04 março 2014

Selfies das putas dos panfletos

 

Esta é de hoje e só confirma os "selfies" lisbonenses, a par dos preconceitos habituais. Podiam ter colocado a foto de Pinto da Costa que o "Lisboa a arder" tinha outro impacto para além das letras garrafais como se o incêndio do Chiado fosse obra daqueles "lá do Norte", como dizia um distinto comissário da pocilga Polícia local. Isto comparado com os "casuals" não serem o motivo da violência inaudita antes do Porto-Sporting é um must do tratado e compêndios vários da idiossincrasia lisbonense. Só falta reeditar a "Santa Aliança" quando o Porto for a Alvalade e à Luz. Parabéns aos primos.

Como há "selfies" patrocinadas pela marca de Smartphones usada no efeito, percebem-se as capas dos panfletos de caserna.
 
Nada como estar nas boas graças dos amigos, até da vizinhança.
 
A propósito deste lixo informativo, com menções envergonhadas a um golo limpo anulado ao Belenenses da forma tão inexplicável como Preocupações Fonseca vê o FC Porto sofrer golos como se não se percebesse a razão de tantos e tantos deslizes defensivos, lembro-me



lembro-me de um Belenenses-Benfica contado pelo mesmo jornal e com o actual presidente dos árbitros a apitar no Restelo. O Benfica deu a volta ao resultado: com um golo que não entrou e com outro de Edgar em fora-de-jogo. A capa do Record era mesmo assim: NÃO ENTROU, com o g.r. segurando a bola em cima da linha de baliza.
 
Hoje, os tempos são outros, mesmo com algumas caras sendo as mesmas, mas as cabecinhas pensadoras...
 
Já nem digo para imaginarem que o Benfica perdia 1-0 e tinha um golo assim, estúpido e inacreditável, negado por um "liner" vesgo, ah esse seria logo "comprado" e "corrupto". Este tanso vai passar à história quase sem se lembrarem dele. E salvo de lhe partirem os dentes no Colombo ou riscarem o carro algures em Lisboa.
 
Ficam os apanhados. As "gajas", a quem não faltam publicidades, montras e parangonas várias, como se isto tivesse interessa, fizeram as "selfies". As putas dos panfletos também.

Vai sair, mas não é hoje?

Não sei o que impede, mas foi o que me disseram.
Já agora, o Michael Laudrup está livre. E sabe como dar banho de bola ao Benfica.

Chamam-lhes roubos, mas alguns vêem como boas arbitragens

Só ontem, casualmente, vi o golo anulado ao Belenenses pelo qual ninguém vai pedir satisfações a Vi-te ó Pereira nem tem letras garrafais nas capas dos pasquins, que não tem palavras para descrever a rara decisão do árbitro-auxiliar. A peripécia de, alguns renitentes e que decerto enchem a boca de vitupérios quando o seu clube é alegadamente prejudicado, poderem comparar-se com o golo do Belenenses na Luz na 1ª volta (que para mim é válido pois não colhe o argumento de estorvar a acção do g.r., algo por exemplo não contestado, mas verificado, em mais um golo falso em Penafiel para a taça da treta) é apenas parte do folclore tuga, nada mais que isso.
 
Esse golo que impediria o Benfica de ganhar no Restelo - embora fosse possível um treinador ir dizer no final que nunca se saberia como acabaria o jogo em termos de resultado, acrescentando fineza de argumentação a uma lixeira de lugares-comuns e tergiversações costumeiras - só me fez lembrar um, digamos ao contrário, permitido a Vukcevic, do Sporting, num jogo em Vila do Conde para a taça da treta e que nem valia nada para a economia da prova nem escapava aos raros momentos, ainda que frequentes mas primando pelo esquisito que são, de que essa prova de cagadeira do esterco da Liga é pródiga.
 
Também não me impressionou ouvir o treinador do Benfica falar de boa arbitragem, quer do árbitro quer dos seus auxiliares. Para sempre ficará o "limpinho, limpinho", isto já depois de Jesus ser capaz de ver foras-de-jogo milimétricos, ainda que amplificados por monumentais capas de pasquins e panfletos de caserna, perdendo a visão em lances similares que favorecem a sua equipa.
 
