12 fevereiro 2008

O Currículo

Na altura em que escrevo, existem dúvidas sobre a veracidade dos dados biográficos de Leando Lima. Ainda não são conhecidos os contornos completos do caso mas, aparentemente, L. Lima terá sido uma daquelas crianças que se foi registar pelo próprio pé. Segundo notícias recentes, terá mais dois anos do que o que constaria dos seus documentos.

Já muito se escreveu sobre este caso. Já se insinuaram responsabilidades ao FCP. Na edição online do jornal “O Jogo”, correu um inquérito sobre qual deveria ser a resposta do FCP ao caso – defender o jogador, ou rescindir o contrato. Responsáveis da federação brasileira de futebol, confrontados com as possíveis consequências deste facto – L. Lima terá sido utilizado na selecção sub-20 do Brasil já com 21 anos – ironizaram sobre se o FCP perderia os seus títulos por causa desta questão.

Pessoalmente acredito que, caso se revele verdadeira a fraude, esta só pode ter uma resposta. Evidentemente, não poderá recair qualquer pena sobre o FCP. Tal só poderia suceder se o clube fosse conivente com a situação – o que não poderá ser o caso, já que Leandro Lima representou irregularmente a selecção brasileira muito antes de ser jogador do Clube – ou se tivesse beneficiado da irregularidade da sua inscrição
– o que também não será verdade, já que L. Lima só foi utilizado em jogos de séniores.

Torna-se claro, portanto, que o FCP não terá beneficiado com esta situação. Pelo contrário, tudo indica que terá sido vítima de uma fraude. Para além do talento natural de um jogador, a sua idade é também um factor decisivo na definição do valor de mercado. A idade dá-nos duas informações. Por um lado, diz-nos (mais ou menos) quantos anos de carreira o jogador terá pela frente, até à sua reforma. Por outro lado, diz-nos qual é a sua margem de progressão. Naturalmente, no caso de um jogador jovem, este último factor é decisivo. Ser um jogador importante da selecção brasileira de sub-20, aos 19 anos, é verdadeiramente impressionante. Assumir esse papel aos 21 anos já impressiona muito menos.

Acresce que a margem de progressão de um jogador de 21 anos é muito menor do que a de um de 19. Dois anos, nessa fase de intensa aprendizagem e de adaptação ao futebol sénior, fazem uma diferença enorme. Pode-se justificar, para o FCP, contratar um jogador com 19 anos que não tenha perspectivas de ser titular – sendo legítimo esperar que, com a natural evolução, possa conquistar um papel importante na equipa ao fim de um ou dois anos de aprendizagem. Já é mais duvidosa – e arriscada – a contratação de um jogador de 21 anos nas mesmas condições. Logo, o factor idade é decisivo na atribuição d
e um preço ao passe do jogador. Nesta circunstância, pode-se concluir que o negócio foi fraudulento.

Perante o exposto, não tenho dúvidas de que seria legítimo ao FCP anular o negócio da sua aquisição. Pode, portanto, reagir de duas formas. Tem legitimidade para anular a transferência, exigindo a devolução do dinheiro investido. Em alternativa, pode renegociar com o clube de origem do jogador, reavaliando o jogador face à sua idade real, e exigindo a devolução da parte do passe correspondente à diferença.

Penso que a melhor solução será a primeira. Por um lado, será muito difícil reavaliar o jogador, atribuindo-lhe um valor aceitável para as partes. Uma vez iniciada a negociação, seria provável que se chegasse a um valor de consenso superior ao real valor de mercado, pelo que o FCP continuaria a sair prejudicado (note-se que, ao assumir esta opção, o FCP estaria imediatamente a admitir que pretende ficar com o jogador, apesar de tudo – ou seja, que lhe atribui um valor elevado). Por outro lado, existe um factor externo que será importante neste caso. Tendo havido fraude quanto à idade, não restariam dúvidas de que o jogador será o primeiro responsável. Tendo representado selecções jovens com uma idade acima da regulamentar, será de esperar um castigo pesado da FIFA – o qual penalizará, indirectamente, o proprietário do seu passe. Ou seja, o FCP arriscava-se a não poder utilizar o jogador durante uns bons meses.

Acresce que a veracidade dos factos descritos num currículo têm sempre implícito um compromisso de honra. Mentir num currículo é um acto gravíssimo, que atesta falta de princípios éticos por parte de quem o faz. Ainda há coisa de um ano tornou-se mundialmente célebre o caso de uma alta responsável do MIT (uma das principais universidades norte-americanas), em relação à qual foi descoberta uma fraude no seu currículo quando aderiu à instituição, já lá iam mais de 20 anos. Nunca esteve em causa a competência da senhora – já que subiu ao topo da hierarquia –, mas estava em causa a sua ética (e se teria deixado ficar para trás alguém ainda mais capaz, graças à fraude). Naturalmente, a senhora demitiu-se imediatamente.

Num clube como o FCP, em que o profissionalismo e a união do balneário são imagens de marca, penso que não deverá haver dúvidas sobre a resposta a este caso lamentável.

