeão anunciado e há mais duas finais para disputar.

O bacoco presidente da Federação acaba de reafirmar que até 2015 não se muda. Estaria protocolado. Pronto. Há maneira do funcionalismo público, o que está é inamovível. Até alguém reformar isto de alto a baixo, como deve ser.

Visto do Porto

 Até a chuva já veio abençoar o Norte, com descida de temperatura em zonas sensíveis de Lisboa (-4)...

10 abril 2012

Coisas com nexus mas sem senso algum

Subscrevo integralmente o que está escrito pelo Nexus e sabem que raramente faço isto. Ao fim do dia apareceram as notícias nos sites dos jornais.
Mas este caso incomoda-me e muito. Em conclusão, e como tenho repetidamente escrito, Portugal é o que é e está como está por causa disto e coisas similares. Um país atrasado, bacoco, que confunde "rivalidade com cidadania" como o grunho da SICN que aqui trouxe.. Uma Função Pública que não se enxerga, um sentido cívico e colectivo que não faz equipa e sem isso não vamos a lado algum - a não ser que contribuam todos para a mama de alguns -, um País sem cultura e valores além de alguns dispersos mas com tendência para fomentar fracturas em vez de união, um País sem futuro porque a maioria são grunhos da pior espécie.
Repito só o que escrevi a propósito:
- o FC Porto devia eleger este Pai o Adepto do Ano com um Dragão de Ouro;
- nenhuma funcionária/o público falaria daqueles modos comigo, sob pena de levar um par de estalos;
- teria retirado obviamente a minha filha daquele antro de estupidez e facciocismo.

Dois líderes

Muitos problemas, mais a expectativa inusitada na transição de época depois do sucesso retumbante da anterior, tantos focos de tensão, amuos, arrelias a sério, inopinadas transferências e adiados movimentos de mercado, 2011-2012 era um presente envenenado para um novo treinador com o handicap de ser ex-adjunto e nunca ter treinado nem uma grande equipa nem sequer uma pequena na I Liga.
Ao fim disto tudo, com os naturais solavancos e faltas de carisma entre outras debilidades expectáveis para um estreante ao mais alto nível, Vítor Pereira sofreu e ainda sofre injustas comparações; mas está a sair por alto nos momentos mais importantes: faltou um só golo, mas não as oportunidades e o bom jogo, para passar os grupos da Champions, mas está lá e estamos lá nos jogos cruciais do campeonato. As duas provas importantes, sendo a prioridade o título nacional.
Vítor Pereira teve de superar muitas vicissitudes. Entre elas, aspecto fulcral que tantos palpites suscitou para quem vê de fora, o relacionamento mas, acima de tudo, a revolta dos jogadores em momentos negativos.
O último foi só Álvaro Pereira, em Braga, mas algo normal, atendendo ao jogo péssimo que efectuou e pelo qual estaria seguramente desagradado. Tivemos de tudo, de Guarín (Belluschi nem tanto) a Fucile (semanas afastado da equipa por alguma coisa foi e... despachado), a limpeza de balneário em Janeiro. Até Hulk, em casa com o Paços fez a sua figurinha. Percebeu, arrependeu-se, penitenciou-se, e demonstrou o que é. Recentemente, foi Rolando, também e apesar da braçadeira. Os jogadores querem jogar, mas nem sempre sai bem e têm de reconhecer que há outras opções, até algo diminutas, e cabe ao técnico exercê-las. Parece que Rolando está calmo no banco, entrou sem azedume quando teve de ser e tudo não parece mais do que naturais "desabafos" e irritações como sucedem a tantos jogadores de forma mais ou menos visível.