Não vi o jogo do Restelo porque não pediria por nada do dérbi de Madrid. Um dérbi marcado por uma arbitragem, lá como cá, de antigamente, pró-Real Madrid até ao tutano. Aliás, nem conhecia o árbitro vasco/basco, embora tenha ficado em alerta quando li na Imprensa espanhola que esse árbitro ia sempre bem para os blancos: apenas 3 empates sofridos, pois apenas sofreu o 4º empate em quase dezena e meia de jogos. E, claro, a questão das autonomias em Espanha não entram na economia dos campeonatos, pois ainda na época passada se via o Real Madrid passar impune com penáltis iguaizinhos ao que Ramos fez sobre Diego Costa. E há duas épocas, para o título do Real Madrid que tanto gostou a Mourinho, mais do mesmo. Mas ainda na época passada foram negados penáltis claríssimos, também de Sergio Ramos, quer no jogo do Camp Nou para a Taça do Rei (fazia o 1-1 momentâneo), quer no jogo do Bernabéu, no último minuto, que daria o 2-2 ao Barça.
 
No Calderón houve dois penáltis claríssimos não assinalados contra o Real Madrid, incluindo um encontrão de Pepe a Godin com quem se pegara antes e Diego Costa, que tantas levou já como no jogo da Taça, ainda viu um amarelo por simulação quando foi derrubado, fora da área, por Arbeloa.
 
O triunfo da autonomia da arbitragem espanhola estará tanto por fazer por pecados originais comuns à arbitragem tuga. Os resquícios do fascismo peninsular implicados no futebol local estão bem vivos. Mesmo que digam o contrário do que se vê, como o PCP é capaz de elogiar o regime norte-coreano, acusar alguém de ingerir-se nos assuntos do chavismo louco venezuelano que trará a miséria comum a esse tipo de práticas políticas e ensaboadelas ideológicas ou chamar que é o fascismo, e não o comunismo soviético, de novo em campo na Crimeia e com a Ucrânia, de novo, sob a pata do tanque russo - ainda há pouco se celebraram os 70 anos do Holodomor (o quê, pergunta a Sílvia Rato que nunca ouviu falar de Coreia do Norte...).
 
Enfim, ainda vi uns minutos do Sporting-Braga, onde o portuense Artur Soares Dias voltou a ser bem-visto em Lisboa, como convém a um portuense que queira subir na vida.
 
ASD tão vesgo a negar dois penáltis ao FC Porto na Luz teve olho de lince para assinalar um para o Sporting, que existiu mas foi muito muito difícil de ver até na tv, com Mané inteligente a forçar o penálti levando-se a bater nas pernas do defesa Sasso que ia de carrinho.
 
Um mimo a que deve juntar-se, ironicamente e curiosamente, o bracarense Jorge Ferreira no Restelo, com díspar critério disciplinar, ao que se lê nas crónicas. O mesmo díspar critério disciplinar de ASD em Alvalade, mas não há dúvida que passa-se bem a jornada do campeonato sem comentários negativos na tv e críticas acérrimas nos jornais, que ficam gravadas para a posteridade, enquanto a tv é um saco de vento que amanhã já se esqueceu...
 
Todo um programa ibérico que lembra sempre outros tempos, já antigos mas bem vivos na memória de quem os conheceu.
 
Um bocado o mesmo que falar da teoria da soberania limitada, de Brejnev, no tempo do "urso soviético", retomada agora por Putin na Crimeia.
 
Há coisas que nunca mudam. De facto. A História regista todos os episódios, mesmo que alguns os neguem e outros façam de conta que uns e outros, por sinal vermelhos, são o mal que importa erradicar, mesmo que se achem os mais santos e puritanos à face da Terra.
 