10 fevereiro 2008

Sem surpresas

Equipa: Nuno, João Paulo, Pedro Emanuel (Castro 60'), Stepanov, Lino, P. Assunção, R. Meireles (Hélder Barbosa 67'), Kazmierczak, Mariano G., E. Farias (Rabiola 74') e Tarik S.

7.000 espectadores

Foi sem surpresas que o FCPorto ultrapassou esta modesta equipa da Sertã e passou aos quartos de final desta edição da Taça de Portugal. Como notas de maior realce, o facto de Pedro Emanuel ter saído maltratado, deixando alguma preocupação em relação à evolução do seu estado físico, mais dois golos de Ernesto Farias, o que revela uma regularidade impressionante do argentino e mais quatro golos num jogo esta época do FCPorto em jogos oficiais.

Como devem compreender nenhum dos convidados da Bancada teve oportunidade de assistir a esta partida, sendo assim difícil apresentar uma crónica sobre a mesma e sendo também impossível poderem ser atribuídas notas ao jogadores, não havendo, então, sobre este jogo, o respectivo round do Jogador da Bancada.

Opinião da Bancada
Aproveito este post para lançar uma nova pergunta na Opinião da Bancada. A questão, que já está desde ontem na barra lateral, tem a ver com algo que tem vindo a ser discutido na caixa de comentários por dois dos convidados do Portistas de Bancada (Zé Luís e Ricardo Costa). Não é fácil saber que melhor táctica resultará na Europa e acredito que as opiniões se dividirão, mas por isso mesmo lanço a questão, tentando assim sentir o pulso de todos os Portistas de Bancada sobre este assunto. Aqui fica a pergunta:
Como deverá o FCPorto jogar na Europa?
Em 4-3-3
mantendo o habitual esquema utilizado no campeonato e em que o FCPorto está mais rotinado
Em 4-4-2
adaptando-se assim à maior exigência que os poderosos conjuntos europeus nos apresentarão

09 fevereiro 2008

Humildade e respeito

É certo que o adversário é da terceira divisão nacional, é certo que é um adversário que, à partida, deveria estar ao alcance até dos juniores do FCPorto, mas também é certo que a possível sobranceria que o bicampeão nacional poderá ter ao encarar esta partida com a pequena equipa da Sertã poderá trazer dissabores já vistos e revistos pela banda do Dragão. A maior dificuldade nestes jogos é arranjar motivação suficiente para que os jogadores das grandes equipas encarem os desafios com toda a seriedade e não se deixem surpreender durante a partida. Jesualdo sabe disso, experiências passadas terão servido de exemplo e as cautelas nunca deverão ser demais na mente do treinador.

O Sertanense FC, uma modesta equipa que está no 4º lugar da serie D da terceira divisão, recebeu, por ter chegado a esta fase avançada da competição, como grande prémio a visita da melhor equipa portuguesa e líder da primeira divisão. Composta por muitos brasileiros e também comandada por um, o que dará um pouco de fantasia à equipa, os jogadores que compõem este pequeno clube são na sua grande maioria elementos que não fazem do futebol a sua principal actividade, mas que guardarão todas as suas forças durante a semana para se mostrarem no palco em que estarão nesta tarde de domingo.

Precavido, Jesualdo não deixará ninguém facilitar neste jogo, mas há que ter noção que se aproximam jogos difíceis e rodar plantel será, mais que obrigatório, óbvio. Assim prevêem-se compreensíveis mudanças em todos os sectores da equipa sendo que o onze que escolheria teria uma base da equipa titular. Com Tarik de regresso, este voltaria a um dos flancos, Farias deverá ser mantido na equipa para que não perca de modo algum o ritmo em que tem estado, no meio campo Assunção serviria de pronto socorro e na defesa deixaria Bosingwa na sua ala, já que Fucile, com o jogo que teve na selecção, deverá acusar a fadiga normal das circunstâncias. Para o caso de aparecer alguma surpresa no resultado, há que ter no banco de suplentes outros grandes jogadores da equipa. A minha equipa seria então a seguinte:

Será necessária muita humildade e muito respeito por uma equipa que, como é natural, se transcende nestes jogos, muito respeito por jogadores que sabem que podem ser vistos como nunca para que o seu sonho de voar mais alto no mundo do futebol se possa concretizar. A final do Jamor, mais concretamente vencê-la, é mais uma das grandes metas da época para o FCPorto e alcançar esta meta passa também por vencer equipas modestas e tal só é conseguido, e relembro, com humildade e respeito.

Sertanense FC - FCPorto, Domingo - 15H30, Estádio Municipal Dr. Marques Santos (Sertã)

PS: Para quem estiver interessado e para quem poder ver, este fim de semana o Portistas de Bancada terá o seu programa na RNtv (Região Norte TV), tal como tinha anunciado há duas semanas atrás. Através de uma entrevista que dei na passada semana, o programa X-Blog dá especial destaque a este blog e logo em dose tripla. Assim, para que fiquem informados, o programa passará hoje, sábado, da parte da manhã, por volta das 11h00 e à noite depois do Jornal do Norte, por volta da 20h20. Amanhã, Domingo, o programa passará também da parte da manhã por volta das 11h00. Da minha parte só tenho de agradecer publicamente à RNtv o convite que muito me honrou e esperar que todos os Portistas que frequentam esta Bancada gostem.