Não vou, por isso, na tentação fácil de pegar pelo último caso; ilustra apenas o rol de casos de toda a época que, estupidamente, muitos atribuem ao treinador, como se isto pudesse ser controlado a não ser pela formação própria das pessoas sem esquecer que a quente pode-se reagir mal. E não passa disto, até porque pretendo sublinhar o aspecto que, mais uma vez, passou ao lado e comprova como tudo não é mais do que uma tempestada temperamental sem consequências e fruto do calor e das frustrações do jogo.
Hulk, que já na época passada desgostava das substituições, acabou a capitão, aqui num "golpe de balneário", em Barcelos (ainda que transitoriamente passando por Rolando, Hulk estava castigado), a braçadeira passou de Helton a Hulk, da baliza ao símbolo portista. Como noutro tempo Vítor Baía a deixar a braçadeira a Jorge Costa, da baliza ao símbolo portista (e Baía não o era menos). A braçadeira tornou-o mais responsável? Seria natural se assim for.
Em Braga, Hulk e Vítor Pereira (não necessariamente nesta foto) acertaram ideias sobre coisas do campo. Serenamente, como foi o jogo compenetrado do FC Porto ciente da missão a cumprir em tarefa delicada. Uns segundos, troca de palavras e gestos para dentro do campo. Fazer correcções necessárias.
A simbologia perfeita da união da equipa em campo que o azedume de Álvaro não apaga, nem sobrepõe ao que foi o jogo determinado e acertado da equipa.
Não apreciei as declarações do treinador antes do jogo, a apelar à união e a que se deixasse o clube, a equipa acima de querelas pessoais. Se é que existiam, mas Vítor Pereira deixou de alguma forma pontas de dúvida como restos de lixo que não foram devidamente varridos para debaixo do tapete.
O jogo e especialmente a conferência de líderes a meio da 2ª parte, creio que estava ainda 0-0, merecem este destaque. O treinador terá tido a mão no balneário, ao contrário dos adivinhos e leitores de carácter, seguramente com a força da SAD, não duvido (a limpeza de Janeiro di-lo por si, e aqui lancei o problema sem temores) e a harmonia reinante, que a frustração de Álvaro não abala, fará com que o FC Porto acabe com o campeonato em beleza. Como era objectivo. Tudo o que correu mal, escalpelizado abundante e longamente, esta época só serve de ensinamento para o futuro. Continuo a achar o treinador mais vítima que culpado e a aposta de risco da SAD/Pinto da Costa a comprovar isso mesmo. Experiência ganha, por técnico (deixará de ser estreante e ex-adjunto) e por sociedade que deve pesar certas variáveis causadoras de turbulência. Até porque a equipa vai precisar de reforços e não serão poucos. Infelizmente, um recomeço custoso em diligências de mercado e gastos em transferências.
O que acho piada é os detractores portistas conseguirem ser aziagos e do contra só porque sim  o foram sempre, não dando o braço a torcer, não reconhecendo os problemas verdadeiros, não responsabilizando devidamente e atirando tudo para cima do treinador que é um gestor de competências e de humores - mas claramente sem se preocupar com as competências e humores dos de fora, mesmo que putativos adeptos. É bom que tomem os Rennies que recomendam aos adversários. Mas Vítor Pereira, a ficar como é suposto, e só por uma vez admiti (custam-me aquelas repetidas vezes do "entrámos mal e não sei porquê", só isso) que não fique mesmo campeão por todo o rasto de problemas mal identificados por quem aponta defeitos de fora como se conhecesse o que vai lá dentro, terá imensos críticos para o ano. Se começar a correr mal, claro. Difícil é ver ao perto, quanto mais ao longe.

Limpem lá o cu a isso, depois tirem o ranho e aliviem a baba

Demencial mania das trincheiras. A nu e preocupada.
Se sobrar alguma coisa, tirem a cera dos ouvidos entupidos pelo Rui Grunho da Silva



09 abril 2012

Penáltis, cartões e expulsões: agora estão habituados, os árbitros tugas até já são bons...

Artur Sonso Dias fez como o João pode ser o João Ferreira: deixou passar um empurrão na área do Benfica. Era o 2º penálti em escassos minutos. O Benfica está um ano depois em "morte artística". Mas tem a taça da treta em mira. Artur Sonso Dias ajudou a isso. Dois penáltis contra uma equipa, na taça da treta, arranjou ele num Porto-Setúbal. Dois penáltis para o Sporting contra o FC Porto, na mesma taça da treta, estava lá o Carlos Xistra.
Mas já se habituam os da impunidade vermelha: na mesma semana, em jogos seguidos, penáltis, cartões e expulsões. Mas o árbitro dos bloqueios, que até inventou um a safar a defesa do Sporting na 2ª parte, é tuga e é bom. Nem se queixam agora. A missão estava cumprida, com a taça da treta e a vitória sobre o Braga.
O Luisão é que não deve gostar: marcaram o penálti dele e ao Garay não. Estavam desesperados pelos centrais titulares e até o girafa acabou expulso.
Quem semeia ventos, colhe tempestades.