Entretanto, à boa maneira ditatorial colocando-se acima de qualquer crítica e actuando como se não tivesse de prestar contas a ninguém, o Pinto da Costa vai também apodrecendo e desintegrando o FC Porto com a teimosia dos autistas na questão imunda do treinador Preocupações Fonseca que tem mais elevação e ética a pedir a demissão um par de vezes do que a SAD actuar em vez de ser compelida a reagir, o que é sempre a contragosto dos ditadores e que nunca dá bom resultado.
 

03 março 2014

«Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro»

 
E nem é preciso saber de Revolução Francesa para conhecer a ascensão e queda de Napoleão. O seu génio militar, acima da turba multa do derrube da Monarquia e do pavor do Terror de Robespierre, rapidamente levou-o à decadência, apesar do seu sentido político, igualmente fracassado.
 
Vem aí mais uma semana sem jogos e propícia a mudar de treinador: a última oportunidade da qual nem me lembrei quando enumerei todas as outras que desde a viragem do ano se sucederam.

Por isso os adversários, e certos comentadores, estão tão contentes por Preocupações Fonseca fazer parte do problema do FC Porto e nem Pinto da Costa ser a solução.

Reflexo da cultura dos equívocos?...

Que ideia de os ratos fugirem: banqueteiam-se!


Foram só quase 30ME de prejuízos no 1º semestre, mas tudo a bem de manter a equipa a lutar em todas as frentes. O Preocupações Fonseca merece todas as atenções. A SAD também. De repente parece-me ver o Sócrates a governar o Dragão. Livra!

Agora que a questão do treinador está arrumada...

... com a definição segura do 3º lugar, para tranquiliza-lo na defesa dessa posição na tabela sem o risco de relegação, duas vezes na mesma época, para a Liga Europa.



Estando a SAD, para muitos, livre de críticas por uma gestão amadora e ruinosa do futebol desde há um ano enjeitando renovar com Vítor Pereira...
 
... e se é certo, embora não comunicado à CMVM como era suposto, que Fernando terá renovado (uso o condicional para não melindrar), enquanto os pategos gritaram vivas à certeza da renovação depois de insultarem o agente Araújo do jogador...
 
... poderia perguntar, a talhe de foice, onde anda assegurada a renovação, prometida desde o início da época, de Jackson, que de vitória em vitória foi sendo transformada em empate e empate...
 
... isto se quiserem malhar nos jogadores também, pôr à polícia atrás deles e Pinto da Costa "terminantemente" a fazer figura de parvo e a precipitar o seu fim no FC Porto, que já dura há muito tempo, com os seus acólitos e aduladores mais ou menos "católicos".
 
Eu poderia continuar, mas o treino não é a minha especialidade e o que se vê no campo não resulta da falta de trabalho à semana, isso só os conspiradores inteligentes são capazes de magicar só para dizer mal do FC Porto que nunca se viu em tal aperto.
 
Mas canso-me mais depressa do que a equipa e, sim, ando a dizer o mesmo há muitos e muitos meses.
 
O Produções Fictícias é que anda a dar pérolas a porcos. E bem as merecem. Essas e as hóstias do presidente. Comam que faz bem. E vão aplaudir e cantar, para manter o hino, à falta de cultura. Com exigência, claro. Ou isto não fosse o Porto.
 
Ia embalar mas nunca mais acabo.

02 março 2014

Vão quatro jogos sem ganhar mas continuem que estão bem!

Ainda bem que o campeonato continua a ser a prioridade, no final deve restar Pinto da Costa para festejar o título do Benfica no Dragão.
Só na Europa é que o Porto perde vantagens de 2-0, apanhamos com um Eintracht de Frankfurt em cada esquina, agora deve ser Freiburg, Nuremberga ou Berlim.
Uma maravilha para os adeptos da geografia, pois quanto aos especialistas que analisam os golos sofridos devem ser todos burros.
Com tanta asneira até uma arbitragem miserável pela parcialidade disciplinar passa despercebida.
É o que há.

Afinal há alguém que se lembra da FA Cup final de 1973 melhor do que eu...