08 fevereiro 2008

A mentira não tem futuro

"Sou treinador do Belenenses há ano e meio e em quatro confrontos que tive com o Paulo [Bento] antes deste, perdi três e empatei um. Burro não sou. E pensei que tinha de mudar o sistema face ao Sporting e sabia que esta estratégia ia ser uma surpresa"
Jorge Jesus, após o Belenenses-Sporting, 1-0, em que os azuis jogaram em 3x5x2

O FC Porto pode estar prevenido quando visitar o Restelo, nos finais de Março (24ª jornada). A equipa que interrompeu a série de 8 vitórias consecutivas dos dragões (1-1) promete mais surpresas depois de bater Benfica e Sporting em Belém.

Embora não aprecie o estilo, Jorge Jesus é reconhecidamente um técnico sagaz a montar estratégias sem privilegiar um sacrossanto sistema. Os fins justificam os meios e todos os técnicos conhecem os + e - das equipas adversárias e seus treinadores. Eu não aprecio - este ou outros que dão ênfase à táctica, embora os compreenda - porque retenho sempre a imagem de equipas com a chamada tracção atrás, sem correrem riscos, jogando no erro contrário, especulando com o jogo e, por fim, desvirtuando uma peleja em que, com a bola redonda e 11 para cada lado, retiram não só o lado aventureiro do jogo como o romantismo da luta leal que vedava a utilização de subterfúgios mais ou menos dissimulados e até eticamente reprováveis.

Artur Jorge e Alemanha
É claro que com os anos vamos perdendo a paixão de adepto e assumindo, em nome de capacidade crítica consequente à experiência, uma postura de treinador: pelo menos para nos habilitarmos a uma leitura do jogo, medindo a conveniente distância para quem é treinador mesmo. Da minha parte tento parar nesse limite.

Já vi Artur Jorge desprender-se de tudo o que era adquirido para conceber formas de travar o Ajax de Cruijff (2-0) com o jovem van Basten e a Holanda de Michels (1-0) com o potentado Gullit, nas Antas, pelo FC Porto e a Selecção Nacional. A campeã europeia Holanda que começou o Euro-88 a perder com a URSS modificou-se e ganhou à mesma equipa a final de Munique duas semanas depois.

Aqui e ali, uma esperteza ladina pródiga no jogador e treinador tugas fizeram história. Mas não só, ou não fossem os alemães artistas no disfarce quando se submeteram à Grande Hungria (3-8) na fase de grupos para ganharem aos Mágicos Magiares imbatíveis em 34 jogos em 4 anos, o Mundial-54 (3-2).

Hoje em dia, independentemente dos meios e dos truques mais ou menos lícitos, quase ninguém quer saber o sistema de Scolari, se o tem, desde que a equipa ganhe. E só em nome de uma mal concebida teoria de superioridade táctica alguma equipa hoje não ‘versatiliza’ o seu sistema de jogo.

As contas de Jesualdo
Como Jorge Jesus, Jesualdo pode fazer contas ao que ganhou e perdeu com Paulo Bento, outro treinador que acentua no discurso a "fase defensiva" e denuncia o modus operandi de um jogo súcio que raramente dá resultados, isto é dá umas vitórias mas não campeonatos.

A contar com isso, Jesualdo sabe que perdeu a Supertaça a jogar em 4x3x3 em Agosto último; ganhou (1-0) ao Sporting 15 dias depois em casa no mesmo sistema com que perdeu (0-1) em Março passado no Dragão; isto depois de ter feito 1-1 em Alvalade, na 1ª volta da época passada, em 4x3x3 e 4x4x2 quando teve que segurar o empate na meia hora final.

Denominador comum, até recuando aos confrontos com Adriaanse (1/2 final da Taça no Dragão por penáltis e decisão por Jorginho da Liga em Alvalade), é que o Sporting de Paulo Bento, talvez por emulação leonina, sempre deu muito que fazer ao FC Porto, ciente logo à partida de os leões jogarem atrás, arriscarem pouco e terem muito mais a ganhar, com simpatia geral da sua encomiástica juventude e de alguns cronistas do regime, do que a perder.

Esse cinismo, muito à italiana mas que ao Sporting não serviu ante os mestres da arte como foram Udinese e Roma em anos consecutivos, transforma-se em heroísmo insano se calha bem aos leões frente ao FC Porto.

O 4x3x3 de Jesualdo, entretanto, perdeu Tarik em África e a simetria do sistema ficou logo à prova. São os jogadores que fazem os sistemas, como provou Adriaanse em 3x4x3 e 3x3x4 mas já não foi o tolo do costume na decisão de Alvalade, ao optar por um 4x3x3 com cautelas… defensivas. Não transitou em julgado a sentença da imutabilidade dos sistemas e de conferir-lhes o labéu de ofensivo ou defensivo consoante o número de jogadores atrás, especialmente no meio-campo. Quem viu o 4x4x2 levado a Alvalade tirou a conclusão de haver ali um sentido defensivo que o jogo não mostrou logo desde o início nem foi a certificação da derrota imerecida. À falta de melhor argumento, porém, a propaganda do “medo” incutido por um sistema vingou nalguns espíritos mais apressados e “resultadistas” (perdes, logo o sistema foi mau).