Ups, afinal o arcanjo Gabriel ainda foi dar uma palavrinha. E logo do gajo que evitou levar cincazero... Ah, bem, e também do treinador que escapou outra vez ao cincazero...

Árbitro avisado de bloqueios vale por dois? E era conhecido com que antecedência para se falar bem deles?

Não contava com Artur Sonso Dias, não contava com árbitros dos grandes centros nos grandes jogos, para evitar pressões inerentes à proximidade. Sabemos como isto é... Contava com Benquerença em Braga e Xistra em Alvalade ACT.: Afinal, o Xistra é 4º árbitro. LOL! Vindos de longe do ruído, ainda que não longe das suspeitas. O encobrimento ignóbil não as elimina. O silenciamento dos media não tranquiliza quem tem sede de informação e ela mesma não se cumpre, não se dignifica.
Tal como na revelação da nota do bruto do Caixão no Gil Vicente-Sporting, é num jogo do Sporting que se sabe com horas de antecedência o árbitro. Quem está por dentro e tem ligações internas a preceito saca as notícias. Ou lê as entrelinhas. É só relacionar a potencial fonte, onde está inserida e onde trabalhou antes para juntar as pontas, não é preciso nenhum Sherlock ou Poirot...

ASD ainda me deixa na dúvida - quer na sua qualidade técnica, quer na lição eventualmente aprendida ou desvalorizada e menosprezada de conhecer os bloqueios tácticos que não há só no basquetebol...

Já se percebe, mentes malvadas certamente, a razão de Jorge Jesus ter dito que, comparando com árbitros estrangeiros, os portugueses até são bons. ASD permitiu-lhe um golo em falta na taça da treta, frente ao FC Porto, mas isso somos nós com a mania da perseguição e o vitimismo porque falamos mal dos árbitros quando perdemos e bem quando ganhamos...
Como esta palhaçada vai continuar até ao fim da época, reafirmo os meus palpites para os cruciais jogos do FC Porto com Marítimo e Sporting: João pode ser o João Ferreira na Madeira e Roubarte Gomes no clássico. Previa o inverso, o João pode ser o João Ferreira tão famoso no Porto-Sporting, mas a presença no sábado de Roubarte Gomes no derbi madeirense retira-o do próximo jogo em casa do Marítimo, seriam dois seguidos nos Barreiros... Eventualmente, Jorge Rouba na Madeira, mas isso seria deixar tudo muito ao acaso e não me parece que os meandros da arbitragem estejam quietos.
A arbitragem, helàs, sobre a qual há tantos experts e nenhum se manifesta agora, estranhamente, mesmo aqueles que se confessaram servidores de clubes para esse efeito, como o inafável Marinho das Neves com Dias da Cunha, e poderiam ganhar mais uns patacos a servir certos jornais que lhe pagam para outras informações, em dinheiro, para não deixar rasto...

O animal já agride no seu curral

Tresloucado. Doentio. Irrecuperável.
Já imagino o que sucederá se chegam a Camp Nou em desvantagem. Quatro pontos, faltam três jornadas, 4ª feira há dérbi no Calderon.
Entretanto, uns mostram o que são e outros também, escondendo-se.

08 abril 2012

Masoquismo, ou acham-se todos Jesus...

Limito-me a escrever o que vou vendo, há muito deixei de replicar ao que vou lendo ainda que lendo só por alto e em diagonal. Para sentir a aragem.
Consta-me que os aziados não são só vermelhos, parece que muitos azul-broncos encaixam mal certas vitórias do FC Porto, com aquela epístola sacramental de terem atravessado o Vítor Pereira. O pior é se Pinto da Costa acha mesmo que o homem deve continuar, estribado não só pelo ano de contrato restante mas também pela capacidade de levar o barco ao bom porto do título. Sem um ponta-de-lança de jeito, como mais ou menos todos já perceberam ao fim de não sei quantos meses.
Das reacções dos adeptos contrários já nem espero nada, de muitos portistas não espero, ponto, especialmente em vitórias como esta. Ainda há quem teime em ver Vítor Pereira pelas costas, constatação. Ponto. Desses também nada a esperar.