 
Sunderland volta a Wembley, de novo um ano desencontrado com o último grande momento da sua história. Em 1992 perdeu a FA Cup para o Liverpool. Em 2014, regressa para enfrentar o Manchester City e é só a Taça da Liga inglesa, não a taça da federação, a Taça de Inglaterra com a qual comecei a ver o futebol lá de fora.
 
Note-se, para este comentador inglês natural de Sunderland, até naquela época a BBC dava um jogo por ano, o "masterpiece" de Wembley. A RTP era quase a mesma coisa, podia não dar a final do Jamor (raramente), mas a de Wembley era quase sagradinha, ainda que tenha falhado em 1975 e 84, por exemplo, que lembro bem essas ausências: em 1978 não pude ver o Ipswich de Bobby Robson ganhar ao Arsenal, tinha um Boavista-Porto imperdível (0-2, Gomes e Oliveira) nessa tarde de sábado algures em Maio, com o FC Porto lançado para o título pela primeira vez em 19 anos.
 
Também naquela época eu via o Leeds como uma equipa formidável, de resto por esses tempos apanhara alguns clubes portugueses e lembro uma eliminatória fantástica com o maravilhoso V. Setúbal de Pedroto que fazia a vida cara a qualquer um na Europa.
 
Adorava ver aqueles gajos de cabelo comprido mas asseado, numa luta frenética mas sempre compostos e o penteado nunca desalinhado. Parecia que nem suavam, por faltarem os grandes planos. O relvado nem levantava, era um tapete aos quadradinhos. Tudo parecia mágico, ainda que tão ininteligível como os cânticos das bancadas. Ninguém jogava fora de casa em Wembley. E sempre vi aquilo assim até assistir ao vivo e com todas as cores a uma coisa semelhante em 1995: Everton, 1 - M. United, 0, depois de Bobby Robson, convidado de honra e viajando no mesmo avião que eu, me sugerir que fosse umas duas horas antes do jogo para começar a apanhar o ambiente. É único até para quem já viu futebol em todo o mundo!.
 
Gostei da descrição deste "lad" do nordeste e tenho ideia do massacre ofensivo do Leeds em busca da igualdade. Mas, lá está, o campeão inglês perderia a final da taça com uma equipa da II Divisão. E em 1974 lá estava o Leeds United - era bonito só de dizer o nome, límpido como o equipamento todo branco e antes que o Real Madrid se tornasse moda do lado de cá da fronteira, muito menos o Tottenham - em Paris, para uma final da Taça dos Campeões com o Bayern de Munique, mais uma final perdida como foram inúmeros finais de época da melhor equipa inglesa que ganhava um título nacional e ficava cinco ou seis vezes em 2º lugar, coisas estranhas até pelo técnico Don Revie, campeão mundial em 1966, ser capaz de largar tudo e ir para... os Emirados Árabes Unidos, naquele tempo, imagine-se... 
 
As coisas eram mesmo estranhas, em Maio de 1976 o Southampton, de vermelho e branco às riscas como o Sunderland, lá venceu o Man. United saindo da II Divisão. Separados por 1000 kms, da costa sul ao nordeste, eu confundia os clubes por a informação ser escassa e má como comecei a perceber depois. Era incrível e, como Seninho logo depois com os dois golos do Porto em Old Trafford (5-2 em Outubro de 1976), o marcador Bob Stokes foi jogar para os EUA...
 
Gosto da descrição de Steve Cram porque ele tinha 12 anos ao tempo e eu 11. As memórias dos miúdos que iam à bola ou viam de longe a preto e branco também me acompanham. E depois de ver o Sunderland eliminar o Manchester United com uma fantástica 2ª mão em Old Trafford, ganhando por penáltis após final dramático no prolongamento que nem chegou para dar-lhe a qualificação directa com o 1-1 aos 119' (o United fez 2-1 aos 120), sei que Wembley é traiçoeiro e em Maio passado o City perdeu a FA Cup no último minuto, num canto, para o Wigan.
 
Mas este City é de outra cepa com Pellegrini e não a equipa desarrumada e pouco convincente de Mancini.
 