Lições para o futuro
Como uma mentira pode ter presente mas não tem futuro e Jesualdo colhe os ensinamentos do passado, admito que frente ao Belenenses este comportamento "pouco católico" de Jesus possa fazer o FC Porto adaptar o seu sistema para não bloquear nas alas como em Alvalade e agora o Sporting no Restelo.

O 4x4x2 já foi utilizado em Chaves, para a Taça, e com a rotatividade do plantel pode ser testado de novo na Sertã: campo minúsculo, maltratado, impondo o futebol “ao monte” que exige adaptação, mais luta do que futebol, baixar ao “nível deles”. É assim na Taça.

São opções legítimas que se abrem na gestão de um plantel que não pode ser refém de um sistema só. A ascensão repentina de Farias, depois de uma paciência de santo desde o Verão para com o seu crescimento também demonizado pelos adeptos precipitados nos juízos feitos, não augura para a Champions a cristalização do 4x3x3 que parece desaconselhável - não era a pecha de Adriaanse na Europa? - perante adversários de outro potencial competitivo, individual e financeiro.

Até porque nunca se sabe como Tarik volta de África e o 4x3x3 homogéno só tem sentido com ele ou fica coxo e porventura debilitado. Se a fórmula sagrada fosse conhecida Fernando Santos estava consagrado no FC Porto, sempre em 4x3x3 e suicida em muitas ocasiões.

Numa mão-cheia de factores que condicionam a implementação de um sistema, ou variante para determinado jogo, têm abundado os fatalistas. Até parece que o FC Porto não dá muitos mais motivos de conversa do que o estafado sistema.

Como antevi, o jogo com o Leiria provou que é diferente o 4x3x3 com Farias do 4x3x3 com Tarik. E um 4x3x3, consagrado como o mais ofensivo, não só perde sentido ante uma maioria de adversários europeus em 4x4x2 ou similar, como só se justifica a quem tem os melhores jogadores do mundo que à frente resolvam jogos atrás de jogos: Barca, Madrid, Inter, M. United, por exemplo. O 4x3x3 dos anos 70 galvanizou quem tinha os craques daqueles tempos: Ajax, Bayern, Liverpool. Havia extremos e em Portugal Quaresma e Tarik parecem excepções, até Cristiano Ronaldo amiúde é ponta-de-lança, atrás de um ou ele mesmo na frente. Hoje, um 4x4x2 do Liverpool é diferente numa equipa alemã, por exemplo, e mais diferente ainda de uma equipa italiana. Jesualdo deve andar em testes laboratoriais com a ideia essencial: como vingar na Europa?

07 fevereiro 2008

Quaresma

Quaresma no sábado deu a melhor resposta que podia dar numa altura em que se mostrava falta de sintonia entre Quaresma e alguns adeptos portistas.

Havia muita gente que já defendia que ele deveria passar pelo banco, mas acho que nesse aspecto Jesualdo esteve muito bem, mais do que ir para o banco Quaresma necessitava de uma grande exibição e de mostrar aos adeptos o porquê dele ser um dos craques do Porto.

Ele exagera? sim. Por vezes dá a ideia de querer lutar sozinho contra o mundo? Sim. Por vezes prefere fazer o mais difícil só para conseguir sacar mais um bruaaa da bancada? Sim.

Mas Quaresma é assim, é puro, fantasia e magia no estado bruto. É a finta, é o olhar destemido nos olhos do adversário e é a indolência com que por vezes ele passa pelos adversários directos, é a arrogância na forma como aborda o duelo individual.

Um génio, e tal como todos os génios ele é feito de excessos. Os artistas por vezes parecem viver num mundo aparte, um mundo em que mais ninguém os entende mas que os faz ver tudo um passo á frente dos outros...

Por isso mesmo são tantas vezes incompreendidos mas quando desaparecem deixam uma saudade que nunca se apaga...

Num dia a dia cada vez mais enfadonho, numa sociedade massificada em que parece que todos os dias são iguais é bom sentir que ainda existe algo de inesperado, algo que nos faça saltar da cadeira, que nos faça abrir a boca de espanto e fazer acreditar que o mundo ainda tem para oferecer pequenos momentos únicos e especiais e que há pessoas que são predestinadas para nos fazerem sentir e ver coisas que nós nem conseguíamos imaginar serem possíveis... Quaresma é dos últimos românticos do futebol...

É impossível uma pessoa vencer onze jogadores? É impossível ganhar sempre fazendo trivelas, toques de calcanhar e fazendo sorrir as bancadas? Com Quaresma só pode esperar uma coisa...o inesperado...e isso sabe tão bem. Ele não é perfeito, por vezes prejudica a equipa, mas por favor não matem a poesia do futebol...

Ele irrita-nos, por vezes parece que não se preocupa connosco uma vez que parece mais virado para si mesmo, mas em pequenos momentos ele demonstra-nos que bem pelo contrário ele só nos quer fazer felizes...felizes com pedaços de futebol que de tão belos esteticamente misturam bailado com ilusionismo.