Doutros, do que leio por alto e em diagonal, vejo até quem aponte o golo falhado por Hugo Viana, como se antes não tivesse sido Quim e brilhar e, para mim, a fazer a defesa mais extraordinária de todo o campeonato - algo que ficará na memória como aquela do Banks a negar um cabeceamento de Pelé de cima para baixo, imortalizada até pelos personagens que foram, como Quim ficará por ter sido com Hulk, não seria o mesmo se fosse com Melgarejo ou Edinho...
Parece que o Porto se arriscou a perder na única clara e bem construída ocasião de golo do Braga ante Helton. O golo falhado por James, um cabeceamento de Maicon (ou Otamendi) a cruzar a baliza e a sair junto ao poste distante, a última ocasião de Alexa Sandro que com ressalto quase marcava mas tinha Defour, salvo erro, para servir de baliza escancarada. Nada disso parece ter-se passado, nem o facto de o FC Porto ter assumido as despesas do jogo, chegou, impôs-se e venceu num campo difícil um adversário muito forte.
Então, se Hugo Viana falhou um golo, também Hugo Viana falhou um passe. Sim, o FC Porto CONTROLOU Hugo Viana, mas isso não parece ter mérito. Sim, o FC Porto fez pressão alta e, assim, POTENCIOU o erro do adversário. Foi o caso, não foi o acaso, não foi acidental, não foi uma vez, foi a estratégia do treinador e a aplicação dos jogadores. Creio que foi Defour (ou Moutinho) a pressionar Viana, James a interceptar um passe de risco, depois este a lançar Hulk que, INCRÍVEL, até marcou de pé direito.
Não se faz, não estava no cardápio e surpreendeu toda a gente. Mesmo depois de visto e revisto o lance, a culpa é do Viana, só lhe faltou marcar na própria baliza.
Como é que alegados portistas não vêem isso?`É difícil, a tv falhou, o comentário distorcido ouvido falou mais alto?
Devem estar todos solidários com Jesus nesta hora pascal. Até na beatitude do momento o grunho diz que os árbitros portugueses nem são maus. O Capela, já beatificado, até teve razão em expulsar o Caimar. O Skomina fez o mesmo com Maxi Pereira. Não se percebe é a diferença da crítica a uns e ilibando outros. Ou o comprido não funciona ou até Benquerença retirou queixas em potência e o Hugo Viana é que sai sacrificado no altar da parvalheira.
Perdoai-lhes, Senhor, porque são tão feios, porcos e maus.

07 abril 2012

Incrível ponta-de-lança

Continuo perplexo sobre a possibilidade, cada vez mais real, de o FC Porto ser campeão sem um ponta-de-lança de jeito. E, repetindo isto há muito tempo, continuo a achar, creio ser o único, que, no panorama actual que já tem vários meses de competição sem novidades à vista, Hulk é o jogador que melhor actua e funciona naquela posição. Hoje, marcando de pé direito, à ponta-de-lança que não se faz rogado (ele que até com o canhoto às vezes se perde em cerimónias...), numa importantíssima e justíssima vitória do campeão a reafirmar o seu estatuto com um candidato fortíssimo como é o excelente Sp. Braga, Hulk confirmou as suas credenciais. Vítor Pereira, sinceramente, não tem muito que escolher entre Kléber e Janko, já nem ligo a qual das opções deita mão. Mas ao intervalo percebeu que, como Kléber na 1ª parte, não é só o avançado-centro, à falta de melhor jeito, dar luta na frente e "marcar" os centrais contrários. É preciso força, decisão e ser craque para decidir um jogo. Hulk tem isso tudo e é o jogador mais valioso da Liga sobre o qual assentará, definitivamente, a virtude de o FC Porto revalidar o título.

Uma grande partida de futebol, seguramente a melhor do campeonato pelo jogo repartido, muitas ocasiões que poderiam ter deixado o marcador em 4-5 ou 5-6, sem casos, uma arbitragem bastante boa ainda que não de todo competente (Olegário tem lapsos por precipitação tão próprios dele), um jogo que acaba com todos a trocarem cumprimentos e num fair-play tão raro de ver. Foi um espectáculo. Poucos o viram ou apreciaram, gostam mais de coisas feitas por outro lado...