Porém, se ainda há tradição no futebol é em Inglaterra. Sei-o há 41 anos, mesmo que o futebol não seja o que era e a imprevisibilidade ter desaparecido com o mercado "multitudinário" que levará o City à vitória esta tarde (14h). Desde que o "lowly" e "underdog" Sunderland ganhou ao "mighty" e "almost invencible" Leeds, como diria o outro, fiquei com o cheiro do relvado na retina...

O marcador desse golo de 1973, Ian Porterfield, um defesa-central, chegou a ser seleccionador da Arménia mas, por doença (o câncro iria vitimá-lo uns anos depois), falhou um jogo frente a Portugal numa das recentes qualificações. Ninguém sabia que esse homem (na foto à esquerda) enorme - em estatura só uma vez alguém me impressionou mais, ao sair de um balneário em Braga, e chamava-se John Toshack, treinava o Swansea, estendendo-me uma mão que dava duas da minha! - marcara um dos mais famosos golos de Wembley.
 
Assim, na BBC, retomei memórias que poucos partilharão. Como o hino da FA Cup - hoje é só a Taça da Liga -, "Abide with me" (permanecem comigo).

01 março 2014

Cultura da bola e os abortos paralamentares

Um instantâneo do País, associando dois campos aparentemente opostos, no Má Despesa Pública. De Penamacor, com amor e sem muitos comentários. Portugal é isto. E são tantos os retratos locais como os broncos que os tugas fazem eleger.

Sinal negativo da Imprensa (na Cofina tomada pelo álcool)


ACTUALIZADO (sábado, 10.15h): Em tempo, tirado daqui:
No DN colaborou em tempos Fernando Pessoa, um bêbedo. Um tipo que era apanhado, não poucas vezes, em flagrante de litro. Para desculpa do DN, naqueles tempos ainda não havia o arsenal de leis purificadoras que permite, hoje, o Correio da Manhã (salve, ó bíblia dos costumes morigeradores!) tirar os seus jornalistas da perdição. Um jornalista tipo CM vai para uma reportagem e salta-lhe ao caminho o advogado da empresa: "Fulano, vamos lá ao nosso exame de deontologia!" O advogado aponta a linha reta feita a giz que o jornalista, de braços abertos, tem de percorrer sem bambolear. Exame conseguido, o jornalista já pode ir fazer, por exemplo, a manchete de ontem do CM: "Pai de Sicrano em fuga por tráfico de droga". Não importa que o Sicrano, de 19 anos, não tenha culpa dos tráficos do pai. Leva com o seu nome, o traje de trabalho (Sicrano é jogador de futebol) e a foto na primeira página. Algumas almas piedosas podem não achar isto bonito, mas o importante, não é?, é que aquela manchete não foi feita por um bêbedo. Um jornal com manchetes alcoólicas, fontes anónimas e jornalistas sóbrios. E, suspeito, talvez outros jornais lhe sigam o exemplo. Infelizmente, eu, que sempre bebi pouco, tenho de declarar que nunca soprarei o balão numa redação. Cruzei-me com alguns camaradas talentosíssimos e bêbedos, e, esgotadas todas as tentativas de lhes chegar às canelas, quero guardar a última esperança de o conseguir com uns copos.

Li esta semana uma notícia no JN em papel, depois sem apanhar o link na edição online que continua a ser tratada com os pés, tal como as edições digitais em geral da Imprensa tuga, os rodapés das tv's nos serviços noticiosos com erros de Português e o teletexto com notícias que demoram horas a ser actualizadas ainda das tv's da paródia nacional onde o tuga comum julga ficar informado com os patetas alegres das pantalhas e os editores broncos da superficialidade comicieira ou ao estilo cinéfilo.
 