Quaresma é filho de uma mistura explosiva...Recebeu da mãe os genes da magia africana, o ritmo frenético, a indomável sede de vitórias e vontade de superar obstáculos e do pai recebeu os genes da cultura cigana. A forma como ele baila com a bola não engana assim como o seu forte temperamento que se por um lado por vezes leva a excessos que o prejudicam também o fazem ter a força de carácter para nunca desistir mesmo contra tudo e todos de deixar de ser quem é, um homem que acredita que num segundo que seja pode fazer a diferença.

A relação que ele tem com os adeptos é o típico caso de amor/ódio, mas na verdade só é possível odiar tanto uma pessoa que no fundo se ama com grande intensidade...

Com Quaresma não existe meios termos, é o 8 ou o 80...Não me importo que ele mande 4 bolas para a bancada porque de todas as vezes que o fez no segundo antes dele tocar na bola já me tinha feito saltar do banco a acreditar que algo de especial podia acontecer, e quando acontece é das melhores sensações que há no mundo...

Eu como actualmente vivo em Madrid vi a transmissão com comentários de dois jornalistas espanhóis...

Um deles massacrava o Quaresma com os clichés já conhecidos " devia passar mais a bola. por vezes parece que só joga para ele, isto é bonito mas não é prático etc..."

Ao som desses comentários vi o Quaresma fazer duas assistências fantásticas para 2 golos e pequenos preciosismos técnicos que faziam vibrar a bancada...

Aí o comentador diz" Ninguém pode negar que o Quaresma tem uma técnica única, ó que o distancia de Cristiano Ronaldo é que o madeirense aprendeu a jogar para a equipa e a deixar-se de enfeitar as jogadas, imaginem se Quaresma fizesse o mesmo aonde ele poderia chegar..."

Eu não me importo ,aliás eu acho mesmo que Quaresma nunca será o melhor jogador do mundo, mas acho também que não foi essa a sua missão no mundo do futebol...Quaresma é como um cometa que apenas passa uma vez, é um fenómeno inexplicável, uma prenda da Natureza, um talento imortal que não se pode mudar, e que veio ao mundo para nos lembrar que nunca devemos deixar de sonhar e que devemos aproveitar todos estes pequenos momentos e desfrutar todas as trivelas, todos os calcanhares e passes de letra porque apesar de fugirem da realidade são o que dão sal á vida...Podemos passar uma vida inteira a fazer o que é certo, seguir o caminho convencionado pela sociedade, mas cada um de nós não gostava de anos mais tarde olhar para trás e dizer eu tentei fazer impossível?,consegui ou não consegui? Não importa, eu tentei e dei outro sentido á minha vida e á vida dos outros.

Quaresma é assim. Claro que ele podia passar para o colega do lado em vez de tentar fazer aquela finta que desafia as leis da física, claro que ele podia cruzar com o pé esquerdo em vez de usar a trivela, da mesma maneira que podia cruzar com a parte de dentro do pe em vez de sacar uma trivela...mas querem saber? Que se lixe a ideia de fazer sempre o que vem nos livros, isso já nós o fazemos todos os dias, deixem que haja alguém que fuja ao comum e que faça em nome de todos aquilo que no fundo cada um de nós sempre quis fazer…Marcar os outros com algo que eles nunca viram, deixar uma marca no Mundo.

Há um filme que me marcou e que acho que representa muito daquilo que o jogo do Quaresma me faz sentir.

Voando sobre um ninho de cucos.

A personagem desempenhada por Jack Nicholson- Randel -tentava encontrar o seu espaço num manicómio e demonstrou que ás vezes não há maior lucidez que a própria loucura e influenciou a vida daquelas pessoas.

Num certo momento ele diz que vai levantar um obstáculo enorme que pesava muito mais do que aquilo que qualquer homem poderia suportar…

Ninguém acreditava que ele conseguisse mas ele com coragem cerrou os dentes e empregou toda a sua força naquele objectivo como se fosse o último da sua vida…o obstáculo quase nem se moveu mas a cara de incredulidade de quem assistia transparecia que naqueles segundos todos haviam ficado na expectativa que ele o conseguisse…

No final um maluco diz-lhe “tu és mesmo maluco, estava-se mesmo a ver que era impossível levantar aquilo? A que Randel responde “pois, mas tentei…”

E é isso que tenho a dizer a todos que reprimendas Quaresma e que não se deixam levar no seu futebol de sonho, ele pode não mudar o mundo, nem conseguir provar que no futebol ainda há espaço para romance e o inesperado, se calhar já não temos ninguém que nos inspire, que nos faça crer que podemos vencer o mundo, que uma pessoa pode fazer a diferença, se calhar entregamo-nos e em vez de tentarmos deixar a nossa marca, tentarmos realizar aquele projecto que parecia inalcançável, fazer o que mais nos fazia sorrir, fazer algo com verdadeiro prazer como se por mais anos que passassem se mantivesse aquela criança feliz, alegre e que se diverte com uma bola na sua rua, ele pode não mudar o mundo e fazer-nos dar valor a como é bom dar azo ás fantasias

Mais impossíveis… mas ele tentou…

Ele diverte-se em cada jogo, vê-se isso em cada movimento, e com isso diverte-me a mim e a muitas pessoas.