Excelente jogo do FC Porto, apesar da perda de intensidade de Lucho mais uma vez a retirar perigo a situações de transição que pediam passe preciso e presença física nas divididas, com mais ocasiões de golo e melhor e mais fluído jogo, ao contrário da opinião de Leonardo Jardim. Já nem digo das lamentáveis, todas, apreciações nos painéis da treta das tv's imbecis que não se reformam por dentro por tanta mediocridade própria e a escolher comentadeiros encartados mas tão fracos e previsíveis. Jardim pode confiar no que quiser, nunca vi o Braga com capacidade de campeão e hoje não esteve ao nível do FC Porto, limitando-se a contra-ataques, bolas perigosas e a uma só flagrante ocasião de golo. Mas, quantas oportunidades teve Quim de brilhar só na 1ª parte? Quantos golos iminentes, bolas efectivamente direccionadas para a baliza, não teve o FC Porto para justificar outro resultado para além da vitória incontestada e incontestável?

Vítor Pereira montou muito bem a equipa e o meio-campo mandou no jogo, anulando Hugo Viana, desfazendo as iniciativas de Mossoró e deixando Lima quase sem apoio, restrito a pontapés para a frente onde a sua correria e aptidão para o remate fazem dele um avançado temido - e assim fez o 1º remate bracarense aos 29', ao lado. Helton, na verdade, só teve de fazer defesas praticamente a evitar autogolos (dois), ou num livre à figura de Hugo Viana. Quim, ao invés, fez talvez a defesa mais brilhante de todo o campeonato, num pontapé de Hulk quase da linha de fundo. Mas já não defendeu o remate cruzado do Incrível que deu golo e ditou a vitória portista que podia ter sido ampliada na parte final.

Os médios complementaram-se e fizeram grande pressão ofensiva. James e Hulk ajudaram a tapar os corredores, equilibrando os números na linha intermédia. Mesmo com o pior jogo de sempre de Álvaro Pereira pelo FC Porto, mais um Kléber inexistente na acção de construção ainda que activo a defender das subidas dos centrais e a obrigar Custódio a manter-se no apoio central atrás, o FC Porto teve iniciativa, deixando ao Braga esporádicos contra-ataques. Mas isso, do Braga, não chega para discutir o resultado, pode dar para discutir o jogo, mas o FC Porto foi sempre mandão, também soube resguardar-se quando momentaneamente - ao contrário do que fazem crer os pategos nas televisões todas, sem excepção, que falam mais do Braga como se merecesse ganhar; ao invés, gostariam, todos sem excepção, que desse empate e o Benfica aproveitasse - os locais se empertigaram e por curtos períodos incomodaram a defesa portista que esteve sempre impecável, tal como Helton.

O treinador do FC Porto fez bem as substituições, Álvaro esteve quase desastrado e com um amarelo também infeliz - corte com a mão involuntário, depois de ressalto da bola numa coxa a evitar um cruzamento - foi rendido a tempo por Alex Sandro, que precisa de mais atenção no controlo de bola. James estava esgotado, fez trabalho de equipa e recuou muito, sem ser decisivo junto à área, enquanto a entrada de Rolando se impunha com o desespero bracarense - mas inócuo - ao meter Nuno Gomes lá na frente para o chuveirinho que nem chegou a existir. E a troca de Kléber por Varela, muito percutante na esquerda, metendo Hulk no meio, foi decisiva. O pé direito de Hulk, por exagero e ironia, mostrou isso tudo para felicidade de uma equipa que actuou como campeã, impondo-se (só o Benfica, com sorte, empatara em Braga) e saindo vitoriosa. Sem espinhas, sem casos de arbitragem e sobrando apenas azia como aos paspalhos da SICN que deram-se para falar se Vítor Pereira - determinante em mais um jogo do título - fica ou sai e o significado do seu apelo à união a meio da semana (algo a que me referi também, achei despropositado e são essas bolas fora aproveitadas pelos do costume, que apanham as deixas todas para malhar no mesmo, enfim...).

Tenho pena que o melhor jogo do campeonato, sem nada a apontar às três equipas em campo, não merecesse outros destaques e apreciações mais positivas nos painéis da treta, mas não me admiro a não ser a capacidade fora do normal parsa suportarem tanta azia. Parece que eram eles, nas tv's, a sofrer a paixão de morte, como na última ceia, que marca a quadra. Tristes, patéticos e pindéricos.