A notícia indicava que a Cofina, proprietária de Correio da Manhã, Record e Jornal de Negócios, entre outros títulos da Imprensa nacional (Sábado, por exemplo), iria fazer testes de alcoolismo aos seus funcionários e nem seriam à sorte, mas perfeitamente dirigidos e sabiamente "conscientes" dos alvos a atingir. É natural que, no limite, um prevaricador seja sujeito a despedimento.
Vejam-se dois exemplos, recentes, aleatórios do estado das coisas:
 um caso de droga de alguém desconhecido tornado público envolvendo alguém conhecido mas alheio, aparentemente, ao caso de droga
 E o JERKPOT dos tansos que antecipam vendas, dos clubes que lhes importam e dos papéis que mal servem para embrulhar peixe
O Sindicato dos Jornalistas (SJ), citado na notícia do JN, já teria sido informado da opção da empresa e criticado a mesma, ainda no Verão passado. O Rascord, entretanto, meteu na 1ª página uma notícia de solidariedade do Sporting com o Mané visado, sem indicar o contexto da indignação causada e o motivo da solidariedade manifestada. Timidamente, vinha num canto da capa, como o de cima...
 
São tudo factos e, entretanto, no mesmo dia, o CM publicava na 5ª feira as vendas diárias controladas pela APCT (Asasociação Portuguesa para o Controlo da Tiragem). Todos os títulos tiveram quebras e o sinal negativo é evidente no quadro abaixo.
 
As pessoas podem interrogar-se como um CM vende 112 mil jornais diariamente durante um ano. Já olhando para o Record (47 620), ninguém é capaz de imaginar que em 1997 vendia também 112 mil jornais diariamente num ano. Isto antes de ser comprado pela Cofina e, na estrutura, ter ficado relegado para 2º lugar, abaixo do CM.
 
Veja-se como estão os chamados diários de referência (Público e Diário de Notícias). O JN, nas ruas da amargura, somado com o DN e O Jogo, todos da Controlinveste, representam um total de 88 mil, o que ainda fica abaixo quase 25% do CM sozinho.
 
O Record, entretanto, mudou do cabotino Alexandre Pais para o fanático João Querido Manha em meados de 2013. Amorteceu a queda, anual, que era invariavelmente na ordem dos 10 ou mesmo 11%, amiúde 12%.
 
O Jogo está nos 18 mil, o que é um nível mediano face à sua existência que ainda esta semana comemorou, penso eu de que, os 29 anos. Nunca saiu bem da cepa torta, nem com o Oliveirinha como patrão ou sem o Oliveirinha patrão, isto é com António Oliveira no FC Porto e na Selecção Nacional ou sem António Oliveira no FC Porto e na Selecção Nacional.
 
Esta gente julga-se o centro do mundo e tende a desaparecer mais depressa do que o mundo. Há quem vaticine que até 2028 Portugal deixará de ter jornais impressos. A mudança para o online é periclitante.
 
O problema é que a qualidade definhou de forma alarmante. Não há credibilidade. E inovação não é inventar, é melhorar qualidade na credibilidade. O resultado é isto, ano após ano. E há estúpidos que não se apercebem.
 
Olhando para os números e a vida prática, ao contrário de há uns anitos, consigo ver um ou outro com o CM na mão, no Porto, mas há meses que não vejo alguém com um Record, no Porto. O JN só existe em cafés, é o jornal colectivo que já nem pelos anúncios se salva, a não ser os coloridos relax que são entre 3 e 4 páginas, contra duas colunas de anúncios de emprego.
 
A vida é dura e esta gente só está a comer os próprios ossos. De resto, praticamente é tudo igual, não há muitas diferenças e as perspectivas de notícias são as mesmas, ideias de colunistas (em abundância insuportável) idem e notícias exclusivas uma raridade - porque os jornais fecharam as fontes e limitam-se a press releases de interessados na política, na economia e no desporto. 

2012
2013
   Variação
Correio da Manhã
117918
112606
-4,5%
Expresso
82386
77544
-5,9%
Jornal de Notícias
63101
56031
-11,2%
Record
52242
47620
-8,8%
Sábado
39861
36829
-7,6%
Visão
38347
34082
-11,1%
O Jogo
21549
18397
-14,6%
Público
21160
17824
-15,8%
Diário de Notícias
14920
13311
-10,8%
Sol
16665
12741
-23,5%