Eu sei que um dia quando tiver netos lhes falarei que vi jogar um tal de Quaresma. Que o chamavam de Harry Potter porque fazia magia e que me fez passar momentos incríveis e inesquecíveis… Fez-me ver que o futebol antes de ganhar e perder trata-se de que nem que seja por 90 minutos ou por apenas o segundo que demora a fazer uma trivela fazer as pessoas sonhar…

Obrigado Quaresma.

Nota do Administrador: Por certo já viram pela caixa de comentários o Ricardo Costa. Pois bem, convidei-o e ele aceitou ser mais um dos Convidados desta Bancada e irá oferecer-nos a todos a partir de hoje o brilho das suas Palavras de Portista. Como administrador do blog quero agradecer-lhe publicamente ter aceite este desafio e dar-lhe as boas-vindas em nome de todos.

06 fevereiro 2008

Eleição do Jogador da Bancada 07/08 - 5º Round

Ernesto Farias é o grande destaque deste 5º Round do Jogador da Bancada. Com apenas dois jogos completos, o ponta de lança argentino que entrou no Dragão esta época, entra pela primeira vez para o TopTen, embora ainda provisório, tendo sido até considerado para os Convidados da Bancada o melhor jogador em campo, prémio que se deve, não só à exibição, mas sobretudo aos seus dois excelentes golos. Farias é o segundo jogador nesta competição a destronar o líder da tabela geral do primeiro lugar de um Round. A primeira vez

PS: Mais uma vez, coloco em comentário os nomes dos jogadores que actuaram neste jogo. Só necessitam de copiá-los, colá-los na vossa caixa de comentários e atribuir a vossa nota (de 0 a 10). Qualquer jogador que não tenha votação ou que achem que não conseguem atribuir uma votação, será considerada com valor igual a zero. Qualquer dúvida sobre o funcionamento desta eleição, podem esclarecê-la aqui ou então coloquem as vossas questões na caixa de comentários.

05 fevereiro 2008

Superleague Formula

Fazendo um aparte em relação aos habituais textos sobre futebol, os adeptos portistas foram, recentemente, agradavelmente surpreendidos com a notícia de que o FCP integrará a Superleague Fórmula. Essa eclética competição – integrando, para já, as equipas do AC Milan, PSV, Olympiakos, Borússia Dormund, Anderlecht, Flamengo, FC Basel e Galasataray, para além do nosso emblema, será mais uma oportunidade para vibrar com o FCP e conquistar mais troféus para o nosso futuro museu.

O objectivo da competição será o de colocar 20 carros idênticos em prova (cada clube terá um carro), representando os principais clubes da Europa e do Mundo (esperando que, pelo menos, metade dos participantes sejam oriundos do G-14).

A origem dos carros será norte-americana, sendo provenientes de um fabricante de carros de competição com experiência em provas como a Indy Racing League. Trata-se de um monologar construído em fibra de carbono, com uma aerodinâmica distinta (ou seja, diferente dos carros utilizados noutras competições de monologares), concebidos para minimizar os inconvenientes associados ao cone de ar do carro que vai à frente – ou seja, procurando maximizar as possibilidades de ultrapassagem, por oposição do que se verifica na Fórmula 1 actual, em que o carro que segue no cone de ar de outro carro vê seriamente comprometida a sua eficácia aerodinâmica, perdendo aderência em curva.

Os carros, com 2 metros de largura máxima e menos de 3,2 m de comprimento, terão um peso de cerca de 675 kg, sendo propulsionados por um motor V12, de 4,2 litros, com 750 cavalos.

Nesta época inaugural, a Superleague Formula terá 6 corridas. Numa delas, a realizar a 1 e 2 de Novembro, teremos a oportunidade de conquistar mais uma vitória em solo “mouro”, desta vez no autódromo do Estoril (afinal, parece que sempre serve para alguma coisa).

Todos estes ingredientes parecem indiciar que será uma prova de sucesso. Aliando carros de qualidade – ainda por cima, na minha opinião, com a vantagem de serem iguais entre si – à paixão clubística (no fundo, associando a prova ao futebol), admito que poderá, a prazo, ser uma séria concorrente à cada vez mais desacreditada Fórmula 1.

Pela minha parte, que sempre gostei de Fórmula 1, tenho vindo a perder o interesse ao longo dos últimos anos – e a época passada, tendo sido extraordinariamente competitiva, acabou por ser manchada por questões disciplinares de extrema gravidade. Penso que, muito facilmente, trocarei o meu habitual interesse na Fórmula 1 por esta prova.

O site oficial pode ser visitado em http://superleagueformula.net/

02 fevereiro 2008

O regresso à normalidade

Equipa: Helton. Bosingwa, P. Emanuel, B. Alves, Fucile, P. Assunção (Castro 79'), R. Meireles, Lucho (Mariano G. 63'), Quaresma, E. Farias (Adriano 75') e Lisandro

32.219 espectadores

Foi com uma exibição segura, tranquila e a jogar o quanto baste que o FCPorto regressou, como se esperava, às vitórias num jogo onde ficou bem espelhada a enorme diferença na tabela classificativa entre as duas equipas.

Jesualdo Ferreira optou, como se esperava, regressar ao sistema que habitualmente utiliza e que tantos bons resultados tem dado, ou seja o 4x3x3, tendo como única novidade a inclusão de Ernesto Farías na equipa inicial, aposta essa que viria a ser ganha mediante os dois golos do argentino, e uma participação noutro, estando cada vez mais a justificar o seu grande investimento que a SAD portista fez no último Verão.

O jogo entraria com o FCPorto a marcar logo no primeiro minuto, um cruzamento de Quaresma para uma cabeçada de Farías, mas viria a ser anulado por fora de jogo do argentino.

Esse lance viria a se
r a imagem daquilo que se passou durante o resto do jogo, um FCPorto a jogar tranquilamente, com sucessivas trocas de bola e as jogadas de perigo junto à equipa leiriense a aparecerem naturalmente.

O Leiria quando tentava esboçar uma reacção, esbarrava sempre na consistência defensiva portista, de destacar o jogo de Paulo Assunção, é um regalo ver este brasileiro jogar, um verdadeiro pêndulo nesta equipa, dando total liberdade e confiança aos seus companheiros para se aventurarem no ataque, com destaque para as constantes idas ao ataque de Lucho, começa a ser urgente tratar da sua renovação do contrato.

Sentiu-se desde cedo que o primeiro golo, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer, e foi com uma enorme naturalidade que Bosingwa numa das suas famosas iniciativas atacantes supersónicas consegue flectir para o meio, rematando forte, inaugurando o marcador, no entanto, golo esse irregular porque a bola viria a tocar em Farías que se encontrava em fora de jogo no momento do remate.

O mais dificil estava feito e a partir daí tudo viria a ser mais fácil, o FCPorto não necessitava de acelerar muito para fazer um resultado mais volumoso e para dominar totalmente a partida, estando sempre muito concentrado com as poucas movimentações ofensivas da equipa leiriense.

Foi, então, sem surpresa, que aos 24 minutos, depois de um grande lance de Ricardo Quaresma, a tirar do caminho o seu adversário e a cruzar duma forma fantástica, Ernesto Farías viria a cabecear a bola para dentro da baliza, fazendo o segundo golo portista.

O jogo continuava a desenrolar-se em lume brando, o FCPorto trocava a bola com sucesso e sempre sem forçar muito conseguía controlar totalmente a partida, quando era necessário ser posto à prova pelo seu adversário, resolveu sempre através de muita solidariedade entre todos, muita garra, muita concentração e também daquilo que o treinador salientou nas suas declarações no final, muita seriedade por parte dos jogadores, nunca menosprezando o seu adversário.

Mas a partida não iria para o intervalo sem mais um golo, desta vez o golo da ordem de Lisandro, que numa bela combinação com Lucho se viria a isolar, e frente a Fernando não perdoou, provando que, cada vez mais, será o provável melhor marcador do campeonato.

Na 2ª parte, nada de novo, o FCPorto a jogar confortavelmente, não necessitando de jogar a alta velocidade e o União de Leiria a tentar evitar uma goleada e descendo, uma vez por outra, no terreno tentando marcar o golo de honra, mas nunca se chegou a vislumbrar uma oportunidade flagrante.

A equipa leiriense mostrou sempre ser uma equipa lenta, nunca atrapalhou verdadeiramente o futebol praticado pelos portistas, justificando a sua posição na tabela, posição essa que não deverá ser alterada até ao final do campeonato, continuando assim a sua atitude.

Por fim, tempo ainda para mais um cruzamento venenoso de Quaresma para uma cabeçada fulminante de Ernesto Farías, fazendo o resultado final e também para a estreia em jogos da Superliga do jovem Castro, uma estreia positiva por aquilo que fez jogar, pela simplicidade no passe e, acima de tudo, por se ter mostrado descontraído e nada inibido perante a sua estreia, espera-se mais oportunidades .

De destacar, também o regresso à boa forma de Quaresma, mostrando-se cheio de vontade de se conciliar com os seus adeptos, se é que algum dia esteve zangado com eles, participando em dois golos, e, embora nalguns momentos continuasse a exagerar nalguns lances individuais, mostrou sempre uma enorme garra e preocupação para recuperar algumas bolas que ia perdendo e também em ajudar defensivamente a sua equipa.

O passeio neste campeonato rumo ao segundo tricampeonato da história portista continua, com poucos sobressaltos, provando, cada vez mais, que é um equipa aparte neste campeonato, até na arte de provocar azia e criar invejas aos seus adversários.

01 fevereiro 2008

Basta manter a atitude

A exibição foi muito boa, é inegável. Todos os que entendem um pouco de futebol o admitiram, adeptos, adversários, jornalistas, etc., mas o Dragão nunca viveu de vitórias morais e há algo que é também inegável e real, perdemos e perdemos o último jogo contra um adversário directo, contra um dos maiores rivais que temos neste campeonato. Pela segunda vez no campeonato conhecemos o sabor da derrota e isto não pode nem deve ser esquecido, fazendo com que todos os jogadores percebam que este jogo, o seguinte, é o mais importante da época, fosse contra o melhor clube do mundo, seja contra o lanterna vermelha desta liga.

O União de Leiria, adversário deste jogo, está em vias de descer pela primeira vez em muitos anos à segunda liga. As suas esperanças na manutenção estão perto de ficarem irremediavelmente perdidas e este jogo, embora seja contra o campeão, é mais um em que qualquer pontinho será como ouro para manter acesa a esperança, sendo que o ponto de desespero já começa a ser enorme e será assim esperado um autêntico autocarro em frente da sua baliza.

O FCPorto deve-se apresentar na sua máxima força, facilitar poderá resultar em problemas e a nível psicológico esta vitória será vital. Jesualdo Ferreira deverá escolher exactamente a equipa que entrou para a segunda parte do jogo de domingo, em que a defesa e a linha média é normal titular no 4-3-3, sendo que na frente Farias estará no centro do ataque, com Quaresma e Lisandro a apoiá-lo. Não sei se houve ou não problemas entre o professor e Quaresma, não vou fazer disso um caso, mas na minha opinião este seria um bom jogo para o extremo ficar a “descansar” no banco, entrando para o seu lugar Hélder Barbosa. As atitudes infantis do “cigano” têm-me tirado do sério e, além de ser muito bom dar esta confiança e apresentar Hélder Barbosa aos sócios, seria bom que Quaresma recebesse uma pequena lição de humildade e soubesse que quando não está bem, e eu acho que não está, ele é como os outros e perde o lugar na equipa. O meu onze seria então o seguinte:

No final do jogo de Alvalade pensei que não me importaria que os vencedores do dia jogassem sempre como jogaram, nem que o FCPorto, apesar de derrotado, jogasse sempre como jogou. Acreditava e acredito que, assim, seria, tal como disse Jesualdo, muito, mas muito difícil o FCPorto perder mais qualquer jogo e a diferença no final do campeonato entre os dois rivais seria até escandalosa. É isso que peço á equipa, a mesma atitude, a mesma alma, o mesmo crer e assim bastará apenas um pouquinho mais de sorte na finalização para a vitória ser nossa. O público, que tantos assobios gosta de oferecer aos NOSSOS jogadores, que desta vez tenha alguma consciência e que dê a entender à equipa que apesar da derrota é aquela atitude que se espera dela e deverá recebê-la com um enorme aplauso e dar-lhe todo o apoio. Infelizmente não posso ir ao Dragão, nem sei se poderei sequer ver o jogo, mas se fosse podem ter a certeza que ajudava a que os jogadores fossem recebidos com um enorme aplauso de pé. Pelo que jogaram, pelo que lutaram, eles merecem-no.

FCPorto - U. Leiria, Sábado- 19H15, SportTv

31 janeiro 2008

Salários dos árbitros portugueses

Esta questão não tem particularmente a ver com o FCPorto, mas o que os árbitros fazem dentro das quatro linhas, gerando polémicas atrás de polémicas, leva a que a questão tenha a ver com todo o futebol português em geral, onde, como é óbvio, se inclui FCPorto. Além da natural curiosidade que levanta a todos os adeptos de futebol.

Muitos se devem perguntar porque razão se mostram tão relutantes os árbitros portugueses em quererem a profissionalização e porque nunca se avançou para a mesma. Não que na minha opinião ache que algo mudaria na arbitragem com essa solução, mas seria normalíssimo que os árbitros o quisessem fazer, já que não poucas vezes se dizem injustiçados quando lhes tentam incutir alguma responsabilidade aos erros que cometem, dizendo mesmo que não são profissionais e que por isso ninguém os pode responsabilizar. Mas várias razões existem para que sejam constantemente colocados entraves, pelos próprios, a essa medida e é mais fácil entendê-lo perante os dados fornecidos pelo site FutebolNegócios.

O referido site informa-nos que os "senhores do apito", além de manterem os seus empregos regulares, o que convém para o caso de algo correr mal, auferem valores na arbitragem que se podem considerar de extras bastante luxuosos, já que estão bem acima da média do que aufere o português comum no seu emprego do dia a dia. Um árbitro por cada jogo da 1ª Liga recebe 1.000,00 € e por cada da Liga de Honra recebe 700,00 €, aos quais se retiram 20% para impostos. Além destes valores, e segundo o mesmo site, "têm direito a alojamento e refeição nos dias dos jogos, transporte com motorista da porta de casa à porta dos estádios, preparador físico, relvado para treinar, ginásios, equipamentos, 21€ de subsídio de refeição e 300€ de subsídio de treino". Com tudo isto ainda podem alegar, quando cometem erros e tal como já escrevi acima, que não são profissionais, não podendo assim serem responsabilizados.

Mas o site FutebolNegócios apresenta-nos dados concretos numa tabela com os valores auferidos nos últimos 6 meses pelos 24 árbitros pertencentes ao quadro de árbitros da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Como curiosidade podemos ver que o líder da tabela é precisamente o árbitro do último clássico e de quem os portistas bem se podem queixar.
Perante tudo isto é caso para perguntar: mas porque raio haveriam os árbitros de se quererem profissionalizar?